domingo, 13 de janeiro de 2013

POUCOS E RAROS, UMA EXPOSIÇÃO DE PUBLICAÇÕES FORA DO SISTEMA - 1.º DE JUNHO DE 1980


JORNAL A TARDE DOMINGO, 1.º DE JUNHO DE 1980

POUCOS E RAROS, UMA EXPOSIÇÃO DE PUBLICAÇÕES FORA DO SISTEMA

A propósito da exposição Poucos e Raros, realizada na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo, no final do mês de março, organizada pela editora Poesia e Arte,onde foram reunidas edições (livros, jornais, revistas, folhetos, calendários, agendas etc.) fora do sistema oficial de publicações, que serão apresentadas ao público baiano no mês de agosto próximo, o artista e professor da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP, Júlio Plaza, teceu as seguintes análises e observações:-
Do ponto de vista da produção editorial, existem duas formas básicas atuantes no mercado: a edição sistema e a edição não-sistema. Na produção sistema o livro sai ao público em função de um círculo já estabelecido: criação, produção, distribuição e comercialização sincronizados e usando como apoio os meios de comunicação de massa.
Na edição não-sistema, independente ou alternativa, o autor e agente de produção se confundem, ele faz todas as operações, desde a criação até o contato com o público. Esse tipo de atuação e animação de circuitos é protótipo de atuação política em termos culturais, na medida em que cria espaços e veículos diferentes dos espaços e veículos convencionais, estabelecidos, policiados e viciados, permitindo ir ao encontro de um público outro menos imbecilizado pela ideologia artística do poder.
O “livro como forma de arte” cria um novo tipo de ação artística. Está relacionado, primeiramente, à produção artística dos poetas que nele encontram seu espaço “natural” como o artista visual tem outros meios igualmente “naturais”: o quadro, o mármore etc. É por isso que a primeira relação semiótica entre a produção visual plástica e a produção verbal dar-se através do paralelismo de linguagens (escrita-ilustração), notadamente a partir da primeira revolução industrial, ou melhor, a partir da invenção da imprensa.
No “livro como forma de arte”, prossegue Júlio Plaza, o suporte livro é considerado como mídia concreto para veicular um trabalho que somente se pode realizar sobre este suporte, da mesma forma que um quadro ou um filme só pode ser veiculado no suporte correspondente. Importa tratar o livro como mídia, como suporte de arte significativamente ativo e não como mero fundo passivo. Nessa categorização excluem-se os livre memória ou os livro-divulgação-de-informação que se encontram noutros suportes.

RETROSPECTO

Pode-se ver a atividade artística relacionada com a imagem, enquanto complemento do verbal, nas iluminuras dos irmãos Limbourg ( Mui Ricas Horas do Duque de Barry, cerca de 1416, Paris), nos livros dos humanistas, nos incunábulos (livros impressos nos primeiros anos da arte de imprimir, até 1.500) e nos livros de ciência ilustrados por artistas.
Dare Militari, de Valturius, é o primeiro livro ilustrado com imagens impressas de equipamentos militares, (Verona, 1472) e Gart der Gesundheit (Mainz, 1485), de Peter Schoffer, colaborador de Gutemberg, é o primeiro herbário, termo utilizado a respeito de coleção de plantas secas destinadas a estudo ou guardadas como comprovantes das classificações estabelecidas, no caso, refere-se a ilustração com imagens de plantas.
O catálogo de Poucos e Raros, entretanto, somente faz levantamento do “livro como arte” de cultura francesa, não mencionando outros grandes nomes relacionados ao Construtivismo e Futurismo russos cujos movimentos proporcionaram valiosa atividade editorial, principalmente, no Atelier de Artes gráficas de Vitebsk, dirigido por El Lissitzky, que editou livros sobre vários assuntos e trabalhos dentro dos movimentos da época, livros estes fac-similizados hoje em dia no Ocidente, como “suprematisme” de K. Malevitch. Mas, o artista que inaugura de forma radical a categoria do “livro como arte” é Mallarmé, ao publicar em 1897 Um Coup de Dês
(Um Lance de Dados), aproveitando recursos tipográficos e sua disposição no branco das páginas, usando o branco como silêncio.
Mallarmé rompe, radicalmente, com o esquema de leitura linear do poema e indica no prefácio da primeira versão, “sem presumir do futuro o que sairá daqui, nada ou quase uma arte”.
O livro, no Ocidente (cuja forma não mudou desde a invenção do papel), é um repertório de sinais em sucessão, códigos digitais ou analógicos que correm paralelos (caso de livros ilustrados) ou se interpenetram como realidade significa. Este processo de canalização da comunicação privilegia a forma lógica-discursiva-linear: palavras sucedem palavras, linhas sucedem linhas, páginas sucedem páginas. Já a intenção analógico-sintético-ideográfica produz a interação escrita-desenho (caso elementar do caligrama) e outras realidades sígnicas com características de simultaneidade.
Observa, ainda, Júlio Plaza que no tradicional livro-ilustração, “álbum de gravuras” ou “edição de luxo”. Normalmente, em formato de “plaquette” impresso “in-folio”, texto e imagem correm separados e se comentam.
No Brasil é feito não em folha dobrada (“info-folio”), mas em folha solta, acrescentando-se uma função outra que não a da edição (a gravura pode ser destacada e pendurada na parede). O Poema-livro, onde o livro é usado como veículo da produção poética, pode conservar a informação estética num outro veículo; cartaz, filme, dialogando porém com o suporte livro. Mas, se o poema-livro pode ser transposto, sem perda significativa para outro meio livro-poema, livro-objeto ou livro-obra mostra uma tal interpenetração da informação estética e do veículo, que não há separação possível sem prejuízo para o conjunto.
Um dos primeiros livros criado dentro destas condições é A Ave (1954) de Wlademir Dias-Pino, onde poema e suporte se confundem de tal maneira que a fiscalidade do papel está interpenetrada com o poema. Ronaldo  Azeredo, também, vem se preocupando com esta problemática desde a década de 50, tendo feito, em 197, um livro de pano sem título verbal e, recentemente, o poema Armar (1977), caixa-livro-quebra-cabeças com o poema Maria-José.

OUTROS EXEMPLOS

Um Coup de Dés é um poema-livro, como também o poema Life de Décio Pignatari, onde o poeta aproveita o homemorfismo (as semelhanças das partes) a modulação das letras para criar uma seqüência progressiva (dada pela quantidade de informação gráfica de cada sinal, Life), ritmo de crescimento da vida (do signo). Finalmente, pela montagem de todas as letras, produz a síntese na forma do ideograma “nipon” ou sol nascente.
Rayuela de Júlio Cortazar (1968), que propõem uma leitura do linear-discursivo e da causa-efeito de capítulo para capítulo, deve, também, ser incluído neste grupo. Também pertence a esta categoria o livro Júlio Plaza Objetos editado em 1968, que procurou uma inter-relação com o espaço circundante (interior-exterior) por estruturas de pura sintaxe visual, trabalho este, posteriormente, incorporado ao Poemóbiles (1974) onde os poemas (de Augusto de Campos) e estruturas integram-se isomorficamente.
Finalizando, Júlio Plaza lembra que existem, ainda, tipos de livros como os denominados Cadernos, feitos principalmente por artistas plásticos. Originalmente o Caderno vem de uma prática conotada como didática (cartilha, caderno colegial) hoje em dia recuperada pelos artistas conceituais, este Caderno de caráter analítico-discursivo, semântico, tem como característica a possível recuperação da informação para outro meio.(Albenísio Fonseca)

O MAIOR CRISTO DE CERÂMICA DO PAÍS ESTÁ EM BRASÍLIA

O ceramista baiano Osmundo apresentou, em Brasília, o seu mais recente trabalho: uma imagem de Cristo em cerâmica, medindo 1.85m, a maior existente no Brasil executada em barro. A imagem foi criada especialmente para a Secretaria Geral da Ceplac- Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira.
Osmundo Oliveira Teixeira Júnior, de 25 anos, parte para a Europa em julho próximo para cursar uma bolsa de estudos de seis meses, de especialização em cerâmica, concedida pela Fundação Kaluste Gulbenkian, de Portugal por indicação de oito renomados intelectuais artistas brasileiros, entre eles Jorge Amado e Carybé. Ele estagiará na fábrica Viúva Lamego, de Lisboa.

PANELAS E SANTOS

Foto atual de Osmundo 
Natural de Itabuna, na Região Cacaueira, do sul da Bahia, aos seis anos Osmundo iniciava-se na arte de cerâmica, fabricando panelas de barro na orla da fazenda de seu avô, naquele município “a modelagem em barro surgiu instintiva e teluricamente”. Confessa, ter evoluído sua criatividade até atingir, anos depois, a temática dos santos a qual se dedica hoje, quase que exclusivamente. “A atividade de santeiro”, ele explica, “veio com uma imposição cultural da região. Sendo Itabuna um município jovem, sem tradição nesta arte, em suas igrejas predominavam imagens de gesso padronizadas, oriundas de outras regiões do país, sem identidade com o homem e as coisas da terra”. Estudioso da arte sacra brasileira, Osmundo se exercita, ainda, além da modelagem em barro, a pintura a óleo, no bico de pena, na gravura e xilogravura.
O “Cristo”, integra uma trindade, construída em um mês de trabalho: uma imagem de  Santa Luzia que está em Ilhéus, um São Judas Tadeu, exposto em Itabuna, adquirido por uma empresa financeira.

DE NORTE A SUL

Em Itabuna, Osmundo recebeu as primeiras orientações sobre a técnica de trabalhar com barro da escultura Cristina Gedeon em 1974, transferiu-se para Salvador, onde o estudo e o trabalho disciplinados plasmam a personalidade e o comportamento do artista com o ceramista alemão Udo Knoff, e cursa Artes Plásticas na Universidade Federal da Bahia.
No atelier que divide com Udo Knoff em salvador, Osmundo modela seus, santos, quase sempre atendendo a encomendas de instituições e personalidades, de vários estados. O maior santo em cerâmica do Brasil é de sua autoria e encontra-se na Catedral de Itabuna, um São José, padroeiro da cidade, de 3.80m. Entre os seus trabalhos mais importantes estão: no museu da cidade de Salvador, as três imagens dos mais populares santos da Bahia: São João, São Pedro e Santo Antônio, na matriz,  da cidade de Olindina (norte da Bahia), Nossa Senhora da Conceição, na cidade histórica de Paraty, RJ, um trabalho de restauração de Santa Ana do século XVII.
Os santos de Osmundo habitam museus, igrejas, bancos, lojas e mansões de norte a sul do país. Famosas coleções particulares, nacionais e estrangeiras, possuem peças de sua autoria.

ENCONTRADO CÁLICE DO SÉCULO OITAVO

Dublin, (UPI)- Um cálice de ouro e prata, datando do século oitavo, foi descoberto no campo remoto do  condado de Tipperaty, na Irlanda.
“Ele é tão valioso que não é possível atribuir um valor em dinheiro”, disse um porta voz do Museu Nacional.
“Trata-se d mais importante descoberta histórica, na Irlanda, em pelo menos um século”.
O cálice foi encontrado por um morador da região que procurava um tesouro enterrado. O Museu Nacional não quis dar a localização exata para evitar uma invasão de “caçadores de tesouros”.
Uma equipe de arquelógicos iniciará, imediatamente escavações no local.
O cálice é semelhante ao famoso cálice de Ardagh, encontrado no século passado.
Esta objeto é tão valioso que nenhuma companhia de seguro quis cobri-lo quando foi levado para os Estados Unidos, há alguns anos, como parte de uma exposição de tesouros irlandeses.

O grande pintor espanhol Goya
OBRAS DE GOYA RECUPERADAS

Madri,(UPI)- A polícia informou que recuperou cinco quadros roubados de autoria dos mestres espanhóis Goya, Juan de Toledo e Zurbaran e prendeu cinco suspeitos, inclusive um belga que testava, a ponto de  comprar as obras.
Os quadros, avaliados em mais de 700 milhões de cruzeiros, foram roubados, no dia 25 de maio, de uma residência particular em Madri. A investigação da polícia determinou que o ladrão, um colombiano identificado como Marco Túlio Taborda Velazquez, entregasse as obras a Maria Luz Gimenez Portoles, conhecida vendedora de objetos roubados.
Esses dois desentenderam-se porque a mulher tentou lograr o ladrão, dizendo-lhe que os quadros tinham sido roubados dela.Taborda foi preso por causa de outros furtos e entregou a cúmplice á polícia.Os agentes chegaram a tempo de surpreender a mulher e os sócios ao ponto de entregar as obras ao comprador identificado como Francisco José Seronveu, belga nascido na França.