ARTES VISUAIS Reynivaldo Brito

Este blog se propõe a divulgar o movimento de artes visuais na Bahia, no país, e o que acontecer de significativo no exterior.Também resgatará matérias e críticas que escrevi durante mais de três décadas. Espero contar com a participação de artistas, galeristas e promotores de eventos de artes visuais informando de exposições e outros eventos. Contato britoreynivaldo@gmail.com Se você quiser trocar sua foto por uma colorida é só enviar por e-mail.

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quarta-feira, 20 de março de 2019

BAIANOS E ALEMÃES EXPÕEM NO MUSEU DE ARTE DA BAHIA

Uma imagem da abertura da exposição BerlinBahia. Espero
que o Governo do Estado procure dotar o Museu de Arte da
Bahia de ar condicionado em suas salas de exposições.
Foi uma noite alegre e importante para a arte da Bahia a abertura da exposição BerlinBahia que reúne artistas baianos e alemães. Este projeto objetiva documentar o desenvolvimento de relações criativas em uma série de exposições no Brasil e na Europa. É uma iniciativa aberta, e a primeira mostra aconteceu na Galerie Alte Schule, em Berlim.
O historiador de cultura e musicólogo Tiago de Oliveira Pinto aplica o conceito de afinidade ao intercâmbio: "A transferência cultural , para ter êxito, necessita de referências em comum. Tais afinidades culturais surgem inesperadas. Também, podem ser rastreadas intencionalmente ou ser construídas sistematicamente .Todo intercâmbio cultural confia em afinidades. Visto assim, a globalização é o maior entreposto para trocar elementos afins".
Hoje, com a facilidade de comunicação, inclusive das redes sociais  e da mobilidade social esta interação existe com mais intensidade. Lembro que aqui desembarcou o Hansen que depois até adotou o nome de Hansen Bahia, optando por morar  e depois em Cachoeira , onde faleceu. Ele trouxe sua técnica da Alemanha e  criou seu universo influenciado pela cultura baiana com obras em xilogravura que são referência em todo o mundo.
O Almandrade contente com a receptividade
às suas obras
Vou começar a falar sobre os nossos artistas. Encontrei o Almandrade - Antônio Luiz Morais de Andrade .Artista e arquiteto , suas obras já expostas  em vários estados e no exterior trazem a marca da arquitetura com seus traços e espaços bem definidos, que nos levam a pensar. Almandrade já fez várias performances e sua obra tem uma unidade , clareza e a limpidez  e estrutura  arquitetônica.
Já o Bel Borba apresenta alguns óleos sobre tela . Bel é conhecido por suas intervenções urbanas em Salvador e outras cidades. Escultor, pintor, gravador, muralista e intervencionista urbano o Bel é o exemplo do artista inquieto que sempre enxerga uma possibilidade de mostrar a sua arte.
Caetano Dias - Alberto Caetano Dias Rodrigues começou pintando seus quadros a óleo e atualmente trabalha com vídeo, pintura, obras tridimensionais e fotografia digital. Artista multimídia realizou em 1988 a performance "Hormônios de uma Cidade", no teatro ACBEU, e assina a pintura mural na praça de Oxum no Terreiro da Casa Branca.
Sérgio Rabinovitz tendo ao lado sua obra
Galo de Briga, uma das que me 
agradou na exposição
.
O artista Sergio Rabinovitz é desenhista, gravador, fotógrafo, pintor e ilustrador e desde 1970 trabalha com arte, sendo  ex-aluno de Calasans Neto, o nosso saudoso Calá. Estudou arte em Nova York , durante dois anos e realizou sua primeira mostra na Galeria Acbeu , em 1975. Uma das obras mais representativas da mostra acredito ser a tela "Galo de Briga", de sua autoria.
Escultura de Hans
Scheib "A poeta"
Finalmente, o cineasta e artista plástico Walter Lima  participa da mostra com algumas telas. Ele estudou pintura com Ivan Serpa, no MAM do Rio de Janeiro e cinema com Walter da Silveira, este grande incentivador do cinema na Bahia. Walter Lima criou o movimento artístico de vanguarda "Delirismo" conceito que vem realizando nos seus trabalhos de cinema e pintura.
Entre os alemães destaca-se o escultor Hans Scheib  ,nascido em Postdam, é graduado em pintura pela Academia de Belas Artes de Dresden. em 1976 foi morar em Berlin e já fez exposições em vários países, inclusive na China. Suas esculturas em madeira mostram um traço quase ingênuo, e lembra escultores que trabalham com madeira em nosso país. Me chamou a atenção a escultura "A Poeta", com seus olhos vivos a nos observar.
Também, as obras de Volker Henze, valem ser vistas com parcimônia. Natural da ex-Alemanha oriental, também estudou em Dresden e realizou exposições em vários países europeus. A vídeo instalação de Volker está numa sala separada. O que notei é que as pessoas ficavam pouco tempo nesta sala devido ao calor insuportável. Aliás, é um ponto negativo e inconcebível que  Museu de Arte da Bahia, ainda não tenha ar condicionado nas salas de suas exposições.  O governo do Estado precisa voltar os  olhos para os museus baianos.
"Visão de Mundo", é a vídeo instalação do
artista alemão Volker Hense. Vale a pena ver
 Expõem ainda Reinhard Stangel com suas telas em óleo sobre tela .Também nasceu na Alemanha Oriental e mora em Berlin. Já Strawalde é artista plástico e cineasta expõe óleo sobre tela. Finalmente, a paulista Cristina Barroso , que estudou em São Francisco, na Califórnia e desde 1988 mora em Stuttgart , na Alemanha.

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sexta-feira, 15 de março de 2019

SEPULTADO O ARTISTA JOSÉ ARTHUR

Obra de Zé Arthur que me
 presenteou há muitos anos
Mais um pintor baiano que nos deixa . Trata-se de José Arthur uma pessoa que tinha por
característica a gentileza. Um batalhador incansável sempre procurando mostrar sua arte, nesta terra sem memória,onde as pessoas talentosas são esquecidas em pouco tempo . Ele tinha um grande talento, e sempre aparecia na redação do jornal A Tarde , onde trabalhei por mais de trinta anos , todas às vezes que ia fazer uma nova exposição ou mesmo quando encontrava novas formas de criação. 
Depois que me afastei da redação, o encontrei algumas vezes , e percebi que ele havia sumido das vernissages de outros colegas de sua profissão. Ontem, através da artista Anna Georgina, da Panorama Galeria de Arte, soube do seu falecimento , e hoje, às 11 horas , compareci ao Jardim da Saudade para dar-lhe o último adeus. Confesso que fiquei emocionado e triste com o desaparecimento precoce de Zé Arthur. Ele não tinha alcançado a casa dos 70 anos, e da última vez que estivemos juntos me  pareceu bem saudável , levando sua arte com muito prazer. 
Lembro de seu belo mural que criou para o então Aeroporto Dois de Julho, hoje, Aeroporto  Luiz Eduardo Magalhães , com motivos da cultura popular. Também, me veio à memória as reportagens de capa da revista do Centro Industrial de Aratu, o Cia, onde ele trabalhou no período áureo deste centro industrial, atualmente  quase esquecido pela  administração estadual. 
Fui  pesquisar neste nosso blog  e  encontrei várias matérias e registros de sua atuação como artista plástico, entre as quais esta datada de 9 de junho de 1992, que republico em homenagem à sua memória. Vejam.


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quarta-feira, 13 de março de 2019

COMO A CULTURA É ADMINISTRADA NA BAHIA

O Solar do Unhão, onde funciona o Mam-Ba , um dos mais belos
conjuntos arquitetônicos do país  corre sério  risco de incêndio.
Defendo que o mérito deve ser o principal critério para a escolha de alguém como administrador (a) de um órgão público. Escolher um gestor porque é negro, branco, amarelo, até mesmo por ser gay ou mulher é um demérito inclusive para quem é designado(a). Mas, na Bahia este critério esdrúxulo tem prevalecido, seguindo a cartilha retrógrada da esquerda.
Antes, a esquerda condenava  as indicações feitas por políticos , que colocavam pessoas sem qualquer condições como gestores. Era o tal QI ou seja, valia Quem Indicou. Ao assumir o poder a esquerda trocou o QI pelo critério da cor da pele ou do gênero. Assim, este critério  continua prevalecendo, e o que vemos são administrações desastrosas, como já constatamos na Secretaria da Cultura, dentre vários outros órgãos. Vou me fixar nesta pasta porquê quero falar da exoneração do artista Zivé Gíudice que vinha fazendo um trabalho razoável à frente do  Museu de Arte Moderna da Bahia - Mam-Ba. Digo razoável, porque presenciei algumas vezes a total falta de recursos para empreender um trabalho digno de elogio. 
O píer antes usado por  turistas para
visitar o museu está interditado
.
Os museus e outras instituições culturais na Bahia estão carentes de tudo,evidente que a ideologia dos atuais  dirigentes despreza  a arte que chamam de tradicional ou mainstrain, e apoiam performances semelhantes àquelas da peça "Macaquinhos"; do homem nu sendo apalpado por criancinhas apresentada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, chamada de "La Bête" ou a exposição que foi montada no Instituto Goethe, em Salvador,  sobre o ânus,  patrocinada pelo Governo do Estado. É a desconstrução, e a tentativa de nivelar tudo por baixo. 
O MAM-Ba está localizado num prédio tombado pelo Patrimônio Histórico, que é o belíssimo Solar do Unhão. Lá foi iniciada uma pequena reforma e a construção de uma subestação de eletricidade há cerca de 6 anos . Até hoje está lá sem ser concluída,colocando em risco àquele patrimônio arquitetônico tão importante para o Bahia e o Brasil.
Este barracão da subestação tem seis anos ,e representa
risco de incêndio para  todo o conjunto do Solar do Unhão.
Este patrimônio pode ser consumido pelo fogo de uma hora para outra. A obra está paralisada porquê o Governo do Estado não pagou a empreiteira.
Zivé conduzia o museu com dignidade, e de quando em vez  batia de frente com  tentativas de apresentar determinadas "atrações" que não mereciam e nem merecem ocupar aquele espaço. Contava com a assessoria de outros colegas, também artistas plásticos . Resultando na segunda queda do Zivé . Não recebeu um real para um novo projeto. O MAM-Ba vive à míngua.
Conheço o Zivé há muitos anos. Sei do seu temperamento italiano, e de sua fácil verbalização em defesa de algo que acredita. Com sua saída perdem os artistas e a cultura da Bahia. 
Ele fez uma longa Carta Inventário que publico na íntegra para ficar aqui registrada como um documento a ser visto por quem se propor a ler ou pesquisar no futuro.

O artista Zivé Gíudice

Carta Inventário :

( MAM, o mais importante equipamento de cultura do estado da Bahia)

O tempo é implacável, e tão implacável quanto o tempo é a experiência pessoal, íntima, que ele torna possível. Como ela, não há como nos escondermos em subterfúgios e, por causa dela, somos colocados frente a frente com o que somos. Talvez até aqui não consigam intuir o propósito desse texto, mas, se eu não fracassar na exposição dos motivos que me fazem escrevê-lo, tudo ficará em seu devido lugar.

Da primeira vez que fui exonerado do cargo de Diretor do MAM, Museu de Arte Moderna – BA, elaborei um documento em que relatava, com tom enérgico, as causas de meu desligamento. O texto, mirando o nervo, acertou a veia da não docilidade, da insubordinação de quem se pensa autônomo, de quem se expressa por um modo de pensar autônomo. Hoje, depois de, em junho de 2017, ter retornado à anterior função de diretor do MAM, recebo com surpresa a notícia de minha exoneração.

Desta vez, a acidez do antigo texto já mencionado dará lugar à temperança da sabedoria que cabe a alguém que não tem como se furtar ao peso incontornável de quase 67 anos de vida. Poderão pensar alguns que isso é, na verdade, o esconderijo de uma covardia ou modéstia, lugar dos hipócritas. No meu caso, é antes o contrário. Covardes não agem, covardes silenciam perante injustiças. Minha natureza não abre brechas a esse tipo de comportamento. Pensando nisso, é para a sociedade civil, a quem aqui presto contas, que passarei a expor uma espécie de inventário das mais importantes ações realizadas por mim em nome do MAM. Caberá a ela ajuizar pela justiça ou injustiça desse desligamento.

O primeiro gesto que fiz, tão logo reconduzido à Diretoria do MAM, foi buscar no viço próprio da juventude os novos nomes das artes visuais baianas. Dessa pesquisa, nasceu o projeto da exposição Pertencentes (setembro a outubro de 2017), cuja realização alavancou a produção de dezenove artistas de indiscutível qualidade.

Esse foi o estopim para a condução de uma gestão que primasse por visibilizar o olhar contemporâneo da arte, sem, no entanto, esquecer os artistas de outrora que pavimentaram o caminho por onde os mais novos passam agora. Com vistas a isso, a ideia era ativar o novo e presentear a comunidade com as amostras daquilo que a arte brasileira, constitutiva do gigantesco acervo permanente do MAM, tinha brilhantemente produzido.

Não entendia o porquê de tantas obras repousarem na poeira dos arquivos, longe dos olhares de um povo que MERECE e, mais do que isso, de um povo que tem o direito de conhecer sua história também na perspectiva da arte, a mais revolucionária demonstração de força e empoderamento que a experiência humana pode engendrar! Pensei e penso nos museus, mais especificamente no MAM, como espaço de pertencimento sociocultural, para o qual é preciso, em um primeiro momento, haver o chamamento da sociedade, um convite expresso dirigido a todas e todas, sem quaisquer distinções, para que procedessem a apropriação de equipamentos de cultura; o MAM devém, assim, um espaço de ressignificação social. Daí, consolidaram-se as seguintes exposições:

• Da Razão ao Informalismo (agosto de 2017, com obras de oito artistas);
·   Mostra Gráficas 3 (agosto de 2017, com obras de professores e alunos da Escola de Belas Artes da UFBA);
·   Um Recorte da Figuração do Acervo do MAM (dezembro de 2017, com participação de 11 artistas);
• Escultores contemporâneos brasileiros (janeiro de 2018, com participação de 17 artistas);
·   Acervo dos Salões do MAM (fevereiro de 2018, com obras de 19 artistas);
·   ALFREDO VOLPI (março a julho de 2018);
·   Arte Eletrônica Indígena (agosto a setembro de 2018, com obras cocriadas por indígenas brasileiros e artista da Bolívia, Reino Unido e Brasil);
·   Acervo do MAM (outubro a novembro de 2018, com obras de 11 artistas brasileiros, em homenagem a Mário Cravo Júnior);
·   MESTRE DIDI, Ancestralidade e resistência (outubro a novembro de 2018);
·   Vértice (dezembro de 2018 a abril de 2019, com obras de 20 artistas); e
·   AURELINO DOS SANTOS, A letra que faz o mundo (dezembro de 2018 a abril de 2019).


Para algumas dessas exposições, contei com parcerias decisivas. Entre as colaboradoras mais frequentes, destacam-se a Galeria Paulo Darzé e a Roberto Alban Galeria, ambas sediadas em Salvador/BA, e a Almeida & Dale, de São Paulo. A elas, meu agradecimento especial. Da mesma forma, serei eternamente grato às pessoas de Bel Borba, Caetano Dias, Almandrade e Sérgio Rabinovitz, membros do Conselho Curatorial, pela intransigente defesa de que o MAM, como equipamento de cultura, deve mesmo é alinhar-se com as artes visuais, o mais importante objeto de compromisso do museu.

E não é só! O MAM, na esteira do que se estabeleceu, no decorrer deste século, como conceito de museus de arte, abriu-se a outros domínios, ultrapassou a fronteira da arte visual para afinar-se com outras expressões que se estreitassem ao propósito do museu, a saber: PRODUZIR ARTE. Os exemplos disso são:

·   20 edições do Projeto MAM abraça as crianças, com público total estimado em 20.000 pessoas. Esse projeto é, no âmbito pessoal, especialmente valoroso, pois trouxe ao Museu pessoas que jamais se sentiram convidadas a frequentar suas instalações, jamais se sentiram contempladas em usar um equipamento público voltado à uma arte historicamente usufruída por especialistas . Nessas 20 edições, muitas crianças e jovens descobriam o quanto a arte pode ser combativa, porta-voz das demandas populares silenciadas covardemente por aqueles que só querem negar o novo, negar a mudança dos tempos. ( Esse projeto acontecia aos domingos. Os funcionários e alguns voluntários, chegavam às 8h da manhã. Dedicavam com sacrifícios, dois domingos a cada mês para fazerem acontecer as oficinas com as crianças. O MAM oferecia almoço a todos. Tínhamos que providenciar o retorno de todos às suas casas. Todas essas despesas feitas com as possíveis contrapartidas, ou, nós artistas, nos cotizávamos para garantir o evento)
·   Participação efetiva na revisão do projeto de reforma das instalações do MAM, com o objetivo de evitar a descaracterização dos espaços e, com isso, mostrar-se rigorosamente obediente ao Protocolo de funcionamento da instituição. Quanto a esse ponto, cabe uma importante indagação: queremos um Museu que, pela sua localização privilegiada e pelo acervo arquitetônico que lhe constitui, funcione apenas como local “pitoresco” de um restaurante, ou o restaurante ser um elemento indexado a um projeto de cultura? Em outras palavras, queremos um Museu em que ocorrem oficinas, mostras artísticas, espetáculos culturais no qual há, também, um restaurante, como lugar de convivência, ou queremos um Restaurante que se utiliza, luxuosamente, de um Museu? Em uma pergunta: Qual deve ser o atrativo do MAM? Não creio que haja outro atrativo para o MAM além dele mesmo. Como tenho dito há anos, O ATRATIVO DO MAM É O MAM!!!!
Ainda quanto ao processo de reforma, o vasto período pelo qual se arrasta constituiu, devo dizer, outro elemento constritor para a gestão. Exemplo disso é a limitação espacial do Casarão em virtude da interdição de seu pavimento superior. Ainda sobre a questão da reestruturação do MAM, assim como, indiretamente, de todos os museus, havia recebido do Governador Rui Costa a incumbência de coordenar,junto com a Secretária, o processo de retirada desses equipamentos dos domínios do IPAC, por incompatibilidades conceituais. Fizemos esse pleito em um documento entregue ao governador, assinado por dezenas de artistas, intelectuais, galeristas e curadores, na ocasião de um encontro do governador com artistas representantes de diversas linguagens. Não obstante o governador ter determinado a mudança, a Secretaria da cultura nada fez e, se fez, nós - museus e artistas – não tomamos conhecimento.
·   Reativação das oficinas de litogravura, xilogravura e gravura em metal, cujo formato reduzido (já que não se expandiram para outras técnicas) deu-se pela limitação espacial provocada pela reforma do galpão destinado a essa atividade.
·   Criação do Projeto Acústicos do MAM, em que se apresentaram, em quatro edições, importantes artistas da música brasileira e local. Esse projeto foi executado pela E33 Entretenimento, a quem agradeço na pessoa de seu diretor Eduardo Mattos. Além de fomentar a cultura musical, esse projeto funcionou como forma de captação de recursos econômicos para viabilizar importantes ações. De duas das quatro edições, as contrapartidas ( todas arbitradas pela gestão do Museu, com a participação do Conselho de Curadoria, e posteriormente admitidas pelo órgão dessa competência) permitiram a aquisição dos seguintes materiais e equipamentos permanentes e de manutenção:

1.     criação da marca “Acústicos no MAM”;
2.     02 (dois) aparelhos de computador (Notebook);
3.     01 (uma) furadeira;
4.     01 (uma) parafusadeira;
5.     10(dez) folhas de compensados naval de 15mm
6.     01 (um) rolo para litrogravura;
7.     01 (um) kit de 60 (sessenta) brocas;
8.     03 (três) latas de 18 (dezoito) litros de tinta branca (destinado ao MAB para exposição Berlim-Bahia);
9.     01 (uma) lata de massa corrida de 18 (dezoito) litros (destinado ao MAB para exposição Berlim-Bahia);
10. 02 (dois) rolos de lã para pintura (destinado ao MAB para exposição Berlim-Bahia) ;
11. 10 (dez) folhas de lixa (destinado ao MAB para exposição Berlim-Bahia);
12. 03 (três) rolos de fita adesiva (destinado ao MAB para exposição Berlim-Bahia);
13. 40 (quarenta) refletores com lâmpada PA 38 para as salas de exposição;
14. 40 (quarenta) lâmpadas LED;
15. 20 (vinte) lâmpadas (PA 38) especiais para exposições;
16. 400 (quatrocentos) parafusos para montagem das exposições;
17. produção de conteúdo para as exposições de Aurelino dos Santos, A letra que faz o mundo, e Vértice, sob a forma de: plotagem, banners, logomarca de identificação das amostras e convites eletrônicos;
18. material e insumos destinados à execução da 17ª edição do MAM abraça as crianças.
A julgar pelo tempo em que vivemos, a julgar pelo lugar conferido à cultura pelos órgãos e autoridades governamentais, pouco importando aqui qual seja sua inclinação ideológica, os leitores dessa carta-inventário, assim espero(!), serão conduzidos a pensar ser essa, muitas vezes, a única estratégia de sobrevivência dos atuais equipamentos de cultura. Vale ressaltar que as aquisições mencionadas acima referem-se às duas primeiras edições do Projeto Acústicos. As duas últimas contrapartidas do Acústicos ainda estão por serem demandadas. Essas contrapartidas se constituíram na única fonte de recursos do MAM.

Exposto isso, a esses mesmos leitores talvez seja pertinente perguntar: Fez pouco, em 18 meses, quem realizou essas ações sem dispor de qualquer recurso institucional? Contribuiu pouco com a cultura aquele que empunhou essas bandeiras? É claro e natural que ocorreram críticas à gestão, principalmente pela condução rigorosa, que não transigiu, sob nenhuma alegação, seja ela de cunho pessoal ou institucional, a proteção do Museu e, consequentemente, da função social com a qual está relacionado. Infelizmente, não é possível agradar a todos, por mais bem intencionados que sejam; não é possível atender a todas as demandas, mesmo que legítimas. Mesmo assim, tais perguntas objetivas precisam ser feitas e pude fazê-las a tempo de esse acontecimento não ser, ardilosamente por alguns, colocado no limbo do esquecimento, nesse lugar de não memória. Aqui é preciso não esquecer o momento inoportuno do desligamento: a notícia de minha exoneração veio no dia da abertura das festas carnavalescas. Por que será? É delírio pensar que se tratou de uma estratégia de inviabilizar qualquer discussão sobre causas que motivaram a exoneração, à revelia da comunidade geral e, mais estritamente, da comunidade artística?

Todos que compartilharam ou estiveram próximos da minha gestão compreendiam e apoiavam a minha resistência e a minha recusa em dar voz àqueles que, a despeito dos seus cargos, nada tinham de substancioso para colaborar com o projeto de ressignificação do MAM. Não se tratava de iconoclastia ou irreverência, mas, antes, de criar proteção contra pessoas que nada conhecem do objeto arte.



Chegando perto do fim dessa carta, misto de manifesto e inventário, é sobre o futuro, a memória do futuro, que quero tratar agora. Nesses últimos meses, foram muitas as discussões acerca do ano em que o MAM completa 60 anos de existência com a consequente concepção do calendário de comemorações. Resta-nos saber se as ações programadas em minha gestão serão levadas a cabo. Entre elas, ressalto:

·   exposição de Adriana Varejão (com início previsto para abril);
·   exposição de Ana Elisa Egreja (prevista para junho);
·   exposição do artista Vik Muniz (prevista para julho);
·   exposição de Mariana Palma (ainda com data indefinida );
·   exposição Geração 70 com respectivo lançamento de livro (previstos para setembro);
·   exposição de Leda Catunda (prevista para dezembro);
·   além de outras em fase de ajuste no calendário.

Convicto de que cumpri, junto à sociedade, com aquilo que deve ser obrigação de toda pessoa à frente da execução de serviços públicos, resta-me agora agradecer o decisivo incentivo de familiares e amigos durante essa jornada. Aos colegas de trabalho, meu muito obrigado pela preciosa contribuição com o MAM e por NUNCA se furtarem a servir aos projetos executados pelo e no museu. Que todos saudemos a arte, centro indiscutível disso que chamamos cultura!!









Postado por BLOG DO REYNIVALDO às quarta-feira, março 13, 2019 Nenhum comentário:
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

ESCULTURAS DE MÁRIO CRAVO VANDALIZADAS EM SALVADOR

A escultura de Iemanjá sem um braço e a
cabeça.Veja aí a falta de cuidado com
o local está instalada a obra.
As belas e imponentes esculturas de autoria  saudoso Mário Cravo Júnior que embelazam a área externa da sede da Empresa Brasileira de Correios e Telegráfos, localizada no bairro da Pituba, em Salvador , foram vandalizadas por ladrões na semana que passou.
Sabemos que a empresa sofreu graves problemas de gestão e roubalheira, inclusive  seu fundo de pensão,o Postalis, durante os últimos 20 anos.
Ultimamente a sede da empresa foi fechada, e ao que tudo indica a vigilância não foi suficiente para evitar mais este ataque às esculturas que retratam  Orixás do candomblé.
Os ladrões furtaram partes de duas das três obras feitas em latão e cobre martelado. As belas esculturas deveriam ter um tratamento diferenciado por sua importância.Elas representam os orixás Oxalá, Exu e Iemanjá.
Já a escultura de Oxalá ficou sem os dois
 braços. É assim que tratam a nossa cultura
nesta Bahia, hoje nas trevas.
Os ataques têm acontecido durante à noite, o que demonstra a fragilidade ou ausência de vigilância daquele patrimônio. 
Dizem que os ladrões estiveram por duas vezes no local. 
Na quarta-feira , dia 2, arrancaram um dos braços e a cabeça da escultura de Iemanjá que fica próxima à entrada principal . No dia seguinte, levaram os dois braços  de Oxalá. A única escultura intacta até agora é a de Exu, que fica  no jardim do prédio. Talvez, ficaram com receio de atacar a de Exu, que representa o diabo. 
Temos dois secretários de Cultura na Bahia, sendo um estadual e o da prefeitura de Salvador , porém, estamos num momento em que estes e outros órgãos ligados à cultura estão completamente voltados a atender solicitações de festas como carnaval, virada do ano e outras do gênero. Os museus, o patrimônio artístico, as obras artísticas públicas, estão completamente fora da preocupação oficial. Basta ver que constantemente vemos notícias de abandono e mutilações.
Não é nada de intolerância religiosa ,como alguns quiseram dar este tom ao que aconteceu com as esculturas de Mário Cravo. É abandono mesmo. 
Estive ontem pessoalmente no local e fotografei as esculturas. O prédio vinha sendo desprezado desde o início das administrações petistas. Hoje, é uma prova das más gestões, e as obras de Mário Cravo tornaram-se presas fáceis para os ladrões que  vendem as partes retiradas para as empresas que negociam com ferro velho. (Foto de Reynivaldo Brito )


Postado por BLOG DO REYNIVALDO às quarta-feira, janeiro 09, 2019 Nenhum comentário:
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sábado, 17 de novembro de 2018

HOMENAGEM A LYGIA SAMPAIO NA ABI

Walter Pinheiro entregando a condecoração à Lygia
Sampaio ao lado do irmão e irmãs da artista.
Uma justa homenagem foi prestada no último dia 14, à artista Lygia Sampaio pela Diretoria da Associação Baiana de Imprensa - ABI , outorgando-lhe a Medalha Ranulpho Oliveira. O ato aconteceu no auditório da entidade que fica no 8º andar do prédio da ABI,  na Praça da Sé , em presença de toda diretoria , convidados e familiares da homenageada. A proposição foi de Ernesto Marques, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido por ela na catalogação e organização de parte do Museu da Imprensa , que tem servido de consultas e pesquisas para estudantes e estudiosos da comunicação.
Fui convidado para fazer uma saudação à Lygia Sampaio  pelo colega Luis Guilherme Tavares o que me deixou muito contente, tendo em vista que ela é a última dos modernistas em atividade em nossa Bahia, e uma das artistas mais talentosas desta geração.
Confesso que não sou de falar em solenidades, por mais simples que seja. Nunca tive problemas para dar minhas aulas, profissão que me dediquei por quase 20 anos . Mas, falar em solenidade fico um pouco desconfortável. Passei quase algumas décadas  escrevendo para jornais e revistas. No entanto,  resolvi aceitar o desafio e escrevi este pequeno texto que li na minha saudação.
Ao entregar-lhe a Medalha Ranulpho Oliveira o presidente da ABI, Walter Pinheiro, destacou o trabalho dela pela entidade, e que aquele ato era o reconhecimento e o agradecimento dos jornalistas baianos. Coube ainda ao jornalista e pesquisador Nelson Cadena tecer algumas palavras sobre a Lygia, quando ela estava catalogando documentos na ABI. Ele  comparecia quase diariamente para pesquisar, quando Lygia chamava sua atenção para ter o maior cuidado com o manuseio dos documentos.
Reynivaldo Brito, Lygia Sampaio, Walter  Pinheiro
 ( falando) , Ernesto Marques e Nelson Cadena.
Eis a minha saudação:
Ilmº sr. Presidente da Associação Baiana de Imprensa Amigo Walter Pinheiro, prezado colega Luis Guilherme Tavares
Minhas senhoras meus senhores.

"Estamos hoje aqui reunidos para homenagear uma das artistas mais talentosas destas últimas décadas em nossa Bahia. Trata-se de Lygia Sampaio, exímia desenhista, pintora, gravadora e ilustradora, que receberá a medalha Ranulpho Oliveira por proposição do colega Ernesto Marques, e acatada por unanimidade pela diretoria desta Casa. Digo que é uma homenagem merecida pelo que representa Lygia, responsável que foi pela organização e preservação de parte da  memória da imprensa baiana. Ela trabalhou nesta casa de 10 de janeiro de 1974 a 30 de setembro de 2016 realizando este inestimável trabalho que será útil para as futuras gerações que desejem pesquisar sobre a nossa imprensa. 
Informa Nelson Varon Cadena, este colombiano-baiano, que sempre está pesquisando sobre a cultura e as coisas da Bahia que coube ao então presidente  Afonso Maciel Neto a iniciativa de convidá-la para organizar o acervo doado por Maria Koch de Carvalho, filha do Lulu Parola, fundador do Jornal de Notícias. Foram catalogados documentos, artigos e edições de jornais,  inclusive, posteriormente , outros materiais doados pelas famílias de Simões Filho, Ranulpho Oliveira, Jorge Calmon e pelo historiador José Calazans.
Lembra ainda Cadena que " uma das preciosidades do museu é a coleção quase completa da Revista Única dirigida por Amado Coutinho de 1929 a 1967, além de muitas outros documentos e publicações de destaque da imprensa baiana.
Lygia é uma pessoa reservada, doce , e até mesmo recolhida demais. Sua obra pictórica merecia ser mais vista, e  estar num patamar ainda mais de destaque pela qualidade de suas pinturas, e especialmente de seus desenhos a bico de pena. Tive  oportunidade de ver recentemente muitos desses desenhos guardados em sua casa , os quais  precisam ser mostrados numa grande exposição retrospectiva para que as pessoas que gostam de arte possam apreciá-los.
Nascida em 1928 no bairro do Barbalho, frequentou a Escola Técnica Federal onde foi aluna de desenho técnico e arquitetônico  do professor Presciliano Silva, e depois vai reencontrá-lo na antiga Escola de Belas Artes, que funcionava no casarão na rua 28 de setembro, em pleno Centro Histórico. 
Lá  teve contato com outros mestres da arte baiana como  Alberto Valença,  Raimundo Aguiar, Emídio Magalhães,  João José Rescala, Jair de Figueredo Brandão, Mendonça Filho dentre outros. Ela ressalva que na Escola Técnica era só desenho técnico e arquitetônico como plantas de casas etc. Nada de desenho a mão livre,  e que na Belas Artes fazia desenhos de  nu artístico com modelo, e também paisagens, igrejas e casarões do Centro Histórico. 
Confessa ter até hoje arrependimento de não ter ouvido o seu mestre que lhe aconselhou a aprender técnicas de pintura ."Se tivesse aprendido as técnicas da pintura, inclusive como lidar com os pincéis, usar as tintas adequadamente, tudo dentro da técnica, teria me facilitado mais ainda na hora de pintar os meus quadros."  
Antes, estudou com o pintor Santa Rosa. Mas, em 1948 já estava no Curso Livre da Escola de Belas Artes,  e em 1949 passa a frequentar o ateliê que Mário Cravo Junior tinha na Ladeira da Barra, onde hoje está edificado um hotel.  Ela lembra de passagens com o grande escultor baiano, e de sua sinceridade em elogiar ou criticar os seus desenhos, feitos naquela época de aprendizado. Participou juntamente com Mário Cravo,  Jenner Augusto e Rubem Valentim do Grupo Renovador das Artes Plásticas Baianas.
Foi trabalhar na Prefeitura  e nesta época elaborou um painel para o então Departamento de Turismo, da Prefeitura de Salvador, que funcionava no Belvedere da Sé. Em 1982 vai colaborar com o Núcleo de Artes do Desenbanco ao lado de Sylvia Athayde. No ano seguinte, volta a pintar. 
Quando jovem fez muitas exposições e participou até do Salão Baiano de Artes Plásticas, onde em 1950 foi agraciada com uma Medalha ao Mérito. Mas, no decorrer de sua carreira sempre teve alguns períodos que ela ficou afastada da arte.
Ela sempre aproveita, todas às vezes que alguém vai lhe entrevistar para agradecer ao diplomata e escritor Renato Almeida que insistiu para que ela fosse fazer o Curso Livre na Escola de Belas Artes,  e a apresentou ao mestre Presciliano Silva. 
Sua última exposição foi uma retrospectiva no Museu de Arte Sacra em outubro de 2014. Ela estava com 86 anos de idade, e lá estive juntamente com o artista e galerista Leonel Mattos quando pude ver reunidas importantes obras criadas por Lygia  durante sua trajetória artística. Lembro que sentadinha  ia recebendo pacientemente quase todos os presentes que queriam lhe dar um abraço e pedir um autógrafo . Foi um sucesso de crítica e de  público.
Com seus 90 anos de idade, e ainda com a mão firme produzindo seus desenhos, Lygia Sampaio é a última dos artistas modernistas baianos ainda em atividade. 
O jornalista que vai entrevistá-la é um privilegiado. Sim, porquê neste mundo apressado e violento quando chega diante de Lygia Sampaio vivencia alguns momentos da leveza e  da graciosidade desta mulher com seus cabelinhos brancos  emanando  ternura e sabedoria. 
Quero aqui agradecer ao presidente da ABI, Walter Pinheiro, e especialmente a Luis Guilherme por ter me chamado para pronunciar estas breves palavras sobre Lygia Sampaio, a qual merece todas as homenagens. 
Muito Obrigado "
Postado por BLOG DO REYNIVALDO às sábado, novembro 17, 2018 Nenhum comentário:
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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

FILME SOBRE A VIDA DE FRANS KRAJCBERG

Cartaz do filme de Renata Rocha
Assisti a primeira exibição do filme "O Grito" sobre a vida do artista e ativista polonês Frans Krajcberg, ontem, dia 13, no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória. De autoria da jornalista e cineasta Renata Rocha o filme tem duração de  70 minutos e conta parte da vida e do legado deste multi artista que era gravador, fotógrafo, escultor, pintor e um dos ativistas em defesa de nossas matas, especialmente da Mata Atlântica.
A apresentação do filme foi um pouco prejudicada, porquê o local não era apropriado e perdeu um pouco na qualidade do som. Tem algumas narrativas feitas por Maria Bethânia e uns depoimentos de dos artistas plásticos Carlos Vergara , do baiano Justino Marinho ,
e de outras pessoas. 
Achei fora do contexto o depoimento de um ex-governador e sua esposa, que nunca tiveram qualquer envolvimento com a arte feita na Bahia ou mesmo com a obra de Krajcberg. No geral gostei do filme porquê é um documento em movimento do que Franz fazia em seu refúgio e mostra seu ambiente criativo para a posteridade. E foi feito com um grande esforço e técnica de Renata Rocha.
Filme sendo projetado no Museu de Arte da Bahia


Ele construiu sua casa no alto utilizando pilares de cimento armado imitando troncos de árvores queimadas ou mortas numa mancha de Mata Atlântica no município de Nova Viçosa  no sul da Bahia. E ali conseguiu atrair outros artistas. Lá já morava o arquiteto e designer José Caldas  Zanini , que nasceu em Bolomnte, na Bahia em 1918 e morreu em Vitória, do Espírito Santo em 2001. Ele   construiu algumas casas em Joatinga, no Rio de Janeiro, e no sul da Bahia trabalhava com  móveis utilizando também madeiras provenientes dos desmatamentos . Antes Zanini ensinava na Universidade de Brasília. Em seguida  no ano de 1968 resolveu construir uma casa em Nova Viçosa, onde abre um ateliê-oficina,que funciona até 1980, e participa do projeto de uma reserva ambiental com o artista Frans Krajcberg. Foi Zanini que projetou em 1971 a casa de Krajcberg.
Frans Krajcberg em  busca por materiais na sua
reserva de Mata  Atlântica,foto Renata Rocha
                      
                           O HOMEM
Nasceu na cidade de Koziennice, na Polônia.  Estudou engenharia na universidade de Leningrado, na Rússia, e durante a Segunda Guerra perde toda sua família num campo de concentração. Vai para a Alemanha e ingressa na Academia de Belas Artes de Suttagart, e em seguida resolve vir morar no Brasil, chegando aqui em 1948. Já em 1951 participa da 1ª Bienal Internacional de São Paulo expondo duas pinturas. Depois reside uma temporada no Paraná e foi para a zona rural trabalhar em suas obras.Em 1956 vai para o Rio de Janeiro onde divide um ateliê com o escultor Franz Weissmann ( 1911-2005). Naturalizou-se brasileiro no ano seguinte  e a partir de então alterna residência entre o Rio de Janeiro e Nova Viçosa.
Casa do artista projetada José Caldas Zanini
Transforma-se num ativista fazendo viagens para a Amazônia e Mato Grosso onde fotografa os desmatamentos e as queimadas, mostrando imagens chocantes. Dessas viagens traz algumas raízes calcinadas e as utiliza para criar belas esculturas. Prossegue com este trabalho criando uma marca inconfundível. Em 2003 é criado o Instituto Frans Kracjberg , em Curitiba, para o qual ele doou uma centena de obras, preservando assim o seu legado.
É preciso que o governo da Bahia e a Prefeitura de Nova Viçosa atentem para a necessidade urgente de preservar aquela mancha de Mata Atlântica que ele deixou e também as obras e sua casa, que é um símbolo da resistência contra o desmatamento e as queimadas de nossas matas.
 O artista morreu em 15 de novembro de 2017 vítima de uma pneumonia no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, portanto, amanhã faz um ano de sua morte.

Postado por BLOG DO REYNIVALDO às quarta-feira, novembro 14, 2018 Um comentário:
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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

LYGIA SAMPAIO E A GRANDEZA DE SUA ARTE

A graciosidade e a leveza de Lygia
 Sampaio aos seus 90 anos de idade
.
Aos 90 anos a artista Lygia Sampaio é última representante do movimento de arte moderna que ocorreu na Bahia no século XIX tendo como integrantes Mário Cravo Júnior, Carlos Bastos, Genaro de Carvalho, Rubem Valentim, Jenner Augusto dentre outros já falecidos. A artista Lygia Sampaio tem uma trajetória nas artes plásticas desde os seus anos de adolescente. Nascida em 1928 ela viu e participou de muitos salões, exposições e discussões sobre a arte na Bahia.
Tudo começou quando  foi estudar com o pintor Santa Rosa,  e já em 1948 fez Curso Livre na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia que funcionava na rua 28 de setembro, em pleno centro do mangue em Salvador. Nesta ocasião ela entrou em contato com os grandes mestres da pintura baiana como Presciliano Silva, Mendonça Filho, Raimundo Aguiar, Alberto Valença, dentre outros. 
Desenho de sua avó
Lá recebeu incentivos dos mestres e se tornou uma desenhista importante sempre trabalhando a mão livre nas sessões de desenho com modelo ao vivo. Ela relembra que ficava às vezes penalizada de ver àquela modelo, que era uma prostituta contratada,  posando para os alunos e professores da Escola de Belas Ates onde passava horas numa determinada pose, até ser autorizada a fazer uma nova pose para que todos pudesse pintar ou desenhar.
Diz ainda Lygia Sampaio que foi o diplomata e escritor Renato Almeida que se entusiasmou com um desenho que ela fez, que era a cabeça de um homem com o olhar bem diferenciado. Ele gostou tanto que me recomendou para frequentar o Curso Livre de Desenho,e assim fui conhecer este mundo fantástico da arte.
Ela conhecia o mestre Presciliano Silva que era professor de desenho na Escola Técnica Federal, que funcionava no Barbalho, onde ela nasceu, morava e estudou. "Mas, lá era só desenho técnico e arquitetônico. Nada de desenho de figuras humanas , paisagens ou seja desenhos livres.
Foi em seguida, aprender a desenhar com luz artificial quando Mário Cravo Júnior chegou dos Estados Unidos. Assim, ela passou a levar seus desenhos debaixo do braço para Mário dar suas orientações. Nesta época o atelier de Mário Cravo ficava na Ladeira da Barra, onde hoje foi erguido um hotel.
Esta foi a segunda obra que   pintou
 no início de carreira
.
Lembra Lygia Sampaio que ele fazia muitas críticas, às vezes elogiava, mas, sempre tinha algo para que  pudesse melhorar. Foi para ela um grande aprendizado pela sinceridade de Mário Cravo, que sempre foi uma marca forte da sua personalidade. Ele dizia realmente o que sentia.
Lygia  tem um arrependimento de não ter aprendido na Escola de Belas Artes as técnicas da pintura "porque ai teria aprendido até a limpar e lidar melhor com os pincéis, usar as tintas adequadamente como manda a técnica". E continua: Um dia encontrei com os professores Presciliano, Mendonça e Valença e eles se acercaram de mim recomendando que fosse aprender a técnica de pintura. " Mostrou arrependimento por não ter ouvido os conselhos dos mestres.
Outra lembrança que o agrada muito foi a participação em vários salões, e que em 1950 foi a única mulher participante do Salão Baiano organizado por José Valadares, que era irmão do também crítico e escritor Clarival Prado Valadares. Ela foi agraciada com uma medalha em reconhecimento a qualidade dos seus desenhos em papel . 
Lygia em sua residência, no Cabula,
folheando umdos três álbuns onde
ela reuniu recortes de jornais sobre
sua carreira de pintora e desenhista
.
A desenhista, pintora e gravadora Lygia  Sampaio realizou um belo painel para o então Departamento de Turismo da Prefeitura Municipal que funcionava no Belevedere da Sé. Em 1949 ao lado de Mário Cravo Júnior, Jenner Augusto (1924-2003) e Rubem Valentim ( 1922-1991) criou o Grupo Renovador das Artes Plásticas Baianas.
Ela trabalhou na Associação Baiana de Imprensa por 30 anos, de 10 de janeiro de 1974 a 30 de setembro de 2016 ,onde ajudou a criar o Museu de Imprensa da ABI, que é um espaço de preservação e valorização da História da imprensa, como destaca o Jornalista Luís Guilherme Dias Tavares. Está prevista inclusive uma homenagem a artista com a entrega da Medalha Ranulpho Oliveira ainda este mês corrente.
Em 1982 torna-se colaboradora do Núcleo de Artes do Desenbanco, dirigido pela museóloga Sylvia Athayde, que também foi diretora do Museu de Arte da Bahia. Em 1983 retorna às artes plásticas depois de ficar quase 20 anos afastada. 
A sua última exposição foi em 2014 no Museu de Arte Sacra da Bahia. Foi uma retrospectiva com várias obras em óleo sobre tela , desenhos e gravuras. Foi um sucesso.

Uma bela obra com colagem
 e desenho
.
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS - 1955 – Individual, no Belvedere da Sé, Salvador, BA ; 1984 - Exposição Retrospectiva de Lygia Sampaio, no Núcleo de Artes do Desenbanco, – Salvador, BA;  2013 -Da Linha à Cor, no Museu Regional de Feira de Santana, – Feira de Santana, BA.  - Universidade Estadual de Feira de Santana; 2014 – Lygia Sampaio: 60 Anos de Pena e Pincel, no Museu de Arte Sacra, Salvador, BA - Universidade Federal da Bahia.

EXPOSIÇÕES COLETIVAS E SALÕES -1949 - I Salão Bahiano de Belas Artes, no Hotel da Bahia– Salvador, BA ; 1950 - Novos Artistas Baianos: Pintura, Desenho e Escultura, no Hall do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia– Salvador, BA ;1950, 1951 e 1954 -II, III e IV Salões Baianos de Belas Artes, no Belvedere da Sé, – Salvador, BA  ; 1952 - LVII Salão Nacional de Belas Artes, no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ  ; 1955 –V Salão Baiano de Belas Artes, na Galeria Oxumaré, Salvador, BA ; 2006 – Exposição de Desenhos e lançamento do livro De Sampaio a Sam Payo: um Estudo Genealógico, no Museu de Arte da Bahia, Salvador, BA; 2007 –Mulheres em Movimento, Exposição comemorativa dos 130 anos da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia –UFBA, na Galeria Cañizares, Salvador, BA . PREMIAÇÕES : 1950 – II Salão Bahiano de Belas Artes - Menção honrosa de Desenho, Salvador, BA; 1951 – III Salão Nacional de Belas Artes - Menção honrosa de Pintura, Salvador, BA.





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