quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

NASCEM AS OFICINAS DE TRABALHO NO MAMB - 24 DE FEVEREIRO DE 1980

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  DOMINGO 24 DE FEVEREIRO DE 1980

          NASCEM AS OFICINAS DE TRABALHO NO MAMB

A Fundação Cultural do Estado da Bahia, através do Museu de Arte Moderna, já recebeu da Funarte os equipamentos necessários à instalação das Oficinas de Trabalho, que serão inauguradas no próximo mês, numa experiência pioneira em termos de museus, em todo o Estado.
Segundo o Diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia, Francisco Liberato, com o funcionamento das Oficinas de Trabalho a instituição dará um importante passo para atingir um dos seus principais objetivos, que é o de abrir campo para o surgimento de novos conceitos artísticos, permitindo a integração de pessoal jovem ainda sem acesso ao mercado das artes plásticas.
Na primeira etapa de funcionamento das oficinas, que preencherá o espaço do primeiro semestre deste ano, serão ministradas aulas de iniciação a gravura, xilogravura, gravura em metal e serigrafia. A orientação será destinada a iniciantes, que serão admitidos a partir de entrevistas, nas quais serão feitas sondagens de talento e interesse dos candidatos.

ABERTURA DE MERCADO

Foto recente de Francisco Liberato
Para Francisco Liberato é importante destacar que as Oficinas de Trabalho, possibilitando a orientação da arte em série, propõem também a abertura de um novo mercado, que, por sua vez, exige a formação de uma nova mentalidade artística e estética.
Outra preocupação do diretor do MAMB é que as oficinas não sejam apenas um centro de artesanato. A finalidade, segundo ele, vai muito além, pois a iniciativa visa também a formação de nova mentalidade.
Para tanto, a direção do Museu de Arte Moderna pretende promover, às terças-feiras, exibições de audiovisuais, filmes e trabalhos realizados em outros centros, permitindo aos iniciantes maior contato com experiências mais amadurecidas e já sedimentadas dentro do processo evolutivo.
Estamos também fazendo acordo com o Teatro Castro Alves para manter ali, permanentemente,uma mostra dos trabalhos executados nas oficinas, como uma forma de iniciar os novos artistas no mercado afirma Liberato.
A orientação aos iniciantes será dada através de professores e monitores, além de contato com artistas mais experientes, num intercâmbio que o diretor do MAMB acredita que será proveitoso para ambas as partes.
As primeiras sugestões para a organização das oficinas foram dadas por Juarez paraíso, artista e professor de larga experiência, inclusive uma pessoa que sempre se mostrou disposta e interessada em orientar e colaborar com as gerações mais jovens.
Além dos professores de cada um dos cursos, será feito rodízio com novos orientadores, permitindo que os alunos mantenham contato com estilos, tendências e técnicas variadas, enriquecendo dessa forma o aprendizado.
Segundo Francisco Liberato, as Oficinas de Trabalho do Museu de Arte Moderna estarão, também, com as portas abertas a artistas que desejam utilizar o equipamento para a realização de seus trabalhos, desde quando estejam sintonizados com a filosofia do MAMB.
Essa será também, segundo ele, uma forma de permitir que os alunos travem contato com técnicas mais aprimoradas, acrescentando novas experiências ao aprendizado.
A experiência da primeira etapa do funcionamento das oficinas, servirá como subsídio para suas novas fases, podendo, no próximo semestre, serem introduzidas novas técnicas, a exemplo da confecção de marionetes e representação de peças dentro desse estilo de teatro, num trabalho que unirá artes plásticas e teatro.
Aliás, segundo o Diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia, um dos objetivos da instituição é promover a integração de diversas manifestações artísticas, possibilitando o encontro das artes e um trabalho global que beneficiará os diversos setores.

O CARNAVAL DO RIO ANTIGO NA VISÃO DO FOTÓGRAFO 
Foto de Augusto Malta do carnaval do Rio
AUGUSTO MALTA

O Carnaval carioca de 1909 a 1932, na visão do fotógrafo Augusto Malta, em exposição individual da Galeria de Fotografia da Funarte (Rua Araújo Porto Alegre, 80-Rio), reunindo 84 fotos que retratam principalmente os corsos, ou seja, os grupos fantasiados que percorriam a cidade em automóveis, lançando confetes e serpentinas
Aberta de segunda a sexta, das 9:30 às 18h, a exposição faz parte do acero pessoal do fotógrafo Augusto Malta (1864-1957) e foi cedida à Funarte pela Femurj / MIS para integrar os eventos ligados ao período carnavalesco.
A obra de Malta, calculada em cerca de  80 mil fotografias, representa hoje o mais valioso documento de memória da evolução histórica, social, cultural, arquitetônica, artística e urbanística do Rio, em meio século de vida.
Os foliões de rua que Malta retratou são principalmente provenientes da classe média, que formavam grupos fantasiados uniformemente, à maneira dos blocos, e percorriam as ruas em marcha lenta sobre os automóveis. Essa forma carnavalesca era encontrada principalmente na zona sul da cidade, na Avenida Rio branco e adjacências, e desfrutava na época de enorme prestígio e apoio oficial. Mostrando baianas, piratas, marinheiros, índios, pierrôs, etc., essas fotos, na sua maioria posadas, revelam o luxo e um certo recatamento dos foliões da classe média.
Segundo o crítico Sérgio Cabral, “se alguma falha existe na maravilhosa obra de Augusto Malta é a ausência de fotografias do Carnaval mais popular, realizado nos subúrbios ou no centro da cidade (principalmente, na Praça Onze e no antigo Largo de São Domingos).Ele poderia ser na Fotografia o que foram, na literatura e no jornalismo, escritores como Lima Barreto, João do Rio e Melo Morais."
Augusto César Malta de Campos nasceu em Paulo Afonso, Alagoas, a 14 de maio de 1864. Por força de envolvimentos políticos durante os movimentos Abolicionistas, veio para o Rio de Janeiro aos 24 anos, onde empregou-se como auxiliar de escrita e mais tarde guarda-livros da Firma Leandro Martins.
Resolveu depois tentar a sorte como comerciante de secos e molhados e vendedor de fazendas, mas só fez acumular prejuízos.

O OUTRO LADO DA FACE DE LICURGO
O pintor Licurgo 
Explorando uma nova fase que consiste em realçar expressões de um só lado da face humana, o artista plástico baiano Licurgo prepara-se para mais uma exposição individual em Salvador, no próximo mês. Recentemente ele presenteou o presidente da República, general João Baptista Figueiredo, com um quadro contendo o rosto sofrido de um nordestino (chapéu de couro e mandacaru).
Vale dizer que Licurgo através dos seus trabalhos a óleo sobre tela aborda sempre problemas sociais do Nordeste e as suas conseqüências. Nesta sua próxima exposição, que ainda não tem lugar definido para sua realização, ele tentará mostrar um problema por que passam os seus personagens e também, os artistas, que, segundo ele, “são tão marginalizados como o homem do Nordeste: seja o trabalhador ou o menor abandonado”.
 E o 0utro Lado da Face, como intitula a sua próxima exposição, tentará mostrar a coincidência das situações do artista e do homem do Nordeste. Para Licurgo, “apesar do povo estar mais consciente da arte, a falta de apoio prejudica o seu desenvolvimento”. Ele deverá estar mostrando em março cerca de 15 trabalhos pertencentes à fase de exploração de um só lado da face. E diz está encontrando dificuldades com relação ao local em que pretende levá-los a público “por falta de incentivo”. Logo após a exposição de março o artista pretende preparar trabalhos sobre os problemas dos menores abandonados, possíveis marginais de amanhã, no seu entender.