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terça-feira, 23 de abril de 2013

MÁRIO CRAVO - 15 DE JANEIRO DE 1977


JORNAL A TARDE SÁBADO, 15 DE JANEIRO DE 1977

                  MÁRIO CRAVO JUNIOR

 Mário Cravo Junior com uma de suas últimas esculturas 
"Na Bahia a atividade criadora em si mesma está estagnada. O que existe é que a partir da descoberta da Bahia pelos brasileiros criando um mercado veio em consequência a necessidade de uma produção acelerada para atendê-los. Assim, temos muita quantidade e pouca qualidade, visando apenas atender a este mercado em ascensão", estas palavras são do escultor Mário Cravo Júnior, umas das figuras mais importantes das artes no Estado. É impossível falarmos da arte em Salvador sem citar o seu nome, e, principalmente, o trabalho pioneiro por ele executado durante vários anos. Sua figura displicente esconde um artista do primeiro time, um homem capaz de retirar do nada grandes projetos, que depois são executados com qualidade.
Sua crítica é voltada também para as manifestações artísticas populares e cita o caso do berimbau. Sua função foi desvirtuada passando a um simples objeto de decoração exibido nas mãos de turistas que aqui aportam.
Dele só ficou o aspecto de objeto e não o som, que o capoeirista curtia para produzir o seu ritmo. Até a própria confecção deste instrumento foi desvirtuada, sendo confeccionado com qualquer madeira. E adianta á medida que os brasileiros vão ficando mais baianos, os baianos vão ficando menos brasileiros.

INVASÃO

A invasão que estamos assistindo da Bahia por milhares de turistas vem criando um mercado sem qualidade de obras de arte.Existe uma organizada indústria de casarios e marinhas. A qualidade dessas telas são duvidosas, ou quase inexiste. Mas, acontece que o turista quer levar um pedacinho da Bahia, e assim muitos inescrupulosos vão produzindo em série sem a preocupação em pintara mesma casa de ângulo diferente. Além do problema da qualidade existe uma repetição e uma falta de criação total. Portanto esta arte é muito vulnerável sob o ponto de vista crítico e a única vantagem é atender as pessoas que não tem maiores exigências ou conhecimentos artísticos.
O escultor Mário Cravo aborda o problema sem o saudosismo tão natural daqueles que atravessam os 40 anos de idade. Esta industrialização provocada pela avalanche de turistas que procuram a Bahia vem prejudicando muitos artistas, que em busca de dinheiro fácil esperdiçam os seus talentos na confecção de uma arte empobrecida. Ele mesmo diz que muitas vezes as pessoas acham que sou agressivo ou intolerante. Isto porque firo com meus conceitos essa mística baiana tão propalada. Existem cidades com muita herança cultural muito mais rica que Salvador, mas lá eles sabem preservar. Tem cidades que permanecem quase intactas, mas isto é romantismo, embora tenha seu lado positivo. Outros acham que nossa cidade tem de passar por essa metamorfose que assistimos ou seja a sua transformação numa metrópole, levando tudo de roldão. Eu estou do lado daqueles que acham que Salvador deve mudar, tentando renovar suas reservas, e heranças na área cultural e sensorial, porque nisto reside a vitalidade de nossa cultura se bem que o impasse não é um problema exclusivamente baiano, ele existe universalmente..
Como todas as pessoas sensatas, Mário Cravo Júnior esclarece que está acima dos deslumbramentos e ufanismos tão prejudiciais para entendimento de uma cultura,. E conclui dizendo que o artista tem o que ver é consigo mesmo. O resultado de sua criação é uma coisa pública posterior, é parte da própria dinâmica da comunicação.
Estas observações feitas por Mário Cravo são suficientes para que nós baianos tenhamos sempre em mente que a invasão é inevitável, mas que devemos tomar algumas medidas para que não provoque o empobrecimento da arte ou outras manifestações culturais.

             A MONOTIPIA NA OBRA DE BURCHARD

O Macaco de Saul Steinberg, monotopia de Burchard
O Museu Nacional de Belas Artes está expondo desde o último dia 12 do corrente; quarenta monotipias apresentada em formas de séries impressas por Burchard. Cada exemplar é um original não podendo ser repetido.Foram confeccionados utilizando matrizes de chapas de zinco e cobre de papel (velin d’arches, bjk rives e fabriano.
Burchard nasceu em Berlin em 1920 e seu interesse pela arte remonta a sua juventude. Formado em Economia pela Universidade de Hamburgo andou por vários países realizando trabalhos para um grupo industrial de seu país de origem. Em 1952 conhece o Brasil, aqui radicou-se é hoje é naturalizado brasileiro. Desligou-se das atividades industriais em 1973 para dedicar-se exclusivamente á sua arte. Possui obras em vários museus de renome internacional.
Quanto á sua monotipia nasceu essencialmente da gravura, depois da utilização de várias técnicas. Portanto, num processo inverso que veio ao acaso e não uma busca da monotipia, como acontece com a maioria dos artistas. Ele é um inquieto por natureza e contrária o significado rígido de palavra monotipia quando anula esta limitação aproveitando depois da primeira impressão das cores que ficam impregnadas nas matrizes. Os recursos por ele utilizados permitem a modificação de elementos antes concebidos, acrescentando novos, criando dessa forma uma composição distinta.

Todo o processamento da monotipia de Burchard é realizado por ele, seja na prensa de metal ou na de litografia, em seu atelier em Parati no Estado do Rio de Janeiro. A partir de pigmentos puros, o artista prepara suas próprias tintas. Em constante pesquisa, Burchard esteve no Pratt Graphic Center e em outras oficinas gráficas de Nova Iorque e Paris, onde encontrou respostas para muitos problemas técnicos.
O artista sempre busca novos caminhos, servindo-se da arte e nela se expressando.Vive desenhando, e com traços focaliza instantes que interpreta. Podemos dizer que cadernos são feitos de anotações, em grafismo. Assim consegue manter curiosos intercâmbios com eventuais modelos surpreendidos ora em aeroportos, ora em um parque, ou num ônibus.
As flores, o mar e o céu são significativos na obra de Burchard. Foi um velejador ativo e o contato com os elemento desafiantes da natureza retirou sua interpretação de barcos, velas e sintetizou o lirismo do vôo. Servindo-se dos recursos que a monotipia oferece, a interpretação dos personagens tornou-se uma constante em seu trabalho, como nas séries Soul, Jimy Hendrix, Lola, a mulher e Josephine Backer ou a volúpia de ser.
Em alguns momentos podemos entender a sua arte como cartoon, história em quadrinhos, não somente pelo sentido de humor e ironia que o artista imprime no desenho, mas também pela manifestação das experiências vividas; como é o caso de Ícaro, quando tendo por, inspiração o personagem mitológico cria uma ideia de vôos bem sucedidos ou não a que cada homem se propõe.
Finalmente outra característica de Burchard é a metamorfose, cujo desdobramento de uma ideia e do desenho atinge a uma completa transformação da figura, achando-se bem evidenciada nas sequências da série Bispos Cusquenhos, ou na experiência que vem desenvolvendo com retratos não convencionais, quando capta a retratada e transforma em seu próprio sonho ou no sonho de personagem. Assim é a obra de Burchard é o homem é a figura central de suas cogitações. Uma arte reflexiva de uma experiência consciente e crítica, espelho de uma realidade que sendo conhecida, deve ser discutida.
                                                      PAINEL

A ARTE POP - de Simon Wilson e O Cubismo, o Euturismo e o Construtivismo, de J.M. Nash, da Editorial Labor do Brasil S.A. são dois livros que na devem faltar na estante daqueles que estudam ou fazem arte.
Além de um texto informativo e critico trazem reproduções da mais alta qualidade, inclusive mostrando a importância das telas, esculturas e outros trabalhos ali incluídos.
Dando sua definição do que é arte pop diz Simon Wilson logo no início de seu livro: a expressão Pop Art se refere a um movimento estilístico na arte ocidental que ocorreu aproximadamente entre 1956 e 1966, na Inglaterra e nos Estados Unidos. A Pop Art tem três características distintas. Em primeiro lugar é a figurativa e realista, coisa que nenhuma arte de vanguarda tinha sido desde seus inícios com o realismo de Courbet
Em segundo lugar, o ponto de origem da arte Pop foi Nova Iorque e Londres, portanto, o mundo que ela encara é um mundo muito especial das grandes metrópoles de meados do século XX. Finalmente, Simon fala da terceira e última característica que o artista Pop trata esses materiais de modo muito especial.
Por uma lado insiste em que a história em quadrinhos ou a lata de sopa ou o que quer que seja é simplesmente um motivo, um pretexto para um quadro, como para Cézanne uma maçã é uma natureza morta.
Já Nash fala do Cubismo, Futurismo e o Construtivismo num manifesto publicado em Milão a 20 de fevereiro de 1909, e o Construtivismo surgiu em Moscou após a Revolução de 1917. Salienta a inda a existência de muita relação entre eles.

POLÍCIA DA CEIA -Quando a polícia carioca resolveu retirar a fotografia A Penúltima Ceia, do artista Sebastião Barbosa, no princípio desta semana da parede da Galeria Grafitti, em Ipanema todos ficamos perplexos. A subjetividade de uma obra de arte é uma coisa que muita gente não entende...

PRIMEIRA - O artista Edson Cezário está expondo pela primeira vez individualmente. A exposição está montada no Praiamar Hotel.

SOLEDAD  - O pintor Luis Soledad Otero está expondo na Galeria O Cavalete abrindo a programação de 1977 da referida galeria de arte. Já participou de várias exposições individuais em galerias estrangeiras e segundo ele minha inspiração é nutrida pela profunda simplicidade das pequenas pinturas Zen, que exibem o valor do silêncio nas suas maravilhosas e eloquentes utilizações dos espaços brancos, onde a linha e a forma exprimem essência pela economia absoluta de seus elementos. 

SALÃO DE VERÃO NASCE VITORIOSO - 22 DE JANEIRO DE 1977


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SÁBADO, 22 DE JANEIRO DE 1977

          SALÃO DE VERÃO NASCE VITORIOSO

Um óleo sobre tela de Antoneto mostrando uma festa na vila
Dos 185 artistas inscritos no 
I Salão de Verão organizado pela Fundação Cultural do Estado, apenas 69 vão expor seus trabalhos. Foram enviados 518 obras entre pinturas, esculturas, objetos, xilos e desenhos das quais apenas 168 serão mostradas, depois de uma cuidadosa seleção, feita pela comissão julgadora do Salão. Como participante da comissão julgadora considero este Salão gratificante pelo volume de obras apresentadas e pela qualidade das obras de alguns novos valores que começam e despertar no setor das artes visuais em nosso Estado.
No entanto, notei a disciplina de alguns artistas conhecidos e, com exposições realizadas, inclusive por órgãos culturais, em enviar para o Salão, trabalhos sem qualidade. Esta displicência mostra o desinteresse ou simplesmente não sabem medir o valor do seu trabalho. Isto resulta em desprestígio, que pode ser avaliado ,pelo número de obras retiradas  pela comissão. Assim o público terá oportunidade de visitar as salas onde ficarão expostas as obras e encontrar apenas um quadrinho, insignificante, de uma artista conhecido.
Os Bichos do artista Francisco Augusto

É um exemplo para os que começam. A necessidade de uma autocrítica, de uma reavaliação daquilo que estão fazendo em relação ao que fizeram antes. É a febre das frases. O artista nem começa e já alcança três ou mais fases. O trabalho artístico é fruto de um amadurecimento de uma ideia e como tal deve ser concretizado. Nada de extravagâncias ou muito menos improvisação neste País do jeitinho. Vamos trabalhar sério, mostrando aquilo que sabemos fazer em benefício próprio e da cultura baiana.
Notamos também que certas pessoas continuam trabalhando tão mal como começaram. são casos que a única solução é a desistência. Parece duro a gente falar em desistência, mas é a realidade. Essas pessoas foram eliminadas do Salão.
Este Salão tem por objetivo proporcionar uma amostragem  mais panorâmica possível das artes visuais em nosso Estado. Não existiu o espírito de concorrência, embora estejam presentes os Prêmios de 

Detalhe de uma tela de Luis Britto

Aquisição que serão conferidos por entidades culturais e empresas privadas. A mostra foi reduzida ou ilimitada simplesmente por falta de qualidade dos trabalhos apresentados por algumas pessoas e pelo espaço físico disponível a montagem. Assim cada artista exporá no máximo duas obras. Tivemos muita dificuldade em julgar os trabalhos apresentados. Eram 518 obras. Nos reunimos por mais de seis horas seguidas e revimos por duas vezes as obras recusadas para diminuir a possibilidade de erro. Chegamos a um consenso geral na escolha desses nomes que são: Maria Luísa; Vera Lima, Maria Betânia; Ida Reis, Kátia Berbert, Francisco Nascimento, Eduardo Carvalho, Elmo Sacramento, Luís Brito, Otávio Nascimento, Justino Marinho; Ubirajara Mutti, Leonel Rocha, José Antônio Cunha, Idalina Almeida, Glei Melo, Hermes Lopes, Francisco Vieira, Walter Pinheiro, Itamar Espinheira, Henrique Pepe, Gilson Rodrigues, Miguel Najar, Romilda de Oliveira, Anna Georgina, Arlindo Gomes, César Romero, Roberval Marinho, Carlos Alberto Simas, Graça Ramos, Zélia Oliveira Rosa Alice, Sérgio Velloso, Waldenberg,  Denise Pitágoras,  Edson Calmon, Gildázio Vieira, Maria Auxiliadora Lopes, Zivé Giudice, Maria Adair, José Palles, Carlos França, Reinaldo Gonzaga, Humberto Vellame, Edmilson Ribeiro, Antônio Luiz, Sólon Barreto, Roberto Meirelles, Rita Barreto, Bartira, Francisco Assis, Therezinha Lima, Ângela Maria Cunha, Maria Tehofila da Silva, Joselito Duque, Tião Claudio Vultagio, Ângela F. Cunha, Emma Vale; Leo Toniolo, Yuriko Kaminda, José Artur, José Leão Bandeira, Wilson Isse, Antônio C. Meireles, Eduardo Simas, Hilda de Oliveira, Bráulio Lopes, Paulo Diniz, Antônio Benedito, Fernando Belém, Cléia Azevedo, Jorge Bandeira, Leila Maria Gaeta; Severina de Melo, Carmem Carvalho, Clara de Souza, Alberto Borba, José Emerson, Botelho Pedrosa, Gláucia Maria, Calixto Sales, Bruno Visco, Antoneto, Zu Campos, Herbert Eloy, Renato de Medeiros, Marlene Cardoso, Márcia Tourinho, Juarez Maranhão, Almiro, Rita Moraes, José Carlos Lauria, Benedito Barreto, Marlene Batista, Sidney Roberto, Renato Viana.

DETALHES
Tela de Jorge Bandeira

Os nomes apresentados aqui não estão em ordem de classificação, porque o I Salão de Verão não tem classificação para evitar a competição entre os artistas. A relação obedece a ordem em que a comissão ia escolhendo os trabalhos enviados. Quanto aos recusados, trabalhos, podem ser retirados a partir de terça-feira no Museu do Estado, situado na Avenida Joana Angélica.
Por indicação de um dos membros da Comissão julgadora foi aprovada para  apreciação pela Funarte Estado, situado a Avenida Joana Angélica.
Por indicação de um dos membros da Comissão Julgadora foi aprovada para apreciação pela Fundação Cultural, uma moção para que sejam escolhidos cincos artistas, que posteriormente seriam lançados numa exposição, visando incentivá-los.
A Comissão Julgadora foi composta de Calasans Neto, Reynivaldo Brito, Ivo Vellame Jacyra Oswald, Geraldo Machado e Pasqualino Magnavita.
Notamos ainda a grande avalanche de casarios, mal feitos, mal estruturados.
Trabalhos sem qualidade que servem apenas para enganar o turista menos avisado que deseja levar um pedacinho da Bahia.
Uma artista iniciante enviou uma tela que era a maior de todas. Fomos examiná-la de perto e na sua ficha a tela gigante  estava avaliada em  150 mil cruzeiros. Era minha opinião deveria ser uma simples apelação do artista iniciante, que se chama Waldenberg.
A tela lembra aquelas estampas germânicas. Não apresenta qualidade, nem criatividade, nem tampouco o seu autor tem um nome formado para pedir tão alto preço. Concluo apenas com a hipótese que o gigantismo da mesma tenha lhe impressionado ao ponto de levar a fixar tal preço.
Destaco alguns trabalhos apresentados que poderão ser indicados para os Prêmios de aquisição e cujos nomes revelo: Antoneto, Luís Brito, Kátia Berbert, Francisco Augusto, José Carlos Lauria, Jorge Bandeira, Justino Marinho, Humberto Vellame, Carmem Carvalho, Juarez Maranhão, Edmilson Ribeiro, Zélia Oliveira. Esses são alguns dos nomes que poderão ser indicados.
Digo poderão, porque serão escolhidos 20 nomes de comum acordo com a Comissão Julgadora, os quais serão depois conhecidos.

                                                  PAINEL

CARTUNS E QUADRINHOS - De 24 a 28 deste mês estará aberta ao público uma exposição de cartuns e quadrinhos baianos na Biblioteca Central, nos Barris, promovido pelo Centro de Pesquisa e Comunicação de Massa. Exporão: Lage, Setúbal, Nildão, Cedraz, Jorge Silva, Limiro, Menandro Ramos, Carlos Ferraz, APS, J. Lessa, Calunga, Carlos França, dentro outros.
Esta mostra é muito importante tendo em vista a seleção dos melhores trabalhos que representarão a Bahia na exposição Panorama do Quadrinho Brasileiro 77 no Museu de Arte Moderna, reunindo Ziraldo Henfil, Maurício de Souza e Perotti.

PRESERVAR- Já que não podemos salvar o homem, Chico da Silva encontra-se atualmente internado num hospital psiquiátrico, bastante debilitado, procuraremos defender a sua obra contra a ação de dezenas de copiadores. Estas palavras refletem o objetivo da Fundação Francisco Domingos da Silva, que quatro artistas cearenses e um pesquisador norte-americano lançaram num programa da TV educativa no Ceará.

KANTOR EM FILME- Um grupo de amantes da pintura compareceu á exibição do filme sobre a obra de Kantor, este pintor argentino divulgou em vários países da Europa e Oriente. O filme apresenta toda a sua obra pictórica e mostra detalhes interessantes com utilização de luz que varia de intensidade. Esta variação destaca alguns detalhes de suas telas.
Kantor é uma das figuras humanas mais sensacionais que já conheci. Um homem de grande sensibilidade. A simplicidade de suas telas é resultado de um trabalho amadurecido de uma artista que tem um nome internacional a zelar e portanto está fora de atitudes mesquinhas que nunca o atingirão.

PAISAGEM BRASILERIA- Uma paisagem brasileira pintada pelo holandês Frans Post, datada de 1664, foi vendida por um milhão e 200 mil cruzeiros na Sotheby Parke Bernet, de Londres. A tela mostra as ruínas da cidade de Olinda tendo no primeiro plano um grupo de regras.

VAN DYCK FICA- A pintura de Van Dick Madona Com a Criança, vendida no último verão europeu a um museu americano, vai içar na Inglaterra. Foram arrecadados nada menos que 231 mil libras esterlinas, cerca de 4 milhões e 620 mil cruzeiros para pagar a soma alcançada pela peça num leilão.

GAM- Jornal Mensal de Artes, de bom nível o Jornal Mensal de Artes editado por Hélio Silva e Duda Machado, no Rio de Janeiro.
O último número que é o 35, apresenta uma matéria sobre o Grupo Tribus e outra com o pintor Antônio Berni.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

GRAVURA BAIANA PRECISA RETOMAR A SUA PRODUÇÃO - 19 DE JUNHO DE 1989.


JORNAL A TARDE,SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA 19 DE JUNHO DE 1989.

GRAVURA BAIANA PRECISA RETOMAR A SUA PRODUÇÃO

Já era tempo de mudança. Finalmente as oficinas que vinham funcionando no Solar do Unhão vão receber uma dose de incentivo. Sempre vi o trabalho das oficinas como de grande importância para o movimento de arte da Bahia e aplaudi a iniciativa dos seus fundadores. Porém as oficinas caíram na mesmice e não prosperavam, não procuravam inovar, trazendo á Bahia artistas de outros estados para que os alunos pudessem tomar conhecimento de novas informações e habilidades.
Não estou aqui discutindo o talento dos artistas, que lá ensinaram Todos são de reconhecido valor. O que questiono é exatamente a necessidade, inclusive para os seus professores das oficinas que aqui aportassem artistas conceituados de outros lugares, porque entendia ser muito importante a troca de informações.
Agora parece que esta idéia que sempre tive com relação ás oficinas, vai ser concretizada. Os cursos foram suspensos pelo Departamento de Artes Plásticas, da Secretaria da Cultura, e o barracão onde funcionam as oficinas foi reformado. A produção do filme Orquídea Negra patrocinou a reforma de alguns equipamentos e a Secretaria de Cultura as obras do prédio.
O programa antigo vai continuar, na parte da manhã, e, à tarde, um professor-artista de preferência de fora, vai repassar suas experiências para os baianos. O primeiro convidado é Sérvulo Esmeraldo, um gravador e escultor cearense de gabarito. Com muitos anos de profícuo trabalho ele vai mostrar aqui a sua arte numa exposição, e, ao mesmo tempo, contribuíra para o desenvolvimento da gravura baiana. Sabemos que a Bahia já foi um grande centro produtor de gravuras, e diga-se de passagem, gravuras de qualidade. Hansen Bahia, Edson da Luz, Juarez Paraíso, Calasans Neto e muitos outros contribuíram para que ostentássemos um lugar de destaque na gravura nacional.
Alguns quase deixariam de fazer gravuras, outros morreram e a produção caiu Hoje, a gravura baiana tem pouca produção e qualidade duvidosa. Será, portanto, uma oportunidade da retomada da gravura baiana.
Uma notícia me deixa mais tranqüilo. O dinheiro arrecadado com o aluguel do restaurante do Solar do Unhão está sendo repassado para o Departamento de Artes Plásticas e, assim, será possível manter este programa, juntando algum recurso do orçamento da própria Secretaria da Cultura.
Por outro lado, informa Zivé Giudice, do Departamento de Artes Plásticas que serão redimensionados os espaços das oficinas de escultura e cerâmica as quais terão lugares próprios, evitando que fiquem misturadas com a de gravura em papel. Esta terá uma atividade bem maior, nesta nova fase das oficinas. Concordo com a colocação de cada oficina num determinado espaço desde que integradas, e vamos agora aguardar o cumprimento das promessas. Estaremos daqui de plantão para aplaudir as boas iniciativas e exigir o benefício do próprio artista e da cultura dos baianos. Também os artistas daqui, mesmo os profissionais, poderão utilizar o espaço, e vamos torcer para que a gravura baiana retome o seu lugar no cenário artístico nacional. Já era tempo.

                       ZAU SEABRA QUESTIONA A ESSÊNCIA DA MODERNIDADE

Nesta tela intitulada Sublimação, Zau Seabra
 mostra e questiona o consumismo desenfreado
Estamos vivendo tempos de facilidades nunca vistos. Os aparelhos telefônicos com utilização de raios laser, carros com memória, sistemas de comunicação cada vez mais instantâneos, os satélites programados e os computadores que conversam, estão aí nas vitrines e nas indústrias á disposição do homem moderno. Por outro lado, nas sociedades onde a concorrência  individual e a livre iniciativa ainda estão num estágio mais atrasado, como no Brasil, a grande maioria da população ainda não pode desfrutar dessas benesses, tão alardeadas pelos futuristas. Ao contrário, estão vivendo tempos de fome, de miséria, de falta de abrigo e de saúde abalada. Nos grandes aglomerados urbanos os pobres se degladiam  em busca da sobrevivência e muitos roubam e até matam.
Uma guerra civil não declarada e quase sempre quando a Polícia bate num barraco lá encontra fatalmente os aparelhos eletrônicos e outros bens de consumo da sociedade moderna, os quais foram roubados de alguém que os comprara. Muitos ficam neuróticos, incapazes de entender as dificuldades que lhes são postas á frente.
A ânsia pela liberdade varre o mundo. Na China 1.400 jovens foram tragicamente massacrados pelas armas automáticas e os possantes tanques. Na Rússia, várias minorias étnicas lutam por liberdade e Gorbachev acena com a possibilidade de derrubar o vergonhoso muro de Berlim. Na Argentina, a hiperinflação se encarrega de espalhar a miséria e alertar nós brasileiros de que também podemos sofrer deste mal. É exatamente este universo de contradições e de incertezas que Zau Seabra, uma aluna da Escola de Belas Artes faz o seu discurso pictórico intitulado.
Nóias Urbanas, onde mostra a modernização do universo urbano e suas conseqüências positivas ou negativas em contraponto com os sonhos de liberdades, facilidades desenvolvimento tencológico onde o medo do presente do futuro se encontram.
Seu trabalho é calcado nesse mundo e tem forte conteúdo social tendo o ser humano como centro de tudo. Ela já participou de algumas coletivas e expôs no Salão Universitário de Artes Visuais promovido pela Universidade Federal da Bahia, sob a coordenação do professor Ivo Vellame. Evidente que ainda jovem, dando seus primeiros  passos no mercado de arte, Zau Seabra tem muito que aprender com relação á técnica e sua relação com outros materiais. Pelo menos ela já demonstra uma disposição e alguma informação sobre o mundo que lhe cerca. Não é uma simples pessoa que tem alguma habilidade.
Considero que a informação é o elemento primeiro para o início de um trabalho pictórico consciente e questiona dor da realidade. Aí sim, está o toque inovador e o papel do artista de estar sempre na frente. Zau Seabra está expondo na Galeria do Aluno.

   MARIA ADAIR EXPÕE SUAS TRAMAS EM  CONQUISTA

Maria Adair convida:
Sente-se na Trama
A trepidante Maria Adair, depois de andar pelo exterior levando suas tramas, agora chega á cidade do frio (nem tão fria assim) Vitória da Conquista  para expor na Galeria de Arte  Geraldo Rocha.
Nascida em Itiruçu, no interior da Bahia, certamente, as tão decantadas raízes tenham contribuído para esta volta, com toda força de sua pintura, que antes de tudo demonstra uma potencialidade de ação muito grande. São linhas que se cruzam ora mostrando tensões contidas, ora a vontade de sair, por aí sem destino, como os milhares de jovens que colocaram uma mochila nas costas e perambularam por este mundo afora até retornarem ás casas dos pais...
A artista consegue nos levar a percorrer aqueles caminhos quase superpostos em busca de novas emoções.
Qualquer objeto serve para a sua busca incessante. Uma cadeira, uma gamela, enfim, o que estiver ao seu redor pode servir de suporte para a explosão de sua força criativa. Esta abstração da realidade que está presente na obra de Maria Adair nos distancia de uma representação objetiva, mas também nos envolve em tramas de cores fortes e emocionantes. A energia transmitida pelas linhas que se entrecruzam e a luminosidade do cromatismo nos levam a momentos de prazer, quando nem pensamos, já estamos navegando por um mundo cheio de fantasias e subjetividades. Verdadeiros sonhos, onde muitas vezes procuramos o princípio das linhas e encontramos outra saída e tudo volta ao princípio. Uma trama perfeita rica em sensibilidade e energia.





MAURICE DEBAUVAIS EXPÕE 18 OBRAS NO MERIDIEN - 24 DE JULHO DE 1989


JORNAL A TARDE,SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA 24 DE JULHO DE 1989

 MAURICE DEBAUVAIS EXPÕE 18 OBRAS NO MERIDIÉN

Mais uma atividade cultural feita em homenagem ao bicentenário da Revolução Francesa. O consulado daquele país, em Salvador, com o apoio da Aliança Francesa e do Hotel Le Meridién, estão promovendo até o dia 31 a exposição retrospectiva, com 18 quadros em tinta a óleo do artista francês, Maurice Debauvais.
Formado pela Escola de Belas Artes da cidade de Rouen, uma das mais importantes da Europa, onde nasceu há 50 anos, o pintor pós impressionista se revela apaixonado pelas fortes cores vibrantes da Bahia. Motivo pelo qual disse retornar pela terceira vez. Foi na paisagem baiana, sobretudo na orla marítima, que disse ter se inspirado para compor duas de SUS mais belas obras em exposição- e cujos preços preferiu não anunciar. Alagados e Pescador de Arembepe a predominância do amarelo, simbolizando a influência marcante do Sol em nosso ambiente.
Maurice Debauvais diz que procurou realçar também a riqueza do elemento humano e dos peixes, no caso de O Pescador e a sensibilidade das construções em palafitas, em Alagados. Outra curiosidade que se evidencia no trabalho do artista é que ao invés de pintar tradicionalmente com pincéis, prefere utilizar espátulas. Merecendo inclusive o elogio do ex-diretor da Escola de Belas Artes de Rouen, em Savary.
A justaposição das cores aplicadas pela espátula lhes dão uma transparência delicada. O desenho estilizado e ás vezes nítido, contribui no todo para acentuar as formas no ritmo, sublinhar a cor, o que consolida o conjunto, dando á obra sua coesão e sua unidade. Além disso comenta que as diferentes partes do quadro são dispostas de maneira a serem indispensáveis umas ás outras e a formarem uma estrutura arquitetural sólida, repousando sobre si mesma.
Afora a análise do crítico, o próprio pintor explica que os ambientes que o marcaram nos vários países por onde peregrinou, como Espanha, Itália e Grécia, o influenciaram bastante, carregando sua obra de emoção. No Panorama de Rouen, por exemplo, onde há nítida predominância do azul, comenta, com humor que aquela cor está gravada em sua mente desde quando nos tempos de Exército, no deserto, só via areia e céu. (Zildenor Dourado).

O artista Maurice Debauvais com duas das dezoito telas que estão expostas no Hotel Meridién
   IÊDA MARQUES FOCALIZA A SIMPLICIDADE DA COZINHA

Ao pé do fogão é usado apena a luz natural, a fotógrafa Iêda Marques conseguiu captar emoções/situações inesquecíveis da realidade rural do Brasil, particularmente o mundo social visto pelo ângulo feminino. Suas fotos das cozinhas e da comunidade rural de Cutia,em Boninal, na Chapada Diamantina, são de rara beleza. Uma prévia já foi mostrada ao público na Bienal o ano passado. Mas a grande produção apresentou no programa Terça Fotográfica, uma promoção do Núcleo de Fotografia da Fundação Cultural, que aconteceu dessa vez na Sala Walter da Silveira, nos Barris. Nesse mesmo dia, o Núcleo apresentou o audiovisual resultado da oficina Fazendo audiovisual.
Ieda Marques apresentou uma audiovisual com 80 slides produzidos a partir de 1987. Algumas de suas fotos de Cutia já ganharam o mundo.
Ela foi uma das fotógrafas brasileiras selecionadas no concurso internacional organizado pela Comunidade Européia para a exposição Mulheres Vista Por Mulheres que vai percorre a Europa e América Latina.
Seis fotos suas estão também em exposição na Suíça, integrando a mostra Saúde Para Todos, uma promoção da Organização Mundial de Saúde. Além disso, ela é um dos destaques da mostra Brasil-cenários e personagens, da Funarte, que está em cartaz na União Soviética e que também vai percorrer vários países do mundo.
Tudo isso ainda é pouco para definir o trabalho dessa baiana de Boninal, que estudou Pedagogia na USP, mas que se apaixonou e se profissionalizou mesmo foi em Fotografia. O critico e diretor da Escola de Fotografia Imagem-Ação, de São Paulo, Claúdio Feijó, não poupa elogios as fotos de Ieda ao declarar que seu trabalho é de nível internacional. Ou o crítico Rubens Fernandes Júnior júri da Bienal que fez questão de destacar a força das cozinhas do interior baiano de Ieda.
Mais do que captar imagens das cozinhas e das comunidades rurais do nosso País, Ieda Marques utiliza a fotografia como importante trabalho de registro e documentação das relações sociais nas zonas rurais, onde as mulheres têm um papel fundamental. Em Cutia, por exemplo, ela mostra que são as mulheres que assumem o trabalho e até da agricultura de subsistência, afinal é muito grande o E êxodo masculino para São Paulo por causa da seca.
E se as relações sociais se estabelecem a partir das mulheres, as cozinhas são muito representativas.
Constatando com o vazio dos outros cômodos das casas, as cozinhas são sempre muito enfeitadas, com as panelas, talheres e pratos utilizados também como objetos de decoração.
Importante salientar também a transformação cultural da zona rural através das cozinhas. Como diz Ieda, com a devastação ecológica, está cada vez mais difícil encontrar lenha..
E com isso, o fogão a gás já está entrando nas cozinhas da zona rural, influenciando diretamente nas relações, que não mais se estabelecem, infelizmente, ao pé do fogão.
Uma das cozinhas da zona rural fotografada com luz natural pela fotógrafa Iêda Marques
ANÍSIO DANTAS EXPÕE DIA 27 NA PROVA DO ARTISTA

Na próxima quinta-feira, na  Galeria Prova do Artista, no Salvador Praia Hotel, o artista plástico, Anísio Dantas, estará expondo desenhos e gravuras. O crítico de arte Jacob Klintowitz afirma que após percorrer um longo caminho, começou com figuras trabalhadas em tonalidades, com ênfase no sensualismo, agora casa formas geométricas com paisagens gestuais e telúricas, na preocupação com espaços imaginários, cósmicos, mágicos. Artista de boa formação, solidamente ancorado na prática da pintura como veículo ideal para as suas idéias, ele tem pesquisado a percepção de realidades diversas da convenção. Anísio Dantas nasceu em 1933. Iniciou sua carreira em 1964, no então estado da Guanabara. Participou desde então de diversas coletivas, como o Salão Nacional de Arte Moderna, Salão Air France, Bienal de Artes Plásticas da Bahia, Bienal de São Paulo, exposições na Suíça, Espanha, Japão, na Bienal Ibero Americana do México.
Tendo também muitas individuais nesses 25 anos de trabalho e o prêmio Aquisição do Salão Nacional de Arte Moderna.

ARTISTAS- PROFESSORES LEMBRAM O 14 DE JULHO - 17 DE JULHO DE 1989


 JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA 17 DE JULHO DE 1989

  ARTISTAS - PROFESSORES LEMBRAM O 14 DE JULHO

Vários artistas professores estão homenageando o bicentenário da Revolução Francesa com uma exposição na Galeria Cañizares, da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, que fica aberta até o próximo dia 30.A mostra foi aberta no último dia 14 data que marca a Queda da Bastilha, símbolo da opressão, em presença de autoridade francesas sediadas em Salvador.
A exposição d Galeria Cañizares apresenta trabalhos de artes plásticas dos professores Maria Virgínia Gordilho Martins, Maria Bernadeth Campelo Bina, Mercedes Kuark Kruschewsky, José Milton Menezes, Sônia Lúcia Rangel, Ana Maria Vilar Leite Augusto da Silva, Yedamaria C. de Oliveira, Iza A. Guimarães, Graça Ramos, Aílton Lima, Marlene Alves Cardoso, Norma de Athayde Couto, Terezinha S. Dumet Viana, Edson de Oliveira Barbosa, Herbert Viana de Magalhães, Adele Góes Balazs, Denise Pitágoras, Juarez Paraíso, Márcia Magno, Gisélia Figueiredo Passos, Humberto Rocha, Odete Sampaio Magalhães, Onias Vieira Camardelli, Roberval José Marinho, Maria Adair Brocchinni, Carmem Carvalho, Ana Lúcia Uchoa Peixoto, Zélia Maria P. de Oliveira, Manoelito Damasceno e Robério Marcelo Ribeiro.

A Galeria também reservou uma sala para a produção científica dos professores da Escola de Belas Artes, onde constam as teses, artigos e pesquisas de Maria Vidal de Negreiros Camargo, Maria Helena Matue Ochi Flexor, Sofia Olszewski Filha, Célia Martins de Azevedo, Selma Costa Ludwig, Ivo José S. Vellame e de Vânia Bezerra de Carvalho.
Carmem Carvalho e Isa Guimarães na homenagem do bicentenário da Revolução Francesa.

CONCURSO DE ESCULTURAS:MONUMENTO À LIBERDADE

O Banco Francês e Brasileiro S/A está lançando concurso artístico para a criação de um projeto de escultura, com a finalidade de construir na cidade de São Paulo o Monumento À Liberdade. O projeto visa homenagear o sentimento de liberdade consagrado por ocasião de dois grandes eventos históricos que estão sendo comemorados este ano: os 200 anos da Revolução Francesa e o Centenário da Proclamação no Brasil.
De âmbito nacional e dirigido a escultores, artistas plásticos e arquitetos, o concurso conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Museu de Arte de São Paulo (MASP); Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e embaixada da França, A avaliação e a premiação dos projetos serão de responsabilidade da comissão julgadora, presidida pelo diretor do MASP, professor Pietro Maria Bardi. A comissão de jurados será composta por representantes das seguintes entidades: Associação Brasileira dos Críticos de Arte, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, IAB, Associação Paulista dos Críticos de Arte e um membro da comunidade francesa no Brasil.
O Projeto Monumento À Liberdade está sendo desenvolvido de acordo com as normas que permitem o seu enquadramento pela Lei Sarney.
O monumento será construído na Praça Pan-americana, no Alto de Pinheiros, região oeste da cidade de São Paulo. Segundo o assessor especial da diretoria do MASP, Fábio Magalhães, responsável pela coordenação do concurso, o monumento á Liberdade tem todas as condições de se tornar um marco histórico de São Paulo. Apesar de salientar que não é possível determinar a forma da obra, já que a escolha do projeto vencedor será da comissão julgadora.
Fábio Magalhães observa que ela deverá se transformar, no futuro, em um símbolo do mesmo porte do Monumento às Bandeiras , do famoso artista plástico Brecheret, instalado no Parque Ibirapuera.
Serão premiados os três melhores projetos. O primeiro colocado, além de ter o direito de acompanhar os trabalhos de execução da obra, receberá NCz$50 mil, o segundo NCz$30 mil e o terceiro NCz10 mil. Os valores serão corrigidos de acordo com a variação mensal do Bônus do Tesouro Nacional (BTN).
O lançamento oficial do concurso está previsto para a última semana de julho e as fichas de inscrição, bem como o regulamento, poderão ser retirados nos seguintes locais: nas 63 agências do Banco Francês e Brasileiro; Secretaria Estadual da Cultura; secretarias municipais de Cultura das principais capitais brasileiras. Na sede do IAB ou em suas seções regionais; e na secretaria do MASP.
O prazo limite para a entrega dos trabalhos será 2 de outubro de 1989 e os projetos deverão ser endereçados á secretaria do IAB/SP, na Rua Bento de Freitas, n306, sobreloja, São Paulo-Capital.
O júri deverá apreciar e definir a classificação dos concorrentes até 24 de outubro e a divulgação pública dos vencedores está prevista para 25 de outubro. A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada no dia 8 de novembro, na sede do MASP, ocasião em que será inaugurada uma exposição de trabalhos considerados finalistas do concurso Monumento á Liberdade. A construção do monumento ficará a cargo da Construtora Dumez.

 JORGE GUINLE NOS 10 ANOS DA ANNA MARIA NIEMEYER

Jorge Guinle Filho,morte
prematura de um talento
A Galeria Anna Maria Niemeyer, do Rio de Janeiro, está completando 10 anos de existência e para comemorar a data escolheu Jorge Guinle, já falecido, para ao mesmo tempo homenagear sua memória. Foi esta galeria que lançou o artista nacionalmente, apresentando sua primeira exposição em julho de 1980. Jorge também terá uma sala especial na 20º Bienal Internacional de São Paulo.
Jorge Guinle, como se sabe, faleceu em Nova Iorque prematuramente aos 40 anos, há dois anos, já então reconhecido como um dos mais importantes artistas brasileiros, tendo participado diversas vezes do Salão Nacional de Artes Plásticas, e da 17ª Bienal Internacional de São Paulo. Escreveu vários textos e artigos sobre arte publicados em catálogos e revistas especializadas.
É assim que Jorge Guinle falou do ato de pintar... A emoção que sinto quando a tela está pronta é muito forte.É uma emoção incrível e que nunca confessei. Uma emoção total, de harmonia com o mundo, de felicidade. Uma emoção fortíssima de volta ao passado e a todas as memórias passadas. Uma sensação de comicidade das coisas da vida como num momento Zen, aonde você vê todo o absurdo mais o acha engraçado. Uma segurança total perante o mundo, uma felicidade, uma calma, uma sensação de paz.
Quando Levo uma tela de um lugar para o outro, seguro-a com especial carinho, sentindo sua rugosidade, seu chassi. Em vez de fazer uma meditação eu pinto. E assim que encontro o meu sartori: a total paz com relação ao mundo aonde os contrários se unem...
Esta exposição , com a curadoria do crítico de Arte Reynaldo Roels Jr.., tem caráter essencialmente cultural e mostra nove dos últimos trabalhos do artista sobre os quais escreveu Ronaldo Brito:
A primeira evidência acerca das últimas telas de Jorge Guinle é a de que não eram, não deveriam ser as últimas.O mesmo pode-se dizer sobre o trabalho de todos os bons artistas precocemente desaparecidos, é claro. Mas as exuberantes telas finas de Jorge Guinle formam o turismo de fato real e pungente.
Elas apresentam uma disponibilidade que, sem negar a autêntica angústia de pintura que as definia, parecia engajar respirar mesmo, o futuro. E demonstram uma desenvoltura, sem dúvida inédita em sua constante inquietude...

GILSON PINTA BANANEIRAS DRIBLANDO A BANALIDADE - 28 DE AGOSTO DE 1989.


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA, 28 DE AGOSTO DE 1989.

GILSON PINTA BANANEIRAS DRIBLANDO A BANALIDADE

Gilson Rodrigues com uma das telas que
estão na Galeria Época
São múltiplos e diversos os fatores que impressionam na pintura de Gilson Rodrigues. Um deles é a sensibilidade de perceber e reproduzir o que está próximo, redimensionando-o, porém, através de uma rara percepção capaz de lançar esses elementos de estímulo para além das fronteiras do meramente imediato. Assim os tópicos tropicais de suas bananeiras não estacionam no banal das estampas, como torsos de Carmem Miranda exaltando o País dos papagaios. Essas palavras são do poeta Béu Machado que fala em sensibilidade de Gilson e, ele mesmo irradia sua sensibilidade poética quando enfoca as bananeiras extraordinárias concebidas por este artista batalhador.
Escrevi no catálogo de sua exposição que está aberta ao público na Galeria Época que uma forte trama envolve o observador de sua arte. As estrelas de Janaína transformam-se num símbolo forte e quase indecifrável. As folhas verdes das bananeiras são transpostas para as telas e ganham beleza em outras tonalidades, uma demonstração da capacidade criativa do artista. Um paciente trabalho, que lembra os monges que habitam os silenciosos conventos e que não tem compromisso com o tempo. Eles não tem compromisso com o tempo. Eles não tem pressa. Assim é a arte que ora Gilson desenvolve com uma trama intrigante, onde cada tracinho necessita de um bom tempo para que sua função seja ressaltada.
Gilson fica embaraçado quando lhe peço para falar um pouco da sua arte. Ele diz que falar da intuição fica difícil. Realmente, o seu trabalho é intuitivo e artista tem mais é que pintar. Falar da obra, para ele, é um verdadeiro trauma, uma dificuldade quase intransponível. Mas, basta olhar suas telas que elas falam muito por Gilson. Sua relação com as folhas e até com os cachos das bananeiras nos faz lembrar de um país tropical onde esta planta é um símbolo presente, inclusive das nossas mazelas continentais.
República de bananas, expressão que basta para designar um país do Terceiro Mundo que vive enfrentando dificuldades e golpes em cima de golpes. Gilson resgata este símbolo e dá grandiosidade pictórica.
Na sua obra o símbolo ganha ou recupera a grandeza de sua majestosa plasticidade. O verde intenso e a própria forma da folha de bananeira têm realmente uma plasticidade significativa. Gilson percebeu o ato e, assim, vem desenvolvendo esta temática com criatividade e competência.

                                      GUIA DAS ARTES FAZ TRÊS ANOS

A Revista Guia das Artes está completando três anos de vida. Recebi um convite de Rita Câmara, na Art Nata Galeria de Arte, para o lançamento da edição comemorativa, que ocorreu no último dia 22. Infelizmente fiquei impossibilitado de comparecer, devido às minhas atribuições à noite no jornal, sempre sujeitas às imprevisões dos fatos jornalísticos. Quero apena salientar a qualidade da publicação especialmente a presença de galerias baianas, e também aproveitar para lembrar que é necessário também inclui artistas daqui com entrevistas de qualidade. O Guia de Artes começou a circular em setembro de 1986 com o objetivo de  dar cobertura ao mercado de arte no Brasil, que até então não contava com uma publicação especializada. O evento da Art Nata conta ainda com uma coletiva reunindo obras de Vauluizio Bezerra, Murilo, Leonardo Celuque, Leonel Mattos, Mário Cravo Neto, Carlos Rodrigues, dentre outros. A tiragem da revista é de 15 mil exemplares,  sendo que 2,5 são enviados a executivos, empresários, críticos e galerias por mala-direta.

    JORGE GAMA EXPÕE DEPOIS DE CINCO ANOS AUSENTE

Delicadeza, uma palavra capaz de expressar no primeiro contato com o dublê de publicitário e artista plástico Jorge Gama. Nem lembra de perto, que esta figura aparentemente serena possa estar envolvida com layouts , mídia, espaços, faturamentos e outros assuntos que contribuem para neurotizar muita gente.
Embora esteja dirigindo o setor de criação da Propeg sabemos que a publicidade envolve outras áreas, quer queira ou não o criador, que tenta de todas as formas ficar envolvido em sua área de sensível e intocável. Porém, as pessoas de outros setores sempre estão ao seu redor, todas buscando atender melhor a sua clientela. Os prazos são fatais. E o tempo corre célere no relógio e nas veias e nervos das pessoas envolvidas com uma campanha publicitária qualquer,. E o nosso Jorge Gama já foi até morar em São Paulo quando a agência resolveu abrir uma filial na capital paulista, mesmo lá não perdeu a tranquilidade, e vez por outra surgia uma obra, chegando até a fazer algumas exposições. Sua última exposição foi na Galeria Rubayat, em São Paulo, em 1984.
Olhando as obras que estão estampadas em seu catálogo , sentimos que a gente da Bahia, como diz o nosso querido Jorge Amado, está presente em todas elas. É a gente simples que é retratada no cuidadoso desenho e depois transporta para a tela. Formado pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, Jorge Gama é um desses artistas que a vida profissional carregou para outras paragens , mas que a sua força intuitiva não permitiu que esquecesse a pintura. O curioso é que este carioca de 60 anos continua disposto a pintar. Sua exposição está na Galeria Arte Viva, que funciona no Farol Praia Center, na Barra.


LEILÕES BATEM RECORDES E ENCANTAM NOVOS-RICOS - 05 DE JUNHO DE 1989


JORNAL A TARDE,SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA 05 DE JUNHO DE 1989

LEILÕES BATEM RECORDES E ENCANTAM NOVOS RICOS

Este auto-retrato de Picasso foi leiloado em Nova
 Iorque por US$43,5 milhões. A maioria dos lances
foi  feito de vários países através do telefone
Os leilões no decorrer dos anos, sempre foram utilizados como instrumento de valorização da obra de arte.Muitas vezes são pessoas que possuem preciosidades da arte e resolvem vendê-las para realização de algum sonho ou mesmo garantir a sua sobrevivência. É uma oportunidade de muitas instituições públicas e privadas, especialmente os museus e grandes colecionadores, de adquirirem obras dos clássicos ou mesmo de contemporâneos de sucesso. Os lances são altos, e mais recentemente começaram a surgir nessas ocasiões os novos-ricos, especialmente japoneses, que estão precisando desovar seus dólares que ganham com certa facilidade vendendo suas engenhocas eletrônicas em todo o mundo. Nos dois últimos leilões realizados, um em Londres, uma tela de Renoir foi vendida por 17,5 milhões de dólares e um auto-retrato de Picasso por 43,5 milhões de dólares. Recentemente, um leilão realizado nos Estados Unidos, quadros de Portinari, Tarsila do Amaral foram desprezados. Aqui, na Bahia, poucos artistas tem mercado nos leilões realizados no Sul do País. Marchands baianos já descobriram que um bom negócio é freqüentar leilões no Sul do País e arrematar quadros de artistas baianos a preço de banana. Quem duvidar procure saber por quanto foi arrematada uma tela sua, que aqui tem mercado alto.
Em Londres, um leilão de obras de arte de mestres como Renoir, Monet, Picasso, Van Gogh e Cézanne, da coleção do Fundo de Pensão da Ferrovia Britânica, rendeu 65 milhões 210 mil dólares, ou praticamente o dobro do previsto, anunciou a Casa Sotheby’s.
La Promenade, de Renoir, foi arrematado por 17 milhões 580 mil dólares, superando o recorde anterior de um seu trabalho vendido, há um ano, em Nova Iorque, por oito milhões de dólares.
A porta-voz da Sotheby’s Fiona Ford, comentou que a Britsh Rail fez um grande negócio, porque havia comprado a coleção por apenas cinco milhões 950 mil dólares. A casa leiloeira havia estimado que as 25 pinturas impressionistas e modernas alcançariam cerca de 34 milhões de dólares.
As pinturas e os desenhos impressionistas fazem parte de uma coleção de dois mil 200 trabalhos, que o fundo de pensão adquiriu depois de 1974, quando decidiu diversificar a sua carteira de investimento para fazer a frente á inflação Susan Buddin, secretária assistente da companhia e que deu a informação explicou que o fundo investe 1% de seus recursos em arte.
Estamos vendendo porque fomos informados de que o mercado está num momento ótimo, prosseguiu ela, repetindo que a decisão de leiloar parte do acervo, deveu-se as boas condições do mercado. Analistas logo comentaram que o resultado lucrativo do Fundo de Pensão deve repercutir em áreas financeiras que promovem a arte como um bom investimento, mesmo para organizações trabalhistas.
Santa Maria Della Salute ET Le Grande Canal, pintado por Monet em 1908, alcançou 11 milhões 400 mil dólares, Jeune homme em bleu, um trabalho de Picasso em guache, aquarela e crayon, de sua fase azul, rendeu seis milhões 730 mil dólares. Mas a Saintes-Marie, desenho de celeiros, num porto feito por Van Gogh, foi arrematado por três milhões 930 mil dólares, enquanto Nature mort ou melon vert, de Cézanne, alcançou quatro milhões 300 mil.
Completaram a coleção leiloada, desenhos e pinturas de Degas, Matisse Manet, Toulouse-Lautrec, Vuilard, Boudin, Fantin-Latour e Daumier.

QUEREM PROTEÇÃO
Em Paris, os herdeiros de Pablo Picasso recorreram a um tribunal para obrigar  um pintor francês a deixar de usar o sobrenome do célebre pintor espanhol.O jovem, cujo nome verdadeiro é Christian Chapiron, passou a se chamar Kik Picasso, quatro anos após a morte do mestre em 1974.
Segundo o advogado de Paloma Picasso, filha do pintor espanhol, o artista francês passou a utilizar o famoso sobre nome para criar confusão. Claude, irmão de Paloma e Bernard, único neto de Pablo Picasso, juntaram-se a demanda. O advogado acrescentou que jurispruudência francesa é tolerante em matéria de pseudônimos, mas condena a usurpação de nomes.
O advogado de defesa do pintor francês alegou que o próprio Picasso nunca teve puder em utilizar em proveito próprio a obra de outros artistas, inclusive de clássicos como Cézanne Goya. O tribunal indicou que pronunciará seu veredito dentro de um mês.

            PARIS É O CENTRO DA ARTE

Na Galeria Samy Kinge a obra
 intrigante do artista Samios.
O movimento de arte continua florescendo em Paris, cidade que sempre foi responsável pelas mais importantes manifestações culturais no decorrer dos séculos. Sempre renovada, a Cidade Luz possui centenas de espaços dedicados às manifestações artísticas, desde as musicais, artes plásticas, cinematográficas, enfim a todas as formas que o homem encontra para mostrar o seu talento. E, nada melhor lembrar esta cidade tão procurada por todos aqueles que um dia pensam em visitar a Velha Europa. Agora acabo de receber alguns catálogos de exposições realizadas em Paris e para nossa satisfação encontram-se quatro brasileiras e uma em especial, a Janice Santos Chaves, que é baiana, de Salvador.
Outra é a mesma Patriarca Dias Franca e ainda Sandra Laucman e Patrícia Kunst expuseram seus trabalhos na Galerie La Ferronnerie, Janice já expôs no Parque Laje, no Rio de Janeiro, em Brasília, onde estudou arquitetura, freqüentou o atelier de modelos vivos de Claude Athenee, em Paris. Já Patrícia Franca é mestra em Artes Plásticas pela Universidade de Paris VIII e tem várias exposições em Paris e uma na Alemanha. Tenho recebido alguns catálogos de exposições na França, graças a gentileza de D.Vera Simões, que reside em Paris.