terça-feira, 25 de junho de 2013

ENCONTRO COM A LIBERDADE

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 08 DE FEVEREIRO DE 1975



Pintando, o artista José de Freitas encontrou a liberdade que  faltou como ator. Enquanto está pintando ele dirige e cria um mundo cheio de minúsculas variadas figurinhas, que evocam imagens do carnaval carioca. Esse detalhamento lhe exige o máximo, mas ele é comedido. Muitas vezes o desejo do movimento poderoso o toma mas ele simplesmente não pode eliminar seus imaginários e multi-coloridos microcosmos. No fundo o que realmente José de Freitas quer é expressar a vulnerabilidade humana. Sejam anjos, jogadores de futebol, músicos marinheiros ou outros pobres mortais terrestres, são mostrados nos seus quadros com os olhos muito grandes e redondos apertados e espantados, quase perplexos mais que na verdade pouco enxergam. Essas figuras minúsculas traduzem de certa forma a pequenez da Humanidade. Talvez, se todos vissem a grandeza do homem com a ingenuidade de José de Freitas as coisas seriam melhores. A arrogância daria lugar à humildade. Creio que José de Freitas busca retratar a sua sensibilidade como uma projeção com o objetivo de falar ou propagar quanta miséria e injustiça existem no mundo e que essas pequeninas figuras estão a representar. Ora as figuras estão reunidas como um trabalho de formigas, - - num simbologismo da união,- ora se movimentam sozinhas, independentes, em volta de planos apenas ligadas por linhas dinâmicas.
José de Freitas nascido em 1935 é ator e pintor. Começou sua carreira como ator e insiste em ser assim chamado, ao lado de sua criatividade mais recente como pintor. Ele tem boas razões para enfatizar esses aspectos, pois como pintor ele, na verdade, permanece ator, e como ator obtém muitas idéias para pintar. Com fantasia inesgotável cria seres vivos num espetáculo que se desenrola contra um fundo em forma de décor. Desta forma percebemos que não está interessado em perspectiva ilusionista. O que dá ao seu trabalho, a primeira vista, caráter um tanto estático.
Já fez várias exposições na Guanabara, Londres e outras cidades e recentemente expôs na Galeria Hamer, em Amsterdam.

COLETIVA PLÁSTICA DA BAHIA

Este é o título de uma coletiva que foi aberta no último dia 06 e se prolongará até o próximo dia 16, no Salvador Praia Hotel, em Ondina. Participam desta mostra os artistas Glarkas, Lucena, Arlindo Gomes, Wanda do Nada , Dulce Schaeppi, Fred Schaeppi e Nike Suerdieck mostrando um total de 80 trabalhos, incluindo pinturas, esculturas e foto-gravuras.
A título de ilustração uma obra do
 artista Fred Schaeppi
Os artistas pretendem com esta exposição promover o movimento plástico da Bahia junto a turistas estrangeiros e outros estados. Daí porque escolheram o Salvador Praia Hotel como local da mostra. Ao término desta exposição eles seguirão para Brasília a convite de D. Hildete Lomanto para outra exposição, cujo local ainda não foi definido. Planejam levar para a Capital Federal e bebidas típicas baianas.
O pintor Glarkas é natural de Ubatã, sul da Bahia e atualmente reside em Guanabara, onde já realizou, segundo ele 43 exposições individuais e coletivas. Seus trabalhos são pinturas a óleo, com temática girando em torno do folclore da Bahia. Já o Lucena é amante da fotogravura.

ESPERIDIÃO MATTOS

O pintor Esperidião Mattos seguiu para Porto Seguro levando farto material para retratar aspectos e paisagens da Terra Máter do Brasil.