domingo, 28 de outubro de 2012

OBRAS DE MARC CHAGALL SÃO EXPOSTAS NA RÚSSIA - 07 DE SETEMBRO DE 1987

JORNAL A TARDE SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 07 DE SETEMBRO DE 1987.

OBRAS DE MARC CHAGALL SÃO EXPOSTAS NA RÚSSIA


A viúva do artista russo Marc Chagall está na União Soviética para uma exposição dos trabalhos do renomado artista expressionista que trocou a terra natal pelo Ocidente em 1922.
“Tenho certeza de que se ele pudesse chegar aos 100 anos de idade encontraria forças para vir a Moscou, declarou Valentina Chagall ao jornal “Literaturnaya Gazeta, salientando que o pintor “ficaria muito feliz em saber que seus trabalhos estão expostos em sua terra.”
Chagall, que morreu aos 98 anos de idade em 1985, nasceu em Vitebsk e estudou na então capital da Rússia, São Petersburgo e abandonou a jovem república soviética em 1922 quando a arte de vanguarda caiu em desgraça no país.
Marc Chagall tendo ao fundo algumas obras recentes do artista russo.
A mostra do pintor acontece graças a Glasnost, palavra símbolo da política do líder Milhail Gorbachev e que dá vez a figuras da cultura russa neglicenciadas durante décadas.
Sob a Glasnost, que significa transparência, as revistas soviéticas também já publicaram um pequeno romance, contos e poemas de Vladmir Nabokov que, como Chagall, deixou o país pouco depois que os bolcheviques tomaram o poder, na revolução de 1917.
Chagall tinha estudado em Paris antes da revolução e optou por viver na França. Mas sua mulher, na entrevista à “Literaturnaya Gazeta”, garantiu que ele jamais esqueceu a terra natal.
Na véspera da inauguração da mostra, Valentina lembrou de uma viagem de retorno que com ela fez à União Soviética, em 1973, quando em Peredelkino, uma comunidade perto de Moscou, “Marc Chagall, tocando-os e acariciando-os, dizendo como sentia falta de tudo aquilo na França”.
“É uma pena que ele não esteja aqui comigo agora”, lamentou a viúva. A exposição, marcando o centenário do artista, está sendo realizada no Museu de Arte Gráfica de Moscou e inclui 90 pinturas e 100 desenhos de Chagall.
A diretora do Museu, Irina Antonova, realçou o caráter russo da aventura artística de Chagall: “Esta exposição tem um sentido muito especial para nós porque foi na Rússia que ele nasceu e se desenvolveu como artista”.
Na exposição estão alguns dos trabalhos gráficos que Chagall deu de presente ao museu durante sua primeira exposição na União Soviética em 1973.
A “Lilteraturnaya Gazeta” também publicou uma carta escrita por Chagall durante a II Guerra Mundial sob o título: “A minha Vitebsk natal”, mostrando suas lembranças das raízes que inspiraram sua obra.
“Não vivi com você mas não existe uma única pintura minha que não reflita a sua alegria e tristeza. Fico triste quando vejo o jornal dizer, não entendendo o que sinto por você, que a esqueci. Que resposta dar? Você é o único lugar no mundo que amo”, escreveu o artista. Ao lado uma bela obra o mestre das cores. Marc Chagall.

           LAVINIA GONDIM ESTÁ EXPONDO 24 QUADROS

A artista Lavínia Gondim está na Panorama Galeria de Arte com vinte e quatro trabalhos onde extravasa toda a sua sensibilidade. Ela escreveu a apresentação do seu catálogo repleto de questionamento e, em certo trecho fala dos palhaços que gosta de pintar, dizendo: Aprecio a simbologia do palhaço pelo que ele difunde de alegria,na medida em que é respeitado o seu direito de ficar triste, e de experimentar novas sensações. O palhaço me comove, me emociona”.
Lavínia Gondim pinta palhaços, inclusive num dos trabalhos que fez recentemente suas filhas aparecem com os rostos pintados e com a indumentária própria dessas criaturas que nos fazem rir.
                                                            A crítica social  de Lavínia feita através das figuras abastadas.
Aí deixa transparecer um pouco da mãe que curte a sua prole, acrescida da sensibilidade pela arte quando se emociona com as brincadeiras ingênuas dos palhaços.
Por trás desta simbologia vejo também os palhaços “de verdade”, que surgem diariamente no vídeo ou nas páginas dos jornais e revistas a fazer afirmações que não se concretizam. Aliás, estes são os verdadeiros palhaços deste circo mundano..
A obra de Lavínia não está limitada apenas aos palhaços pois tem escondida por trás  da aparente ingenuidade um discurso crítico. Neste quadro, que público, vemos uma cena onde pessoas abastadas bebem à vontade, todas estão gordas e satisfeitas, o que não acontece com a grande maioria dos habitantes deste País.

LEILÃO DE ARTE FOI REALIZADO EM FEIRA DE SANTANA COM SUCESSO

Foi um sucesso o leilão de arte realizado em Feira de Santana, no Palace Hotel, promovido pela Galeria Raimundo de Oliveira e “O Cavalete”, esta de Salvador. Entre os trabalhos leiloados figuram os dos artistas Floriano Teixeira, Gil Mário, Bel Borba, Cesar Romero, Jenner Augusto, Antônio Rebouças, Murilo, Calasans Neto, Graça Ramos e Márcia Magno, num total de 102 trabalhos entre pinturas, desenhos e tapetes. Coube ao professor Carlos Eduardo da Rocha proferir uma palestra sobre Arte Contemporânea.Na foto o artista Gil Mário durante a exposição de Floriano Teixeira.

          ARTISTA ARGENTINO EXPÕE 40 TRABALHOS

Trinta pinturas e dez gravuras do argentino Ariel Dawi estarão expostas no Museu de Arte da Bahia. Ele já mostrou seus trabalhos em alguns países, esteve na Alemanha e na Espanha, Participando de um curso de Litogravura e Gravura em metal na Escola de Arte e Ofício de Barcelona, onde permaneceu durante mais de três anos.
Ariel é um desses artistas inquietos que está à procura de conhecer culturas diferentes. Está movido por aquele impulso buscando desvendar os mistérios que lhe são postos à frente. Com apenas 29 anos de idade tem alguma maturidade na técnica que utiliza, embora sua arte ainda tenha uma preocupação muito grande com a figuração. Para um artista que já conheceu museus europeus, que manteve contato com artistas contemporâneos, sua arte certamente passará por um processo evolutivo. Tenho certeza que está a caminho. Faço esta afirmação baseado nos trabalhos e nas fotos que me trouxe para examinar de exposições realizadas no Brasil e em outros países.
Notei também uma influência muito marcante de grandes mestres como Picasso, Chagall e nas últimas obras de alguns brasileiros. Mas, isto é compreensível e acredito que Ariel com sua disposição aventureira vai chegar a um patamar desejável.