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sábado, 6 de julho de 2024

JUSTINO MARINHO É UM CONHECEDOR DA ARTE

Justino Marinho em seu ateliê finaliza
uma obra onde vemos motivos afros.
Vou falar hoje de um artista de múltiplas facetas: é desenhista, cartazista, ilustrador, pintor, conhecedor do movimento de arte não somente na Bahia, um artista que tem um relacionamento extenso com outros atores da arte espalhados pelo país, curador e crítico de arte tendo atuado no Jornal da Bahia e no Correio da Bahia juntamente com seu colega César Romero. Confesso que nossa conversa fluiu tranquilamente e o Justino Marinho acostumado a entrevistar falou por mais de uma hora sobre a sua trajetória artística até hoje. Curador de vários projetos e exposições de artistas baianos e coordenou os salões regionais da Bahia, que foi um espaço fundamental o qual revelou muitos artistas que residiam e residem no interior do Estado. Disse que seu primeiro contato com a arte aconteceu quando seu pai Carlos Marinho, decidiu levá-lo para ver uma exposição de Mário Cravo, no Belvedere da Sé, quando ele tinha por volta de seis anos de idade . Ficou chocado com as esculturas que o artista  apresentava o Cristo em situações inusitadas  mostrando o órgão sexual ereto, completamente desfigurado. Seu pai o levou e disse “Lhe trouxe para mostrar o que você nunca deve fazer”. Mas foi na I Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia e no ambiente universitário em  1968 que teve seu contato com o universo da arte e dali em diante passou a se interessar pelo assunto. Justino tem facilidade em fazer amizades e o ambiente universitário era propício para isto e assim  passou a cultivar amizades com estudantes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e com artistas através das exposições que 
Quatro obras recentes em acrílica sobre  
tela de sua fase abstracionista.
passou a visitar. Viu as bienais de 1966 e 1969 e foi aí que decidiu que seria artista. No colégio tinha uma professora de Prática Educativa que era a artista  Marlene Cardoso que foi muito importante para que despertasse para a arte. Lembra Justino Marinho que seus colegas não se interessavam muito pela matéria, mas que ele tinha um interesse diferenciado e assim a professora Marlene Cardoso o incentivou ainda mais. Dois anos depois o colégio mudou para a nova sede na Rua da Mangueira, no bairro de Nazaré, em Salvador-Ba. Ela fazia o segundo ano de Belas Artes e naquele tempo podia ensinar nos cursos secundários. Ficaram amigos e ela me falava muito sobre arte. Foi Marlene Cardoso que lhe induziu a visitar a  I Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia e inclusive ela expôs um desenho que foi premiado.

Fez o primeiro e o segundo ano primário  na ilha de Itaparica-Ba onde o seu pai Carlos Marinho, que era filho de português, foi nomeado coletor federal depois de fazer um concurso público. Aí terminou indo para Lençóis e terra de sua mãe Zilah de Souza Marinho. Sua ida deu-se em virtude do falecimento de um tio chamado Paulo  Athayde de Souza.

Obra sem título, acrílica sobre tela,  
 foi exposta na Galeria Prova do
 Artista, em 1998.
 Ele  faleceu aos 18 anos de peste bubônica em Lençóis. Como seus avós maternos ficaram muito abalados com a morte do filho e o Justino Marinho parecia muito com o tio talvez por uma compensação ele foi mandado para Lençóis. Lá estudou o resto do primário . Seu avô Domingos Batista Souza era o dono da única padaria da cidade e tinha fazenda. Justino disse que o avô foi casado duas vezes, tendo sete filhos no primeiro casamento e oito no segundo.  Como diziam que ele parecia muito com seu tio Paulo as pessoas da família passaram a ter um carinho especial por Justino. “Alguns chegavam a dizer que era a reencarnação do tio Paulo”, diz Justino Marinho rindo ao lembrar da situação. Foi por isto que seu avô pediu a sua mãe que era filha dele a deixar o Justino passar um tempo por lá. Ele disse que no curso primário da época estudavam música e desenho. Falou também de outro tio o Manoel Marinho conhecido por Maneca, que era jogador de futebol famoso na época e que chegou até jogar na Seleção brasileira de 1950, que foi derrotada pelos jogadores uruguaios. Dizem que os uruguaios deixaram o Maracanã lotado de torcedores em silêncio total. O seu tio não jogou esta partida porque estava machucado, mas ele sentiu muito a derrota. O último time onde ele jogou foi o Bahia e veio a falecer aos 42 anos de idade.
Quando veio para Salvador foi estudar o ginásio no Colégio Dois de Julho e ao terminar o ginásio foi para o Colégio Teixeira de Freitas fazer o curso de Técnico em Contabilidade. Aí conheceu muitas pessoas que eram mais desenvolvidas e como os artistas têm mais sensibilidade foi se entrosando com o movimento de arte baiano.

Vemos  quatro obras com a presença da
figura humana da série Mágicos, anos 90.
Lembrou como conheceu seu colega e parceiro nas escritas do jornal o César Romero  quando ainda estudava no Colégio Mário Augusto Teixeira de Freitas, que na época funcionava junto à Casa da Itália, no Campo Grande. Justino e alguns colegas saíram caminhando até a Praça da Piedade e ao passarem em frente ao majestoso prédio do Gabinete Português de Leitura tinha um rapaz na porta que os convidou para entrar para ver a exposição que estava montada ali. Era o Cesar Romero que foi logo informando que um de seus trabalhos expostos foi premiado. Eles entraram e viram a exposição e dali em diante a amizade foi se consolidando através dos anos. A exposição era promovida pelo Colégio Maristas, onde estudava o Cesar Romero e  funcionava no bairro do Canela, sendo que o grande premiado foi o filho do pintor Jorge Costa Pinto, o João Jorge Costa Pinto que era um executivo e pintava, e o Cesar Romero ganhou um Prêmio Especial, isto no ano de 1965.

Obra sem título em acrílica sobre 
tela de 2019, onde prevalece o
grafismo.
Em 1968 o César Romero fez vestibular para Medicina e o Justino Marinho para Economia e daí em diante passaram a se encontrar com mais frequência visitando exposições, participando de festas que na época eram muito frequentes nos prédios da universidade, cultivando as mesmas amizades. Foi quando passou a frequentar as galerias como a Galeria Convivium que funcionava no casarão antigo na Avenida Senador Costa Pinto, que é uma extensão da Rua Carlos Gomes,em Salvador-Ba e se localizava defronte a um posto de gasolina. Esta galeria pertencia a Albertoni Bloise e o diretor artístico era Juarez Paraíso. Na parte de trás da galeria  tinha  um bar e era um espaço cultural muito frequentado na época. Quando fechou o local se transformou na Boite 155 . Disse Justino Marinho que decidiu mostrar uns trabalhos que tinha feito ao diretor artístico da Galeria Convivium, Juarez Paraíso, mas notou que ele não se entusiasmou pelo que viu. Mesmo assim passou a frequentar com mais assiduidade a galeria e fez amizade com Manoel Bonfim que era funcionário da galeria e também estava fazendo uns trabalhos ainda incipientes. Este Manoel Bonfim nada tem a ver com o mestre escultor Manoel Bonfim, já falecido. Como tinha o bar ao fundo era mais um atratico e sempre ia aparecendo um e outro artista e o papo prosseguia. Foi ficando familiarizado e até comprou o primeiro quadro de sua vida que foi de Jamison Pedra. O artista  fez uma exposição na galeria utilizando uma técnica onde colava isopor e fazia um alto relêvo. Não sabe onde esta obra foi parar. Também frequentava a Galeria Bazarte, embora não fizesse parte do grupo que trabalhava e expunha por lá. Mas, conversava com o senhor Castro que era um incentivador de jovens artistas. Lá conheceu obras de Leonardo Alencar, Edísio Coelho, Reinaldo Eckenberger, Emanoel Araújo e se emocionava muito com os trabalhos de Raimundo Oliveira. Também ia de vez em quando  visitar as exposições na Galeria Manoel Querino, do Renot, que ficava no prédio onde até hoje funciona uma agência do Ministério do Trabalho. A galeria ficava voltada para a Rua Carlos Gomes.

                        BIENAIS INFLUENCIARAM

Desenho "Conversa Sobre
 Coisas Passadas",exposto
na Galeria O Cavalete,1985.
Finalmente foi realizada a I Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia montada  no Convento do Carmo em 1966-1967 e veio muita gente de fora. Teve uma sala especial com as esculturas de Mário Cravo e contou com obras de  muitos artistas consagrados em todo o país. Foi aí que decidiu de vez seguir a carreira artística.  Frequentando a Galeria Convivium esteve nas  exposições de Leonardo Alencar, Pietrina Ceccacci, e de muitos outros artistas e foi lá que viu pela primeira vez obras de Aurelino que já faziam parte do acervo da galeria. Veio a II Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia em 1968/69 que teve a participação de artistas mais ativos na luta pela redemocratização e foi realizada no Museu de Arte Moderna da Bahia. A bienal foi fechada e alguns organizadores foram chamados pela Polícia Federal, mas depois foi reaberta. Na época estudava Economia e conheceu o crítico Théon Spanudis que fez uma série de palestras para depois escolher os monitores da Bienal. Com esses contatos já estava mais decidido a fazer arte e partiu para a busca de um caminho que identificasse a sua arte. Foi quando o Rafael Pastore que era chefe de redação do Jornal da Bahia o convidou para escrever uma coluna de arte e juntamente com Cesar Romero iniciaram escrevendo, inclusive trocaram os sobrenomes. Justino Marinho assinava JR e César Romero como CM. Ficaram de 1975 a 1979.Lembra Justino que fez muitas entrevistas com Mário Cravo, Sante Scaldaferri, Calasans Neto, Jenner Augusto, Carlos Bastos e muitos outros. Naquela época esses artistas tinham status, consagradas, e eram celebridades na Bahia. Ai já assinavam com seus nomes verdadeiros. Viajou para o Rio de Janeiro que era o centro das artes onde conheceu os críticos Frederico de Morais, Walmir Ayala, Geraldo Edson de Andrade, Roberto Pontual, que era muito ligado à sociedade carioca.  Fizeram matérias com eles. Os artistas baianos consagrados  tinham uma ligação forte com Jorge Amado, que sempre os promovia. Foi o tempo que a arte da Bahia era muito 
Têmpera sem nome, onde vemos
losângulos que lembram balões
juninos e manchas ,
respeitada por esses críticos de nomes nacionais. Veio depois a geração de Emanoel Araújo, José Maria e outros. Fez sua primeira exposição em 1968 com sua professora Marlene Cardoso na Associação Cultural Brasil-Estados Unidos. Recebeu um convite do publicitário Marcos Gavazza para expor numa galeria que ele tinha na Avenida Sete de Setembro, galeria Scada, que funcionava junto ao seu escritório de publicidade foi quando José Dirson viu seus trabalhos e perguntou ao Gavazza quem era e escreveu um artigo sobre suas obras e ficaram amigos até hoje. José Dirson  organizou em 1968 no Gabinete Português de Leitura a exposição chamada de Jovens Artistas da Bahia e Justino  participou com dois trabalhos em bico de pena. Não usava cores. Lembrou que também o artista José Arthur integrou esta exposição e teceu comentários sobre a obra do artista que morreu cedo. “Ele sabia pintar muito bem, era uma pessoa de fácil relacionamento, mas parece que não deu sorte mesmo com o talento que tinha”.Ressaltou que nos anos 60 viu uma exposição de Emanoel Araújo no USIS, que funcionava no Politeama, no Centro de Salvador-Bahia, e aí ele já mostrava uma arte mais geométrica, talvez sob a influência do que ele tinha visto na Nigéria onde ocorreu  um festival e contou com as presenças de alguns artistas baianos como Yedamaria, Juarez Paraíso, dentre outros . Logo depois a convite de um diretor do Hotel Meridian, no Rio de Janeiro, expôs uma coletiva na Galeria do Instituto Brasil-Estados Unidos. Participaram Justino, César Romero, Bel Borba, dentre outros , quando conheceram o crítico Marc Berkovitz que ficou muito amigo do grupo e fez um bom trabalho sobre esta nova geração de artistas baianos. Muitos críticos e galeristas despertaram e tomaram consciência  que era uma nova geração que estava chegando, disse Justino Marinho.

"Cotidiano III",têmpera de 2017,
com profusão de elemenos
 geométricos em cores quentes
.
Quando inaugurou o jornal Correio da Bahia ele e o César Romero deixaram o Jornal da Bahia e foram pra lá e passaram a ter um bom espaço de 1979 a 2008.  Quando o jornal diminuiu sensivelmente o espaço o Justino Marinho saiu, mas o César Romero continuou. Lembrou que entrevistaram  o famoso escultor Bruno Giorgi que estava expondo na Galeria Scultura, em São Paulo. Lá fez amizade com o editor de Cultura da Revista Veja, que estava no auge, que era o Cassimiro Xavier de Mendonça.  
               ASSALTADO

Mas, como na vida nem tudo são flores um certo dia ao parar na porta do Hotel da Barra para deixar uns amigos que estavam ali hospedados foram assaltados por um casal que se dizia revolucionário, de revólveres em punho obrigou o amigo a entregar as chaves do carro e depois de rodar muito terminaram deixando-os no Núcleo Jota K, que é uma colônia de agricultores japoneses que fica no município de  Mata de São João-Ba. Eles conseguiram já pela manhã uma carona com os colonos que iam levar seus hortifrutigranjeiros para o Ceasa, em Salvador. Aproveitando este episódio desagradável fez uma exposição em 1978 na ACBEU inspirado no assalto sob o título Bandidos ou Heróis? Foi quando Matilde Matos escreveu o texto sobre a exposição.

Logo depois trabalhou um tempo no Museu de Arte Moderna da Bahia, com o diretor Heitor Reis e em seguida foi coordenar os Salões Regionais quando juntamente com Juraci Dória e Eduardo Evangelista dividiram o Estado em sete regiões distintas, sempre procurando incluir cidades que tivessem Centro Cultural para ter um local onde selecionar os artistas. Ai já estava formado e trabalhando como economista na Ematerba que depois se transformou em Ebal, e que  fechado recentemente. 

                                                    SUA ARTE

Obra em acrílica sobre tela,
 de 1998.
Disse o Justino Marinho que inicialmente fazia suas obras usando a técnica de bico de pena, o lápis de cor e depois o pastel a óleo . Já na sua primeira exposição realizada na ACBEU como dominava a técnica suas obras foram marcadas pelo pastel a óleo, o lápis de cor e as transparências de recortes de figuras neo expressionistas. O tema inicial era a luta do homem e a máquina e posteriormente passou a focar na discussão sobre solidão vivida na cidade grande e depois, as implicações provocadas na sociedade pela ditadura militar.

Afirma que o artista Gustav Klimt lhe influenciou neste início de carreira principalmente as décadas de 70 a 80 quando fez muitas exposições e participou de vários salões. O Gustav Klimt foi um famoso pintor austríaco simbolista que nasceu em 14 de julho de 1862, em Baumgarten, em Viena, na Áustria e morreu em 6 de fevereiro de 1918, na mesma cidade.

Para continuar com sua arte o  Justino Marinho teve que conciliar sua carreira de economista e artista, pois neste período o movimento de arte era muito ativo na Bahia. Ele entende que hoje vê uma desmotivação dos artistas, embora não tenha apontado as razões desta desmotivação.Hoje me falou  que tem especial apreço pelas obras de Paul Klee que foi um pintor e desenhista suíço nascido na comuna de Münchenbuchsee. Consta em sua biografia que foi influenciado pelo expressionismo, cubismo e surrealismo. Nasceu em 18 de dezembro de 1879, em Münchenbuchsee, Cantão de Berna, de influência alemã e morreu em 29 de junho de 1940, em Muralto, Suíça.

Nos anos 80 Justino Marinho passou a trabalhar com tinta acrílica sobre tela e seu trabalho  tem  uma pegada figurativa “mais denso e mais amplo. Saí dos limites do papel e as cores passaram a ser muito mais profundas."  Hoje disse lidar com a figura e com a abstração e que suas cores estão entre os amarelos, azuis, vermelhos e as tonalidades de sépia. O cotidiano está sempre presente nas suas obras mais recentes e que se sente atraído pelas pichações dos muros, o grafismo e manchas nas paredes e vez por outra surge uma figura humana. Também me disse  que não está mais preocupado com exposições e que prefere a solidão de seu ateliê e que  não se preocupa com o ecletismo e nem em conceituar as fases de sua arte.

                                                    EXPOSIÇÕES

Obra "Cotidiano XXV", de 2012 ,
técnica mista.
INDIVIDUAIS1970 – na Biblioteca Municipal Juracy Magalhães Júnior, Itaparica-Ba; 1976 – Galeria da Associação Cultural Brasil-Estados Unidos-ACBEU, Salvador-Ba; 1978 – Galeria da Associação Cultural Brasil-Estados Unidos,Salvador-Ba;19080 – Dom Camilo Galeria de Arte,Salvador-Ba; 1990 – Galeria Cañizares, da Escola de Belas Artes da UFBA,Salvador-Ba; 1990-  Pontifícia Universidade Católica , Curitiba-PR; 1998 – Galeria Prova do Artista, Salvador-Ba; 2005 – VI Mercado Cultural – Caixa Cultural Salvador, Salvador-Ba; 2006 – Centro Cultural Correios, Salvador-Ba.

 SALÕES  E COLETIVAS 1975- LXXX Salão Nacional de Belas Artes , Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro-RJ; lº Salão de Artes Plásticas Souza Cruz, Automóvel Clube do Brasil, Rio de Janeiro-RJ; 1976- IX Salão de Arte Contemporânea de Santo André, Centro Cívico de Santo André, Santo André-SP; 1977 – lº Salão de Verão da Bahia, Museu de Arte da Bahia,Salvador-Ba; 1977 – III Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica do Estado de Goiás – CAICEGO- Parthenon Center, Goiânia-GO; 1978 – lº Encontro de Artes da Fundação da Cidade do Salvador, FUNCISA, Museu de Ate da Bahia, Salvador-Ba; 1979 - lº Salão de Artes Plásticas do Museu Regional de Feira de Santana, Feira de Santana-Ba; 1980 – IV Salão Nacional de Artes Plásticas , Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ; 1981 – XX Premi Internacional de Dibuix Joan Miró, Fundação Joan Miró, Barcelona, Espanha; 1984 – O Rosto e a Obra nº 7; Galeria do Instituto Brasil-Estados Unidos-IBEU, Rio de Janeiro-RJ; 1985 -Velha Mania: Desenho Brasileiro: Escola de Artes Visuais do Parque Laje, Rio de Janeiro-RJ; 1986 – XXXIX Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, Museu do Estado de Pernambuco- Recife-PE; 1987 -Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo-SP; 1988 – A Mão Afro-Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo-SP; 1991 – 6ª ARTEEXPO, Los Ângelis ,Califórnia,USA; 1993 – Artistas Baianos, Galeria de Arte da TELEMIG, Belo Horizontem; 2001 -Arte-Arte Salvador 450 Anos, Lisboa- Guimarães, Portugal e Macau, China; 2007 – Viva  Cultura Viva do Povo Brasileiro – Museu Afro Brasil, São Paulo-SP; 2011 – Exposição da Coleção Inicial do Acervo do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, Salvador-Ba.

PREMIAÇÕES – Prêmio de Aquisição Fundação cultural do Estado da Bahia; l Salão de verão da Bahia, Salvador-Ba; 1978 – Prêmio Aquisição Fundação Museu Cidade do Salvador, l Encontro de Arte da FUMCISA, Salvador-BA; 1998 – Prêmio COPENE de Cultura e Arte, Salvador-Ba.

 

 

 

 

 

 

 

 


sábado, 29 de junho de 2024

JOSE IGNACIO REVERENCIA A NATUREZA E AS DIVINDADES AFRICANAS

O escultor Jose Ignacio armando 
Iemanjá com seus assistentes.
As obras do artista chile-baiano Jose Ignacio Suarez Solis ou simplesmente Jose Ignacio têm uma pulsação que nos impulsiona ao campo da contemplação e do espanto. Suas pinturas nos encantam pela harmonia das cores e as esculturas algumas pela sensualidade e as mais recentes pelo impacto que causam nas pessoas.Conversarmos sobre sua trajetória artística  e de imediato senti através da sua voz que era uma dessas pessoas que está transbordando energia para criar e gosta de dialogar sobre sua arte. Pode servir de exemplo para alguns artistas não tão talentosos quanto ele e que ficam se esquivando por razões que prefiro não abordar. Quando terminamos a nossa conversa me escreveu uma mensagem que ouso publicar: “Muito obrigado pela visita de hoje. Me senti diante de alguém que queria realmente entender algo a respeito da complexidade que forma parte de um indivíduo que decide contra toda prova em contrário, acreditar na arte como o caminho da redenção do espírito humano! Foi uma Educação. Arq. Ignacio Solis”.

Pinturas em acrilica sobre tela onde o
artista mostra habilidade e criatividade
ao se inspirar  nos bambus que povoam
 o entorno do seu ateliê.

 Não estou diante de um criador aleatório, mas consciente com base no arcabouço intelectual que acumulou através dos anos em suas andanças pelo exterior e sua formação de arquiteto. Seus pais deixaram Cuba na década de 1960 e foram para a cidade de Valparaíso, no Chile, porque seu pai Daniel Solis era engenheiro mecânico e administrador e ficou encarregado de acompanhar a construção de vários hotéis da cadeia Sheraton na América Latina. E foi exatamente no Chile que nasceu em vinte e quatro de novembro de 1967 o Jose Ignacio. Aconteceu que seu pai saiu da empresa do grupo Sheraton e foi trabalhar na Fundação Ford como professor de Economia. Em 1970 a família desembarcou no Brasil passando pelo Rio de Janeiro, São José dos Campos, em São Paulo e finalmente a Bahia onde se estabeleceu. Do Rio de Janeiro tem poucas lembranças apenas que ficava da janela do apartamento no bairro do Botafogo admirando a formação do Pão de Açúcar. Vieram morar na Ladeira da Barra, em Salvador-Ba e quando jovem recorda que pescava e nadava com seus amigos que moravam nos bairros da Barra, Graça e no Corredor da Vitória nas águas que contornam a escarpa que limita todo o trajeto do local. Disse Jose Ignacio que naquele tempo encontrava alguns pescadores profissionais e amadores e poucos que se aventuravam. Hoje o local se transformou num parque público com centenas de pessoas frequentando diariamente nadando, pescando, andando de caiaques, barcos a vela e a motor, de pranchas de Surf Soft board e praticando outros esportes náuticos. 


Todo o seu tempo de estudante foi no Colégio Antônio Vieira, que fica no bairro do Garcia, em Salvador-Ba. Porém, em 1986 decidiu juntamente com seu pai que queria viajar e assim foi morar no estado da Virgínia Ocidental ou West Virginia, nos Estados Unidos, que fica na chamada Costa Leste. É um dos cinquenta estados americanos e foi colonizado pelos britânicos e depois por outros povos que vieram da região do Mar Báltico. Diz a Wikipedia que “A Virgínia se estende desde a Baía de Chesapeake até os Apalaches, com um longo litoral no Oceano Atlântico. Ela é uma das 13 colônias originais, com monumentos históricos como Monticello e a famosa plantação de Charlottesville, do pai fundador Thomas Jefferson. O Assentamento de Jamestown e Colonial Williamsburg são museus de história viva que reencenam a vida das eras colonial e revolucionária.” Disse Jose Ignacio que é o estado mais pobre dos Estados Unidos e lá ele ficou na casa de seu padrinho Miguel Rourra, que era porto-riquenho e trabalhava numa das minas de carvão. Lembra que as pessoas

Ori Guerreira Tamoya, acrílica
sobre tela, de 2022.
andavam ostensivamente armadas e que seus padrinhos eram pobres. Também seu padrinho era de poucas palavras e que esta sua permanência na Virginia lhe serviu muito como aprendizado de vida. Passou por Nova Iorque e Syracuse em 1987. Morou em 1990 em Copenhague e estudou na University of Copenhagen, teve contato com o desenho e a aquarela, começando a produzir jornais de croquis, quando conheceu os costumes e a cultura dos escandinavos, e destacou  que eles valorizam muito o fazer com as mãos. “Todas essas informações que vivenciei por onde passei estão dentro de mim e isto me ajuda a criar as minhas obras. Por exemplo o cuidado que tenho quando estou realizando uma pintura ou escultura e este amor em trabalhar com minhas mãos", disse Jose Ignacio. Em seguida escolheu estudar arquitetura nos Estados Unidos exatamente em Oregon, na Universidade do Estado de Oregon que fica na Costa Oeste. Fez sua primeira exposição em Oregan em 1992, e em 1993  se formou em arquitetura.

“O seu primeiro projeto arquitetônico foi a casa de seus pais na encosta da Baía de Todos os Santos, em 1991. Em 1994, o artista instalouse numa fazenda de café na Chapada Diamantina onde desenvolveu a prática do desenho e da pintura com maior regularidade. Frequentador do ateliê de Carybé, foi influenciado pela prática escultórica envolvendo o uso de ferro batido. Como arquiteto, José Ignacio foi gerente de projetos no setor hoteleiro, realizando diversos trabalhos juntamente com seu pai por toda América Latina o que lhe permitiu o aprimoramento de sua pesquisa e uma maior circulação de sua obra, integrando coleções particulares espalhadas pelos lugares em que habitou. Em 2004 fez residência artística em Helsinki, Finlândia, ressignificando o uso de sua paleta.

 

                                          EXPOSIÇÃO DE PINTURAS

 

Voltou para a Bahia trabalhou com arquitetura desenvolvendo alguns projetos e começou a pintar. Em 2019 fez sua primeira exposição de pintura na Bahia e deu um nome sugestivo “Dentro do Mato na Borda do Mar, no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, em Salvador-Ba com curadoria de Alejandra Muñoz que escreveu "O verde que eu vejo em cores. / Exercício cotidiano da natureza viva dentro de uma Urbis metropolitana brasileira. / Licuris são autóctones. Bambus e coqueiros, não./ Mas minha pele respira essas peles, esses troncos dos quais me aproprio erudita e popularmente./ Mimetismo impresso em grafismos de cores que vibram./ Contemplações de primeira viagem, sempre aspiro o sublime./ De uma touceira de bambus, extraio um espaço eterno./ Extraio esse espaço instantâneo da fugacidade no tempo de nossa existência./ Quero texturas que pulsem e vibrações que desestabilizem./ Busco um ritmo descontrolado de pinceladas, cheio de energia para ir e vir./ O convencional pode ser inquietante e o aleatório, um desafio./ Me permito seduzir por este espaço que quer ser sereno, mas muitas vezes claustrofóbico./ Eu, nômade./ Nessa síntese formal entre planos de luz, troncos e folhagens.”

Falei de nome sugestivo porque o ateliê de Jose Ignacio fica na Vila Brandão

Jose Ignacio com duas esculturas em seu
 ateliê na Vila Brandão, em Salvador-Ba
que é um enclave de moradias localizadas na encosta entre o Largo da Vitória e o Yatch Clube da Bahia. Portanto em plena encosta onde temos uma faixa de densa de vegetação e o mar. Ele me mostrou um jacarandá e um jatobá que plantou e estão vigorosos com mais de três metros de altura e copas frondosas. Quando fui ao seu ateliê o Jose Ignacio me recebeu no Largo da Vitória e seguimos num jipe Suzuki numa verdadeira aventura de poucos minutos. É que para se chegar ao galpão que compõe o seu ateliê temos que percorrer uma pequena estrada com piso de cimento em estrias horizontais para que o carro não patine. É uma ladeira apertada, muito íngreme que lembra àquelas montanhas russas onde as pessoas vão alegres  e no trajeto começam a gritar desesperadas de medo. Confesso que fiquei apreensivo enquanto ele dirigia fazendo curvas fechadas e olhando do meu lado direito a pirambeira que se descortinava a cada curva. Felizmente o trajeto é curto. Só pensava se o carro iria conseguir subir no retorno. Felizmente saímos sãos e salvos. Ufa!

Falando de sua exposição de pinturas Alejandra Muñoz escreveu: “A exposição Dentro do Mato, na Beira do Mar” apresenta uma fartura das telas que contém um processo de desmontagem das formas que conhecemos para instaurar uma dimensão diferente do visível. Fragmentos de coqueiros, licuris e bambus vemos grafismos que podem evocar uma escrita. A sintaxe que resulta do processo da pintura é um texto não verbal. Os ritmos do gesto da pincelada e a composição dos intervalos entre formas podem ser apreendidos como uma partitura de harmonia inaudíveis, uma melodia que apenas o artista em seu fazer escuta, mas que pode nos fazer ouvir nosso interior.”

 

                                        MOSTRANDO SUAS ESCULTURAS

Ori Guerreira na Luz, escultura feita com
 madeira , ferro batido e pedras  do mar .
Na exposição que fez em 2023 também no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal em Salvador intitulado Oris Tupinambás além das esculturas também mostrou algumas pinturas da sua produção recente. Mas com certeza o que causou mais impacto foram as esculturas representando as divindades africanas que são os Oris que ele criou com suas cabeças de pedras coletadas na beira mar da praia que contorna a escarpa do Corredor da Vitória onde tem o seu ateliê. Para fazer as cabeças bastaram alguns troncos de madeira , pequenos cortes nas pedras  e noutras apenas posicionar sobre as velhas engrenagens de máquinas industriais ou domésticas e mesmo de veículos que ele utiliza para dar forma às suas esculturas, cortando, soldando e lixando num trabalho além de criativo que exige também muita disposição física. Disse José Ignácio que este panteão de divindidades é uma homenagem à diáspora afroamericana, da ocupação da etnia Tupi que ocupou a faixa da Mata Atlântica do Maranhão ao Espírito Santo há  dez mil anos atrás. Segundo os arqueólogos e etnógrafos que trabalham com este tema eles tinham a Jaci, deusa  das águas já existia há cerca de quatro mil anos atrás. 

Nesta mostra a Ticiana Lamego escreveu: “Sua linguagem inicial é

Ori Guerreira Tupinambá
feita com madeira,bronze 
e ferro batido, 2018-2023.
bidimensional, a pintura acrílica em tela, observando as matas que resistem na Cidade. Troncos de licuris, folhagens, touceiras de bambus. Organicidade e geometria numa paleta vívida que anseia romper barreiras e transitar por esferas de outros ritmos, por um habitar de outros anos. A vegetação é tema constante para o artista e ela surge aqui como elemento de ressignificação. Introduzindo agora a figura humana com marcante protagonismo, suas pinturas anunciam um ato antropofágico em que, por fim, a carne vira mata e a mata vira carne. Homem-e-mata e mata-e-homem se tornam parte de um mesmo corpo. Ainda que a sua relação com a história e a memória se dê de forma rigorosa, Jose Ignacio anseia um diálogo aberto o suficiente no sentido de honrar uma existência e ao mesmo tempo rematerializar outras permanências. Um cacique tupinambá, uma guerreira goitacá, uma chac-mool Maya. Qualquer distância entre eles deixa de fazer sentido. Todos habitam o universo onírico de Jose Ignacio.”

Voltando a trajetória artística de Jose Ignacio depois das pinturas ele desembarcou no mundo da escultura e sua primeira experiência foi criar um panteão com a representação das entidades que ocupou todo o continente sul americano o Ori, que é uma palavra do Yoruba que significa cabeça, o espírito, a sabedoria. Daí ele fez suas esculturas compostas de peças que  consegue nos ferros velhos da Cidade. Disse com orgulho que conhece todos os ferros velhos e vai procurando e separando as coisas que lhes interessam. Enquanto as cabeças foram feitas deste grupo de esculturas com pedras que  recolhe na praia que fica na borda da encosta. São esculturas muito pesadas e quando visitei a sua última exposição no ano passado em companhia do professor da Faculdade de Arquitetura, da Universidade Federal da Bahia, Marcelo Silva, ficamos intrigados como o Jose Ignacio conseguiu colocar nas salas àquelas esculturas que tinham algumas que pesavam mais de uma tonelada. Foi quando a indagar durante a entrevista como ele conseguia transportar suas esculturas pesadas do ateliê para o local da exposição ou mesmo para entregar ao

Pinturas do artista dos Oris africanos. .
colecionador o artista revelou   que as peças são encaixadas de tal forma que podem ser removidas e recolocadas como um jogo de armar. Para evitar que ocorra alguma mudança o Jose Ignacio costuma desenhar suas esculturas e assim vai seguindo um script. Outras vezes ele confia na sua intuição criativa, no seu olhar e vai armando peça por peça de acordo com sua visão estética. Presenciei ele e seus assistentes terminando de armar uma escultura de madeira e ferro que ele denominou de Iemanjá. A obra   tem numa das extremidades um pedaço de tronco de madeira que lembra a cauda da Rainha do Mar e mede mais de dois metros de altura. Para armar é um verdadeiro quebra cabeça porque tudo tem que estar ajustado como imaginou o artista. Ele me disse que está trabalhando com esta escultura há quase um ano até chegar neste ponto que presenciei.

Falando de sua rotina de trabalho artístico disse que  todos os dias levanta cedo e vai para seu ateliê. Cada vez mais está se dedicando às suas esculturas, mas que recebeu recentemente uma proposta para trabalhar no Paraguai gerenciando a obra de um complexo hoteleiro que será construído e ele decidiu  passar uma temporada no país vizinho. De repente volta a falar de como é envolvente o trabalho escultórico e que este envolvimento intelectual também exige muitas vezes esforço físico. É verdade, o Jose Ignacio é um homem alto e forte e vi o esforço que empreendia para manipular e encaixar as pesadas peças de ferro em sua Iemanjá. Assisti até o momento que foi colocada a cabeça, que é uma peça de ferro arredondada. Ficaram faltando alguns ajustes, a limpeza e o lixamento de algumas peças que compõem a escultura.

Ao fundo a obra que fez inspirado na Divina
Comédia, de Dante Alighieri.
Durante nossa conversa ele falou algumas vezes sobre uma pintura que fez e está logo atrás de sua mesa no ateliê que representa os juizes da Cúria Romana que julgaram com severidade o Dante Alighieri  exilando e confiscando os bens do autor da famosa Divina Comédia. O Jose Ignacio disse que foi ler a obra e ficou encantando porque com poucas palavras o autor deu personalidade e vida aos seus algozes. Foi então que pintou o quadro em vermelho lembrando da cor do Inferno que a obra épica trata através de seus versos  rimados. É uma obra famosa da literatura universal de fantasia escrita no início do século XIV que trata das vissistudes do ser humano.

Falando do mercado adiantou que o mercado baiano não o recebeu bem até agora, mas que tem conseguido vender suas obras para o sul do país, principalmente para o mercado paulista graças às postagens que faz nas redes sociais. Mantém contatos com colegas arquitetos que indicam suas obras para seus clientes. Disse que a maioria dos colecionadores é composta

Escultura Almira feita de madeira,
pedra do mar e ferro.2022-2023.
de pessoas jovens que ascenderam intelectualmente e financeiramente e assim entendem e apreciam a sua arte. Geralmente eles têm casas na Bahia, e gostam de manter contato direto com o artista e também conseguem estabelecer  uma empatia e até com isto conseguem comprar por um preço mais acessível, justo.

Quando lhe perguntei como se sente diante da reação das pessoas ao olhar uma de suas esculturas que não têm normalmente uma forma conhecida e não são facilmente palatáveis por leigos. Ele contou que fica feliz quando vê pessoas espantadas diante uma de suas obras. “Eles dizem: Ignacio não estou entendendo nada! O que é isto? E completam geralmente dizendo que estão gostando. Este espanto e essas indagações dos espectadores lhes deixam satisfeito. Explicou  que não se trata de medo, e sim de espanto e que isto é fruto do impacto que as suas esculturas causam nas pessoas. Isto para ele é muito salutar porque mexeu com a sensibilidade das pessoas e assim este questionamento tende a causar interesse pela obra de arte.

 


                             EXPOSIÇÕES


 

INDIVIDUAIS: 2023 – Caixa Cultural Salvador, Bahia; 2019 – Caixa Cultural Salvador, Bahia ; 2006 – Galeria Norton Helsinki, Finlândia ; 2004 – Galeria Art &Design Helsinki, Finlândia; 2003 – Sala de Arte Bahiano, Salvador Bahia e em 1998- Galeria ACBEU, Salvador-Bahia
COLETIVAS - 2023 – Galeria Pivô; 2004 – Galeria Art &Design Helsinki,Finlandia;2002- Bienal do Recôncavo, São Felix, Bahia ;2000- Salão Regional de Artes Plásticas de Porto Seguro; 1999- Associação Latino Americana, Pelourinho, Salvador, BA ; 1997- Bienal do Recôncavo, São Felix, Bahia;1996- Universidade Católica de Santiago, Chile; 1992- Universidade do Oregon, USA. Ao lado Escultura Ori Guerreira Tupinandacaru II,madeira pedra do mar e chapa de zinco. 2019-2023.