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domingo, 28 de outubro de 2012

ARTISTAS FAZEM OUTDOORS E ESPALHARÃO POR SALVADOR -28 DE SETEMBRO DE 1987.


JORNAL A TARDE , SALVADOR SEGUNDA-FEIRA , 28  DE SETEMBRO DE 1987.

ARTISTAS FAZEM OUTDOORS E ESPALHARÃO 
POR SALVADOR.


A agência de publicidade DM-9 transformou o que seria a campanha de outdoor mais cara da Bahia, numa promoção acessível, além de popularizar as idéias dos grandes artistas plásticos baianos, pois seus trabalhos serão exibidos nas avenidas mais movimentadas da cidade, a partir da 1ª quinzena de outubro.
A população de Salvador terá a oportunidade de ver as pinturas de artistas da velha guarda como Carybé, Floriano, Calazans Neto, Sante Scaldaferri, Carlos Bastos e Mirabeau Sampaio entre outros, que já estão trabalhando os outdoors na A.
Linhares e que serão exibidos da forma artesanal, como foram criados, sem serem impressos.
A solidariedade dos amigos Carybé, Mário Cravo e Floriano Teixeira, dentre outros artistas.
Trata-se de uma homenagem desses pintores a D.Sizininha Abreu, proprietária de uma loja localizada na Barra, pelos seus 30 anos comercializando obras de arte, antiguidade e projetos de decoração.

A IDÉIA

Segundo informações da equipe de mídia, a agência foi solicitada a criar uma campanha para outdoor a fim de marcar os 30 anos de atividades comerciais da loja por sua proprietária.
Havia mil idéias, porém a cliente é uma pessoa muito querida em Salvador, principalmente na área cultural, então a equipe de criatividade da agência partiu para o “saque” de decorar a Cidade do Salvador com obras dos grandes nomes das artes plásticas da Bahia ou projetar um grande corredor da arte numa avenida de grande movimento como é a Garibaldi.
Uma idéia que não é original, mas interessante. Lembro que na realização do I Salão Metanor vários artistas baianos pintaram  outdoors no próprio local, subindo nos andaimes na Av. Garibaldi. Assim diariamente até o dia 29 de setembro, os pintores baianos estarão colocando suas idéias em outdoors. Além dos nomes mais citados estarão prestando homenagem a D. Sizininha, Fernando Coelho, Levy, Zivé Giudice , Otaviano Moniz Barreto, Bel Borba. Além de uma equipe de arquitetos, o pessoal da agência, seus filhos e netos.
A idéia inicial era fazer um corredor da arte na Av. Garibaldi com todos os outdoors dos artistas, mas prevaleceu a sugestão em vários outros pontos da Cidade, também de grande movimentação, como Aeroporto, Av. Paralela, Av. Antônio Magalhães, entre outras. Assim se uniu o útil ao agradável, uma campanha que teria um custo muito alto se fosse pago cachê aos artistas, tornou-se acessível porque foi transformada numa homenagem. Um presente pelos 30 anos de atividade comerciais de D. Siziniha Abreu.
Parabéns do colunista.

MEXICANOS QUE PARTICIPARÃO DA BIENAL EXIBEM VÍDEO AQUI

Arturo Guerrero e Marisa Lara participarão da Bienal de São Paulo e pretendem exibir em Salvador um vídeo sobre suas obras, no Museu de Arte da Bahia, no próximo dia 28, às 20 horas, numa promoção de Departamento de Artes Plásticas.
Explicam os artistas mexicanos que trabalham em três planos de atividades a projeção de um vídeo, debate e desenvolvimento de uma oficina de trabalho. A projeção  do vídeo se trata de uma fita cujo tema é o trabalho plástico que os artistas realizam investigando diversos aspectos da cultura popular urbana como os espetáculos populares, particularmente os de circo, a luta livre, o boxe, o futebol, corrida dos touros, o baile público e a música de dançar como a rumba. A obra aborda situações e personagens vinculados a identidade cultural de ambos, que consideram integrantes do acervo cultural dos povos latino-americanos. Eles pretendem retomar a presença e a força da estética cotidiana; afirmar os lugares de encontros coletivos através de elementos lúdicos; participar da experiência de viver numa grande cidade mediante a troca de experiência de acontecimentos populares e, finalmente, retomar as expressões visuais da cultura popular manifestadas numa ampla iconografia urbana.
O material que apresentam vem acompanhado de textos e opiniões de personalidade da vida cultural mexicana. Quanto ao debate é baseado em seus trabalhos quando eles abrem espaço para um intercâmbio de opiniões com a participação do auditório.
Já o desenvolvimento de uma oficina de trabalho é para eles a conclusão de uma trajetória criativa dentro da concepção plástica baseada na utilização de materiais do cotidiano, ou seja materiais de uso popular e perfeitamente incorporados a um desenho dos participantes, deixando que as individualidades apareçam. Os participantes tomam a a iniciativa de selecionar os materiais dentro de seu mundo de conhecimento para transformá-los em objetos plásticos.
Os dois artistas participaram em Brasília do I Festival Latino-Americano de Arte e Cultura, que aconteceu na semana passada representando o Instituto Nacional de Belas Artes do México. Daí eles pretendem se apresentar aqui e em outras capitais, desde que sejam fornecidas hospedagem, transporte e alimentação durante um cinco dias de permanência.
No dia 2 de outubro. Ao lado de obras de David Alfaro Siqueiros, Remédios Varo e Martha Palau, estarão trabalhos em grandes formatos de Arturo Guerrero e Marisa Lara. Portanto, uma boa oportunidade para aqueles que não poderão ir até a Bienal de São Paulo ver um trabalho que lá será apresentado.

PEÇA NO TCA BASEADA N OBRA DE MAGRITTE

O absurdo é a crença de que uma lógica específica (chamada razão) pode dominar a lógica do mistério.
Um quadro, por exemplo, me parece válido se não for absurdo e se for capaz, como o mundo, de dominar nossas idéias e nossos sentimentos, bons ou maus.
Não há escolha. Não há arte sem vida. A coisa básica, seja na arte ou na vida, é a “presença do espírito” é imprevisível, Aquilo que chamamos de vontade não a controla. Nós somos controlados pela “presença do espírito”, que revela a realidade como um absoluto mistério, René Magritte apresentam o do grupo do teatro Orlando Furioso que mostrará a peça intitulada “O Espelho Vivo”, nos dias 9 e 10 de outubro no Teatro Castro Alves. Um projeto avançado onde há uma perfeita integração entre a vídeo-arte, teatro, holografia, slides e movimento, buscando dar dinamismo e tridimensionalidade à obra bidimensional do pintor.
Todos sabem, que a pintura de René Magritte expõe de forma inconfundível o desejo inconsciente e existencial da pessoa humana, e este trabalho do grupo Orlando Furioso envolve a forma de movimentação cênica, o estudo de processo de colagem, a criação de efeitos que provocam desdobramento de imagens e paradoxos visuais, a composição sonora e de iluminação, o estudo do timing das cenas.
Para Renato Cohen o uso da tecnologia moderna é o escolhido para dar vida e para a criação de efeitos que ilustram o imaginário de René Magritte. Portanto é uma nova forma de integrar a relação espaço-tempo-público, e a assistência e ao mesmo tempo, o observador participa do espetáculo. A linguagem surreal de Magritte se presta para este tipo de espetáculo porque nos leva ao pensar no imaginário, a gravitar no mundo dos sonhos. Esta releitura de sua obra é muito saudável, pois o artista trabalhava com elementos do cotidiano através de uma relação metafísica que busca a transcendência.
Segundo deixou escrito pretendia liberar os objetos de suas funções ordinárias alterando suas propriedades habituais através de mudanças de escala e posição.

CULTURA BAIANA SERÁ ALVO DE UM ENCONTRO NO DIA 13 -03 DE AGOSTO DE 1987

JORNAL A TARDE SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 03 DE AGOSTO DE 1987

CULTURA BAIANA SERÁ ALVO DE UM ENCONTRO NO DIA 13

                  A cultura baiana é impregnada de religiosidade e da sincretização entre várias religiões. 
Foto Google.
De 13 a 15 de agosto, Salvador sediará o Encontro de Cultura do Estado da Bahia. Trata-se de um evento que terá a participação de toda a Comunidade Cultural do Estado com os objetivos de identificar e avaliar o quadro cultural, além de explicar interesses e reivindicações de comunidades e artístico-cultural, e possibilitar o intercâmbio entre os diversos grupos e segmentos.
A idéia deste encontro nasceu em 1985 com a reunião do Plano de Desenvolvimento do Nordeste, quando a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste-Sudene criou o Grupo de Política Cultural para incentivar toda a área do Nordeste. A partir daí vários encontros estaduais foram realizados e agora chega o momento de discutir o assunto ligado com a Bahia.

IMPORTÂNCIA E PRESENÇAS

O encontro, a ser realizado no Pavilhão de Aulas da Universidade Federal da Bahia, na Federação, contará com a participação de figuras importantes da área cultural.
Este encontro está buscando uma maior presença possível das realidades culturais existentes na Bahia, respeitando e preservando, sobretudo, as particularidades de cada contexto. A sistematização de uma política cultural regional obrigará que os diversos contextos sócio-econômicos também sistematizem uma linha de ação voltada para as realidades, o que facilitará o relacionamento entre grupos e instituições.
Com a finalidade de obter uma maior participação possível de entidades culturais, já foram cadastradas em todo o Estado em torno de 800 entidades culturais, além da convocação de artistas das diversas áreas para uma programação paralela ao evento. Conforme explica Sueli Ribeiro, representante da Fundação Cultural, na comissão executiva:
-Toda a comunidade cultural pode e deve participar do encontro. As inscrições são gratuitas e estão abertas a todos. Em paralelo ao encontro vamos realizar apresentações teatrais, musicais, de dança, além de exposições de artes plásticas, fotográficas e de livros, e até mesmo recitais de poesias. Como pode-se observar é uma coisa bem ampla, onde todos podem apresentar suas manifestações culturais.

PROGRAMAÇÃO

O Encontro de Cultura do Estado da Bahia será aberto no dia 13 no Pavilhão de Aulas da Federação pelo Governador Waldir Pires, seguido de uma programação artística. No dia 14, após as inscrições e recepção, acontece ás 9 horas o primeiro painel sobre o tema “O Estado e a Intervenção Cultural”, coordenado por José Carlos Capinan, Secretário de Cultura do Estado. Esta primeira etapa tem como apresentadores Nailton de Almeida Santos, diretor de Planejamento Global da Sudene; Carlos Alves Moura, coordenador do Ministério da Cultura e Ordep Serra, diretor do IPAC. Os debatedores serão Florisvaldo Mattos, presidente da Fundação Cultural; Wally Salomão, diretor da Fundação Gregório de Mattos e Hildegardes Vianna, da Universidade Federal da Bahia
Ainda no dia 14, a programação prosseguirá com sessões coordenadas: “A Questão Cultural do Estado da Bahia”, avaliação de experiências em manifestações comunitárias, mecanismo de produção e consumo, grupos culturais emergentes, experiências classistas, balanço da organização do setor e medidas para estímulo e preservação do patrimônio artístico-cultural e natural do estado. Esta primeira fase será encerrada ás 19h30 min com uma programação artística.
No dia 15 a partir das nove horas acontecerá à exposição dos relatores de cada grupo, sessão plenária para a aprovação de proposição para o documento de Política Cultural do Estado da Bahia, seguido de atividades paralelas. O documento final servirá de base para traçar a política cultural do estado quando da realização do encontro regional que acontecerá de 17 a 19 de outubro no Recife, com a participação de todos os estados que abrange a área da Sudene.

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES

Os interessados em participar do encontro de cultura devem entrar em contato com estas pessoas nos seguintes endereços: Joana América de Oliveira, na Universidade Católica de Salvador, Praça Dois de Julho, 7, Campo Grande, telefone 3245-5422. Ericivaldo Veiga, Luiz Roberto, Rosa Ribeiro e Lola Medeiros no IPAC, Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho, telefone 3242-0177, Sueli Ribeiro, Fundação Cultural do Estado da Bahia, Rua General Labatut, 27, barris, telefone 3243-4555.
A promoção do evento é da Sudene, Universidade Federal da Bahia, Universidade Católica do Salvador, Fundação Cultural do Estado da Bahia, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural e Projeto Cultural Cantina da Lua.
Vamos aguardar. Esperamos que não fique no blablablá...

A INQUIETUDE ACOMPANHA TRAJETÓRIA DE CEZARIO

Nascido em Salvador em 1954 e de família humilde, Edson Cezario desperta a sua vocação aos sete anos de idade, a arte de desenhar e de escrever.
No Centro Educacional Góes Calmon, nos Barris, cursou o primário. Seus desenhos feitos em cartolina chamavam a atenção dos colegas e professores. No Colégio Edgard Santos, juntamente com a professora Lícia Passos, que incentivou e ministrou um curso livre de desenho sugerindo ao diretor da escola que concordou, dando tintas, telas e pincéis.

                                                 As feiras livres sempre foram inspiração para o artista Edson Cezario.
A partir daí Cezario inicia a pintar em tela, fazendo a primeira exposição de artes plásticas juntamente com os colegas, naquele estabelecimento em 1969. Concluído o ginásio, ele se vê sozinho pintando casarios e paisagens, em casa sobre pedaços de madeira, porque não tinha dinheiro para comprar material de pintura. Então começa a mostrar os seus trabalhos, procura as galerias naquela data: a Renoir na Ladeira da Barra, a Cañizares, procurando conhecer os ambientes propícios a arte, porém, recusado. Após buscar esperançosamente, pois a arte lhe despertara uma felicidade e expectativa incomum, conhece a Galeria Le Dome, situada no Bairro da Liberdade. Através do Sr. Eckener Cardoso, teve oportunidade de expor pela primeira vez com artistas conhecidos no meio artístico. Cezario sente que a arte mora dentro dele e começa a colaborar com os jornais locais, sendo publicados seus poemas pelo Jornal da Bahia e ilustrações nos contos de Guido Guerra na A Tarde teve seus poemas publicados várias vezes, “Crepúsculo Secular”, “A Natureza-Morta”, “Crer”, “Homens”, “A Mocidade”, “Saudades” e “No Silêncio do Pintor”.
Cesário teve sempre o espírito inquieto na sua trajetória artística de realizar o ideal e lutar pela sobrevivência. Trabalhou no ano de 1973 no Paes Mendonça, durante dois anos, nas funções de faturista e de estoquista. Inconformado com a exploração que o empregado se submete e às condições desfavoráveis por causa das necessidades, sem tempo para pintar resolve sair, pois a aspiração interior era mais forte. Pinta e expõe, sente-se renovado, mas como sobreviver da arte, se os que vendiam, tirava 33%, ainda dividido em prestações?... As dificuldades aumentam e o período maravilhoso dura pouco, ingressando na Petrobrás, como operador de radiofonia, trabalha de turno e pinta noturnos, se irrita com a função, resolve sair antes que fique surdo, pois vivia constantemente com o ouvido esquerdo inflamado. Pinta e expõe durante seis meses sem obter resultado satisfatório financeiramente. Volta a trabalhar, desta vez como auxiliar de escritório no Comind, durante mais dois anos; pinta à noite já cansado de um dia desgastante. Saturado, escreve um poema Seguro Bancário e resolve fazer vestibular para Licenciatura em Desenho e Plástica. É aprovado, tenta conciliar mesmo assim o estudo com o banco, porém é chamado para optar. Prefere seguir a universidade, deixa o banco. Nesse período trabalha de free-lancer, criando outdoor, fazendo arte-final. Em 1981, quando entrou para a Escola de Belas Artes, o estudo absorve boa parte do tempo, mesmo assim pinta, expõe, lança o seu primeiro livro de poesia ilustrada, O Destino. Com as continuas greves na universidade não perde tempo, vai trabalhar numa agência de propaganda, a Publivendas, como desenhista arte-finalista durante um ano. Abandona a universidade. Crescendo com a sua arte de pintar, retrata a figura humana em cenas de feiras livres dos interiores baianos, viajando para sentir de perto o movimento e resolve definitivamente viver da sua arte.Realiza duas exposições em 1985 e 1986 com o nome de “Retalhos de Luz”.
Dando prosseguimento à sua trajetória vocacional, completando no mês de agosto seus 26 anos de dedicação, realiza uma exposição comemorativa de seus trabalhos, juntamente com a sua irmã Elizabete, de 17 anos de idade, rostos, flores, crayon sobre o papel, e seu pai Eduardo, com suas esculturas em formas geométrica, feitas de azulejos, consolidando uma família de artistas.


OBRAS DE MARC CHAGALL SÃO EXPOSTAS NA RÚSSIA - 07 DE SETEMBRO DE 1987

JORNAL A TARDE SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 07 DE SETEMBRO DE 1987.

OBRAS DE MARC CHAGALL SÃO EXPOSTAS NA RÚSSIA

Marc Chagall , ao fundo  obra recente.
A viúva do artista russo Marc Chagall está na União Soviética para uma exposição dos trabalhos do renomado artista expressionista que trocou a terra natal pelo Ocidente em 1922.
“Tenho certeza de que se ele pudesse chegar aos 100 anos de idade encontraria forças para vir a Moscou, declarou Valentina Chagall ao jornal “Literaturnaya Gazeta, salientando que o pintor “ficaria muito feliz em saber que seus trabalhos estão expostos em sua terra.”
Chagall, que morreu aos 98 anos de idade em 1985, nasceu em Vitebsk e estudou na então capital da Rússia, São Petersburgo e abandonou a jovem república soviética em 1922 quando a arte de vanguarda caiu em desgraça no país.

A mostra do pintor acontece graças a Glasnost, palavra símbolo da política do líder Milhail Gorbachev e que dá vez a figuras da cultura russa neglicenciadas durante décadas.
Sob a Glasnost, que significa transparência, as revistas soviéticas também já publicaram um pequeno romance, contos e poemas de Vladmir Nabokov que, como Chagall, deixou o país pouco depois que os bolcheviques tomaram o poder, na revolução de 1917.
Chagall tinha estudado em Paris antes da revolução e optou por viver na França. Mas sua mulher, na entrevista à “Literaturnaya Gazeta”, garantiu que ele jamais esqueceu a terra natal.
Na véspera da inauguração da mostra, Valentina lembrou de uma viagem de retorno que com ela fez à União Soviética, em 1973, quando em Peredelkino, uma comunidade perto de Moscou, “Marc Chagall, tocando-os e acariciando-os, dizendo como sentia falta de tudo aquilo na França”.
“É uma pena que ele não esteja aqui comigo agora”, lamentou a viúva. A exposição, marcando o centenário do artista, está sendo realizada no Museu de Arte Gráfica de Moscou e inclui 90 pinturas e 100 desenhos de Chagall.
Bela obra o mestre das cores. 
A diretora do Museu, Irina Antonova, realçou o caráter russo da aventura artística de Chagall: “Esta exposição tem um sentido muito especial para nós porque foi na Rússia que ele nasceu e se desenvolveu como artista”.
Na exposição estão alguns dos trabalhos gráficos que Chagall deu de presente ao museu durante sua primeira exposição na União Soviética em 1973.
A “Lilteraturnaya Gazeta” também publicou uma carta escrita por Chagall durante a II Guerra Mundial sob o título: “A minha Vitebsk natal”, mostrando suas lembranças das raízes que inspiraram sua obra.
“Não vivi com você mas não existe uma única pintura minha que não reflita a sua alegria e tristeza. Fico triste quando vejo o jornal dizer, não entendendo o que sinto por você, que a esqueci. Que resposta dar? Você é o único lugar no mundo que amo”, escreveu o artista. 

           LAVINIA GONDIM ESTÁ EXPONDO 24 QUADROS

A crítica social de Lavínia Gondim.
A artista Lavínia Gondim está na Panorama Galeria de Arte com vinte e quatro trabalhos onde extravasa toda a sua sensibilidade. Ela escreveu a apresentação do seu catálogo repleto de questionamento e, em certo trecho fala dos palhaços que gosta de pintar, dizendo: Aprecio a simbologia do palhaço pelo que ele difunde de alegria,na medida em que é respeitado o seu direito de ficar triste, e de experimentar novas sensações. O palhaço me comove, me emociona”.
Lavínia Gondim pinta palhaços, inclusive num dos trabalhos que fez recentemente suas filhas aparecem com os rostos pintados e com a indumentária própria dessas criaturas que nos fazem rir.
                                                         
Aí deixa transparecer um pouco da mãe que curte a sua prole, acrescida da sensibilidade pela arte quando se emociona com as brincadeiras ingênuas dos palhaços.
Por trás desta simbologia vejo também os palhaços “de verdade”, que surgem diariamente no vídeo ou nas páginas dos jornais e revistas a fazer afirmações que não se concretizam. Aliás, estes são os verdadeiros palhaços deste circo mundano..
A obra de Lavínia não está limitada apenas aos palhaços pois tem escondida por trás  da aparente ingenuidade um discurso crítico. Neste quadro, que público, vemos uma cena onde pessoas abastadas bebem à vontade, todas estão gordas e satisfeitas, o que não acontece com a grande maioria dos habitantes deste País.

LEILÃO DE ARTE FOI REALIZADO EM FEIRA DE SANTANA COM SUCESSO

 Gil Mário na exposição de Floriano Teixeira.
Foi um sucesso o leilão de arte realizado em Feira de Santana, no Palace Hotel, promovido pela Galeria Raimundo de Oliveira e “O Cavalete”, esta de Salvador. Entre os trabalhos leiloados figuram os dos artistas Floriano Teixeira, Gil Mário, Bel Borba, Cesar Romero, Jenner Augusto, Antônio Rebouças, Murilo, Calasans Neto, Graça Ramos e Márcia Magno, num total de 102 trabalhos entre pinturas, desenhos e tapetes. Coube ao professor Carlos Eduardo da Rocha proferir uma palestra sobre Arte Contemporânea.

          ARTISTA ARGENTINO EXPÕE 40 TRABALHOS

Trinta pinturas e dez gravuras do argentino Ariel Dawi estarão expostas no Museu de Arte da Bahia. Ele já mostrou seus trabalhos em alguns países, esteve na Alemanha e na Espanha, Participando de um curso de Litogravura e Gravura em metal na Escola de Arte e Ofício de Barcelona, onde permaneceu durante mais de três anos.
Ariel é um desses artistas inquietos que está à procura de conhecer culturas diferentes. Está movido por aquele impulso buscando desvendar os mistérios que lhe são postos à frente. Com apenas 29 anos de idade tem alguma maturidade na técnica que utiliza, embora sua arte ainda tenha uma preocupação muito grande com a figuração. Para um artista que já conheceu museus europeus, que manteve contato com artistas contemporâneos, sua arte certamente passará por um processo evolutivo. Tenho certeza que está a caminho. Faço esta afirmação baseado nos trabalhos e nas fotos que me trouxe para examinar de exposições realizadas no Brasil e em outros países.
Notei também uma influência muito marcante de grandes mestres como Picasso, Chagall e nas últimas obras de alguns brasileiros. Mas, isto é compreensível e acredito que Ariel com sua disposição aventureira vai chegar a um patamar desejável.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A OBRA DE FERJÓ TEM UMA LINGUAGEM QUE É UNIVERSAL - 13 DE JULHO DE 1987

JORNAL A TARDE SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE JULHO DE 1987.

A OBRA DE FERJÓ TEM UMA LINGUAGEM QUE É UNIVERSAL

Nesta tela Ferjó mostra toda sua técnica
como é bom pintor.
Peixes flutuam tendo ao fundo o horizonte em tons acinzentados a amarelados, retratos onde a presença feminina é marcante, tendo como complementos da composição elementos variados, que vão desde zebras africanas a jogadores de beisebol. Não existe qualquer preocupação em combinar elementos, o que interessa é exatamente esta diversidade de figuras na composição, mas sempre deixando prevalecer algo que ele elege como essencial em cada tela. O trabalho de Ferjó tem, mesmo assim, um conteúdo que permite uma leitura universal. 
Embora seja baiano de Caculé e pinte na Filadélfia, portanto bem longe do nosso clima tropical, conserva dentro de si arte dos baianos. Por essa razão, vez por outra retoma a Salvador para expor sua produção. Cada vez que retorna me surpreende pela qualidade apurada de sua arte.
O hiperealismo vem fascinando muitos artistas em todo o mundo. Talvez, a influência do vídeo e da própria fotografia tenha contribuído para que alguns artistas plásticos realizem trabalhos cada vez mais próximos da realidade, permeando-os com elementos que lhe permitem assegurar a personalidade da pintura. Cada artista coloca nos seus trabalhos elementos que convive dentro do seu próprio existencial, deixando no espectador aquela sensação de indagação como, por exemplo, do por que do pincel flutuando entre quatro peixes? Este exercício nos transporta para o mundo da fantasia, para imaginarmos aqueles peixes, que de repente parecem reais, estão flutuando fora d’água. Enquanto a concepção das figuras é bem próxima da realidade, a composição por sua vez gravita no mundo do irreal. Neste clima aparentemente contraditório está a essência da arte feita por Ferjó, que se especializou numa academia americana.
Conheço o seu trabalho desde o tempo que trabalhava na então Secretaria de Planejamento e Tecnologia (Seplantec), nos primeiros anos de sua criação e tenho inclusive uma pequena tela onde aparecem alguns casarões. Portanto, embora já tenham se passado alguns anos, a distância entre a arte feita naquela época por Ferjó não tem nada a ver com a sua produção atual. Melhorou em qualidade.
Está com uma temática bem mais variada, deixando que pulse em suas mãos os sonhos que o menino de Calculé não pôde realizar na sua infância. E, no seu mundo de fantasias e brincadeiras até a sisuda Mona Lisa é convidada e ri e olha debochada os seus interlocutores.

 O artista Ferjó ao lado de uma tela onde aparece sua Mona Lisa, um dos temas preferidos para pintar.
Sua figura também tem alguma coisa de distanciamento da realidade. Com sua inseparável boina, cobrindo a cabeça raspada, finos bigodes bicoloridos e uma barbicha, bem cuidados, formam um tipo realmente fora dos padrões normais e que chama atenção. Muitos indagam a sua profissão, e quando ficam sabendo da sua condição de pintor, respiram aliviados, e passam a entender melhor o Ferjó, que é uma pessoa afável, batalhador incansável e talentoso. Talvez alguns fiquem espantados por minha sinceridade em falar de Ferjó desta forma, mas confesso que é a vontade de muitos e que falo com o maior respeito por sua pessoa e sua arte. Sou um admirador de Ferjó e também de sua luta.
Quem curte uma arte de qualidade vá até a Galeria O Cavalete porque desde o dia 9 que ele expõe seus últimos trabalhos.

É HORA DE SALVAR ACERVO DOS HANSEN

Acima uma bela xilogravura do mestre Hansen
Bahia, que traz a sua marca de genialidade.
Até que enfim a autoridades estaduais tomaram conhecimento da existência do Museu Hansen Bahia, em Cachoeira, e a Casa dos Hansen, em São Félix, ambos imóveis integrantes da Fundação que reúne um rico acervo de 3 mil xilogravuras e muitos originais do artista Hansen Bahia. Ele gostava tanto desta terra que tomou Bahia como seu sobrenome.
Alemão de nascimento, Karl Heinz Hansen trocou de nome depois que conheceu a Bahia e aqui passou a morar. Antes de morrer em junho de 1978, doou aos baianos a fazenda em São Félix, com 25 hectares, e o Museu em Cachoeira, para que nos dois espaços fossem instalados  escola, creche, casa de farinha, olaria, área de lazer, oficinas de arte e teatro de arena, em benefício das comunidades pobres do Recôncavo, especialmente  de Cachoeira e São Félix. Grande parte do projeto de Hansen e da sua esposa Ilse, no entanto, ainda não se concretizou.

Para a diretora da Fundação, Noelice Costa Pinto, escolhida por Hansen Bahia para ser a curadora-testamenteira dos seus bens, é injustificável a falta de apoio dos órgãos culturais da Bahia para um projeto de tamanha importância.
Ela diz que já recebeu inúmeras propostas do governo alemão que deseja a transferência do acervo, mas não quis nem pode aceitar nenhuma delas. A vontade de Hansen e de Ilse de doar seus bens aos baianos era tão grande que fizeram quatro testamentos, inclusive um gravado, além da escritura pública de doação registrada.
Quem visita a Fazenda Santa Barbara ou, como é mais conhecida, a Casa dos Hansen, em São Félix, tem impressão que o casal ainda reside lá. Apesar de todas as dificuldades financeiras, a casa está em perfeito estado de conservação, cheia de fotos, objetos pessoais e trabalhos dos dois artistas. A última obra de Ilse inacabada, continua no cavalete, exatamente como ela a deixou em junho de 1978. Trata-se de uma técnica mista, de folha de ouro com pintura em vidro. No armário do quarto do casal ainda estão as bonecas, os vestidos e sapatos dela, na cabeceira da cama, os colares que não saiam do seu pescoço.
Próximo a casa está a capela com as cinzas de Ilse (que morreu em 1983) e Hansen. Em volta, 25 hectares, onde planejaram a implantação de uma creche, uma escola pública de 1º grau uma espécie de “Escola Parque” do interior, embasada no pensamento do famoso educador Anísio Teixeira, trabalhos comunitários de plantações de verduras, hortaliças e de mandioca, criação de pequenos e médios animais de consumo caseiro, casa de farinha aberta ao povo, olaria para fabricação de telhas e tijolos para substituir as casas de palha e sopapo, além de áreas para casamentos, aniversários, batizados, lazer e cultura e para a construção de pousadas que servissem para estimular o turismo na região e manter a FHB.
Vemos ao lado reprodução de foto de Hansen,
ao lado de sua Ilse, viveu e amou esta terra.
Para o museu em Cachoeira, onde está a maior parte de sua obra, Hansen Bahia pensou nas oficinas de arte, literatura de cordel, biblioteca, teatro de arena e salões de exposições. “locais onde poderão trabalhar mais de 100 pessoas”, informa Noelice Costa Pinto, “aprendendo, pesquisando, criando, produzindo e também expondo e vendendo em benefício próprio o produto do seu trabalho artístico”.
O Museu funciona na antiga casa de Ana Nery, emprestada pela Prefeitura de Cachoeira.
“A Prefeitura nos doou uma casa para a sede definitiva da Fundação, em 1976, e nestes 11 anos lutamos para obter recursos para a sua restauração”, conta Noelice.
Agora, finalmente, o Ministério da Cultura liberou uma verba de CR$ 2 milhões para as obras, a casa está em ruínas, que serão realizadas pela SPHAN/Pró-Memória. 
A diretoria da Fundação está convencida de que a Bahia poderá ser um importante centro de xilogravura a partir das atividades do Núcleo de Cachoeira, tornando-se realidade o sonho de Hansen de aperfeiçoar o homem através da arte”e contribuir para o soerguimento cultura de Cachoeira e São Félix”.
Mas, para isto, adverte Noelice, são necessários “o esforço de todos nós e o apoio decisivo moral e material dos governos municipal, estadual e federal”.

ÂNGELO ROBERTO EXPÕE DIA 21 NA GALERIA CAÑIZARES - 17 DE AGOSTO DE 1987

JORNAL A TARDE SEGUNDA-FEIRA, 17 DE AGOSTO DE 1987.

ÂNGELO ROBERTO EXPÕE DIA 21 NA GALERIA CAÑIZARES


Finalmente está marcada e “amarrada” a exposição do excelente desenhista e grande boêmio desta cidade, Ângelo Roberto.Uma exposição que ele faz em memória do seu colega falecido prematuramente, o saudoso José Maria (de Souza). A exposição será na Galeria Cañizares, do dia 21 ao dia 28, sendo que a vernissage será ás 17 horas do dia 21, portanto, num horário que permite a presença de todos seus amigos, mesmo aqueles que trabalham na imprensa baiana.
Para anunciar sua exposição Ângelo esteve na Redação, acompanhado do seu amigo, e “grande fornecedor” do néctar dos deuses, o não menos boêmio Franco Barreto, do Quintal e Raso da Catarina. Juntas estas duas figuras singulares promovem a quatro mãos esta exposição resgatando uma dívida de Salvador para com a arte de Ângelo Roberto.
Acima o artista Ângelo Roberto fazendo um desenho do rosto de Carlos França, chargista 
de A Tarde.
O convite traz uma carta que Floriano Teixeira, enviou para o artista. Como sabemos, o mestre Floriano é bamba no desenho em bicos-de-pena, ilustrador de alguns livros de Jorge Amado, e reconhecido em todo o País. Nesta carta atesta a qualidade do trabalho de Ângelo Roberto quando diz:
“Poucas vezes vi, por estas bandas, desenhos a bico-de-pena, tão bem inspirados e executados como os que vais expor (vi as fotografias de todos eles, pelas mãos de Franco Barreto, teu amigo-irmão). O cruzamento das linhas, enriquecendo e criando tonalidades diversas, faz desses desenhos peças de qualidade e beleza plásticas surpreendentes”.
Portanto, atestada por um mestre do desenho a qualidade de suas obras, só resta a este filho de Ibicaraí, ex-povoado de Palestina, continuar o seu caminho que começou desde a infância sob a influência de sua mãe.
“É a linha que está me preparando para a cor”, confessa Ângelo, e, de repente, lembro-me várias caricaturas suas que vi nas mãos de Franco onde ele capta com perfeição os detalhes dos traços físicos de seus amigos como Guido Guerra, Sílvio Lamenha, Gey Espinheira, Cotrim, Franco, Clarindo Silva e muitos outros. Todos, figuras do primeiro time da noite e da boêmia baiana.
O nosso Ângelo reside em Salvador desde 1944, quando aqui chegou com apenas cinco anos de idade. Lembra-se ainda da primeira vez que viu o mar, azul e grandioso, em sua frente provocando momentos de fantásticas imaginações. Aquela imensidão de água a mover-se em várias tonalidades de azuis e verdes ficou marcada na sua retina e na imaginação da fantasia de criança. “Confessa que esta sua exposição, tem muito a ver com a sua infância, com minha vida toda e com a minha vida social, nos bares desta cidade varando as noites”.

ESTRANHOS INSTRUMENTOS MUSICAIS DE RAMIRO - 10 DE AGOSTO DE 1987

JORNAL A TARDE SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 10 DE AGOSTO DE 1987.

ESTRANHOS INSTRUMENTOS MUSICAIS DE  RAMIRO MAGALHÃES


Ao lado o Sax-fício, uma das
obras-instrumento .
Suas telas provocam uma ferrenha vontade no espectador em descobrir o que significa cada elemento que as compõem. Numa observação mais apurada a gente começa a descobrir que se trata de estranhos e gigantescos instrumentos musicais. São verdadeiros protótipos que um dia ele diz que vai construí-los utilizando metais para que funcionem verdadeiramente. Se vão funcionar ou não é outra conversa. O que interessa é que este jovem de São Felipe, interior da Bahia, é um visionário musical. E para acompanhar os estranhos instrumentos que brotam de sua criatividade ele apresenta figuras também muito estranhas a movimentar os foles e as paletas ou cordas de tais objetos.
O verde e o amarelo cor-de-cobre sobressaem em muitos de seus trabalhos. Faz também esculturas, a exemplo desta, onde aparece ao lado, que é seu auto-retrato escultural, com uma bola sobre a cabeça formando um verdadeiro paliteiro com os pincéis. É neste mundo fantástico que Ramiro Magalhães vive provocando gargalhadas e espanto nas pessoas. Por quase unanimidade reconhecem que por trás desta postura hilariante existe um artista sensível que conhece bem a técnica de pintura e até da escultura. Seu propósito é criar cada vez mais mostrando que tudo é fruto de uma grande força de vontade.

SOFRIMENTO

Ramiro Magalhães disse  que desde os oito anos de idade sente uma profunda necessidade de criar.Para ele “a arte é um sentimento propulsor contínuo, comparado a um desejo de anseio fisiológico que não pode deixar de ser feito”.
Andou por este País afora, conheceu 18 estados, viveu em favelas e morros, sentiu de perto a vida dos mendigos a até dos ciganos.
Assistiu a grandes derrubadas de mata virgem do Amazonas. Em seguida veio para Santo Amaro da Purificação e aqui trabalhou retirando madeira que era transportada para uma serraria de Salvador.

Ramiro ao lado da escultura onde se
autorretrata com uma bola e os pincéis.
Foi perto do Vale do Iguape, onde existe uma velha Igreja em ruínas exatamente no povoado de Santiago do Iguape que diz ter encontrado com um amigo, imagens carcomidas pelos cupins e resolveram restaurá-las “para devolver a comunidade”.
Foram surpreendidos por autoridades da região e acusados de ladrões de imagens.
Levados para Cachoeira, ficaram detidos na delegacia durante 45 dias. Enfrentaram aí os piores vexames misturados com ratos, baratas, e marginais da pior espécie.

Depois de libertados retornaram a Salvador e Ramiro reiniciou suas atividades artísticas, quando concluiu uma peça intitulada “Os Dedos da Justiça”, que foi premiada com uma Medalha de Bronze num salão. Fez outras exposições até que foi convidado pelo prefeito de sua cidade natal (São Felipe) para restaurar as estátuas que ornamentam a entrada do velho e imponente casarão onde funciona o executivo municipal.
Ramiro Magalhães não é um artista de grande instrução. Tudo parte de uma intuição. Muito forte e ele brinca dizendo que esses instrumentos musicais são resultados de sua frustração de não ter sido músico. “Como não sou músico, não sei tocar instrumentos, resolvi criar os meus próprios instrumentos e sinto como estivesse tocando no momento que estou criando.” Se esta parafernália de foles, cornetas, paletas e tambores viesse a funcionar, certamente o barulho seria muito grande ou Ramiro ia encantar a todos nós com estranhos sons. O que interessa é que o visual é muito bonito, a composição equilibrada e uma temática polêmica e intrigante.

     PARTIU EM SILÊNCIO O PINTOR DE INTERIORES

   Acima o advogado Paulo Emanoel com 
uma obra de autoria de José Lima.

Um homem observador e meticuloso vivia no mundo de silêncio, de pouca incidência de luz, locais propícios à meditação. Silencioso como sempre foi em vida ele nos deixou, partindo para as galáxias.
Chamava-se José Lima e nasceu em Altamira, no interior da Bahia, mas sempre teve uma ligação muito forte com a cidade de Estância, para onde mudou-se com sua família. Foi sem dúvida um dos maior pintores interiores deste país.
Sempre falava compassado e no final de sua existência sentia dificuldades em ouvir o que as pessoas falavam. Não gostava, por muita humildade, que matérias fossem feitas sobre sua arte e com isto muita gente deixou de conhecer o grande artista que ele era. Tinha alguma cultura, viajou por alguns países da Europa e pintou muitas naves e abóbadas de Igrejas e mosteiros. Isto em nosso País tanto em Sergipe, Bahia e até no Rio Grande do Sul.
                                         
QUEM ERA

Foto de 1961, do pintor José Lima.
Nasceu na cidade de Altamira, em 23/08/22 e morreu em 27/02/87.Seu nome completo era José Lima dos Santos. Por várias vezes confidenciou a amigos que gostaria de doar algumas obras de sua autoria à Biblioteca Monsenhor Silveira, em Estância, além de todos os seus livros. Mas até agora não se sabe se deixou alguma coisa escrita neste sentido. Sempre falava que desejava deixar o Rio de Janeiro e voltar a morar em Estância com sua irmã Tercília, mas veio a falecer em 27 de fevereiro. Seu corpo foi translado para Estância, sendo enterrado no dia 1º de março por volta das 10 horas da manhã.

Pode parecer tardio este registro da morte do mestre José Lima. Mas é um preito de gratidão e reconhecimento por tudo que ele fez pela arte baiana, especialmente a arte sacra. Ele deixou obras fantásticas retratando os interiores de nossas igrejas de São Francisco, Nossa Senhora da Conceição e muitas outras.
Tinha uma noção muito precisa de profundidade, de luz e perspectiva que nos permite olhar demoradamente cada obra. Em várias delas colocava com perfeição os quadros que estavam nas paredes, portanto, numa só obra fazia vários quadros e muitas vezes até paisagens que surgiam por trás das vidraças. É uma pintura harmônica e eterna.
Imorredoura e grandiosa. Diria que José Lima foi o pintor do silêncio, viveu assim, e assim desapareceu.
Deixou para nós um legado de criação que as gerações que se sucederão haverão de enaltecer.

               MUSEU CRESCEU COM D. CLEMENTE NIGRA

Retrato de D. Clemente
Nigra que está no Museu
de Arte Sacra, de autoria
do artista Ivan Lopes.
O diretor do Museu de Arte Sacra, Pedro Moacir Maia, enumerou alguns dos grandes méritos de D. Clemente Nigra, falecido recentemente: o de organizador do Museu de Arte Sacra da UFBA., de redator dos verbetes e informações dos dois primeiros catálogos do museu, descobridor de dois escultores do século XVII, os monges beneditinos frei Agostinho da Piedade e frei Agostinho de Jesus, biógrafos dos artistas e construtores do Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro e autor de importantes artigos sobre a arte antiga brasileira em diversas revistas, notadamente na revista editada pela SPHAN.
Mais recentemente, D. Clemente Nigra localizou e começou a estudar centenas de desenhos e aquarelas de artistas que participaram de expedição Langsdorf, por volta de 1820, no Brasil, o material foi encontrado em museus da União Soviética e será editado, ainda este ano por um editor baiano, residente no Rio de Janeiro, Salvador Monteiro.
A organização do Museu de Arte Sacra, disse o diretor foi o mais importante legado, deixado por D. Clemente Nigra, à preservação da arte antiga baiana, em particular, e brasileira, em geral.
E essa importância pode ser medida pelo Banco Safra em, dentro do seu programa cultural, publicará o catálogo do acervo do Museu de Arte Sacra da Bahia, a ser distribuído no final do ano.

LIVRO-ÁLBUM

Afirma Pedro Moacir Maia que atualmente o pessoal do museu, inclusive ele, está ocupado na preparação dos textos e das fotos do acervo do MAS o livro-álbum a ser editado pelo Banco Safra até o final do ano. Há seis anos esse banco edita livro-álbuns sobre grandes museus brasileiros e o MAS foi o escolhido de 1987. Será o 6º da série. A edição será composta de 250 fotos em cores e 250 fotos em preto e branco acompanhadas de textos explicativos. O livro-álbum do ano passado foi sobre o Museu Nacional do Rio de Janeiro, e o anterior, o Museu Emílio Goeldi, no Pará (José Fontenelle).




quinta-feira, 25 de outubro de 2012

ARTISTA AMERICANA ESTUDA AS MANIFESTAÇÕES - 8 DE JUNHO DE 1987

JORNAL A TARDE SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 8 DE JUNHO DE 1987

ARTISTA AMERICANA ESTUDA AS MANIFESTAÇÕES
                  A artista e professora  americana Deborah Muirhead ao lado da colega baiana Yedamaria

Depois de várias exposições no seu país e realizar alguns contatos com galerias de arte em Chicago, Boston e New York a artista plástica Deborah Muirhead, professora da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, está em Salvador onde mantém contatos com artistas baianos.
Aqui pretende realizar um trabalho conjunto usando o papel como suporte.
Esta é a terceira vez que ela vem ao Brasil. Nos anos de 1969 e 1971 conheceu alguns estados, quando veio com uma bolsa de estudos que ganhou no estado de Connecticut, onde ensina, na Universidade, gravura, pintura e desenho.
Ela  disse que prefere Salvador entre as demais cidades brasileiras por suas características  e pela afinidade com a cultura afro-americana. Também pretende visitar Cachoeira e outras cidades baianas mais antigas. Tem uma grande admiração pelos antigos casarões, pela música aqui feita, e muito lhe agrada ouvir o povo falar.Ela acha que existe uma musicalidade nata na pronúncia do baiano.
O seu trabalho é fundamentado nos condicionamentos de imagens que observa. A arte primitiva das cavernas, com suas formas orgânicas a espontaneidade gráfica desses desenhos e até mesmo das crianças que têm toda uma pureza gestual. Observa com muito interesse os desenhos primitivos oriundos da África e da Oceania. Os símbolos que cria, têm formas ambíguas, e Deborah busca constantemente novas figurações.
A artista foi colega da artista Yedamaria, quando esta esteve fazendo um curso nos Estados Unidos.
Deborah foi também convidada para passar um mês, no ano de 1985, em Yaddo, em Savatoga Springs, em New York, que é uma casa situada numa enorme área onde artistas convidados desenvolvem seus trabalhos. Durante este período fez pintura com tinta acrílica sobre papel. Este projeto foi iniciado em Yaddo por volta de 1915, por outros artistas americanos.
Partindo dessas experiências, Deborah repassa aos seus alunos na Universidade o que observa e apreende numa renovação constante. Espera que sua obra seja forte e lúcida, inserida dentro da sua própria realidade.
Pode aparecer à primeira vista que os trabalhos de Deborah Muirhead são infantis, que não refletem coisa alguma. É muito comum ao leigo, com má vontade, ou seja, àquele incapaz de fazer uma leitura de uma obra de arte dizer: isto eu faço. Não faz! Pode até chegar perto, mas com uma diferença muito grande que é a simplicidade de uma obra como a de Deborah é fruto de muito conhecimento de desenho, de composição, de consciência naquilo que deseja interpretar. Cada traço, cada forma têm razão de ser. São espontâneos, mas fruto do conhecimento, de vivências, e juntos compõem uma manifestação artística. Não são borrões, como alguns, menos lúcidos, os classificam. Considero muito fortes os trabalhos de Deborah Muirhead. Livres como um pássaro que risca o horizonte com seus vôos incertos em busca de um pouso. O trabalho nos dá uma idéia de movimento, de que está sempre sendo concebido, ao ponto de agente até querer dá mais uma pincelada. Enfim, Deborah mexe com os sentimentos daqueles que os têm e os cultivam.

ZEBAY MOSTRA DEZOITO TRABALHOS EM ITABUNA

O jovem artista Zebay, de 24 anos, estará fazendo este mês uma exposição individual de 18 trabalhos em óleo sobre tela, em Itabuna, na inauguração da galeria que pertence á esposa do prefeito, D. Rita Coelho Dantas.Trata-se de obras que retratam mulheres, naturezas mortas com forte tendência cubista.
Zebay encontra-se atualmente em Salvador, onde o marchand Everaldo Pereira está mantendo contatos com patrocinadores, para viabilizar uma exposição do artista na Capital.
Por enquanto, quem quiser conhecer as obras desse artista poderá apreciá-las na Stilus Molduras, na Rua Odilon Santos, 89, Rio Vermelho.
                                                              Ao lado as mulheres tristes de Zebay
Autodidata, natural de Ibicuí, Zebay começou a pintar em 1980, mas foi em 1982 que ele deu maior seqüência aos seus trabalhos, que já obtiveram alguns prêmios a exemplo do 1º lugar do 4º Salão de Artes Plásticas da Festa do Cacau, em novembro do ano passado, em Itabuna. O artista foi premiado também em outros eventos culturais naquela e em outras regiões do interior do estado.

            A CRIATIVIDADE DE CALÁ

Os relatórios e as atas, verdadeiramente são feitos para não serem lidos. Geralmente, trazem montanhas de números e gráficos que quase ninguém entende, e quando são publicados nos jornais, só usando uma lupa para enxergar as letras, de tão pequeninas que são. Seus autores não desejam que ninguém os entenda ou leia. Cumprem, apenas, a legislação das sociedades anônimas, que os obriga a publicá-los. Porém, quero chamar a atenção para um relatório que se pelo menos não for lido, será certamente visto. Não passará em brancas nuvens e nem ficará rolando, lacrado, por cima das carteiras dos executivos que os receberam até serem destinados á lata de lixo, como acontece com os demais. Trata-se do relatório da Nitrocarbono, que traz a marca de um artista baiano. Nada mais, nada menos que o mestre Calá. Ele soube misturar suas cabras com a caprolactama, segundo o relatório, é o carro-chefe das vendas da empresa e uma matéria-prima básica para a produção de nylon do nosso vestuário, tapetes e carpetes. As cabras violetas, azuis a amarelas de Calá andaram faceiras e elegantes queimando etapas, mostrando o crescimento das vendas deste produto que tem um nome estranho. Os pássaros noturnos de Abaeté também ilustram o relatório, dando seus vôos razantes e muitas vezes altos a depender do desempenho de cada setor. Só faltaram as baleias, que vez por outra alegram o Território Livre de Itapuã. Na capa do relatório o próprio ambiente colorido onde Calá consegue seus personagens, ricos em mistério e beleza. Ao lado das cabras de Calá em movimento.

       TRÊS ARTISTAS EXPONDO NO SESI EM SÃO PAULO
A Galeria de Arte do Sesi, na Avenida Paulista, 1313, em pleno coração de São Paulo, está apresentando uma exposição intitulada Três Tendências, reunindo Zé Cordeiro, Clodomiro Lucas e Edna de Araraquara. Portanto, são três pintores primitivos que expõem 30 quadros, sendo 20 óleos sobre tela e 10 gravuras em papel.
O Zé Cordeiro é um artista que embora resida em São Paulo, iniciou sua carreira aqui por volta de 1966 e depois partiu para o Sul expondo no XV Salão Paulista de Arte Moderna. Já fez quase duzentas exposições, e é um batalhador em prol dos artistas primitivos. Ele costuma usar os personagens criados por Jorge Amado para se expressar, e já está alçando vôos mais altos, basta dizer que tem uma exposição com 40 quadros já marcada para Washington.
Já Clodomiro Luca é gravador, iniciou sua carreira em 1966. Já participou de inúmeras exposições e salões. Ele mesmo fabrica o papel que usa como suporte de sua obra, usando como matéria-prima, o bagaço de cana, de abacaxi, cascas de árvores e inúmeras fibras de nossa flora. Ele leciona no Museu de Arte Contemporânea de Campinas. Ao lado uma das obras de Zé Cordeiro.
Finalmente, Edna de Araraquara é pintora há dez anos. Iniciou sua carreira em Salvador, no atelier de Zé Cordeiro, na Rua do Genipapeiro, no bairro da Saúde. No seu trabalho, usa a técnica do pontilhismo, dando um efeito visual muito interessante.