sábado, 1 de setembro de 2012

DUAS ARTISTAS MINEIRAS NO MUSEU DE ARTE MODERNA - 10 DE MAIO DE 1982.


JORNAL A TARDE ,TERÇA-FEIRA, SALVADOR, 10 DE MAIO DE 1982.

DUAS ARTISTAS MINEIRAS NO MUSEU DE ARTE MODERNA

As mineiras Lucimar Bello e Mary Dilório estão expondo, no Museu de Arte Moderna da Bahia, até o próximo dia 14, trabalhos de pintura e cerâmica. São duas artistas conscientes de seu papel de mulher na sociedade atual, mas que preferem ficar afastadas da militância dos movimentos feministas por discordarem de radicalizações tão comuns em alguns posicionamentos.
No entanto, as duas acompanham todo desenrolar da movimentação por mais espaço para mulher, e o questionam através do trabalho de arte. Lucimar, por exemplo, tem todo um trabalho voltado para a figura feminina onde o nu aparece com grande sensualidade e seriedade. O tema é tratado com tal seriedade que afasta qualquer possibilidade de exploração pornográfica. No alto trabalhos em cerâmica da mineira Mary di Iório
Ela leciona, desde 1977, Desenho e Criação da Forma, na Universidade Federal de Uberlândia. Sua ligação com o magistério vem de muito antes, pois já lecionou para crianças do 1° e 2° graus.
No entanto, seu contato com a arte começa em 67, quando inicia o curso de Belas-Artes, na Universidade Federal de Minas Gerais. Participou dos festivais de inverno realizados em Ouro Preto, onde mostrou trabalhos em gravura e desenhos. Já realizou várias exposições, inclusive ganhou o 3° Prêmio de Gravura no 1° Salão Nacional de Arte Universitária, realizado em Belo Horizontes em 1968; Prêmio de Aquisição Desenho V e VI Salões de Arte de Ribeirão Preto em 1980 e 81, e Menção Honrosa no 4° Salão de Arte de Presidente Prudente.
Agora, Lucimar resolveu sair para realizar esta exposição em Salvador e outra em Recife com o objetivo de divulgar e discutir seu trabalho.
Falando sobre sua obra diz que é uma técnica mista de desenho e pintura, com a presença destacada de figuras femininas. “É preciso aceitar o nu com naturalidade. A aceitação do próprio corpo dá ao individuo domínio de si mesmo. Não concordo com revistas fechadas de plástico e tampouco com o uso indiscriminado da mulher como se fosse um sabonete. Mas é preciso dizer que existem revistas que apresentam nus femininos muito bem cuidados e artísticos. Temos é que dar valor ao corpo e o meu trabalho ajuda a compreendê-lo. O meu trabalho é a manifestação de minha experiência. Sou eu e meu espaço, e quero discutir com as pessoas para saber suas opiniões”.
Já Mary Dilório, ceramista, não é tão desinibida como sua colega e parceira de exposição Lucimar, mas é uma artista de talento. Uma ceramista na expressão da palavra, porque trabalha o barro desde momento que a matéria-prima chega a seu atelier. É ela que amassa o barro e o prepara para criar seus objetos. Ela nos apresenta 17 peças onde demonstra uma preocupação formal; segundo declarou, esta mostra é uma síntese do que já havia mostrado para seus conterrâneos.
Você sente no trabalho desta ceramista a sua ligação com a natureza. Ao lado a ceramista Mary di Iório e a pintora Lucimar Bello.
Como que as peças, foram retiradas de uma mina, como se fossem criadas pela própria natureza. Uma fecundação que deixa transparecer a simplicidade desta artista de poucas palavras e muita criatividade. Portanto, um relacionamento perfeito entre os objetivos concebidos, fecundados ou, quem sabe, que surgiram misteriosamente desse contato tátil e consciente entre Mary e a terra. Os cortes, as aberturas e os vazios demonstram sua grande habilidade e dão aos objetos uma leveza singular.
Ela mesma revela o seguinte: “Penso que através da terra o ceramista se fecunda, propondo dar-lhe uma forma, um significado, animá-lo e infundir-lhe vida. Sinto que aí surge uma força que se apodera da gente para que, por um momento, nos sintamos invadidos por algo perpétuo. Então meu desejo é descobrir e conhecer materiais, e transmitir com as massas, os esmaltes, com as substâncias que são ingredientes do meu ofício, todas as minhas sensações, percepções, intuição e pensamentos. Enfim, tudo quanto constitui a ressonância do meu ser e minha atitude diante da vida e me converter na peça que entra no forno”

AGLAIA PELTIER DOS SANTOS EXPÕE 38 ÓLEOS 
NA GALERIA BRASILIANA

 Com um catálogo assinado por Jacob Klintowitz, Antônio Bento e Walmir Ayala, a pintora Aglaya Peltier dos Santos expõe, em São Paulo, até o dia 22 de maio, na Galeria Brasiliana, 38 óleos sobre tela, cujo tema dominante é a figura humana. As pinturas de Aglaia poderão ser vistas de segunda a sexta-feira, das 14 às 21 horas e aos sábados, das 10 às 13 horas.
O envolvimento de Aglaia com as artes plásticas remonta praticamente à infância. Aos 15 anos já lecionava arte infantil, atividade a que se dedicou até pouco tempo e que só deixou de exercer para dedicar-se inteiramente à pintura. Formada em Comunicação Visual pela Escola Nacional de Belas Artes, onde também fez o curso de técnica de pintura, teve entre seus professores Pindaro Castelo Branco, Quaglia e Heris Guimarães.

                                                                   EXPRESSIVA

O crítico Jacob Klintowitz identifica na obra de Aglaia a arte “como uma forma inteiramente despojada e fundamental, como representação filosófica do ser e do estar humano, como um só momento ser e estar da criação e do paraíso”. Diz que a pintora procura entender na “mesma realidade visual, num só bloco, numa única imagem, a mulher e o filho, o homem e a natureza, a ação e o resultado d ação, o trabalho e o pensamento”, identificando-a como “uma das mais profundas vertentes da arte contemporânea”.
Já o crítico Walmir Ayala acha que o forte de Aglaia está no bom manejo de um construtivo decorativismo desta artista que revela no que pinta o prazer da matéria e o voluntário esmero técnico. Afinal, decorativo dessa maneira também teria sido um Di Cavalcanti, do qual Aglaia se aproxima. “Há também ressonâncias de Gautuin”.
Ayala diz que a artista não pode ser caracterizada de ingênua e que “seu gosto pela forma e pela cor enganosamente conduz à interpretação do ingenuísmo, quando o que realmente vale neste exercício plástico é o toque despojado, a linearidade da composição, o reencontro das figuras amulatadas num lazer paradisíaco”.
Antônio Bento, outro dos críticos que assinam seu catálogo, afirma que Aglaia, “tendo escolhido a figura humana como tema de sua pintura, tomou um partido difícil. É sempre árduo dizer qualquer coisa de novo nesse domínio. Sobretudo, por esse motivo, creio que o caminho natural do artista seja, no momento, o de uma pintura popular. É a que vai melhor com sua tendência e os seus sentimentos”.

SALÃO FUJI DE ARTE FOTOGRÁFICA SOBRE
OS JOGOS DA COPA DO MUNDO

O Salão Fuji promoverá uma exposição de fotografias sobre a realização dos jogos da Copa do Mundo na Espanha. Trata-se de uma mostra que tem por objetivo apresentar o trabalho dos fotógrafos da imprensa brasileira, na cobertura dos jogos, durante toda a realização do evento, inclusive os fatos registrados no Brasil.
A participação nesta mostra será feita conforme os itens a seguir: 1- Exposição: “Fotógrafos Brasileiros na Copa-82”; 2- Tema: tudo que se relacionar com a Copa; 3- Participantes: Fotógrafos a serviço dos órgãos brasileiros de imprensa. 4- Participação:
a) enviando:- ampliações P e B; ampliações coloridas; slides; recortes de publicações.
Observações: Estas ampliações, slides ou recortes devem ser enviados para  efeito de seleção. As ampliações para exposição serão providenciadas pelo Salão Fuji. Pedimos não enviar contatos.
b) Durante período da Copa será feito um trabalho de acompanhamento das fotos publicadas na imprensa. Estas fotos estarão incluídas na seleção, desde que autorizadas pelo fotógrafo ou veículo.
c) Os fotógrafos e/ ou editores poderão submeter para seleção, inclusive, as fotos não publicadas.
5- Prazo Final de entrega: 20 de agosto de 1982.
Nesta data, devemos ter todos os negativos das fotos para exposição, a fim de providenciar as ampliações.
6) Seleção: Um grupo de seleção composto por Zé de Boni (Álbum Galeria), Manoel Reis (crítico de fotografia, Diário do Grande ABC), Claude Kubrusly (fotógrafo profissional) e Masaru Kojo (fotógrafo da Fuji Film) fará a seleção e edição das fotos para mostra.
Observação: a) O trabalho deste grupo de profissionais será o de selecionar e editar as fotos enviadas para compor um painel deste evento; b) Aproximadamente 100(cem) trabalhos serão selecionados para exposição.
7- Todas as fotos selecionadas (branco e preto/coloridas) serão ampliadas por conta do Salão Fuji.
8- As fotografias ampliadas serão expostas no Salão Fuji no período de 20 de setembro a 17 de outubro, com a possibilidade de se levar a exposição para outras cidades.
9- Todas as ampliações (montadas para exposição), slides e negativos serão entregues aos fotógrafos, assim que não forem mais necessárias.
10- Solicitamos às redações dos jornais e revistas, enviar uma carta confirmando a participação na mostra, bem como uma relação dos fotógrafos escalados para a cobertura. As correspondências poderão ser enviadas a: Paulino T. Hashimoto- Salão Fuji- Rua Major Diego, 670- Bela Vista- 01, 324- São Paulo-SP, Tel.37-3042 e 35-0303.
11- estaremos informando, periodicamente, o andamento de todo o programa, inclusive os prazos finais.
Contamos com sua participação.