terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ARTISTAS DE JOINVILE NO MUSEU DE ARTE DA BAHIA -13 DE OUTUBRO DE 1980


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 1980

ARTISTAS DE JOINVILE NO MUSEU DE ARTE DA BAHIA
Edson Machado com o instrumento de tortura do intelectual

Seis artistas de Joinvile estão expondo no Museu de Arte da Bahia e representam várias tendências num confronto onde inexiste unidade. A ideia de trazer novos valores merece aplausos. Uma iniciativa que deve ser imitada pelos dirigentes de nossas instituições culturais, que poderiam levar jovens artistas baianos para exporem suas obras em outras cidades.
Visitando a exposição, no dia de sua abertura, verifiquei que nem todos os expositores tem um trabalho apurado. O Índio Negreiro da Costa, por exemplo, vem expondo desde 1967, já participou de mais de trinta mostras entre individuais e coletivas e o seu desenho, a bico de pena, apresenta uma arquitetura pesada, sem maior criatividade, inclusive com relação ás figuras humanas. Um trabalho clichê que não suportaria uma crítica mais apurada.
Também, o Moacir Moreira (Moa) que procura denunciar através de seus estandartes o aniquilamento da fauna com utilização de cores suaves, fica no nível de um tamanho artesanal sem grande importância plástica.
Edson Busch Machado é conhecido, em Joinvile por seus desenhos, porém, nos apresenta objetos onde sua interferência, ás vezes, inteligente, consegue certa forma atrair a atenção, especialmente pelas máquinas antigas que compõem a sua obra. Na verdade, o que existe de mais significativo em todo o conjunto de obras do Edson é uma máquina antiga onde ele colocou um papel com manchas vermelhas e nas teclas da máquina colou percevejos com as pontas para cima, mostrando a tortura do intelectual. Noutra, trocou a tradicional fita de máquina por outra, verde e amarelo.
Confesso que estas interferências de certa forma estão banalizadas. Mas, valeu pela sua intenção em realizar algo que, para ele, é novidade.
Nilson Delai - preocupado com a luta dos homens e pássaros, trabalhou com ecoline deixando espaços brancos significativos. Em suas composições há algo do fantástico.
Antônio Mir, espanhol, natural de Lorca, pintor, gravador, escultor, atualmente trabalhando com o metal. Sua matéria-prima principal são lâminas metálicas onde ele consegue bons efeitos trabalhando com ácido e seringas etc.Talvez seja o que de melhor esteja exposto no Museu de Arte Moderna da Bahia.
Finalmente, Hamilton Machado, desenhista e gravador que usa a superposição, mas nada de importância.
Eles vieram com a apresentação do crítico Harry Laus que na apresentação do catálogo da exposição afirma que os artistas escolhidos para esta exposição, não pretendem deslumbrar ninguém. São todos jovens (entre 28 e 33 anos) e aceitaram com alegria o convite para divulgar sua cidade, num confronto de tendências aparentemente em luta, mas cada qual dando apoio e consistências umas às outras. O experiente Harry Laus realmente está com plena razão, os jovens artistas de Joinvile não deslumbram ninguém, e, têm muito que realizar para conseguir.

FEIRA LIVRE DE ARTE NA ESCOLA DE BELAS ARTES


Está aberta a Primeira Feira Livre de Arte que agora atenderá a população todas as sextas-feiras no pátio da Escola de Belas Artes. A feira dará oportunidade aos alunos de venderem seus trabalhos a preços acessíveis, possibilitando, por outro lado, uma melhor integração entre o povo e os trabalhos artísticos, abrindo novas perspectivas para os artistas novos e modificando a concepção das artes tradicionalmente de galerias.
Na última sexta-feira, cem alunos estavam inscritos e entre os objetos vendidos constaram quadros, gravuras, litografia, impressão, cerâmica a preços que variaram entre CR$200,00 e CR$8 mil. O estudante Albano de Ávila Moaba, que ajudou a montar a feira, vendeu alguns trabalhos antes da abertura oficial da feira, que considera da maior importância, porque assim os alunos tem oportunidade de divulgar seus trabalhos.
Com um ponto de ônibus funcionando na porta do estabelecimento, a curiosidade é geral e muita gente é atraída com as obras expostas, o que já é um ponto positivo para os alunos que já vêem sucesso para as próximas feiras. Zu Campos, que apesar de ser aluno da EBA, já é profissional tendo realizado dezoito exposições em vários estados brasileiros, diz que trabalha com madeira desde 1966. O primeiro trabalho que vendeu na feira foi para uma professora que pegou CR$2 mil.
A ideia da feira foi das melhores para Zu Campos.
Explica que é difícil se chegar às galerias e que os alunos por imposição do curso fazem diversos trabalhos que se acabam em casa.Somente de uma das técnicas que teve aulas, ele diz que dispõe de trinta trabalhos em casa e que agora terá oportunidade de vendê-los. O evento ainda segundo o entalhador, dá condições a que o público se acostume com as obras que lhe chega às mãos de maneira simples, sobre os mesmos balcões de frutas livres.
A inauguração da feira foi feita pelo diretor da EBA, Herbert Viana de Magalhães, que via tal necessidade como prioritária neste centro artístico, considerado dos mais importantes do país. Pretende que a feira seja incorporada à vida da cidade. Independente da vendagem dos objetos de arte, outras manifestações se evidenciam como a apresentação de um palhaço para as crianças e presença de poetas. Pretendem os estudantes construir um tablado para que artistas possam apresentar trabalhos teatrais. Como por exemplo, valente Júnior aproveitou a feira para vender suas poesias em exemplares que custam CR$50,00.
Antes da inauguração, as bancas forma percorridas pelo vice-reitor José Calasans, da UFBa., Professor Jairo Simões pelo diretor da EBA, representante do prefeito Mário Kertész que além de incentivar a idéia se ofereceram para ajudar no que for possível. Esta feira acontecerá todas as sextas-feiras de 9 às 18 horas e sendo o local considerado dos melhores pelos estudantes (Ângela Barreto).

OBRAS DO V SUAP

Tenho em meu poder as fotos dos trabalhos premiados no V Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas, as quais vou publicar por etapas. Hoje, publico a que retrata os três trabalhos premiados de Bel Borba. E deixo o depoimento de Ivo Vellame sobre esta promoção vitoriosa. Vejamos: “Foi o V SNUAP a moldura de ouro do que já foi feito na Bahia em termos de amostragem de uma arte jovem e universitária. O seu grande êxito, que na expressão do João Vicente Salgueiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas, foi maravilhoso e surpreendente, deve-se a muitos, deve-se a uma heróica equipe de trabalho, à grande concorrência por parte de universitários de diversos estados do país, ao alto nível das obras expostas, algo que creditamos à competente e séria comissão julgadora e à divulgação que do V SNUAP foi feita pela imprensa baiana durante muitos meses. Foi igualmente um trabalho sério desenvolvido por muitos na Coordenação Central de Extensão da UFBa., a razão maior para o que aí está- um salão soberbo, rico em premiação e de incontestável alto nível."