domingo, 28 de outubro de 2012

NOVAS PROMESSAS OFICIAIS NA ÁREA DAS ARTES PLÁSTICAS - 12 DE OUTUBRO DE 1987.

JORNAL A TARDE, SEGUNDA-FEIRA , 12 DE OUTUBRO DE 1987. 

NOVAS PROMESSAS OFICIAIS NA ÁREA DAS 
ARTES PLÁSTICAS

Chegou tarde. Porém, como diz o povo, “antes tarde do que nunca”. Espero que o nunca seja afastado. Na realidade, o projeto que tardiamente o secretário de Cultura do estado assegura que colocará em plástica, ainda está no plano dos sonhos e das promessas. Como neste país planejamento a longo prazo significa que a obra nunca será executada, tenho muita desconfiança que a bienal baiana será revitalizada, que haverá mapeamento e apoio às produções do interior, que será criado um Centro de Referência de Artes Plásticas no Solar do Unhão, e, finalmente, que vão ser realizadas grandes exposições coletivas de arte contemporânea produzida aqui.. Projetos necessários e reclamados por todos nós que acompanhamos o movimento de arte na Bahia. Nada disto é novidade. Foto atual de Zivé Giudice.
Lembro que denunciei a discriminação com relação às artes plásticas em detrimento de outras manifestações, principalmente  a música, da qual o atual secretário é integrante, quando do lançamento do Projeto Feira Arte. Agora recebo um release com estas promessas. Mas o protesto valeu, porque foi um alerta. Quanto ao apoio à produção de arte originária no interior, infelizmente, tenho quase certeza que serão premiados os peemedebistas, petistas, e outros em detrimento de outros artistas, que antes eram governo, e, portanto, beneficiados, e agora serão esquecidos. São lados de uma mesma moeda e a arte virá política e gangorra nas mãos de pseudos intelectuais.
A prioridade do Departamento de Artes Plásticas da Fundação Cultural,segundo Zivé Giudice é para ações mais coletivas.Como afirma ele, poucos eventos significativos no campo das artes plásticas se realizaram na Bahia depois das bienais, a não ser alguns salões esporádicos, mas que não tiveram continuidade.
|Assim, a produção contemporânea, principalmente a partir da década de 70, se ressente da falta de intercâmbio com os outros centros, a não ser alguns casos esporádicos de artistas individuais que tentam este diálogo por iniciativa própria. O que nós precisamos é estabelecer o diálogo com os outros centros e com a própria comunidade de forma mais incisiva e com certa regularidade para o próprio desenvolvimento das artes plásticas.
A realização de exposições coletivas para permitir uma amostragem da nossa produção, assim como o intercâmbio com outros centros não significa que o artista, individualmente, não tenha vez no Departamento de Artes Plásticas, conforme esclarece o diretor: “N[os vamos atender, dentro do possível, as solicitações individuais.O Departamento inclusive , realizará regularmente concurso de projetos para exposições individuais”. Independente deste concurso, todos os artistas podem participar, das sugestões e contribuir com as mações coletivas do Depap, inclusive participando das exposições coletivas. Para isto ocorrem reuniões quinzenalmente, às terças-feiras, às 17 horas , no terceiro andar da Biblioteca Pública, nos Barris, aberta aos artistas plásticos interessados.

          O MUNDO SOLITÁRIO DE FERNANDO LISBOA
Fernando Lisboa, 25 anos, estudante de arquitetura, sempre teve a vocação para arte, particularmente para a pintura. Começou desenhando aos 5 anos e vem se dedicando insistentemente ao que define como “um exercício interessante”. Seus trabalhos baseiam-se no realismo fantástico, segundo afirma; “ procuro sempre através dos meus q2uadros, expressar a solidão e as angústias do homem moderno na tumultuada sociedade urbana”.
Essa temática tem muito a ver com o próprio artista, que se diz ser uma pessoa inquieta na busca incessante de novas descobertas e ao mesmo tempo marcada pelas dificuldades, pela tristeza e também pela solidão. Ele afirma que sabe dos problemas que irá enfrentar ingressando definitivamente na vida artística.Mas entende que com esforço e vontade, os empecilhos poderão ser superados.
“Na verdade : não conheço bem o mercado de arte da Bahia> Imagino que terei dificuldade. Todavia, tenho também pleno desejo de vencer e quando a persistência é mais forte, acabamos por ultrapassar as barreiras”, lembra. Ele vai expor dia 22, na Galeria de Arte Viva, do Farol Praia Center.