quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

QUATRO TALENTOS EXPONDO NO MUSEU DE ARTE MODERNA - 14 DE SETEMBRO DE 1980.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 14 DE SETEMBRO DE 1980.

QUATRO TALENTOS EXPONDO NO MUSEU DE ARTE MODERNA
Os quatro artistas:Humberto Vellame,Murilo,Bel Borba e J. Cunha
Bel Borba,Murilo, Humberto Vellame e J. Cunha representam uma nova geração de artistas baianos que atualmente está subindo de cotação , pela qualidade intrínseca de seus trabalhos. Possuem  características diferentes e uma linguagem plástica capaz de suportar uma concorrência no mercado às vezes desleal. Mas, estão ai , vibrantes e criativos realizando um painel aqui outro acolá, uma exposição coletiva e outra individual, vendendo um trabalho a preço às vezes não compensador. Mas tudo isto faz parte de um jogo e tenho a convicção que todos sairão vitoriosos.
Murilo e os sentimentos

Dos quatro, apenas Murilo e Bel Borba frequentaram a Escola de Belas Artes. Murilo é um artista completamente dedicado à sua oficina de trabalho e tem uma força criativa nata, pois desde criança que mexe com tintas. Além de pintor de quadros é bom de cenário e figurinos. De Murilo posso dizer ainda que é uma criatura preocupada com os conflitos e dramas do homem contemporâneo, fala de perto da massificação e também do abuso de poder tão comum em todas as comunidades.
Suas figuras tristes mostram de perto o choque entre a zona rural e a cidade grande, as neuroses, a violência das calçadas e o ridículo da vida.
Bel Borba e
as estruturas
Bel Borba, venho acompanhando com muito interesse seu desenvolvimento. Conheci o Bel há alguns anos trabalhando como um desesperado na garagem de sua casa com máscaras de spray.Era apenas um jovem que gostava de arte e seus pais contribuíram com o estímulo. De lá para cá Bel já realizou muitas exposições, ganhou prêmios em salões aqui e fora do estado.
Confesso que gostei muito da fase que denominou Avestração, a dos pássaros geométricos que em forma de módulos, peças e objetos flutuavam. Sempre seguindo uma linha de trabalho, agora Bel nos apresenta a fusão de suas experiências anteriores, sendo que os pássaros deram lugar às estruturas que cortam espaços e projetam sombras.
Os trabalhos de Humberto Vellame também já são conhecidos pela sua linguagem descontraída. Os que nos apresenta agora são fruto do aproveitamento do chamado lixo urbano ou da sociedade consumista que vivemos. Ele trabalhou com palhas de coqueiro,papéis, latas e tudo que pode pegar. Fez a transformação do lixo e convida a todos os que tiverem oportunidade de visitar a exposição que repensem sobre este material que está ao alcance das mãos.
Finalmente, J. Cunha que o conheci com trabalhos que seguiam a linha de cordel, nos mostra um trabalho calcado em suas origens com a utilização de símbolos indígenas e outros elementos da cultura afro. Eles estão expondo no Museu de Arte Moderna da Bahia, no Conjunto do Solar do Unhão.

CRÍTICA NECESSITA DE DEMOCRACIA PLENA PARA 
SER BEM  EXERCIDA

Sob a coordenação de Vicente Jair Mendes foi realizado, em Curitiba, a semana passada, o Encontro Nacional  de Críticos de Arte, quando lá estiveram figuras como Mário Schenberg, Frederico Morais, Aracy Amaral, Fábio Magalhães, Geraldo Edson de Andrade, Mário Barata, Marc Bercowitz, e, os baianos, Ivo Vellame e Matilde Mattos.
Os críticos discutiram, no que foi chamado Encontro Nacional de Críticos de Arte – alguns temas importantes como A Arte Brasileira na Década de 70; Perspectiva para a Arte Brasileira e A Arte Brasileira no Contexto Latino-Americano. Foram discutidos ainda teses subordinadas com os temas Consciência da Realidades Versus Realidade da Consciência, de Alberto Bersttenmuller; Função da Crítica de Arte na América Latina: um ponto de vista, de Aracy Amaral; Realismo de Estudo sobre Arte de Vanguarda Brasileira dos anos 70, de Francisco Bittencourt;A Produção Artística e a Crítica de Arte, de Frederico de Morais e Colonização Cultural, de Olney Kruse, dentre outras.
Segundo Ivo Vellame , o encontro teve êxito total diante do  que foi lá discutido e colegas, além de conhecer artistas da nova geração, do Paraná, como Bia Wouk, Zimmermann, Isabel Bakker e muitos outros.

IMPORTANTE
 Porém, o mais importante foi, certamente a Declaração de Curitiba que publico na íntegra para que seja refletida por todos aqueles que trabalham na produção artística, quer sejam criadores,manipuladores ou mesmo encarregados da política cultural de entidade públicas ou privadas. Vejamos;

Declaração de Curitiba

Os participantes do Encontro Nacional de Críticos de Arte, reunidos em Curitiba, Estado do Paraná, entre 04 e 06 de setembro de 1980, por convocação da Fundação Cultural de Curitiba para debater questões atinentes à sua atividade e frente à situação do País, vêm proclamar e manifestar que, sem existência de uma democracia plena, não é viável o exercício da crítica. Não há convivência possível entre bombas e crítica., uma vez que esta é o exercício da contestação no terreno das idéias. Por isso mesmo, manifestamos nosso repúdio aos atos de violência e terrorismo, e transmitimos a nossa solidariedade às vítimas e mártires dos recentes atentados-resquícios de intolerância que deverão ser imediatamente extirpados da vida do país. No decurso dos debates em torno das relações entre a crítica, o artista, o mercado de arte e o poder público, tornou-se evidente que:
     I- Agora, mais do que nunca , o crítico deverá ficar atento à maneira pela qual  vem      sendo conduzida a política cultural do País, principalmente, no que se refere às artes visuais, uma vez que, nas suas decisões e planejamento, a classe nem sequer é consultada;
II- É intolerável o confisco de obras de arte, sendo imprescindível que os órgão de segurança devolvam aos artistas as obras apreendidas a qualquer título;
III- São condenáveis as manipulações do mercado de arte que, extrapolando às suas funções específicas, influem em órgãos governamentais na aquisição de obras de arte. Os críticos, como profissionais, e os museus enquanto instituições culturais não podem ser caudatários do mercado de arte;
IV- A criatividade manifestada na arte de diferentes regiões do País exigirá, cada vez mais , do crítico de arte o reconhecimento e a avaliação dessa contribuição, além dos eixos tradicionais da cultura brasileira;
V – Somente em clima de livre discussão, tem a crítica possibilidade de atuação em escala que  corresponda à responsabilidade ética de suas funções, sem cujo exercício as especulações teórico-culturais não poderão obter o empenho correspondente ao interesse do povo e o aperfeiçoamento de sua cultura”.

ARTISTA QUERIA PINTAR MONTANHA

Ostersund, Suécia – Ao verem helicópteros levando tinta e mais tinta para a montanha , perto da cidade de Valadalen, os moradores locais, sabendo que lá não existe casa alguma, ficaram intrigados e foram descobrir o que ia ser pintado.
 Projeto artístico foi elaborado pelo pintor em conjunto com os produtores de um programa de televisão sueca que pensavam em filmar Lindstrom trabalhando. A televisão pagou o equivalente a CR$23.240,00, por hora, para alugar durante uma semana os helicópteros, para transportar três toneladas de tinha à montanha.
Não se soube que cor, Lindstrom planejava pintar a montanha, talvez de preto.A resposta foi simples: a montanha . O artista sueco Bengt Limndstrom, de 55 anos, decidiu parar de pintar montanhas em suas telas e pintar a própria montanha.
Porém, os moradores que gostam de tudo como está, queixaram-se às autoridades do meio ambiente, que mandaram a Polícia fica de guarda 24 horas, na montanha, para dissuadir o artista de sua empreitada.