quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ARTE NORDESTINA EXPOSTA NA GALERIA DEBRET, EM PARIS - 4 DE JULHO DE 1983.


JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 04 DE JULHO DE 1983

ARTE NORDESTINA EXPOSTA NA GALERIA DEBRET, 
EM PARIS

A Galeria Debret de Paris (28, Rue La Boétle) realizou recentemente, a exposição intitulada “Influências Populares na Arte Contemporânea Brasileira”, na qual os franceses puderam apreciar uma seleção de gravuras anônimas do Nordeste brasileiro e trabalhos de dois entalhadores contemporâneos- Gilvan Samico e Newton Cavalcanti, cujas obras trazem em si fortes influências populares.
A gravura popular do Nordeste brasileiro tem a sua origem na tradição dos trovadores e cantadores ambulantes, que remonta à Idade Média européia e trazida da Península Ibérica, pelos primeiros colonizadores. Aqui ela se enriqueceu, em seguida, mesclada que foi com os valores de uma tradição similar africana: aquela do akpaló ou dos cantores bantos, que iam de cidade em cidade contando suas histórias.
Ainda em nossos dias esses cantores são encontrados nas feiras livres e festas do Nordeste, os quais, acompanhados de uma viola recitam para um vasto público versos fantásticos ou circunstanciais, históricas místicas ou épicas, líricas ou trágicas, religiosas ou humorísticas. 
Reprodução de um detalhe da obra de A Luta dos Homens , de Gilvan Samico.
A literatura oral do Nordeste passou a ser aproveitada em pequenos livretos nos fins do século XIX, com o surgimento dos primeiros impressos. As folhas eram expostas em cordas, sem encadernação, sendo que a este tipo de disposição deu-se o nome de “livros de cordel”.
A xilografia popular nordestina surgiu para ilustrar as histórias de cordel, inicialmente sob a forma de vinhetas, depois para ilustrar as capas. Daí o seu caráter ilustrativo e sua variedade temática. Entre os folhetos mais antigos, sabe-se da existência de exemplares datados de 1907, apresentando como tema o bandido Antônio Silvino. A ilustração dos livros de cordel, que registram importantes tiragens, chegando até 40 mil exemplares, conforme a popularidade do autor ou do tema escolhido, revelou mestres famosos como José Cavalcanti e Ferreira (Dila), José Costa Leite, José Francisco Borges e muitos outros.
Este tipo de trabalho alcançou um graude personalização tal que acabou por estimular a independência das gravuras em relação aos livros. Das dimensões reduzidas da primeira página, os gravadores ocuparam os espaços mais largos, produzindo trabalhos destinados a um público mais distantes dos centros de difusão da literatura oral e que se sentia primordialmente atraído pela produção plástica. Este fenômeno, que data das duas últimas décadas, não interrompeu, porém, a produção de textos ilustrados, nem mesmo as atividades dos cantadores. Antes, aliado a outros fatores da modernização, veio contribuir para modificar os modelos vigentes.
É possível que o progresso, a televisão, o próprio processo de alfabetização das populações rurais e as novas técnicas de impressão de livros determinem o fim da produção cordelista. Até agora, não somente esta produção se mantém ativa mais coexiste com as formas mais eruditas que ela soube tão bem influenciar, alimentando-as com a sua vitalidade criativa.

           THOMAZ DE MELLO EXPÕE NO ESTORIL


Constituiu um importante acontecimento artístico a inauguração da exposição que o pintor Thomaz de Mello /Tom, nascido em 1906 no Rio de janeiro e que aos 16 anos se fixou em Portugal, mantendo, porém, a sua nacionalidade brasileira, está realizando na Galeria de Arte do Casino Estoril e que compreende um conjunto de 24 óleos e 20 desenhos numa mostra intitulada Bahia /82, já que todos os trabalhos apresentados versam sobre temas da Bahia, recolhidos numa viagem que aquele artista fez a Salvador, em setembro do ano passado.
No vernissage estiveram presentes dois ministros, três secretários de Estado, o embaixador do Brasil, Dário de Castro Alves e o cônsul geral, Dr. Félix de Faria, além de mais de cinco centenas de convidados, que em poucos minutos adquiriram todos trabalhos expostos. Tom, assim é conhecido este artista em Portugal, que com esta sua exposição comemora 55 anos  de atividade artística, tem uma obra vastíssima desenvolvida em várias áreas,designadamente na pintura, desenho, artes gráficas, caricatura, decoração e design. A sua vinda à Bahia para recolher os temas que constituem esta sua exposição foi patrocinada pela TAP, sendo de realçar a importante ação de intercâmbio cultural que tem vindo a ser incentivada pela diretoria comercial de Lisboa, à frente da qual está Manuel Bastos e pelo representante geral da TAP no Brasil, Antônio Morgadinho, autor de numerosas iniciativas para a aproximação cultural entre Portugal e o Brasil.
Quando Thomaz de Mello esteve na Bahia foi recebido e apoiado por Manoel Castro, então secretário da Industria e Comércio e atual prefeito e por Paulo Gaudenzi, presidente da Bahiatursa, dois bons amigos de Portugal. Toda a imprensa portuguesa, bem como a Rádio e TV se têm referido largamente à exposição de Tom, em que aparece como motivos de primeiro plano as belas mulheres baianas, podendo se dizer que esta exposição Bahia /82 é um hino em louvor das mulheres da Bahia.

O ÁLBUM  SOBRE A BAHIA

Vinte dos trabalhos apresentados nesta exposição foram reproduzidos em cor num álbum de luxo que tem texto e apresentação de Jorge Amado e do pintor português Lima de Freitas, ilustrado com uma dezena de desenhos também sobre a Bahia. Trata-se do primeiro lançamento de uma nova editora, “Atlântico”, de que é diretor Nuno Lima de Carvalho, o português que mais ama a Bahia e que vai fazer incidir a sua atividade de preferência sobre a edição de obras de arte de autores brasileiros e portugueses num intercâmbio cultural e artístico, que vem em seguimentos de outras iniciativas levadas a cabo pela Estoril-Sol, como seja a Semana do Estoril na Bahia e a apresentação do Estoril, de diversos artistas baianos, Carybé, Floriano Teixeira, Carlos Bastos, Mário Cravo, Calasans Neto e Jenner Augusto.
Uma obra ao lado enfocando nossa Bahia.
No texto de apresentação deste álbum e que foi lançado com grande êxito durante a exposição, Jorge Amado escreveu: Tom foi conquistado pela beleza lírica e dramática da Bahia, pela graça e doçura de seu povo. Aos muitos títulos que possui, Thomaz de Mello pode agora somar mais um:“Adorável pintor das terras e gentes da Bahia”. Com este valioso apoio de Jorge Amado a Bahia está de novo presente em Portugal, deste Vaz, através da paleta e dos pincéis de um grande pintor, brasileiro de nascimento e português de coração. Morreu aos 84 anos em   1990,  Lisboa.

COMEÇAM HOJE AS INSCRIÇÕES PARA O VI SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS

Já saiu o regulamento do VI Salão Nacional de Artes Plásticas que se realizará no Rio de Janeiro, abertos aos artistas brasileiros e estrangeiros residentes no país. Qualquer artista poderá se inscrever bastando preencher e enviar a ficha de inscrição e os trabalhos, a partir de hoje até o dia 12 de agosto. Existem quatro prêmios no valor de CR$ 2 milhões, sendo dois a intitulados “Prêmio de Viagem ao Exterior” e dois “Prêmio de Viagem no País”. Além de um Prêmio Especial de CR$400 mil cruzeiros. Eis o regulamento na íntegra:
“Considerando a Portaria Ministerial nº 6.426, de 30 de junho de 1977, que criou o Salão Nacional de Artes Plásticas, resolve a Comissão Nacional de Artes Plásticas, designada pela portaria nº009, de 31 de março de 1982, baixar as seguintes normas regimentais:

REGIMENTO

Art. 1- A Fundação Nacional de Arte-Funarte- realizará o VI Salão Nacional de Artes Plásticas, entre 01 de dezembro de 1983 e 15 de janeiro de 1984, no Rio de Janeiro, no Palácio da Cultura e/ou Museu de Arte Moderna;
Art. 2 - O VI Salão Nacional de Artes Plásticas apresentará uma manifestação paralela através de uma Sala especial.

DA INSCRIÇÃO

Art. 3 - O VI Salão Nacional de Artes Plásticas estará aberto aos artistas brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil;
Art. 4 - A inscrição para o VI Salão Nacional de artes Plásticas será realizada através da ficha própria no período compreendido entre os dias 04 de julho e 12 de agosto de 1983;
Parágrafo 1º - A ficha de inscrição estará a disposição dos candidatos na sede da Funarte/INAP, à Rua Araújo Porto Alegre, 80- Sala 15, Rio de Janeiro; no Museu Histórico Nacional, Praça Marechal Âncora s/nº, nos escritórios de representação da Funarte em Brasília, Curitiba e São Paulo e delegacias regionais do MEC nos demais estados; 
Parágrafo 2º - os trabalhos acompanhados da respectiva ficha de inscrição deverão ser entregues ou remetidos para:-Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional- Praça Marechal Âncora, s/nº- RJ-20021 Tel.: (o21) 240-7978.

Art. 5 - Os candidatos ao VI Salão Nacional de Artes Plásticas poderão inscrever-se nas seguintes categorias: Pintura, Escultura, Desenho, gravura, Tapeçaria, Fotografia e em mídias contemporâneos. Entende-se por mídias contemporâneos as seguintes técnicas ou linguagens: Instalação, performance, vídeo-tape, filmes de 16mm e super-oito, audiovisual, objeto, neon, laser e holografia;
  Parágrafo 1º- os artista poderão inscrever-se em apenas uma categoria, estando obrigados a apresentar 3 (três) trabalhos quando se tratar de Pintura, Escultura, Desenho, gravura, Tapeçaria ou Fotografia. As obras não poderão ocupar um espaço de parede ou painel acima de 4(quatro) metros lineares ou 10 (dez) metros quadrados em planta baixa, excetos nos casos de mídias contemporâneas, nos quais os artistas poderão apresentar somente 1(hum) trabalho; 
Parágrafo 2º -  Para inscrever-se em instalação os artistas devem apresentar desenhos indicativos ou maquete, além de memorial descritivo e foto. 
Parágrafo 3º- cada trabalho inscrito em instalação não poderá ocupar área superior a 10 (dez) metros quadrados; 
Parágrafo 4º -Será de responsabilidade do artista, durante a seleção e exposição de trabalhos com novos mídias, a montagem, funcionamento, desmontagem e transporte das obras, bem como o funcionamento, preservação e operação dos equipamentos; 
Parágrafo 5º - A duração dos filmes super-oito e 16mm, vídeo-tapes e audiovisuais, deverá ser de no máximo 15 minutos cada; 
Parágrafo 6º - A Funarte dispõe de projetor para filmes super-oito (sonoro), projetor para filmes 16mm (som ótico e magnético), equipamento para reprodução de vídeo-cassete com monitor sistema VHS- sinal de vídeo PAL-M e conjunto de projeção de slides com 2 (dois) projetores Kodak Ektagrafic e sistema de sincrotape. Esta aparelhagem será utilizada na projeção de trabalhos, conforme programação a ser estabelecida para o Salão, e, portanto, não poderá ser decida ao uso individual permanente em qualquer obra; 
Parágrafo 7º - Os artistas que apresentarem trabalho, para cuja projeção seja necessário aparelhagem não incluída na relação do 6º parágrafo deste artigo, devem fornecer o equipamento necessário, nos termos do 4º parágrafo deste artigo; 
Parágrafo 8º - Os trabalhos deverão ser entregues em perfeitas condições para serem expostos; 
Parágrafo 9º - A Funarte determina o local e os horários destinados à exibição dos trabalhos de que trata o parágrafo 5º deste artigo efeito de seleção.
Art. 6 - Os artistas selecionados não poderão alterar ou retirar seus trabalhos antes do encerramento do salão e deverão obedecer o projeto original na íntegra sob pena de não serem apresentados na mostra do salão;
Art. 7- A premiação do trabalho realizado em parceria ou por grupo de artistas será outorgada ao responsável, o qual deverá estar previamente indicado na ficha de inscrição; Art8- A subcomissão de seleção e premiação escolherá uma obra de cada artista premiado com viagem ao exterior e viagem ao país, a qual será doada a museus, a critério da Funarte.

DO RECEBIMENTO E DEVOLUÇÃO DAS OBRAS

Art. 9 - Correrão por conta dos artistas inscritos as despesas de remessa de obras para os locais de inscrição e a devolução das mesmas, caso tenham sido recusadas; Parágrafo Único- As obras, no momento de inscrição, deverão estar embaladas em perfeitas condições para transporte, quando necessário; 
Art 10 - As obras recusadas deverão ser retiradas dos locais de recepção referidos no presente regimento em até 30 (trinta) das subseqüentes à publicação dos resultados da seleção, após os quais a Funarte não mais se responsabilizará pelas mesmas; 
Parágrafo 1º - As obras recusadas dos artistas não-residentes nos locais de recepção serão enviadas ao endereço de origem indicado na ficha de inscrição com frete a cobrar;
 Parágrafo 2º - As obras selecionadas de artistas residentes no Rio de Janeiro-RJ deverão ser retiradas do local até 15 (quinze dias subseqüente ao término da exposição, após os quais a Funarte reservar-se o direito de remetê-las ao endereço de origem indicado na ficha de inscrição com frete a cobrar.

DOS PRÊMIOS

Art. 11- O VI Salão Nacional de Artes Plásticas concederá os seguintes prêmios: a) quatro no valor de CR$ 2.000.000,00 (dois milhões de cruzeiros) cada, sendo dois intitulados “Prêmio de Viagem ao Exterior e dois Prêmios de Viagem no País”; b) Prêmio Especial Gustavo Capanema no valor de CR$400.000;00 (quatrocentos mil cruzeiros); 
Art 12 - Os trabalhos adquiridos serão pagos no valor nunca inferior ao declarado pelos expositores nas respectivas fichas de inscrição; 
Parágrafo único - O total das aquisições não excederá a importância de CR$700.000,00 (setecentos mil cruzeiros), devendo ser as obras incorporadas ao patrimônio da Funarte;
  Art. 13 - Para os efeitos de seleção e premiação será constituída uma subcomissão composta de três membros indicados pela Comissão Nacional de Artes Plásticas e três membros eleitos pelos artistas inscritos no salão, além do diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /Funarte, que a presidirá com direito a voto de qualidade; 
Parágrafo 1º- são irretratáveis e irrecorríveis as decisões finais da subcomissão a que se refere o presente artigo;
Parágrafo 2º- Os três membros da subcomissão indicados pela Comissão Nacional de artes Plásticas não poderão nela participar dois anos consecutivos; 
Art. 14 - Os candidatos ao VI Salão Nacional de artes Plásticas indicarão na própria ficha de inscrição os nomes de seus representantes na subcomissão de seleção e Premiação;
 Parágrafo 1º - Os representantes indicados pelos artistas inscritos no Salão  Nacional de Artes Plásticas que participarem do Júri de Seleção e Premiação não poderão ser eleitos dois anos consecutivos. O voto concedido à pessoa inelegível será considerado nulo com relação àquele nome, sendo válido artista, com relação aos demais;
Parágrafo 2º - o artista quando preencher a fixa de inscrição, deverá votar em três nomes distintos.A repetição de um mesmo nome na ficha de inscrição implicará na nulidade do nome repetido;
 Parágrafo 3º- Serão eleitos para membros de Subcomissão de seleção e Premiação os três nomes mais votados pelos artistas inscritos, deverão ser pública a apuração de suas indicações, previstas para o dia 24 de agosto de 1983, às 14h, na Sala Aloísio Magalhães na sede da Funarte;
 Art. 15- A Subcomissão de Seleção e Premiação deverá selecionar o conjunto de obras inscritas de cada artista concorrente na categoria por ele declarada na respectiva ficha de inscrição, não sendo permitida a recusa parcial ; 
Art. 16 - Durante os trabalhos de seleção e premiação do VI Salão Nacional de Artes Plásticas, somente poderão entrar no recinto membros da Subcomissão da Seleção e Premiação e funcionários do INAP/Funarte diretamente ligados ao trabalho.
 Art. 17 - Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Nacional de Artes Plásticas; 
Parágrafo Único - Os casos omissos, surgidos no julgamento dos trabalhos de seleção e premiação, serão resolvidos pela respectiva subcomissão.