quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ÂNGELO ROBERTO MOSTRA SUA ARTE - 22 DE MARÇO DE 1982.

JORNAL A TARDE, TERÇA –FEIRA, 22 DE MARÇO DE 1982.

ÂNGELO ROBERTO MOSTRA SUA ARTE NA 
GALERIA RAIMUNDO OLIVEIRA

Depois de três anos sem mostrar os seus desenhos, Âng4elo Roberto inaugurou a Galeria Raimundo Oliveira, com uma exposição individual. A nova sala, iniciativa do Instituo Mauá, está localizada no Porto da Barra, no prédio daquela entidade e acrescenta à Cidade mais um local para os artistas plásticos mostrarem seus trabalhos, ampliando, assim, o espaço cultural de suas atividades, até então restrito a comercialização do artesanato baiano.
Ângelo Roberto  é dotada de excepcional sensibilidade, e a sua temática privilegia toda uma realidade cultural baiana, envolvendo, sobretudo, figuras marcantes de nosso povo em fase de quase desaparecimento. Sua contribuição como artista sensível aos costumes de nossa terra e de sua gente é um documento de todo um contexto social numa tentativa de impedir o esquecimento de tipos e cenas da Bahia.
Ultrapassando os limites de uma técnica formal muito usada pelos desenhistas de picos de pena , Ângelo Roberto atingiu a um requinte da técnica muito difícil de ser superado.
Em seus trabalhos verifica-se a valorização dos espaços brancos, integrados na composição das figuras e paisagens. È como ele desenhasse com o branco atribuindo às suas criações uma força, um ritmo e um lirismo comovente.

                                                DOMÍNIO DA MÃO
 Este rapaz tem um domínio completo da mão. Dela, ele nada mais pode exigir. Da sua cabeça é que se espera muito mais.
Vendo os bico de pena de Ângelo Roberto assim se pronunciou o colecionador Antonio celestino: Essa, talvez, seja a última exposição de Ângelo. Ele pretende por as tintas nas telas com as suas cores puras ou misturadas.
Algo muito mais vibrante e cromático a revelar o seu mundo de emoções, suas alegrias e um denso sentimento das pessoas e das suas circunstâncias.
Dele esperamos muito nesta sua nova busca a exprimir sua enorme sensibilidade e humanismo, seu modo muito particular de cuidar com zelo e amor dos entes e objetos que lhes são caros.
Dos pequenos traços que, no seu conjunto produziram comoventes figuras em preto e branco, crianças, prostitutas, vendedoras, mendicantes, pescadores, enfim toda uma galeria de singelas figuras do nosso povo. Ângelo se propõe agora a mostrar o seu talento e criatividade na gama dos tons e semitons, do escarlate agressivo ao depressivo amarelo, do fatídico roxo ao esperançoso azul.
É um desafio que ele próprio se propôs com adesão e a solidariedade dos amigos que prefiguram perplexos os olhos sobre telas a revelar o sentimento e a visão comprometida com o amor e a doação tão própria da figura do artista.
Todavia seus desenhos ficarão eternamente na retina daqueles que poderão contemplá-los , como registro lírico e pungente de algumas cenas do nosso mundo.

                               O QUE ELE PENSA

P- Ângelo Roberto Mascarenhas de Andrade, quem é o desenhista Ângelo Roberto?
R-É o menino das linhas de bonde e linhas de arraia. É um desenhista que só se resolve pela tela quando chega ao fim da linha.
P- E a ironia, Ângelo?
R- Por que seus amigos mais próximos concordam com a afirmativa de que você vê a vida com profunda ironia e não perde nenhuma oportunidade para ironizá-la?
R- Meus amigos mais próximos são mais velhos do que eu. Eles é que me ensinam essa coisas.
P-E sendo você um homem de formação católica por que vê este mundo com olhos tão críticos?
R-Cristo é o primeiro a ver este mundo com olhos críticos.
P- Não são poucos as pessoas que o vêem como um eterno menino. Você jamais conseguiu libertar-se da infância assim como se a tivesse como uma espécie de refúgio, ou, ao contrário, sua infância o envolve, ainda hoje, como um cárcere do qual você não consegue romper as grades.
R- O  passarinho que revisita o ninho pode crer tem autonomia de vôo.
P- E a adolescência? Em particular sua adolescência como ginasiano e participante de movimentos intelectuais na Província da Bahia? Até que ponto toda essa vivência interferiu em sua opção pela arte?

R- Já falei das linhas. Apenas joguei um barandão!
P-Como pai de cinco filhos e sendo apenas desenhista, como você consegue prover a sua e a subsistência da família? Dê ai a receita do milagre.
R- Sendo apenas desenhista, eu não seria pai de cinco filhos. Quanto ao milagre: : pó de pirilimpimpim e sítio.
P- Porque a gente sabe que em muitos países o artista consegue, pelo menos, ser considerado como um verdadeiro profissional, enquanto que, no Brasil, salvo algumas exceções, o artista continua sendo marginal. Você se considera um margina, enten -dendo-se como marginal o cidadão que vive fora do sistema?
R-Um artista não é, necessariamente , um profissional. vice-versa. Sou um marginal. O sistema que espere!
P-Ângelo Roberto considera-se um homem realizado, mesmo no plano apenas do indivíduo como indivíduo já que no plano do ser social sua ironia o define assim como uma espécie de rebelde?
R- Um homem realizado é uma besta. Sou um rebelde.
P-Você crê na vida, mesmo na vida vivida por várias camadas miseráveis de vastas regiões do mundo? Acredita que, apesar de tudo vale a pena viver tudo, inclusive o grotesco, o cruel, o belo e, também, o feio?
R- A universalidade cristão me leva a crer que o belo e o feio são a mesma coisa. Para quem tem olhos críticos.
P-Qual seu grande projeto de esperança?
R- Continuar vivendo entre os amigos mais próximos.

            BAHIA ANTIGA NO  SHOPPING ITAIGARA

Dentro do Projeto Arte Cultura que vem sendo desenvolvido este ano, no Shopping Itaigara, e como parte das comemorações do aniversário da Cidade do Salvador, estará sendo realizada, dentro de poucos dias naquele shopping, a exposição Bahia Antiga, sobre a orientação de Na Antônio Marcelino do Nascimento, considerado o maior colecionador de postais do mundo, com o seu Museu Tempostal. Fotos raríssimas em ampliações muito bem feitas e cuidadosamente montadas mostram aspectos da Bahia, principalmente de Salvador, em épocas passadas. Além de pesquisar as fotos e apresentá-las de maneira a que o público possa ficar bem informado , a direção do shopping teve o cuidado de buscar pessoas que possam orientar a todos que se interessem por detalhes históricos de cada foto. Esta foto mostra o Farol da Barra e adjacências, entre as quais os locais onde hoje estão as ruas Afonso Celso e Marquês de Leão.

A ÚLTIMA CEIA DE LEONARDO DA VINCI

A restauração do quadro Última Ceia, de Leonardo Da Vinci, talvez a obra de pintura mais conhecida no mundo, está revelando detalhes que os admiradores não tem podido ver há quase 500 anos, disseram fontes do setor artístico.
O mural de Cristo com os Apóstolos, pintado por Leonardo entre 1495 e 1498 no Refeitório da Igreja de Santa Maria da Graça, já passou por quatro anos de trabalhos de restauração parcial, que revelou que o mestre da Renascença colocou os comensais numa sala com tapete, comendo laranja e bebendo com copos de bordas douradas, detalhes desconhecidos antes.
Segundo Carlos Bertilli o Superintendente da Herança Artística e Histórica de Milão, um detalhe revelado pela restauração é que o apóstolo Simão não tinha barba longa, originalmente. Ele disse ao jornal Corriere Della Serra  que Leonardo pintou Simão com leve barbicha e que as longas barbas conhecidas dos especialistas em arte moderna foi acrescentada pelos restauradores que trabalharam na pintura posteriormente.
Bertilli disse que outro detalhe notável é que as famosas Portas Escuras da sala em que Cristo e os Apóstolos se banqueteavam não são portas, mas tapetes.
Acrescentou que as fatias de laranja que aparecem agora em alguns dos pratos dos comensais não eram visíveis antes da restauração, processo no qual utilizaram-se solventes especiais e análises microscópicas. São novos também, para os admiradores modernos, os reflexos das vestimentas coloridas nos pratos e as finas bordas douradas dos copos.