sábado, 6 de outubro de 2012

A EXALTAÇÃO DO OBJETO NA OBRA DE LEONEL BRAYNER

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 07 DE NOVEMBRO DE 1983

A EXALTAÇÃO DO OBJETO NA OBRA DE LEONEL BRAYNER



O desenhista e pintor Leonel Brayner está de volta com todo o rigor da sua obra concedida dentro de uma estrutura rígida de trabalho cuidadoso e impecável. Uma obra que é uma verdadeira sinfonia de exaltação do objeto que transcende o próprio lugar que ocupa no espaço para adquirir uma forma quase metafísica., uma forma onde a camada exterior nos faz esquecer o seu real volume.
É assim que Leonel retorna para mostrar seus últimos trabalhos na Galeria Época, a partir do dia 9, às 21 horas.
Desta vez ele nos apresenta algumas frutas e até ovos dentro de jarras e outros vasos onde sobressaem as transparências e a leveza, demonstrando um perfeito domínio da arte de pintar.Alguns consideram que a pintura de Leonel é muito fria, mesmo nas telas carregadas de figuração. Certamente é um dado a ser considerado e analisado. Talvez esta visão seja o reflexo da ausência de qualquer elemento humano em suas telas. O que Leonel busca é ressaltar os objetos que passam despercebidos dentro de nossas casas e escritórios, dos quais ele extrai o essencial e acrescenta toda uma ambientação que brota de sua própria criatividade. Já escrevi certa vez que Brayner humaniza a natureza-morta. Sim porque ele retira o objeto do seu estado estático, e o transporta para o mundo dos vivos. As flores saídas de sua mente criadora parecem que estão vivas e respirando. Respirando outro ar diferente deste ar carregado, deste país tropical, que teima em enfrentar tempestades sem comandante e calado.
É por falta de um cuidado maior em examinar a sua obra que alguns mais apresados não se entusiasmam. Para que sua mensagem penetre profundamente é preciso que examinemos detalhadamente as flores, as frutas que Leonel transporta para a tela.
Todos os efeitos visuais e o próprio clima  necessitam que os apreciadores da arte dêem mais um pouco de atenção. Desta forma a mensagem de Leonel penetrará levando o espectador a instantes de meditação e até mesmo de calma. Será como uma viagem, por alguns minutos, a um mundo limpo, acéptico e acima de tudo se valorizam os objetos.Todo o seu trabalho é rico em sutilezas. Você vai descobrindo elementos e pequenos detalhes, que juntos formam um todo homogêneo e grandioso. É uma obra para ser vista e examinada com profundidade. Para que a gente possa captar toda sua essência.
Já disseram que Leonel Brayner é um perfeccionista.Não apenas um perfeccionista  mas um artista preocupado em dar a sua obra e a sua própria profissão aquele tom de responsabilidade. Ele busca o melhor de si e transfere através da sua arte a todos aqueles que acompanham e curtem a sua pintura. Não é um perfeccionista daqueles que enchem o saco supervalorizando suas qualidades.
Ao contrário, noto que o Leonel é até muito simples no elaborar e falar da sua obra. Por trás daquela cara, às vezes fechada, encontra-se uma criatura aberta e muito sensível. Mas, tem o que muitos artistas não têm, que é a responsabilidade profissional. E, é exatamente esta disciplina aprendida certamente em seus tempos de caserna, ou talvez até em seu próprio lar paterno, que permite que Leonel trabalhe em busca de objetivos alcançados de acordo com os seus desejos.
Sua arte não é uma arte impulsiva. Mas acima de tudo pensada, medida e criada sob um clima de racionalidade, esperando os resultados preconcebidos pelo artista. Ele desenha, pensa, e medita. Portanto, está bem longe daqueles que dão toda a liberdade ao gesto e à própria emoção, sem saber o que resultará. Isto certamente é outro reflexo próprio da sua estrutura psicológica e de sua própria visão das coisas.
Não posso deixar de ressaltar a qualidade do seu desenho, a limpeza da sua pintura onde os tons mudam dentro de uma dinâmica de uma cadência, quase como uma escala musical interpretada com suavidade. Mesmo quando um tom mais claro é subjugado por outro mais forte esta passagem acontece com suavidade, com determinação e sensibilidade. Brayner sabe, portanto dosar suas compulsões humanas, sabe trazer para tela uma ambientação metafísica para que possamos juntos saudar e exaltar os objetos, ouvindo uma sinfonia suave. Enquanto a música flui os objetos dão voltas imaginárias mostrando suas formas, ressaltadas em tons claros e fortes. Esta é a pintura de Brayner que teremos a oportunidade de ver na Galeria Época, no Rio Vermelho.

         Suas flores imaginárias               O artista Leonel Brayner              Como ressai esta manga!
  
CONGRESSO DE ARTE E EDUCAÇÃO EM SALVADOR

De 14 a 18 de novembro acontecerá em Salvador o Congresso Nacional de Arte e Educação, promovido pela professora Célia Martins de Azevedo, uma abnegada impulsionadora da arte em nosso estado.Em busca de maior divulgação do congresso, a professora Célia ressaltou alguns aspectos que também considero essenciais. Vejamos:
“De imediato diria que este congresso possibilitará a defesa por uma adequação maior à realidade brasileira dos conceitos e processos educacionais, o estudo quanto à legislação educacional e a importância que representa a busca de uma filosofia da Arte-Educação. Também a contribuição que poderia dar às diversas áreas do conhecimento e desenvolvimento do processo criador para a Arte-Educação. Ao lado da tentativa maior: o grande acervo e subsídio a partir de uma referência interna. É preciso que se esclareça isso como ponto de partida para a reformulação das relações Arte, Educação e Comunidade, dentro de uma perspectiva de mudança para a nossa reorganização interna, para que possamos ter um desenvolvimento auto-regenerador, auto-sustentável. Disse ainda a professora Célia, que em princípio a dominação está apoiada no controle internacional sobre a informação e a cultura.
Somos satélite de metrópoles mundiais. O nosso país é antes de tudo o grande celeiro de “transferências”. Nos aproximamos de outras culturas e consumimos ou digerimos estruturas tecnológicas inteiras sem que se processe uma verdadeira filtração. O nosso “desenvolvimento” é conseqüência do subdesenvolvimento desde a origem, haja visto o modelo desenvolvimentista, com uma industrialização dependente. E isto pode ser comprovado, a exemplo do que aconteceu especificamente com os próprios fundamentos históricos que nortearam a implantação da legislação educacional. No que se refere à educação artística, ela já nasce, em sua base, fruto da distorção do perfil deste país, cujos valores implantados partiu de cima para baixo, e sem levar em conta a prioridade de levantamento de certos setores, antes de enveredar pelo caminho de uma industrialização dependente. Como alternativa futura para educação, ela deseja, em primeiro lugar, que aqueles que têm em mãos o poder de decisão e que dirigem este país ou aqueles que promovem a sua política educacional particular reflitam da inviabilidade de uma mudança econômica e social nos moldes estabelecidos. Depois, pede uma revisão nas relações entre as dinâmicas cultural e educacional, tendo como princípio básico que esta seja gerada e operacionalizada com a participação de todos no processo de construção nacional. Finalmente vê a necessidade e urgência da renovação do ensino primário, “uma renovação nas óticas das teorias reprodutivistas da educação”.

           CELUQUE VAI EXPOR EM JEQUIÉ

Jequié- ( Da Sucursal )- Quem estará expondo no dia 25 de novembro em Jequié, no salão Nobre do Itajubá Hotel, é o artista plástico Leonardo Celuque, que atualmente está com obras, no Circuito de Artes do Nordeste, em Salvador, e no Salão Nacional de Pernambuco, em Recife.
Celuque fez o curso de Belas-Artes em Salvador e freqüentou por um ano, no período relativo ao último semestre de 78 e primeiro de 79, vários ateliers e escolas de Paris, com destaque para a Academia  “Grande Chaumíere”, onde colheu as mais diversas experiências ao pintar ao lado de artistas de várias procedências. Em Paris, Celuque chegou, inclusive, a fazer exposições, embora sem registro oficial, com os seus colegas de academia.
Ele trabalha óleo e acrílico sobre tela. E esta exposição totaliza doze quadros com preços variando entre 120 e 160 mil cruzeiros. Sua pintura, segundo Matilde Matos, é uma “pintura figurativa, com ressonâncias pop, contém uma certa intensidade nervosa que nega a aparente placidez das cenas do cotidiano atual”.