quinta-feira, 4 de outubro de 2012

PINHEIROS NO LUGAR DE ÁRVORES DESFOLHADAS

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 25 DE JULHO DE 1983

PINHEIROS NO LUGAR DE ÁRVORES DESFOLHADAS
Fotos Divulgação e Google.

As árvores desfolhadas deram lugar aos pinheiros perfilados e a figura humana antes estática, move os braços e as pernas numa mudança significativa na obra de Lygia Milton que retornou do Rio de Janeiro onde expôs na Galeria Maria Augusta.
Tanto a figura humana como os pinheiros habitam os espaços límpidos do mundo metafísico criado por Lygia Milton. Ouso dizer que existe uma pseudotranqüilidade em seus personagens. A aparente tranqüilidade estampada em suas telas gera uma tensão no espectador que se detém a examiná-las mais detalhadamente.



O movimento é agora presença no gestos da figura humana e nos pinheiros perfilados. Estes, por sinal, mais parecem serem humanos prontos para invadir os espaços vazios do mundo imaginário e límpido de Lígia Milton. Como que existe um pacto entre a artista e seus personagens que são deslocados como verdadeiros soldadinhos de chumbo de um canto a outro procurando uma melhor colocação para atingir o alvo ou mesmo peças para atingir o alvo ou mesmo peças de um intricado jogo de xadrez.
Tudo é feito cuidadosamente, com a homogeneidade na textura, mesmo quando existe uma variação maior de cores.
Saindo da paisagem ela detalha com nobreza e perfeição os monumentos são apresentados em detalhes que ganham força e pujança. Este conjunto de obras que tive a oportunidade de examinar, antes da exposição, é uma demonstração da sua procura, da sua busca constante em expressar cada vez melhor. A técnica, o jogo dos personagens são elementos incontestáveis do seu talento e uma demonstração que continua produzindo com seriedade.

    MORREU O MURALISTA PABLO O’ HIGGINS

Paulo O’Higgins, um dos grandes expoentes do muralismo mexicano, morreu no último dia 16, no México, vítima de uma longa enfermidade.
Nascido na cidade norte-americana de Salt Lake City, no Estado de Utah, O’Higgins chegou ao México em 1924, convidado pelo pintor e muralista Diego de Rivera, com quem colaborou na realização de vários murais, especialmente os de Chapingo e os dos Ministério da Educação.
Como contaria anos mais tarde, seus primeiros contatos com o México foram através de emigrados mexicanos que chegavam a San Francisco e San Diego, na Califórnia, durante os anos da Revolução Mexicana.
Considerado por David Alfaro Siqueiros como o “mais esquerdista” da geração de muralistas da qual fizeram parte Rivera, José Clemente Orozco, Juan O’Gorman e Rufino Tamayo, O’Higgins foi inspirador e fundador da liga de escritores e artistas revolucionários e da oficina de gráfica popular. Foto do artista norte-americano.
Em seus objetivos de levar a arte ao povo, O’Higgins decorou o Mercado Abelardo Rodriguez, que foi declarado monumento nacional e conservado atualmente como idealizara o artista.
Participante de várias exposições individuai e coletivas na Europa e nos Estados Unidos, O’Higgins fez, em 1955, murais no Sindicato dos Estivadores de Seattle e para a mesma entidade em Honolulu, no Havaí.
No México, seus principais murais encontram-se nas oficinas gráficas, na Escola santa Maria Atarasquilli e nas cidades de Calitzentzin, no Estado de Michoacan e em Poza Rica, no Estado de Veracruz.
Além de muralista, O’Higgins destacou-se como litógrafo, obtendo, nesta categoria, em 1946, uma honraria especial de mérito, data pelo presidente mexicano.
Em 1959, recebeu o primeiro prêmio da exposição anual de gravuras e litografia, organizada pelo Instituto Nacional de Belas Artes, e nesse mesmo ano foi distinguido com o primeiro prêmio por um mural externo no Palácio Municipal de Poza Rica.

GABRIELA DANTÉS NA SANDIZ


Dezessete quadros a óleo mostrando aspectos da paisagem física e humana da Bahia de autoria da artista uruguaia Gabriela Dantés estão expostos na Loja Sandiz, no Shopping Center  Iguatemi. Como todo visitante que chega a Bahia, Gabriela consegue captar aspectos pitorescos e do cotidiano desta cidade mágica. Todas foram pintadas nos últimos dois meses. Dantés é muito conhecida no Mercado Modelo, onde sempre está em frente a seu cavalete retratando as pessoas que por lá aparecem. Ela é uma dessas pessoas que gosta de papear, de falar das coisas que lhe sensibilizam, e por isto muitas vezes não é bem entendida.
Ela está há 23 anos no Brasil e há oito anos na Bahia, já tendo realizado 36 exposições individuais em diversas capitais brasileiras e países da América Latina. Gabriela é uma pessoa muito simples, e seus quadros fluem em grandes pinceladas com uma forte luminosidade. Muitas vezes suas obras beiram ao primitivo e outras se apresentam com uma forte tendência figurativa. Na realidade o que ela deseja é retratar as coisas da Bahia, dentro de sua visão de artista autodidata que é.
                         Ao lado a obra Briga de Galos, de Gabriela Dantés.
Recentemente esteve na redação de A Tarde onde conversamos sobre seu trabalho e pude sentir a sua simplicidade, que muitas vezes incomoda os mais apressados e insensíveis. Gabriela é uma artista que acompanha o desenrolar das artes plásticas baianas, e que luta para integrar-se neste cenário.
Por ser de fora de fala mansa e muitas vezes perserverante, no que deseja alcançar, termina afastando as pessoas com quem buscava integrar-se. Mas se você parar para ouví-la, verá que é uma artista sensível e uma pessoa humana agradável e pura, como sua própria obra. Sua exposição ficará aberta ao público até o fim do corrente mês.

A II BIENAL DA ARQUITETURA EM SOFIA

A cidade de Sofia foi sede da Segunda Bienal Mundial de Arquitetura Interarch 83, organizada pela União de Arquitetos Búlgaros, com o apoio da União Internacional de Arquitetos. O tema deste conjunto de expressões da realidade arquitetônica atual, realizada em junho último, foi “A Arquitetura das Sociedades Urbanizadas” e o evento destinou-se a arquitetos, urbanistas, sociólogos, economistas, desenhistas, teóricos e críticos, prefeitos e administradores. Palácio das Artes em Sofia
Aproximadamente 800 estrangeiros participaram do evento juntamente com cerca de 2.000 arquitetos búlgaros que tomaram parte dos debates, exposições e encontros de todo tipo, pois houve, entre outras atividades: um simpósio-concurso sobre o tema “A Arquitetura, seu Presente e Futuro”; um foro juvenil com o tema “A Missão do Arquiteto para o Desenvolvimento da Sociedade”; uma exposição concurso de projetos e obras e um concurso de publicações.
As reuniões foram presididas por seu principal animador, o arquiteto Gueorgui Stoilov , presidente da União de Arquitetos da Bulgária e membro do Colégio de Delegados da UIA. Foi conseguida a união de profissionais dos mundos de Leste e Oeste, coisa que não aconteceu noutros acontecimentos desse tipo vinculados com a arquitetura, exceto as grandes reuniões da UIA. Centro da cidade de Sofia.

O SIMPÓSIO

O Simpósio deu lugar a participação de arquitetos de mais de 25 países que, em vez de ler longas teses, tiveram dez minutos para sintetizar, verbalmente, seu pensamento e mais dez para discutir ou explicar conceitos, modalidade criada exclusivamente neste caso e que dinamizou o simpósio. Em tal clima de intercâmbio houve intervenções da norte-americana Angiola Churchill (recuperação de espaços destruídos no Bronz Nova-iorquino), do grego Diamantopoulos (buscando a superação da Carta de Atenas), do arquiteto suíço Dahinden (preocupado na busca de novos caminhos para a juventude), do norte-americano Peter Lizon (criador do termo futurecture como síntese da arquitetura do futuro), do francês François Lombard( que expôs sobre os planos do embelezamento urbano de Paris), do mexicano Félix Candela (que abordou o mundo do Oeste, a experiência de seus conhecidos “guardas-chuvas” de cimento armado) e do japonês Kisho Kurokawa, o qual, com a melhor tradição poética japonesa, definiu a linguagem de arquitetura dando a sensação aos presentes de estar sentado em um círculo de ouvintes atentos.
Um júri integrado por Jay Rathan Balla, o arquiteto indu que foi presidente da UIA, o soviético Vyacheslav Glazichev, o búlgaro Nikolai Nenov, o cubano Raúl Romero, o britânico Rod Hackney e o argentino Jorge Glusberg (atuando como presidente), conferiu prêmios pela qualidade dos trabalhos apresentados a: A>S. Kosinski, da União Soviética e José Muntanola Thomberg, da Espanha; François Lombard, da França; Nathan Silver, dos Estados Unidos. A. Marder da União Soviética; Gheorghe Curinschi Vorona, da Rumênia e a panos Kokkoris, da Grécia.

LIVROS PREMIADOS

Uma das mais significativas expressões da Bienal foi o concurso de trabalhos teóricos para publicações de 1980 em diante, no qual apresentou-se uma elevada quantidade de candidatos. O júri foi o mesmo que atuou no simpósio-concurso:Glazichev, Glusberg, Hackney, Nenow, Rathan balla e Romero.
Os primeiros quatro prêmios foram para o conjunto de cinco volumes sobre Desenvolvimento Urbano no México. Atlas, trabalhos Urbanos e Planejamentos e restauração, publicados sob a direção de Pedro Ramirez Vásquez, do México; Enviromental discourses, pelo arquiteto turco Teymur Neckdet; a série Guia de Livros de Arquitetos na RDA, de Berlim; Arquitetura Estrangeira, do Movimento Moderno ao Post-Modernismo, por A.V. Lkonnikov, editado em Moscou.
Um prêmio estabelecido pela província de Hainaut, Bélgica, foi conferido a Desenho e Estética Urbana, do arquiteto argentino Daniel Ivakhoff, editado em Buenos Aires. Também foi premiado, com menção honrosa, La Molina, Planejamento e Urbanização, projeto de Manuel Ungaro Zevallos, da Universidade Nacional Frederico Vilareal, de Lima.
A exposição de obras da Bienal reuniu 347 apresentações das quais 97 foram da União Soviética e 92 da Bulgária; esta apresentação maciça de arquitetura do oriente europeu criou um panorama completamente diferente do que os ocidentasi estão acostumados a ver.