sábado, 22 de setembro de 2012

CRESCE INTERESSE PELA ARTE DOS ÍNDIOS BRASILEIROS - 28 MARÇO DE 1983.


JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA, 28 DE MARÇO DE 1983
CRESCE INTERESSE PELA ARTE DOS ÍNDIOS BRASILEIROS
Texto Reynivaldo Brito
Fotos Google
 O ministro do interior, Mário Andreazza, desmentiu categoricamente a informação de que sua pasta estava disposta a iniciar a construção do Museu do Índio, em Brasília. “Não vamos construir agora, não é oportuno, não existe essa idéia”, afirmou Andreazza, acrescentando ainda que “mesmo que fôssemos levar esse empreendimento à frente agora não o faríamos com verbas do Ministério do Interior”. Na foto índios da tribo Tukano com seus belos cocares.
Mário Andreazza explicou que existem instituições, nacionais e estrangeiras, interessadas em colaborar com o projeto, mas destacou que não pretende acioná-las agora, tendo em vista “o momento, que não é oportuno”. Sobre a observação do antropólogo Darcy Ribeiro, segundo quem o projeto teria sido elaborado sem qualquer consulta aos profissionais da área, o ministro afirmou:
Não temos obrigação de consultá-los. Temos um Conselho indigenista, junto à Fundação nacional do Índio, onde tem representantes que exprimem bem o pensamento da área.
Andreazza desmentiu ainda que o Museu do Índio do Rio de Janeiro esteja desativado, assegurando que as peças do museu não estariam numa garagem do Ministério do Interior, em Botafogo.
O Chefe de Gabinete do Ministro deu outras explicações sobre o problema. Segundo ele, o projeto do museu foi uma doação do arquiteto Oscar Niemayer, da mesma maneira que o governo do Distrito Federal reservou uma de suas áreas com a finalidade de abrigar a instituição. Insistiu que o governo não chegou a iniciar o levantamento de custo da obra exatamente por considerar que o projeto não deve ser levado à frente agora.
“O museu do Índio do Rio de Janeiro não será desativado, pois considero que todo museu deve ser preservado, por ser um Centro de Informação Cultural. A afirmação é do Presidente da FUNAI, coronel Paulo Moreira Leal, que afirmou não ter fundamento a informação de que futuramente todo o acervo do Museu do Rio seria transferido para o Museu do Índio, projetado para Brasília pelo arquiteto Oscar Niemayer.
O coronel leal afirma que, por enquanto, o museu não será construído no ano passado, o projeto foi orçado em CR$500.000.000,00, mas quando a idéia for levada adiante, a FUNAI pretende contar com recursos doados por empresas, entidades e pessoas ligadas  a causa indígena. O presidente da FUNAI nega também que o Museu do Índio esteja atualmente abandonado.
De acordo com o projeto de Niemayer, o museu de Brasília será construído no Espaço Cultural, uma área situada no centro da cidade que já abriga o Planetário, o Palácio das Convenções  e o prédio da Funarte. A obra terá mais de cinco mil metros de área construída e sua forma inspira-se na aldeia dos índios lonomanis: ao invés de várias malocas em círculos, apenas um a “Água” contínua, abrindo para o interior e fechada por fora. Sobre o pátio interno será construída uma gigantesca concha de concreto que serve de quebra-sol do pátio e simula um cocar reclinado. Este pátio terá, ainda, trechos de terra natural para eventual montagem de malocas.
O presidente da FUNAI considera que nos museus brasileiros já existe um acervo importante de artesanatos indígenas mais defende as instalações de novos museus do início em todos os estados. O coronel Leal acha que a exportação dessas, peças, muitas delas raras, não traz prejuízo para o país, pois levam a cultura brasileira  outros povos. Citou, como exemplo, um acervo existente na Itália que conta atualmente com 5.000 peças levadas do Brasil e que estão agora sendo catalogadas. Segundo ela, a Fundação Roberto Marinho está tentando transferir estas peças para o prédio do Fórum Romano.
Ele confirmou, também, que não há restrições à saída dessas peças do país, e nem preocupação do governo no sentido de coibir a exportação. Esta posição da FUNAI s do governo federal pode ser sentida não somente pela existência de lojas da FUNAI em vários estados, como também pela realização anual da mostra “Moitará, nome da feira de trocas feitas pelos índios do Alto Xingu, realizada durante a Semana do Índio, em Brasília. Esta feira de artesanato que a FUNAI insiste em chamar de mostra, tem atraído nos últimos anos, vários colecionadores estrangeiros que mesmo antes de sua abertura, no dia 1º de abril, começam a brigar pelas melhores peças expostas, como máscaras, rituais xinguanas que, no ano passado, foram vendidas, em média, por treze mil cruzeiros. Estes colecionadores e intermediários confessam que muitas vezes uma só dessas peças, especialmente de arte plumária, paga a viagem ao Brasil quando revendida a um museu ou outro colecionador.
Marcos Terena, que pertence à tribo dos terenas, no Mato grosso do Sul, e já presidiu a Unid - União das nações indígenas, vê com preocupação a venda de peças indígenas pela Funai. Segundo ele, este comércio, estimulado pelos chefes de postos da Funai que induzem os índios a fabricarem aquelas peças mais aceitas pelo mercado branco, tem causado danos à cultura indígena.
“Algumas tribos estão tão empenhadas em vender cada vez mais para a Funai, que passaram a fabricar peças que nada tem a ver com a tradição tribal, introduzindo linhas coloridas industrializadas e outros materiais, afirma terena. A qualidade das peças e suas descaracterização têm sido tamanha, que a própria Funai está, em muitos casos, se recusando a adquirir alguns artesanatos, criando tensões entre o órgão as comunidades indígenas.
Terena defende a necessidade de a FUNAI estimular nas aldeias os mais velhos e ensinarem aos mais novos os segredos do ser artesanato, insistindo na qualidade das peças. Ele acha, ainda, que a existência de museus é positiva, desde que eles sejam construídos, também, para informação dos próprios índios e não apenas para vender uma imagem interiotipada dessas comunidades, como tem ocorrido, especialmente no exterior.
“Muitas tribos, disse ele, estão perdendo os seus traços de cultura, e algumas crianças falam hoje em dia melhor o português do que sua língua tribal. Se também não preservarmos seus objetos, seu artesanato, em breve, estes índios perderão todos os traços de sua cultura.

                         MURAL

O MUSEU DO CACAU - Provisoriamente ficará instalado num prédio amplo de dois pavimentos na Rua Antônio Lavigne de Lemos, na cidade de Ilhéus, onde começarão a ser reunidos, catalogados e abrigados, objetos, livros, documentos e tudo aquilo que esteja relacionado com a tecnologia do cacau, as transformações culturais, econômicas e sociais pelas quais têm passado o Sul da Bahia, ou tudo aquilo que cresceu á sombra dos cacauais, tais como as artes populares expressas no folclore, no artesanato, na literatura de cordel, na tradição oral e tantos outros valores nitidamente regionalistas.
Nesta fase inicial, todo o apoio que as pessoas possam dar à implantação do museu é importante, tais como emprestando ou doando objetos ou, simplesmente, prestando informações que possam contribuir para a formação do seu acervo.
O Museu do cacau é resultado de convênio entre o Instituto do Cacau da Bahia, Ceplac e a Universidade Santa Cruz.

MAIS UMA DO LEÃO - O secretário da  Receita Federal, Francisco Dornelles, fixou em 150 mil e 500 mil dólares o limite global para a venda, com isenção do imposto de importação, de obras expostas na XVII Bienal Internacional de Artes Plásticas de São Paulo.As obras serão vendidas no local da exposição dentro do prazo fixado para a permanência dos bens, no país, sob o regime aduaneiro especial de admissão temporária.
A Fundação Bienal de São Paulo, promotora da exposição, rateará, entre as representações interessadas, o limite global fixado.
No caso de algumas das representações utilizar parcialmente ou não utilizar a quantia que lhe couber no rateio, a fundação repassará a outra representação o valor não utilizado.

FALECE ESCULTOR - o Escultor norte-americano Robert Howard morreu aos 86 anos, no último dia 20, em santa cruz (Califórnia).Howard ficou famoso por seus móbiles, que normalmente vinham acompanhados de um cartaz incitando o público a tocá-los. Sua obra mais importante é o triangulo de três dimensões “Hidrogiro” de doze metros de altura, realizada para uma companhia americana em São José (Califórnia).O escultor expôs em Paris, Nova Iorque e Los Angeles, assim como na exposição Internacional de Seattle (estado de Washington).Na América latina, suas obras chegaram a ser expostas no Brasil.

MELHORANDO - O artista plástico Ricardo Nery, ( Foto) já realizou cinco exposições, sendo três individuais, e duas coletivas, uma delas na Galeria Rococó, em Belo Horizonte. Os temas prediletos em suas telas são Alagados, capoeira, o candomblé, os velhos casarios e a puxada de rede, Nery está aos poucos melhorando a qualidade de seus trabalhos.Ele começou em 1973, fazendo entalhes e três anos depois as primeiras telas, onde teve a grande colaboração de Edvaldo Assis.

MUSEU DINÂMICO - Muldisciplinar, abrangendo diversas áreas, que começa a se estruturar no Museu de Ciência e Tecnologia da Bahia, já tem o seu primeiro grupo em atividade, formado por 40 alunos do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Católica do salvador. Auto-intitulado de Clube de Ciência de Biologia, esses estudantes da Católica colocaram em seu regimento interno que o objetivo principal é o da “melhoria do nível do curso”. Sua primeira meta é a montagem de uma coleção de zoologia para o Laboratório Didático com representação de todos os phlluns zoológicos da região de Salvador. “È o passo inicial para o concreto funcionamento do grande Clube de Ciências, com diversos pesquisadores, cientistas e estudantes, que o Museu de Ciência e Tecnologia, unidade do Cedap, órgão vinculado à Seplantec, pretende colocar em funcionamento dentro em breve. Essa concepção do museu tem o objetivo de atrair para as suas instalações os estudantes universitários, como já está fazendo com os de 1º e 2º graus, interessados em participar das atividades e colaborar com as pesquisas, segundo o coordenador do Museu, Nidalvo Quinto.
Ainda segundo o coordenador, a idéia estrutural do Clube de Ciências com seções em cada um dos ramos do conhecimento, é a de tornar mais dinâmica a programação do Museu de Ciência e tecnologia, que não se limita à exposição permanente, mas pretende multiplicar as exposições temporárias e itinerantes, que se desloquem, por exemplo, para escolas e centro de estudos. Assim, o museu poderá buscar espaço até mesmo em cidades do interior do estado, levando equipamentos para a difusão da prática das ciências a grupos de populações que, de outra forma, dificilmente teriam essa oportunidade.
Dentro dessa programação, o Museu de Ciência e Tecnologia está incentivando a organização de outros grupos independentes que lá pretendem trabalhar. Todos os ramos das atividades científicas são aceitos, para a elaboração de projetos. Os grupos tanto podem ser formados a partir de faculdades ou unidades universitárias, como podem ser iniciativas particulares e espontâneas de pessoas interessadas em se integrar a grupos e projetos já existentes ou em organização.