terça-feira, 25 de junho de 2013

ARLINDO GOMES APROVEITA AS REENTRÂNCIAS

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SÁBADO, 28 DE JUNHO DE 1975

Uma escultura de Arlindo Gomes,artista
que recria na madeira
O escultor Arlindo Gomes está preparando alguns trabalhos para uma exposição que fará na Galeria Cañizares, em agosto próximo. Serão mostrados cerca de 50 trabalhos, todos em madeira. Arlindo Gomes já foi comerciante, fazendeiro e hoje está inteiramente dedicado à sua arte. Reside num apartamento no Corredor da Vitória, mas o seu atelier fica localizado na parte velha de Salvador, em Santo Antônio Além do Carmo. Há seis anos que vem lidando com a madeira, aproveitando muitas vezes as rachaduras e as dobras feitas pela natureza. Raízes e troncos de árvores que normalmente qualquer pessoa deixa passar despercebido ele apanha e realiza o seu trabalho de recriação. Este artista não deixa apenas a parte feita pela natureza. Ele acrescenta, esculpe, dá o polimento e aplica o verniz.
É o aproveitamento total do espaço, onde trabalha criando formas imagináveis.Na série de cinzeiros que ele está fazendo, podendo notar a sua versatilidade em criar e aproveitar formas já feitas pela natureza. Os cinzeiros funcionam não apenas como um objeto de arte, mas também como uma peça utilitária de uma residência. O objeto de madeira, que a própria escultura, serve de suporte para o cinzeiro de latão. Cada uma de suas peças tem uma razão de ser diante de um trabalho consciente. Começou sua vida de escultor brincando, na Ilha de Itaparica, em aproveitar um velho tronco retirado de um saveiro abandonado. Fez sua primeira escultura sem a preocupação de expor.
Era um divertimento. Assim outras foram concebidas, até que hoje vive inteiramente para  e de sua arte.
Um velho tronco de árvores carcomido pelo tempo é transformado numa peça polida e com belas formas.
Assim, totens, peixes, beatos e os mais variados tipos como um nascer de novo.
É a criação e eles povoam um mundo maravilhoso que é aquele da escultura de Arlindo Gomes.Tímido, com aparência de um homem que vive atrás de um balcão, o escultor Arlindo Gomes é capaz de deixar a gente pasmado diante de uma peça trabalhada por ele. É a transformação que se verifica o que é capaz de deixar o espectador cheio de interrogações em busca de explicações de como ele conseguiu aquelas formas.
Sobre cada uma de suas peças que tive a oportunidade de apreciar, poderíamos dizer muito. Mas vamos aguardar a exposição deste autodidata que realmente demonstra ser um artista disciplinado que leva a sério o seu trabalho criador.
O próprio Arlindo Gomes responde a quem pergunta onde busca o material para o seu trabalho. No fundo do mar, no leito dos rios, nas encostas escarpadas, onde o mar bate nas areias levando consigo para devolver às praias e onde o sol inclemente acende seu calor. A chuva, o sereno, vento contribuem para a erosão das raízes soltas ao léo rolam e rolam inertes, sem vida, e que, mesmo assim vão resistindo em suas partes imperecíveis. Os insetos da terra ou a fauna marinha dão sua contribuição afundam-se, carcomendo, deixando seus rastos e sulcos. Enfim esses pedaços de madeira, restos de alguma embarcação naufragada secular, ou raízes arrastadas por tempos esquecidos, são matéria-prima para minhas esculturas.
Assim trabalha Arlindo Gomes desde a procura e seleções do material a ser trabalhado até a busca e o encontro com o momento da criação, quando transforma o simples tronco, a simples raiz, numa obra de arte.
FESTIVAL DE ARTE
Recebi do Prof. Ivo Vellame, Diretor da Escola de Belas Artes, a relação dos artistas convidados para participar do Festival de Arte Contemporânea da Bahia, 75 Exposição dos Artistas Contemporâneos da Bahia que é a seguinte: Rescala, Fernando Coelho, Carlos Bastos, Edsoleda, Jorge Costa Pinto, Calasans Neto, Juarez Paraíso, Riolan Coutinho, Sante, Lígia Milton, Tatti Moreno, Mário Cravo Neto, Yeda Maria, Emanoel Araújo, Leonardo Alencar, Emídio Magalhães, Marlene Cardoso, Mirabeau Sampaio, Renato da Silveira, Jenner Augusto, Caribé, Jamison Pedra, Edísio Coelho Pinho, Hansen Bahia, Manoel Bonfim, Edson da Luz, Schneider, Onias Camardeli, Ângelo Roberto, Candoca, Mercedes Kruschewsky, José Cunha, Mário Cravo Júnior, Edvaldo Gatto, Sônia Rangel, Hilda Oliveira, Floriano Teixeira, Romilda, Liberato, Odete Valente, Terezinha Dumet, Humberto Vellame, Rino Marconi, Luís Jasmim, Sólon Barreto, Paulo Matos, Renato Viana, Edson Barbosa, Nonato Freire, Oscar Caetano, Elizabeth Roters e Lucena.
Diz o Prof. Ivo Vellame que foram convidados os mais significativos da arte baiana, uns nomes mais conhecidos do nosso meio cultural, outros, jovens artistas que se afirmam dia a dia. Acredito que será uma das mais importantes exposições a serem realizadas este ano em Salvador.

CURSOS DE ARTES PLÁSTICAS

Foi lançado pela Caixa Econômica do Estado de Goiás o II Concurso Nacional de Literatura e Artes Plásticas, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento das artes em nosso País. O concurso é de caráter anual permanente. O valor dos prêmios vincula-se ao do salário mínimo vigente em Goiás, estando fixado em importância correspondente a 500 vezes o valor do aludido salário. A premiação totaliza CR$163.200,00. Haverá vários  prêmios e aqueles que se interessam pelo regulamento poderão procurar-me, que fornecerei maiores detalhes. Não o público, na sua tonalidade, porque é muito extenso e tomaria toda a coluna.

TINO OLIVEIRA
O artista Tino Oliveira está expondo desde o último dia 20 do corrente mês. No Clube Baiano de Tênis. A exposição ficará aberta diariamente, das 16 às 22 horas e permanecerá até o dia 30.

ITAMAR EXPÕE
O artista Itamar Espinheira está expondo no hall do Salvador Praia Hotel de 1º de julho a 12 de julho próximo. É a sua décima exposição individual, quando ele mostrará diversos trabalhos com espátula. São marinhas, alagados e casarões que ganham maior plasticidade na pintura calma de Itamar Espinheira.Foto ao lado do pintor Itamar Espinheira com uma obra de sua autoria.




QUADROS FALSOS

Frans Krajcberg  apavorado com uma notícia de que estava sendo programada uma exposição retrospectiva  de suas obras no Hotel Everest, no Rio de Janeiro. Quando leu a notícia, rumou para o hotel e saiu gritando aos quatro ventos que retirassem os quadros das paredes porque todos eram falsos. Acontece que o funcionário do hotel ficou perplexo e quando Frans Krajcberg ameaçou  chamar a Polícia os quadros foram retirados das paredes. Acontece que a Galeria responsável pela exposição havia adquirido os quadros de um marchand paulista que agora será processado.