terça-feira, 25 de junho de 2013

AS CORES SÃO DESCOBERTAS POR ARTISTA AMERICANA

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SÁBADO, 21 DE AGOSTO DE 1976

O colorido de Alice Barber está exposto na Mini
Galeria da Acbeu, no Corredor da Vitória
As cores mágicas da América Latina estão despertando uma atenção especial na artista norte-americana Alice Barber, que está em Salvador, onde discutirá durante um seminário na Escola de Belas Artes a Importância das Cores nas Artes Plásticas.
Uma exposição de seus trabalhos, foi montada e está aberta ao público na Mini Galeria da Acbeu na Vitória.
Para ela o amarelo é a maior de todas as cores. É a cor dos deuses do âmbar, do calor, do verão, do pergaminho, do ébano, enquanto que o branco é válido como luz, mas irracionalmente mantenho o que não tem valor como luz, porque para mim, o branco não reflete,  e é sólido.
É este o pensamento desta artista que prima pela cor. Seus quadros representam um carnaval multicolorido onde as cores dançam numa fantástica e mágica vibração. Um de seus quadros demonstra a sua capacidade técnica, através da utilização de tons suaves que permite uma transparência leve e amena. Os flancos parecem movimentar-se na tela em cores variadas, e adequadamente justapostos. Uma pintura que parte do irracional, parte para a magia que exerce o colorido tropical sobre esta norte-americana. É como um descobridor que aqui chegou e ficou encantado com a quantidade de cores e a luz dos trópicos. Deixou atrás o cinza de Nova Iorque ou Chicago e aqui encontra uma terra por descobrir, uma terra onde a arte caminha devagar. As grandes extravagâncias da arte contemporânea, ainda não atingiram seu ápice no Brasil. É aqui que esta americana fica embriagada e aqui quer participar, juntamente, com os da terra deste achado. A descoberta da cor.
Todos estão convidados a participar deste trabalho, que terá início neste seminário, que Alice Barber coordena na Escola de Belas Artes. Será a partida para uma descoberta maior, da qual ela espera contar com a participação de artistas baianos.

COMUNHÃO DO CEARENSE TARCÍSIO NO MAM-RIO

Foto recente do cearense José Tarcísio.Um criador
O cearense José Tarcísio saiu do Ceará para apresentar seu espetáculo Comunhão, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro onde utiliza as artes plásticas, a dança, literatura e música. Ele criou o ambiente e as linguagens foram introduzidas posteriormente adaptadas a este ambiente.
A música está a cargo do Grupo Maria Déia, a dança com a bailarina Cláudia Eugênia, e a literatura com o poeta angolano Ruy Alpha.
Assim esteiras, pedras, redes, arame farpado são jogados no espaço cênico. O espetáculo foi idealizado partindo do conceito cristão do ato de comunhão em que várias pessoas se confraternizam num determinado momento, sendo que, no MAM, em princípio se concretiza de forma diferente, isto é, o elemento hóstia utilizado pela igreja é substituído por um novelo de linha que é conduzido por um dos artistas de modo a enlaçar os presentes e assim atingir o seu objetivo. Quanto ao som empregado no show, está dividido em ter ruídos e sons da natureza em off e o repertório do Grupo Maria Déia, que é ligado às raízes populares.

QUEM É
Natural de Fortaleza, Ceará, José Tarcísio foi residir no Rio em 1962. Neste mesmo ano dedicou-se às artes plásticas, quando participou de várias exposições,  obtendo prêmios em muitos salões. Representou o Brasil na 7ª. Bienal de Paris, em 1971, com o trabalho Réquiem Para o Último Artista; em 1972, Isenção do Júri, no Salão Nacional de Arte Moderna, prêmio viagem ao país, em 1973, e, em 1974, prêmio de viagem ao estrangeiro, entre outros.
Como artista plástico iniciou no desenho, passando a experimentar logo depois a escultura, a litografia e a pintura. Com trabalho a paisagem, seus fragmentos e interferências, tomou um rumo definido, fixando-se na arte experimental mais ainda com a mesma temática da paisagem, que predomina até hoje.

ACOMPANHANTES
Cláudia Eugênia, 19 anos, estuda dança clássica e jazz há cinco anos. Foi aluna de Eugênia Teadorova, Vera Saba e Lennie Dalle. Além de continuar estudando, também dá aulas no Mercedes Batista.
Grupo Maria Déia, o nome do grupo deriva do verdadeiro nome de Maria Bonita, a companheira de Lampião. O grupo é o mesmo desde quando foi formado há 11 anos e são seus integrantes: Alberto de Castro, Ronaldo Florentino e Chico Moreira. O trabalho que o grupo desenvolve é ligado ás raízes culturais brasileiras e latino-americanas.
Ruy Alpha, é natural de Angola e já reside no Rio há alguns anos, tendo publicado poesias em revistas e jornais brasileiros. Recentemente integrou uma publicação onde estão reunidos vários poetas cariocas e no momento está com um livro de poemas no prelo.

QUARENTA E DOIS LAMBE-LAMBES NO TERREIRO DE JESUS

Olha o Passarinho, segundos e a foto está pronta
É hora de valorizar o lambe-lambe, este homem que quebra os mais difíceis galhos quando a gente necessita de uma fotografia com urgência. Geralmente ele fica localizado num ponto de emissão de documentos ou numa praça de grande afluência de público. Seu processo é simples e curioso. Cobre seu rosto com um pano preto enquanto a pessoa que vai ser fotografada fica imóvel e atrás dela o ajudante do lambe-lambe segura um pano grosso ou um papelão para fazer fundo. Nesta curiosa operação são gastos alguns segundos e mais uns minutos, e, tudo estará pronto. Você sai dali com uma fotografia que dentro de poucos meses estará amarelada, mas que na realidade resolveu um sério problema.
Uma mostra está sendo organizada pela Prefeitura a partir de amanhã, ás 10 horas, quando 42 lambe-lambes estarão disputando os três prêmios instituídos de CR$ 1.500,00 CR$1.000,00 e CR$500,00. Eles chegarão um pouco antes do início da prova e a comissão organizadora dará um cavalete a cada um onde exporão as fotografias e o material para fixar as fotos e instruções para a mostra. Os lambe-lambes farão fotos de paisagem, gente, animais e tudo que estiver a sua volta. As fotos serão em preto e branco em qualquer tamanho. Se você quiser uma foto vá amanhã ao Terreiro de Jesus que 42 fotógrafos estarão á sua espera.
 PARTICIPAÇÃO
Para o julgamento, a Comissão vai considerar artefotográfica, técnica de montagem e fotográfica e as máquinas em função da técnica empregada, dando o resultado ás 15 horas.
Cada espectador pode participar indiretamente da mostra, como elemento fotografado, influenciando não só profissional como economicamente para cada fotógrafo.
Paralelamente á mostra haverá apresentações de mambembes, mamulengos, pelotiqueiros, destacando-se o mamulengueiro Natanael da Costa Oliveira, que estará presente com seus 40 bonecos, apresentando diversas histórias, por ele consideradas de comédias: O matuto sentando praça. Cobra gigante e Os 3 vigias, O Casamento e o Enterro da Velha Filefidéfica, O Casamento de Anastácio, A Escola do Ignorante, Lamparina Nega do Balaio Grande.
Nessa apresentação Natanael usa cinco vozes: velho (a), mulher homem e criança.

                            PAINEL

PESQUISA- O Instituto Nacional de Artes Plásticas, órgão ligado a Fundação Nacional de Arte, do MEC, abriu inscrições para o apoio a pesquisa do período Colonial a atualidade na área das artes plásticas, a estudiosos vinculados ou não á instituições públicas ou privadas.
Os interessados devem dirigir-se ao instituto nacional de Artes Plásticas da Funarte, á Av. Rio Branco, 199 para solicitar instruções e propor e apresentar seus projetos.

PUBLICAÇÕES-Visando a organização da coleção panorama de Arte Brasileira Ontem e Hoje, a Funarte através do Instituto Nacional de Artes Plásticas INAP, examinará para possível publicação em livro, originais inéditos ou monografias de estudiosos e historiadores de arte, pesquisadores, críticos, artistas e movimento, que versem sobre aspectos específicos relacionados com a evolução das Artes Plásticas no Brasil.
PRORROGAÇÃO - Em razão do interesse manifestado por artistas de todo o País, e atendendo às solicitações dos estudantes universitários, a Funarte decidiu prorrogar a entrega dos trabalhos, no concurso promovido para escolha do seu logotipo. A data do encerramento, inicialmente marcada para 1º de setembro, fica portanto protelada por mais trinta dias, esgotando-se o prazo a 1º de outubro vindouro.