segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

DESABAFO DO ESCULTOR BAIANO IVAN MATOS -18 DE MAIO DE 1980 -


JORNAL A TARDE ,SALVADOR, DOMINGO, 18 DE MAIO DE 1980

DESABAFO DO ESCULTOR BAIANO IVAN MATOS
Dois projetos de esculturas do artista Ivan Matos,prontos para serem executados
 - O que os governos, estadual e municipal, e as grandes empresas vêm fazendo para incentivar, divulgar e, eventualmente, absorver a produção dos artistas plásticos de Salvador? Nada.
Multa-se uma empresa por derrubar árvores em mais de 1 milhão de cruzeiros, o que acho uma medida correta e absolutamente coerente, na defesa da nossa paisagem e ecologia.
Resta saber se tal medida foi fundamentalmente adotada visando os interesses paisagísticos, ecológicos e urbanísticos da cidade, ou foi uma medida alicerçada em divergências pessoais ou demagógicas, ou, o que é pior, só foi adotado após o clamor e fortes denúncias feitas através dos jornais. Em outras palavras, é preciso fazer denúncias, é preciso, sempre que necessário, chamar a atenção dos homens do governo, das empresas privadas e, sobretudo, do povo em geral para a necessidade de, no vazio das praças, no vazio dos grandes prédios públicos ou particulares, colocarem obras de arte, absorvendo, assim, a produção dos artistas plásticos da nossa terra.
Paradoxalmente, fala-se da Bahia como a terra das artes e dos artistas. Infelizmente o que se vê é uma situação de monopólio, onde apenas um escultor, bom escultor evidentemente, e mais uns dois muralistas têm mercado junto aos órgãos do governo e às grandes empresas. Será que só existem estes poucos bons artistas na nossa cidade? Não, apenas criou-se um círculo vicioso, que é preciso romper urgentemente.
Compete a nós, artistas plásticos, urbanistas, arquitetos, críticos, marchands e todos aqueles, de uma forma ou de outra, estão envolvidos com a produção das artes plásticas e humanização da nossa cidade, tentar romper este círculo vicioso que, por ser monopolista, torna-se nefasto aos interesses de toda uma comunidade.
Não sei se existe alguma lei, e se não existe já passou da hora de criá-la; obrigando as empresas de construção civil a colocarem obras de arte nos prédios por elas construídos, quer sejam prédios particulares ou públicos, sendo esta uma das inúmeras formas possíveis de absorver a produção dos artistas plásticos de nossa terra.
É muito importante que a Prefeitura fiscalize aqueles que indiscriminadamente derrubam árvores na nossa cidade. Mas, também, é muito importante que, com esta objetividade, a firmeza absorva um pouco da produção dos nossos artistas. Espaço existe, e recursos, embora carentes, com um pouco de criatividade podem surgir.

MAR, CÉU E SOL NAS TELAS DE TURNER

O grande pintor inglês Turner deixou por testamento todas as suas obras, tanto as telas pintadas como numerosos esboços.
A Grã-Bretanha e desde a sua morte elas fazem parte do acervo das maiores galerias do pai, a saber: A Galeria Tate e o Museu Britânico de Londres, depositários do legado de Turner.
Um belo por do Sol, do pintor inglês Turner
O pintor, nascido em 1775, na primeira versão do seu testamento deixará parte das suas telas a uma instituição de artistas pobres, que devia ser construída em Twicknham. Depois mudou de idéia e no testamento definitivo escrito entre 1848 e1849 deixou 285 óleos, 1800 aquarelas e numerosos esboços à Nação, com a condição de que, dez anos depois da sua morte, fossem recebidas e expostas à visitação, conjuntamente e com acesso gratuito em galerias especialmente construídas para expor as suas obras.
Em 1905 sir Joseph Duveen mandou construir cinco galerias para as telas de Turner.
A Nação elevou-o à categoria de lorde e a maior parte das aquarelas foram entregues ao Museu Britânico, enquanto que boa parte das aquarelas guardadas durante algum tempo nos porões da Galeria Tate sofreu danos em conseqüência de uma cheia do Rio Tâmisa.
A exposição intitulada “Sea, Sky and Sun” (Mar, céu e sol) aberta na Galeria tate por ocasião de uma recolocação das grandes telas a óleo de Turner expostas na Galeria Duveen,  compreende cerca de 50 esboços, alguns óleos, outras aquarelas, que pela primeira vez são exibidos ao público. Um grupo de 16 esboços, na sua maioria estudos de cor, de paisagens marítimas ensolaradas, foram encontradas em 1962, por mera casualidade.
Tinham sido empacotadas (possivelmente por Ruskin que fez uma série de seleções das obras, depois da morte de Turner) em papel amarelo de embrulho, bem amarradas com barbante. São pois, uma novidade, lindos estudos de cor com cenas de mar, com barcos e figuras na praia.
Além deste grupo, há dois esboços correspondente ao último estilo Turner, talvez executados em 1840. outros dois esboços a óleo em cartolina, ao contrário, seriam de 1835; uma tela igual, pertencente ao Museu Nacional de Gales foi incluída na exposição para permitir uma comparação: a sua autenticidade teria sido colocada em dúvida.

PORQUE OS ARTISTAS PRÉ-HISTÓRICOS PINTAVAM MÃOS

As mãos pintadas numa rocha de caverna
Recente pesquisa realizada na França esclareceu um dos mais interessantes problemas da arte pré-histórica: o simbolismo das  milhares de mãos pintadas nas paredes das grutas que abrigaram os nossos remotos antepassados.
As mãos são as únicas partes do corpo que os primitivos representaram como unidade, únicas, sem os braços que as acompanham,nem sequer uma vez. A pesquisa promovida pela Revista Pré-História partiu da análise do modo em que as mãos eram representadas. O primeiro e mais simples é chamado Em Positivo, quer dizer que se pintavam as mãos e a apoiavam nas paredes das cavernas, deixando assim estampado o desenho ; o segundo, jamais elaborada era Em Negativo, apoiavam as mãos nas paredes e depois delineavam o contorno pintando ao seu redor para que o desenho da mão ficasse sem pintura. O terceiro modelo era ainda mais elaborado: em primeiro lugar pintava-se a parede, o fundo, depois começava-se os contornos como num segundo modelo, com uma tinta diferente. Este terceiro tipo é chamado Pseudo Positivo.
Supunha-se há muito que o sistema dependia dos fins preciosos, mas só agora foram individualizados.
E em primeiro lugar as mãos eram usadas como sinal de identificação numa época em que não existia a escrita e alguém queria marcar a sua presença. A isto se acrescenta o sentido de propriedade, quando são as mãos da própria pessoa que aparece repetidamente. Também com o sentido de propriedade explicam-se os desenhos de mãos, nas quais faltam um ou mais dedos. Seriam especificações convencionais para indicar o número de pessoas ou animais que acompanhavam o proprietário.
 Formularam-se também teorias para explicar o uso de cores diferentes, sobretudo o preto e o vermelho. O preto é a cor mais natural e podia não ter às vezes significado, mas as vezes implica a negação da luz, e portanto a morte.
Talvez a realização das imagens em negativo, deve-se a vontade de querer evitar o preto por seu sentido lutuoso. Quanto ao vermelho está sem dúvida relacionado com o sangue e com a vida.
Ao pintar as mãos de vermelho muitas vezes pretendia-se carregá-las de um valor mágico o da sobrevivência.
 Quanto ao tamanho das mãos muitas vezes são ligeiramente menores que a do homem médio, como se fossem de mulher. Sugeriu-se que isto poderia indicar a idéia de uma potência feminina superior, algo assim como uma deusa mãe, representante da fecundidade . Por Annie Rupert, da Ansa.

PAULO NEVES , FOTÓGRAFO

Esta foto parece arranjada, ensaiada. Mas não foi. O fotógrafo Paulo Neves, que trabalha em nossa reportagem conseguiu captar este momento com grande felicidade. Um garoto, desses que andam perambulando pelas ruas das grandes cidades resolvera descansar num galho de um flamboyant. O fotógrafo ia passando e acionou a sua máquina Nikon conseguindo este belo efeito de luz. Os galhos e a figura humana aparecem em silhueta. Ao fundo o Elevador Lacerda, com sua imponência furando o céu. A árvores fica próxima ao Cemitério de Sucupira, um local inóspito e tão criticado. Porém, mesmo um local como este é possível captar-se um momento de vida e beleza.