quarta-feira, 31 de outubro de 2012

É PRECISO EXPOR OBRAS DE BAIANOS NO SUL DO PAÍS - 19 DE OUTUBRO DE 1987

JORNAL A TARDE SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 19 DE OUTUBRO DE 1987

É PRECISO EXPOR OBRAS DE BAIANOS NO SUL DO PAÍS

É importante o intercâmbio entre artistas baianos e de outros estados. Porém, mais importante do que a presença de artistas sulistas aqui é a presença no mercado do eixo Rio-São Paulo da nova geração de artistas baianos. As galerias baianas precisam ousar e entrar em contato com outras galerias instaladas no Sul para que aquele público conheça a arte contemporânea feita aqui. O conhecimento que eles têm por lá, é apenas, limitado a artistas que estão aí no mercado desde as décadas de 40 e 50. Isto é fruto de uma má política cultural e, recentemente, a coisa tem piorado, com falta de apoio às artes plásticas. Não adiantou criar uma Secretária de Cultura porque os interesses ideológicos se sobrepõem aos verdadeiros interesses de promoção cultural.
Obra de Aldemir Martins: Gato Malhado,óleo sobre tela.
Agora com um título, que no mínimo, podemos classificar de exagerado, “A Arte Atual no Brasil”, será promovida uma exposição que inicia a partir do dia 25 no Salão Atlântico, do Hotel da Bahia, com trabalhos de Manabu Mabe, Aldemir Martins, Carlos Scliar, Tikashi Fukushima, Cláudio Tozzi, Rapport e outros. Evidente  que a vinda de obras desses artistas é interessante, principalmente porque os nossos museus nada promovem. Estão preocupados com o preenchimento de cargos de diretores burocratas do que em realizar.
As obras dessa exposição pertencem a Galeria André, de São Paulo. Não se discute a importância de alguns nomes. O que se questiona e a abrangência do nome e o imobilismo, mesmo dos que negociam com a arte, em promover exposições de artistas baianos fora de nossas fronteiras.

TRÊS ESTUDANTES DE BELAS ARTES VÃO EXPOR DIA 23


Alchimia é o título apropriado para as obras que  serão expostas na Galeria do ICBA, do próximo dia 23 ao dia 8 de novembro, pelos estudantes Andrea May, Paulo Pereira e F. Macedo. Eles buscam mostrar, em suas telas, um trabalho alquímico de “transmutação” da vivência cotidiana pessoal em traços e cores impessoais. Impessoalidade que, como a pedra filosofal dos antigos alquimistas, é fruto de uma realidade que transita entre o racional e o irracional, como bem testemunha Andrea May.                         Paulo e Andréa iniciam bem o caminho em busca da profissionalização.
No seu testemunho, Andrea May afirma que sua alquimia é resultado de impulsos emanados da visão interiorizada de sua realidade cotidiana. “A todo instante, afirma ela, existe na minha cabeça um espaço plástico em constante estado de semivigília e transitando entre o racional/irracional”. E a “transmutação se processa através de imagens unicamente, ao encontro de um limite que, quando chega, não incomoda seu impulso criativo. Na opinião de Juarez Paraíso, trata-se de uma pintura regida pelo emocional e uma resposta imediata ao seu momento de concepção.

Se, para o professor, a dimensão gestual de Andréa May é rica de símbolos, a de Paulo Pereira tem a cor incorporada, com uma espécie de contraponto, na estrutura rigidamente concebida em ritmos verticais de imponentes silhuetas. A pintura dele tem uma identidade: construtivismo. Paulo Pereira, contudo, é, em suas próprias palavras, como um moderno alquimista a procurar “transmutar” o construtivismo impessoal das silhuetas imponentes em um construtivismo vivencialmente ecológico. As imponentes silhuetas são, na realidade, estruturas de uma cerca numa paisagem ideal.
 F. Macedo com uma das obras que vai mostrar.
Quando a F. Macedo, Juarez Paraíso afirma, no texto de apresentação da exposição, que ele apresenta um trabalho muito pessoal e de difícil concepção. Partindo de relações figurais inusitadas, F. Macedo concebe uma estrutura complexa e singular onde há permanência de figuras humanas transfiguradas e geradas por uma fragmentação rítmica que se articula na dimensão do reversível. Figuras que são personagens urbanas expostas numa realidade urbana transfigurada e rica de símbolos igualmente urbanos.Símbolos que o próprio artista confessa como “bem pessoais”.

     O SURREALISMO DE MOISÉS SODRÉ
O caminho do hiper-realismo é o que vem seguindo com desenvoltura o jovem pintor Moisés Sodré, vencedor do último Festival de Arte da Telebahia na categoria de pintura.Sodré é um autodidata disciplinado, que consegue através da sua pintura, mostrar uma personalidade  em franco amadurecimento. À medida que se dedica à arte, como ciência, ele procura galgar os degraus da sabedoria.
Eterno sonhador tem boas incursões, também no surrealismo, uma vez que procura se inteirar dos diversos mistérios do cromatismo, da estética e das técnicas utilizadas pelos profissionais.
Seus trabalhos hoje estão expostos até no exterior, e já conquistaram os primeiros lugares em dois festivais de arte da Telebahia (85/87) e no Salão de Artes Plásticas do Espírito Santo, realizado em maio.