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domingo, 22 de março de 2015

O HUMOR INTELIGENTE DE MARKO ADJARIC


Marko segura alguns trabalhos
num suporte que ele criou
 O sérvio Marko Adjaric ,tem 52 anos, é formado em jornalismo e, se dedica a fazer humor de qualidade utilizando de vários formatos a depender do momento. Está completamente antenado com o que está acontecendo hoje em muitos lugares do mundo, onde ele vai buscar informações sobre o humor que está sendo feito. Diante deste ambiente virtual onde gravita o Markão, como alguns o chamam, mostra uma necessidade de se comunicar e, mais ainda de que as pessoas entendam e riam dos seus trabalhos.
 Evidente que alguns de seus trabalhos estão interligados com a cultura europeia, com autores europeus e, por isto muitas pessoas não decodificam com a velocidade que ele gostaria. Isto o incomoda , porque dentro da sua visão estética e cultural as mensagens são de fácil entendimento.
Obra de Marko  mensagem crítica com  humor
Percebi mais claramente  esta ansiedade quando estive pessoalmente com ele. Já tínhamos trocado algumas mensagens pelo Facebook. Os artistas de modo geral querem que as pessoas apreciem e falem alguma coisa sobre suas obras. Dizem que não se importam com as críticas, mas, verdadeiramente se importam e, ficam alegres, como qualquer ser humano, quando são elogiados.

Outro trabalho de Marko em parceria com
 seu amigo Bira

Também, sente que existe uma resistência ou talvez uma leniência entre os vários profissionais que precisam se comunicar com mais frequência ou intensidade. Ele mesmo faz voluntariamente um trabalho de pesquisa  visando a atualização de seus colegas captando nas várias  mídias trabalhos de artistas europeus e mesmo de outros continentes visando que haja uma abertura ,conhecimento e inter-relacionamento  cada vez maior entre eles. A internet é uma importante ferramenta que o Marko sempre está utilizando para realizar este trabalho .
O artista tem muito entusiasmo pelo que faz. Fui encontrá-lo numa feira que foi realizada no dia 21 de março de 2015, no canteiro central da Avenida Centenário . Estava em companhia da Izabel Delmondes  que vai editar seu próximo livro eletronicamente, portanto, um eBook  ou seja um livro em formato digital. Já está orçando outro livro de 96 páginas, este impresso, o qual será lançado brevemente e tem uma característica especial por ser todo dedicado a trabalhos de humor picante com muitas cenas fortes de sexo. O nome deste livro é Primeiras Bocagens. Com este livro espera alcançar um público menos intelectualizado ou seja o seu objetivo é  agradar os trabalhadores, o homem comumEstá ainda divulgando seu Cordelito , que é um livreto em forma de um cordel onde estão inseridos vários trabalhos de sua autoria. Pretende fazer um circuito pelos colégios levando sua arte e seu humor para os jovens com o objetivo de divulgar cada vez mais esta arte milenar. Ele trabalha com sindicatos fazendo trabalhos de humor e informativos , além de  biografias em quadrinhos.
O seu objetivo é que as pessoas comuns curtam e se identifiquem com seus trabalhos de humor. Já tem alguns prêmios e sua produção não para de crescer. Tem uma visão crítica da sociedade e um orgulho de sua terra a Sérvia a ponto de quando fala onde nasceu costuma dizer que é  sérbio ( com b Mesmo) para frisar a sua nacionalidade. 
Marko e com sua amiga Izabel Delmondes que fará a
edição eletrônica do seu próximo livro.
Sabemos que os sérvios e croatas foram protagonistas de uma guerra fraticida onde milhares de pessoas, principalmente civis, morreram  entre abril de 1992 a dezembro de 1995 na chamada Guerra da Bósnia.
Voltando ao Marko ele faz Caricaturas , Quadrinhos, BDs, Cartoons, Mangás e Manhwas Tem facilidade em falar línguas o que lhe permite buscar informações sobre cartunistas de vários países.
Lembra que publicou alguns trabalhos na Tribuna da Bahia, num suplemento chamado A Coisa, em 1975.Este é o Marko Adjaric um artista , humorista multifacetado capaz de transitar em vários formatos com seu humor inteligente e atualizado.





terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

VÂNIA REIS RESGATA DA MEMÓRIA DE RIBEIRA DO POMBAL

A artista Vânia Reis mostra parte de  obra de sua autoria
A artista Vânia Reis reside no distrito de Barrocão, município de Ribeira do Pombal e, tem realizado um trabalho de resgate da memória da cidade pintando importantes imóveis, alguns inclusive que deveriam ter sido preservados pela Prefeitura Municipal.
Este lindo prédio foi substituído por
outro de arquitetura duvidosa.
Mas, faltam aos gestores de muitas cidades de nosso país a sensibilidade para preservar o patrimônio histórico e, assim muitos imóveis importantes são demolidos e transformados em novos edifícios, que contribuem para enfeiar as cidades, especialmente do interior deste Brasil afora.
Em Ribeira do Pombal temos alguns exemplos como a demolição do Mercado Municipal, do sobrado dos Brito, da Casa Chaves, do sr.José Leôncio,onde por  muitos anos funcionou sua loja de tecidos; a igrejinha e o Cruzeiro  que deram o nome de Avenida Santa Cruz, hoje, Avenida Evência Brito.
Antiga praça Getúlio Vargas, vendo-se ao fundo o Solar dos
Brito's, que foi demolido dando lugar a um supermercado.
 Esses são alguns importantes elementos da arquitetura da cidade que conheci.Certamente muitos outros foram demolidos antes que  tomasse consciência de sua importância histórica para a cidade e futuras gerações.
A praça Getúlio Vargas já sofreu nos últimos 50 anos várias remodelações e, sempre é destruído o que havia sido edificado sob a busca da modernidade. É verdade que atualmente a praça está mais bonita, porém,um  coreto que existia desapareceu e, em seu lugar colocaram um bar em plena praça. Praça é local para passeio, para as crianças brincarem, para os namorados e não local de vender bebidas alcoólicas sob a proteção do poder municipal.
A bela igreja da Mirandela construída pelos jesuítas.
Voltando ao trabalho de Vânia ela vem pintando com base em fotografias esses imóveis desaparecidos com suas pinceladas firmes vai fixando nas telas esta memória que foi retirada das atuais e futuras gerações. Assim, a antiga praça Getúlio Vargas, a Casa Chaves ,do sr. José Leôncio, a loja de Antônio Nascimento,o sobrado dos Brito's , e mais recentemente a Cadeia Pública, conhecida como Quartel , e outros são retratados por ela para a posteridade.
Tenho algumas fotos do antigo abrigo e do posto de gasolina que pertenceram ao meu pai . Ambos foram demolidos dando lugar aos prédios hoje, existentes no local. em plena Praça Getúlio Vargas.

Quem é

Natural do povoado de Barrocão, município de Ribeira do Pombal, Vânia Reis é uma artista autodidata .Começou seu interesse pela pintura por volta dos oito anos de idade. Já fez alguns cursos visando o aprimoramento de sua arte . Sua primeira mostra foi em 1997 em Embu das Artes, no estado de São Paulo.
De lá para cá tem participado de outros eventos ligados às artes plásticas como feiras de artes , exposições individuais e coletivas , inclusive em Salvador. Gosta de pintar prédios e praças, que são ícones das cidades. Também, pinta por encomenda  de pessoas que desejam perpetuar nas telas imóveis , que já pertenceram ou pertencem às suas famílias.




sábado, 10 de janeiro de 2015

ARTESÃOS BAIANOS PERDEM O INSTITUTO MAUÁ

Depois de quase um século dando apoio  e incrementando o
artesanato baiano o governo petista resolve
acabar com o Instituto Mauá.
Depois de 76 anos de funcionamento o atual governador do PT , Rui Costa, decidiu com uma canetada acabar com o Instituto de Artesanato Visconde de Mauá. Um absurdo de uma administração que começa dando sinais de que não importam as tradições da Bahia. Talvez eles nem saibam que muitas das bandeiras da Bahia que tremulam nos órgãos públicos e nas solenidades de gala foram confeccionadas e bordadas por artesãs ligadas ao Instituto Mauá. Esta entidade é responsável pelo incremento do rico e diversificado artesanato em nosso Estado. Dava, através de suas feiras e outras ações, visibilidade ao artesanato que se faz nos mais escondidos recantos do território baiano.
O Instituto Mauá foi criado em 1º de março de 1939 e vinha funcionando ininterruptamente, inclusive suas lojas localizadas no Porto da Barra e na rua Gregório de Mattos, no Centro Histórico, bastante visitadas pelos turistas. Não eram mais visitadas por falta de divulgação por parte da Bahiatursa.
Ali mostrava o artesanato verdadeiramente feito na Bahia, sendo mais uma atração turística da nossa cidade. No Mercado Modelo você encontra uma variedade de artesanato, porém, muitos produtos são confeccionados em outros estados e são vendidos como se fossem da Bahia. 
Esta imagem de São Joaquim , de
autoria de Gerar, um artesão
da região do rio São Francisco
adquiri numa das feiras dos
Instituto Mauá
A extinção do órgão vai deixar uma imensa lacuna em todos os artesãos daqui e dos municípios que tinham nele uma maneira de expor, reunir, orientar e comercializar as peças produzidas pelos artesãos baianos de todas as cidades. Além de estimular a produção e ministrar cursos sobre o trabalho artesanal.
O que o Instituto Mauá precisava era de maior incentivo para que os artesãos que produzem coisas maravilhosas pudessem ter uma visibilidade cada vez maior. 
Portanto, esta administração começa deixando este vazio para uma das manifestações populares mais importantes e rica do nosso estado, que é o artesanato. 
Também, está ligada ao Instituto Mauá a Associação Comunitária Empreendedora Taboarte, que funciona no distrito de Maracangalha. O Instituto comprava as peças dos artesãos e repassava para o público a preços acessíveis, bem mais baratos dos cobrados, por exemplo, no Mercado Modelo, onde os turistas, muitas vezes, são obrigados a pagar mais caro. 
Além disto as obras eram identificadas com o nome do autor, a origem e os preços, o que não acontece em outros locais de venda espalhados pela cidade. 
Muitas famílias de artesãos vão sentir a falta da entidade que sempre foi uma estrutura de apoio a produção do artesanato baiano.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

SÉRVULO ESMERALDO EXPÕE EM SALVADOR

São  mais de 50 anos de dedicação à arte. Um cearense que saiu de seu canto , a cidade do Crato ,e foi para a Europa onde passou boas temporadas trabalhando, aprendendo, mantendo contatos e amizades com artistas importantes.É um criador nato que pensa e elabora com cuidado quase científico o que vai resultar da sua ideia inicial. Desenha e imagina posições e os materiais que vai utilizar para concretizá-la. Neste seu processo criativo  nos apresenta uma série de volumes, que colocados em determinados locais nos leva a criar uma infinidade de imagens.São representações de papéis feitos de aço trefilado e outros metais que parecem voar nas paredes; são estruturas circulares dobradas ,côncavas ou convexas dispostas no chão, que nos dão a sensação de que podem ser manuseadas, criando pessoalmente outras possibilidades de composições;são junções de elementos que se lançam ao espaço em busca de altura; são volumes que se dobram e outros que deixam suas sombras como se fossem a continuidade da obra.

A vontade que a gente tem é de tocá-las e manuseá-las criando nossas próprias formas. É uma produção que prima pela racionalidade.Sua formação  certamente influencia na sua criação, embora a sensibilidade demonstrada na sua produção  foge um pouco do concretismo mais apurado.
Nascido no Crato, em 1929, Sérvulo Esmeraldo é escultor,gravador,ilustrador e pintor.Em sua biografia está registrado que começou como um artista dedicado à xilogravura. Em seguida foi residir em São Paulo,e logo depois fundou o Museu da Gravura em sua cidade natal.
Sua primeira viagem à Europa foi através uma bolsa do governo francês, onde foi estudar em Paris litografia na École Nacionale Supérieure des Beaux-Artes e, em seguida, inicia seu trabalho em metal.
Nos anos 60 participa do movimento cinético, quando cria obras movidas pela eletricidade estática.
Volta em 78 para Fortaleza e começa a trabalhar com chapas de aço produzindo suas esculturas com planos dobrados e pintados.Em 1986 organiza a 1ª Exposição de Escultura Efêmera de Fortaleza e passa a criar relevos que  sugestionam encontro de faces. 
Agora Sérvulo Esmeraldo com toda sua experiência com os materiais utiliza a geometria para suas construções e volumes vazados que são muito apropriadas para a gente observá-las no silêncio de uma tarde. Ai surgem diante de nós as possibilidades de girar, de dobrar, de mudar de lugar e assim vão surgindo em nossas viagens imaginárias novas obras. É como se fosse um exercício lúdico, um aprendizado inesgotável.
Sérvulo Esmeraldo ao centro ladeado por mim
e o pintor,italiano Gianfranco D'Andrea
 Estive presente na abertura da mostra na galeria Paulo Darzé oportunidade que troquei algumas poucas palavras com o artista. Embora em algumas fotos  apareça com o semblante fechado é uma pessoa de fácil acesso e cordial. Falou  de sua estadia na Europa e pouco lembrava que já foram realizadas aqui algumas exposições com suas obras. O que importa é que ele está ai firme produzindo e tendo a satisfação de ver e ouvir que sua obra está sendo apreciada por um público amplo.
Outro aspecto importante salientar é que embora já tenha mais de oitenta  anos de idade sua obra é de uma contemporaneidade ímpar. Pode figurar em qualquer museu ou coleção importante da arte contemporânea feita no mundo .Ele é um protagonista e um criador antenado com  o que acontece ao seu redor.




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

AS EXPERIMENTAÇÕES DE JOSÉ BECHARA EM SALVADOR


O artista experimental carioca estará expondo em Salvador a partir  do próximo dia 31 na Paulo Darzé Galeria de Arte, na Vitória, com trabalhos onde utiliza materiais e métodos diversificados. Ele pertence a Geração 90,  frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e partiu de uma produção pictórica para uma linguagem mais abrangente, onde seus trabalhos se transformaram em esculturas e instalações. Também, ainda desenha e pinta e "trava um diálogo com a arquitetura".
Afirma  Luis Camillo Osório no texto introdutório sobre Bechara para Fendas,no catálogo da exposição individual do artista no MAM em 2011: “A saturação das oxidações foi se acumulando, por pressão da própria maturação da poética do seu processo, na superfície das lonas e se projetando no espaço. Este jogo entre saturação e estruturação acompanha o desenrolar do trabalho. Ora predomina a densidade métrica, o acúmulo de elementos que se concentram e se expelem, ora sobressai o esforço estruturante, a grade geométrica e o desenho linear”.
Ele já expôs aqui em bienais e outros eventos importantes além de realizar várias individuais. Depois 
de quatro anos no Parque Lage ,integrou um ateliê coletivo na Lapa, no centro histórico do Rio de 
Janeiro com seus colegas Ângelo Venosa, Luiz Pizarro, Daniel Senise e Raul Mourão. Já em 1962 
inicia suas experimentações com suportes e técnicas diversas, característica que marca sua 
produção artística.Experimenta vários tipos de materiais como lona de caminhão usada e couro 
bovino, e também técnicas de oxidação do cobre e o ferro.
 "Em 2002, aos 45 anos, Bechara realizou sua primeira experiência escultórica com A casa, durante uma residência artística em Faxinal do Céu, Pinhão, Paraná, sob a curadoria de Agnaldo Farias e Fernando Bini, e a consultoria de Christian Viveros. A versão inicial deste projeto foi pensada a partir da casa que servia de habitação e ateliê para o artista durante a residência. A mobília da casa foi reorganizada, se projetando para fora pelas portas e janelas e a peça foi fotografada, dando origem a duas séries: Temporária Paisagem Doméstica ou Não Me Lembro Do Que Dissemos Ontem, que hoje integra coleções nacionais e internacionais, entre elas a  do Centro Pompidou , em Paris, França. Outros desdobramentos desse projeto são Área De Serviço, uma exposição no Paço Imperial do Rio de Janeiro, organizada no programa Atelier Finep em 2004, que mostra conjuntos de móveis domésticos organizados plasticamente; e algumas séries de trabalhos de experimentação gráfica como Externo e Interno.
Em 2004, uma exposição no MAM-Rio, intitulada A Casa, reuniu todo o processo até então desenvolvido além de uma peça escultórica de madeira em dois volumes com o mesmo título. Open House, uma série de esculturas em menor dimensão desenvolvida a partir de 2006, também trata o tema da casa simbólica e plasticamente. Em 2006 o artista fez a escultura Ok, Ok, Let’s Talk, uma instalação de mesas de jantar formando um plano irregular intercaladas por duas cadeiras. Esse trabalho foi exposto na Pinacoteca de São Paulo, assim como no Patio Herreriano, Museo de Arte Contemporáneo Español e na Galeria Mário Sequeira, com uma versão em madeira e uma versão em aço.
A Série Esculturas Gráficas, iniciada em 2009, representa bem a tensão que trabalha o artista entre o geométrico e o material. Obras dessa série foram expostas em importantes instituições como o MAM-Rio de Janeiro, o Instituto Tomie Ohtake e Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa. Em 2010, com a série Gelosia, Bechara começa a trabalhar com o vidro como suporte para suas obras. Placas de vidro com oxidação de aço, placas de fórmica e tinta acrílica constituem peças escultóricas que se apoiam contra a as paredes e quinas das salas de exposição." Wikipédia.

ESTRANHA EXPOSIÇÃO

Fomos surpreendidos eu e alguns participantes da Exposição Geração 70, realizada em 25 de julho de 1985,  da qual fui o curador , reunindo alguns dos artistas desta geração numa mostra que foi um marco de tudo que tinha sido feito em termos de exposição na Bahia. 
 Basta dizer que na abertura da mostra até o trânsito ficou complicado no Corredor da Vitória, especialmente nas proximidade do Museu de Artes da Bahia.Foram apresentados números de Dança, coordenada por Lívia, música com Andrea Daltro e a Orquestra do maestro.., além de performance de teatro. 
Estranhamente tomei conhecimento que os artistas Zivé  e outros estariam organizando uma exposição , como se fosse uma retrospectiva, desta mostra e que estariam descartando alguns artistas da primeira exposição. Acho isto uma atitude grosseira e anti-profissional, além de ser uma ingratidão com todas as pessoas que promoveram e participaram  da verdadeira Geração 70.
Esta postura divisionista e individualista de algumas pessoas tem prejudicado em muito os artistas baianos, pois, essas pessoas teimam em criar igrejinhas ou  clubinhos fechados , e se acham os representantes de uma geração que tem uma abrangência bem maior. 
Tendo sido o curador da mostra Geração 70 jamais imaginei que pudesse se esgotar naqueles nomes que integraram a primeira mostra.Inclusive, iríamos realizar, na época, outra mostra com o nome Geração 70 II para contemplar vários artistas que ficaram fora da primeira.
A razão da limitação naqueles nomes foi porque o dinheiro que conseguimos para realizar o evento, graças ao empenho de Heitor Reis, que na ocasião era Diretor da Fundação Cultural do Estado,não daria para uma mostra maior.Também, o espaço concedido pelo Museu não caberia todos de uma só vez.
 Mas, as desavenças foram tantas, e alguns tentaram até fazer uma mostra paralela, que diante de tanta confusão terminei por desistir de dar continuidade a este projeto.
Pensei depois em levar adiante este projeto mesmo com a posição contrário de muitos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

MIGUEL CORDEIRO VAI EXPOR 60 OBRAS


 Obras em acrílica sobre tela, colagens, plotagens em fine art e intervenções com stencil de autoria do artista baiano Miguel Cordeiro serão apresentadas a partir do próximo dia 25, às 19 horas , no Palacete das Artes,que fica localizado no bairro da Graça.
Serão mostradas um total de 60 obras, quantidade suficiente para o visitante ter uma ideia aproximada do universo criativo deste artista que está no mercado há algumas décadas. Ele começou com incursões nos muros da cidade, ocasião em que fiz uma longa matéria para o jornal A Tarde, revelando para os baianos o autor de grafites que deixaram muita gente curiosa, especialmente com o personagem Faustino. Isto foi em março de 1985, quando escrevi na abertura da matéria:
"Trata-se daquele misterioso personagem que sai durante as madrugadas pichando com frases inteligentes os muros da cidade. Seu verdadeiro nome é Miguel Cordeiro, economista, e autor das célebres frases:Faustino ouve Júlio IglesiasFaustino mora com a tiaFaustino leva a Bahia a sério,Faustino parcelou uma excursão para Bariloche, e muitas outras. Agora o nosso Faustino vai expor. E, parafraseando o Miguel Cordeiro diria que Faustino expõe em Museu."

Miguel Cordeiro é um artista múltiplo e conectado com o que acontece no mundo .Suas intervenções sempre revelam  atualidade. É uma arte pensada e que instiga o espectador.o artista mostrará 60 obras em diversas técnicas : acrílica sobre tela, colagens, plotagens em fine art e intervenções com stencil.
Portanto, são impressões em fotografias, desenhos, pinturas e arte digital que ele faz através da dispersão da tinta e da escrita.
 Esta mostra atual permanecerá de 25 de novembro a 22 fevereiro 2015.

QUEM É 

Miguel Cordeiro nasceu na cidade de Salvador, Bahia, Brasil, no ano de 1956. Artista autodidata começou a realizar trabalhos com desenho, colagem e pintura a partir da primeira metade da década de 1970, com influências da Arte Pop, do Rock, das histórias em quadrinhos e livros de escritores ligados ao movimento da Contracultura. Reconhecido como um dos pioneiros do Graffiti e Street Art no Brasil, quando em 1979 criou o personagem Faustino ao retratar nos muros das cidades aspectos do comportamento humano em um mundo de permanente transformação. Participou de dezenas de exposições e mostras no circuito alternativo, e com o advento da Internet, dos Blogs, das redes sociais o seu trabalho adquire maior alcance fazendo com que sua arte seja analisada e compartilhada por diversos sites e revistas virtuais - nacionais e internacionais, que abordam a trajetória da cultura contemporânea.