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sábado, 10 de agosto de 2013

UMA EXPLOSÃO DE LULA QUEIROZ

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 25 DE NOVEMBRO DE 1978.


A mostra de Lula Queiroz na capela do Solar do Unhão é uma comprovação da capacidade criativa deste jovem artista que explode em cores, formas e ideias. Evidente que ainda não encontramos um artista lapidado e uma prova disto são alguns quadros expostos que poderiam não figurar numa seleção mais rigorosa. Porém, o que me deixou alegre foi a qualidade da maioria dos trabalhos expostos e também a grande quantidade de ideias. Lula é sem dúvida um artista nato que explode com toda a força de sua juventude. Quem o conhece não imagina o potencial e a capacidade de trabalho que esconde por trás de sua figura tranquila.
 A capela do Solar do Unhão estava lotada de gente que foi para lá prestigiar a mostra de Lula Queiroz e teve oportunidade de conversar com algumas pessoas que não pouparam elogios às telas a óleo, as pinturas feitas em papel e principalmente ao conjunto de obras apresentadas. Espero que Lula esqueça algumas soluções como aquelas dos barcos, já desgastadas, e que não refletem a sua técnica. No entanto outras idéias a exemplo de muitas telas que estão localizadas ao centro da capela na nave central devem ser buriladas porque acredito que aquele é o seu caminho.
Conversando com o artista sobre seu trabalho ele disse que os feitos em papel  são fruto de uma experiência que vem desenvolvendo há algum tempo da qual espera soluções ainda mais gratificantes.

                         O ION AGRADECE AOS ARTISTAS 

Cento e vinte e cinco quadros foram doados por artistas baianos e radicados na Bahia que foram expostos nos dias e passados no Centro Espanhol em benefício das obras assistenciais do ION. Esta é a segunda exposição que é organizada pela diretoria do Instituto de Organização Neurológica da Bahia- ION que realiza um trabalho digno de elogios em prol da criança excepcional. O dinheiro arrecadado com a venda dos quadros será aplicado nesta obra que beneficia dezenas de crianças baianas oferecendo uma educação especializada.
 A primeira exposição do ION foi realizada em 1973 e teve o mesmo sucesso com grande número de artistas doando seus quadros que foram vendidos e revertidos em obras de grande importância para as crianças que são assistidas pela entidade.
Foto da abertura da exposição promovida pelo ION
Quero especialmente agradecer em meu nome do ION a todos àqueles que mais uma vez se despojaram de suas obras e doaram para esta instituição. Isto porque estive cooperando na medida do possível para a concretização desta mostra que visa beneficiar muitas crianças. Neste mundo competitivo onde os mais aptos sobrevivem e os menos aptos por problemas individuais mão conseguem, é preciso que estejamos atentos para dar-lhes as mãos. E é exatamente nas mãos dadas que está o sucesso do ION. Um punhado de pessoas que dá parte de sua vida e seu tempo precioso para atender àquelas crianças que precisam mais que as outras de carinho e apoio.
Esses artistas abaixo relacionados fazem parte deste punhado de gente que dá o seu tempo e o fruto de seu trabalho em benefício dessas crianças. Eis os artistas: Ângelo Rebouças, Antônio Lobo de Souza, Amália Tude, Azize Nadin Awad., Affonso Garrido, Antônio Murilo Ribeiro, Amélia Fernandes, Ângela Lemos Sampaio, Avany Oliveira, Antoneto, Anita Dantas, Ana Georgina, Almiro Borges, Arlindo Gomes, Benedito Barreto, Bartira, Bel Borba, Bernadeto Cal, Clara, O. Souza, Carlos Affonso Garrido, Clara, Meiro, Candoca, Carlos Bandeira, Celina Gordilho, Carmem Peixinho, Capelotti, Carl Brussel, Carmem Barreto, Caribe, Calixto Sales, Costa Lima, Carlos Vilas Boas Pinto, Carlos Bastos, Calazans Neto, Djalma Souza, Dulce Schaeppi, Diana Mota Ramos Azevedo, Eugênio Roberto, Emanoel Araújo, Emília Moreno, Edmilson Ribeiro, Edvaldo Gato, Elze Matos, Esse Pimenta, Emiles, Elizete Ventura, Eckenberg, Experidião Mattos, Fernando Coelho, Farid Awar, Floriano Teixeira, Fred Shaeppi, Graça Ramos, Gilberto Apê, Guel, Glaucia Lemos, Giuseprina, Heloiza Nagen Cardoso, Helena Chaves, Hans Tosta Schaeppi, Ivan Lopes, Ivo Neto, Itamar Espinheira, Jorge Mendes, José Bahia, José Tiago, Jenner Augusto, Justino Marinho, José Carrera, Jessé Acioly, José Artur, Jorge Cabral, Luís Fernando Pinto, Laurinha Seabra, Luciana Pereira, Licurgo, Leila Saraiva, Lau, Lila Bouzas, Luciano Luciani, Lafita, Maria Monteserrat Silva, Mário Cravo Neto, M. Valença, Maria Gordilho, Manoel Duran, Maria Adair, Maria Augusta Mongerrot, Manoel Gerônimo, Nélson Pereira Júnior, Nide, N. Dias, Norma Gaeta, Nolita, Odete Valente, Osvaldo Oliveira, Olga Paixão Papito, Rúbico, Raymundo Aguiar, Rosita Dubois, Riolan Coutinho, Rômulo Serrano, Rosa Cravo, Sante Scaldaferri, Sônia Maciel, Terezinha Lima, Tuty, Urban, Waldelice Pinkus, Wasghinton Sales, Walmiro Almeida Pedreira Filho e Zu Campos.

                      GRAVURAS DE NOÉLIA DE PAULA

 A Galeria da Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia abrirá suas portas ao público baiano para mostrar as gravuras de Noélia de Paula, baiana, natural de Salvador, viveu no Rio de Janeiro com atelier instalado na Bartolomeu Mitre, no Leblon, viajou pela Europa onde também residiu. Ausente da Bahia durante 9 anos.
Exatamente há dez anos passados, na Galeria 114 em Salvador, Noélia de Paula iniciava a sua carreira profissional alcançando um sucesso da época em público e vendagem de obras. A A Tarde acreditou nessa artista pelo talento, dinamismo e seriedade com que encarava o trabalho que propunha fazer. Toda a imprensa e meios de comunicação     passaram a ver em Noélia de Paula uma promessa para as artes na Bahia. Agora Noélia de Paula, após 10 anos de lutas e sucessos, confirma com seu currículo e afirmativas críticas a visão da imprensa baiana de 1968. Vejamos abaixo a conversa com a artista:

R- Noélia de Paula, como você se sente retornando à Bahia e por que voltou?
NP- Sinto-me em casa e aos poucos readaptando-me. Voltei por duas razões: uma familiar, já solucionada, e outra pensando em trabalhar aqui na Bahia na área de Restauração da Fundação. Acabei indo trabalhar na Arte-Final da Empresa Gráfica da Bahia assumindo a chefia. Em junho deste ano passei para a Fundação, Cultural onde estou, à disposição.
R- Você acredita que sua exposição será o mesmo sucesso de 68?
NP- Sucesso para mim não existe nos termos comuns: venda ou aplausos.Quando exponho o faço de maneira profissional sem visar nada além do que prestar contas do meu trabalho para àquelas pessoas que gostam ou que culturalmente se interessam pela arte.
R- O que você acha do local onde expõe?
NP- Todos os lugares são bons e sinto-me honrada em poder atender o convite da Diretoria da Fundação expondo na sua Galeria. Tenho certeza de que a Bahia social já atingiu a maturidade metropolitana e não mais marginaliza uma área que ela mesma apresenta ao turista como ponto e roteiro da nossa velha cidade. Seria um contrasenso nós não valorizarmos uma área que faz parte da nossa história.
R- Como você situa a arte baiana no cenário nacional?
NP-A nossa arte é bem representada por poucos artistas contemporâneos de real valor. São artistas sérios, que trabalham e pesquisam, aprimoram técnicas e criam.
R- E arte primitiva?
NP- A arte primitiva eu divido em duas etapas. Uma que é a arte primitiva autêntica, uma forma de expressão popular, realizada por pessoas de sensibilidade nata mas que,por força das circunstâncias, são analfabetas e incultas.Acho belíssima a linguagem popular autêntica. Do outro lado, está a arte-falsa primitiva ou engodo.Essa é a maior picaretagem e é uma vergonha, pois são executadas por fazedores de quadros que apenas querem o dinheiro. Inegavelmente são pessoas de  classe natural baixa. Porém tiradas e sabidas. É lamentável que isso aconteça.
R-Você ficará de vez na Bahia?
NP- Depende das circunstâncias. Gosto da Bahia e penso em ficar, mas no Rio, São Paulo, até mesmo na Europa as chances de trabalho são bem maiores. Fora daqui sou conhecida e todo mundo me respeita como profissional das artes plásticas e como restauradora de obras de arte. Aqui tenho enfrentado certos problemas que mesmo que não me afetando profissionalmente deixa transparecer uma carência muito grande de conhecimentos e atualização de arte.Aprendi a respeitar trabalhando e trabalhar respeitando a obra, o ser humano, a terra e a vida.

                            PAINEL

 AMOSTRAGEM SERGIPE 78- O Superintendente da TV Sergipe, Mozart Santos é o grande incentivador das artes em Sergipe e a estação está dedicando diariamente 5 minutos do Programa Hoje para promover artistas locais. Agora ele traz à Bahia trabalhos de Anselmo, Allosa, Anete, Abelardo, Adauto, Beto, Barinhas, Bel, Carrera, Caã, Ceiça, Cachoba, Cesart, Daniel, Dionéa, Erê, Fernandes, Gime, Gervásio, Gleide Selma, Gêmeos, Hortência, Ivone; Inácio, Jorge Luiz, Jane, Jussara, Jô, Judito, Joubert, Lucimar, Marinho, Melciades, Maria Feliciana, Olidina, Pithiu, Queiroz, Raimundo, Rezende e Wellington que estão expostos desde ontem no foyer do Teatro Castro Alves. A apresentação é de Ivo Vellame, que também sergipano. Foto I



JOSÉ ARTUR- está expondo na Galeria Grossman mostrando o seu lirismo através de figuras que ele idealiza.
Destaco os longos pescoços e os olhos grandes como uma influência da gente nordestina, embora sua pintura não tenha a marca patente do real. José Artur é um dos mais conceituados pintores desta nova geração baiana. Foto II





SÍLVIO PAMPLONA RIBEIRO- pintor paulista está expondo na Galeria da Pousada do Carmo até o próximo dia 30. Tem um trabalho reconhecido e, inclusive, obras de sua autoria figuram em museus e coleções particulares. Foto III



ESTERGHILDA MENICUCCI- expõe na Galeria Panorama até o dia 6.
São imagens etéreas em dimensões mágicas. As figuras estão envolvidas por nuvens de tintas que se espalham com equilíbrio.

ECKENER- expõe no Gabinete Português de Leitura. De tanto trabalhar pelos artistas resolveu também pintar. São trinta óleos de temática variada. Alagoano de  nascimento e radicado em Salvador há muito tempo Eckener muito tem feito pelas artes baianas.

NOITE DE GRAVURAS- Kompasso Galeria de Arte, rua Amazonas, na Pituba está expondo gravuras de Calasans Neto, Clara O. Souza, Duda, Gérson M. Lima, Ione Passo, Juarez Paraíso, Márcia Magno, Roberval Marinho, Terezinha Lima e Waldelice Pinkus.

TROQUEI AS BOLAS- Na semana passada fiz uma avaliação do trabalho de Gervásio Teixeira que está expondo na Galeria O Cavalete.Porém, inadevertidamente chamei-o de Gilberto. Por que? Não sei.
Mas a culpa foi minha.Geralmente os erros são atribuídos a outras pessoas. Mas faço questão de assumir. Errei. O nome do artista é Gervásio Teixeira, um sergipano que promete.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A LUZ E SOMBRA NA CIDADE DO SALVADOR

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 30 DE DEZEMBRO DE 1978



Cada canto um ponto de luz. A cidade parece sorrir num jogo de luz e sombra.Luzes que acendem nos prédios públicos e particulares, nas sacadas dos apartamentos e até mesmos nos casebres mais humildes e necessitados das favelas e invasões. Algumas são verdadeiras, expressões plásticas, principalmente quando a noite desce e as luzes amarelas, vermelhas, verdes, azuis e brancas começam a piscar incessantemente.
A cidade recebeu um banho de luz. E esta coluna não poderia deixar de registrar esta manifestação espontânea de toda comunidade. Não podia porque esta manifestação reflete não um simples ato artesanal, mas uma manifestação artística, principalmente quando seus autores anônimos conseguem criar, com essa luzes, expressões fantásticas apenas o pinheiro europeu ou a barba de algodão dos Papais Noéis cansados de tudo. Cansados até de carregar os sacos vazios, porque na verdade está difícil enchê-los para retirar depois o próprio sustento, quanto mais para distribuir presentes com tantos pretendentes e necessitados.
Daí prefiro tirar deste final de ano proveito desta espontaneidade das luzes, expressões, como agora, superou a própria Prefeitura que não iluminou a cidade como devia. Portanto, quando você passar pelo Vale do Bonocô, pela Avenida Otávio Mangabeira, pelos bairros residenciais, mesmo aqueles mais humildes, olhe com cuidado que verá um ponto qualquer de luz contrastando com o negro da noite. Olhe e medite pois apesar de tudo as pessoas continuarão pintando paisagens fazendo arte experimental, fazendo esculturas de troncos embrutecidos e também colocando em cada lugar um ponto de luz.
Estas palavras são dedicadas a todos estes artistas anônimos que souberam usar a luz e a sombra para embelezar a cidade com seus objetos de arte, com duração determinada.
Quando o Ano-Novo chegar certamente serão retirados, porque já cumpriram o seu papel, mas ficarão gravados nas memórias daqueles souberam admirá-los.
As fotos são de Lourdes Barbosa.



           ROUBARAM QUADRO DE REMBRANDT

Obra Retrato de um Rabino, roubada 
Um quadro de Rembrandt, avaliado em 1 milhão de dólares (20 milhões e 920 mil cruzeiros, foi roubado do museu M.H. Deyoung de São Francisco, situado no parque de Golden Gate, segundo informou a polícia.
Os policiais disseram que os ladrões entraram por uma clarabóia que não estava ligada ao sistema de alarme. O museu não tinha guardas. O roubo foi acontecer num domingo, mas só foi descoberto no dia seguinte.
Além do quadro de Rembrandt o Retrato de um Rabino, os ladrões levantaram mais três obras de mestres Holandeses do século XVII- Delorme, Van de Vale e Van der Neer- avaliadas, em conjunto, em 60 mil dólares (1 milhão de 255 mil cruzeiros).
O diretor do Museu, Ian White, revelou que os ladrões retiraram a clarabóia um painel de vidro reforçado com fios de aço, e pularam um espaço de dois metros, caindo no teto da galeria.
Os ladrões entraram por esta
clarabóia acima
Então, retiraram um gradil e desceram por uma corda o pularam para o chão da galeria, numa distância de quatro metros. Os ladrões fugiram pela mesma via, usando um baú de madeira de carvalho do Século XVIII, de 270 quilos de peso, como ponto de apoio.
Mais três quadros, inclusive outro Rembrandt, O Retrato de Joris de Caullery, também avaliado em 1 milhão de dólares, foram retirados das paredes, mas não chegaram a ser levados leos ladrões.
Quando os dois guardas do museu se retiraram, às 17:00 horas (22:00 em Brasília de domingo, os quadros ainda estavam no local. O roubo foi descoberto dia 25 às 09:00, quando os guardas voltaram ao serviço.
O mesmo quadro de Rembrandt tinha sido alvo de outra tentativa de roubo há três meses. Um guarda, porém, descobriu um ladrão no interior da galeria e disparou sua arma. O ladrão conseguiu fugir.
O roubo poderia ter sido cometido sob encargo de algum colecionador clandestino de arte, segundo comentou hoje o detetive particular Arnold Miller, que o investiga.

SAMSON FLEXOR NA CAPELA DO UNHÃO

JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SÁBADO, 14 DE OUTUBRO DE 1978

Obra As Bailarinas, de Samson Flexor
Uma exposição gratificante a que está aberta ao público na capela do Solar do Unhão onde são apresentados vários trabalhos do mestre saudoso Samson Flexor, que aqui esteve no passado e ficou encantado pelas coisas da Bahia. Todo o mundo exterior que lhe rodeava servia para suas interiorizações e ideias, depois concretizadas em belos trabalhos, como escreveu Luís Arrobas Martins, na apresentação desta mostra itinerante, que já foi a São Paulo, Recife e agora chega a Salvador numa promoção da Arte/Global.
O artista Samson Flexor
Nascido em 1907 na cidade de Bessarabia e brasileiro por adoção Samson Flexor cursou em 1925 a Escola Nacional de Belas Artes e a Academia Ranson com Bissiére. Começou a expor aos 19 anos nos salões D'Automme, Tuilleries e Indépendents e participou da fundação do Salon des Independents em 1929 e tomou parte na sua direção até 1938.
Especializou-se em pintura de murais afrescos e arte sacra e em 1946 vem para  São Paulo onde fundou a escola e o movimento Atelier Abstração.Samson Flexor é um pioneiro da abstração na América Latina e por diversas vezes proferiu conferências no Brasil e mesmo no exterior. Sua obra é vasta, pois trabalhava diariamente em seu atelier deixando um acervo considerável, que agora depois de sua morte passa a ser disputado pelos colecionadores.
Falando de sua importância o mestre Clarival do Prado Valadares disse em 1968, que "Por ter sido um dos pioneiros da chamada arte abstrata, a muitos parece que tal capitulo esteja encerrado uma vez que ele próprio se transferiu para uma outra linguagem. Cessaram, sim, os motivos éticos, de natureza filosófica, que o fizeram abstracionista-geométrico naquela data em que a ordenação de valores parecia ser a meta da condição humana.
Abstrato, obra de Samson Flexor
Da mesma forma se explica a temática evangélica que o pintor pensador se apegava, quando lhe era possível abrigar esperança e redenção.Os abstratos líricos e geométricos de Flexor são de grande perfeição plástica e formal. As formas que se encontram dando bonitas transparências parecem fazer parte de um corpo de baile que move-se dentro de um equilíbrio indiscritível. Tudo parece movimentar-se com uma leveza singular. Me chamou também a atenção foi um quadro figurativo, realizado me parece que em 1922, na Rússia, e integrante de sua chamada primeira fase pela ousadia dos traços principalmente se levarmos em conta a época em que foi concebido."

             A PINTURA INGÊNUA DE CARLOS MANSO

O pintor argentino Carlo Manso expõe até amanhã na Galeria do Praiamar Hotel, os seus quadros. Viveu de 1960 a 1962 em Salvador como pianista do Seminário de Música da UFBa., profissão que exerceu até 1970, quando, no carnaval daquele ano, em visita à Bahia, fez um retrato do Largo de São Francisco, no Terreiro de Jesus. Daí em diante deixou definitivamente a música pela pintura e segundo ele, está feliz por isso, embora goste de música.
Trata-se da primeira exposição de Carlos Manso, no Brasil, embora já tenha feito várias em Buenos Aires, Madrid, Servilha, Barcelona e outros lugares.Segundo ele, o motivo de escolher a Bahia "é compreensível pois tenho um amor muito grande por isso aqui. O lugar onde desejo morrer é bem junto ao mar. Esse apego ao mar e à Bahia não é o mesmo que muitos artistas, por vedetismo, dizem ter, mas é porque aqui foi onde coloquei a cabeça no lugar e fiz as minhas amizades mais gratas. Carlos Manso dá a impressão de que a paz é o encontro consigo mesmo, que as pessoas comuns é mesmo os artistas procuram. Ele já encontrou esta paz. Os gestos comedidos, a voz pausada, são bem diferentes, dos descendentes espanhóis."
Sobre a temática, seus quadros abordam os bairros de Buenos Aires, o campo argentino, as festas de aniversário comemoradas com churrascos, as cidades espanholas e as ruas da Bahia, mas tudo com originalidade. Um exemplo disso é o seu primeiro quadro, pintado aqui quando veio passar o carnaval de 1970 e se tornou pintor em borá confesse também que,desde menino eu gostava de fazer caricaturas. Ao pintar o Terreiro de Jesus, principalmente o Largo do São Francisco, Carlos Manso excluiu os automóveis, os postes elétricos, o vai-e-vem das pessoas e pintou apenas os sobrados, a igreja, o Cruzeiro, um burro e uma paia , como se estivesse pintando a paisagem no século XIX.

O GOSTO PELO POVO
O que eu gosto mesmo é dos ambientes populares, do calor humano, confessa. Por isso diz ser estas coisas que formam essência do seu trabalho. E assim Carlos Manso parece fazer com que as pessoas com quem ele conversa acreditem que aí estão explicações dos seus roteiros de viagem. Como pianista fez tournées pelas Filipinas, Japão, vários países da Europa até chegar aos Estados Unidos. Fez uma viagem de San Diego ao Panamá, de ônibus e do Quito, no Equador, até Buenos Aires, de trem e de dois em dois anos vai à Espanha, terra dos meus descendentes.
O gosto pelo povo está explícito na sua fisionomia quando ele fala dos amigos, principalmente dos que convivem com ele durante os anos de 60 a 62 , aqui em Salvador. Dos vivos a mesma saudade, e esperança de reencontrá-los.

             POUCO CONCORRIDO CONCURSO DE ARTE 

Obra de Juarez Paraíso que foi selecionada, a
qual hoje está em frente do Parque de Exposições
Considerado pelo júri um trabalho surpresa pelo alto nível da proposta, domínio da técnica apresentada e completa a integração com o espaço arquitetônico, o projeto do mural em madeira da autoria do artista plástico, Celso da Silva Cunha Neto, que será afixado no Centro de Convenções da Bahia e que foi o vencedor do Concurso Público de Artes Plásticas, na categoria de murais onde concorreram quatro trabalhos. Na categoria de esculturas, Juarez Paraíso teve dois projetos vencedores, um  para o Parque de Exposições de Animais e o outro para o Parque de Pituaçu pórtico de entrada ambos considerados de valor estético pela perfeita integração com a ambiência onde serão colocados. Ainda para o Parque Pituaçu, o júri classificou em segundo lugar, com um prêmio de CR$ O mil, a escultura de Jamison Pedra que ficará como o marco do estádio de Pituaçu por decisão do governador Roberto Santos uma vez que não se inscreveu nenhum trabalho na modalidade marco.

Mural de Celso Cunha no Centro de Convenções
Ainda na modalidade escultura para obra do Centro de Convenções da Bahia, foi indicado como vencedor o trabalho do artista Lício Peixoto pela originalidade da proposta aliada à compatibilidade com as grandes dimensões do prédio e por possuir um caráter alegre e dinâmico identificado com as festas regionais. Em segundo lugar, ficou novamente Jamison Pedra. Para a obra da Escola de Administração Fazendária o júri escolheu o trabalho de Tati Moreno, um dos mais fracos. 
Deveriam ser escolhidos 10 projetos dos 26 que concorreram. No entanto, os que seriam destinados ao Hospital Roberto Santos na modalidade rural em número de quatro não atingiram qualidade artística à altura da premiação não podendo ser indicados vencedores. O mesmo aconteceu com dois inscritos para o Centro de Recuperação e Triagem não tinham nível qualitativo desejado. Também o Centro de Convivência e Cultura do Parque de Pituaçu não teve trabalhos indicados pois nenhum  dos inscritos possuíam valor artístico.
Durante dois dias ininterruptos o corpo de jurado composto pelo arquiteto Carlos Campos (presidente), professores Ivo Vellame, José Rescála e Mercedes Krushewsky, realizaram apreciação dos trabalhos dentro dos critérios de valor artístico, viabilidade de execução, originalidade, economicidade e domínio de técnica. A promulgação dos vencedores foi feita no Palácio da Aclamação, pelo governador.
Na verdade o que podemos observar é que muitos artistas não tiveram condições técnicas e mesmo econômicas de realizar seus projetos para concorrer e alguns foram premiados por absoluta falta de concorrentes. Lembro aqui algumas esculturas, especialmente uma de metal, indicada pelo júri, que lembra fitas entrelaçadas que enfeitam presentes de Natal.
Toda sua concepção é de péssimo mau gosto. Também outras que tive oportunidade de examinar não refletem a criatividade baiana e de seus autores.
Fiquei apenas feliz com a escolha de trabalho de Celso da Silva Cunha porque dos que pude examinar é uns dos poucos que se salva, juntamente com os de Jamison pedra. Os demais poderiam ter sido dispensados e realizado outro concurso com uma abertura um pouco maior para que os inibidos aparecessem. Creio que algo deve ser feito para aproveitar o dinheiro que havia sido destinado para compra de trabalhos de arte para esses novos edifícios oficiais.

                            PAINEL

KANTOR ESTÁ NO RIO- Acabo de receber mais uma das cartas do artista argentino Kantor que fala de sua exposição no Museu Nacional de Belas Artes.
Uma exposição onde o velho artista, que tanto gosta da Bahia, apresenta trabalhos feitos aqui por volta de 1977 e outros de Roma, Televiv e no Rio de Janeiro.

ESCULTOR CAREL VISSER- O Museu Municipal de Amsterdan expôs, em 1972, uma série de obras do escultor e gravador holandês Carel Visser- sobre quem aliás, o Consulado Geral holandês, no Rio, possui belo documentário em 16 mm,  para empréstimo a entidades, associações ou escolas.
Desde aquela última individual, Carel Visser dedicou crescente interesse às colagens. Sobre fundo escuro,  ele  utiliza produtos da natureza ( ostras, penas de pavão, lã de carneiro, chumaços de cabelo, de revistas ou prospectos, cartões postais ou reproduções de obras de arte, inclusive esculturas.
A obra de Carel Visser teve, desde o início, fortes laços com a natureza, a observação de formas e estruturas tendo lhe servido de fonte inspiradora em borá esta relação nem sempre fosse evidente.
Parte das obras desta nova fase, recentemente mostrada ao público no Stedelijk Museum, consiste em colagens superpostas ou conjugadas. A composição menos rígida, mais liberta, destes trabalhos; o colorido e a temática caracterizam a surpreendente modificação nos rumos da obra de Carel Visser.

CARTAZES- Criar cartazes que através de imagens e/ou textos conscientizem o servidor público quanto ao uso racional do material de serviço colocado  à sua disposição nas tarefas diárias, estimulando-o á economia e conservação, é o objetivo do I Concurso Nacional de Cartazes, promovido pela Divisão do Material do Departamento de Administração do Ministério da Fazenda e a Fundação Movimento Universitário de Desenvolvimento Econômico e Social-MUDES.
O Concurso Nacional de Cartazes é aberto a toda pessoa domiciliada ou residente no território nacional, em especial aos estudantes universitários, funcionários públicos, profissionais e artistas do campo da comunicação. Cada participante poderá inscrever um ou mais trabalhos até o dia 29 de dezembro, às 17 horas, pessoalmente ou pelo correio, com AR-aviso de recebimento, na sede da Fundação MUDES, à Rua México, 119, 12º andar, RJ.
Aos vencedores serão atribuídos os seguintes prêmios: 1º lugar- CR$50 mil; 2º lugar- CR$30 mil e 3º lugar-CR$15 mil.
O Regulamento do Concurso está a disposição dos interessados nas Secretarias do Ministério da Fazenda nos estados, faculdades e na sede da Fundação MUDES.

ARTE DO ACRE -O 1º Festival de Arte do Acre é uma promoção conjunta do Departamento de Cultura, da Secretaria Estadual de Educação e Cultura do Acre, Universidade Federal do Acre e da Funarte, e tem por objetivo incentivar e divulgar a produção artística e cultural no estado. Ele está sendo realizado de 9 a 15 de outubro, no Campus da UFAC, e conta com exposições de artes plásticas, espetáculos de música popular, de teatro amador e palestras sobre diversos aspectos do Estado.
A Funarte vem ampliando gradativamente sua participação nas promoções culturais realizadas no Acre. Este ano, o estado foi incluído no circuito da Rede Nacional de Música, e também participou de programas da Funarte visando à compra de instrumentos musicais para a Universidade Federal e o governo do Estado. Em 1979 o Acre deverá participar efetivamente do Projeto Espiral cursos para formação de instrumentistas e produção de instrumentos musicais. E também será incluído no circuito Norte-Nordeste do Projeto Pixinguinha.

CLAUDIO VALÉRIO- Um dos trabalhos mais comentados do 2º Salão Carioca de Arte, atualmente na Galeria Funarte Rodrigo Melo Franco de Andrade, chama-se Fuzilamento, uma imensa cartolina, presa ao teto da Galeria, e que se esparrama pelo chão. Nela, desenhado com lápis-cera de cor vermelha, as quatro sequências, quase fotográficas, de um fuzilamento: o tiro, a queda e a morte.
O autor deste trabalho, o carioca Cláudio Valério, está mostrando desenhos como este, na mesma Galeria Funarte Rodrigo Melo Franco de Andrade (Rua Araújo Porto Alegre 80, Rio, em exposição inaugurada ontem, e que irá até o dia 31 de outubro.
Filho  do pintor Oswaldo Teixeira que o  iniciou nos mistérios das Artes Plásticas, Cláudio é formado em pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Já participou de três salões Nacionais de Arte Moderna, da Bienal Nacional de São Paulo de 1974, de diversos Salões Universitários, além de coletivas em todo o país.
Assim Cláudio define seu trabalho: O artista é agredido pelas realidades que são seu objeto. Logo, ele também as agride, representando-as em instantâneos límpidos e claros. O desenho de Cláudio pretende aproximar-se ao máximo da realidade, de modo a revelá-la como ela é: Em minha arte não há espaço para  a ilusão.



domingo, 4 de agosto de 2013

CONSIDERAÇÃO ACERCA DE UM NOVO MANIFESTO

JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SÁBADO 21 DE OUTUBRO DE 1978



Estou de acordo com algumas das considerações estampadas num manifesto distribuído pelos estudantes da Escola de Belas Artes contra a realização da exposição dos médicos pintores, por entender que o mercado de arte na Bahia já está quase que saturado tal o número de artistas. Digo isto e exemplifico: se algum diretor de cinema vier filmar em Salvador e necessitar de alguns bandidos para integrar o elenco de extras, certamente que não vai encontrar. Aqui todo mundo é artista. São milhares que pegam o pincel, sujam as alvas telas e quando nem se espera já tentam vender trabalhos de arte.
Evidente que muitas profissões estão sendo invadidas por profissionais de outras áreas.Jornalismo é talvez a que mais sofre com esta interferência estranha, mas felizmente ultimamente temos assistido a presença quase maciça nas redações de jovens provindos das escolas de Comunicação. Porém, acho que ninguém está ou deve estar proibido de pintar ou escrever. A diferença está apenas em comercializar.Em tornar-se profissional.
Lembro aqui o caso de  Rubens que era diplomata e grande artista.Acontece que hoje estamos tendendo cada vez mais à profissionalização e é neste ponto que está a verdadeira razão dos estudantes. Os médicos poderiam ter feito a mostra sem qualquer interesse em vender quadros, porque a maioria deles não precisa vendê-los. Seria o caso de realizar uma mostra para uma confraternização da classe.
Assim evitaria que apareçam exposições de psicólogos pintores, operários pintores, jornalistas pintores e até delegados de polícia pintores.
Mas, para melhor compreensão do que afirmo, publico na íntegra o manifesto dos estudantes da Escola de  Belas Artes mostrando que estão coerentes com o que defendem e que não pretendem atacar ninguém, e, sim defender sua profissão. Vejamos:

                                           DIAGNÓSTICO

"Nós artistas plásticos, estudantes, diante de um mercado cada vez mais difícil e restrito ao artista plástico, onde a sua profissão ainda não encontra-se regulamentada, vimos nos posicionar contra a convivência das galerias de arte, que possibilitam e permitem a interferência de profissionais de outras áreas, no mercado do profissional Artista Plástico, o que constitui por um lado num cerceamento do mercado e por outro, numa falta de ética e respeito profissional, a partir do momento em que a interferência de um profissional de uma área, na do outro. Observando-se porém que a recíproca poderia ser verdadeira.
Não questionamos aqui a validade artística do trabalho de quem quer que seja, apenas indagamos:
a)      Estariam agindo corretamente as galerias em abrir o mercado a outros profissionais?
b)      Estariam agindo corretamente estes profissionais em interferir, no nosso mercado?
c)      Como esses profissionais agiriam diante da possibilidade de uma interferência recíproca?
d)     Isso não contribuiria para um enfraquecimento à organização de classes?
                      Pela regulamentação da profissão do Artista Plástico 
      Diretórios Setoriais de Artes Plásticas e Licenciatura em Desenho e Plástica

III SALÃO DA NORDESTE EXPÕE BRECHERET E MANOEL MARTINS!

Uma dúzia de esculturas de Victor Brecheret darão ênfase à escultura, no III Salão da Noroeste, que se inaugura a 21 de outubro, com a participação de pintores de renome como Marysia Portinari, Aldemir Martins, Volpi, Chico da Silva, Manoel Martins, José Antônio da Silva, Rebolo, Fúlvio Pennacchi, Quissac Júnior, Walter Levy e Grassman.
O Salão promove um verdadeiro encontro de  escultores, com a participação de Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti, Vasco Prado, Caciporé Torres, Calabrone, Stokinger, Vlavianos, Frans Waissman.
Paralelamente ao Salão, será apresentada importante série de espetáculos: dia 25, concerto da Orquestra Sinfônica de Campinas; dia 26 espetáculo do Grupo Andança; dia 27, concerto de piano de Pietro Maranca; dia $$, apresentação do Ballé Stagium.
Obra de Martins mostrando a
cidade de São Paulo
Os artistas foram convidados pela Comissão Organizadora, que formou um júri, de artistas e críticos de São Paulo, para selecionar as obras dos pintores regionais que se inscreveram.
A Fundação Educacional de Penápolis, promotora do Salão, contou com a colaboração do Ministério da Educação, da Funarte, da Prefeitura de Penápolis, da Secretaria de Cultura do Estado, da Secretaria da Fazenda do Estado do Banespa. O Ministro Euro Brandão, da Educação, é o patrono do Salão.
Cerca-se de particular interesse, a apresentação dos quadros de crítica urbana de Manoel Martins, o mestre do Grupo Santa Helena, e os 5 óleos de Marysia, um dos quais mostrando a Travessia da Boiada no Rio Baguaçu, em Araçatuba, onde a pintora nasceu.
Na foto, à direita, vemos o pintor Manoel Martins ao lado do cavalete, em seu atelier da Rua Afonso Celso, em São Paulo.

              VICCO MOSTRA CERÂMICA PEDRA

Esta obra integra o Memorial do artista
O artista plástico Vicco Vicente de Paulo Cordeiro está expondo seus trabalhos em cerâmica pedra na Galeria Funarte Sérgio Millet Rua Araújo Porto Alegre, 80 até 8 de novembro próximo.
Vicco nasceu em Guaxupé, MG, em 1944, de onde mudou-se para São Paulo. Foi operário, bancário, faminto, estudante noturno e publicitário. Em 67 estudou desenho com o Prof. Hertas Diaz e participa de uma exposição coletiva, e em 69 monta um estúdio gráfico onde permanece até 74. Começa a trabalhar com cerâmica e viaja para o interior de São Paulo com um grupo de amigos que mais tarde montariam um atelier em Cunha, SP. Em 76 transfere-se para Teresópolis com o propósito de fazer cerâmica, e monta um novo atelier, rudimentar, com o torno acionado pelo pé e o forno a lenha com o qual passa a fazer cerâmica pedra, uma arte oriental de muita precisão.
A cerâmica é uma arte milenar, que pode ser dividida em duas categorias: a cerâmica terra, de baixa temperatura, e a cerâmica pedra de alta temperatura 1250/1320ºC que deve sua descoberta aos chineses. O barro em estado bruto é socado, peneirado e decantado, misturado e amassado até ser exposto á secagem. A queima é realizada em duas etapas que duram até 25 horas e a esmaltagem é realizada através de componentes naturais derivados de rochas comuns. O resultado desse extenso trabalho é o que o artista Vicco irá mostrar, acompanhado de um audiovisual detalhado todas as etapas do processo artesanal..

         O SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS

Os trabalhos selecionados para a mostra concorrerão a nove prêmios, assim classificados: 4 Prêmios de Viagem ao Estrangeiro, no valor de CR$150 mil cruzeiros cada; 4 Prêmios de Viagem ao País, no valor de 50 mil cruzeiros cada, além do Prêmio Especial Gustavo Capanema, a ser conferido ao autor do melhor conjunto de obras expostas no salão, no valor de 30 mil cruzeiros. Não haverá prêmios de aquisição de obras.
No momento a Comissão Nacional de Artes Plásticas está selecionando os nomes dos três elementos que irão compor a Comissão Julgadora, a serem escolhidos entre as mais importantes personalidades ligadas ás artes plásticas e á cultura no Brasil. Além deles, a Comissão Julgadora será composta também por três pessoas escolhidas pelos artistas inscritos, por votação em maioria simples. Cada artista, na Ficha de Inscrição, escreve os nomes de sua preferência, e a apuração será feita no próximo dia 24 de outubro. Já no dia seguinte a Comissão Julgadora liderada pelo Presidente da Funarte, José Cândido de Carvalho, entra em atividade, selecionando as obras que irão participar do Salão e as premiadas.
O Salão Nacional de Artes Plásticas consequência da fusão dos  extintos  Salão Nacional de Belas Artes e Salão Nacional de Arte Moderna é realizado pela primeira vez no Brasil.
Ele visa dar uma visão atualizada das tendências e pesquisas artísticas nacionais e internacionais de nossa época. Neste sentido, o salão está aceitando trabalhos tradicionais, pintura, escultura, desenho e gravura e também obras experimentais e conceituais, inclusive as que se utilizem de técnicas de foto-linguagem fotografia audiovisual e cinema de super-oito, além de trabalhos de natureza antropológica, sociológica, ecológica, ou mesmo propostas que incluam performances e animações corporais.

                   PAINEL

PORTO RICO- cerca de 52 artistas de Porto Rico e do exterior participarão da I Bienal da Sociedade Portorriquenha de Música Contemporânea a ser realizada em San Juan durante todo o mês de novembro, segundo informa Rafael Aponte Ledee, presidente do evento.
A Bienal apresentará concertos, exposições e encenação de peças teatrais além de realização de quatro conferências sobre arte.



EDELWEISS- a Diretoria de Turismo e Comunicações da Prefeitura de Florianópolis está promovendo a exposição de pintura de Edelweiss.

VILMA RIBEIRO- expõe na Galeria da Pousada do Carmo. Paulista e concluiu seu curso na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, passando depois de 10 anos sem pintar. Nos últimos sete anos tem participado de várias exposições individuais e coletivas. Foto 



GILDA BASBAUM está expondo no Museu de Arte Moderna, Solar do Unhão com o patrocínio da Casa da Bahia, Rio de Janeiro. Depois falarei sobre seu trabalho.

COLETIVA - Alberto Elias, Almir Barros, Almiro Borges, Benedito Pomponet, Botelho Pedrosa, Costa Lima, Eckener, Edson Cezário, Halmiro, José Bonfim, José Francisco de Souza, Manoel Neto, Misael Santana, Octávio Araújo, Raymundo Aguiar ,Raymundo Valladão, Rômulo Serrano, Sérgio Sampaio, Sidney Roberto, Túlio Oliver e Wilton de Souza. A exposição é promovida pela Associação Atlética do Banco do Brasil que visa incentivar o mercado. Esta aberta diariamente, das 16 ás 22 horas na Rua Barão de Itapuã, Barra, sede da AABB. Foto um quadro de José Bonfim.


MÉDICOS PINTORES- na Galeria Cañizares estão expondo Affonso Roberto Martins Garrido, Artur Ventura de Matos, Carlos Gilberto Widmer, Carlos Lopes Bittencourt, César Romero, Dulce Serrano Schaeppi, Eduardo Araújo Filho, Fernando Fortuna Guimarães, Flanklin Witz Leite Neto, Geraldo Bastos Guimarães, Gilberto Apê, Gilberto Carvalhal ,França Gomes, Humberto R. V. Peixoto, Italvar Cruz Rios, Jaime Nunes da Silva, Jessé Acioly; José Mirabeau Sampaio, José Pedreira Carrera, José Stanchi Correia, Lourival Burgos Muccini, Nancy Carvalho Cruz, Nelson Hart Madureira, Osvaldo Leal e Rodolfo Dantas Júnior. Expondo esculturas: Luís Fernando Pinto e Luís Carlos Medrado Sampaio. Vemos portanto, que são mais conhecidos pela dedicação às artes plásticas do que pela medicina...

MYRA- expondo até o dia 26 do corrente na Galeria Panorama foi premiada em 1971 com Medalha de Ouro, do Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro. Expõe 17 telas pertencentes a primeira fase e 17 quadros de sua mais recente produção Foto  ao lado

quarta-feira, 31 de julho de 2013

DETALHES À PARTE

JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SÁBADO, 16 DE SETEMBRO DE 1978


Estofados desenhados por Charles Pfister
Quando falamos em móveis lembramos aqueles que povoavam as residências de nossos avós. Eram grandes, fortes, escuros e principalmente cheios de detalhes, formas espirais e arabescos, vidros e metais rebuscados. Eram móveis requintados em particularidades. Assim também esteve fundamentada a Art Nouveau nos primeiros anos do nosso século.
Poltrona desenhada por
Charles Pfister
Porém, por volta de 1920, arquitetos, pintores, escultores, propuseram novos critérios com vistas a satisfazer valores estéticos da época e buscando maior funcionalidade, não só para a arquitetura e decoração, mas também para manifestações como o próprio desenho industrial em si, artes gráficas e visuais, pinturas e cenografia.
Nascia o design, sóbrio, funcional, limpo, puro, onde cada traço correspondia a uma necessidade de uso, sem que isto prejudicasse a forma em seu todo. Obedece a critérios determinados que satisfazem a valores estéticos e de funcionalidade, não se admitindo mais hoje um desenho arbitrário de uma peça, mesmo a mais simples.
Era  o equacionamento entre a arte e artesanato, unindo-as, misturando a arte e a técnica, propondo-se a integrar a arte com a indústria em expansão do século XX.
Hoje a sua aplicação é universal, desenvolvendo-se praticamente em todos os campos. O critério para um bom desenho pode ser aplicado não apenas a uma cadeira, automóvel ou máquina, mas igualmente na embalagem de produtos e até no desenho mais simples de um lápis.
A palavra design,, antes uma simples expressão inglesa significando desenhos em geral, passou a ser internacionalizada para definir o desenho industrial.
Charles Pfister era um dos sócios e diretor o departamento de design interior da Skidmore, Owings & Merrill.Estabeleceu sua própria empresa, somente em 1981, com escritórios em San Francisco e Londres.
Foi muito admirado pela elegância de seus projetos para interiores e design de seus mobiliários, estudou arquitetura e design na University of California, Berkeley.

BAUHAUS
Móveis de escritório da Knoll International
Muitos ainda devem lembrar-se da grandiosa exposição que foi montada há poucos anos no Solar do Unhão, que mostrava vários móveis e outras criações, frutos de integrantes da Escola Bauhaus, que foi criada na Alemanha por volta de 1920. Esta escola tem destaque especial em todo o  mundo porque foi a primeira escola a rejeitar as abstrações das academias de arte e o diletantismo das escolas de artesanato.
Ela surgiu da união da Escola de Belas Artes e da Escola de Artes e Ofícios sob a direção de Walter Gropius. Foi este artista que começou a dar à arquitetura e ás demais artes, uma nova feição, se opondo diametralmente a todas as tendências da Art Nouveau. Reunia, entre seus mestres, os mais famosos nomes da arquitetura, da pintura, da escultura e demais artes aplicadas. A Bauhaus foi e continua sendo um marco decisivo da arquitetura moderna e podemos sentir até hoje a sua influência em vários segmentos da arte contemporânea.
Nascia assim o estilo Bauhaus, que se definiria por sua clareza, limpeza, despojamento, aliando o belo ao útil, mas nunca um prevalecendo sobre o outro.
Esta escola revolucionava e não deixou de ser fechada por ordem de Hitler, mas suas ideias sobreviveram e alguns móveis desenhados entre 1925 e 1930 são ainda considerados avançados, modernos. Para entendermos a importância desta escola é preciso conhecer as obras de seus mestres e seguidores, entre eles Mies van der Rohe, Marcel Breuer e Morrison e Hannah.
Agora a Forma nos traz com inauguração de sua filial, toda a coleção internacional Knoll e Cassina e o design brasileiro. A exposição foi inaugurada no último dia 14, na Rua Humberto de Campos, 22, Graça.

MÓVEL
De lá para cá o desenho do móvel sofreu uma transformação radical que modificou hábitos de vida. Desde 1900 para cá que ela vem se processando e há poucos anos elas estão incorporadas a nosso cotidiano.
Da construção pesada, maciça do móvel de madeira, chegamos à leveza conseguida graças às novas estruturas metálicas.
À esquerda uma poltrona desenhada por Wassily,  e à direita  Barcelona, de Mies van der Roche são marcos revolucionários no design de móveis.
Em 1954, Eero Searinem, nos Estados Unidos, começa a trabalhar com a fibra de vidro e cria a coleção de mesas e cadeiras conhecidas como linha pedestal.
Hoje Bauhaus ainda está presente e tudo que vem sendo criado ainda está sob a influência de  suas idéias. O próprio conceito do design tem sua origem no Bauhaus. Aço e cristal são os materiais de hoje. Despojamento de formas, clareza, equilíbrio são critérios estéticos atuais.

         PAINEL DE JOSÉ ARTUR NO AEROPORTO


Um painel de seis por 2,50 metros acaba de ser montado no Aeroporto Dois de Julho, contribuindo para o embelezamento do local. É de autoria de José Artur, que usou como suporte madeira aglomerada, e uma temática onde mostra os feirantes, numa localidade do Recôncavo Baiano. O painel está na sala de recepção, e na sala VIP estão alguns quadros menores. Considero este painel da mais alta qualidade por sua temática, pela maneira que flui o desenho, especialmente dos vasos e das figuras que surgem à frente das velas enfunadas dos barcos. Sem dúvida pictórica. Os espaços são também bem utilizados dentro de uma lógica que permite uma composição equilibrada.

          OUTRO SALÃO DA CIDADE DE JUNDIAÍ

 A Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí, comemorando o seu quarto aniversário, irá inaugurar no dia 14 de outubro o seu 3º Salão de Arte Contemporânea, que aceitará trabalhos de artistas de todo o país no período de 23 de setembro a 7 de outubro, podendo as inscrições serem feitas no Centro Cultural Bandeirantes, à Rua dos bandeirantes, 103, Jundiaí, das 13 ás 18 horas.
Para efetuar as inscrições, os artistas devem preencher uma ficha á disposição no Centro Cultural Bandeirantes e pagar a importância de 100 cruzeiros para cada categoria de obras (pintura, desenho, gravura, escultura, fotografia),podendo inscrever em cada uma delas até o total de três.
As obras serão selecionadas e julgadas por uma comissão formada por três críticos, e aquela que for considerada a melhor do certame será adquirida, assim como a melhor de expositor jundiaense. O patrocínio do III Salão de Arte Contemporânea da AAPJ é da Secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Turismo de Jundiaí, que se encarregará da premiação oficial, sendo que poderão ser ofertados outros prêmios de Aquisição não oficiais. A mostra ficará aberta à visitação pública no Centro Cultural Bandeirantes até o dia 28 de outubro, e os prêmios serão entregues na abertura do Salão.

MERECE APLAUSOS E RESERVAS


Cena do curta Um Filme Como os Outros,
de Luís Renato Martins
Realmente merece aplausos o esforço individual de Guido Araújo em realizar no peito e na raça a
VII Jornada Brasileira de Curta Metragem, que com a ausência irreparável de Paulo Emílio de Salles Gomes, recentemente falecido.
Assim de 8 a 15 de setembro tivemos reunidos no Instituto Goethe de Salvador, cineastas e aprendizes de cinema de vários estados brasileiros e foram exibidos filmes e feitos muitos debates. O que não entendi foi a inclusão de alguns filmes de péssima qualidade e que chega a constituir uma mancha na promoção. Estive na  Jornada por umas três vezes e assisti a muitos filmes fiquei surpreso com a má qualidade de muitos e também com a falta de nível dos debates. Lá compareceram figuras folclóricas e já manjadas de promoções semelhantes, falando uma porção de asneiras, contribuindo apenas para denegrir os debates. Por outro lado, muitos dos participantes não sabiam nem ao menos explicar porque tinham escolhido o Cinema Como Forma de Expressar suas ideias. Tive conhecimento também que um deles chegou a ficar despido diante das críticas em sinal de protesto. Este detalhe demonstra exatamente o desespero de alguns .
Me chamou a atenção os filmes Arrastão de Beira de Praia, de Alex Mariano Franco e Egotismo, de Martins Muniz, de Belém do Pará. Ora, esses dois filmes são exemplos da coisa mal feita, da falta de técnica e de conhecimento de cinema. Enfim, esses diretores têm conhecimento apenas de coisas ruins.
Rolos e rolos de filmes estragados, jogados fora, enquanto outros cineastas de talento não dispõem de dinheiro para executar suas idéias. O filme do pessoal do Pará funcionou ao contrário. O seu idealizador pretendia jogar cenas dramáticas e conseguiu que os assistentes rissem em plena projeção e no momento crucial. Leia-se momento que ele desejou maior dramaticidade justamente quando o personagem principal enfia uma faca na barriga. Cenas insólitas, grotescas, mal interpretadas.
O outro Arrastão de Beira de Praia, do pessoal do Rio de Janeiro mostrou algumas cenas de pescadores na praia puxando a rede. Verdadeiro cartão postal, cenas repetidas e ainda por cima foi prejudicado pelo sistema de som do Icba que está merecendo um reparo imediato. Não sou crítico de cinema, mas como jornalista e homem ligado á Comunicação de modo geral fiquei desapontado. Acho que deve ser feita uma pré- seleção e isto não é castração. Acho que devem haver critérios para não prejudicar o bom nome da Jornada. E como sugestão, acredito que os filmes não aceitos poderiam ser exibidos e discutidos em sessões paralelas. Nunca integrar a mostra principal porque dentro de pouco tempo vai prejudicar a promoção. Esta observação que faço é apenas no sentido de colaborar, de chamar a atenção dos organizadores , porque no momento em que você deixa um filme de qualidade zero ser exibido e constar do catálogo vai servir de ponto no currículum do tal cineasta, que continuará a fazer porcarias. Além de promover acho que a Jornada tem o papel de educar, informar e separar o joio do trigo. Esta posição para exibir tudo é simpática, mas prejudicial.