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segunda-feira, 20 de julho de 2026

MAAZO HECK EXPÕE "TUDO SOBRE MIM" EM SÃO PAULO

 

Maazo Heck com uma obra .
O artista visual  Maazo Heck exporá a partir do próximo dia vinte e três no Espaço República, na Avenida São Luiz, 86, no 5º andar, no Centro de São Paulo suas novas obras com o título  Tudo Sobre Mim. Ele apresentará vinte e cinco pinturas inéditas que produziu nos últimos cinco anos e marca a sua primeira mostra individual na capital paulista. A temática gira em torno da falta de humanidade nas grandes cidades e a sensação de impotência que sentem as pessoas, principalmente as mais sensíveis. Como parte da programação os organizadores informam que o público poderá participar de duas atividades gratuitas conduzidas pelo artista Maazo Heck e pela curadora da mostra Michaela A F.

A primeira atividade será no dia vinte e cinco de julho a partir das quinze horas com uma demonstração prática de pintura ao vivo, seguida de uma conversa sobre o seu processo criativo, a pesquisa artística e os conceitos que permeiam a exposição. No dia primeiro de agosto, também a partir das quinze horas os visitantes acompanharão uma visita guiada com o artista e a curadora que falarão sobre os detalhes das obras, a simbologia presente e os caminhos que resultaram nesta mostra.

                                                           FIGURAÇÃO / ABSTRAÇÃO

Maazo durante a montagem de
sua exposição.
As pinturas expostas vão desde a figuração até a abstração. Depois das dobras que o
Maazo já nos apresentou anteriormente, agora ele vem com corpos parcialmente ocultos por tecidos dividindo espaço com imagens que se aproximam de símbolos, criando composições de forte impacto visual em que as dobras, os volumes e as formas assumem o protagonismo. Lembram das pinturas hiper-realistas que o Maazo Heck fazia aqui em Salvador pintando lindas formas de mulheres envolvidas por cores que nos remetiam ao sublime, a poética da feminilidade?

Dizem os organizadores que “o título Tudo Sobre Mim carrega uma ironia. Embora a série tenha origem nas inquietações pessoais do artista, as pinturas não propõem uma narrativa autobiográfica." A série nasceu de sua angústia e a falta de humanidade. Ele diz conviver diariamente com cenas que lhe atravessam e permanecem com ele. A pintura foi a forma que encontrou “de transformar esses incômodos em reflexão”. Ele é paulista de nascimento, mas morou muitos anos em Salvador e se graduou pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, em Artes Plásticas. Disse ainda o Maazo que “uma exposição sempre muda quando sai do ateliê e encontra o público e que é neste momento que o trabalho ganha dimensão.” Sua expectativa é que as pessoas percorram esse caminho com ele e construam suas próprias interpretações.

terça-feira, 14 de julho de 2026

SEMANA MOVIMENTADA NAS ARTES VISUAIS

 EXPOSIÇÃO MANTOS ENTRELAÇADOS NA CAÑIZARES

Luciana Valio
trabalhando.

A artista Luciana Valio vai expor a partir do próximo dia dezessete na Galeria Cañizares , em Salvador, uma série de trabalhos em homenagem a professora e artista visual Viga Gordilho, que também faz a curadoria da exposição que tem o nome sugestivo de Mantos Entrelaçados. Está prevista que no dia da abertura por volta das dezoito horas uma performance com as obras expostas. Informam as artistas que a exposição é resultado de uma pesquisa desenvolvida durante o estágio de pós-doutorado realizado em 2025 no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escolas de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – EBA.  As obras são resultado de experiências que a artista vivenciou na Bahia e no Rio Grande do Sul “buscando construir uma etnografia própria reconhecendo seu chão a partir do encontro com o outro. Nesses percursos, territórios e materialidade entrelaçam-se, orientando as escolhas das técnicas têxteis entendidas como portadoras dos sabores ancestrais de cada lugar”.

Serão expostos mantos, cestos e outros objetos artísticos produzidos a partir do encontro com diferentes paisagens, saberes e materiais encontrados ao longo da pesquisa entre palhas, areia, folhas, ervas, flores e até cera de abelha. Certamente diz a artista cada um dos elementos traz consigo memórias, modos de fazer e relações de cuidado. “O ato de tramar, presente em toda a exposição, ultrapassa a dimensão técnica para afirmar-se como gesto de permanência, resistência e construção coletiva. Um gesto inscrito no corpo performa a ação cotidiana do trançado, envolvido com a vida comum”. A mostra homenageia Viga Gordilho por meio da obra Alloro, também dedicada a todas as mulheres silenciadas.

A Luciana Valio é uma artista visual, pesquisadora e professora universitária. Ela investiga as relações entre a arte têxtil, corpo, território, materialidade e saberes ancestrais, desenvolvendo trabalhos que articulam práticas artísticas, pesquisa e extensão em diálogo com as comunidades artesãs de diferentes lugares. Ela é paulista onde nasceu em 1978, vive entre Campinas, no interior de São Paulo e no Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul. Desde 2016 que vem trabalhando fundindo a arte e a natureza utilizando têxteis e os fazeres manuais. Suas performances mostram a conexão entre Corpo, natureza e o mundo espiritual (Cosmos).

A professora, artista visual e curadora Viga Gordilho escreveu que o Manto Alloro “é o silêncio transformado em trama coletiva”. O surgimento dessa escultura têxtil surgiu há muitos anos, quando ela conheceu a escultura de Bernini, sobre o mito de Dafne, perseguida por Apolo, ela é transformada por seu pai em um loureiro. Este mito nunca teria saído do seu imaginário  e Viga confessa que sempre teve uma grande vontade de fazer algo a respeito do silêncio feminino.  A escultura Apolo e Dafne encontra-se na Galleria Borghese, em Roma, e retrata o exato momento em que a ninfa se transforma num loureiro para fugir do deus Apolo. A obra é famosa por seu realismo e foi feita pelo escultor Gian Lorenzo Bernini entre os anos 1622 e 1625. A escultura impressiona a todos que tem a oportunidade de vê-la de perto por seu realismo extremo , onde o mármore parece ter movimento e leveza. Ao lado Viga Gordilho com seu manto.


         CAETANO DIAS LANÇA LIVRO ÁGUA BRUSCA

O artista visual  Caetano Dias que é pintor, escultor, cineasta e escritor  lançará no próximo dia  18, às 10.30 horas, na Paulo Darzé Galeria , no Corredor da Vitória, em Salvador,  o seu livro Água Brusca ,com  quatrocentas páginas, onde  através de um

conto discorre sobre a importância da rabeca, este instrumento musical rudimentar que ainda é fabricado e muito utilizado nas manifestações populares especialmente nas comunidades rurais. Este instrumento de cordas friccionadas é chamado de pai do violino e chegou à Europa trazida pelos árabes e depois ao Brasil pelos colonizadores portugueses. A rabeca se popularizou no Brasil na música popular e no folclore, sendo ainda tocada no Nordeste , nos fandangos caiçaras e em festas populares como bumba-meu-boi. O livro de Caetano Dias contém poemas, contos além  muitas ilustrações e fotografias de Eliezer Bezerra e Márcio Lima, dentre outros . Disse o artista que o livro é quase uma novela e traz este universo mítico que ele vem se dedicando há algumas décadas . Inicialmente fez um longa  metragem  A Rabeca , que recebeu alguns prêmios em festivais de cinema . Fez também Caboré de Sangue, um  curta-metragem sobre um boiadeiro que atravessa o sertão de Canudos e faz uma passagem através de rituais. O protagonista recolhe vestígios da Guerra de Canudos   forja um Alfabeto Sinestésico e reescreve a memória do massacre. Ele fez também uma ligação entre a Rabeca e a Guerra de Canudos. Todos constam do livro.

Obra do autor inserida no livro.
A trama principal do livro se desenvolve no Raso da Catarina, uma região inóspita e de grande beleza natural, onde costumava se homiziar o bando de Lampião quando era muito perseguido pelas volantes . Disse o autor que tem o personagem principal do conto que é o Cândido e também um deus africano incógnito que teria sido capturado na África e traficado para cá sem seus algozes saberem de quem se tratava. Já o  nome Água Brusca  teria se inspirado num pequeno rio seco, tão comum nas regiões áridas nos chamados pequenos rios e riachos temporários cujas águas são revoltosas e abundantes no período chuvoso e  na estiagem, especialmente durante o verão, ficam mostrando o seu leito, e com as ventanias e redemoinhos se transformam em pequenas tempestades de areia e poeira. Vemos que  é um caleidoscópio de imagens e  situações criadas pela fértil imaginação do autor, sempre com uma pitada de espiritualidade e misticismo.


sábado, 11 de julho de 2026

GERALDO BONELLI UM ARTISTA SINGULAR NA VIDA E NA ARTE

O artista Geraldo Bonelli  pintando
em sua casa no bairro de Nazaré.

O artista Geraldo Bonelli Borges,   assina suas obras como Geraldo Bonelli é desenhista, ilustrador e pintor. Graduado em Direito, mas a arte o trouxe para a EBA onde também se graduou em Artes Plásticas e passou a frequentar a escola como se fosse sua segunda casa. Lá trabalhou como monitor das aulas de Desenho dos professores Riolan Coutinho, Juarez Paraíso e Márcia Magno, e fazia os trabalhos de sinalização, cartazes para exposições da Galeria Cañizares, faixas e outros serviços de ilustração. Tinha um local no chamado Porão, na Galeria Cañizares, que era um pequeno espaço onde construiu o seu mundo. Bonelli, como é carinhosamente chamado por professores e alunos é um artista singular, que tem uma produção calcada na pureza, na singeleza e até na ingenuidade com que pinta as figuras humanas de suas composições. Elas sempre estão caminhando em verdes estradas, contemplando o mar ou uma cena rural, namorando, dançando e até mesmo flutuando sobre o mar, perto da Lua. Ele me disse que procura pintar como se estivesse fazendo uma poesia. É exatamente neste ambiente poético, lírico, onírico e quase surreal que surgem essas figuras criadas por Bonelli, sempre magras lembrando ilustrações de poemas ou contos da literatura universal. As cores que identificam também as suas obras são quase sempre verdes, azuis e amarelos atenuados as quais  contribuem para criar esta ambientação poética. A própria vida simplória que escolheu para trilhar se encaixa perfeitamente com sua arte. Uma vida e uma arte singulares.

Vejam a singeleza e o ambiente de ingenuidade
em que as figuras humanas estão inseridas
 nas pinturas do Bonelli.
Juntamente com seu amigo Duda - que se notabilizou como impressor e por suas  gravuras, o qual já o entrevistei e publiquei um texto que está disponível nesta coluna desde março de 2023 - a dupla transformou as instalações da EBA em uma espécie de segunda casa. Viviam por lá diariamente envolvidos com a gravura, pintura e fazendo alguns serviços. Hoje com as idades avançadas e limitações de locomoção e outros problemas de saúde não têm se encontrado. 

Disse o Geraldo Bonelli que até conseguiu o número de um telefone atribuído ao amigo Duda e fez algumas ligações na tentativa de falar com ele, mas infelizmente ainda não conseguiu. O artista Geraldo Bonelli participou juntamente com seu amigo de várias Feiras de Arte que foram criadas pela professora Márcia Magno e que fizeram sucesso na época. Ele participou em 1991 do 1º Leilão de Arte da Escola de Belas Artes da UFBA; em 1993 expõe individualmente na Galeria Cañizares; Em 1994 da I Bienal Internacional Afro-Americana de Cultura , em Salvador e  outro registro sobre o artista  encontra-se  na Enciclopédia Itaú, onde está registrado que  expôs no mesmo ano na II Bienal do Recôncavo em São Félix, na Bahia. Em 2007 participou com seu amigo

A dupla na exposição,1994.
Duda de uma exposição na Galeria Cañizares intitulado a Duda & Bonelli – Mares e Bares; ganhou o prêmio de ilustrador no concurso Ilustre o Poema, promovido pelo jornal A Tarde e a EBA para ilustrar o poema O Garimpeiro da poetisa Nildéia Andrade, quando recebeu cinco mil cruzeiros, dinheiro da época. Foi Artista em Destaque em 2008 promovido pela EBA também de algumas exposições promovidas pela Marinha do Brasil, na data em que se comemorara o Dia do Marinheiro no chamado Salão da Bahia Marinhas . Chegou até a tirar o primeiro lugar em 2010 com a obra Mares e Bares na Festa de Iemanjá,  na sua VIII Edição, e algumas menções honrosas em outras mostras coletivas. 
Pintou juntamente com Juarez Paraíso, Renato Viana, Márcia Magno e mais outros  , num total de vinte e nove artistas, um painel no Cine Glauber Rocha quando  retratou alguns ícones da cinematografia internacional, especialmente de Hollywood, sentados como estivessem assistindo um filme na sala de projeção. Este projeto fez parte da   XVIII Jornada Internacional de Cinema da Bahia ocorreu em setembro de 1991, em Salvador, sendo um marco histórico para os festivais de documentários e produções de caráter social e político no país

Quatro obras em acrílica sobre tela atestam
a pintura  poética singular do Bonelli.
Depois de trabalhar como monitor dos professores Riolan Coutinho, Juarez Paraíso e Márcia Magno, ficou realizando pequenos serviços por alguns anos.  Revelou que se tornou funcionário efetivo num desses “trens da alegria”, que de vez em quando acontece na administração pública em nosso país.
Outra curiosidade é que ele mora na Travessa Padre Miguelinho, que fica nos fundos do Hospital Ramiro de Oliveira, localizado no Campo da Pólvora. Quase ninguém nota e poucos conhecem esta Travessa  onde não passa carro. O Padre Miguelinho foi um revolucionário brasileiro conhecido por sua atuação na Revolução Pernambucana. Batizado  Miguel Joaquim de Almeida e Castro  , nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte em 17 de setembro de 1768  . Foi arcabuzado em  Salvador, 12 de junho de 1817, no Campo da Pólvora, acusado de lesa-majestade. Ele tinha desembarcado aqui com outros revoltosos que também foram castigados.

                                     TRAJETÓRIA

O desenhista, ilustrador e pintor Geraldo Bonelli Borges nasceu na cidade de Itabuna, na Bahia, em dez de abril de 1950. Cursou o primário da Escola Luso Brasileiro e o ginasial e colegial no Colégio Estadual de Itabuna. Seu pai Abel Vital Borges era dentista a sua mãe Maria Angelina Bonelli professora de piano.
Geraldo Bonelli , sem camisa, pintando no
andaime no Cine Glauber Rocha.

Pouco tempo antes da grande enchente que ocorreu em Itabuna a família se transferiu para Salvador.Disse que perdeu  nesta enchente muitos desenhos que produziu durante a sua juventude . Isto foi no ano de 1967 e foram morar na Avenida Dom João VI, no bairro de Brotas. Depois se transferiram para a casa onde morou com seus avós na Travessa Miguelinho, no bairro de Nazaré onde Bonelli reside até hoje. Ele chegou também a passar uns tempos com os avós paternos no bairro da Ribeira. Fez vestibular para Direito em 1971 sendo aprovado e cursou até ser graduado em 1976, mas nunca exerceu a profissão de advogado. Desde jovem que gostava de desenhar e a arte foi lhe conduzindo até que decidiu fazer o vestibular para a Escola de Belas Artes em 1980. Como tinha facilidade em desenhar trabalhou como monitor de desenhos com os professor Riolan Coutinho, Juarez Paraíso e Márcia Magno. Como sempre foi boêmio muitas vezes ao término das aulas acompanhava o professor Riolan Coutinho em suas investidas pelos bares que funcionavam no entorno da Escola de Belas Artes.  Lembrou que concluiu  o curso na EBA com três anos e meio, em 1983. Não fez a disciplina Educação Física porque já tinha mais de trinta anos, e por isto foi dispensado.  Em 1987 conseguiu se efetivar e continuou trabalhando até 2024,  quando foi aposentado por tempo de serviço.

Bonelli esperando visitantes numa das feiras 
que participou na EBA, com um cigarro
nas mãos. Fumou por décadas.
 Quando fez sua  exposição na EBA em 1993 escreveu  professora, escultora e pintora Márcia Magno :  “Geraldo Bonelli Borges ou simplesmente Bonelli expõe pela primeira vez os seus trabalhos no Painel – Artista em Destaque da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Trata-se de um verdadeiro artista que sem dúvida merece um destaque especial, independentemente de ser uma das pessoas mais populares e queridas da Escola de Belas Artes Bonelli com seu temperamento gentil, boêmio e tranquilo conseguiu conquistas todos os professores, funcionários e alunos transformando a Escola de Belas Artes na sua casa e o “Porão” no seu atelier de trabalho. É lá que Bonelli desenha, “pinta e borda.” É onde esconde a sua coleção de telas :é o seu mundo. Ele é admirado por todos que passam a conhecer a sua integridade percebem nos seus trabalhos uma autêntica linguagem plástica pessoal e de grande espontaneidade. Formado em Direito pela UFBA e posteriormente em Artes Plásticas, Bonelli e exerce com habilidade a linguagem verbal e a linguagem pictórica. A obra de Geraldo Bonelli é fruto da persistência e do talento e nela a cada momento, descobre-se algo inédito e curioso. Seus personagens, altamente estilizados transformam-se em figuras lânguidas numa sequência de formas e movimentos dando a impressão de estórias sequenciadas, bem solucionados pelo grande desenhistas e caricaturista que é.

Obra de Bonelli  premiada no Salão Bahia
Marinhas  na sua VIII Edição, em 2010
.
O tema abordado atinge a todos de uma forma bastante particular, refletindo momentos singulares de nossa vida, num ambiente melancólico, onde o sonho e a magia são contagiantes e construtores de uma atmosfera surrealista. Bonelli usa tons pálidos e seus azuis e verdes conferem aos trabalhos uma certa sobriedade e indagação, sendo significativos o contraste e a leveza dos seus personagens. Suas composições são expressivas e sempre caracterizadas por uma diversidade de situações inusitadas. Bonelli domina o pincel e o lápis com a mesma facilidade. É como se fosse uma extensão do seu próprio corpo. É um exemplo típico da vocação artística, de dedicação que revela e materializa o talento.”

COLUNA ARTES VISUAIS - No dia catorze de setembro do mesmo ano publiquei na minha coluna Artes Visuais um pequeno texto que agora transcrevo:” Geraldo Bonelli na Cañizares: Desde o último dia 9, a Galeria Cañizares está expondo pinturas do artista plástica Geraldo Bonelli, permanecendo aberta até o próximo dia 30. Nascido em Itabuna, Bonelli diplomou-se em Direito e em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia. Suas telas retratam momentos singulares da vida num ambiente melancólico onde o sonho e a magia envolvem seus personagens de uma forma quase surrealista. Sua característica essencial é o constante movimento dado à figura humana, suas posturas, emoções e seus dias após noites envolvidas numa atmosfera essencialmente boêmia, lírica e romântica. Geraldo

Obra feita com hidrocor em 1971 ,quando 
na época havia uma onda psicodélica.
Bonelli utiliza tons pálidos e os azuis e verdes confere, certa sobriedade a esses momentos.

HERBERT MAGALHÃES – Também o então professor da EBA Herbert Magalhães escreveu e publicou um texto com uma entrevista de  perguntas e respostas. O recorte guardado pelo artista não traz a data precisa com o título "Bonelli, Com Certeza! Ele é mais do que conhecido na Escola de Belas Artes. Difícil não o encontrar lá dentro, ocupado em algumas tarefas. Igualmente difícil é vê-lo mal-humorado ou desanimado. Refiro-me naturalmente a Geraldo Bonelli Borges ou apenas Bonelli. Quem o vê na simplicidade de suas atitudes, e na sua modéstia, não diz que ele é bacharel em Direito, mas que o destino o fez trilhar os caminhos da arte. Fui encontra-lo no seu cantinho, um pequeno espaço no porão da Galeria Cañizares, pintando um cartaz para a Escola, pois lá ele é o responsável pela realização de cartazes, sinalizações, faixas etc." A seguir vem as oito perguntas e as respostas do Bonelli que não transcrevo por limitação do espaço.