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domingo, 25 de novembro de 2012

MAMB TEM CATÁLOGO DEPOIS DE 25 ANOS DE FUNDADO - 19 DE MARÇO DE 1984


JORNAL A TARDE, SALVADOR, SEGUNDA FEIRA, 19 DE MARÇO DE 1984

MAMB TEM CATÁLOGO DEPOIS DE 25 ANOS DE FUNDADO

Capa do catálogo que chega atrasado
Depois de quase  vinte e cinco anos o Museu de Arte Moderna da Bahia ganha o primeiro catálogo do seu acervo. Um evento que ocorre com 25 anos de atraso. Seu atual diretor Francisco Liberato e membros da sua equipe estão eufóricos com esta façanha!
Realmente é um momento importante para o MAMB, mas que demonstra o descaso dos dirigentes que se sucederam na Fundação Cultural do Estado e outros órgãos que a antecederam e também, aqueles que diretamente estiveram à frente do MAMB.
Este acontecimento  não deveria nem ser comemorado porque é o maior estado de descaso público para com o seu patrimônio cultural e artístico.
Lembro que até há pouco tempo não havia no <AMB nem um livro onde as obras estivessem tombadas. O livro original desapareceu por encanto. Hoje, este trabalho já foi refeito estando catalogadas cerca de 480 obras de arte. Também denunciei o perigo que ronda o Solar do Unhão, um conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), devido a quantidade de fios expostos. O desgaste natura, acrescido da proximidade do mar poderá provocar um curto circuito com seqüências imprevisíveis. As coisas praticamente continuam como se nada disto fosse importante. É assim o MAMB vem atravessando estes vinte e cinco anos sem muitas razões para comemorações. Criado em julho de 1959, tendo como sua primeira diretora a arquiteta Lina Bo Bardi, O Museu de Arte Moderna da Bahia teve uma fase áurea como relembra o crítico Wilson Rocha, que apresenta o catálogo.
Foi uma fase marcada por um grande movimento com a realização de muitas exposições de artistas de renome nacional e internacional. Funcionava no foyer do Teatro Castro Alves e em 1963 foi transferido para o conjunto do Solar do Unhão, onde hoje se encontra.
Quando passei a participar mais ativamente dos movimentos de Arte da Bahia já encontrei o MAMB em mudança e sua decadência era visível. As dificuldades financeiras e de acesso ao museu são fatores sempre presentes que contribuem para afastar o público de seus salões. Não havendo motivação, como a realização de grandes exposições o seu acervo também sofreu o desgaste do tempo e principalmente a má conservação. Certa feita tive a oportunidade de ver quadros de Portinari, Djanira, Volpi e Tarsila do Amaral, dentre muitos outros, largados dentro de um armário umedecidos e corroídos pelo salitre. Nunca seu acervo teve uma ambientação própria que permitisse uma boa conservação!
Mesmo assim o MAMB vem atravessando este quarto de século como um Dom Quixote, teimoso e valente, querendo impor-se como uma instituição que merece respeito e que deve estar acima de qualquer querela pessoal. É preciso que o MAMB tenha uma presença mais ativa no meio artístico baiano. Sei que sua diretoria tem todos os predicados para que realize um trabalho gratificante, mas sei também que os recursos carreados para o MAMB são insuficientes. Preferem muitas vezes gastar milhares de cruzeiros com edições de livros de poetas ou cronistas que não merecem figurar em qualquer biblioteca de uma escola primária.
Esta tela de Djanira integra
o catálogo do Mam-Ba.
Mas, entre o apadrinhamento político e, assim, os livros saem e o MAMB fica esquecido com os caibros do telhado do prédio que o abriga e seu acervo apodrecidos. Este catálogo do seu acervo é bom lembrar, foi impresso graças à sensibilidade dos dirigentes da Construtora Odebrecht.
Por outro lado, este fato demonstra a iniciativa de Francisco Liberato, seu diretor e da artista plástica Zélia Nascimento que trabalharam a fundo para que este desejo de todos artistas e estudiosos da arte fosse realizado. Eles têm ainda que fazer muito pelo MAMB. Têm que reintegrá-lo à comunidade, têm que proporcionar uma maior participação dos baianos e envolver empresas públicas e privadas em suas atividades para que assim possa receber donativos e recursos que lhes garantam uma sobrevivência. Não entendemos o museu como uma coisa estática, parada, um mero salão que expõe seu acervo e obras de outros artistas que lá aparecem. Não é necessário um trabalho mais dinâmico.
Conheço as oficinas de arte que lá funcionam e já falei nesta coluna da sua importância. Mas, não bastam as oficinas. É preciso trabalhar mais e para isto o MAMB precisa de recursos, porque ele pode transformar-se num núcleo impulsionador do mercado de arte, através de uma produção orientada, através da realização de grandes exposições, de seminários e debates sobre assuntos ligados a arte.Quando recebo a programação de museus de outros estados fico triste ao comparar com as programações de nossos museus.As exposições são rarefeitas e muitas até insignificantes. Espero que este catálogo, que a meu ver, é o maior atestado de descaso público para com a instituição, que ficou durante 25 anos sem um catálogo do seu acervo o que seja o início de uma nova fase, uma retomada das atividades do MAMB.

DUAS CIDADES NA VISÃO DE GLADYS MALDAUM

Viaduto do Chá na visão da artista paulista Gladys Maldaum
Ela chegou mansa como uma simples acompanhante. Trazia uma pasta de papelão debaixo do braço. Imagine que fosse uma amiga da artista plástica Zélia Nascimento que veio ao meu encontro para falar do catálogo do MAMB. Com certa timidez abriu a pasta e retirou algumas fotos coloridas e outras preto e branco. Acompanhei aquele gesto com a curiosidade natural do jornalista. Para surpresa minha eram reproduções de bons trabalhos feitos em pastel oleoso por uma mulher que ama a paisagem urbana. Paulista, não podia deixar de retratar o Viaduto do Chá por onde passam num vaivém constante milhares de pessoas em busca do trabalho e de novas emoções. Por baixo do viaduto os ônibus e automóveis. Uma imagem de São Paulo forte e vibrante, que mesmo com seu coração sofrido, fruto de uma violência inconcebível, mais que ainda pulsa singelo, forte e belo nas imagens retidas por sua gente.
Mas, além de São Paulo, Gladys Maldaun nos traz imagens de Salvador.Não o Pelourinho, o Elevador Lacerda e outros elementos cartões-postais. Não! Ela observou outros ângulos de nossa Salvador. São imagens fixadas e vividas, não por uma turista que chega e fica enamorada. Mas por uma artista sensível que busca captar instantes da paisagem urbana por onde muitas vezes nós passamos e não paramos para observar. O importante disto tudo é que Glayds domina a técnica e este resultado de sua produção de trabalhos de São Paulo e salvador nos permite um confronto temo.
São dois momentos de alegria, dois momentos que revelam a sensibilidade. Sua exposição será aberta na próxima terça-feira, dia 20, no Solar do Unhão, Museu de Arte Moderna da Bahia, a qual recomendo aos que gostam e curtem arte.

NIKITA ESTÁ EXPONDO NA GALERIA DA ACBEU

O artista Nikita está expondo na galeria da ACBEU, na Vitória e tem apresentação de Ivo Vellame que fala de sua arte.Vejamos:“Nikita concentra a sua energia criadora na figura humana.Não trabalha com modelo vivo, enche os espaços com as figuras da sua imaginação, acredito, nascidos dos sonhos. Toda a sua pintura é dominada por um personagem, inquestionavelmente um personagem, a aparência da realidade.
Tamanha experiência somente se apanha nos grandes mestres da arte. Suas formas, suas jovens mulheres, sem  contornos nítidos, porque entregues à sua luz e sombra sensíveis, definem-se muito mais como manchas, uma vez que, o artista não tem a preocupação de mostrar as estruturas anatômicas das usas figuras. São formas picturais, definidas pela cor. Permitam-se acrescentar, trata-se de uma pintura tonal, porém na consciente colonista que dignifica os neutros, que explora o Henri Matisse. Suas mulheres quase sem rostos, de corpos sem volume palpáveis não tomam conhecimento de nós, espectadores que somos dos seus múltiplos gestos e posturas, visões fantasmas particular maneira de sentir Nikita, pleno vitalismo bergsoniano, onde a intuição e o sentimento justificam tudo.



sábado, 24 de novembro de 2012

A ARTE PRESENTE NUM FESTIVAL QUE PASSOU - 13 DE FEVEREIRO DE 1984

JORNAL A TARDE SALVADOR, 13 DE FEVEREIRO DE 1984.

A ARTE PRESENTE NUM FESTIVAL QUE PASSOU

Arembepe, um lugar próprio para manifestações artísticas integradas com a natureza.
Arembepe, o paraíso dos hippies da década de 70, foi palco, recentemente, de um animado festival que reuniu durante quatro dias centenas de pessoas de todos os cantos do país. Elas curtiram a natureza exuberante do local e dançaram embaladas pelos acordes das bandas e pelas músicas de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Pepeu e Baby Consuelo, Gonzaguinha, Marina e muitas outras estrelas integrantes da constelação da atual música popular brasileira. Além disto, Arembepe foi palco de uma descontração incrível em toda a extensão dos oitos quilômetros onde foi realizado o festival, que ao contrário de outros acontecimentos no Brasil e no exterior, primou pela união de gerações, livres das contestações, dos conflitos, dos preconceitos e da hierarquia repressora.
Acampados à beira-mar em centenas de barracas de todos os tamanhos, os participantes do festival deixaram por quatro dias a comodidade de suas casas e apartamentos e outras vantagens da sociedade de consumo para viver o mais louco e saudável sonho de verão tropical. Enfrentaram com tranqüilidade os banhos coletivos, a poeira causada pelo movimento de veículos, a falta de uma refeição mais transada e as facilidades dos aparelhos domésticos. Mas, é certo que cultuaram seus ídolos, falaram uma linguagem uníssona sobre a necessidade de proteger a natureza, exercitaram seus corpos, cantaram suas canções prediletas e compartilharam de novas emoções.
Jovens pintam seus corpos com composições que
enaltecem a natureza
O Festival de Arembepe foi o oposto de Woodstock, tido como símbolo maior da contestação da juventude da época. Isto porque os tempos são outros, as cabeças mudaram e a maioria que dele participou estava decididamente disposta a curtir um som, derramado numa extensão de três quilômetros pelas 80 possantes caixas e também deixar doirar os seus corpos quase seminus, transar novas idéias e momentos.
Certamente que esses instantes vividos com intensidade em contato com a beleza natural de Arembepe, momentos recheados de novas emoções, experiências e muita liberdade, serão lembrados e relembrados no decorrer da existência de cada um dos participantes. Arembepe será lembrado como um lugar quase sagrado, como um Olinto onde os deuses baixaram e falaram um linguajar descontraído pautado em palavras de paz, de respeito ao homem e á natureza, contra o horror da guerra e também da violência que campeia nos gabinetes oficiais e nas ruas asfaltadas das grandes metrópoles.

“O melhor lugar do mundo, é aqui e agora”, bradou Gilberto Gil do alto do imenso palco armado em campo aberto, provocando um verdadeiro delírio entre as centenas de jovens que acompanhavam atentamente o seu show cantando e dançando. Realmente esta frase de Gil traduz tudo. O melhor lugar e o mais bonito não apenas pela exuberância natural mas também pela presença de gente bonita, gente jovem com os corpus seminus banhando-se nas lagoas ou na Praia de Arembepe entre um show e outro. Um local adequado para eliminar preconceitos, para transar novas idéias e unir pessoas até de gerações diferentes que antes experimentavam conflitos e discordâncias. Os quatro dias vividos em Arembepe, lugar paraíso, lugar sagrado, serão inesquecíveis. Momentos experimentados sob um sol ardente e noites estreladas, suavizados pela brisa do mar.
O artista Paulo Serra falando de seu personagem Mero,
estampado numa camisa, em defesa da Lagoa do Abaeté
Arembepe foi, sem qualquer dúvida, o melhor lugar do mundo durante quatro dias e não era para menos porque foi abençoado pelos Orixás, pelos deuses da beleza, do prazer e da harmonia e enfeitado pelos corpos jovens que encheram suas praias e seus campos.
Organização falhou.
Uma reclamação ouvida com muita insistência durante a realização do Festival de Arembepe foi quanto à organização. Alegavam alguns participantes de vários shows de que atividades paralelas anunciadas com antecipação não foram realizadas. Outros reclamavam de que o Festival estava muito fechado e centenas de jovens não puderam dele participar porque não conseguiram arrumar os CR$ 15 mil para acampar no local.
Realmente alguns espetáculos e atividades outras não foram cumpridos com presteza, mas isto, segundo outros participantes, é normal neste tipo de promoção e como disse Gerson Pereira Reis, de 21 anos, “acontece com todos os festivais. Já participei de alguns e posso dar meu testemunho que sempre acontecem falhas”.
Ele também alertou que os que reclamavam muito “são os caras que estão acostumados com as coisas muito arrumadinhas. O que a gente tem que fazer num Festival deste é curtir a vida a cada momento”.
É verdade que muitos jovens vindo de vários estados do país atraídos pela propaganda estampada nos vídeos e nos outdoors esperavam participar livremente dos shows e outras atividades culturais. Mas o que encontraram foi toda a área cercada com arame farpado, e um “eficiente” sistema de segurança com jovens portando pedaços de pau, bem maiores que os tradicionais cassetetes dos guardas das policiais militares. Mesmo assim, muita gente conseguiu ludibriar os “seguranças” pulando os nove fios de arame da cerca.
Outros preferiram acampar nas cercanias de onde puderam acompanhar tudo, inclusive os shows que foram vistos à grande distância, porque o palco era alto e o som, tão potente, que se espalhava por mais de três quilômetros.
Também, é verdade que organizadores conseguiram instalar uma relativa infra-estrutura. Vários banheiros coletivos, sanitários, venda de todo o tipo de comida, desde as tradicionais da culinária baiana às pizzas e alimentação natural. Cervejas e refrigerantes foram comercializados por uma única indústria que adquiriu a exclusividade, mas não houve exploração desenfreada nos preços desses produtos. Para os que curtem leite, uma empresa baiana colocou dois grandes caminhões frigoríficos para vender o produto além de iogurtes e outros alimentos derivados do leite. Do lado de fora uma verdadeira feira livre foi instalada com pessoas residentes em Salvador e nas imediações de Arembepe vendendo de tudo. Você podia tomar desde um caldo-de- cana, uma batida de caju e outras a preços acessíveis. Portanto, mesmo aqueles que não trouxeram comida para suas barracas não sentiram grande dificuldade em adquirir. Deixando de lado a alimentação, em várias outras barracas instaladas você podia pintar o seu corpo com desenhos modernos e ao gosto da juventude e exibir cores e formas plásticas bem contemporâneas. A arte viva, que desaparecia com um simples banho na lagoa ou no mar. Vários artistas engajados na política ecológica, tão em moda e tão curtida pelos participantes do festival, estavam lá, entre os quais Paulo Serra, com Mero, seu personagem defensor da natureza.
Vestidos,blusas e bolsas criados com exclusividade foram
também vendidos em Arembepe.
Grupos afro como os integrantes do afoxé Araketu, e outros deram exibições mostrando a força do corpo com danças modernas ritmadas por atabaques e demais instrumentos do candomblé. Realmente o Festival de Verão de Arembepe teve pontos positivos que precisam ser ressaltados. Dos 60 mil participantes esperados compareceram cerca de cinco mil pessoas.
Pelos espetáculos e oportunidade de curtir sons e discutir idéias novas num local paradisíaco, a dose não pode deixar de ser repetida no próximo ano, quando certamente haverá novas atrações e os problemas surgidos nesta primeira experiência podem ser evitados. E, principalmente que não haja arame farpado para que todos possam andar livremente pelos seus campos e suas praias. Arembepe pode ser, todos os anos o paraíso dos jovens que curtem som, a natureza e amam a arte.
Os possíveis abusos que sempre são cometidos por alguns não devem ser tomados como algo definitivo que venha prejudicar uma manifestação tão válida como um festival. A arte necessita sair das galerias, dos museus e dos teatros para uma presença maior nas praias, nos campos e nas praças. É preciso enxergar o lado positivo e incentivar nossas manifestações artísticas em todos os seus segmentos.
(Fotos: Fred Passos).




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

UM TRIO DE GÊNIOS MARCOU A PRESENÇA DA CATALUNHA - 21 DE JANEIRO DE 1984.

JORNAL A TARDE, SALVADOR, 21 DE JANEIRO DE 1984.

UM TRIO DE GÊNIOS MARCOU A PRESENÇA
DA CATALUNHA
Miró vivia quase isolado produzindo 
Paris (AFP)- De todos os pintores do século XX, o espanhol Joan Miró, que morreu no último dia 25, aos 90 anos, em sua casa de Palma de Majorca, foi sem dúvida o único, junto com o francês, Matisse, que manteve contato com as novas gerações de artistas.
De Jackson Pollock a Tapies, são muitos os pintores contemporâneos que reconhecem o que devem a este eterno pesquisador da arte, cuja evolução só terminou com a sua morte.
Na verdade, em cada retrospectiva, Miró desejava que as suas novas obras marcassem um equilíbrio com as anteriores, pois temia ser considerado um pintor oficial, um pintor de passado. A pintura gestual, a arte da harmonia, a abstração lírica devem muito a um artista que jamais deixou de repetir que “a pintura está em decadência desde o tempo das cavernas”. Homem simples, Miró escondeu-se toda a sua vida atrás de seu trabalho. Ao contrário de Pablo Picasso, sua vida praticamente não deu motivos para piada. Pequeno, frágil, o rosto redondo e delicado, Miró sempre cuidou da sua pessoa como um Dandy, e nada demonstrava o artista revolucionário que fixou como objetivo no início de sua carreira, “assassinar alegremente a pintura”.
O primeiro período de Miró foi marcado por um profundo senso do detalhe. Pinta a Catalunha, os vinhedos, as terras lavradas, as fazendas, os pássaros, as montanhas distantes. Nessa época, Miró já estava em busca de um vocabulário e nestas cenas agrícolas Marcel Duchamp descobriria “um sentido marcado da intensidade irreal”. O escritor Hemingway comprou de Miró o quadro mais representativo deste período: “La Granja”. “Há nesse quadro, dizia Hemingway, tudo o que se sente quando se está na Espanha e, também, tudo o que se sente quando já não se está mais e se gostaria de estar. As personagens de seu  país natal transformam-se em criaturas de contos de fadas, em símbolos. A árvore, o caracol, a lagartixa têm uma alma”.
No entanto, foi em Paris que nasceu outro Miró. Numa pequena galeria da esquina da Rua Vavin e Di Boulevard Raspail, o pintor catalão viu vários quadros de Paul Klee que o fizeram compreender que existia outra coisa além da pintura. A partir deste momento os quadros de Miró serão as imagens de seus sonhos. Em 1930, ele declarou: “Não desenho mais coisas reais”.
Neste momento, Miró começou a remontar o curso do tempo, a volta à infância da arte e inventa uma linguagem muito simples feita de símbolos: o pássaro, o sexo feminino, as estrelas, o sol, manchas de cor sobre um fundo branco. Com esta linguagem limitada a sua obra escapa de qualquer definição e progressivamente conquista o mundo.
O enterro de Miró com  todas as pompas oficiais.
Como escultor Miró criou personagens estranhos, mulheres com cabeças de pássaros, monstros bons que revelam a riqueza de seu universo mental. Miró abordou todos os estilos, e a cerâmica encontrou um meio de se expressar particularmente rico. Miró não se renovou em seus temas, mas nas técnicas com as quais se expressou. Aos 80 anos fez o seu primeiro vitral e sua escultura e realmente a obra mais característica de sua velhice. O êxito, a notoriedade não modificaram a simplicidade de um homem que, no final de sua vida, contemplando a sua obra, por ocasião de uma grande mostra retrospectiva, dizia: “Trabalhei honestamente, não fui uma prostituta como muito outros pintores”.
Esta ausência de vaidade, esta recusa a cumprir um papel, deixaram livre a sua capacidade de ser infatigável artesão.
Quando fazia uma litografia ou um desenho, Miró, jogado no chão, passava com delicadeza um dedo na pintura: “Se fizer isto com o pincel, é o fim”, comentava o velho pintor.
Esta pintura gestual cada vez mais negra foi a última descoberta deste pudico pintor que nunca quis lamentar-se, mas cujo universo estrelado não parava de escurecer.
A marca  do gestual de Miró 

As retrospectivas se multiplicam e Miró compõe uma série de obras novas para cada uma delas.
Após uma segunda retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (1959), Miró expõe na Tate Gallery, de Londres (1963), em Barcelona (1968), em Munique (1969), em Cleveland e em Paris (1974).
Em 1975 inaugura em Barcelona a Fundação Miró, organizada por seu amigo José Luís Sert, arquiteto da Fundação Maeght. O núcleo da coleção é formado por telas reunidas por Joan Prats, também amigo do pintor, ao longo de sua vida. Miró completa o magnífico acervo de 150 telas, gravuras e desenhos.
Nos últimos anos, cansado e freqüentemente adoentado Miró continua trabalhando sempre e avançando permanentemente em sua obra. Só a morte, aos 90 anos, conseguiu interromper essa incansável busca.

              DALÍ ESTÁ ADOENTADO E QUER MORRER

Em 1979 Dalí ainda exibia muito vigor
Pujol, Espanha (UPI)- O pintor Salvador Dali quer morrer.Debilitado e deprimido, o mestre do surrealismo espanhol se enclausurou num velho castelo onde agoniza pensando na imortalidade, na teoria matemática e na banalidade humana.
Dono ainda de seu próprio destino, o mestre escolheu três amigos para serem testemunhas de seu lento caminhar para a morte.
Estes amigos -o pintor catalão Antonio Pixol, o historiador da arte francês Robert Descharnes e o advogado espanhol Miguel Domenech- o suportam, reverenciam e ocasionalmente o enganam.
Dali não quer visitantes no castelo. Com 79 anos de idade, ele aprecia sua solidão, sua depressão e seu tipo original de gênio ou de loucura.
Durante uma rara entrevista no castelo de Dali, Pixot, Descharnes e Domenech falaram de seu amigo com afeição e também com tristeza. Desapareceram os vestígios do impetuoso empresário de espetáculos que se deleitava com suas chocantes esquisitices, desapareceu seu impulso criador. Desde a morte de sua mulher Gala no dia 10 de junho de 1982. Dali não saiu mais do castelo Gala, morreu com 91 anos.
O castelo, que Dali deu a sua mulher, é um verdadeiro santuário dedicado a sua memória, com a inicial do nome de Gala em todas as portas. O salão principal apresenta no teto abobado sobre uma espécie de altar há um crucifixo envolvido em folhas de alumínio, uma espada e um revólver.
Gala, trajando um vestido longo e esvoaçante e com as asas de anjo, aparece sobre as nuvens em cima da porta do quarto.
Em frente à entrada principal do castelo, há uma porta pintada que não leva parte alguma ou pretende levar ao infinito.
Dali, recentemente proclamado Marquês de Pujol, jamais se atreve a visitar seus súbitos, camponeses ocupados demais com seus porcos e seus filhos para se impressionarem com o drama do pintor, que há 18 meses vive oculto no castelo, pendurado como uma cidadela junto ao bucólico povoado, no Norte da Espanha.
Os dias e as noites do pintor estão confinados ao seu quarto e as duas pequenas salas, cujas janelas estão perenemente fechadas. Seu próximo passeio pelo castelo poderá ser quando for levado a cripta construída no porão, para fazer para sempre ao lado de Gala.
Os amigos de Dali dizem que a saúde do mestre, embora delicada, tem sido estável e que ele não sofre nenhuma doença grave, embora pese apenas 48 quilos. A imprensa disse que ele sofre da doença de Parkinson e de arteriosclerose.
“Pouco a pouco ele vai definhando” disse Domenech . Pitxot acrescenta que o mestre está sofrendo”.
Nenhum de seus três amigos – um deles pelo menos está sempre no Castelo, consegue levantar-lhe o ânimo e o instinto criador.
“Ele se refugia em seu silêncio, em suas elucubrações ou nos poucos desejos desejos de fazer alguma coisa”, disse Pitxot.
“Dali está sempre muito consciente de seu próprio pensamento”, diz Pitxot. “Suas obras sempre exprimem suas experiências mais íntimas e transcendentais.Agora ele está muito confinado em si mesmo, dentro de suas paredes, dentro do seu mundo interior, contemplando seu lento processo – eu não diria de desaparecimento, mas sim de abandono das coisas vitais”, disse Pitxot.

Esta obra  obra mostra a sua grandeza
Dalí um dos mais ricos artistas vivos , é atendido dia e noite por quatro enfermeiras que se revezavam ao seu lado. A aversão de Dalí em receber visitas tem origem em parte à sua vaidade: “ele não quer que ninguém o veja neste estado”.Ele quer também viver isolado depois de uma vida vivida inteiramente aos olhos do público.
Pitxot disse que quando a saúde de Dalí começou a definhar há alguns anos, ele se preparou mentalmente para a morte e agora deseja morrer.
Raramente evoca as lembranças do passado, pois “ estas lhe causam sofrimento”. Só lamenta não ter entendido a teoria Matemática – um de seus desejos insatisfeitos. No mês de março, o matemático norte americano Thomas Banchoff , da Universidade de Rhode Island , veio visitá-lo. Apesar de tudo isto “Dalí é um homem surpreendente”, diz Pitxot. Algumas de suas frase ainda causam espanto por sua lucidez, seu brilho. Ele é um homem de verdade, um humanista, um arrogante humanista”.
Embora ainda haja muita procura de obra do famosos pintor, ele não está mais interessado em produzir ou vender. “ Não me aborreçam com estas pequenas misérias”, diz a seus amigos.
Um estúdio localizado dentro do Castelo há grande número de obras de Dalí que futuramente serão transferidas para uma Fundação que ele e seus amigos estão criando perto de Figueiras, sua terra natal. Por enquanto, um destacamento da guarda civil espanhola vigia permanentemente o precioso estúdio do pintor.






TREZENTAS PEÇAS REUNIDAS MOSTRAM A HERANÇA VISUAL - 06 DE FEVEREIRO DE 1984.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 06 DE FEVEREIRO DE 1984.

TREZENTAS PEÇAS REUNIDAS MOSTRAM A 
HERANÇA VISUAL


Quem visita os grandes museus do mundo fica impressionado com a pureza de estilo das obras encontradas nas explorações arqueológicas de civilizações antigas. Infelizmente, não encontramos na arqueologia brasileira nada que permita estabelecer um padrão de comparação em termos de riqueza artesanal.

Muito poucas peças da pré-história do Brasil foram encontradas e mesmo essas não tiveram a merecida divulgação. Entretanto, Herança, a expressão visual de brasileiro antes da influência do europeu, lançado pela Dow no Brasil, é justamente uma coletânea da maior parte dos achados da arqueologia brasileira, onde estão reproduzidas, entre outras peças, algumas obras verdadeiramente artísticas.
Uma equipe de profissionais percorreu mais de 20 cidades brasileiras, visitou museus, procurou colecionadores, arqueólogos e professores, que muito interessados pelo trabalho se dispuseram a colaborar com a elaboração do livro. Inúmeras peças foram fotografadas, das quais 300 foram selecionadas para ilustrar as 152 páginas de Herança.
Herança é um trabalho fundamentalmente ilustrativo, apresentado em linguagem não técnica, acessível e leigos e que visa despertar o interesse e a curiosidade de profissionais ligados à área de arqueologia e de estudiosos do assunto.
Esta estatueta de jadeita, encontrada na costa do Rio Peru, no Pará, pertence à cultura Tapajós-Trombetas. Rrpresenta a onça dos indígenas, Yureté, devorando um jaboti, fato que ocorre em setembro , no verão, quando os felinos carnívoros chegam à região para devorar tartarugas e jabotis. A peça encontra-se atualmente no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.

TEMAS ABORDADOS

Para apresentar os vários aspectos da cultura arqueológica do Brasil Herança, a expressão visual do brasileiro antes da influência do europeu, foi dividido em vários capítulos que discorrem, entre outros temas, sobre: As lendas e a Fantasia.
As histórias sobre cidades perdidas têm atraído aventureiros de todas as partes do mundo há séculos.
Neste capítulo, Herança descreve algumas lendas de cidades perdidas relacionadas ao Brasil como Atlântida, Império do Grande Moxo e Sete Cidades; Pioneiros e Amadores:Como e quando começou o interesse pela arqueologia brasileira?

Herança apresenta um pequeno histórico dos primeiros estudiosos e museus; Arte Rupestre. L
Em todo o Brasil foram encontradas inúmeras cavernas e rochas cobertas de inscrições, contando a vida de nossos antepassados, mostrando animais, cultos, cerimoniais, festas, caçadas, enfim, o cotidiano do povo brasileiro pré-histórico.
Localizada a 35 Km de Campina Grande , Paraíba, a Pedra do Ingá é um paredão de 24 metros de largura por 3 metros de altura, totalmente coberta por inscrições até a altura aproximada de 2,5 metros.Apresenta sinas dispostos caprichosamente , com pouca repetição de símbolos. Não se sabe o significado das inscrições, mas alguns desenhos , como os lagartos, são muito nítidos e o todo faz pensar que se refere à seca.
São apresentados inúmeras pinturas e inscrições, encontradas sobretudo no Norte Nordeste, destacando-se a Pedra do Ingá, a 35 km de Campina Grande na Paraíba; Os Artistas da Pedra: são apresentadas peças esculpidas em diversos tipos de pedras e ossos.
Algumas obras são verdadeiramente artesanais e provam o conhecimento de várias técnicas por parte dos habitantes dos Brasil pré-históricos A Argila e a Forma:

A princípio, qualquer peça trabalhada em argila servia como utilitário e a manufatura dessas peças era uma função essencialmente feminina.
A mais antiga cerâmica do Brasil e da América do Sul é a Tradição Mina, encontrada no Pará e Maranhão, onde surgiu há aproximadamente 5 mil anos.
São mostrados exemplos e comentamos sobre estas e outras tradições e técnicas identificadas em várias peças e reproduzidas no livro.

OS CEM ANOS DE MAX   LEMBRADO NA ALEMANHA
Obra do expressionista Max Beckmann

“O que quero mostrar através do meu trabalho é a idéia que se esconde atrás da chamada realidade. Quero encontrar uma ponte entre o visível e o invisível”. Foi assim que Max Beckmann, um dos grandes pintores de expressionismo alemão, definiu a essência da sua obra artística. Beckmann chegara ao expressionismo marcado pelas experiências durante a Primeira Guerra Mundial que lhe dera uma sensação de profundo desespero em relação à civilização européia.
Filho de pais abastados, Beckmann nasceu em 12 de fevereiro de 1884 em Leipzig. Já no início da sua carreira ele se tornou conhecido na Alemanha. Depois de formado em 1903 em Weimar, mudou para Berlim, onde não tardou a participar de exposições.
Aos 26 anos era o membro mais jovem do grupo de artistas “Secessão de Berlim”. Até a eclosão da guerra, Beckmann criou numerosas paisagens e composições tipo retrato. No entanto o quadro “O naufrágio do Titanic” (1912) mostra que nos grandes painéis Becmann já desde cedo não só escolheu temas tradicionais mas dedicou-se também aos atuais.
Durante dezoito anos viveu e trabalhou em Frankfurt, às margens do Reno, uma cidade que reconheceu e promoveu artisticamente o pintor até que, em 1933, os nacional-socialistas o demitiram da Escola Municipal de Artesanato, onde era professor. Tendo-se exilado em Amsterdã a partir de 1937, os anos até o fim da Segunda Guerra Mundial foram um intensíssimo período criativo, apesar do isolamento, dos riscos pessoais e das dificuldades financeiras.
Nesses anos, o mundo de imagens e figuras de Beckmann desvenda progressivamente a tragédia humana da época.  Os quadros mais importantes, criados desde o início dos anos trinta, mostra uma inclinação para o mito, por exemplo as composições de grande formato á maneira dos trípticos medievais. De 1932 a 1935 Beckmann trabalhou no célebre tríptico “Emigração”, realizando mais três obras do gênero até sua morte em 1950. O tema básico comum a todos esses quadros monumentais á a verdade de viver contra contraposta à insânia e a profunda desilusão da época.

   ADÉLIA OLIVEIRA ESTÁ EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Adélia Nogueira Oliveira, artista plástica natural de Nazaré, despertou para as Artes Plásticas no Atelier Iniciação Artística, através do curso ministrado por Marisa Fernandes Correia. Fez o curso de Batik em São Paulo; na Escola de Lili Richers, técnica esta que vem desenvolvendo desde 1976, procurando aprimorá-la e desenvolvê-la dentro de uma linguagem cada vez mais própria. Realizou sua primeira exposição individual em 1979 na Galeria Geraldo Rocha em Vitória da Conquista.
Aprendeu a trabalhar com cerâmica em São Paulo, dedicando-se, com freqüência a este trabalho e este ano, ministrará um curso de pintura de cerâmica para a comunidade conquistense.
Participando constantemente de exposições Adélia Nogueira de Oliveira vai mostrar o seu trabalho em outras cidades do interior em Salvador. está sempre ligada a movimentos artísticos locais, lutando pela maior divulgação da arte em Vitória da Conquista.
Em 1974, licenciou-se em Estudos sociais pela Universidade Federal da Bahia. Em 1982, Exposição Cinco Artistas Conquistenses, na Galeria Geraldo Rocha; Artistas Conquistenses, na Biblioteca Municipal de Vitória da Conquista. Mostra Cadastral de Artes Plásticas, na Universidade do Sudoeste, Arte Quatro, na galeria Geraldo Rocha e a Expo-Arte durante a realização da I Jornada de Gastroenterologia na Casa do Médico em Conquista.


IMITAÇÕES E IMITADORES - 12 DE JANEIRO DE 1984.

JORNAL A TARDE, SALVADOR, 12 DE JANEIRO DE 19

                         IMITAÇÕES E IMITADORES


O Brasil é realmente recordista em acontecimentos, casos e inacreditáveis. Um país imenso onde cabem os mais variados tipos humanos daqui e de outras terras.Tropical, seco e quase sempre enfrentando enchentes, crises ou inflação a galope, o nosso país segue como um barco sem rumo ao sabor dos ventos e das intempéries. Um caso singular em toda a história da humanidade. Um caso tão singular que o atual governador de Minas Gerais, o piauiense Francelino Pereira, quando presidente da extinta Arena perguntava:: “Que país é este?”Surpreso diante das coisas que entre nós aconteciam e acontecem.
Mas, voltemos às artes plásticas. Vivemos de imitação. Alheios a cultura que nos rodeia copiamos (e copiamos mal ) tudo que ocorre nos grandes centros.Um colonialismo cultural gritante e alheio a tudo que existe por aqui.Quando não, estamos copiando os velhos casarios, as paisagens rurais ou coisa que o valha.
A imitação não acontece apenas neste campo.
Lembro-me que Salvador não tinha uma lanchonete que prestasse, e um cidadão qualquer, que não conheço, resolveu instalar uma na Rua Carlos Gomes , no centro da Cidade,  e deu o nome “La Fontana”. Em poucos meses a Rua Carlos Gomes contava com quase dez lanchonetes, muitas das quais já fecharam. Se você abrir uma lojinha qualquer que apresente algo de novo, imediatamente ataca a febre da imitação. Agora, estamos com uma febre de críticos. Existem críticos para todo o gosto. De preferência, é preciso que escreva algumas poesias de mal gosto ou cultive uma cultura chula. Mas, é preciso ter também ter alguns livros à disposição, especialmente de autores conhecidos internacionalmente para as indefectíveis citações, de preferência em Inglês, a língua de Tio San. Isto dá status de crítico. Outros, preferem colher superficialmente informações de outras publicações populares. Mas o gosto da presença de imitação está solto.
Também pudera! A moda e o consumismo do sistema capitalista integram um processo de grande imitação. No entanto, discordando desta atitude prefiro àqueles que criam, àqueles que gostam de sair na frente em busca de objetivos mais nobres. Não comungo com aqueles que bajulam nas ante-salas das galerias, nos clubes sociais ou em outros ambientes apropriados para o cultivo da imitação.

A BUSCA DE NOVOS MATERIAIS PELO ARTISTA 
JOÃO AUGUSTO

No próximo dia 14, a Galeria Pousada do Carmo estará abrindo suas portas para vernissage do artista João Augusto. São 11 trabalhos constituídos, cada um, de quatro chapas de Duratex, medindo 1,22m por 96cm, as quais foram recortadas criando volumes que se revelam sobre as superfícies planas das chapas.

Segundo o artista, são composições que oferecem inúmeras opções de construção. Esta proposta já foi por ele apresentada no Rio de Janeiro e recentemente no Museu de Arte no Rio Grande do Sul, tendo recebido boa aceitação de público e crítica. Mas, João Augusto não para e já tem exposição programada para o Museu de Arte Moderna de São Paulo, MASP, onde levará 200 placas formando 800 volumes.
A tinta utilizada por João é a Suvenil Látex, que é industrial e os instrumentos para a execução das obras são martelo, lixadeira, serras manuais ou circulares, colas, brochas e rolos. Fugindo inteiramente ao tradicional suporte de tela.Portanto, João Augusto abandonou por algum tempo a dupla tradicional ( pincel e tela ) para partir para outros instrumentos de trabalhos de massa.

Desde sua passagem pelos Estados Unidos que vem pesquisando vários materiais, na busca incessante de transformá-los em objetos de arte. Diz José Augusto que," à medida que os anos passam, minha inquietação aumenta e minha entrega a minha opção se torna cada vez mais forte, e tudo que não seja o meu trabalho se transforma e, algo menos importante e mais secundário."

PREMIADOS NO SALÃO NACIONAL VIRÃO ESTE ANO 
A SALVADOR

O Projeto Arco-Íris criado em 1978 para promover o intercâmbio de arte no país através de exposições, palestras e seminários, inicia suas atividades este ano no próximo dia 15, inaugurando no Museu de Arte, em São Paulo, uma exposição itinerante dos artistas premiados no 3.º Salão Nacional de Artes Plásticas. É a primeira vez que os trabalhos selecionados no SNAP serão expostos em outras capitais brasileiras, além do Rio de Janeiro. Depois de São Paulo, a mostra percorrerá Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Brasília.
Além da exposição itinerante do 3.º SNAP, o Projeto Arco-Íris prevê para o primeiro semestre duas mostras coletivas de Gravuras e Desenho programadas para Vitória, Itajubá, Goiânia, Campo Grande, Salvador e Recife; uma exposição de Desenho e Gravura, de Newton Cavalcante ,em Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, e outra de Pintura do artista mineiro Márcio Sampaio, em Curitiba, em co-patrocínio com a Secretaria de Cultura do Paraná.
Entre os cursos organizados pelo projeto Arco-Íris, do Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte, destacam-se um de fotografia em Itajubá e um Laboratório de Percepção e Criação Plástica, na Universidade Federal da Viçosa, em Minas Gerais. Os dois cursos, com professores contratados pela Funarte, visam a transmitir conhecimentos técnicos que propiciem a valorização da cultura local.

ROTEIRO DO SALÃO NACIONAL

São Paulo (Museu de Arte de São Paulo-MASP): de 15 a 27 de janeiro. Curitiba (Galeria do Centro de Cultura): de 4 a 16 de fevereiro. Porto Alegre (Museu de Arte do Rio Grande do Sul): de 10 a 23 de março. Belo Horizonte (Palácio das Artes): de 17 a 28 de abril. Salvador (Museu de Arte Moderna da Bahia): de 7 a 20 de maio Recife (Galeria da Fundação Joaquim Nabuco): de 8 a 19 de junho. Brasília (Galeria Osvaldo Joeldi, da Funarte): de 6 a 17 de julho.
Os premiados no 3.º Salão Nacional de Artes Plásticas e que participarão da exposição itinerante são: Prêmio de Viagem ao Exterior- Arlindo Daibert (MG), Manuel Messias (RJ), e Sérgio Fingermann (SP), e Marcos Coelho Benjamim (MG). Prêmio de Viagem pelo País- João Grijó (RJ) Klaus Herbert Pfeiffer e Estela Bulgarelli (SP), Grupo de Arte Conceitual: Cuidado Louças (RJ) e Gomes de Souza (GO). Prêmio Gustavo Capanema: Manfredo de Souza (MG). Prêmio de Aquisição: José Augusto Toscano Simões (PA), Anna Maria Maiolino (RJ), Rodolfo Mesquita (PE), Márcia Bodstein (SP) e Lena Cecília Bergstein (RJ).

                  SALVADOR DALÍ REAPARECE EM PARIS

Esteve sumido das manchetes e dos pontos mais movimentados de Paris o controvertido Salvador Dalí. Mas, este final de ano ele reapareceu vestindo um sobretudo de pelo de leopardo e trazendo consigo uma bengala antiga. Dalí revelou aos jornalistas que retorna com força total para pintar os encantos de sua musa e mulher Gala. Ele não está alquebrado como pensaram alguns, mas disposto a colocar suas telas  nas mais famosas galerias e museus do mundo. O passeio ai registrado ,que deu pelas ruas de Paris foi considerado pelos seguidores do mestre do surrealismo como um reaparecimento para clarear o mundo conturbado pelas guerras e crises.



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

UM MUSEU ONDE ESTÃO OS PICASSOS DE PICASSO - 17 DE FEVEREIRO DE 1986.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 17 DE FEVEREIRO DE 1986. 

UM MUSEU ONDE ESTÃO OS PICASSOS DE PICASSO

o
 Museu Picasso onde está boa  parte da obra do artista
Acabo de receber de EduardoTawil, um ex-aluno e amigo, agora fazendo um curso em Paris uma matéria sobre o Museu Picasso aberto recentemente. Um museu onde estão os quadros feitos por Picasso e que ele selecionava em sua casa. Portanto é um museu de picassos de Picasso. Vejamos.
Paris (Via Varig), Conhecida internacionalmente, depois de séculos, pelos seus museus e pelo  valor do seu patrimônio artístico, Paris é uma cidade que nunca deixou de evoluir e investir na cultura. Isto fica mais uma vez provado na sua mais recente aventura: a inauguração, em setembro de 85, no Museu Picasso. O local escolhido para abrigar as obras de um dos maiores gênios da pintura no Séc.XX foi o Hotel Salé (Rue de Thorigny, n.º 5 no 3.º distrito da cidade), um enorme prédio construído em 1656 e desde 1968 classificado como Monumento Histórico.
O Beijo, acervo do Museu Picasso, Paris
A implantação no Museu se justifica pelos vários anos em que o pintor morou em Paris. O seu projeto de criação foi anunciado em 1974, e logo em 75 iniciaram-se os trabalhos de restauração, que custaram ao Estado francês 12 milhões de francos, e mais de 67 milhões o custo global dos trabalhos de arrumação interior. O resultado é que nos seus quatro níveis, estão distribuídos 203 pinturas, 158 esculturas, 16 colagens, 29 quadros em relevo, 88 cerâmicas, mais de três mil desenhos e estampas, obras ilustradas e manuscritos, assim como obras primitivas e alguns dons de coleções particulares.
Do subsolo ao primeiro andar estão as coleções permanentes, enquanto que o segundo é reservado às exposições temporárias e à documentação. O atual acervo não deixa de ser surpreendente, ao saber-se que em 1945 apenas três telas de Picasso figuravam nas coleções públicas francesas com todas as peças restauradas e autênticas, entre as quais seu primeiro quadro aos 14 anos de idade. No entanto, é com “Auto-retrato Azul”, do inverno de 1901, que começa realmente a coleção: esta tela marca a sua chegada a Paris. Em sete salas divididas em fases ou épocas, a evolução de uma obra que não para de se confrontar, de se definir e de celebrar a pintura universal, um trabalho concluído durante um século, pois o pintor viveu 93 anos.
Picasso trabalhando na famosa Guernica
A idéia fundamental da equipe de criadores era constituir um museu com a cumplicidade generosa, secreta e paciente do pintor em si mesmo, a começar pelo seu tamanho: Picasso sempre amou os grandes espaços.
Também guardava suas telas e esculturas como decoração ativa de sua vida cotidiana, e raramente emprestava as obras de sua coleção pessoal, somente para as grandes ocasiões, como as retrospectivas. De enorme atividade criativa, produzia muito e guardava perto de si o essencial de sua obra sem se submeter às exigências do mercado, motivo principal da presença na coleção de um bom número de obras-primas. Ele sabia que este conjunto não deveria ser dissociado, que era significativo do desenvolvimento coerente de sua obra, e assim deveria ser mantido para o futuro.
Esta escolha dos organizadores foi feita em acordo com os herdeiros de Pablo Picasso: o destaque para o conteúdo sentimental, pessoal e familiar das obras sem esquecer o seu caráter mais difícil, o artístico e histórico. A decisão resultou neste novo museu praticamente sem lacunas, no qual os enriquecimentos recentes e futuros contribuirão a fazer do lugar um vasto universo da arte.

Todas as obras são ligadas à sua vida ou aos seus momentos. Ali estão retratados os períodos rosa e azul, a época lírica da juventude do artista e de sua admiração por Cézanne; a influência da arte antiga ibérica; o pré-Cubismo de 1908-1909 e o Cubismo de 1910-1914 (decomposição do que seria o quadro); introdução à colagem (matérias estranhas à pintura); desenhos sobre jornal, violões e madeira; os primeiros anos do pós- guerra (obra de volume); em seguida de uma viagem a Roma, rompe com o Cubismo e passa ao Neoclassicismo (impressionou-se com Rafael); o Expressionismo dos anos 50 e 60, seu momento de maior sucesso, muito colorido; o Sintetismo (papel colado na gravura); a influência do Mediterrâneo; a fase do Minotauro. Enfim suas obras particulares de Renoir, Matisse, Miró; manuscritos muito raros, documentos originais, fotos da família e as esculturas expostas no pátio inteiro do museu.

APOIO ÀS ARTES AJUDA CRIAR UMA BOA IMAGEM

O apoio empresarial às artes não constitui novidade nos Estados Unidos.Antiguidade, uma companhia de satisfazia com uma menção nas listas das empresas que emprestavam seu apoio ou, talvez, com uma pequena citação na segunda página do programa. Hoje em dia, as empresas estão-se conscientizando de que as artes não são boas apenas para a comunidade, mas também para os negócios.
Tal como disse Charles Croce, vice-presidente e diretor de comunicações culturais da agência de publicidade N.W.Ayer, “estar havendo um distanciamento da filantropia pura para uma posição mais mercadológica. Há dez anos, os recursos empresariais para as artes seriam provenientes dos orçamentos para fins filantrópicos; hoje, são das verbas de mercadologia”.
A American Telephone e Telegraph (ATeT) pode ter sido a força catalisadora deste nova situação.Quando iniciou, em 1979, seu programa Orquestras em Tournées (Orchestras on Tour), dando continuidade a uma programação ininterrupta de 40 anos de subscrição de programação artística, a ATeT deu prova a um curioso mundo empresarial de que era possível enviar organizações artísticas para outros locais fora de sua sede, e conquistar muitos pontos em termos de relações públicas, além do prestígio interno.
Recepções, jantares e outras atividades sociais do gênero podiam ser planejadas em função de um concerto de uma orquestra visitante. Era possível adquirir os melhores lugares para esses concertos e oferecê-los a clientes em perspectiva. O logotipo da ATeT, juntamente com a filial local da Bell devam projeção e credibilidade à companhia entre os culturalmente afinados, que, na maioria das vezes, compunham o mercado que muitas empresas contemplavam em primeiro lugar.
Agora, a idéia pegou. Infelizmente, a transformação acionária porque passou, recentemente, forçou a ATeT a renunciar a seu notável programa.
Atualmente, a empresa subscreve ATeT Presents Carnegie Hall Tonight (ATeT Apresenta Carnegie Hall Hoje), um programa radiofônico transmitido para todo o país. Porém, outras empresas empunham a bandeira da doação promocional, embora de forma acentuadamente te diferente.
O Elliot Ballet se apresentando em Chicago sob
 o patrocínio da empresa Merril Lynch.
O envolvimento municipal também está muito em moda. Como exemplos pode-se citar vários projetos. Desde 1970 que o Citibank é um dos principais patrocinadores das excursões da Filarmônica de Nova Iorque, promovendo viagens  à América do Sul, México, Europa e Ásia. A Isuzu está comprometida com a Filarmônica de Los Angeles, Califórnia. A Beatrice Foods, de Chicago, lllinois, optou pela Ópera de Chicago como o centro de suas promoções culturais, não apenas mediante generoso apoio à temporada lírica, mas também pelo patrocínio de transmissões radiofônicas anuais para todo o país e gravação em vídeo de “Eugene Onegin”, de Tchaikowsky,para futuras apresentações na televisão A Merril Lynch está patrocinando uma série de recitais e concertos com cerca de 25 orquestras através de todos os Estados Unidos.
Judith A.Jedlicka , Presidente do Conselho Empresarial Para as Artes, e Inc. Chefia um escritório que incentiva empresas interessadas, de grande e pequeno porte, a explorarem as artes como,empreendimento promocional.Ela afirma que as doações empresariais sempre foram substanciais, mas agora há um empenho mais consciente  de setores que darão mais projeção à Companhia. “ A primeira preocupação das empresas é com o setor em que funciona. Há , atualmente, muito mais noção de associação de mercadologia e publicidade às artes, e isto está granjeando-lhes muito mais projeção junto ao público.Albert K. Webster , Diretor Administrativo da Filarmônica de Nova Iorque, refere-se especificamente ao City Bank, mas seus comentários aplicam-se a todas as firmas: “ Nossa associação se adapta a sua finalidade, que é lucro de vendas, e imagens, etc.; para um banco que busca uma clientela que se sente atraída por um concerto ou lisonjeada com um convite para um recital ou uma recepção antes ou depois dele. “É apenas um bom negócio, e , do meu ponto de vista, o aspecto mais importante de apoio do City Bank à Filarmônica”.Os objetivos de Merrill Lynch são semelhantes, embora os meios de alcançá-los seja um tanto diferente. Michael Wall , um dos vice-presidentes da Merril Lynch e também Gerente do Departamento de Eventos Especiais , observa que “ as grandes empresas com sistema de filiais são constantemente acusadas de fazerem dinheiro nas cidades e depois retirarem o delas”.( Por Thor Ecket Jr.)

GERAÇÃO 70 VAI PINTAR O POETA CASTRO ALVES - 3 DE FEVEREIRO DE 1986.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 3 DE FEVEREIRO DE 1986.

GERAÇÃO 70 VAI PINTAR O POETA CASTRO ALVES


Estou de volta! Chego com uma boa notícia para aqueles que acompanham esta coluna, que já dura mais de 10 anos. Tempo este em que outra coisa não tenho feito senão promover as artes visuais baianas e seus produtores. Uma luta que a primeira vista parece ser fácil, mas não é. As alegrias são muitas, porém, os aborrecimentos também. Isto porque não se pode e não se deve agradar a todos, porque se assim procedesse estaria prejudicando o trabalho a que me propus realizar.
O que interessa é que realmente a publicação de um fato aqui tem alguma repercussão, se não momentânea, pode esperar, que algum dia terá. Isto mexe com as pessoas, incomoda burocratas enclausurados por trás das carteiras empoeiradas de academias ou de bibliotecas que exalam cheiro de mofo. Aqui eu acompanho o pulsar da vida, porque é no jornal que deságua tudo de bom e ruim que acontece na cidade, no estado, no país e no mundo. O jornal é um espelho desta vida contemporânea cheia de incertezas, fome e violência. E a arte como uma manifestação do homem reflete também este mundo.
Vejamos o rock and roll que invadiu as paradas de sucesso em todo o mundo, o movimento de transvanguarda os videoclips que nos espantam por sua criatividade.
A Casa onde nasceu o poeta é hoje um Museu vivo

Enfim todo este panorama é um reflexo do mundo atual e na qualidade de jornalista profissional participo da aldeia global escrevendo, selecionando e editando aquilo que pode mais interessar aos leitores.
Vamos agora os fatos. Fui convidado pelo secretário da Educação e Cultura, professor Edivaldo Boaventura para reunir os artistas que participam do movimento Geração 70 para apresentarem uma visão atual do grande poeta Castro Alves. Isto porque a fazenda Cabaceiras, onde ele nasceu, será totalmente reformada, inclusive a casa está sendo restaurada para funcionar como um museu vivo, promotor de eventos culturais. O projeto foi coordenado por Jacyra Oswald, que é um verdadeiro dínamo para trabalhar. Desta forma os artistas da Geração 70 mostrarão uma verdadeira síntese como eles vêem Castro Alves, hoje. Digo síntese porque é uma visão de artistas que vivem outros tempos, bem longe daqueles tempos vividos e registrados pelo poeta. As obras já estão praticamente prontas e logo depois do Carnaval serão mostradas ao público em local ainda a ser determinado por Jacyra Oswald, responsável pelo projeto. Também será editado um livro, de alta qualidade gráfica, onde as obras vão figurar, permanecendo como um documento para a posteridade. Este convite é mais um reconhecimento de que o movimento Geração 70 não parou.
Por falar nesta continuidade do movimento basta a gente dar uma olhada nos muros da cidade, nas manifestações de desagrado contra a burrice dos responsáveis pelo Cine Glauber Rocha em apagar os trabalhos dos artistas.
Achei uma grande bobagem à declaração do responsável de que “eram apenas borrões”. Mais uma prova de desconhecimento, da falta de informação, da falta de compreensão de uma obra de arte. A leitura ou decodificação de uma obra só pode ser feita se a gente dispõe de instrumentos para tal. Pelo menos é o que se pode deduzir das explicações”...
Os integrantes da Geração 70  cada um expressou na  pintura sua visão de Castro Alves

Falta de informação!O problema não para por aí. Os artistas ( a grande maioria da Geração 70) fizeram outro mural no Rio Vermelho e alguns trabalhos foram cobertos por uma tinta marrom pelo proprietário do imóvel. Agora eles colocaram uma faixa protestando e chamando a atenção dos transeuntes e vão repintar dividindo melhor o espaço, para incluir os artistas que tiveram seus trabalhos cobertos. Como podemos observar é uma luta desigual entre estes artistas e algumas pessoas insensíveis que preferem seus muros cobertos de cartazes de mau gosto, de pichações grosseiras a um mural de artistas qualificados. Tudo é uma simples questão de cultura. Muitos anos serão necessários para que essas pessoas entendam o problema. Geração 70 está ajudando a mudar.

     O ÍNDIO TIMBIRA IZAÍAS ALVES

Nunca é tarde para remediar uma dívida. Certamente não estou falando de uma dívida pecuniária.
A minha dívida é com o artista Izaías Silva, o índio maranhense que fez uma exposição na  Galeria O Cavalete. Digo uma dívida porque fui a pessoas que o apresentou a Jacy Brito, esta cidade que tanto tem contribuído para o desenvolvimento das artes plásticas baianas, promovendo exposições e revelando novos valores. Ela compreendeu a simplicidade da obra do Izaías e promoveu a exposição do índio timbira no mês passado.
Deixo aqui para os leitores algumas palavras que escrevi no catálogo do Izaías:
“Estamos vivendo momentos onde a nacionalidade recomeça a ser enaltecida. A nossa bandeira e as cores verde e amarela que não eram aceitas, agora estão sendo cultuadas com mais fervor. Tudo isto furto de uma abertura política que inicia a dar os seus passos em busca da democracia. Estas palavras reforçam exatamente a presença de Izaías Silva nas artes plásticas brasileiras. Um índio que retrata as nossas florestas e seus habitantes. Um artista inato que brotou uma seringueira que cresce e lança seus galhos em busca da luz. E, Izaías, é um batalhador incansável, uma pessoa simples e sensível que transborda com suas cores fortes naturais retratando este mundo primitivo que ainda resta em determinados locais.
Agora Izaías volta a expor em Salvador, desta vez numa individual mostrando o que fez de novo, onde a beleza indescritível da fauna amazônica está traduzida nas cores vibrantes que o artista irradia por este Brasil afora.
Izaías está sempre viajando, enfrentando e desafiando dificuldades em busca de novos espaços para apresentar o seu trabalho. É um índio nômade que mora em Fortaleza, no Maranhão, na Bahia, no Recife, enfim em qualquer cidade que o acolha, e onde exista gente sensível para entender a sua obra. É uma manifestação do próprio ser do índio que sempre saía em busca de melhor alimentação e local seguro para estabelecer por algum tempo a sua moradia. O nomadismo de Izaías está intimamente ligado a sua necessidade de mostrara um maior número possível de pessoas sua arte.