terça-feira, 8 de janeiro de 2013

BAHIA NECESSITA DE UM ORGANIZADO SALÃO DE ARTE - 27 DE ABRIL DE 1980.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 27 DE ABRIL DE 1980.

BAHIA NECESSITA DE UM ORGANIZADO SALÃO DE ARTE

Juarez Paraíso: queremos um Salão de Arte
A criação de uma exposição de dimensão nacional, capaz de abordar os problemas mais críticos da produção e da vanguarda artística, enfim uma exposição que não seja a mera repetição do passado. Esta posição defendida no Conselho Estadual de Cultura, pelo artista Juarez Paraíso, merece aplausos e solução por todas aquelas pessoas que estão envolvidas ou responsáveis pelas instituições culturais do nosso estado. Caberia também as grandes empresas baianas dar o apoio necessário, para que a Bahia-um celeiro reconhecido de arte- tenha realmente um salão à altura de nossas tradições culturais.
Espero que esta indicação de Juarez Paraíso não fique integrando os arquivos do Conselho Estadual de Cultura, do qual ele é um dos membros. Espero que obtenha a devida aceitação e também que se torne uma realidade palpável, já que a Bahia não conta com um salão de artes plásticas. As iniciativas anteriores fracassaram, por falta de incentivo e estrutura, além de capacidade de luta de seus organizadores. Eis a íntegra da indicação apresentada ao Conselho estadual de Cultura.
“O Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia, através da Câmara  de Música, Artes Cênicas e Artes Visuais, propõe ao Governo do Estado a criação do Salão Baiano de Artes Plásticas, em substituição ao Salão Baiano de Belas Artes e à Bienal Nacional de Artes Plásticas, de há muito desativados. O novo Salão deverá ser anual, com a duração de dois meses, devendo convergir para o incentivo à produção de arte moderna,possibilitar uma constante revisão crítica dos processos artísticos e motiva a reflexão, quanto aos problemas de arte contemporânea.
Operacionalizado pelo MAMB, o Salão Baiano de Artes Plásticas deverá orientar-se para os seguintes objetivos:
1-     Financiamento da produção de projetos de artistas locais, escolhidos através de prévio concurso público e que constituirão a parte principal da mostra, ficando eliminadas as premiações.
2-     Exposição, após seleção, de toda e qualquer produção artística visual, moderna, de ator local ou nacional, igualmente sem concessão de prêmios;
3-     Convite a artista, de qualquer nacionalidade, que expondo seus trabalhos, proferindo conferência ou participando de debates, possam contribuir para o cumprimento destes objetivos;
4-     Criação de oportunidades para a reflexão crítica, através de simpósios, seminários, palestras, etc.;
5-     Elaboração de processos e técnicas de auto-avaliação, a fim de que permaneça como a expressão dos anseios da sua época.
A indicação leva a assinatura dos conselheiros Wilson Lins, presidente da Câmara de Música, Artes Cênicas e Artes Visuais, Juarez Paraíso, relator, Ernst Widmer, Dulce Aquino e Adroaldo Ribeiro Costa.

GEORGETTE MELHEM E SUA PINTURA LIGADA 
ÀS CRIANÇAS E LOUCOS

A inauguração da exposição de Georgette Melhem, na Galeria Sérgio Millet, da Funarte, abre espaço para uma pintora, várias vezes premiada em salões no Brasil e no exterior, com prática em terapia ocupacional e em transmitir conhecimentos e técnicas a crianças que começam a exprimir-se através das artes plásticas. A mostra de Georgette pode ser vista até o dia 18 de abril, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, na rua Araújo Porto Alegre, 80.
Para o crítico Walmir Ayala, responsável pela apresentação da pintora, desenhista e gravadora, o trabalho de Georgette Melhem se fundamenta no respeito ao espectador com a “recusa do vazio discursivo do concretismo em favor de uma comunicação mais clara”. Explica, ainda, que o “hábito e o dom de ensinar conduz a sua inspiração, calcada na cartilha básica do dia-a-dia. Nela, a palavra está ligada ao ato, ao instante”.
Walmir AYala diz também que conheceu Georgette em 1969, quando organizou sua primeira individual na Galeria Celina: “Em seu mundo pessoal conjugam-se atividades altamente beneficiadoras e gratificantes, como o ensino da arte às crianças e aos loucos- e vamos assumir o termo sem Demétrio humano, pois loucos são, acima de tudo, os poetas e a obra de Georgette tem muito a ver com eles”.
      Georgette Melhem nasceu em Salvador, mas vive há muito anos no Rio de Janeiro.       Seus trabalhos
       - ainda gravuras e desenhos - , foram mostrados pela primeira vez em 1967, no Salão Nacional de
      Artes Moderna, no Rio. Em 1969, participava da 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas, em
      Salvador, como pintora. Daí em diante esta técnica passou a predominar e só esporadicamente
      fazia desenhos ou gravuras. EM 1979, conquistou, com uma pintura, o prêmio de aquisição na 4ª
      Exposição de Belas Artes Brasil-Japão.

PROPOSTA-80 ADIADA E DIFICULTA PARTICIPAÇÃO

Se todos os artistas baianos selecionados na exposição Cadastro, para participar da Proposta 80, estiverem encontrando as mesmas dificuldades da artista plástica Liane Katsuki, por certo esta promoção do Museu de Arte Moderna da Bahia não terá o rendimento esperado.
Ele elaborou um trabalho sobre o Reflexo da Massificação no Cotidiano do Homem, para levá-lo à exposição Proposta 80, a partir de seis de maio, no Unhão. Mas, diante da falta de apoio de entidades oficiais e órgãos públicos, pensa em apenas apresentar a ideia, sem, contudo, concretizá-la. Assim, os aspectos cênicos não apareceriam.

PORTAS FECHADAS

Segundo Liane, o trabalho desenvolvido por sua equipe envolveria gastos de CR$72 mil pois exige a criação de um ambiente - dimensão de 50 metros quadrado - ,um labirinto, elaborado em madeiras e cordas, com um tótem central e painéis pintados sobre o ciclo da vida, além de uma dinâmica corporal com oito bailarinas. Haveria ainda uma trilha sonora.
A artista deseja figurar com o labirinto- escultura o cotidiano diferenciado de cada um, com suas nuances de necessidades individuais, conduzido porém, a um comportamento massificado”. O uso das cordas e madeira, como material divisório do espaço, “justifica-se por ser um material regional de aspecto estético agradável, lembrando força, repressão, tensão e enquadramento e também uma escultura, representando o ano, mês, a semana, o dia e a hora de duração da vida.Já o tótem do Tempo é também uma escultura, representando o ano, mês, a semana, o dia e a hora de duração da vida."
“Ele ocupa um plano vertical e superior aos demais elementos, por ter uma postura sagrada de elevação. Sua forma lembra o Paxorô, o cajado de Oxalá. O que relembra as raízes africanas em nossa cultura.
Finalmente, a dinâmica corporal, bailarinas com malhas, portando simbolismos, desenvolvem uma representação vibrante, de vida, dentro desse espaço."

ADIADA PARA MAIO

Atendendo aos inúmeros pedidos dos artistas, o Museu de Arte Moderna da Bahia decidiu adiar para o dia 06 de maio a inauguração da Exposição Proposta-1980.
A Exposição Proposta-80, que se estenderá até o dia 25 de maio ao processo de reconhecimento das atividades das artes plásticas na Bahia e à interação de novos valores com nossas realidades culturais, segundo explicou o diretor do MAM-BA., Francisco Liberato.
“É importante -disse ele - que os trabalhos expostos pelos artistas representem a sua fase de expressão mais atual e significativa para uma nova tomada de posição com relação aos caminhos da manifestação plástica na Bahia.
O número de obras para escultura, pintura, desenho e gravura será no máximo de cinco e o mínimo de três sendo que para as manifestações de trabalhos ambientais, multimídia e arte não catalogada, o número de obras e o espaço necessário foi proposto pelos artistas com dados precisos com a devida antecedência à seção técnica do MAMBa.
Entre os objetivos da Exposição Proposta-80 está o fomento às atitudes criativas que representam a identificação do nosso meio cultural com suas raízes e fontes em relação às nossas necessidades mais humanas, livres de etnocentrismos.
Pretende, ainda, estabelecer um processo de encontros periódicos entre artistas, MAMBa. Eo público, “no sentido de nos colocar em posição dialética, na busca da evolução dos nossos conteúdos mais representativos dos verdadeiros anseios da nossa comunidade, como afirmou Liberato.
Essa exposição permitirá também a discussão dos critérios a serem utilizados pela direção do MAMBa,para a indicação dos artistas que terão seus projetos financiados pela Fundação Cultural do Estado, os quais representarão a Bahia no 1.º Encontro Nacional de Comunicação Visual, a ser realizado em novembro deste ano.

A CULTURA DE HALLSTATT
Uma exposição que merece registro está sendo apresentada no Palácio Lamberg, em Steyr, sobre
A cultura de Hallstatt- forma primitiva de unidade européia”, organizada pela província da Alta Áustria. Objetos cedidos por coleções pré-históricas de uma série de países europeus e da URSS contribuem, juntamente com as de museus austríacos, para o êxito deste projeto internacional, que reúne os mais importantes achados celtas de toda a Europa.
O objetivo desta exposição é fornecer um panorama do primeiro milênio antes de Cristo e de uma forma simples e primitiva da atual compreensão internacional dos povos. A cultura de Hallstatt (séculos VIII e V A.C.) estendeu-se por uma região dos dois lados dos Alpes, que ia do leste da França à parte ocidental da Hungria e da Tchecoslováquia e do sul da Alemanha à Iugoslávia, e ao norte da Itália. O seu nome deriva de uma grande necrópole da região de Salkammergut, na Alta Áustria. Nos objetos que representam a cultura de Hallstatt distinguem-se duas unidades: a do círculo de Hallstatt Ocidental e a do Hallstatt Oriental. Na foto, um balde com uma vaca e um vitelo.

ABRIL VOLTA A LANÇAR GÊNIOS DA PINTURA

Sabemos ser a arte necessária e fundamental.Sabemos que, na condição de linguagem e manifestação da criatividade humana, revela os anseios de liberdade e beleza inerentes ao homem. Mas sabemos também que o grande público espalhado pelo vasto território carece ainda de recursos que lhe permitam usufruir e desenvolver plenamente os frutos da criação artística.
Visando preencher esta lacuna, a Abril Cultural está oferecendo sua contribuição à difícil tarefa de difusão de arte pictórica, realizado por museus, galerias, professores e críticos. Nesse sentido, volta a apresentar ao público, em nova estruturação, a série de fascículos Gênios da Pintura.
O texto introdutório de cada um dos 60 fascículos analisa a vida e a  obra do artista focalizado, facilitando a compreensão e a valorização de suas criações. Mas, como a pintura existe, também, para a fruição visual, para o deleite e a ampliação do olhar, cada fascículo contém várias grandes pranchas, impressas em papel de excelente qualidade, com reproduções fiéis das pinturas mais representativas do artista. A encadernação dos fascículos, em grupos de 12, forma 5 volumes.

BRASIL/ARTE TURISMO/80

Brasil Arte-Turismo é um movimento que nasceu em 1977, com o objetivo de divulgar a arte brasileira.
Suas exposições têm reunido, desde esta época, muitos artistas, dando-lhes oportunidade de mostrar os seus trabalhos, em várias capitais.
Agora, seus organizadores pretendem expandir o movimento para fora do país, com realizações de exposições internacionais e, para isto, dizem contar com o apoio do Museu Nacional de Belas Artes, da Secretaria de Assuntos Culturais, do MEC, e com o patrocínio da rede de hotéis Othon.
A exposição está aberta no Rio Othon Pálace Hotel contando com a presença de inúmeros artistas brasileiros, entre os quais Sá Peixoto, que aparece na foto ao lado de um de seus trabalhos confeccionados em prata.

FESTIVAL DE INVERNO AMEAÇADO

O Festival de Inverno, promoção cultural realizada pela UFMG, em Ouro Preto, desde 1967, durante o mês de julho, poderá não ocorrer este ano, se a Universidade Federal de Ouro Preto não assumir a responsabilidade de fornecer locais para alojamento dos alunos e para as atividades dos cursos, além de ceder as instalações de seu restaurante universitário para atendimento aos participantes do festival.
A informação foi dada, em Belo Horizonte, pelo coordenador do certame, professor José Tavares de Barros, que está mantendo contatos como o reitor da UFOP, Antônio Fagundos de Souza.
Se as dificuldades de infra-estrutura em Ouro Preto forem solucionadas, o coordenador do festival disse que irá manter, em seguida, encontro com dirigentes da Funarte para definir a participação financeira dessa fundação no festival. Em princípio, segundo ele, há a disposição da Funarte em participar, mas faltam definir detalhes sobre como e de quando será essa participação.

AUTOR DAS CAPAS DOS DISCOS DOS BEATLES

O pintor francês Jean-Philippe Jenere, famoso pela ilustração de capas metálicas para os discos dos Beatles e de Tom Jones, está expondo suas pinturas sobre metal, técnica da qual é um dos precursores, e litografias no Café dês Arts, do Hotel Meridien de Copacabana, no Rio, até o próximo dia 6 de maio.
Sua obra já foi montada em inúmeros hotéis do mundo, como o Mediterranée, em Neuilly; Sofitel; Bourbon, Mont-Blanc e Mont-D’Arbois, em Megeve; Byblos, em Saint Tropez; Hermitage, na Baule; Sofitel-Porticcio, na Córsega; Sofitel-Quiberon, na Bretânia; Inter-Continentam Mont-fleury, em Cannes; Hélios, em Juan-Les Pins; ponte Romano no Plan de La Tour ST.; Mascime e Mayflair, em Bruxelas.
Nascido no sul da França, em 12 de julho de 1934, Jenere fez seus estudos em vários países do mundo, quando decidiu dedicar-se exclusivamente, ao metal e passou a criar cartões-postais em cobre, estanho e alumínio, passando a dominar, então, a técnica que o tornou conhecido mundialmente. Realizou, sempre com o metal, trabalhos para a presidência da República francesa,como o “Dome’ dês Invalides” (25 mil exemplares), para o bicentenário de Napoleão (500 mil exemplares) e para o lançamento do supersônico Concorde (400 mil exemplares). A seguir, idealizou o cartão comemorativo do bicentenário de padre Pio (700 mil exemplares). Um dos seus trabalhos mais significativos foi feito para o governo dos Estados Unidos, Jenere reproduziu a placa de metal depositada no solo lunar pelos astronautas americanos, confeccionado 5 mil exemplares. Além disso, trabalhou para hotéis, particulares e capas de discos de vários artistas famosos. A partir dessas experiências, pintor passou a trabalhar sobre metal e produz obras com uma luminosidade surpreendente e de muita criatividade. Seus trabalhos foram expostos parisienses e logo é requisitado por museus de várias capitais, como Nova Iorque, Roma e Tóquio.