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sábado, 9 de junho de 2012

ANNA MARIA NIEMEYER FOI SEPULTADA

Texto Reynivaldo Brito


Foi sepultada no cemitério São João Batista no último dia 8, no Rio de Janeiro, a galerista Anna Maria Niemeyer, filha única do arquiteto Oscar Niemeyer.Não gosto de dar notícias tristes mas, é importante deixar um registro das pessoas que contribuiram pelas artes visuais em nosso país. E, certamente, Anna Niemeyer foi uma delas.
Na foto Anna na sua galeria com seu pai o grande arquiteto Oscar Niemeyer .

Já seu pai deu àquelas belas formas arquitetônicas à Brasília,  hoje está com 104 anos de idade e continua comunista. É um dos últimos comunistas deste planeta Terra. Merece respeito.
Mantive alguns contatos com Anna Niemeyer  por telefone, pois na época a internet não existia, quando ela mandava material sobre as exposições importantes que realizava em sua galeria. Sempre estava divulgando pela relevância dos artistas expositores.
 Ana Niemeyer faleceu no último dia 6, e seu pai não compareceu ao entrerro, porque recentemente esteve internado. Seu primo Paulo Niemeyer Filho, famoso neurocirurgião esteve presente, além de muitos artistas que ela promoveu suas exposições. Anna deixou quatro filhos e tinha uma presença importante na cena cultural do Rio de Janeiro, onde  sua galeria funciona desde 1977.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

GERAÇÃO 70

A TARDE TERÇA-FEIRA, 23 DE JULHO DE 1985

UM ESPAÇO PARA ARTISTA BAIANO
Texto de Alex Ferraz


Dez ARTISTAS - nove pintores e um escultor-, todos com a característica comum de terem iniciado suas atividades na década de 70, estarão formando o time da primeira exposição da série. “Geração 70”, sob a coordenação do curador Reynivaldo Brito (Jornalista e crítico de arte), a partir do próximo de 26 e durante um mês, no Museu de Arte da Bahia. Cada artista mostrará cinco trabalhos e a exposição poderá ir ainda a outros estados.
“Para organizar esta exposição de artistas emergentes-afirma o curador Reynivaldo Brito-, tive toda liberdade de escolha, proporcionada pela Fundação Cultural do Estado, que confiou no meu critério de isenção profissional”. Ele informou que a abertura da exposição “Geração 70”, dia 26, será diferente do que se vê comumente nestas ocasiões:
-Haverá uma performance com dança, teatro e música. Quatro bailarinas, inclusive o grupo Tran Chan, estarão se apresentando e a música ficará ao cargo do Sexteto do Beco, informa Reynivaldo Brito.

                                             UM MARCO

O curador de Geração 70 acredita que a exposição poderá ficar como um marco na história das artes plásticas da Bahia. Ele destacou que alguns desses artistas convidados-Zivê, Bel Borba, Murilo, Astor Lima (escultor), Chico Diabo, Fred Schaeppi, Guache, Mazo, Flori e Justino Marinho- não estavam agrupados antes, sendo que alguns sequer mantinham relacionamento mais estreito entre si. “Desta forma- diz Reynivaldo Brito- a exposição servirá também para agregá-los em benefício do próprio movimento das artes plástico baiano”.
Outra característica desta exposição é as técnicas apresentadas serão as mais variadas e a temática é também bastante heterogênea. Esclarece, por outro lado,o curador Reynivaldo Brito que o “termo Geração 70 não surgiu como imitação do movimento carioca intitulado Geração 80, tanto assim que Geração 70  é uma expressão já utilizada por mim há muitos anos, na coluna Artes Visuais, que escrevo semanalmente em A Tarde”.

                                               APOIO DO MAB

O curador Reynivaldo Brito faz questão de ressaltar, para a realização da exposição, “ o apoio inestimável de Luís Jasmim, diretor do museu de Arte da Bahia, que acompanhará a montagem da exposição, além de dar todo apoio à produção”. A programação visual estará cargo de Washington Falcão  e a mostra terá patrocínio da Fundação Cultural da Bahia e do Banco Econômico.
O catálogo trará apresentação de Reynivaldo Brito e Ivo Vellame, este último, segundo Reynivaldo, “uma das pessoas mais envolvidas com a Geração 70, pois foi organizador dos salões universitários, onde muitos desses artistas que participam da Geração 70 começaram a despontar”.
Lembra o curador da exposição que há algumas décadas, houve na Biblioteca Pública (antigo prédio da Praça Municipal), “um movimento modernista com artistas que são, hoje, grandes nomes, tais como  Carlos Bastos, Genaro de Carvalho, Jenner Augusto, entre outros”.
-De lá pára cá- prossegue Reynivaldo Brito-não houve nenhuma manifestação integrada como esta que realizaremos agora.
                                                    
                                                 APOIO AOS EMERGENTES

Heitor Reis, diretor do Departamento de Museus e Artes Plásticas- Demap, da Fundação Cultural do Estado, disse, por seu turno, que “uma das linhas de ação da Fundação Cultural é de apoio aos artistas emergentes, àqueles que ainda não tiveram espaço assegurado no campo das artes plásticas, por exemplo”.
-Dentro desta proposta- continua o diretor do Demap -, surgiu a idéia da “Geração 70”, primeira de uma série, porque, creio, somente esses 10 que exporão agora não representam a totalidade do que se produziu na década de 70. Há outros artistas também de qualidades que participarão de futuras mostras desta série.
Na foto acima eu e o saudoso Fred Scaeppi.
Afirmando que a Fundação Cultural sempre procura realizar uma gestão “aberta, democrática, com propostas discutidas sem a mínima interferência autoritária”, Heitor Reis disse que “ convidamos um crítico conceituado, Reynivaldo Brito- que, inclusive, ocupa o melhor espaço sobre Artes Plásticas dos jornais de Salvador-, numa demonstração de que não existe uma política autoritária para a área”.
Ele disse também que, “por incrível que pareça, apesar da nossa receptividade e do posicionamento crítico perfeitamente compreensível de alguns jovens artistas não recebemos, durante nossa gestão, nenhum projeto. Todos os que surgiram foram propostas nossas”.
“Heitor Reis disse que a exposição “Geração 70” é importante também porque abre um processo de discussão, de questionamento, até de crítica (que é necessária), sendo este nosso objetivo maior, para que o movimento não seja algo meramente eventual”.

                                             FALAM OS ARTISTAS

Um dos participantes da mostra “Geração 70”, o pintor Chico Diabo disse achar a exposição “muito importante”, ressalvando, porém, que “deveria ter sido convidada uma maior quantidade de artistas. Mas, como a Fundação Cultural liberou uma verba pequena e os espaços são também reduzidos, não poderia ter sido de outra forma”.
De qualquer maneira, ele disse considerar o curador Rey Nivaldo Brito como “um herói, por conseguir selecionar 10 artistas no meio de , digamos, 50, e conciliar essas cabeças. Não podia ser melhor a escolha feita por ele”.
O artista Floriu também acha que a Geração 70 “não se esgota nos artistas escolhidos para esta mostra”, embora frisando que acha “bastante positivo reunir uma geração de artistas que desenvolve um bom trabalho e de cunho contemporâneo”.
Murilo, por sua vez, considera a exposição “Geração 70” um evento “da maior importância, desde quando abre a oportunidade para que nós mostremos as preocupações estéticas e mesmo filosóficas da nossa geração, pois a arte que fazemos reflete os problemas, as preocupações desta geração”.
Ele acrescenta que, “apesar de trabalharmos separados, temos uma vivência comum”. Enfim, para as artes plásticas, “acho que esta exposição é importante porque a nossa é a mais uma geração que vem se firmando, e é isso que resulta numa dinâmica”.
Para Zezé Giudice, essa mostra, “além do valor intrínseco- visto que é irredutível a produção dos artistas que a compõem, - ela certamente funcionará como fórum de discussão de uma produção plástica baiana. No que tange ao seu vínculo com a Fundação Cultural, me parece fundamental que outras mostras aconteçam, até mesmo para que se estabeleçam confrontos. Ela não pode vir como elemento de retórica de uma instituição que tem um plano de atuação ainda incipiente”.
“Para Guache, a idéia da exposição “Geração 70” é muito importante e ampla,” uma vez que mostrará o trabalho de artistas comprometidos com a contemporaneidade, não só nas artes plásticas, como também em dança, teatro, música, etc. A Fundação Cultural se empenhou, de alguma forma, e outras mostras deste tipo deverão ser feitas, pois a década de 70 é prenhe de valores questionadores e várias performances. Quanto ao meu trabalho, deverei mostrar o resultado do que tenho desenvolvido a partir de 83, em que procuro enfocar o insípido da condição humana, o lado burlesco dos homens, numa nova configuração, coisa que, na verdade, tem sido a minha preocupação como artista já há algum tempo”. 

                                            


GERAÇÃO 70

JORNAL DA BAHIA
Texto de Chico Liberato

Considero indispensável colocar, sobre a geração década 70, algumas questões que acredito, deverão ser examinadas quando pretendemos fazer uma abordagem histórica ou seja, situarmos uma década dentro de um processo cultural de uma comunidade.
Devemos considerar também as dificuldades em situarmos um artista nesta ou aquela década, tendo este praticado o ato de pintar quadros em um período maior que dez anos.


Foto da abertura da exposição Geração 70, no Museu de Arte da Bahia, na Vitória.Foi um sucesso com centenas de pessoas presentes.

                                                FIGURAÇÃO NARRATIVA

O termo foi criado pelo crítico francês Gerald Gassiot. Esclarece que a “ Nova Figuração”, não é uma nova tendência pictórica fundada sobre uma base filosófica ou política, mas somente um modo de expressão implicando, as vezes, uma referência à dimensão temporal na elaboração da tela por aquele que olha. Além do quadrinho a imagem animada (cinema e TV) exercem grande influência sobre a Figuração Narrativa: grandes planos, panorâmicas, aproximações, etc. 1965.
F’oldes, T’el’emaque, Berni, Arroyo, Adami, Genovês, Kermarrec, Ceroli, Raynaud, são artistas da década de 60, por consolidarem as características de universal da época, ou a mensagem que historicamente representava os anceios ou reações intelectuais retratando o estágio da sociedade metropolitana.
Como situar nossos artistas da década de 70? Qual a proposta fundamental para nos situarmos dentro do processo cultural da comunidade baiana e sua projeção nacional.
A década de 70 é marcada universalmente pela tendência conceitual.
Gregoire Muller diz que na Arte Conceitual “o artista não tem mais razão de se sentir limitado por uma forma, matéria, dimensão ou lugar. A noção de obra pode ser substituída por algo cuja única utilidade é significar”.

                                            INVESTIGAÇÃO INTELECTUAL

Nas grandes capitas do mundo ocidental e no Brasil, principalmente nos grandes centros urbanos, Rio e São Paulo, a investigação intelectual e a comunicação, absorvem totalmente a população urbana.
Porque a Arte Conceitual, Body Arte, Hiperrealismo e Transvanguarda, não chegaram a comover os artistas da Bahia, a ponto de podermos perceber a negação, correntes estéticas em suas obras?
Devemos vibrar de satisfação com a perspectiva de que nossos artistas sempre desprezaram o fato de situar-se na crista das correntes dos ismos, por possuírem referências culturais básicas da nossa tradição ou especificidades de estímulos próprios da sociedade baiana, que nos permitiam assumir uma manifestação de arte que caracterize a visualidade brasileira nos possibilitando encarar a verdadeira face que identificará nosso ato de ser.
Consagrar criticamente nossos artistas, desprezando as referências de correntes estéticas internacionais, significa assumirmos o compromisso de consagrar os nossos valores culturais específicos e indentificá-los antropologicamente, sociologicamente e politicamente.
Aliás é uma das correntes mais recentes da manifestação de arte, propondo que na obra de arte além dos seus aspectos estéticos sejam considerados principalmente seus valores sócio-antropológicos.
São estas as questões que gostaríamos fossem consideradas na realização e avaliação da próxima exposição Geração Década 70.

Nota: Chico Liberato escreveu este artigo quando da inauguração da exposição Geração 70 ,da qual fui o curador.Seu artigo saiu ilustrado com uma foto da nossa mostra,mas estranhamente ele não faz menção.
Reynivaldo Brito

quinta-feira, 7 de junho de 2012

OBRAS DE VOLPI ROUBADAS E DISPUTA DO ESPÓLIO



Texto Reynivaldo Brito

O pintor Alfredo Volpi  viveu na simplicidade pintando e vivendo da sua arte. Nunca se envolveu em disputas ou conflitos que fossem noticiados pela imprensa. Suas bandeirinhas ganharam o mundo e hoje estão presentes nos acervos dos principais museus brasileiros e de outros países. Porém, no dia 22 de maio saiu publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo que  o espólio de Alfredo Volpi (1896-1988) sofreu um desvio de R$ 1,2 milhão, enquanto uma de suas filhas, Djanira Maria da Conceição Volpi, vive em situação precária.
Este dinheiro foi levantado e consta de um  despacho da juíza Vivian Wipfli, titular da 8ª Vara da Família e Sucessões da capital paulista. Segundo o documento este montante  é correspondente à arrecadação dos direitos de imagem do artista.
Neste mês de junho  Eugênia Maria Volpi Pinto, uma das herdeiras do pintor, deverá  repassar parte do espólio do artista para os outros herdeiros, de acordo o prazo estipulado pela juíza.Volpi teria três filhos, sendo que um já faleceu.
Foto da obra "Bandeirinhas", roubada de um colecionador.
Consta dos autos que em 2004, Eugênia, então inventariante do espólio, firmou contrato com a empresa Imaginação - Imagem & Ação Ltda. para licenciar as obras de Volpi. A partir do contrato, toda utilização de imagem do artista deveria pagar direitos autorais à Imaginação. E os repasses estariam sendo feitos para ela, Eugênia, sem a participação dos demais herdeiros.

                                                                                    ROUBADAS

Agora surge outra notícia negativa que oito telas de Volpi  foram roubadas da casa de um colecionador, no valor de R$ 7 milhões. Isto ocorreu em outubro, mas, somente ontem, dia 6, é que a polícia tomou conhecimento do fato.
Entre os trabalhos roubados está uma famosa tela chamada de "Elementos de Fachada e Bandeirinhas". Foram ainda surrupiadas "Fachada em Azul e Vermelho", "Bandeirinhas Estruturadas com Mastros" e "O Manequim".
Além das obras de Volpi foi roubada uma obra de Ivan Serpa, sem título.
Sabe-se que este é o terceiro roubo envolvendo obras de Volpi. Há cerca de oito anos o Deic, de São Paulo, conseguiu recuperar telas furtadas, sendo que uma outra tela foi recuperada pelo Gaeco, grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público paulista.
As obras roubadas de Volpi foram:  "Elementos de Fachada e Bandeirinhas"", têmpera sobre tela, de 1960; "Pintura no. 2, sem data;
"Fachada em Azul e Vermelho", têmpera sobre tela , início década de 1960;  "O Manequim", têmpera sobre papelão,início da década de 1950;"Bandeirinha", têmpera sobre tela, início década de 1950; ( foto ao alto) "Sacada Branca", têmpera sobre tela, início década de 1950; "Bandeirinhas Estruturadas com Mastros", década de 1960, têmpera sobre tela; e "Sereia", sem data, estudo em têmpera sobre cartão colado em madeira.
Foto da obra "Fachada em Azul e Vermelho", também roubada em outubro de um colecionador.

EXPOSIÇÃO DE BOTERO EM SALVADOR




 FERNANDO BOTERO EXPÕE AS DORES DA COLÔMBIA

Texto Reynivaldo Brito
O pintor colombiano Fernando Botero, de 80 anos de idade, produziu uma série de obras inspiradas no sofrimento que vem passando o povo do seu país, envolvido num conflito interno onde algumas facções de guerrilheiros promovem ações de sequestro, explosões de carros e prédios, e lutam abertamente, em algumas províncias, contra as forças regulares. Sabemos que após a Rússia se partir em vários países, a China se desenvolver, as guerrilhas perderam as fontes de renda que os sustentavam, e partiram para os sequestros exigindo recompensas, além de buscar uma ligação condenável com o narcotráfico. Milhares de mortes já ocorreram na Colômbia, e Botero deixou de lado, por um tempo, suas figuras das gordinhas sensuais e partiu para mostrar na série "Dores da Colômbia" o sofrimento de seus patrícios.
Foto do artista com um dos trabalhos da série Dores da Colômbia
Para nossa alegria esta série será exposta a partir do dia 13 deste mês, portanto quarta-feira, na Caixa Cultural Salvador, na rua Carlos Gomes,  até o dia 27. Este olhar de Botero sobre o conflito que acontece em seu país está  focado nas décadas de 80 e 90 quando os ataques foram mais frequentes. Porém, mesmo hoje estão acontecendo novos ataques e confrontos entre os guerrilheiros e as forças do estado. Recentemente uma bomba explodiu e atingiu um ministro colombiano, ferindo-o sem gravidade.
Mas, o que nos interessa é esta importante exposição,  que segundo Ana Zalckbergas,  "há mais de um ano que a gente vinha negociando para traze-la". Realmente Ana e a CEF estão de parabéns por proporcionar aos baianos um conjunto de obras significativo deste artista sul americano, que hoje é um dos maiores artistas vivos em todo o mundo.
Botero considera que esta sua série é " um testemunho da irracional história colombiana".
Infelizmente, alguns episódios são semelhantes aos que acontecem no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, onde os conflitos se estabelecem entre traficantes, policiais e milícias. Lá são chamados de paramilitares, os quais muitas vezes exterminam famílias inteiras e arrasam pequenos povoados na zona rural.
Botero assim pode construir uma série de trabalhos mostrando enterros coletivos, corpos mutilados atacados por urubus, homens e mulheres amarrados e crivados de bala, além de prisões clandestinas ou irregulares. Um submundo onde a violência campeia e sensibilizou este artista que reconhece ao denunciar não resolve o grave problema da Colômbia, mas  evidentemente, com o prestígio internacional que tem, não poderia ficar calado.
Virão para a mostra 67 obras entre óleos, aquarelas, acrílicos e desenhos doados pelo artista para o acervo permanente do Museu Nacional da Colômbia.
Lembra Adriana Parra, coordenadora de produções itinerantes do Museu Nacional da Colômbia que "Botero mostra um período difícil do seu país, como uma testemunha". Evidente que esta denúncia tem um grande significado porque gerações futuras vão ter uma idéia do que aconteceu no passado, quando a Colômbia já estiver livre desses confrontos, que não levam a lugar nenhum, a não ser aumentar o sofrimento do seu povo.
Portanto, é hora também de a gente fazer uma reflexão sobre a violência que a cada dia chega mais perto de nós. Em Salvador, só esta semana mais de uma dezena de pessoas foram assassinadas e mortas em confronto com os policiais.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

WALDELOIR RÊGO E SUAS JÓIAS E ESTAMPARIAS

ARTES VISUAIS
Jornal A Tarde em 30 de Novembro de 1971
Texto Reynivaldo Brito


Como disse Jorge Amado, Waldeloir Rêgo é "o preferido dos Orixás, aquele que sabe e tem o direito de saber - é o dono dos segredos. O moço baiano nasceu e se formou com a proteção de Senhora e Menininha, defendido por todos os lados".
Etnólogo famoso está entre os três estudiosos que mais conhecem candomblé no País, mas é, antes de tudo, um joalheiro afro-brasileiro de muito talento, ourives de Oxum e joalheiro de Yemanjá. Artista sério, já ganhou um prêmio da Academia Brasileira de Letras pelo seu livro "Capoeira de Angola/ Ensaio Sócio-Etnográfico", assunto do qual conhece todos os meandros. Na foto Waldeloir Rêgo pintando seus tecidos com motivos afros.
Suas jóias exóticas enfeitam, hoje, colos e pescoços de algumas das mais bonitas mulheres do País e do estrangeiro. Mas, não contente com isto, Waldeloir Rêgo investe incansável no terreno da estamparia. I.D
Waldeloir Rêgo disse que a Bahia tem uma grande fama de celeiro de arte, mas no fundo são as mesmas pessoas que fazem seus trabalhos há algum tempo. "Não há realmente renovação de valores. Quanto a "igrejinha" se existe, eu não conheço, nem participo dela ou delas. Procuro me comunicar com todos: os já consagrados e aqueles que começam. Acho no entanto, que é muito cômodo o indivíduo cruzar os braços e acusar outros artistas, já consagrados, de criarem "igrejinhas". O que é preciso - prossegue enérgico - é que esta gente trabalhe e faça coisas boas.

                                                          CRIAÇÃO

Waldeloir é um criador nato. Tanto nas estamparias como nas jóias existe uma liberdade de criação.O artista dispõe não só de formas mas também de elementos ricos em cor . Suas estamparias são dotadas de um cromatismo alegre e ao mesmo tempo místico dentro do complexo afro-brasileiro, já assinalados pelo escultor Mário Cravo.
"Vejo na obra de Waldeloir um renovador, mesmo sem renegar as suas raízes. Examinando -se a sua evolução nos últimos 9 anos constata-se facilmente a progressiva liberação dos condicionamentos litúrgicos presentes nas suas primeiras experiências, datadas de 1962, pois ali se encontravam o cristal e a cerâmica, exatamente os mesmos adereços de nosso candomblé. Já em 1968 a prata começa a se expandir como componente quase que fisiológico da sua joalharia, chegando a ser em 1969, predominante. Mesmo as experiências concomitantemente levadas a efeito pelo artista durante o período, na área do "silk-screen", evidenciam que suas preocupações primeiras condicionadas pela liturgia do candomblé,vinham, pouco a pouco, sendo liberadas das cadeias do imediatismo superficial, permitindo mostrar-nos a sua capacidade de produzir objetos realmente oriundos de atividade criadora".

                                                         O HOMEM

Waldeloir Rêgo nasceu a 25 de agosto de 1930,em Salvador e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, porém não chegou a concluir o curso. Foi ai que começou a escrever os primeiros artigos, resultantes da pesquisa das coisas e do povo da Bahia, culminando com a publicação do livro "Capoeira Angola / Ensaio Sócio-Etnográfico"que foi premiado pela Academia Brasileira de Letras, com o prêmio Josë Veríssimo, para Ensaio e Erudição, em 1968.
Ao sair da Faculdade de Direito voltou-se para as artes plásticas onde continua até hoje produzindo coisas belas. Participou em 1966 da Primeira Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia; em 1967 do III Salão de Arte Contemporânea de Campinas; em 1968 do XVII Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e da Segunda Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia; em 1969 participou do XVIII Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro e em 1970 do XIX Salão Nacional de Arte Moderna e expôs na Galeria Bonino, ambas no Rio de Janeiro.
Ganhou o Prêmio Nacional de Artes Decorativas, na Primeira Bienal Nacional de Belas Artes da Bahia, Medalha de Ouro no Terceiro Salão de Arte Contemporânea de Campinas e o Prêmio Isenção de Júri e Medalha de Prata do XIX Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Waldeloir persegue uma temática afro-brasileira e sua atividade criadora vem se desenvolvendo na confecção de jóias artísticas, e pintura sobre tecido, pelo processo "silk-screen", em seu atelier próximo ao Convento do Desterro.
Nas jóias utiliza a prata e pedras semi-preciosas, e formas nascidas da recriação de detalhes de armas, insígnias, fôlhas sagradas e dos próprios utensílios de adorno dos deuses afro-brasileiros ou usados em seus rituais, vai elaborando seus colares, gargantilhas, anéis e pulseiras.
Certa vez afirmou o crítico de arte do Jornal do Brasil, Walmir Ayala, que Waldeloir Rêgo "é um exemplo de alto nível, nesta concepção da jóia como objeto precioso, por suas invenções de espaço, por sua aproximação à liberdade arquitetônica da escultura que é cada dia mais uma arte habitável. Só que as jóias de Waldeloir Rêgo habitam o corpo e pousam com a graça e a agressividade das coreografias do candomblé, na imagem de um colo, de um pescoço ou de um pulso".

                                         IGREJINHA

O artista é contra as "ïgrejinhas" tão reclamadas pelos novos artistas plásticos baianos que se acham prejudicados. Diz ele: "em primeiro lugar, falar de artes plásticas na Bahia é um negócio difícil e delicado sobretudo porque não há uma movimentação artística satisfatória em nossa terra e mesmo renovação de valores, como está acontecendo em outros centros do sul do País.
Existe uma falta de informação geral. O artista baiano em sua grande maioria está desinformado ou melhor está totalmente por fora porque não sabe o que está ocorrendo e se fazendo de novo em termos de artes, não só no eixo Rio-São Paulo como no exterior.
Tudo aqui - continua - fica no ouvi falar. É por esta e por outras razões que acho de suma importância a Bienal de São Paulo porque ali nós ficamos sabendo o que ocorre não só no Brasil como no exterior. É um contato necessário para o artista plástico".

Nota: Waldeloir Rêgo faleceu aos 71 anos no dia 21 de novembro de 2001

BETTY KING E SEU ÁLBUM DE FAMÍLIA

BETTY KING : A FAMÍLIA COMO REFERENCIAL

ARTES VISUAIS

Jornal A Tarde Salvador 25 de julho de 1980.
Texto Reynivaldo Brito

Betty King na abertura de sua
exposição na ACBEU em 
 julho de 1980.
A americana-brasileira Betty de Almeida King ou simplesmente Betty King , como ela gosta que a tratem, está de volta à Bahia, desta vez para uma exposição Álbum de Família, na Galeria da Associação Brasil-Estados Unidos, no Corredor da Vitória. Nascida em New Orleans, nos Estados Unidos, em 1932, desde cedo mostrou uma forte inclinação às artes tendo estudado na Universidade de Lousiana e depois com Hans Hofman, em Princetentown. A seguir transferiu-se para a Europa estudando na École de Beaux Arts e na Grand Chaumier, de Paris. Volta aos Estados Unidos onde permanece alguns anos e casa com um brasileiro vindo a morar no Rio de janeiro e, depois em Salvador. Em 1968 rompe com tudo que havia estabelecido e volta à Europa e Estados Unidos para ver de perto a arte que estava sendo produzida por lá. A partir de 1970 fixa-se nos Estados Unidos e uma vez por ano tem visitando o Brasil.
Este é, em poucas palavras , um resumo da vida artística de Betty King esta americana-brasileira que tornou-se inicialmente conhecida como uma boa pintora ligada ao concretismo. Em seguida , dá uma dimensão maior de sua obra utilizando placas de alumínio anodizado, e agora está pesquisando a fotografia e realizando experiências com super-8. Porém, como demonstra na sua atual exposição não abandonou a prancheta e o cavalete . Vemos excelentes telas ligadas à família, porque a grande maioria representa uma transposição de cenas reais para a fantasia criadora da artista.

                                                                  SUA TRAJETÓRIA

Na foto a abertura da sua exposição em
Salvador em julho de 1980
.
Durante duas horas conversei com Betty King na casa de parentes no bairro de Amaralina,em Salvador-Bahia tentando estabelecer um pequeno histórico de suas atividades como artista. Porém , este texto não pretende ser um documento concluído, pelo contrário , um documento que dê início a outro com novas informações que devem ser somadas sobre esta artista dócil e criativa.
Revelou Betty King que a arte sempre foi uma coisa inerente à sua própria personalidade de mulher,uma inquietude que carregava dentro de si e que explodiu pela primeira vez, quando ela ainda era criança. Betty pegou alguns insetos, cavou buracos e em seguida cobriu-os com vidro, chamando a todos para ver . Era a primeira exposição espontânea desta artista extrovertida.
                                              
Ainda garota preparou uma série de objetos de cerâmica, todos utilitários, os quais permaneceram muito tempo integrando a sua coleção de brinquedos. Assim, os dotes criativos de Betty iam ganhando os espaços e o conhecimento no círculo de amizades. Continuou desenhando até que foi estudar na Universidade de Lousiana.
Conta Betty que, certa vez, achou um rolo de papel e utilizou tudo que havia em novos desenhos. Carregava consigo uma forte vontade de realizar, de criar, de expressar sua sensibilidade. Com isto os amigos foram se afastando e seus pais não conseguiam entender esta sua projeção para as artes.
Tudo foi feito para desvia-la. Como sua mãe saía o dia inteiro para o trabalho desejava que Betty cuidasse da casa. Mas, o desejo de criar sempre foi mais forte. Continuava pintando e vieram os primeiros elogios, necessários para definir sua opção pela arte. Enquanto, suas colegas procuravam ganhar dinheiro ou arranjar um marido, Betty cuidava de seus pincéis, de seus papéis e de suas figuras incompreendidas.

                                                             ERA DIFERENTE

Era considerada diferente e sofri muito com isto. Enquanto todos procuravam as festas, os parques e os agrupamentos eu ficava, horas e horas, totalmente, dedicada à minha arte. Se é que poderia chamar o que fazia naquela época de arte. Recusei outros cursos que não estivessem ligados ao meu desejo de criar. Queriam até que estudasse violino e aprendesse balé clássico. Acho excelente quem sabe tocar violino e dançar , mas acontece que minha opção era por outra manifestação artística ou seja as artes plásticas”, adianta Betty King, falando um português entremeado de palavras incompreensíveis e com um sotaque muito carregado.
Depois de realizar o seu curso colegial em New Orleans a jovem Betty King parte para uma carreira promissora ligada à arte. Estuda em vários cursos regulares e livres e dedica-se totalmente à pintura. Porém, o destino levou-a  encontrar um industrial brasileiro com quem casou e teve dois filhos. O primeiro , de nome Marco, chegou ao Brasil com um ano e pouco de idade. Vieram morar no Rio de janeiro e depois em Recife, foi quando “entrei em contato com a Bahia e não mais queria sair daqui. A atmosfera das pessoas e da cidade encheu meu espírito. À esta altura já estava com duas crianças, tinha nascido Vânia”.
Tudo contribuiu para que ficasse principalmente depois que encontrou Pietro e Lina \Bo Bardi que estavam organizando o Museu de Arte Moderna da Bahia, cuja célula começou a funcionar no foyer do Teatro Castro Alves. A amizade estabelecida entre Betty e Lina levou- a organizar a exposição individual no foyer do Teatro Castro Alves, com grande sucesso. Era sua fase concretista onde apresentava composições em formas não muito definidas, umas em tonalidades fortes e outras fracas que permitiam ao espectador uma visão lúdica. Juntando-as surgiam as figuras de mulheres, de crianças e bichos. Eram telas de cores tênues e delicadas, que embora feitas a óleo lembravam a técnica do pastel. Foi um sucesso total e todos gostaram dos trabalhos da jovem americana. Estávamos no ao de 1961. Logo depois em 1962 , participa de uma coletiva na Galeria das Folhas, em São Paulo, também ,sob o patrocínio de Bardi. No ano seguinte em 1963, expõe novamente no Museu de Arte Moderna da Bahia, sendo que desta vez surgem as figuras das baianas, dos pescadores, mais nítidos e melhor trabalhadas. Participa da coletiva Artistas do Nordeste, no Museu de Arte Popular, hoje, desaparecido. Em 1964 expõe na Galeria ACBEU, no Rio de Janeiro, também numa exposição coletiva.

                                                      ENCONTRO COM ARTISTAS


É bom lembrar um pouco da importância desde último evento. Betty King conseguiu reunir no Museu do Carmo importantes expressões das artes em nossa terra. Retirou dos ambientes fechados e dos ateliers de artistas já famosos e os colocou  no meio de um palco que mandara construir e  no centro do pátio do museu. Ali os artistas faziam o seu trabalho atraindo a curiosidade de pessoas, antes totalmente desligadas da arte. Assim, Mário Cravo foi fazer suas esculturas, portando seu inseparável maçarico: outros dançaram e pintaram suas paisagens de Alagados, casarios ou mesmo executaram uma arte carregada de contemporaneidade. Foi uma exposição marcante e que poderia ser repetida muito mais importante que as tais oficinas criadas recentemente pelos integrantes do Festival Arte/80. Isto porque , as oficinas estão trancadas a sete chaves nos velhos barracões da Escola de Belas Artes, e tratadas num plano secundário. Basta dizer que durante a realização do festival muita gente não está informada sobre a Oficina Nacional de Dança, sobre atividades teatrais e nada sobre artes plásticas. O amadorismo imperou mais uma vez. Mas ,esta é outra conversa.
Voltando a falar sobre Betty King, em 1967 retorna aos Estados Unidos e expõe na Rebeca Harkens House, em New York, e executa um bonito mural existente no Centro Industrial de Aratu. Devo acrescentar que naquela época o Centro Industrial de Aratu - CIA exercia um importante papel como mecenas das artes.Todos os meses era adquirido um trabalho de arte pelo então superintendente Rivaldo Guimarães e este trabalho servia de capa para a revista do CIA. Porém, esta época passou e o CIA tinha  um razoável acervo. Atualmente não sei o destino dessas obras.
Um dos anos mais promissores de sua carreira foi em 1969. Realizou exposições no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Instituto dos Arquitetos de São Paulo e executou um grande mural para a Alcan Alumínio do Brasil, São Paulo. Em 1970 expõe no Museu de Arte Moderna da Bahia e em 1971 realiza o mural existente no edifício da IBM, no Canela, e uma exposição no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco. E, assim vieram sucessivas exposições sempre marcadas pela personalidade forte desta artista.

                                                                ARTISTA VIAJANTE

Hoje, podemos dizer que Betty King é  uma artista viajante. Hoje está em Salvador, amanhã em São Paulo e no dia seguinte em New York . Três ou quatro dias depois ei-la de volta sorridente e querendo trabalhar. Realiza assim exposições em várias cidades do Brasil e principalmente nos Estados Unidos. Gosta de estar em constantes contatos com o que existe de mais moderno no setor das artes. Uma necessidade que marcou a sua trajetória de artista. Basta passar as vistas nos locais onde realizou exposições para sentirmos a inquietude e a vontade de realizar de Betty King.
Outro aspecto interessante na arte de Betty King é a utilização da figura. Mesmo quando trabalha com placas de alumínio anodizado, de quando em vez, encontramos as figuras de mulheres e bichos. Essas figurações acompanham Betty durante toda sua trajetória artística.Algumas vezes mais definidas, outras menos definidas. Mas, sempre a figura, sempre os nus e as caras de gatos e cachorros. Ela explica este gosto pelos animais dizendo que “sempre procurei me expressar através de formas. Tanto quando trabalho na prancheta realizando as minhas pinturas, tanto quando estou trabalhando com metais, utilizando a segunda e terceira dimensões que tenho os animais presentes. É uma necessidade que sinto . Não gosto de ficar trancada”.
Já trabalhou várias vezes em fábricas com operários e a sua primeira experiência aconteceu na Bahia , ma Metalúrgica Invicta. Ficou realmente sensibilizada com o interesse dos operários em contribuir para a execução de um trabalho de arte, embora o entendimento deles fosse limitado. No entanto foi importante porque nada mais importante do que o contato com a arte. Esta conscientização-educação deve ser feita por todos aqueles que possam dar uma contribuição para os sem oportunidades.

                                                               EXPOSIÇÃO ATUAL

Revela Betty King que continua sentindo a necessidade de uma comunicação mais abrangente com o seu público. Agora está partindo para experiências com fotografias e cinema e, assim , espera atingir um número cada vez maior de consumidores de suas mensagens.
Continuará se utilizando da figura como forma de expressão. Elas aparecerão em suas novas experiências com os corpos nus caras de cachorros e gatos, etc. Sempre a vida faz-se-à presente, porque Betty é uma artista que ama a vida e tudo que palpita.Basta observarmos que mesmo nas placas frias do alumínio anodizado ela consegue transpor a vida através de suas figuras não totalmente definidas e também da cor.
Agora ficamos mais confiantes em afirmar isto depois desta mostra na ACBEU que ela intitulou “Álbum de Família “onde desfila homens bigodudos, jovens com vestes esvoaçantes, o cachorro querido e, assim por diante. Há sempre na obra de Betty uma volta constante às suas raízes, à sua infância, revelando como que uma preocupação em preservar a família. Inclusive, durante a conversa que mantivemos pude notar que a família sempre esteve presente direta ou indiretamente em sua arte. Foi casada com um industrial quando freqüentou algumas indústrias e onde trabalhou com vários operários.
Quando indaguei se a família interferiu positivamente ou negativamente em seu trabalho ela não teve dificuldade em afirmar: “Ajudou, mas não sei até que ponto o trabalho superou a família e vice-versa”. O que existiu e existe é a procura do ponto de equilíbrio para controlar as duas atividades. Acho que a família é importante até como referencial e basta lembrar que seus filhos , sempre funcionaram como modelos e o cachorro de seu filho Marco, serviu numa fase inteira de sua carreira. Portanto, a ligação família-arte foi positiva para Betty . Mas, teve um momento em que queria sair um pouco para ver a linguagem universal de colegas instalados em outros centros culturais e por isto voltou algumas vezes aos Estados Unidos e Europa. Esta necessidade de falar uma linguagem universal ainda carrega com muita força dentro de si. Creio que está trilhando este caminho.
E, finalmente , Betty diz "hoje sou uma artista que já vi esta linguagem universal. Já convivi com as pessoas que falam esta linguagem e estou buscando uma integração cada vez maior com ela. Espero que seja compreendida e a família como é uma coisa universal e intrínseca pode ser um caminho para abrir ainda mais as minhas potencialidades sempre na direção de fazer algo novo e atual”.