quinta-feira, 27 de junho de 2013

ECKENBERGER ESTÁ DE VOLTA

JORNAL A TARDE,SALVADOR, SÁBADO, 19 DE JULHO DE 1975

Desenho de Eckenberg
Encontra-se em Salvador o artista argentino-baiano Eckenberg que depois de dois anos de ausente retorna e já está trabalhando a todo vapor para realizar uma exposição. Na Europa realizou três exposições individuais. A primeira em Madri, na Espanha, na Galeria Tailer de Picasso, com apresentação do crítico Walmir Ayala. Ele mostrou objetos que foram considerados altares arquitetônicos, maquetes de cidades fantásticas, com espaço para circulação dos sobreviventes de uma catástrofe terrestre. A outra foi em Paris, no Atelier Jacob, 45 Rue Lacob, e também na Primeira Feira Internacional d’Art Contemporânea e, finalmente na Alemanha, no Atelier Ana - Galerie Fur Kunst Der Gegenwart.
Seu atelier está localizado na rua Renato Medrado, 34,no Politeama, onde Reinaldo Eckenberger mistura-se com papéis e os mais variados tipos de materiais que constantemente são empregados na feitura de seus objetos e colagens.
Como outros artistas que aproveitam o lixo da sociedade tecnológica, Eckemberg vai construindo um novo mundo as figuras parecem seres fantásticos muitas vezes mutilados. É um alerta de um artista que vê com sensibilidade a insensibilidade de uma sociedade tecnocrata onde o homem vai sendo substituído pela máquina e, ao mesmo tempo consumido por ela.
Seus objetos representam o renascer. Mas um renascer para uma nova vida, num mundo completamente estranho ao que estamos vivendo.
Suas colagens também mostram a preocupação com a sociedade e as figuras quase sempre estão interligadas como que por um cordão umbilical. Mostram que ninguém pode viver sozinho, ainda mais aqueles que enfrentaram uma catástrofe, ou sejam, os sobreviventes do mundo fantástico criado por Eckenberg.
O artista nasceu em Buenos Aires, em 1938, estudou arquitetura, optando depois pelas artes plásticas: faz o curso da Escola Superior de Belas Artes e o curso de Cenografia no Teatro Colón. Em 1958 realizou sua primeira mostra individual em Buenos Aires. Depois de ter viajado pela Europa, veio ao Brasil, conhecer a Bahia. Não resistindo aos encantos, aqui ficou.
Foi o ganhador do Primeiro Prêmio Estadual de Pintura da 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas. Aqui realizou mais de uma dezena de exposições.

        AUGUSTO RODRIGUES NA GALERIA O CAVALETE

A Galeria  O Cavalete está expondo alguns trabalhos de Augusto Rodrigues. Pernambucano de nascimento, este artista reside atualmente no Rio de Janeiro onde desenvolve suas atividades artísticas. Caricaturista, desenhista, colecionador de arte e reformulador do ensino de arte para crianças. Em todas essas atividades Augusto Rodrigues tem conseguido destaque especial, tendo ganho m 1953, no Salão Nacional de Arte Moderna, o Prêmio Viagem ao Estrangeiro e também participado de exposições internacionais.
Outros artistas estão na O Cavalete: Carlos Bastos, Leonardo Alencar, Lygia Milton, J. Cunha, Mirabeau Sampaio, Juarez Paraíso, Carl Brussel, Costa Lima, Antoneto Alberto Valença entre outros.

             DESCOBRIRAM UM MURAL DE DA VINCI

Foi descoberto um mural de Leonardo da Vinci na Igreja de São Marcos, em Milão, depois de permanecer ignorado desde o começo do século XVII. O mural estava coberto desde aquele século pois acreditava-se que os afrescos transmitiam epidemias. O mural estava escondido atrás de um retrato de Santa Bárbara pintado no século XVII e representa a Virgem Maria com o Menino Jesus e São João Batista, pintado em branco e preto. Assim, os conhecedores do trabalho de Da Vinci já podem acrescentar mais esta obra.

                UMA CONFUSÃO....

Noticiei à uns quinze dias que Frans Krajcberg tinha retirado 11 quadros de uma exposição na Guanabara, que eram atribuídos de sua autoria. Agora, a coisa está mais complicada. Descobriu-se que não eram somente 11 e sim 22. Os quadros tinham sido comprados há oito anos por Giuseppe Baccaro a Mariano Tasny.Vamos ver se, desta vez, são conhecidos e processados os responsáveis.

               ROBERVAL MARINHO NA CAÑIZARES

Outra exposição aberta ao público baiano é a de Roberval Marinho na Galeria Cañizares, no Canela.Estão expostos 30 trabalhos, sendo vinte bico de pena e dez guaches. É sua segunda exposição individual, Roberval Marinho mostra um trabalho fundamentado do exoterismo e simbolismo. Para ele a cobra quase sempre presente em seus quadros, tanto simboliza a vida como a morte. O sol é o começo e o fim. Suas figuras longilíneas vestidas com longos e vistosos vestidos parecem preparar-se para um fantástico baile de bruxas.
Trazem nas mãos cajados onde pequenas máscaras surgem nas extremidades.São trabalhos que sintetizam o começo e o fim num movimento contínuo.Roberval busca uma linguagem capaz de se comunicar. Já trabalhou em teatro fazendo figurinos e terminou diplomado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.
Pretende estudar Direção teatral porque acredita que não importa a técnica utilizada, o que me interessa é mostrar o que tenho dentro de mim. Para isto usarei vários tipos de linguagem. Hoje, Roberval vive no antigo Hospício São Pedro, nas dependências da atual Igreja Coração de Maria, na Rua Democrata. Era um socavão abandonado que ele recuperou e instalou o seu atelier, onde trabalha e cria suas figuras fantásticas. Acredito que a deformação proposital das figuras criadas por Roberval representa a luta do homem no Mundo. Do nascimento à morte. Num movimento contínuo onde tudo começa e termina, até as erudições que determinadas pessoas estão preocupadas em mostrar

 MUITOS QUADROS NA GALERIA RAG
Joselito Duque e Roberto Araújo,
responsáveis pela RAG

Foi inaugurada, ontem, uma grande exposição de trabalhos de mais de uma centena de artistas na Galeria RAG, na Boca do Rio.A exposição foi organizada pelo pintor Joselito Duque e seu colega Roberto de Araújo Góis. A galeria surge com bons propósitos e ambos sabem como diz o convite de apresentação dos cuidados, respeito e entendimento que merece a obra de arte, mesmo porque o Joselito Duque é um artista que vive de sua arte. Muita gente está surpresa com o número de trabalhos que eles conseguiram reunir.
Alguns colocados pelos seus autores e outros que já vinham sendo adquiridos há algum tempo pelos proprietários da Galeria Rag com o objetivo de colocá-los à venda, quando de sua inauguração. Assim, tivemos a oportunidade de ver um trabalho do mestre Réscala e um trabalho de um jovem artista desconhecido. Finalizo desejamos sucesso e esta nova galeria que certamente contribuirá para o desenvolvimento do nosso mercado de arte, que realmente está precisando de promoções deste tipo.