domingo, 6 de janeiro de 2013

O COELHINHO DA MENINA E A INSENSATEZ DA MESTRA - 20 DE ABRIL DE 1980.


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  20 DE ABRIL DE 1980.

O COELHINHO DA MENINA E A INSENSATEZ DA MESTRA

Ela é uma menina de nove anos de idade, de temperamento inquieto e cheia de indagações. Não tem inibição e é incapaz de ficar calada quando acha que tem razão. Uma marca registrada do seu temperamento, e assim poderá enfrentar melhor a vida, que a cada dia está mais difícil para os inibidos, que sofrem calados.
Juntamente com seus coleguinhas foi avisada  que haveria um concurso de desenho na escola ode estudam. Em casa todas treinaram para o grande dia... Elaborou alguns desenhos e um deles ganhou forma especial num clima de ingenuidade que reflete o próprio universo que gravita.
Ficou um a manhã inteira bolando desenhos e o coelhinho saiu bonito. Por conta própria, pegou dois chumaços de algodão, uma fita azul e outro laço de tamanho maior, também de cor azul-claro. De posse desses objetos passou à ação. Pegou uma folha de caderno e desenhou o coelho, inspirada nu símbolo da Páscoa. Ao lado desenhou algumas borboletas e com lápis de várias cores coloriu-as. Em seguida, com uma cola prendeu em cada uma das orelhas de “seu” coelho os chumaços de algodão. Ao terminar o trabalho saiu mostrando pela vizinhança e todos “acharam lindo”.
Sentindo-se apta e confiante seguiu para a escola. Mas que decepção! A deficiência da professorinha encarregada de educá-la, aflorou.. Numa atitude condenável, a professora resolveu adotar um critério injusto. Num pré-julgamento, escolheu apenas cinco crianças para participarem do concurso levando em consideração o bom comportamento e porque sabiam desenhar bem. Nossa personagem que não é das mais bem “comportadas” e com elas dezenas de outras colegas foram excluídas por antecipação, ficando impossibilitadas de mostrar seus talentos. Excluídas pelo critério injusta da professora. Mas, agora está aí o desenho do coelhinho que ela elaborou como “trino” para o concurso, do qual não deixaram participar. A professora marcou um tento! Conseguiu entristecer várias crianças... num só gesto.

VERDADEIRO

Este exemplo, que é verdadeiro, serve para alertar às escolinhas que existem por esta Bahia afora, que contratam professoras despreparadas, as quais provocam marcas irreparáveis na personalidade das crianças.
A falta de habilidade em lidar com as crianças, e a falta de conhecimento nos mínimos critérios de Educação Artística e da Psicologia da Criança podem ser constatados nos inúmeros exemplos que as mães poderiam nos dar.. Tudo é falho Bastaria passar ás vistas no livro de Educação Artística, de Glorinha Aguiar, que a professora da menina encontraria na página IV o seguinte: “O produto final, o resultado objetivo do trabalho do aluno, não é importante para nós. O que realmente nos interessa é o processo, isto é, os meios que o educando emprega para se desenvolver. Assim, não pretendemos obter desenhos perfeitos, músicas bem executadas, peças de teatro bem montadas. Pretendemos, isto sim, fazer com que o aluno vença a inibição, participando livremente das atividades, com espontaneidade e entusiasmo”.
 Analisando a atitude da menina, notamos que ela preencheu todos os requisitos que fala Glorinha Aguiar. Além do mais, o seu desenho tem criatividade, inclusive a presença de vários elementos como o algodão e os dois tipos de fitas, além das borboletas.
Um mundo de fantasia, própria de sua idade.
Uma atitude digna de registro por parte de sua professora. Mas, coitada, a pobre da professora não conhece (como muitas outras que existem por aí) as mínimas normas de Educação Artística. Agiu embasada em preconceitos. Cortou o barato da menina e de suas coleguinhas e preferiu as “bem comportadas e que sabiam desenhar bem...”
Que fique com elas!

FORMADA COMISSÃO DE ARTE PARA ESCOLHER
 OS MELHORES

Foi realizada no Salão Nobre de Funarte, a solenidade de lançamento do evento cultural “Hilton de Pintura, que vai escolher, através de uma comissão formada por críticos de arte de todo o país, os dez pintores que mais se destacaram na década de 70 no Brasil.
Os nomes dos pintores escolhidos, segundo o diretor executivo da Funarte, Roberto Parreira, serão conhecidos publicamente no dia 05 de maio. As obras serão apresentadas em exposições itinerantes por algumas cidades brasileiras e doadas, posteriormente, ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

OBJETIVO

O objetivo principal dos Destaques Hilton de Pintura, evento cultural promovido pela Companhia Souza Cruz com o apoio da Funarte, é o de realizar um levantamento e avaliação da pintura brasileira na última década em um trabalho documentado bem apresentado. Para isso, foram convidados a participar da iniciativa profissionais de notória responsabilidade na pintura brasileira.
Os críticos de arte, que apontarão os dez pintores que mais se destacaram na última década, são os seguintes: Alberto Beutten Müller, Cassimiro Xavier de Mendonça, Jacob Klintowitz, Adalice Araújo, Maristela Tristão, Clarival do Prado Valladares, Antônio Bento, Walmir Ayalia, Alcídio Mafra e Lélia Coelho Frota.
Os quadros escolhidos como Destaques Hilton de Pintura participarão de três exposições itinerantes pelo país, assim programadas: de 25 de junho a 06 de julho, na Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília; de 14 a 27 de julho, no Museu de Arte Moderna de São Paulo; e, finalmente, de 4 de agosto a 17 do mesmo mês, no Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A promotora do evento vai adquirir todas as obras e doá-las ao Museu de Arte Moderna do Rio, reconstituindo, dessa forma, o novo acervo de arte contemporânea brasileira daquela instituição. Reproduções dos quadros que integrarão os “Destaques Hilton de Pintura” serão produzidas, a cores, e distribuídas durante as exposições no Rio, Brasília e São Paulo.

HANSEN BAHIA EM CACHOEIRA

A Fundação Hansen Bahia está promovendo uma exposição deste que é um dos nomes mais representativos da gravura no Brasil.
A exposição foi aberta ontem, às 20 horas, na cidade monumento de Cachoeira, para a qual ele deixou grande parte de sua obra, e onde viveu seus últimos dias de vida. A programação incluiu a entrega da Coleção Cachoeira e Navio Negreiro com xilogravuras do artista, doação da Universidade Federal da Bahia.
A edição especial do Jornal de São Félix sobre Hansen, inauguração da biblioteca do museu com 25 livros de arte, editada na Europa e livros raros de arte e de um retrato do artista. Já às 19 horas, foi aberta ao público a sua exposição de óleos e em seguida houve um coquetel e com samba de roda e números executados pela Filarmônica da Cidade.Parabéns aos organizadores desta homenagem a Hansen Bahia, este alemão baiano que gostava tanto desta terra, que adotou em seu próprio nome. Conheci de perto e privei da sua amizade. Era uma pessoa de grande sensibilidade que escondia por trás de uma aparente rudeza a grandiosidade de um artista inato e muito humano.

        LEONEL MATOS EXPÕE NA GALERIA PANORAMA

Aqui temos um pintor figurativo que através de uma sensibilidade instintiva vai criando seu mundo imaginário ou real. Universo marcado pela ausência de técnicas pictóricas mais apuradas e desconhecimento das regras clássicas e elementares do desenho. Pinta como sente. E, Leonel Matos é um desses jovens primitivos que está perseguindo o seu alvo desde 1971, quando fez a primeira exposição na Primeira Feira de Arte da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. De lá para cá participou de coletivas e fez outras individuais. Sua temática é bem popular e esta foto de um de seus quadros a óleo, que está exposto na Galeria Panorama, reflete o clima e a ligação deste artista com a sua gente. Não poderei dizer que é um grande artista, um artista pronto. Apenas um jovem que consegue captar a essência de sua gente jogando-a em suas telas. O colorido é forte e as figuras humanas e de santos preenchem os espaços em boas composições plásticas.

MURAL DE MURILO NA FACULDADE DE ODONTOLOGIA

Convidado pela Direção da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia para elaborar um mural na sala de espera no setor de odontopediatria o artista Murilo fez um trabalho digno de registro.
Utilizando a temática de suas telas a óleo, os palhaços e os espantalhos , Murilo soube levar para as paredes a graça e a beleza dessas figuras tão presentes na fantasia das crianças.
O mural ocupa duas paredes, em forma de L, e tem um colorido forte. Ele quase não teve tempo de pintar. O convite foi feito quase às vésperas da inauguração e Murilo trabalhou mais de 12 horas por dia. Mas, a pressa não prejudicou a qualidade do trabalho, ao contrário parece que funcionou como estimulante e a Cidade ganha assim mais um mural e a criança a possibilidade de um contato com a arte.