domingo, 13 de janeiro de 2013

OS NUS DE BELY SÃO BELOS E SINGELOS - 13 DE ABRIL DE 1980

JORNAL A TARDE, SALVADOR, 13 DE ABRIL DE 1980

OS NUS DE BELY SÃO BELOS E SINGELOS

Mulher Com Cajus, aqui observamos o lirismo de sua obra
A presença de Bely na redação me deu uma impressão que tem grande alegria de viver.Uma alegria difícil de ser expressa, mas que enxerga beleza em tudo que a rodeia. Uma pessoa de uma amabilidade impressionante aliada a uma força poética muito forte. Sua aparente fragilidade, a voz mansa e meiga, deixam despejar em suas telas um resultado em flores tropicais com uso de tonalidades tênues. Seus quadros povoados de mulheres nuas não chocam, ao contrário, funcionam como verdadeiras pausas neste mundo cansado de tanta feiura e mediocridade. Fiquei feliz quando Bely chegou com suas telas para que tivesse uma ideia do que estava fazendo.
Não vou pintar casario aqui na Bahia porque existem muitos artistas baianos, que já estão integrados com esta temática e fazem muito bem o seu trabalho. A minha arte busca apenas um contato com o corpo humano, mostrando que não existe nada de anormal em mostrar uma figura nua numa tela. O que é preciso é criar, e, o nu feminino tem toda uma estética que ajuda muito a aceitação do trabalho artístico. Assim fala Bely esta espanhola de nascimento e de cidadania francesa que estará nos mostrando vários trabalhos na Galeria Grossman a partir do próximo dia 18.
Ela não precisa de modelos para trabalhar, embora de quando em vez recorra a anatomia das mão e dos pés de suas duas filhas menores para conseguir formas mais próximas do real. Bely não é apenas uma pintora de telas. Já trabalhou na Europa em murais com seu mestre Vela Zanotti, quando fizeram os murais da Igreja do Mercado e Colégio Leonés, ambos na Cidade de Leon, na França.
Não faz nus masculinos “por uma questão de estética. Acho que a mulher tem mais poesia nua em relação ao homem. Não é preconceito. Apenas um ponto de vista fundamentado na estética. A mulher tem o corpo com formas ondulantes mais suaves e se adapta a uma ambiência leve e colorida.
Bely ao lado de um de seus trabalhos na Grossman
Além disto muitas pessoas ainda não aceitam o nu masculino, e seria difícil conseguir tirar este tabu da cabeça das pessoas de uma hora para outra.
Ele já morou no Peru, na Espanha, na França e agora na Bahia, Bely está fazendo uma arte que deixa transparecer ambiência baiana, colorido e mesmo na própria composição que serve para embelezar o trabalho.
É verdade que os grandes mestres da pintura sempre fizeram nus, onde aparecem os jogos de luz e sombra, as mulheres gordas e esguias deitadas ou não. Só que os nus de Bely traduzem também uma beleza contemporânea com as mulheres contornadas por flores, cajus, mangas e outros frutos que existem nesta Bahia tropical.

VOCÊ PODE GANHAR 15 MIL ELABORANDO O CARTAZ DO
 V SALÃO UNIVERSITÁRIO

Estão abertas as inscrições para a escolha do cartaz do V Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas numa promoção da Fundação Nacional de Artes Plásticas (Funarte), do Instituto Nacional de Artes Plásticas (INAP) e da Universidade Federal da Bahia. Segundo informa o professor Ivo Vellame, este salão deverá reunir uns 500 participantes e os prêmios são compensadores, além de proporcionar o reconhecimento artísticos dos vencedores em todo o país, já que o salão será divulgado em todas as organizações universitárias brasileiras.
Público na íntegra o edital para que os universitários baianos, integrante de qualquer unidade universitária, possam participar desta promoção, realizando bons projetos para o cartaz que servirá para a divulgação do V Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas. Eis o edital:

EDITAL DE REGULAMENTO

1.- Visando julgar o V Salão Nacional de Artes Plásticas  a realizar-se no mês de outubro, a Funarte e a UFBa. Promovem o presente concurso.
2.- O prêmio único é de CR$15.000,00 (quinze mil cruzeiros) e será conferido ao melhor trabalho.
3.-poderão concorrer, única e exclusivamente, estudantes universitários.
4.- Somente concorrerão ao prêmio, os trabalhos executados dentro das especificações seguintes: dimensões: 62x44cm; números de cores até 3(três); dizeres: V Salão Nacional universitário de Artes Plásticas; 3 a 31 de outubro de 1980- Salvador-Bahia; Ministério da Educação e Cultura, Fundação Nacional de Arte, Instituto Nacional de Artes Plásticas, Universidade Federal da Bahia.
5.-A inscrição dar-se á no ato das entregas dos trabalhos, devendo os originais ser encaminhados à Coordenação Central de Extensão, Av. Araújo Pinho n.º32 Canela, até às 17 horas do dia 05 de maio.
6.- Os originais, 2 (dois) no máximo, deverão estar sob pseudônimo e acompanhados de sobrecarta identificadora, fechada, em cujo exterior se ache repetido o pseudônimo do concorrente e no interior, além do papel contendo o nome verdadeiro, o endereço do concorrente, o número de matrícula e o curso que está realizando.
7.-Findo o prazo de inscrição, os trabalhos serão encaminhados à comissão julgadora para apreciação e julgamento, através de processo por ela adotado.
8.- A Comissão Julgadora será constituída do diretor da Escola de Belas Artes da UFBa., pelo coordenador de Extensão da UFBa., e do coordenador, do V Salão Nacional de Universitário de Artes Plásticas.
9.-No tocante aos processos e critérios adotados pela comissão para julgamento e classificação dos trabalhos, A mesma será soberana, não cabendo qualquer recurso ou reclamações dos concorrentes.
10.- A decisão final da Comissão Julgadora deverá ser justificada em relatório, sendo divulgada no dia 09 de maio.
11.-O concorrente premiado se compromete a acompanhar a execução do seu trabalho.
12.- O não cumprimento por parte dos concorrentes, do presente regulamento, implicará na desclassificação dos mesmos. Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora do V. Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas.

ROSTOS E FLORES DE SÉ CORSARI

Rostos que surgem na penumbra, flores de intenso brilho tropical e paisagens em seqüência geométricas, compõem as trinta e duas telas que Sé Corsari está expondo na Galeria Portal, em São Paulo.
Italiano de Sardinha, Sérgio Corrias (seu verdadeiro nome) chegou ao Brasil em 1949. Começou a retratar a mulher brasileira, que para ele”concentra toda a beleza, felicidade e amor”, logo depois de chegar a nosso país. Atraído pelas coisas e pela gente brasileira, sé Corsari consegue transportar para suas telas, usando apenas espátulas, a beleza de nossas paisagens, do casario e também das flores. Nos retratos, emprega um limitado número de cores: brancas, pretas, cinzas e marrons em várias intensidades. Esta simplicidade policrômica lhe permite concentrar a atenção sobre a figura em si, delineando o traço impressionista de sua arte.
Suas telas são, portanto, inspiradas na beleza brasileira. É, vamos assim dizer, a interpretação de um italiano que chega e fica extasiado com tudo que existe neste país dourado por um sol tropical. E, na sua interpretação, consegue uma autêntica aproximação harmônica das tonalidades cromáticas, vivas ou suaves, audazes ou místicas, com as modulações dadas por suas espátulas.
Sé Corsati retornou em 1960 à Itália, onde realizou algumas exposições, inclusive em outros países da Europa. Volta ao Brasil em 1975, fixando-se em São Paulo. Ele acredita que a pintura brasileira é muito fértil e que aqui existe uma verdadeira “usina” de arte, isto e, uma produção de boa qualidade e bem extensa e que, nas regiões Norte e Nordeste do país, a pintura é bem autêntica e não foi atingida a pureza da imagem pela contaminação. Deseja maior intercâmbio entre a pintura produzida aqui e fora do país, pois nossa pintura tem boa aceitação no mercado internacional. Suas telas custam de 65 a 130 mil cruzeiros.

FOTÓGRAFOS MEXICANOS JÁ EXPÕEM NO RIO

Como primeiro resultado do intercâmbio cultural entre o Núcleo de Fotografia da Funarte e o Consulado do México, foi inaugurada a Exposição de Fotógrafos Mexicanos. A mostra conta de 81 trabalhos recolhidos pelo Museu de Arte Moderna da Cidade do México e da qual participam quarenta e um fotógrafos representativos da escola mexicana de fotografia.
Paralelo à mostra são projetados filmes de curtas-metragens mexicanos, em 16mm, sob o patrocínio da Cinemateca do MAM e da Direção Geral de Difusão Cultural da Universidade Autônoma do México, em colaboração com o Núcleo de Cinema da Funarte.
Com esta exposição a Funarte lança ainda a Mostra de Fotografia n.º5 que reproduz, integralmente, a coletiva dos fotógrafos mexicanos. No 2.º semestre o Núcleo de Fotografia, continuando o programa de intercâmbio cultural com outros países, pretende levar parte do seu acervo para mostras no México, Europa e Estados Unidos.
A Galeria de Fotografia da Funarte fica na Rua Araújo Porto Alegre, 80, no Centro e permanece aberta de 2.ª a 6.º feira, das 10 às 18 horas.

CLASSE MÉDIA BRASILEIRA

Das 315 fotos recebidas pelo Núcleo de Fotografia da Funarte, 64 foram selecionadas para participar da coletiva Classe Média Brasileira que será realizada no próximo mês de maio. Os fotógrafos Célio Apolinário (MG), José Albano (CE), Juvenal Pereira (MA), Miro de Souza(SP) e Zeka Araújo (Rio) formaram a comissão de trabalho para a escolha das fotos.
Dos noventa e cinco fotógrafos profissionais e amadores que enviaram seus trabalhos, estarão expondo na Galeria da Funarte, Américo Vermelho, Ana Regina Nogueira, Antônio Saggesse/Hilton Ribeiro, Benjamim Rapson, Beto Felício, Carlos Agra, Carlos Roberto Oliveira Araújo da Silva, Celso Guimarães, Claude Santos, Denis A. H. Carriére, Heitor Magaldi Filho, Jafet Nacle Vieira, João Bosco, João Carlos Otta, José Guilherme C. Oliveira, José Roberto Cecato, Luís Alberto Zuñiga, Luís Cláudio Marigo, Luís Humberto, Marcelo Lartigue, Mário Barata, Maurício Simonetti, Nair Benedicto, Milton Montenegro, Paulo Rubens Fonseca, Pedro Aglison, René Victor Liviano, Ricardo Beliel, Ricardo Gakiya Kanashiro, Ricardo Malta, Rogério Reis, Rômulo A. Campos, Rosa Alice Almeida do Salles, Sérgio Nascimento Araújo, Sérgio Sbragia, Wagner Avancini, Walter Carvalho e Walter Ghelman.
Os fotógrafos não selecionados receberão as devoluções pelo correio.