quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AS PREVISÕES INFALÍVEIS DO CARTUNISTA PAULO SERRA - 04 DE JANEIRO DE 1988


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JANEIRO DE 1988
AS PREVISÕES INFALÍVEIS DO CARTUNISTA PAULO SERRA
Nem tudo está perdido.Os mísseis de médio alcance
sairão da Europa. Vamos torcer para que não venham
instalar por aqui ou na África, alguns deles. Aliás,
esta prática vai continuar em 88, com as multinacionais
instalando equipamentos ultrapassados, já utilizados nos
países desenvolvidos, e aqui chegarão como novos.
..
Já virou uma constante desta coluna divulgar todo começo de ano as previsões do cartunista Paulo Serra. Sem consultar os astros, orixás, búzios e números cabalísticos o artista tem acertado a grande maioria de suas previsões, simplesmente por ser uma pessoa inteligente que trabalha dentro de uma lógica. Estando vivendo num país de incertezas, um país onde a economia muda de rumos por meio de regras milagrosas a cada dia e aqui o empresário especula como uma vil maneira de sobreviver. 
Um novo aumento da gasolina no
início do ano.Deixe seu carro
em casa e saia de bicicleta.
É hora de pedalar em 88.
Segure o vizinho porque a coisa vai ficar
preta. O acabamento dos salários vai
continuar. Aliás,certamente estamos
a caminho de completar três
décadas de achatamento.
Nesta guerrinha particular  entre eles e o sistema quem dança é sempre o trabalhador que paga Imposto de Renda caro na fonte e ainda por cima é supertaxado com impostos compulsórios e outras maneiras absurdas que os salvadores da economia invertam.
Acabamos o ano com quase 400% de inflação, estamos correndo para alcançar a super inflação e assim Paulo Serra capta essas idiotices dos tecnocratas e bisonhos governantes, que , aliás, não estão instalados apenas na área federal, mas em todas as áreas da administração pública. É uma doença generalizada de corrupção, de desmandos e incompetência e a gente vai perdendo até o brio de se dizer brasileiro. Mas, vamos ter um pouco de esperança, não nos homens, que estão por aí, desmanchando, mas neste brasilzão imenso que é rico, forte e resistente ao ataque de toda esta gentalha. Vejamos o que diz o nosso Paulo Serra, com suas previsões infalíveis.
As Diretas vão tomar corpo.Renascerá
a esperança,mas infelizmente vão
aparecer novas caras e os problemas
continuarão sem solução.
Aja paciência para agüentar FMI, FGV, CNM. E muitas outras siglas internacionais, nacionais e municipais que tanto massacram o trabalhador. Este ano a coisa vai piorar. O Sarney extinguiu oito órgãos, e em compensação foram criados 86. Dá pra agüentar?

GILSON CAVALGA SEU PÉGASOS EM BUSCA DO TRIDIMENSIONAL
Andar calmo, fala mansa e uma figura forte. Lembra um desses artistas africanos. Se tentássemos adivinhar iríamos logo no caminho mais fácil, afirmando que é um cantor de reggae. Nada disto. O nosso personagem é baiano e mora no bairro popular de Pau da Lima, onde com grande dificuldade vai esculpindo suas figuras, ora mitológicas, ora próximas de nós. Com 33 anos, Gilson vai criando o seu mundo escultórico com a força que sai da própria raiz da cultura milenar de seus antepassados.
Trabalha com imensas placas de pau d´arco, pesadas, e que exigem muito esforço físico do artista. Para se ter uma idéia do que afirmo ele trabalhou durante três meses numa placa que pesava quase 400 quilos. Depois de pronta ficou com 250 quilos! É um Pégasos, aquele cavalo alado, nascido do sangue de Medusa, morta por Perseu, aquele mesmo cavalo que serviu de montaria a Perseu, Belerofonte e Zeus. Foi com o seu coice firme no Hélicon que fez jorrar a fonte Hipocrene.
E Zeus fez dele a sua constelação.O Pégasos de Gilson além de pesar 250 quilos tem 1,50m de cumprimento e 1,20m de largura. Todo este esforço é recompensado porque o artista vive há vários anos totalmente dedicado à arte. Tudo começou na Escola Parque, criada pelo saudoso Anísio Teixeira, e que vem sendo abandonada no decorrer dos últimos anos. Sua mestra foi a professora Olga Koppings, que lhe passou toda a importância da arte, e isto, ele vem cultivando com muita eficiência.
Embora não trabalhe com esculturas tridimensionais, e sim, em grandes placas de madeira, este Pégasos já demonstra que inevitavelmente Gilson cavalga em busca do tridimensional. Uma das asas do seu Pégasos saiu da placa  e ganhou espaço.