quinta-feira, 27 de junho de 2013

DICINHO CRIA A PARTIR DA MIGALHA

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 21 DE JUNHO DE 1975

Uma obra exposta de Dicinho
Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, 11ª Edição, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a palavra fragmento significa cada uma das partes em que se dividiu um todo; pedaço; fração; migalha. Assim podemos classificar a arte de Dicinho que está dividida em pedaços ou partes que juntas formam um todo. Sua exposição aberta ontem, no Solar do Unhão, promovida pela Secretaria de Educação e Cultura através de trabalhos em artesanato, esculturas e objetos feitos com materiais considerados imprestáveis pela sociedade de consumo e até móbile.
Durante a exposição, o artista dança e faz pequenas representações criando um ambiente de criação contínua. Seu temperamento inquieto e criador permite que chegue a torna-se incompreendido por determinadas pessoas. Conheço-o há vários anos e juntos já fizemos uma peça dirigida por Gey Espinheira no Grupo de Arte da Faculdade de Filosofia. Ele fazia o papel de um soldado e ninguém se controlava quando recebia as instruções militares. Era uma cena engraçadíssima. Assim, é Dicinho um artista nato que é capaz de fazer você rir e ao mesmo tempo ficar pasmado diante de seus trabalhos,
Visitei o seu ateliê antes da exposição e tomei conhecimento dos trabalhos que agora são mostrados ao público baiano.
Ele não sabe explicar, aliás não precisa, a razão porque misturou trabalhos de artesanato com esculturas e mesmo móbiles. Acha apenas que sua arte é um todo formado de pedaços e assim deve ser entendida. Muitos dos trabalhos surgiram inesperadamente. Foi ao Mercado Modelo e lá encontrou-se com um homem que vendia centenas de bonecas de pano num saco. Comprou algumas bonecas e começou a trabalhar. Montou várias representando a sociedade, guerra, desespero. Umas das cenas: um trabalho de arte popular  Suas raízes interioranas  verdadeiras permitem a feitura de um  trabalho eminentemente popular com a  utilização de materiais populares com as caixas de cigarros, tiras de  chita barata, lâminas de papelão e bonecas de pano . Considera babaca os que não aceitam seus trabalhos e diz que  falam por si.
Dicinho é um baiano, magro e elétrico, conforme vocês vão constatar. Ele está andando, falando e de repente resolve concentrar-se. Como um boneco elétrico levanta-se de sua posição yôga e começa a saltitar, a dançar. Braços e pernas giram de um lado para o outro como que a representar o papel de suas  bonecos de pano. Não é mais um aventureiro que surge no cenário das artes plásticas baianas. Tem um curriculum,embora desconhecido da maioria do público baiano, que merece ser relembrado: Montou em São Paulo a mais rápida exposição. Chegou, mostrou seus trabalhos e foi-se em apenas 10 minutos. Foi o que chamou de Uma Exposição Relâmpago, no Museu de Arte de São Paulo. Juntamente com Adinísio Primo fez o figurino da peça Na Selva das Cidades, de José Celso Martinez. Ilustrou reportagens para várias revistas como Pop, Planeta, Realidade, e também para o Jornal da Tarde, de São Paulo. Ilustrou vários livros para a editora José Olímpio e trabalhou no Jornal A Flor do Mal, dirigido por José Carlos Maciel, que teve um fim precoce, porque foram editados apenas cinco números.
Um objeto que você normalmente considera imprestável como uma boneca de plástico sem braços, uma metralhadora de plástico quebrada, e mesmo uma loteria de uma velha geladeira tem um grande significado para Dicinho. De posses desses fragmentos, ele vai reunindo-os e finalmente surge um trabalho, uma escultura, um móbile, etc.
A gula humana, por exemplo, serviu de tema para um de seus trabalhos. Sendo macrobiótico, detesta a carne bovina ou mesmo de aves. Diz Dicinho que "fico triste quando observo os homens nos açougues comprando carne. Eles também chupam balas e tem dentes cariados.Tomam injeções e seus braços embora aparentemente fortes são verdadeiros gravetos. Assim vão segurando suas muletas e cada vez mais se armando. Enquanto isto, o sexo passa de bico aberto. É isto que significa o meu trabalho", diz ele, apontando para um objeto.

              BENÉ FONTELES EXPÕE NO ICBA

A 15 de julho próximo, o artista Bené Fonteles estará expondo no Instituto Goethe, na Vitória, trabalhos áudio-visuais, montagens gráficas, curta-metragem, fotocópias e cartazes.
Também é um trabalho de aproveitamento do chamado lixo industrial. Na parte de slides o artista utiliza fotolitos de um jornal offset, onde recorta  e superpõe imagens, cola, pinta e risca. É assim o cotidiano do jornal recriado em forma plástica e cada slide é uma matriz gráfica para capa de livros, cartazes e serigrafias ou mesmo outras formas de programação visual.
Curta-Metragem Conceitual foi iniciado em Fortaleza em 1974 em O Alvo onde ele mostra que a vernissage é mais um acontecimento social que artístico, quando na realidade deveria ser o contrário.
Cartazes Conceituais - segundo Bené são decorrentes dos trabalhos conceituais em pranchas. Partiu para os trabalhos em cartazes, assumindo um tamanho maior e um maior compromisso conceitual como depõe sua proposta: Fotografia /encontrada a imagem mastigada,/ impressa,/ rotulada, /porém não consumida, /graficamente o recorte se recompõe e cria estética e um novo conceito.
Vencedor de vários salões, a exposição de Bené Fonteles promete ser uma das mais importantes já realizadas em Salvador durante o corrente ano.

            MARIZA DERRAMA CORES NAS TELAS

A carioca Mariza está expondo na Galeria do Hotel do Pelourinho, seus quadros inspirados nos personagens dos livros do escritor Jorge Amado. Ele entende que o artista tem liberdade de expressão através das cores, além das formas e traços, estado de espírito, sentimentos e paixões. Nesta sua exposição mostra que derramou cores vibrantes sobre as telas brancas misturado com o feitiço baiano.
Já realizou exposições em várias capitais brasileiras e iniciou estudos de pintura com o mestre Guido Viaro, em Curitiba, no Paraná

GARRIDO NA PANORAMA

Foi inaugurada ontem a exposição de desenhos e pinturas dos artistas Eugênio Roberto Gordilho, Afonso Roberto Martins Garrido e Odília Bouzas. São alunos e novos pintores que recebem orientação do pessoal da Galeria Panorama. Anda não tive oportunidade de ver os trabalhos deste trio de pintores que agora estréia mostrando aos baianos a sua obra.

SIRON FRANCO NA GALERIA COSME VELHO, SÃO PAULO

Este artista foi recentemente premiado com uma Viagem ao Estrangeiro, do XXIII Salão Nacional de Arte Moderna.Agora expõe na Galeria Cosme Velho, em São Paulo. Seu aparecimento meteórico no cenário das artes plásticas. Suas figuras distorcidas na realidade não retratam ninguém em especial. São pessoas do coletivo que podem estar tanto em Goiás Velho, sua terra natal, como em São Paulo.
São imagens de sua infância e juventude vividas nos chapadões onde as mais cruéis aberrações aparecem aos olhos de todos aqueles que tem capacidade em enxergar.
Essas míseras criaturas estão em vários pontos deste País, no Norte, no Nordeste e mesmo nas aglomerações populacionais marginais das grandes metrópoles. São distorcidas não apenas fisicamente, mas também mentalmente. Outros a grande maioria acostumaram-se com a crueldade e são capazes de olhar com maior tranqüilidade e indiferença um filmete na TV onde pessoas são mostradas completamente destroçadas pelas bombas. A primeira de Siron Franco é, sem dúvida, uma crônica subjetiva da época em que vivo, como ele mesmo afirma.

COR COMO LINGUAGEM

A exposição Cor como Linguagem está aberta no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro até o próximo dia 20 de julho e tem como principal objetivo apontar os rumos e as inovações radicais que enriqueceram a produção pictórica nos últimos 25 anos, abrangendo os diferentes estados de realidade na Arte Pop, às retomadas recentes do rigor formal.
Foi organizada pelo Conselho Internacional do Museu de Arte Moderna da Nova Iorque. A mostra reúne 56 artistas, na maioria pintores norte-americanos, entre os quais Andy Warhol, Robert Rauschemberg, Roy Lichtenstein, Jackson Pollock, Mark Rothko, Barnet Newman, Morris Louis, Frank Stella e Kenneth Noland. Dos europeus temos os italianos Enrico Castellani, Piero Dorazio e Lúcio Fontana, os franceses Yves Klein e Daniel Buren, os ingleses Richard Smith e John Hoyland, além de outros, totalizando 63 trabalhos.
A apresentação é de Kynaston Msnine, curador de Departamento de Pintura e Escultura do Museu de Arte de Nova Iorque que afirma A seleção dos expositores inclui alguns renomados artistas contemporâneos, sem deixar de lado outros mais jovens, alguns ainda pouco conhecido, mas todos plenamente afirmados em sua contribuição à arte de nosso tempo, merecendo ser atentamente vistos por sua disposição criadora.
Esta exposição já foi apresentada em São Paulo e depois irá para Bogotá, Montevidéu, Caracas e México.

ARTE NO METRÔ

A Régie Autonome des Transportes Parisiens está organizando pequenos museus permanentes em suas estações, onde ficam expostos quadros e esculturas de famosos artistas. Por outro lado, será organizada ainda este ano uma exposição permanente na parte antiga da estação Montparnasse-Bievenue, em comemoração aos 75 anos dos transportes parisienses.

DOIS NO CHALÉ


Os artistas Yrene Corbett e Naso Heck, ambos paulistas, residindo há alguns anos em Salvador, vão expor a partir do dia 6 de julho próximo, seus trabalhos no Restaurante Chalé, que fica ao lado do clube Costa Azul. Yrene apresentará óleos retratando figuras humanas no estilo primitivo e Naso Heck , figuras estilizadas.