domingo, 6 de janeiro de 2013

EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS DO MESTRE GOYA NA BAHIA - 09 DE MARÇO DE 1980


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  DOMINGO, 09 DE MARÇO DE 1980

EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS DO MESTRE GOYA NA BAHIA

A Tourada na Vila, óleo sobre tela do mestre Francisco Goya
Os baianos terão oportunidade de apreciar quarenta trabalhos de Goya, numa exposição itinerante, patrocinada pelo Instituto de Cultura Hispânica e a Fundação Cultural do Estado da Bahia. Os trabalhos de Goya são sobre a Tauromaquia ou seja a arte da tourada. O touro tem sido um elemento importante na cultura hispânica, embora as corridas de touros sejam discutidas por sua crueldade. Mas, Goya soube, com sua maestria, captar a essência das touradas espanholas e isto poderá ser comprovado com uma visita à exposição que será montada em Salvador.
O pintor Francisco de Goya é uma das figuras mais importantes da arte universal, principalmente por sua preocupação, naquela época em retratar a realidade. Sua obra abarca todos os tipos da sociedade. Nestes trabalhos que serão mostrados aos baianos, Goya realiza um estudo magistral sobre esta festa e esta arte do homem ao enfrentar o touro, com seus gestos rápidos e equilibrados. É a primeira vez que se realiza uma exposição com tantos trabalhos deste artista e isto se deve ao Centro Ibero-americano de Madri. A mostra será aberta no dia 18, no Museu de Arte Moderna, no Solar do Unhão.

Auto-retrato de Goya 
                           QUEM FOI GOYA

 Nasceu em 30 de março, em Fuentedetodos, perto de Saragoça na Espanha e foi batizado com o nome de Francisco José Goya Y Lucientes, em 1746. Iniciou a aprendizagem com o pintor e decorador de Saragoça, Jospe Luzan Y Martinez, por volta de 1759. Depois de uma briga, fugiu para Madri e um ano depois inscreve-se na Academia de Belas Artes, sendo rejeitado por unanimidade. Três anos depois, faz nova tentativa, também, não obteve sucesso, e resolve ser      . Em1770, viaja para Itália, inscreve-se no concurso da Academia de Belas Artes e é aceito. Volta à Saragoça e faz seu primeiro afresco na Igreja de Nossa Senhora do Pilar. Em 1772, decora as paredes do Convento Aula Dei e segue para Madri casando-se com a irmã do pintor, Bayeu de nome Josefa.
Durante quatro anos, trabalha sob encomenda de uma série de cartões para tapeçaria, destinada ao príncipe de Astúrias e em 1780 é eleito para a Academia de Belas Artes de Madri.
Dizem que  Goya estaria contra as touradas
Executa, a seguir, o primeiro retrato de um membro da nobreza, que foi o da Duquesa de Osunã. Em 1789, foi nomeado Pintor da Câmara do Rei ou seja, pintor oficial do monarca e de sua família. EM 1782, salva-se de grave doença, mas fica surdo. No ano seguinte, iniciou está série de trabalhos, que agora nos é apresentada, chamada de Divertimentos Populares, onde estão incluídas as Touradas, Procissão dos Flagelados, e Tribunal de Inquisição, dentre outras.
Vai a Sanlúcar, terra da viúva do Duque de Alba e executa a série  Maja  Desnuda e Maja Vestida
Influenciado pela invasão da Espanha pelos franceses, em 1808, faz a série de quadros, retratando a guerra.
Desolado, retira-se para o campo e inicia as séries Desastres de Guerra e Disparates. EM 1824, exilou-se na França, falecendo em abril em Bordeus.
Embora a Espanha possua o maior número de obras de Goya é preciso lembrar que o Museu de Arte de São Paulo quatro retratos seus:
O Cardeal Don Luís Miranda de Bordon Y Vallabriga (pintado em 1783); A Condessa de Casa-Flores, (de 1795); Fernando VII, (datável entre 1805 e 1808); Dom Juan Antonio Liorente (de 1813).
Este último quadro é importante, pois Liorente foi secretário da Inquisição espanhola e, ao mesmo tempo, simpatizante da Revolução Francesa, a ponto de pretender reformar aquela instituição. Quando José Bonaparte foi imposto por Napoleão como rei da Espanha, o próprio Liorente o proclamou libertador da nação. Por isto, anos depois teve que procurar exílio na França, onde escreveu a “História Crítica da Inquisição da Espanha”.


VIRGÍNIA ZART

A Panorama Galeria de Arte expondo os trabalhos de Virgínia Zart que apresenta uma obra fundamentada na atmosfera ingênua da criança.Os brinquedos e motivações infantis preenchem suas telas ricas em cor.Os bonecos, os palhaços, as bruxas e os fantoches povoam os espaços, antes brancos das telas, com tonalidades fortes e alegres, como são as próprias crianças.
Virgínia  como brinca de criança. A tranquilidade do seu lar ao lado de sua filha funciona como um laboratório para sua arte.Na verdade, uma arte sem muitos compromissos e despreocupada com outros aspectos e explicações.

NORMA BADARÓ E GLÁUCIA LEMOS

Um sofrer constante que transborda através os instrumentos que Norma Badaró utiliza para suas concepções artísticas. Um transbordar de emoções que procura uma comunicação com outras pessoas, principalmente com aquelas que para para observar e ouvir o que esta artista tem a dizer.
Norma é uma dessas artistas indomáveis. Uma dessas pessoas que não consegue aceitar aprisionamentos e questiona sua função dentro da sociedade. Como uma artista sensível sofre com o desenrolar de vidas paralelas, e isto pode ser captado nas figuras que povoam o seu mundo e que estão jogadas ,dilaceradas, pela metade ou envolvidas com situações às vezes chocantes . Mas, o que deseja Norma é realmente fazer uma arte livre, um arte que reflita o seu próprio eu e que alcance o mais depressa possível aquelas pessoas interessadas em observar e ouvir o que tem a revelar.
Gláucia Lemos , a conhecia como escritora. Contista, tendo publicado Era Uma Vez Uma Rosa Que Virou Mulher, através da Fundação Cultural do Estado. Vou examinar os seus trabalhos para depois emitir minha opinião.Elas estão expondo no Praiamar Hotel desde a última sexta-feira.


IAB PREMIA LIVRO DE ARQUITETURA KITSCH

 Arquitetura Kttsch - Suburbana e Rural, livro de Dinah Guimarães e Lauro Cavalcanti, editado em novembro do ano passado, ganhou o prêmio na categoria “Trabalho Escrito” de 1979 do Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento do Rio de Janeiro.
O júri, composto pelo jornalista Zuenir Ventura e pelos arquitetos Luís Paulo Conde, Mário Ferrer e Olga Verjovsky,   premiar esse livro quis o talento e o    mas também estimular uma atitude intelectual que acredita no Benedito princípio de que uma pesquisa não deve impedir o prazer de sua leitura.
“O trabalho”, o júri continua,” é um exemplo e não só para a área de arquitetura de como se deve falar das coisas nossas: com ciência e emoção, saber e humildade.
A obra é corajosa porque, passando por cima do preconceito, vai buscar um tema até então discriminado pelo gosto oficial: é original porque, ainda que importando um conceito, o kitsch não o usa como colono mas como crítico, a exemplo aliás de como age o universo que os autores estudaram; e é aberto porque acessível a todos”.
Olga Verjovsky, um dos membros do júri e membro do conselho superior do Instituto dos Arquitetos do Brasil órgão máximo da classe, ressalta que “os autores conseguiram conceituar o kitsch na sua verdadeira medida. O conceito que se tinha do kitsch como coisa vulgar, sem beleza, não é válido. E essa população que eles abordaram, que sofre influência do colonial, do contemporâneo e de outras formas de arquitetura, não se deixa orientar pela cultura oficial, não está presa a princípios, modismos ou dogmas, como nós. Ela tem liberdade de escolha, e a sua arquitetura corresponde ao que necessita e quer”.
“Este ano”, ela acrescenta, “concorrem para a premiação mais de vinte trabalhos, inclusive álbuns de pós graduação, mas Arquitetura kitsch mereceu a premiação por sua autenticidade e honestidade”
Para Dinah e Lauro, a premiação do IAB “foi uma ratificação da aceitação de nosso trabalho. E como é uma investigação da arquitetura sem arquitetos, foi bom receber essa premiação da classe. Por outro lado, é a primeira vez que o IAB premia arquitetos recém-formados.
Os autores já estão trabalhando na continuação da pesquisa, financiada pela Funarte. “Começamos”, eles explicam, “por estabelecimentos comerciais, mais especificamente por açougues e motéis, e depois abordaremos uma área mais específica, que são os conjuntos habitacionais. Os moradores desses conjuntos padronizados estão usando a linguagem do Kitsch nas reformas, mudando cor e acrescentando adereços em suas casas. Continuamos apurando na arquitetura popular, o que as pessoas absorveram da arquitetura oficial, e respeitando os construtores de igual para igual com os arquitetos