sexta-feira, 28 de setembro de 2012

OS SÍMBOLOS DE CÉSAR ROMERO EXPOSTOS NA GALERIA ÉPOCA - 11 de JULHO DE 1983.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 1983

    OS SÍMBOLOS DE CÉSAR ROMERO EXPOSTOS 
    NA GALERIA ÉPOCA
Uma das coisas mais importantes para um artista é a definição de sua própria linguagem, que funciona como marca registrada de sua criação. Na caminhada íngreme da profissionalização muitos ficam para trás ou seguem sem conseguir uma marca, ficando o trabalho numa mistura cheia de incertezas. É por isto que fiquei contente ao observar os novos trabalhos concebidos por César Romero nos dois últimos anos, pois me parece que acaba de encontrar a sua linguagem plástica, ligada à sua própria realidade nordestina.
Embora para os leigos parece fácil a simplificação dos objetos apresentados numa tela, mas ao contrário a dificuldade reside exatamente em conseguir simplificar. Isto tenho observado com curiosidade nos festivais de música popular, por exemplo, que quando começam a maquinar muito os sons e a própria letra a música acaba sendo chata e hermética. Outras mais simples, tocadas e cantadas espontaneamente são duradouras. O mesmo ocorre nas artes plásticas, porque é na simplicidade da mensagem que atingimos e sensibilizamos os que a consomem.
Reprodução da obra Emblema Nordeste II, de autoria de César Romero.
Os sinais, signos e emblemas que vemos em nossas festas populares como São João, Carnaval e outras, estão agora presentes na pintura de César Romero. Vivemos no mundo de símbolos, e cada vez mais a sociedade procura uma comunicação mais rápida e visual. Lembremos dos sinais luminosos do trânsito, onde o vermelho significa parar, o verde andar e o amarelo, atenção. Numa simples olhadela o motorista recebe a mensagem dando preferência aos outros. Seria cansativo falar dos logotipos de empresas públicas e privadas que rapidamente as identificam.
Caminhamos assim para uma sociedade de símbolos. E, esta linguagem remota tempos imemoriais. Lembremos dos homens primitivos que embrenhavam-se nas selvas, e para não se perderem marcavam as árvores com grandes talhos ou simplesmente quebravam os galhos, garantindo assim  o retorno ao local da partida.
Lembremos fumaça que servia de sinais entre os índios, especialmente os norte-americanos. É por isto que esse caminho que ora percorre César Romero e o encontro de sua própria linguagem plástica, nos deixam confiantes que seu trabalho dentro de pouco tempo terá um reconhecimento ainda maior no Sul do país.
Não é preciso falar em pesquisa de infância ou outras coisas deste tipo, para justificar um caminho percorrido e que ainda tem muito a percorrer. Basta realmente viver a própria realidade. Basta enxergar que este nosso estado é coberto em 80% de seu território pelo semi-árido, e que está inserido numa região seca, onde as manifestações culturais diferem totalmente dos grandes centros urbanos, mesmo com a presença massificantes das redes de televisão e o crescimento do jornalismo impresso. É só fincar os pés no chão, que o artista encontra ao seu redor um vasto manancial de trabalho para uma explosão de cores e formas, até o saudável encontro de uma linguagem plástica que o identifique.
Foto  da obra Emblema Nordeste III, de  Romero em exposição.
“A paisagem é o recorte nordestino, com suas pequenas, elevações longínquas, sua vegetação, suas estradas de ferro quase extintas, seu sol com a dualidade vida-morte, a lua e suas lendas, os rios das fazendas, os mata-burros separando pastagens, os recortes das ilhas da Baía de Todos os Santos”. Estas palavras do artista são também suficientes e inclusive servem de alerta para que muitos artistas baixem um pouco as vistas dentro do ambiente em que vivem. É preciso conhecer primeiro, a própria realidade para início de um caminho que dê acesso a outros horizontes...

ENCERRAMENTO DAS INSCRIÇÕES DA FOTOBAHIA  DIA 15


Estão abertas até o dia 15 deste mês a inscrições para a exposição “Fotobahia 83”, que acontece dia 15 de agosto a 4 de setembro, no Foyer do Teatro Castro Alves.
Os profissionais e amadores interessados devem entregar suas fotos, slides ou outros trabalhos em linguagem audiovisuais no Sindicato dos Jornalistas, na Rua Chile, 22, Edifício Bráulio Xavier, sala 301, de segunda a sexta-feira, das 8 às 12h e das 14 às 18h. Os participantes do interior podem mandar seus materiais e respectivas inscrições pelo correio. Maiores informações com Aldeci no Sindicato dos Jornalistas ou pelo telefone 3243-7962.
Para participar da “Fotobahia 83”, o fotografo deve apresentar cinco fotos no máximo sobre o tema “Bahia” nos seus múltiplos aspectos - social, econômico, político, natural, nas dimensões mínimas de 18x24 e máxima de 30x40, sendo que a margem fica a critério de cada um. As fotos deverão ser entregues sem montagem, para ser feita de foram unificada pela equipe organizadora- o Grupo de fotógrafos da Bahia.
Quanto aos participantes com trabalhos em linguagem audiovisual, devem se atentar para se apresentar suas criações no conjunto, acompanhadas ou não de trilha sonora, mas com todas as instruções para a projeção e os equipamentos necessários.
Junto, deverá conter o nome do criador, número de seqüência (para o caso de slides) e não esquecer, de enviar em embalagem apropriada para evitar danificação.
Antes da “Fotobahia 83”, a Bahia vai participar do “Encontro Nacional dos Fotógrafos”, em agosto, em Brasília. Para discutir a participação da Bahia nesse encontro a realização da “Fotobahia” e outros eventos que acontecerão paralelos a essa exposição, o Grupo de Fotógrafos da Bahia reuniu todos os fotógrafos baianos na quita-feira, dia 7, na sede da Associação dos Agrônomos, ao lado do Passeio Público. Fotos de Antenor Gondin.

  COMEMORADOS OS 80 ANOS DE ORÓZIO BELÉM

Uma grande exposição comemorativa dos oitenta anos de Orózio Belém está sendo preparada e será inaugurada no dia 23 de agosto na Galeria Maria Augusta, no Shopping Cassino Atlântico. Orózio nasceu em Sabará, MG, em 23 de agosto de 1903, matriculando-se em 1924, na Escola Nacional de Belas Artes.
Obteve, os principais prêmios nos salões oficiais, entre eles “Viagem ao País”, “Viagem a Europa” e “Medalha e Ouro”. De outros salões, consta ainda uma procissão de premiações, destacando-se a Medalha de Prata no Salão Paulista, as Medalhas de Ouro do Salão de Petrópolis, do Salão Rural e da SBBA.
Esteve, dois anos na Europa, fixando-se principalmente na Espanha e em Portugal. Foi professor de desenho e de pintura do IMBA onde lecionou durante 21 anos. Fez, por longos anos, inúmeras ilustrações para os principais jornais e revistas do país. Tem, trabalhos seus em diversos museus, ministérios e coleções particulares do Brasil e do exterior.É membro efetivo da Academia Brasileira de Belas Artes.
Orózio vem pintando como nunca, tanto em qualidade como em qualidade e os “80 anos do Orózio Belém”, reúne elaboradas obras de sua última safra, das clássicas e perfeitas cabeças de negro às belíssimas paisagens de Ouro Preto, passando pela fantasia encantada de seus criativos espantalhos.
Reproduções de auto retrato de Orózio e a capa da revista O Cruzeiro desenhada pelo artista mineiro.
Orózio, juntamente com Manoel Santiago, Amando Vianna, Volpi, Bustamante Sá e Ângelo Cannone, faz parte do rol de pintores brasileiros que ultrapassaram os 50 anos de pintura. E esta exposição é uma justa homenagem ao seu trabalho e o reconhecimento à imortalidade de seu talento. Ele faleceu em 1985 no Rio de Janeiro .