terça-feira, 15 de janeiro de 2013

DALI SUPERA CRISE NERVOSA E VOLTA A FAZER DESENHOS - 17 DE AGOSTO DE 1980


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  DOMINGO, 17 DE AGOSTO DE 1980

DALI SUPERA CRISE NERVOSA E VOLTA A FAZER DESENHOS

 Dali, ao lado de suas girafas chamejantes, antes da crise
O pintor surrealista espanhol Salvador Dali superou uma crise nervosa e voltou a trabalhar, segundo declarou o artista numa entrevista publicada pelo jornal El Correo Catalan. Os jornais publicaram recentemente que Dali, de 76 anos de idade foi hospitalizado duas vezes nos últimos meses, estava profundamente deprimido e sem poder trabalhar ou receber amigos. Dali cancelou os planos de ir à abertura de uma retrospectiva do seu trabalho na Galeria Tate, de Londres, em maio.
Em entrevista pelo telefone para o El Correio Catalan . Dali disse que as notícias sobre a sua doença foram exageradas e que está começando novamente a desenhar e está escrevendo uma peça para teatro.
“Como estou Bem, bem”. Disse. “Estou ficando muito melhor. Tive uma crise nervosa mas agora estou trabalhando de novo, poucas horas por dia, porque não devo ficar cansado, mas estou trabalhando”.
“No que estou trabalhando? Bem, estou fazendo alguns desenhos porque ainda estou muito cansado para começar a pintar e também estou escrevendo uma obra para o teatro chamada “Tragédia”. Disse.
A mulher de Dali, Gula, disse que ele passou “um mau período, durante o qual, por ordem médica foi necessário que se isolasse do mundo exterior.
“Mas, agora, ele recuperou o seu ritmo, começando, novamente, a levantar o moral”, disse. Dali não está tomando os remédios que lhe receitaram, pois diz que eles interferem no seu trabalho, acrescentou gula.

MUSEU DO PRADO VAI RECEBER GUERNICA

Fontes do Ministério da Cultura informaram que o Museu do Prado iniciou obras de reforma, a fim de se preparar para receber de volta a monumental obra de Picasso, Guernica.
Ainda não foi tomada uma decisão final sobre o local em que será exibido o painel que retrata o bombardeio da cidade basca de Guernica em 1937 por aviões alemães que lutavam ao lado das forças franquistas. A obra já foi reivindicada por Málaga, onde Picasso nasceu, Barcelona, que tem um museu inteiramente dedicado ao artista, e pelas cidades bascas de Guernica e Bilbao.
Mas, acredita-se que será respeitado o desejo de Picasso de que o quadro fique no Prado, museu que ele dirigiu durante a guerra civil. O Museu de Arte Moderna de New York concordou em devolver Guernica à Espanha em outubro próximo, quando acabar a retrospectiva sobre o pintor.
Picasso, morto em 1973, deixou o quadro emprestado ao museu norte-americano até que a democracia fosse restaurada na Espanha.
Fontes do Ministério da Cultura disseram que como o Prado não dispõe de espaço e condições atmosféricas adequadas par a enorme e frágil obra, “Guernica” ficará no pavilhão chamado Cason Del Buen Retiro, atrás do museu.
Este pavilhão foi fechado para uma reforma destinada a prepará-lo para receber Guernica a abrir espaço para a coleção de quatro mil gravuras do museu.
Guernica, que mede 3,53 metros por 7,82 só deverá ser exibida a partir de 1981, centenário do nascimento de Picasso.

BABALAÔ FRANCÊS MOSTRA EM ÁLBUM VISÃO BAIANA DE DUAS DÉCADAS ATRÁS

O fotógrafo, etnólogo e babalaô francês PierreVerger estará lançando seu livro Retratos da Bahia, às 18 horas do próximo dia 21 no Palácio Rio Branco, 1º andar, Praça Thomé de Souza, numa iniciativa da autogestada Editora Corrupio, que divulga o seu primeiro trabalho com o livro.
Trata-se de um levantamento fotográfico de Salvador entre 1946 e 1952, com tiragem de três mil exemplares, que serão vendidos a CR$ 3.500,00. Até hoje, o livro pode ser adquirido na própria editora, na Rua Praguer Fróes, por CR$ 2.700,00
São 249 fotos de Salvador, que registram a marcante influência africana em seu povo, motivo, aliás, que vem fascinando Pierre Verger desde antes de 1946, quando despertou o interesse pelos “Eguns, que conheceu na África”.
Como ele costuma explicar os fatos de sua vida atribuindo-lhes a conseqüências de acasos, o fotógrafo francês, também, revelou que o seu interesse exclusivo pelo registro da influência africana na Bahia faz parte do acaso. Ele dedica este trabalho à memória de Mãe Senhora, do candomblé Axé Apô Afonjá, do qual é Ogan.
Em entrevista coletiva, na tarde de ontem, o fotógrafo baiano-francês-africano contou que, no momento, suas atividades limitam-se a ficar em casa guardando e coletando papéis, que nada mais são do que um vasto material para futuras publicações de sua autoria.
Os próximos lançamentos de Pierre Verger, previsto para o próximo ano, são: ”Orixás na África e no “Novo Mundo”,, “A Bahia em 1850”, um levantamento  da vida cultural da província, uma coletânea de fotos dedicadas ás crianças, cujo título é “Lendas dos Orixás”.
Além do registro fotográfico Pierre Verger tem publicado um livro em francês, que nunca foi lançado no Brasil, o qual revela cópias de cartas enviadas pelos escravos aos seus familiares na África, através dos navios negreiros.

ALERTA
Segundo o etnólogo Pierre Verger, há perigo da descaracterização do candomblé na Bahia devido à atuação de certos intelectuais que, embora ainda não tenham experimentado os sete anos necessários a uma efetiva iniciação no culto, procuram limitar os “pais-de-santo” e até permitem-se a iniciar outras pessoas.
Para ele, o canbomblé ajuda a evidenciar nas pessoas porque tipo de personalidades inconscientemente adormecidas que, a partir de uma iniciação, mesmo sem exaustivo aprofundamento, podem ser assumidas.
CURRÍCULO
Durante 15 anos, Verger viajou por diferentes regiões do mundo, fotografando o que lhe despertava interesse, e conseguindo reunir uma vasta documentação sobre antigas civilizações em vias de desaparecimento, ou experimentando transformação em suas tradições culturais.
Assim, é que os Estados Unidos, Japão, Ilhas Filipinas, Sudão (hoje Mali), Togo, Dahomey (atual Benin), Níger, parte do Saara, as Antilhas, México, Guatemala, Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Brasil são espaços culturais pesquisados pelo fotógrafo e etnólogo francês.
Além de repórter, foi também encarregado do laboratório fotográfico do Museu de Etnografia em Paris, correspondente de guerra na China para a revista “Life” e encarregado de coletar documentos fotográficos para o Museu Nacional de Lima, no Peru.
Iniciou na Bahia a pesquisa sobre o culto dos orixás e as influências econômicas e culturais do tráfico de escravos. A partir dali, entre 1949 e 1979, fez sucessivas viagens entre a Bahia e a costa ocidental da África, principalmente Dahomey e Nigéria. Visita todo o reduto Yorubá do Novo Mundo, intensificando suas investigações sobre esta etnia, sua influência na cultura baiana e as ligações que estabeleceram entre si.
Colaboraram com a ação de “Retratos da Bahia ,a Prefeitura Municipal de Salvador, a Secretaria de Assuntos Culturais, SEMEC e as fundações Coral e do Pelourinho, além da Bahiatursa. (José Heraldo)

A JOVEM PINTORA  LÍLIAN MIRANDA 

No lobby do Praiamar Hotel está expondo a jovem Lilian Miranda, que atualmente reside com sua família nos Estados Unidos. Ela é natural de Jequié. Tive oportunidade apenas de ver uma tela de Lilian e por esta razão seria injusto dar uma apreciação pública de sua obra. Mas conversando com ela pude sentir que a temática é quase a mesma, as paisagens marítimas e rurais e até os pinheirais e campos de neve.
Confesso que como estampa seus quadros, agradam principalmente àqueles que não tem muitas noções do trabalho de arte. Diria, no entanto, que a jovem tem boa técnica, tem muito a melhorar e certamente procurará uma temática que traga no seu bolo a sua individualidade. É preciso esquecer as coisas estandartizadas e partir para sua individualidade, a qual tenho certeza está latente em seu corpo jovem.

O REFLEXO NA ARTE DE ESPELHOS

Trabalhando com espelhos há sete anos, Maria Cecília Motta Gueiros, carioca, levou agora seus trabalhos para São Paulo, onde serão expostos e comercializados com exclusividade na Rua da Consolação, 3557. A exposição terá início no próximo dia 20, com coquetel marcado para as 21 horas.
Os trabalhos de Maria Cecília reúnem desde peças decorativas como quadros, jogos !da velha” e de palavras cruzadas. Até bijuterias. “Nos primeiros trabalhos, explica Maria Cecília, enfatizei ao máximo, as características intrínsecas do espelho, criando apenas situações onde o espectador se colocava refletido, sendo o objetivo a própria pessoa. Atualmente, há uma parte do trabalho- os jogos-onde o espectador participa não só com a sua imagem mas, também com palavras, gestos, razão e emoção. A outra parte, dedicada á beleza e riqueza do material como objeto de decoração, permanece se nunca perder de vista a sua razão primordial: refletir, mostrar.