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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CENTENÁRIO DE GUSTAVE COURBET

JORNAL A TARDE , SALVADOR, 25 DE FEVEREIRO DE 1978

Mulher com Papagaio, de 1866, obra de Courbert
Os especialistas em arte estão fazendo uso de uma nova exposição para conferir a  Gustave Courbet o crédito pela maior parte do que convencionamos chamar de arte moderna.
“Courbet, afirmou o crítico Edward Mullins, “foi o primeiro artista a manter efetivamente que a arte é o que nós fazemos, o que vemos, o que sentimos”.
A maneira com que a figura de Courbet corresponde a essas afirmações pode ser vista na Real Academia de Londres na maior exibição de Courbet desde 1882.
Até 19 de março, a Academia exibirá 116 quadros e sete desenhos, em sua maioria exibida antes em Paris, reunidas de pequenas galerias de todo o mundo. Essa oportunidade de pesquisar uma espécie de avô da arte moderna está sendo considerada um grande acontecimento artístico.No entanto, Courbet não é muito conhecido.O contraste com sua vida de indiscrição não poderia ser maior.
“Nos últimos 10 ano, esse homem extraordinário causou mais sensação em Paris do que 20 celebridades variadas” escreveu um crítico em 1861.
“O mundo elegante afeta desprezá-lo, os críticos fazem-no em pedaços, os artistas caçoam dele, os cantores de variedades apresentam-no com a curiosidade para  audiência indolentes”
Na época de Courbet, a arte era de importância vital. Os novos quadros eram sujeitos a debates intensos. Os pintores eram caricaturados e satirizados, as teorias de arte discutidas apaixonadamente e os artistas propriamente ditos eram celebridades populares.
Courbet emergiu nesse cenário como um provinciano impetuoso e autodidata. Ele e seu trabalho provocaram sentimentos fortes entre todos os que eram alguém na Paris de meados do século XIX.
A resposta e Courbet foi de pintar o mundo da maneira que o via, não como as fórmulas acadêmicas o exigiam.
Pintou os funerais de seu avô, suas irmãs nas cenas do dia-a-dia, paisagens, trabalhadores suando.
Por isso, foi classificado de primeiro “Realista” título que jamais aceitou realmente. Seu objetivo, escreveu, era de “ser um homem como um pintor, em suma, criar a arte viva”
A Caçada,ele pintou muitos caçadores

O gigantesco ego de Courbet fez jus ao seu objetivo. Seu assunto predileto era ele mesmo.Uma grande sala na exposição londrina está com três quartos de suas dependências tomadas por auto-retratos. Courbet aparece como amante, como louco, como duelista ferido, como violoncelista, como fumador de cachimbo, usando simplesmente um cinto de couro.
Tinhas muitas amantes mas não uma esposa e adorava pintar as mulheres. Algumas das pinturas mais luxuosas constituem nus que, mesmo agora, sem falar na década de 1860, são ousadamente francos.
Courbet não se permitia domesticar-se. Recusou a medalha da Legião de Honra num ano e foi preso no ano seguinte, como oficial da Comuna Revolucionária de Paris.
A exposição demonstra que Courbet foi um pintor de mestria e incisivamente original.
Contudo, é difícil agora compartilhar a controvérsia borbulhante que provocou. Podemos agora apenas concordar em que Gustave Courbet foi o primeiro grande individualista da arte ocidental, o primeiro a fazer a reivindicação da arte moderna.

               OS ENTALHES DE MÁRIO AMERICANO

No ano de 1975 o artista plástico Mário Americano Júnior realizou a sua primeira exposição.
Agora, ele está mostrando pela segunda vez seus trabalhos aos baianos, no atelier Kennedy Bahia.
Nascido no Rio de Janeiro, Mário começou a se dedicar às artes no ano de 1972, quando fez seu primeiro quadro por hobby. Seis anos depois ele já pode ser considerado um artista profissional, e seus entalhes, em madeira pintada, são apreciados também pela  suavidade das cores.
Nesta segunda exposição, Mário mostra 25 trabalhos, em diversos tamanhos.

                      
                          A PROLIFERAÇÃO DOS MUSEUS

Museu da Chácara, na capital paulista
Há um relativo engano na proliferação de museus, todos eles sem recursos, sem condições de manutenção, sem recursos para adquirir obras de arte mas não quer dizer que não haja campo para o profissional de museologia, pelo contrário”. Assim justifica a sua posição contrária à extinção do Curso de Museologia da Ufba o professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade federal do Rio de Janeiro, Wladimir Alves de Souza.
Foi o responsável pela restauração do Museu de Arte Sacra da Bahia e do Museu Nacional do Rio tendo um vasto currículo em experiência no assunto.Também o projeto do  Museu da Chácara , em São Paulo foi encomendado ao arquiteto paraense Wladimir Alves de Souza, reproduz as linhas do Palácio Imperial de Petrópolis e tem clara influência da obra do italiano Andréa Palladio, veneziano que viveu no século XVI.
Segundo afirmou, há um engano nas deduções de que não existe mercado de trabalho para o museólogo porque se pensa estritamente em termos baianos, desde quando a situação deve ser mais encarada em termos brasileiros. Mesmo na Bahia o mercado existe desde quando estão sendo criados mais museus (existe atualmente 26). Além disso várias são as atividades que podem ser desenvolvidas dentro de um museu mas não apenas o da funcionária burocrática. A coisa pode alcançar um plano muito mais amplo com as diferentes especializações existentes, frisou.
Os museólogos poderão trabalhar no campo da história da arte e pesquisas de um modo geral, sendo que a restauração de pintura pode ser bastante aproveitado. Na sua opinião, é importante que a Bahia possa a vir a ser um centro de formação de museólogos de alto nível que poderá atender não só às  necessidades locais, mas de todo o País. Tal como se fez com a Escola de Arte criada pelo reitor e de onde saíram atores e músicos que participam de atividades não só da Bahia, mas fora dela, acentuou.
- O que a UFBa precisa fazer é incentivar o curso de Museologia, estimulá-lo, dotá-lo de bons professores e dá maior possibilidade de novos estudos, pesquisas porque a principal função do museólogo é não só a conservação pura e simples como também divulgação do que hoje  existe.

TRÊS ESCULTURAS ROUBADAS DO MUSEU DE ST. LOUIS

Três esculturas de bronze, obras do artista francês Auguste Rodin, foram roubadas do Museu de Arte de St. Louis. Este é o segundo roubo no museu em menos de um mês, informaram hoje as autoridades.
As esculturas roubadas são a Estátua de São Pedro, datada de 1886; Jean D’Aire, de 1886; e A Mão Fechada, de cerca de 1885.
Cada uma delas tem cerca de 458 mm de altura. A escultura da mão pesa cerca de 8,6 quilos.
Um porta-voz do museu esquivou-se a avaliar as esculturas, mas disse que valem mais que as quatro esculturas roubadas a 29 de janeiro, que foram avaliadas em cem mil dólares.
Os guardas do museu foram alertados pelo alarme anti-roubo, ontem à noite, e fizeram a Inspeção mais não deram pela falta das esculturas.
Um porta-voz contou que os ladrões entraram quebrando as portas de vidro instaladas recentemente. Os ladrões içaram no prédio apenas cerca de 60 segundos.

    VAMOS AGUARDAR UMA MELHOR ATUAÇÃO DO TCA

Proporcionar uma abertura a todas as tendências estéticas e incentivar o teatro amador, são algumas das metas do novo diretor de Teatro Castro Alves, José Augusto Burity, cujo nome foi homologado por unanimidade, na última reunião ordinária do Conselho da Fundação Cultural, presidida pelo secretário da Educação, Carlos Santana.
José Augusto será assessorado por Teodomiro Ramos Queiroz, que atualmente desenvolve atividades no Teatro Municipal de São Paulo. Eles pretendem aproveitar ao máximo a Concha Acústica com apresentação de espetáculos teatrais e shows musicais com atores e recursos locais.
PROJETO PIXINGUINHA
O imponente Teatro Castro Alves, em Salvador
Ao ser indagado sobre a possibilidade do TCA deixar de ser o grande “elefante branco”,  José Augusto respondeu que “não depende apenas do diretor, mas também do baiano”, que deverá se voltar para o teatro. E ele espera conseguir essa participação popular com a apresentação em junho próximo do Projeto Pixinguinha que permanecerá por um período de dois meses e meio diariamente no horário das 18h 30min, custando Cr$ 15 o ingresso.
A Bahia será o primeiro Estado do Norte/Nordeste onde o projeto se apresentará e esse horário fixado no sul do país deverá ser aceito pelo público, depois de se tentar uma sensibilização para isto. A criação do horário por iniciativa do idealizador do projeto Hermínio Belo de Carvalho, teve como objetivos a estipulação de um novo horário que não o habitual para espetáculos e sobretudo facilitar a participação de pessoas que trabalham no comércio, universitários e que diante dos problemas enfrentados na hora do “rush” poderão se deslocar para o teatro como uma alternativa.
Em vista disso, o pessoal do projeto não vê falta de êxito a exemplo de outros Estados principalmente porque “Nordeste é Brasil e Salvador tem tradição em música popular brasileira”.
Sobre a burocracia que sempre foi o grande problema dos direitos para desenvolver um trabalho necessário no TCA, José Augusto afirmou que levou o assunto ao conhecimento do diretor da Fundação Cultural, mostrando a necessidade de se encontrar uma solução prática para o problema e no decorrer da gestão nós vamos chegar à alguma. A burocracia entrava muito, mas não se pode evitá-la, mas  o que interessa é que p TCA tem que funcionar.
O TCA também não poderá deixar de funcionar com a realização de convenções, simpósios e atividades afins, como assegurou o diretor, sendo que a situação existe inclusive em outros Estados, mas ele, pretende, gradativamente, ir modificando a situação transferindo atividades desse tipo para outros locais, o que por si será resolvido com a conclusão do Centro de Convenções.

              O MUSEU DO HOMEM EM BELO HORIZONTE

Através de um convênio realizado entre a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) de Minas Gerais e a Funarte, no valor de CR$ 650 mil, está em andamento o projeto de pesquisa denominado “Manifestações Etnomusicais da Região Grande Belo Horizonte”, visando subsidiar a implantação do Museu do Homem naquela capital.
Foto Google.
 Fachada do Museu do Homem Brasileiro,BH
A pesquisa, que integra o Projeto Universidade da Funarte, está sendo executada por uma equipe de professores e estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais. Além do objetivo principal de criar um acervo etnomusicológico para o Museu do Homem, o trabalho visa produzir um calendário dessas manifestações na grande BH, divulgar o material recolhido e utilizá-lo didaticamente nas escolas de 1º e 2º graus, enriquecendo o ensino de Música.
A PESQUISA
A necessidade dessa pesquisa provém do fato de que, até o momento, não se fez nenhum estudo aprofundado e sistemático das manifestações etno musicais-música folclórica, música ágrafa (dos índios) e música popular dos grupos humanos que vivem na região da Grande BH.
Por outro lado, o Museu do Homem, criado em 77 dentro do campus da Ufmg, com objetivo de recolher, estudar, expor e difundir as expressões mais significativas da criatividade cultural das populações que viveram ou vivem em território nacional, poderá absorver todos os resultados do projeto. Esse acervo terá também importância, na medida em que será aberto ao público para um contato com as manifestações populares, mais especialmente com a Música Folclórica e a Música Popular.
A pesquisa será executada por técnicos e especialistas vinculados à Ufmg e auxiliares de pesquisa selecionados entre os alunos da Escola de Música, Comunicação e Belas Artes daquela Universidade, coordenados pelo musicólogo José Adolfo Moura, com a consultoria científica de Cristina de Miranda Mata Machado.
O trabalho obedecerá a diversas etapas: levantamento panorâmico das manifestações musicais folclóricas e populares da Região da Grande BH, pesquisa bibliográfica e de campo, análise e interpretação dos dados e divulgação e desdobramento.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

A ESTÉTICA DA RECESSÃO

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA 22/12/1997

Foi um ano atípico para as artes plásticas. Apesar da resistência com o surgimento de espaços culturais alternativos, lançamentos de livros, exposições importantes...-, o resultado comercial foi baixo e, com isto, muitos artistas e galeristas tiveram que apertar o cinto. O Parque das Esculturas, no Solar do Unhão, foi o acontecimento mais importante do setor, na Bahia, que perdeu alguns de seus mais importantes representantes   Mabe, Willem De Kooning, Robert Rauschenberg e Roy                      Lichenstein. Reynivaldo Brito.

Almandrade, em São Paulo, juntamente com outros dezessete artistas expõe no Centro Cultural de São Paulo. O artista Antônio Rebouças, do alto de sua experiência de vida, mostra sua produção recente, com obras baseadas nas viagens que empreendeu ao Nordeste e á Amazônia, preocupado que está com o desmatamento desenfreado nas regiões.

Época do Carnaval. As roupas ficam mais leves e as pessoas, mais sensuais. Isto inspira a argentina Lili Sanchez, que expõe no Instituto Mauá, enfocando a festa. Leonel Mattos denuncia, em instalação, o abandono da igreja de Humaitá, enquanto Wasghinton Santana mostra-se indignado com a atitude da Prefeitura, de retirar suas esculturas, ás escondidas, da Avenida Paralela.

Vários gravadores, entre os quais Calasans Neto, realizam uma mostra na galeria Cañizares, na tentativa de soerguer a produção de gravura que a Bahia tinha. Maria Adair expõe 60 telas no Museu de Arte Moderna da Bahia, resultado de estudos viabilizados por uma bolsa oferecida pela Fundação Rockfeller. A Copene patrocina três projetos na área.

Antonello L’Abatte, responsável pelo nascimento da gravura, expõe na Acbeu. Na Escola de Belas Artes, Fernando Freitas Pinto lança a idéia de um painel da obra de professores e artistas. Hilda Oliveira é lembrada, merecidamente. Ferjó (residindo nos EUA) acerta contrato com a Perry Art Gallery, para distribuir sua produção nos States.
Yuriko e Martinesi expõem. No Museu Carlos Costa Pinto, a arte oriental.

A NR Galeria traz José Goiana, ou Zezito, como é mais conhecido: um arquiteto que também se revela bom pintor. Uma idéia interessante de um grupo de artistas, que faz exposição com as obras em forma de pizza, na Bonna Pizza. O filho do governador de Pernambuco. Miguel Arraes, expõe na galeria Frazão. A mineira Jucira traz a arte milenar da cerâmica, com peças muito criativas, na Acbeu.

A Fundação Hansen Bahia renasce e a tela de Antônio Parreira, chamada 25 e cinco de Junho, fica exposta por lá. É um espaço entre Cachoeira e São Félix que merece ser visitado. Um museu dentro de uma fazenda. O artista Carlos Bastos faz uma bela exposição na Anarte, que encerra, temporariamente, suas atividades. O IV Salão MAM-BA abre inscrições. Jamison Pedra ganha o prêmio Copene.

Calasans Neto coloca uma escultura chamada Sol Dourado no Parque Costa Azul.
Chegam notícias de Luiz Ferraz, que expõe nas cidades de Paris e Los Angeles. No dia 18, o Museu de Arte da Bahia inaugura a exposição Vieira e a Bahia do seu Tempo, om trabalhos contemporâneos sobre a vida do missionário jesuíta. O sucesso é grande.
Ponto para Sylvia Athayde.

O artista plástico Jenner Augusto é homenageado na Casa Cor, instalada no belo palacete que, outrora, abrigou o colégio Sophia Costa Pinto. O ator e pintor Guilherme Leme expõe Peles, em Salvador, na NR Galeria de Arte, com grande tietagem. As pinturas mostram sua preocupação com a ecologia. Bons efeitos visuais e texturas que convidam ao toque.

Cláudia Toscano usa materiais extraídos dos coqueiros para criar esculturas. Fernando Oberlaender mostra 30 trabalhos, com traço forte. Jacy Brito faz leilão do que restou de sua saudosa galeria, O Cavalete. Edson Calmon rompe com novos trabalhos. Murilo conta estórias, com seu lirismo peculiar. No MAM-BA, a exposição de Goya. E o salão do museu bate recorde, com 1.143 inscritos.

Floriano Teixeira faz um minirretrospectiva de sua obra e pinta Savonarola, um fervoroso reformador. Henrique Passos pinta as paisagens bucólicas baianas. Itamar Espinheira mostra sua produção dos últimos 40 anos das espátulas, com suas texturas densas, à pintura acrílica, na Atrivm. Zivé, que está exilado em Brasília, apresenta a evolução de sua arte, na Galeria de Arte Casa Thomas Jefferson.

Isa Muniz celebra 50 anos de arte.
Uma produção rica e o despojamento em repassar para os jovens o que sabe. Desenhar. Os professores aposentados da Escola de Belas Artes da UFBA, Ailton Lima e Ana Maria Villar, abrem escola no Caminho das Árvores, Zu Campos inaugura espaço cultural, na cervejaria Okka Bier. João Augusto Bonfim ensina arte em seu ateliê, na Rua Frederico Costa. Salvador celebra  a arte africana.

Leonel Matos expõe na Galeria Arte Abaporu. Raimundo Nonato mostra arte primitiva na Okka Bier. Artistas fazem exposição utilizando o giz. Realizada a feira de gravuras, no Espaço Cultural Calasans Neto (UEC/Pituba). Os museus Carlos Costa Pinto e de Arte da Bahia lançam livros, com seus acervos. Aplausos para Mercedes Rosa e Sylvia
Atahyde. Chico Liberato expõe seus Orixás. O MAM-BA inaugura o IV Salão.

MUNDO & BRASIL

Exposição de Monet, em São Paulo e Rio de Janeiro, atrai milhares de pessoas, com filas de jovens e pessoas do povo interessados em ver a pintura do mestre.

As obras de Camille Claudel, também em São Paulo, levam muita gente para apreciar suas belas esculturas. Estes dois eventos são provas incontestáveis de que boas exposições e mídia levam o povo ao museu.

A exposição de obras de Michelangelo Buonarroti (no MASP, encerrada em 13 de novembro) é outro evento de destaque no Brasil.

Faz grande sucesso a exposição de Egon Schiele, chocando algumas pessoas, com uma obra onde o artista se masturba.

O baiano Mário Cravo Neto ganha matéria de destaque no The New York Times, elogiando a exposição de suas fotos na Witkin Gallery, em Nova Iorque. No Brasil, ganha prêmio no Panorama das Artes Brasileiras.

O escultor baiano Paulo Pereira é outro nome premiado pelo Panorama das Artes Brasileiras, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

AO CINCO MELHORES

Criação do Parque de Esculturas do MAM-BA, no Solar do Unhão, com a retirada da favela e tratamento paisagístico da área. Espaço que precisava ser resgatado, para dar mais dignidade áquele conjunto arquitetônico.

Exposição de Goya, no Museu de Arte Moderna da Bahia desenhos importantes deste grande mestre da arte, dando oportunidade aos menos favorecidos de conhecer a obra do artista.

Livros com os acervos dos museus Carlos Costa Pinto e de Arte da Bahia. Iniciativas que vieram preencher uma lacuna. Já existia o livro do Museu de Arte Sacra. O s demais museus devem se mobilizar para editar os seus.

Exposição de Carlos Bastos, na Anarte. Há anos sem fazer individual, mostra sua arte participando, como personagem, de várias telas.
Dentre elas, destaque para a tela em que aparece sentado diante de uma bela mesa.

A bela exposição de Floriano Teixeira, pela primeira vez empenhado no sucesso de uma mostra. É, na realidade, uma ligeira passada sobre sua obra, uma espécie de minirrestropectiva.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

GALERIA EM NEW YORK DIVULGA BRASILEIROS



Uma visão parcial da Galeria Nasse, em New York
Duas artistas me escrevem do exterior.Uma baiana que reside na Noruega, a Elisabeth Johansen e, agora Leda Maria Prado, de New York, falando da Galeria Ward-Nasse, que fica no Soho, a qual não tem fins lucrativos e recebe a arte alternativa. Muitos brasileiros já estiveram por lá e Ieda está empenhada em divulgar a nossa arte. Veja o que ela escreveu no e-mail que me enviou:

"Li a matéria no seu blog hoje sobre a Bete artista baiana que vive na Noruega, eu sou brasileira e moro nos EUA fazem 10 anos, sou artista também , e trabalho como curadora de artes numa galeria no Soho, envio abaixo as paginas para que você faça um review do meu trabalho e se puder divulgar a galeria também, pois está de portas abertas aos artistas de todos os cantos do mundo, e existe no Soho há 43 anos, o dono é um artista sonhador como todos nós e tem divulgado muito nós brasileiros."

História Ward-Nasse

Harry Nasse e Leda

A Galeria Ward-Nasse, fundada por Harry Nasse, abriu pela primeira vez como uma galeria de arte comercial em Boston durante o início da década de sessenta. Quando Harry Nasse mudou-se para Nova York em 1970, ele decidiu também mudar a relação com os artistas implantando um sistema de cooperação entre a galeria e o autor. Todos as formas de arte contemporânea estão expostas, a partir de obras tradicionalmente executados até as  formas de arte mais experimentais .
Artistas de todas as partes dos Estados Unidos estão expondo juntamente com artistas da Europa, Ásia e América do Sul, inclusive do Brasil.
The Ward-Nasse Gallery realiza principalmente exposições coletivas há mais de 43 anos de funcionamento e, a lista completa dos artistas que se apresentaram é bastante extensa.
Veja os nomes de alguns artistas da cidade de New York que começaram suas carreiras ou que continuam a expor na Ward-Nasse :Truman Eagleston, Neil Janney, Laurie Anderson, o artista performático Gary Aagaard, Antanas Andomaitis, Patricia Azoni, Bayo, Michele Bruniera, Veronique Bensacon, Marilda Dib, Dan Darling, Rolland Dufault, Nathalie Freniere, João Fucci, Gary Jurista, Eva Lewarne, Dinah Cruz James, Marie Josée Leroux, Juh Leidl, Leda Maria, Taís Melilo, Maria Fatjó Pares, Jim Pescott, Paul Poliquin, Drica Queiroz, Joanne Savoie, Ilya Schar, Mauro Soares, Mark Tomczak, Stephanie Wallace e Adina Worcman.

domingo, 8 de setembro de 2013

ESCULTURAS DE RICHARD WAGNER



Wagner e uma de suas esculturas
Depois de mais de 20 anos reencontro o velho amigo Richard Wagner.Com este nome, de grande compositor clássico, ele percorreu vários países morando inclusive  na Austrália e Inglaterra  terminou por se fixar nos arredores de Ilhéus, já que é natural de Itabuna.Wagner, como normalmente o chamo, é um artista plástico inquieto que mexe com todo tipo de material que lhe chega as mãos.
Em Ilhéus e Itabuna fez algumas esculturas públicas, construiu casas com características  de sustentabilidade,  fabricou alguns elementos para a construção civil, a exemplo de tijolos coloridos, de rara beleza.
Atualmente, sob a influência do mar, pois mora num condomínio que fica debruçado na orla marítima  próxima de Ilhéus, está fazendo esculturas que lembram os corais, local onde muitos animais marítimos vivem e se reproduzem.
Suas esculturas apresentam muitas reentrâncias  lembrando os buracos que servem de esconderijo para pequenos peixes e moluscos.As obras são feitas de  cimento com uma mistura especial e, em seguida consegue dar um colorido especial,  com um toque alaranjado através de fundição e, com o uso de fogo.
Wagner deseja realizar uma exposição em Salvador para mostrar seus novos trabalhos, os quais na realidade são diferenciados de muitos que já vimos por ai. O fato de ter se fixado em Ilhéus falta-lhe o conhecimento de galeristas  em Salvador e pessoas que possam agenciar as suas obras.

BAIANA ELIZABETH JOHANSEN EXPÕE NA NORUEGA

Esta é a artista Elisabeth
Tenho recebido, através da internet, alguns trabalhos da baiana Elisabeth Lopes Johansen que atualmente reside na cidade de Bjorn Nordland, na Noruega. Ela é baiana de Salvador, estudou no Colégio Estadual Alípio Franca e casou-se com um norueguês indo residir por lá.
Seus trabalhos tem um belo colorido e um clima de suavidade que remete a grandes mestres com suas temáticas românticas, outros nos transportam a uma arte mais ingênua com as figuras sem uma perspectiva muito definida. Mas, todos agradam pela forma e as cores .
Vejam a beleza que emana deste quadro onde um casal está com uma bicicleta. O azul claro domina todo o espaço , mas as figuras não deixam de sobressair apresentando um semblante quase angelical.
Elisabeth está tão afastada de nosso país, que já está confundindo várias palavras da nossa língua. Isto porque, talvez não tenha com quem praticar o português na cidade onde está residindo. Ela tem feito várias exposições e me informa que suas obras estão com boa aceitação.
Já este gato de olhar triste está nos fixando como a revelar um desejo de retorno, um desejo latente de alguém que precisa buscar forças em suas raízes. Eu particularmente não sou muito chegado a gatos. Prefiro cachorros e pássaros.Mas, plasticamente os gatos pintados ou desenhados são muito apreciados e dão um toque especial de esperteza.
Finalmente, quero dizer daqui de sua terra natal Salvador, que Elizabeth está de parabéns por manter vida a sua criatividade , mesmo nesta terra gélida e longe de suas raízes tropicais.Elisabeth Lopes Johansen, nascida em Salvador mora atualmente Bjorn Nordland, na Noruega, casada com  Agnar Joahansen.
Ela sempre está viajando e incorporando novas ideias que naturalmente surgem do contato com outras culturas.


sábado, 10 de agosto de 2013

206 ARTISTAS SELECIONADOS PARTICIPAM DO I SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS

JORNAL A TARDE,SALVADOR, SÁBADO, 02 DE DEZEMBRO DE 1978


Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro
 Foram 206 os artistas plásticos escolhidos para participarem do I Salão Nacional de Artes Plásticas uma promoção do Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte que está instalado no Palácio da Cultura e Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, até o próximo 20 de dezembro. Este foi o resultado de um longo trabalho de análise e seleção de um total de 3.638 trabalhos inscritos por 1.246 artistas de 18 estados brasileiros.
Os artistas selecionados apresentaram trabalhos nas categorias pintura 85 artistas, gravura 49, desenho 42, propostas conceituais 9, fotolinguagem 8, arte-objeto 7, escultura 5 e tapeçaria 1.
Além da escolha das obras que participam da mostra, a Subcomissão de Seleção e Premiação teve também a tarefa de escolher os artistas que, pelo valor de seu trabalho, mereceram os nove prêmios instituídos pela Funarte, no valor total de 830 mil cruzeiros.
Os quatro prêmios de viagem ao exterior, no valor de 150 mil cruzeiros cada, foram ganhos por José Lima- gravura RJ; Paiva Brasil- pintura ,RJ; Glauco Pinto de Moraes - pintura, RS e Ascanio M.M.M.-escultura RJ. Já os quatro prêmios de viagem ao país 50 mil cruzeiros cada foram para Takashi Fukushima- pintura SP; Arlindo Mesquita, pintura RJ; Arlindo Daibert - desenho MG e Valquíria Chiarion , fotografia SP. O Prêmio Gustavo Capanema, no valor de 30 mil cruzeiros, destinado ao artista com melhor conjunto de obras, ficou com Paulo Laport, RJ, que enviou trabalhos nas categorias pintura, desenho e gravura.
A subcomissão resolveu ainda dar cinco Prêmios de Aquisição, para trabalhos de José Aguila, pintura em spray SP; Almir Gadelha- proposta RJ; Newton Mesquita- desenho/fotografia SP; Ricardo Aprígio, Pintura SP e Luiz Gregório, pintura em pastel SP. A Subcomissão de Seleção e Premiação foi composta por Edy Carôllo, Clérida Geada e Walmir Ayala membros eleitos pelos participantes do Salão, e José Maria dos Reis Júnior, Wolfgang Pfeiffer e Francisco Bolonha, indicados pela Funarte.
O I Salão Nacional de Artes Plásticas se realiza pela primeira vez no Brasil, como resultado da fusão dos extintos Salão Nacional de Belas Artes e Salão Nacional de Arte Moderna.
Segundo o parecer da Subcomissão de Premiação, a mostra conseguiu compor uma coletiva de trabalhos rotuláveis nas mais variadas tendências das artes plásticas de hoje.
Lista dos artistas selecionados para expor no I Salão Nacional de Artes Plásticas:
 PINTURA
 Adão Silvério SP; Augustinho Sá RJ; Alberto José Costa de Borba BA; Aldir Mendes de Souza SP; Álvaro Cumplido de Sant’Ana RJ; Anna Regina Aguiar RJ; Antonio Pedra Rache Deal Costa RJ; Antônio Sérgio benevento RJ; Carlos Frederico Fonseca Ferreira SP; Carlos Wolney MG Cássia Drumond RJ; Celeste Bravo RJ; Cláudia My SP; Cláudio Valério Teixeira RJ; Cléa Costa Vieira GO; Davi Jorge de Souza RJ; David da Costa RJ; Délcio Bracher RJ; Eduardo Costa Camões RJ; Elias João Kaica RJ; Emma Vale - BA; Emílio Gonçalves Filho RJ; Fani Bracher MG; Fernando Pacheco MG; Firmino Saldanha RJ; Francisco Gonzáles SP; Gabriel Zellmeister SP; Georgete Melheum RJ; Glauco Pinto de Moraes RS; Gonçalo Ivo RJ; Hedva Megged SP; Hélio Ademir de Siqueira MG; Hugo Moriani RJ; Ismênia Coaracy SP; Jair Glass SP; K. Ikoma SP; Kleber Figueira RJ; Kuno Schieler RJ; Luigi Neviani SP; Luiz Augusto Feitosa RJ; Luiz Bandeira de Mello RJ; Luiz Raphael RJ; Lyra Regina Paes SP; Lygia Milton MG; Jarbas Juarez Antunes MG; Johann Margaretha Gutlich SP; Jorge Eduardo Cresta Guinle RJ; Paiva Brasil RJ; José Garcia Espinosa RJ; José Luiz Mayer RS José Roberto Aguilar SP; José Pinto RJ; Kazuo RJ; Manoel Fernandes SP; Márcia Barroso do Amara RJ; Marcos Cordeiro PE; Maria Bandeira RJ; Maria Luiza Serra de Castro RJ; Maria Tomaselli Cirne Lima RJ; Maurício Arraes de Alencar RJ; M.C. van Scherenberg-Katie RJ; Nanzita RJ; Newton Mesquita SP; Osmar Buono SP; Paulo Laport RJ; Gilvan RJ; Paulo Cunha Barreto RJ; Plínio Palhano PE; Gryner RJ; Meziat RJ; Aprígio SP; Rubens Gerchman RJ; Sebastião Maria SP; S.R. Mafra RJ; Solange RJ; Taís A. RJ; Takashi Fukushima SP; Thereza Brunnet RJ; Vagner Dante SP; Valdir Sarubbi SP; Vera Lùcia Arbex RJ; Vicente de Souza DF; Victorina Sagboni RJ; Vilmar Rodrigues RJ.
                   GRAVURA
Palácio da Cultura, no RJ
 Ângela Schilling RJ; Anna Carolina RJ; A. Luiza Bellucci SP; Antonio da Costa Dias MG; A. Grosso RJ; Arydio RJ; Carlos Martins RJ; Chaia Zisman RJ; Clébio Maduro MG; Dallila Pereira dos Santos RJ; Enyr Cunha França RJ; Frederico Ernesto Geisser RJ; Hartwing Burchard SP; Hélio Rodrigues RJ; Heloísa Pires Ferreira RJ; Isis Braga RJ; Ivone Couto MG; José Barbosa PE; José Lima RJ; José Paixão RJ; Laércio Takaroni Inaba Takanori SP; Lena Cecília Bergstein RJ; Lothar Charoux Charoux SP; Luciano Pinheiro PE; Luís Carlos Lindenberg LIndenberg RJ; Lyria Palombini RJ; Maia Borkowesky MG; Manuel Messias dos Santos RJ; Márcio Périgo SP; Marcos Augusto MG; Marcos de Souza Mendes; Marcos DF; Margot Kardos Margot SP; Maria Tomaselli Cirne Lima RJ; Marlene Hori RJ; Maurício Fridman SP; Osmar Fonseca RJ; Paulo Laport RJ; Pilar RJ; Regina Kasiarz RJ; Ruth Palatnik Aklander Aklander RJ; Sandra Santos RJ; Sérgio Fingermann SP; Simone Osthoff RJ; Susan L’Engle RJ; Suzana Sommer RS; Vander Cláudio Soares Déco RJ; Vela Salamanca SP; Yara Guasque SP.
 DESENHO
 Alfonso Beneti Alphonsus RS; Carlos Fragroso Senra RJ; Carlos  E. M. de  Lacerda SP; Carlos Porto RJ; Cássio Michacany SP; Dilze Oliveira Lima Soares Zamma RJ; Ermelindo Nardin Nardin SP; Francisco Ferreira SP; Luiz Gregório Gregório SP; Marco Antônio Palmeira RJ; Maria do Carmo SP; Maria José Boaventura RS; Mário Zavagli MG; Nara Fimm DF; Eymard Brandão MG; Flory Menezes RJ; Geraldo Orthof Ge Orthof RJ: Gilberto de Guimarães Bastos RJ; Guita Charijfer RJ; Hedva Megged H. Megged SP; Hélio Jesuino RJ; Heraldo Pedreira RJ; Isabel Cristina MG; Ivan Honczar Honczar RJ; Jorge Salles RJ; José Carlos Vianna e J. de Moura PE; José Lima RJ; Júlio Vieira RJ; Luiz Ernesto RJ; Paula Morgado RJ; Paulo Laport RJ; Paulo Lolovitch Lolovith DF: Philip Hallawell SP;  Reinaldo Eckenberg Eckenberg BA; Renato J.I. M. RJ Rubens Gerchman RJ; Tereza Coelho Cesar RJ; Úrsula Hamburger Úrsula SP; Vander Cláudio Soares Déco RJ; Vera da Silva Prado Vera SP; Zenir Amorim MG.
 PROPOSTAS
 Almir Gadelha RJ; Arlindo Daibert MG; Berenice Gorini Rodrigurs RS; Lisy Leuba Salum SP; Nívea Bracher MG; Rubem Breitman RJ; Thereza Kolontai RJ; Valquíria Inês Chiarion SP; Wilson Piran RJ.
 TAPEÇARIA
 Ivna Mendes de Moraes Duvivier RJ.
 ESCULTURA
 Ascânio M.M.M. RJ; Icléa Roxo Goldberg RJ; José Gomes Pereira AL; Pedro Pinkalsky SP; Vera Maria Rodrigues SP.
 FOTOLINGUAGENS
 Antônio George Helt MG; Edison Cruz Manhães RJ; Frederico J. G. Mendes RJ; João Ricardo Moderno RJ; Juraci Dórea BA; Leonardo Walsh Goldvasg RJ; Maria Heloísa Fénelon Costa RJ; Victor Gerhard RJ.
 OBJETO
 Álvaro de Almeida Barata RJ; Antonio Arney PR; Carli Moore Portella RJ; Cerso SP; Inge Rosler RJ; Dimitri Ribeiro RJ; Raymunda Lucy de Souza GO.

            TEMPLO EGÍPICIO EM NOVA YORK


Por quase 2.000 anos, o templo de Dendur podia ser visto ás margens do Rio Nilo, no Egito a construção da Repressa de Assuá passar a constituir uma ameaça á sua preservação. O governo do Egito doou-o, então, aos Estados Unidos, e, em 1965, técnicos e trabalhadores especializados deram início à cuidadosa desmontagem do templo, a fim de transportá-lo por via marítima para o Estados Unidos. Agora, a histórica estrutura pode ser novamente apreciada pelo público no Museu Metropolitano de Arte da cidade de Nova York, onde foi remontada em uma ala coberta especialmente construída, cujas dimensões equivalem às de um quarteirão de Manhattan.

                A MARÉ CULTURAL NOS EUA

Em fins de 1977, a Fundação Nacional para as Artes dos EUA, o principal veículo de concessão de verbas governamentais para a cultura norte-americana, surgiu com um lema : As Artes: É Onde o Povo Está, diz o lema, resumindo, de forma concisa e definitiva o lugar proeminente da cultura como um dos valores da sociedade contemporânea.
A Time Square, em New York é um dos locais
mais visitados
É discutível se as artes, nos Estados Unidos, se encontram no limiar de uma era dourada. Inequívoco é o importante papel que desempenham em todas as classes sociais, da elite ás massas majoritárias.
Há uma década, por exemplo, o público na região central dos Estados Unidos não assistia a ópera, muito menos balé, pela televisão, em suas salas de estar. As multidões das regiões urbanas não passavam por coloridos murais nas paredes laterais dos edifícios ou por esculturas nos pátios dos complexos arquitetônicos de escritórios. As peças que viam na Broadway eram criadas em Nova Yorque, e não em Louisville, Los Angeles, New Haven ou Dallas. A dança era privilégio da alta sociedade, não chegando ao menos dotados financeiramente ou aos mais jovens.
Atualmente, os norte-americanos, jovens e velhos, influentes e da classe média, artísticos e atléticos, estão experimentando as consequências da revolução cultural dos últimos 10 anos. E, apesar de ainda existir alguma desigualdade, principalmente de natureza financeira, e algumas questões filosóficas básicas continuarem sem solução, não há dúvida de que ouve uma mudança de atitude.
Os fatos são irrefutáveis: uma platéia nacional anual para a dança de 15 milhões de espectadores, contra cerca de um milhão, em meados da década de 60; dotações financeiras federais para as artes, num total de cerca de 150 milhões de dólares no ano fiscal de 1979, em comparação com menos de 10 milhões de dólares anuais no final da década de 1960; o apoio das corporações superou a generosidade governamental, cerca de 250 milhões de dólares em 1979; uma crescente conscientização entre as populações rurais e urbanas das realizações e tendências da música, teatro, dança e ópera por intermédio da televisão e programação regular; uma proliferação das artes no setor público ao invés de abrigar-se atrás dos muros e fachadas de vidros dos museus; uma receptividade maior aos projetos e ao gosto em geral; aumento do apoio municipal e estadual à cultura mediante a aplicação à mesma de parte dos impostos, e assim por diante.
Esses incentivos às artes constituem apenas uma alusão da verdade fundamental do lema da fundação: de que a cultura está onde estão as pessoas.
Os artistas conscientizaram isto ainda que continuem, de maneira esmagadora, recebendo salários aquém de suas qualificações, em virtude de crescente demanda de seu tempo. Os membros de conjuntos musicais e orquestras sinfônicas, por exemplo, vêem-se contratados para 40 ou 52 semanas respectivamente, uma conquista sobre os dias em que se consideravam afortunados se conseguiam contratos para 25 semanas.
Os políticos, municipais, estaduais e federais, nos ramos legislativo e executivo do governo, também sabem disso, encontrando-se sob uma pressão cada vez maior de seus eleitores, na medida em que as artes figuram praticamente como elementos sagrados na sociedade.
E as pessoas acolhem isto de bom grado.
Tradicionalmente, toda revolução tem um patriarca. Neste caso, entretanto, não ficou totalmente claro se qualquer pessoa ou evento agiu como catalisador.
Mais provavelmente pode-se apenas especular resultou de uma série de fatos tangíveis e intangíveis que ocorreram na década de 1960, auxiliada por numerosos indivíduos pertencentes a diversos grupos de interesses e esferas.
Historicamente, a cultura do Novo Mundo era, em grande parte, dependente de gêneros e formas do Velho Mundo. Várias realizações criativas nativas imprimiram sua marca, o  jazz e o teatro musicado, por exemplo, e algumas escolas de arte e arquitetura mas, em sua maior parte, a cultura norte-americana era derivativa.
E havia regulamentos não-escritos. Cada disciplina artística contava com suas platéias consagradas pelo tempo; os jovens apenas ocasionalmente compareciam aos concertos sinfônicos e raramente assistiam a espetáculos de balé, exceto certos êxitos de temporada como o Quebra-Nozes ou a Bela Adormecida. As artes visuais ficavam restritas aos museus. O teatro concentrava-se na Cidade de Nova Iorque e uma produção praticamente não existia até que houvesse sido encenada na maior cidade da nação.
Em princípios da década de 1960 vieram á tona certos elementos intangíveis.
Em Washington, o presidente e a Sra. John F. Kennedy imprimiram à cultura uma visibilidade maior do que a que usufruíra em muitas décadas, maior talvez do que em toda a história da nação.
Entre os segmentos maiores da população, o tempo de lazer ampliou-se com redução gradativa da semana de trabalho e férias mais prolongadas. Os anos Kennedy também inspiraram os jovens a lançar um olhar mais preceptivo sobre a sociedade que os circundava.
Em retrospecto, os primórdios da década de 1960 representaram uma era divisória igualmente no âmbito da comunidade artística. Surgiram novas formas. Vários diretores teatrais individuais residentes em Minneapolis, Washington, Houston, San Francisco, Seattle, Louisville e outras cidades, intensificaram suas respectivas buscas de dramas de qualidade nova e, nesse processo, formaram uma rede de teatros regionais
que, trabalhando praticamente sozinhos, descentralizaram o cenário teatral nacional.
Na dança, novos coreógrafos surgiram no horizonte. Da mesma forma que Jerome Robbins e Martha Graham haviam surgido décadas antes como herdeiros dos mantos dos clássicos europeus e da dança moderna, da mesma forma os recém-chegados, entre eles Alvin Ailey, Twyla Tharp, Robert Joffrey, Glen Tetley, Eliot Feld, Arthur Mitchell e Michael Smuin surgiram como heróis em potencial de uma terceira geração.
Surgindo no momento em que surgiram, fundiram as visões, os sons, a música e os interesses de sua época com os componentes básicos tradicionais da dança. A combinação funcionou maravilhosamente, e as platéias mais jovens começaram a prestar atenção ao que estava acontecendo. A partir da segunda metade da década de 1960, expandiu-se no setor das corporações uma conscientização artística coletiva. Essa teve início no âmbito das próprias companhias, individualmente.
Subseqüentemente, as companhias reconheceram que um ambiente enriquecido era vital para a sociedade a que pertenciam. Assim, passaram a patrocinar concertos na hora do almoço pelas sinfônicas locais, criaram galerias de arte para o público em suas próprias instalações, contribuíram com verbas para a encenação de uma nova produção operística em um grande auditório do centro da cidade, ou variações sobre esses temas.

O HOMEM-BICHO NA OBRA DE GILBERTO

JORNAL A TARDE ,SALVADOR, SÁBADO, 18 DE NOVEMBRO DE 1978

"Vi ontem um bicho / na imundice do pátio / catando comida entre detritos./  Quando achava alguma coisa,/ não examinava e nem cheirava : / Engolia com voracidade./ O bicho não era um cão,/ não era um gato, / não era um rato, / o bicho, meus Deus, era um homem."


Este poema de Manuel Bandeira que vem inserido no catálogo da exposição do sergipano Gilberto Teixeira que está aberta ao público na Galeria O Cavalete, no Rio Vermelho, reflete exatamente múltiplas imagens da cidade metrópole onde os homens são marginalizados, aleijados e mortos. A exposição campeia sob várias colorações e formas. O homem vai sendo aos poucos esmagado numa engrenagem que é azeitada dia-a-dia por instrumentos de grande poder. Assim o pintor, sensível e visionário observa que alguma coisa está errada. Esquece o pouco o bucolismo das paisagens e as linhas tortuosas do barroco e engendra pelos caminhos do real. Uma realidade palpável que outros pintores, seus colegas, fecham os olhos e criam apenas imagens belas e irreais. Vivem eternamente sonhando fora da realidade em que vivem vagando como as luzes de mercúrio instaladas no topo dos postes nas ruas desertas.
 O medo de enfrentar a realidade e também o preconceito criado de que a arte apenas ser bonita.O reflexo do belo está cegando muita gente. Prefiro os humildes que enxergam.Aqueles que ao sentarem em seus atelieres luxuosos ou quase luxuosos, e principalmente aqueles que vivem em dificuldades e que ao abrir a janela descortinaram um homem-bicho.Sujo e caído numa marquise sem qualquer projeto de vida. São marginalizados não por gosto ou escolha. Não, eles nunca tiveram outra opção e nadavam contra a correnteza. São assim lançados como pedaços de paus imprestáveis pelas águas caudalosas da engrenagem da grande metrópole. Falo em grande metrópole porque os casos são mais chocantes, pois como homem do interior, sei que por lá as pessoas ajudam um pouco mais aqueles que caem em desgraça.
Mas vamos ao trabalho pictórico de Gervásio Teixeira jovem sergipano que traz na pele o sangue curtido do nordestino e mesmo residindo na metrópole carioca não esqueceu que seus patrícios estão construindo o colossal metrô e outras obras grandiosas. São verdadeiras formigas e a semelhança é maior porque moram até em buracos provisoriamente feitos em abrigos. Ao terminarem as obras muitas vezes nem pode entrar, a exemplo de um prédio luxuoso na Avenida Vieira Souto. Assim a visão de Gilberto é perfeitamente casada com este poema do saudoso Bandeira. Sensível, ele enxergava as coisas e traduzia em versos. O Gilberto traduz com as imagens que joga nas telas, esta desigualdade. O nordestino que ao chegar na metrópole não perdeu suas características e seu trabalho apresenta esta dualidade: o primitivo e o evoluído. A fábrica absorvendo em parte a grande oferta da mão-de-obra que é barata.
O salário baixo, a vida mística e as origens que muitas vezes são totalmente desvirtuadas, engolidas pelas novas ofertas de consumo através das mensagens estereotipadas da televisão e de outros meios de comunicação de massa.

    ROCKWELL O PINTOR DAS PEQUENAS CIDADES

Norman trabalhando
em seu atelier 
Aos 84 anos, morreu, no último dia 9, o pintor Norman Rockwell, conhecido, principalmente, pelos mais de 300 quadros que pintou para servirem de capa para a revista Saturday Evening Post. Rockwell estava muito doente há mais de dois anos e o seu médico pessoal, Franklin Paddock, informou que ele morreu em sua casa, por volta das 23:15 horas. Paddock não revelou a causa da morte.
O seu último quadro ficou, inacabado, em seu estúdio, o antigo depósito de carruagens da Casa Branca, de duas chaminés, para onde se mudou em 1952. Rockwell era o pintor das pequenas cidades e de seus habitantes da região da nova Inglaterra. Sua ficava numa das partes mais bonitas, desta região, os montes Berkshire.
O seu quadro mais conhecido Stockbridge Main Street at Christmas,( Foto abaixo) , pintado para uma edição de 1949 do  Saturday Evening Post, procura captar o ambiente dessa região.
Rockwell não chegou a terminar seu último quadro, iniciado há alguns meses, e que tentava captar uma paisagem de Stockbridge.
Qunado fez 80 anos, o pintor disse: Eu quero morrer de repente, quando estiver pintando. Não quero passar o dia numa cadeira ou ir para a Flórida. Este é o meu ideal. Rockwell e sua mulher, Molly, eram figuras bastante populares de Stockbridge. Muitos de seus dois mil habitantes serviram de modelo para os seus quadros.


Na cidade, fica a Old Corner House, u museu dedicado ao artista, com 80 trabalhos originais, rascunhos e objetos que pertenceram ao pintor. Cerca de 65 mil pessoas visitam por ano o museu. Rockwell, no entanto, era filho de uma metrópole. Nasceu em Nova Iorque, em 1894. Vendeu seu primeiro quadro, com 22 anos, ao Post, por 50 dólares. Mostrava um menino empurrando, com relutância, um carrinho de bebê. O Post se  transformou num comprador regular dos quadros sentimentais e humanos do artista.
Certa vez Rockwell disse que não tinha o objetivo de pintar um país onde tudo fosse bom e ensolarado. Mas seus quadros, quase sempre, mostravam crianças de cabelos claros junto a avós com ar de admiração, meninos se iniciando no beisebol e ansiosos para mostrar o rosto ao pintor, cachorrinhos brincando entre as pernas de seus donos. No fim da década de 1960, porém, profundamente influenciado pelas tensões desse período nos Estados Unidos, Rockwell passou a mostrar situações de caráter mais social.
Quando tinha 75 anos, declarou: Durante 47 anos, eu retratei o melhor dos mundos possíveis avós, cachorrinhos, coisas assim. Isto agora acabou e acho que já era a hora.
Este período da obra do artista ficou conhecido como o Angry Period. As obras mais famosas da época são os retratos de três militantes da luta pelos direitos civis, assassinados no sul do país, e a figura de uma menina negra, de rabo de cavalo, sendo acompanhada para a escola por quatro agentes federais.
O público não reagiu bem a esta mudança, mas ele afirmou: Eu me senti satisfeito quando fiz estes quadros. Agora, temos problemas maiores. Estou contando minhas histórias num período de pessimismo. Quem acompanhar minha obra, verá que gostei muito do espírito dos velhos tempos. Mas, não quero ficar conhecido como um especialista, o homem que pintou as capas do Post.
Até quase a sua morte, Rockwell manteve uma rígida disciplina de trabalho.Pintava diariamente, seguindo-se um período de exercícios e descanso.
Obra A Pata do Gaspar, de Norman Rockwell
Rockwell também ficou conhecido como pintor de retratos. Seus trabalhos mais conhecidos são retratos de Richard Nixon, Lyndon Johnson, Dwight Eisenhower, John Glenn, Nikita Kruschev, Gamal Abdel Nasser e Jawaharial Nehru.
Rockwell teve três filhos e os três são artistas: Jarvis é pintor abstrato, Tom é escritor e Peter é escultor. O doutor Paddock informou que, devido a seus problemas de saúde, Rockwell não pintava regularmente há dois anos. Procurou não descuidar de suas relações com a comunidade mas não saía de casa há alguns meses. Os preparativs para os funerais ainda não estão completos, mas provavelmente a cerimônia religiosa será na igreja Episcopal de São Paulo e o enterro no pequeno cemitério de Stockbridge.
Normalmente, um quadro original de Rockwell custava 27 mil dólares, pouco antes de sua morte.
Ele, porém, afirmava que não era um artista. Classificava-se de um Ilustrador, um contador de histórias.Seu pai era pintor de paisagens. Rockwell deixou a escola com 16 anos e três anos depois era o diretor de arte de revista Boys Life, que também publicou muitos de seus trabalhos.

  PANORAMNA DE ESCULTURA E OBJETO NO MAM-SP

 Na foto objeto de Vilma Rabello Machado (1978).
O Museu de Arte Moderna de São Paulo vai inaugurar às 19 horas, do dia 23, seu X Panorama de Arte Atual Brasileira, neste ano dedicado a Escultura e Objeto. Dele participam 58 artistas de vários estados do Brasil, com cerca de 170 obras. A Caixa Econômica Federal patrocina os quatro prêmios a atribuir, dois Prêmio-Estímulo Caixa Econômica Federal para cada um dos gêneros expostos.
Conta o Panorama com o patrocínio do INAP- Instituto Nacional de Artes Plásticas: Funarte- Fundação Nacional de Arte do Ministério da Educação e Cultura; e com o patrocínio do Governo do Estado, através da Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia.O Panorama poderá ser visitado, a partir de 24, nos horários: d terças às sextas, das 14 às 21h; sábados e domingos, das 14 ás 18h. 

         MÓVEIS DE MARTIN ELSLER E ERNESTO WOLF

Móveis criados por Martin Eisler
Criada por Martin EIsler e Ernesto Wolf, em 1953, com o nome de Móveis Artesanal, e situada à Rua Barão de Itapetininga, a Forma conheceu a fama desde cedo. Três anos após sua fundação, a Trienal de Milão premiava com o Compasso de Ouro os artistas Martin Eisler e Carlo Hauner.
O êxito na península justificou uma exposição de desenhos de ambos em Roma, além da abertura de uma empresa e fábrica em Brescia. Mais adiante a empresa se dividiu, ficando a diretoria artística da Forma brasileira entregue a Martin Eisler. A partir de então, sem perder de vista seu objetivo de produzir móveis do mais alto nível, tanto por seu desenho, como pela qualidade, a Forma vem mantendo posição de destaque em nosso país, com uma filosofia própria em móveis e objetos artísticos. Em função de uma grande identificação com os designers da Escola Bauhaus, passou a fabricar no Brasil os móveis da Coleção Knoll International dos Estados Unidos, o que incluiu grandes mestres como Mies van der Rohe, Marcel Breuer, Eero Searinem, Florence KNoll e Harry Bertola, entre outros. A forma apresenta agora a Coleção Cassina, produzida pela Probjeto, e ainda, com exclusividade de distribuição, as peças Le Corbusier, ampliando assim sua linha residencial.