terça-feira, 15 de janeiro de 2013

UMA VIAGEM AO PASSADO ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA -03 DE AGOSTO DE 1980


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  DOMINGO,03 DE AGOSTO DE 1980

UMA VIAGEM AO PASSADO ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA

Quem não gostaria de voltar no tempo e saber como era mesmo a Praça Castro Alves? Ver aquela árvore de 25 metros no Campo da Pólvora onde, as suas sombras, começou o futebol na Bahia? Ver os bondes e homens de chapéus e sobrecasacas? Nem tudo é impossível. Claro não se trata de uma máquina de volta no tempo, mas através das fotografias colecionadas por Antônio Marcelino podemos ver tudo isso e muito mais. Cerca de 2 mil pessoas já viram a exposição Memória Fotográfica das Capitais Brasileiras nos Séculos XIX e XX que está no hall da Biblioteca Central nos Barris e por lá fica até o dia 28 deste mês. Depois segue para o Instituto Isaías Alves no Barbalho.
Na antiga Praça Castro Alves ficava o monumento a
Cristóvão  Colombo
Para hoje conhecermos este passado foi preciso o advento da fotografia e principalmente o interesse de determinadas pessoas em fotografar o Brasil.
Antônio Marcelino atribui rainha Vitória da Inglaterra e ao Imperador D. Pedro II este seu acervo: “A rainha Vitória mandou seus fotógrafos para documentar o nosso país e D. Pedro II foi o primeiro fotógrafo amador do Brasil, inclusive atraindo muitos interessados para essa arte”.
Antônio Marcelino não é só colecionador de fotografias antigas. Ele é proprietário do Tempostal - templo de postais, onde encontra-se um dos maiores acervos do mundo em cartões postais. E seu interesse começou desde quando era criança. Enquanto seus colegas colecionavam flâmulas, chaveiros e caixas de fósforos, ele juntava estampas de sabonete Eucalol. Quando adolescente descobriu o cartão postal. E com seu próprio esforço continua aumentando sua coleção.

CONCURSO DO PAPA

O Núcleo de Fotografia da Funarte está convocando os fotógrafos de todo o país, profissionais ou amadores, para participar da coletiva Visita do Papa ao Brasil, o núcleo não quer apenas expor o “retrato do Papa”, mas mostrar todo o movimento em torno de sua visita, desde os preparativos até a sua repercussão.
Os interessados em participar da coletiva poderão enviar seus trabalhos até às 18 horas do dia 08 de agosto, para a Coordenação do Núcleo de Fotografia-Funarte-Rua Araújo Porto Alegre, 80- Centro- Rio de Janeiro-CEP20030.
Cada fotógrafo poderá mandar até cinco fotos, no tamanho máximo de 28 cem para as fotos quadradas e até 36 cm para as fotos retangulares, em cor ou preto e branco. O fotógrafo deverá enviar ainda 2 (duas) cópias de cada original, 18X24, em papel brilhante e em preto e branco, para a impressão do catálogo da exposição e para divulgação na imprensa.
Esta foto, Menina,de Romualdo
Bahiense,poderia participar
desta promoção da Funarte,
pela sua plasticidade.
Os trabalhos podem ser ampliados em qualquer papel, plano, com ou sem margem, mas não devem estar montados. Deverão trazer no verso, a lápis, o nome do autor, endereço, telefone, título da foto, data e local em que foi tirada.
Para evitar danos, as fotos deverão ser embaladas com papelão protetor. A Funarte não se responsabilizará por qualquer dano ou extravio do material, antes de chegar à Coordenação do Projeto.
As fotos serão selecionadas por uma comissão de trabalho composta de cinco fotógrafos que estarão reunidos no fim da semana seguinte à entrega das fotos, para escolher e estabelecer uma unidade no material recebido. Esse grupo será formado por Waldir Afonso (PE), Cândido Alberto da Fonseca (MT do Sul), Pedro Pinto (PA), Epitácio Valle de Queiroz (AM) e Zeka Araújo (coordenador do Projeto de Fotografia).
Ao remeter as fotos o fotógrafo concorda em ceder o material selecionado na Mostra de Fotografia nº 8, sem exigência de qualquer direito autoral. O caderno será vendido e o resultado da venda será reinvestido na edição de novos catálogos.
Mostra de Fotografia é uma reprodução do material exposto na galeria, com impressão em off-set, em preto e branco, papel couché. Tem uma tiragem de 3 mil exemplares e 56 páginas.
As fotos expostas passarão a fazer parte do acervo da Funarte, considerando a necessidade de se constituir e preservar uma memória fotográfica nacional. A utilização das fotos para outros fins, só será feita com a prévia autorização do autor. A exposição será itinerante, e a Coordenação do Projeto se reserva o direito de levá-la a outros estados ou países que a solicitarem.
A galeria não tem cunho comercial, mas o fotógrafo que deseja vender a sua produção poderão fazê-lo diretamente ao comprador sem precisar pagar qualquer comissão. Os trabalhos não selecionados serão devolvidos pelo Correio.

A INFESTIVIDADE DE UM FESTIVAL

“Penso que não existe absolutamente nada a falar sobre arte na Bahia, nem adianta qualquer papo, principalmente de um Festival. Se soubesse jogar xadrez, não estaria escrevendo este texto, estaria melhor fazendo uso do raciocínio. Um poeta belga contemporâneo diz mais ou menos o seguinte,- a gente não está mais certo da realidade do que quando ela é uma ilusão. Mas não se trata de ilusão, então tudo não passa de uma incerteza.
Um festival no mínimo é uma festa, com deboches e histerismos culturais, ornamentado de gargalhadas pequenos burgueses. O Festival de Arte Bahia não consegue nem ao menos atingir este estágio de perfeição, é o supérfluo cultural de uma cidade enfeitiçada com o ridículo de não se entender nada da arte contemporânea.
Um espaço duvidoso que não oferece nem um produto para ser questionado com certa inteligência.
Este festival se alimenta da dispersão e da fragmentação de práticas variadas, eventos múltiplos e mundanos, naturalmente para o passatempo de uma classe média que não dispõe de um capital cultural mais amplo. E um acontecimento cultural quase surdo no meio cultural da cidade. Não reconhecemos um festival com defeitos que possam ser refeitos, mas sim um produto de um meio de arte acionado por estátuas (A.L.M. Andrade).

A TELA SANSÃO E DALILA, DE RUBENS


A tela de Peter Paulo Rubens, medindo 1,85 X 2,05 foi leiloada nos salões do Christi, em Londres. Os lances duraram apenas três minutos e o comprador, sir Geoffrey Agnew, um conhecido marchand; conseguiu adquiri-lo por 2,3 milhões de libras esterlinas, aproximadamente 280 milhões de cruzeiros. Após Julieta e sua Ama, de Turner, e o Retrato de Juan de Pareja, de Velásquez, Sansão e Dalila é o terceiro quadro mais caro vendido nos últimos anos. A obra integrará o acervo da Galeria Nacional de Londres, o mais importante museu de arte da Inglaterra.

CONFERÊNCIAS DE DETLEF NOACK

De 12 a 16 de agosto, a partir das 9;00 horas, no Salão Nobre da Escola de Belas Artes da UFBa., o Prof. Noack falará sobre as Culturas Mundiais e Sua Influência Sobre  a Arte  Moderna e   Contemporânea. As inscrições na secretaria da Escola de Belas Artes. Serão fornecidos certificados aos participantes pela direção do ICBA.

POSTAIS DE ROSA CABRAL

Um mil e quinhentos postais,estão sendo distribuídos há algum tempo pela Bahiatursa com rostos de crianças brasileiras. Tratam-se de postais feitos com várias fotografias de autoria de Rosa Cabral. Ela conseguiu retirar deste Brasil gigante momentos felizes e infelizes vividos por várias crianças centralizadas na objetiva de sua máquina.
A doçura de Rosa confunde-se com a doçura das criancinhas fotografadas, porque a artista quer acima de tudo que as crianças vejam os adultos como elementos portadores de paz e desprovidos de ódio. Uma visão poética, sonhadora, porém que pode se concretizar se estas crianças povoarem os corações dos que tiveram oportunidade de receber estes postais.
Por meio dos correios lá se vão as criancinhas de Rosa para os Estados Unidos, Holanda e outros países levadas em aviões e navios modernos colocando um pouco de doçura nos corações.