quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

DESCOBERTOS NOVOS TRABALHOS DO GRANDE MURALISTA RIVERA -10 DE AGOSTO DE 1980


JORNAL A TARDE, DOMINGO ,10 DE AGOSTO DE 1980

DESCOBERTOS NOVOS TRABALHOS DO GRANDE MURALISTA RIVERA


Foram descobertos gigantescos desenhos do pintor revolucionário mexicano Diego Rivera (1886-1957), no porão do Instituto das Artes de Detroit. Os desenhos cobrem uma área de 25 metros quadrados e foram esboçados para o mural Indústria Detroit que pintara no Instituto.
Rivera disse na sua autobiografia que pintou os afrescos em 1933 para “representar a arte de uma época... caracterizada pelas massas, pela maquinária e pelo poder mecânico nu”. Os murais mostram a vida diária dos operários, a maquinária das grandes fábricas da indústria de automóveis de Detroit, os progressos da ciência, a paisagem, a região e o transporte aquático, e na parte superior, são dedicados à Raça Humana.
Antes de iniciar a sua obra, Rivera havia estuado a intensa atividade das fábricas de Detroit durante todas as horas do dia, e fez inúmeros esboços de trabalhadores, fundições, roldanas e laboratórios. Linda Downs, encarregada do Instituto das Artes de Detroit, explicou que são muito raros os desenhos preliminares para murais e, no caso de Rivera, também o seu tamanho. O maior mede 3 metros por 8.
Rivera examina  cerâmica
Quando os afrescos foram exibidos há anos pela primeira vez, foram qualificados de “materialistas” e comunistas. Por reacionários, tais como o padre Coughlin, naquele tempo um caracterizado porta-voz do facismo, que tinha um programa radiofônico semanal. Mostraram, também, o seu desagrado, muitos contribuintes do museu, que opinaram, então, que os operários e a indústria não eram material digno de ser representando na arte. Rivera respondeu aos contestadores da sua obra: “O crescimento e a riqueza de Detroit, que estes contribuintes desfrutam, vieram dos mesmos indivíduos e substâncias de que agora estão os queixando.
Mais ainda, afirmo que muito deles lhe devem suas formas pessoais ao aço, o qual representei tão assiduamente e o qual amo, embora seja um metal duro e frio”.
Por algum tempo não se sabia se os murais seriam destruídos, como acontecia com outros considerados por muitos políticos, no dizer dos seus ricos patrocinadores. Depois de Detroit, Rivera fez um mural no Centro Rockefeller de Nova Iorque, que os Rockefeller borraram porque o artista negou-se a suprimir a imagem de Lenine estendendo as suas mãos a um negro norte-americano e a um soldado russo.
Rivera foi muito versátil, mas, a sua maior contribuição à arte  foi como muralista. Depois de ter estudado arte clássica na Europa, regressou ao México decidido a romper com os estilos acadêmicos e de “investidas” tão populares então. Gradualmente foi desenvolvendo um estilo que pode usar os progressos técnicos da arte moderna de um modo simples e popular, para exprimir as realidades políticas frente a um grande auditório.O muralismo foi pois, para Rivera, a forma mais perfeita da arte popular.
Linda Dows comentou sobre a contribuição do artista mexicano: “Desde o Renascimento até o século XX ninguém havia usado o afresco para comunicar-se com o povo, que normalmente não lhe interessa pela arte. Ele incorporou imagens do meio ambiente a fim de que a sua mensagem causasse impacto”.
O muralismo de Rivera teve um impacto imediato e perdurável, fazendo da arte uma arma da política. Junto com seu patrício, David Siqueiros, Rivera ajudou o renascimento do muralismo no México que alcançou, depois das suas exibições nos Estados Unidos durante os anos 30, o máximo da sua popularidade.
Muitos pintores, trabalhando em projetos do governo decoraram edifícios públicos com homenagens aos trabalhadores, à indústria e à ciência, sob a evidente influência das obras de Rivera.
O movimento muralista mexicano mantém vivo este legado, de tal modo que muitas paredes de casas deterioradas nos “bairros” no sudeste e no meio oeste dos estados Unidos são renovados com as imagens de orgulho nacional e de rebelião que os novos pintores herdaram de Rivera.
A recente descoberta destes desenhos constitui um grande acontecimento na história do Instituto de Artes de Detroit. Os desenhos estavam perdidos entre outros materiais durante a Depressão, quando diminuição no orçamento do museu deixou este com só um encarregado.
Devido ao fato que a técnica de pintar afrescos requer que se segue o gesso, os desenhos preliminares ganham uma especial importância. Muitas das idéias do artista são captadas no desenho e ao trasladá-las ao gesso, perde-se grande parte da espontaneidade que os esboços contêm.
O trabalho da Rivera e, em geral, a arte política dos anos 30 foi na realidade menosprezado por críticos e historiadores. Parece que unicamente as descobertas de Detroit ali encontrados, têm a virtude de despertar interesse para as obras, um tanto esquecidas do muralista mexicano.
O Instituto de Arte de Detroit exibirá os desenhos de Rivera em 1983, para comemorar o cinquentenário do seu afresco “Indústria de Detroit”. Esta homenagem a sua memória se realizará na Cidade dos Operários do Automóvel, muito distante da sede dos conhecedores da arte em Nova Iorque.

VÁRIOS PROJETOS SERÃO DESENVOLVIDOS NA BAHIA

A Universidade Federal da Bahia entrou para o Projeto Universidade da Funarte recebendo, em dois convênios, o total de CR$2 milhões 195 mil para desenvolver trabalhos nos setores da música, artes plásticas, teatro, folclore, cinema e dança, em Salvador e no interior do estado. Os responsáveis pela programações culturais da UFBa, seguindo a nova filosofia do Projeto Universidade, já deram início aos trabalhos, procurando levar para as comunidades em vez de simples espetáculo, um estímulo para que elas, possam, depois, criar e desenvolver sozinhas seus programas.
A UFBa, preparou, para o segundo semestre, os seguintes eventos culturais: Concurso de Compositores em Música Erudita, na segunda quinzena de outubro; Oficina de Livre Criatividade, em setembro e outubro, para exercitar a liberdade criativa de expressão; Pesquisa Lúdica Infantil, em agosto, com comunidades periféricas de Salvador e pelo interior do estado, onde as crianças pobres trabalharão com pedra, barro, areia e sucatas, criando brinquedos.
A UFBa realizará outros projetos como o Teatro Universitário, que começou este mês e que, até dezembro, apoiará iniciativas de grupos teatrais em faculdades, difundindo, também, conhecimento teórico de arte teatral entre os estudantes; um arquivo cinematográfico para guardar filmes que contam parte da história do estado; um laboratório central de fotografia para atender a área de documentação visual; um núcleo de atuação cultural, em outubro, para estudantes de outras áreas; um festival de arte em novembro englobando grupos semiprofissionais, artistas populares e universitários; uma oficina de dança, para este mês, com apresentações de vários grupos, uma amostra de filmes e troca de experiências entre os diversos grupos convidados e, na primeira quinzena de setembro, uma jornada de curta-metragem que dará atenção especial aos filmes produzidos fora do eixo Rio-São Paulo.
No segundo convênio, a UFBa, recebeu recursos para realizar o V Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas da Bahia, de 3 a 31 de outubro, no foyer do teatro castro Alves, em Salvador. Os objetivos são apoiar as aspirações dos universitários no campo das artes plásticas das artes visuais entre os estudantes e a comunidade.

BARBA MUITO GRANDE

A famosa cabeça de bronze, representando a chamada Divindade Barbuda, que os historiadores acreditam ter sido confeccionada entre o IV e V séculos antes de Cristo, foi totalmente recuperada por uma equipe especial de carabineiros que cuida da tutela do patrimônio histórico e artístico do Ministério dos Bens Culturais, na Itália. A cabeça fora roubada em novembro de 1978, do Museu Nacional de Paestum, e, hoje, está avaliada em 2 bilhões de libras.




INSCRIÇÕES ABERTAS PARA TRÊS CURSOS E UM SALÃO

Estão abertas as inscrições para o segundo semestre das Oficinas de Técnicas de Expressão Arte em Série, no Museu de Arte Moderna da Bahia, onde são fonerecidos os cursos de xilogravura, serigrafia e litogravura.
O início dos cursos do segundo semestre está previsto para o dia 26 de agosto, com duração de três meses cada. O curso de xilogravura será ministrado pelas artistas Sônia Castro e Márcia Magno. As técnicas em serigrafia e litogravura serão ensinadas por Michael Walker e Renato Fonseca. O número de vagas será de 20 alunos, por curso, e as inscrições estarão abertas até o dia 18 de agosto, no horário das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas.
No dia 19, às 14 horas, será realizado um teste de aptidão artística para os alunois inscritos. Maiores informações no Museu de Arte Moderna, no Solar do Unhão.

SALÃO NACIONAL

Foram prorrogadas, até 12 de agosto, as inscrições para o III Salão Nacional de Artes Plásticas, que ocorrerá de 03 a 29 de novembro, no Palácio das Artes, no Rio, e que premiará os quatro melhores artistas plásticos com viagens ao exterior. Outros artistas ganharão viagens pelo Brasil. O Prêmio Gustavo Capanema, de CR$100 mil, irá para o  melhor conjunto de obras e haverá prêmios de aquisição, de CR$100 mil, para os trabalhos incorporados ao acervo da Funarte.
O regulamento do concurso e a ficha de inscrição continuam à disposição dos candidatos, das 13 às 17 horas, na sede da Funarte, no Rio, (Rua Araújo Porto Alegre, 80, sala 15), na sua apresentação, em São Paulo, (Rua Apa, 83, bairro Campos Elísios) e Funarte Brasília (Setor de Difusão Cultural, atrás da torre de tevê) e nos demais estados e territórios, nas sedes das delegacias do MEC e secretarias da Educação e Cultura
O III Salão Nacional de Artes Plásticas está aberto a brasileiros e também, aos estrangeiros que comprovarem permanência de, no mínimo, cinco anos em nosso país. Todos deverão ter realizado, nos últimos dez anos, pelo menos uma exposição individual ou participado de duas coletivas. Os artistas poderão concorrer com trabalhos feitos em grupo, desde que um se responsabilize pela obra na ficha de inscrição.

EXPOSIÇÃO PIER E OCEANO

No famoso museu de arte moderna holandês, Krõller-Müller, junto à cidade de Arnhem, terá lugar uma interessante exposição intitulada Píer e Oceano, cuja concepção se deve ao artista Von Graewentz. Ele limitou as bases desta mostra aos anos 70.
Foto do parque das esculturas do museu
Conforme explica o próprio Von Graewentz, “O espaço na arte dos anos 70 é, certamente, um espaço aberto no qual a arte se encontra como um píer no meio do oceano. Pode-se ver que o oceano define o píer e lhe confere significado, pois o que é limitado encontra sempre sua significação através do limitado. O pintor Piet Mondriaan está presente com sua famosa tela Píer e Oceano que dá nome á mostra –o píer simbolizando a ordem e o indomável oceano, a desordem. Esta pintura pode ser vista, ainda, como uma concepção dualista conjugada a nível do imaginário. Na arte dos anos 70 a desordem está presente, porém sem ser realmente visualizada”. A exposição Píer e Oceano, em Arnhem, trata da questão de como os artistas nos últimos dez anos pensaram, em termos de tempo e espaço. As mudanças no significado são consideradas mais importantes que as alterações no sistema aplicado. O conteúdo é, consideravelmente, mais importante que a foram. E o lado mental é mais relevante que o espacial. Nesta exposição Píer e Oceano, a arte representa uma espécie de filosofia. Para sua organização, foram escolhidos artistas que deram importante campo da concepção artística que apresentaram problemas claros e definidos. Naturalmente, por ter sido concebida por um único artista, a própria exposição pode, neste sentido, ser considerada como uma obra de arte.

A ARTE PLUMÁRIA DO BRASIL

Será inaugurada, na próxima terça-feira, a exposição de Arte Plumária do Brasil. Trata-se de tentativa pioneira para a qual a Secretaria da Cultura do Estado está dando seu apoio e patrocínio.
Além da finalidade estética- nossa principal preocupação- a mostra tem assessoria científica de destacados pesquisadores do campo específico, garantindo, também, seu aspecto didático e cultural. O MAM espera que os professores das escolas de 1º e 2º graus dêem seu apoio, também, divulgando entre os jovens esta importante mostra.
Serão apresentadas partes importantes de coleções de museus- como o Museu Paulista da USP, Museu Paraense Emílio Goeldi, do Pará, Plínio Ayrosa da USP e Museu Nacional da UFRJ- e muitas peças que serão expostas pertencem a coleções particulares.
Além de uma festa visual onde mais de 300 peças de diferentes grupos tribais serão expostas, dar-se-á, ao grande público, a possibilidade de conhecer mais um aspecto importante e pouco divulgado da riqueza e criatividade do início brasileiro. Mas, esta exposição não é aqui e sim em São Paulo, onde as coisas acontecem...