quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

SIRON FRANCO EXPÕE NO MUSEU DE ARTE MODERNA - 15 DE DEZEMBRO DE 1980


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  15 DE DEZEMBRO DE 1980

SIRON FRANCO EXPÕE NO MUSEU DE ARTE MODERNA

Obra da série Semelhantes, número 18

Finalmente a Bahia recebe Siron Franco uma das gratas revelações dos últimos anos nas artes visuais. Natural de Goiânia, este artista não faz uma pintura bonitinha, aqueles quadros que chamam a atenção das pessoas que não entendem nada de arte, mas que gostam das coisas bem feitinhas. Sim, porque a arte dele nada tem a ver com o bonito, com o bem comportado. Tudo gira ao contrário. Nos mostra uma realidade cruel, a irreverência, com uma postura de digestão difícil. É uma arte forte onde figuras com narizes e bocas desproporcionais têm seus órgãos seccionados por grossas faixas em cores berrantes.
Os olhos são grandes, como a olhar para o infinito as tantas coisas erradas que os mandatários andam fazendo por aí afora, em todos os setores da atividade.
Outras nos lembram as múmias, que podem ser qualquer um de nós, que somos massificados e escravos de horários, regras ou etiquetas rígidas. A verdade é que  a pintura de Siron Franco não passa despercebida, mesmo para os que não gostam  da crua realidade. O impacto é uma presença constante na obra deste artista que nos traz a noção das coisas que nos rodeiam e que tentamos camuflar. Vivemos numa fantasia, enquanto o real que para muitos passa, por algum tempo, despercebido, um dia aflora e os pegará desprevenidos.
Outra  da série Semelhantes, nº 37
Ninguém escapa de sua irreverência: o padre, o executivo de gravata, a madame que freqüenta quase que diariamente o cabeleleiro, o poeta com suas fantasias, o louco que transita livremente e sujo pelas ruas das grandes cidades ou mesmo o marginal que cobra da sociedade através a violência o abandono a que for relegado. Assim, com esta plêiade (e muitas outras figuras) ele vai criando o seu mundo de realismo dentro de sua visão quase épica.
Como diz Millôr Fernandes: “Nos rastros do ser humano Siron só ver o calcanhar de Aquiles. É tendencioso em geral apenas para evitar as tendências generalizadas. Mas segue todos os caminhos, maneira melhor de nunca chegar onde é mais esperado.
Pergunto: Mas quem mandou o Aquiles deixar o calcanhar a descoberto? Diz a tradição que foi um menino que descobriu que o pé  do diabo é recebido. Portanto foi Siron que descobriu a vulnerabilidade do calcanhar da nossa sociedade capitalista cheia de  contradições e distorções as mais variadas.
                                 QUEM É

Em 1973, Siron Franco fez sua primeira individual no Rio de Janeiro, inaugurndo a Galeria Intercontinental, Prêmio de Viagem ao México, no Primeiro Salão Global da Primavera, em Belo Horizonte. Em 1974 obteve isenção do júri no Salão Nacional de Arte Moderna. Foi premiado na Bienal Nacional de São Paulo. Em 1975, Prêmio de Viagem ao Exterior no XXIII Salão Nacional de 
Arte Moderna. Prêmio Internacional de Pintura na XIII Bienal de São Paulo, participação na Coletiva de Artistas Brasileiros no Japão. Individual na Galeria Cosme Velho, em São Paulo. 1976- Viagem pela Espanha (trabalha com José Luiz Verdes, em gravura). Esteve na França, Inglaterra, Holanda e Alemanha. Em 1978, individual na Galeria Bonino, Rio de Janeiro. Em 1979, participações como convidado, na representação brasileira, na XV Bienal Internacional de São Paulo.Agora, de 16 a 30, no Museu de Arte Moderna da Bahia.

ORIGINAIS DE DA VINCI BATEM RECORDE E SÃO
DOADOS A MUSEU
O milionário norte-americano Armando Hammer adquiriu o manuscrito de Leonardo da Vinci, de propriedade de um particular, por 5 milhões e 280 mil dólares (338.976.000 cruzeiros).
Falando à imprensa na saída do leilão, Hammer, radiante por ter conseguido adquirir o Códice Leicester depois de dois anos de tentativas e por um preço muito mais baixo do que o previsto disse que deixará em testamento o manuscrito para o Museu do Condado de Los Angeles.
Disse que agora as 36 páginas do manuscrito de 470 anos serão separadas e expostas por todo o mundo, começando por Londres.
Da Vinci “nunca teve a intenção de fazer um livro, de foram que eu separei as páginas”, disse Hammer.
Acredito que será mais interessante que os peritos o vejam, como era a intenção original de Leonardo.
O manuscrito, uma espécie de caderno com esboços e anotações feitas em uma letra ilegível, inclinada para trás, foi vendido pelo Conde de Leicester a cuja família o documento pertencia desde 1717, para pagar impostos de trans missão de herança da fortuna do quinto conde.
“Há dois anos venho tentando comprá-lo diretamente da família Leicester”, disse Hammer, de 86 anos, que é presidente da Companhia Occidental petroleum e proprietário de uma coleção de arte avaliada em muitos milhões de dólares. “Mas nunca conseguimos nos reunir e então eu... O comprei desta maneira”.
Hammer disse que o preço foi “uma pechincha”, apesar de ter quase triplicado o recorde anterior do preço alcançado por um manuscrito e ultrapassado o dobro do preço alcançado por um livro impresso.
O preço, no entanto, foi muito menor do que a previsão de alguns peritos, de 25 milhões de dólares (1.605.000,000 cruzeiros).
Esperava-se uma forte competição entre os principais museus do mundo devido a raridade e importância do manuscrito, mas isto não aconteceu e o lance foi feito em dois minutos.
Todas as páginas do “Códice Leicester” mostram a genialidade de Da Vinci, um homem que chegou a algumas conclusões que antecederam em séculos o seu tempo.
O manuscrito tem uma ligação próxima com algumas pinturas de Da Vinci, inclusive a sua obra mais famosa a Mona Lisa. “Sem o Códice Leicester, a Mona Lisa não teria existido”, diz a introdução do catálogo de venda, escrita por Carlo Pedretti.
O manuscrito foi iniciado por volta de 1508 e fala sobre as propriedades da água, fluxo, vapores e nuvens. As idéias de Da Vinci, no entanto, corriam com tanta velocidade e mudavam tanto de assunto que Pedretti afirma que “tem grandes lacunas de um assunto para outro”. O manuscrito fala sobre guerra submarina -ele talvez tenha inventado o periscópio nestas páginas, de astronomia e luz, de mecânica e drenagem de pântanos, de represas, bate-estacas e inundações.

                       MURAL
Nova escola - Uma nova escola de arte, Visuais Escola de Arte, está funcionando no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho, e já realizou uma exposição de seus alunos visando incentivá-los. Entre os alunos está nossa colega Núbia. São 35 alunos que durante seis meses vêm estudando variadas técnicas.
Seis crianças - A artista Débora Fontes trabalha há mais de um ano com crianças da Escola de Educação e Atividade Infantil. O resultado é uma exposição de Ednei Lima, Cláudia Botelho, Heleneide Andrade, Ivna Vilas Boas, Ptolomeu Cerqueira e Adriana Nascimento.
Praga do Cadastro - A praga do cadastro está invadindo o interior do Estado. Depois do fiasco no Museu de Arte Moderna da Bahia resolveram levar a praga para o  interior. Tomara que Santo Amaro seja a última cidade contaminada...
Artistas sergipanos - Estão expondo na Galeria Eucatexpo, até 19 do corrente mês. Participam Adauto machado, Anete Sobral, Caã, Carmen Lima e Pithiu, representantes da nova geração de artistas de Sergipe.

R. Souza - No Salão de Festas, do Edifício Itamaracá, na Avenida Euclides da Cunha, 115, Rita santos de Souza, R. Souza está expondo alguns trabalhos com a temática casario. Segundo Oscar Caetano “ela aprendeu cedo a  distância que separa as cores-luz das suas homônimas –pigmentos. Aprendeu, igualmente, a manobrar a tríade das cores simples com os seus complementos, conseguindo reduzir a distância aludida, com a obtenção de tons e valores apropriados”, Foto I.
Registro- Por falar em Sergipe o senador Lourival Baptista, do PDS, registrou nos anais do Congresso que a Coordenação Central de Extensão, da UFBA realizou de 3 a 31 de outubro passado o V Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas, sob a coordenação de Ivo Vellame. 
Pedro Roberto - Expõe no Museu Regional de Feira de Santana até o próximo dia 28. Já realizou várias exposições coletivas e individuais e tem apresentação no catálogo de Anna Maria Pedreira Franco que fala das suas qualidades pictóricas.

Hamilton Ferreira- Está expondo no Praiamar Hotel, na Ladeira da Barra até o dia 26. O tema é o mesmo: Orixás. Ele vem recriando há vários anos esta temática desde quando resolveu largar a tesoura e a navalha para dedicar-se à pintura.Hamilton depois exporá no Rio de Janeiro e São Paulo. Foto II.
Arte e Natal - Anna Georgina, Antônio Lobo, B. Odorico, Cláudio Perazzo, Cristiano Coelho (MG), Elita Seixas Maia, Itamar Espinheira, José Arthur, Lugmar (MG), Núbia, Sauro de Col (SP), Sérgio Sampaio e Rescála estão expondo na Galeria Panorama até o próximo dia 18.
Dê um presente inesquecível, uma obra de arte.