domingo, 28 de outubro de 2012

ARTISTAS FAZEM OUTDOORS E ESPALHARÃO POR SALVADOR -28 DE SETEMBRO DE 1987.


JORNAL A TARDE , SALVADOR SEGUNDA-FEIRA , 28  DE SETEMBRO DE 1987.

ARTISTAS FAZEM OUTDOORS E ESPALHARÃO 
POR SALVADOR.


A agência de publicidade DM-9 transformou o que seria a campanha de outdoor mais cara da Bahia, numa promoção acessível, além de popularizar as idéias dos grandes artistas plásticos baianos, pois seus trabalhos serão exibidos nas avenidas mais movimentadas da cidade, a partir da 1ª quinzena de outubro.
A população de Salvador terá a oportunidade de ver as pinturas de artistas da velha guarda como Carybé, Floriano, Calazans Neto, Sante Scaldaferri, Carlos Bastos e Mirabeau Sampaio entre outros, que já estão trabalhando os outdoors na A.
Linhares e que serão exibidos da forma artesanal, como foram criados, sem serem impressos.
A solidariedade dos amigos Carybé, Mário Cravo e Floriano Teixeira, dentre outros artistas.
Trata-se de uma homenagem desses pintores a D.Sizininha Abreu, proprietária de uma loja localizada na Barra, pelos seus 30 anos comercializando obras de arte, antiguidade e projetos de decoração.

A IDÉIA

Segundo informações da equipe de mídia, a agência foi solicitada a criar uma campanha para outdoor a fim de marcar os 30 anos de atividades comerciais da loja por sua proprietária.
Havia mil idéias, porém a cliente é uma pessoa muito querida em Salvador, principalmente na área cultural, então a equipe de criatividade da agência partiu para o “saque” de decorar a Cidade do Salvador com obras dos grandes nomes das artes plásticas da Bahia ou projetar um grande corredor da arte numa avenida de grande movimento como é a Garibaldi.
Uma idéia que não é original, mas interessante. Lembro que na realização do I Salão Metanor vários artistas baianos pintaram  outdoors no próprio local, subindo nos andaimes na Av. Garibaldi. Assim diariamente até o dia 29 de setembro, os pintores baianos estarão colocando suas idéias em outdoors. Além dos nomes mais citados estarão prestando homenagem a D. Sizininha, Fernando Coelho, Levy, Zivé Giudice , Otaviano Moniz Barreto, Bel Borba. Além de uma equipe de arquitetos, o pessoal da agência, seus filhos e netos.
A idéia inicial era fazer um corredor da arte na Av. Garibaldi com todos os outdoors dos artistas, mas prevaleceu a sugestão em vários outros pontos da Cidade, também de grande movimentação, como Aeroporto, Av. Paralela, Av. Antônio Magalhães, entre outras. Assim se uniu o útil ao agradável, uma campanha que teria um custo muito alto se fosse pago cachê aos artistas, tornou-se acessível porque foi transformada numa homenagem. Um presente pelos 30 anos de atividade comerciais de D. Siziniha Abreu.
Parabéns do colunista.

MEXICANOS QUE PARTICIPARÃO DA BIENAL EXIBEM VÍDEO AQUI

Arturo Guerrero e Marisa Lara participarão da Bienal de São Paulo e pretendem exibir em Salvador um vídeo sobre suas obras, no Museu de Arte da Bahia, no próximo dia 28, às 20 horas, numa promoção de Departamento de Artes Plásticas.
Explicam os artistas mexicanos que trabalham em três planos de atividades a projeção de um vídeo, debate e desenvolvimento de uma oficina de trabalho. A projeção  do vídeo se trata de uma fita cujo tema é o trabalho plástico que os artistas realizam investigando diversos aspectos da cultura popular urbana como os espetáculos populares, particularmente os de circo, a luta livre, o boxe, o futebol, corrida dos touros, o baile público e a música de dançar como a rumba. A obra aborda situações e personagens vinculados a identidade cultural de ambos, que consideram integrantes do acervo cultural dos povos latino-americanos. Eles pretendem retomar a presença e a força da estética cotidiana; afirmar os lugares de encontros coletivos através de elementos lúdicos; participar da experiência de viver numa grande cidade mediante a troca de experiência de acontecimentos populares e, finalmente, retomar as expressões visuais da cultura popular manifestadas numa ampla iconografia urbana.
O material que apresentam vem acompanhado de textos e opiniões de personalidade da vida cultural mexicana. Quanto ao debate é baseado em seus trabalhos quando eles abrem espaço para um intercâmbio de opiniões com a participação do auditório.
Já o desenvolvimento de uma oficina de trabalho é para eles a conclusão de uma trajetória criativa dentro da concepção plástica baseada na utilização de materiais do cotidiano, ou seja materiais de uso popular e perfeitamente incorporados a um desenho dos participantes, deixando que as individualidades apareçam. Os participantes tomam a a iniciativa de selecionar os materiais dentro de seu mundo de conhecimento para transformá-los em objetos plásticos.
Os dois artistas participaram em Brasília do I Festival Latino-Americano de Arte e Cultura, que aconteceu na semana passada representando o Instituto Nacional de Belas Artes do México. Daí eles pretendem se apresentar aqui e em outras capitais, desde que sejam fornecidas hospedagem, transporte e alimentação durante um cinco dias de permanência.
No dia 2 de outubro. Ao lado de obras de David Alfaro Siqueiros, Remédios Varo e Martha Palau, estarão trabalhos em grandes formatos de Arturo Guerrero e Marisa Lara. Portanto, uma boa oportunidade para aqueles que não poderão ir até a Bienal de São Paulo ver um trabalho que lá será apresentado.

PEÇA NO TCA BASEADA N OBRA DE MAGRITTE

O absurdo é a crença de que uma lógica específica (chamada razão) pode dominar a lógica do mistério.
Um quadro, por exemplo, me parece válido se não for absurdo e se for capaz, como o mundo, de dominar nossas idéias e nossos sentimentos, bons ou maus.
Não há escolha. Não há arte sem vida. A coisa básica, seja na arte ou na vida, é a “presença do espírito” é imprevisível, Aquilo que chamamos de vontade não a controla. Nós somos controlados pela “presença do espírito”, que revela a realidade como um absoluto mistério, René Magritte apresentam o do grupo do teatro Orlando Furioso que mostrará a peça intitulada “O Espelho Vivo”, nos dias 9 e 10 de outubro no Teatro Castro Alves. Um projeto avançado onde há uma perfeita integração entre a vídeo-arte, teatro, holografia, slides e movimento, buscando dar dinamismo e tridimensionalidade à obra bidimensional do pintor.
Todos sabem, que a pintura de René Magritte expõe de forma inconfundível o desejo inconsciente e existencial da pessoa humana, e este trabalho do grupo Orlando Furioso envolve a forma de movimentação cênica, o estudo de processo de colagem, a criação de efeitos que provocam desdobramento de imagens e paradoxos visuais, a composição sonora e de iluminação, o estudo do timing das cenas.
Para Renato Cohen o uso da tecnologia moderna é o escolhido para dar vida e para a criação de efeitos que ilustram o imaginário de René Magritte. Portanto é uma nova forma de integrar a relação espaço-tempo-público, e a assistência e ao mesmo tempo, o observador participa do espetáculo. A linguagem surreal de Magritte se presta para este tipo de espetáculo porque nos leva ao pensar no imaginário, a gravitar no mundo dos sonhos. Esta releitura de sua obra é muito saudável, pois o artista trabalhava com elementos do cotidiano através de uma relação metafísica que busca a transcendência.
Segundo deixou escrito pretendia liberar os objetos de suas funções ordinárias alterando suas propriedades habituais através de mudanças de escala e posição.