sexta-feira, 8 de junho de 2012

GERAÇÃO 70

JORNAL DA BAHIA
Texto de Chico Liberato

Considero indispensável colocar, sobre a geração década 70, algumas questões que acredito, deverão ser examinadas quando pretendemos fazer uma abordagem histórica ou seja, situarmos uma década dentro de um processo cultural de uma comunidade.
Devemos considerar também as dificuldades em situarmos um artista nesta ou aquela década, tendo este praticado o ato de pintar quadros em um período maior que dez anos.


Foto da abertura da exposição Geração 70, no Museu de Arte da Bahia, na Vitória.Foi um sucesso com centenas de pessoas presentes.

                                                FIGURAÇÃO NARRATIVA

O termo foi criado pelo crítico francês Gerald Gassiot. Esclarece que a “ Nova Figuração”, não é uma nova tendência pictórica fundada sobre uma base filosófica ou política, mas somente um modo de expressão implicando, as vezes, uma referência à dimensão temporal na elaboração da tela por aquele que olha. Além do quadrinho a imagem animada (cinema e TV) exercem grande influência sobre a Figuração Narrativa: grandes planos, panorâmicas, aproximações, etc. 1965.
F’oldes, T’el’emaque, Berni, Arroyo, Adami, Genovês, Kermarrec, Ceroli, Raynaud, são artistas da década de 60, por consolidarem as características de universal da época, ou a mensagem que historicamente representava os anceios ou reações intelectuais retratando o estágio da sociedade metropolitana.
Como situar nossos artistas da década de 70? Qual a proposta fundamental para nos situarmos dentro do processo cultural da comunidade baiana e sua projeção nacional.
A década de 70 é marcada universalmente pela tendência conceitual.
Gregoire Muller diz que na Arte Conceitual “o artista não tem mais razão de se sentir limitado por uma forma, matéria, dimensão ou lugar. A noção de obra pode ser substituída por algo cuja única utilidade é significar”.

                                            INVESTIGAÇÃO INTELECTUAL

Nas grandes capitas do mundo ocidental e no Brasil, principalmente nos grandes centros urbanos, Rio e São Paulo, a investigação intelectual e a comunicação, absorvem totalmente a população urbana.
Porque a Arte Conceitual, Body Arte, Hiperrealismo e Transvanguarda, não chegaram a comover os artistas da Bahia, a ponto de podermos perceber a negação, correntes estéticas em suas obras?
Devemos vibrar de satisfação com a perspectiva de que nossos artistas sempre desprezaram o fato de situar-se na crista das correntes dos ismos, por possuírem referências culturais básicas da nossa tradição ou especificidades de estímulos próprios da sociedade baiana, que nos permitiam assumir uma manifestação de arte que caracterize a visualidade brasileira nos possibilitando encarar a verdadeira face que identificará nosso ato de ser.
Consagrar criticamente nossos artistas, desprezando as referências de correntes estéticas internacionais, significa assumirmos o compromisso de consagrar os nossos valores culturais específicos e indentificá-los antropologicamente, sociologicamente e politicamente.
Aliás é uma das correntes mais recentes da manifestação de arte, propondo que na obra de arte além dos seus aspectos estéticos sejam considerados principalmente seus valores sócio-antropológicos.
São estas as questões que gostaríamos fossem consideradas na realização e avaliação da próxima exposição Geração Década 70.

Nota: Chico Liberato escreveu este artigo quando da inauguração da exposição Geração 70 ,da qual fui o curador.Seu artigo saiu ilustrado com uma foto da nossa mostra,mas estranhamente ele não faz menção.
Reynivaldo Brito