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sábado, 2 de maio de 2026

DAVI BERNARDO UNE LINGUAGEM ESCRITA COM A VISUAL

O artista Davi Bernardo trabalhando
em nova obra no seu ateliê.

O artista plástico Davi Bernardo Artista plástico, escritor, Mestre em Artes Visuais participou de quatro edições da Bienal do Recôncavo – de 1998 a 2004. Foi premiado no Salão de Arte Contemporânea do Consulado da Holanda em 2003. É um leitor compulsivo que encontrou uma forma de se expressar entrelaçando a linguagem escrita com a visual. “Sempre li muito e a palavra entra com naturalidade e frequência em meus trabalhos plásticos às vezes com textos escritos por mim ou de outros autores”, afirmou o artista durante nossa conversa. Tudo isto acontece porque gosta de experimentar criando formas de se expressar utilizando os mais diversos materiais e objetos que lhes chegam às mãos. Algumas vezes parte para o mundo mágico da invenção e surgem até palavras que ainda não estão no dicionário oficial e que talvez nunca estarão. É graduado em Artes Plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e  concluiu seu curso em etapas . Decidiu estudar para concurso, sendo aprovado e começou trabalhar como funcionário público. Porém, desde a infância que a arte exerce um certo fascínio em sua vida, desenhava e pintava copiando figuras de revistas. Disse que ficava esperando a Revista Manchete sair, porque teve um período que publicava semanalmente uma reportagem sobre os grandes nomes da arte universal e também de artistas brasileiros. O dono da revista Adolpho Bloch morava no Rio de Janeiro era um colecionador e incentivador   importante das artes na sua época.

Obra s/ título , acrílica sobre tela,
de 1994.


Já no ano de 2002 iniciou uma série de trabalhos que denominou de Pinturas Maximalistas, embora nem todos os apresentados eram propriamente pinturas. O artista Davi Bernardo expôs suas pinturas e também objetos pessoais que ele se apropriou como roupas e cartas, dentre outros e construiu seu discurso criativo somando o elemento gráfico, ou seja, inserindo a linguagem visual ao lado de textos tratando de suas opiniões sobre o processo criativo contemporâneo. Tinha ali uma conexão biográfica com o artista como estivesse apresentando um diário particular. Esses princípios os acompanham até hoje unindo as linguagens verbal e visual, tornando-se única.” Para acentuar o caráter inusitado e abstrato, os textos / imagens, às vezes, são escritos / desenhados de cabeça para baixo ou na lateral”. O artista brinca com as linguagens como num jogo de armar. 
Divide seu ateliê com seu amigo artista e também colega de trabalho Josemar Antonio este em Dreams Work / Work Dreams revelou utilizar uma técnica de sobreposição, saturação e distorção das imagens, que são capturas no dia a dia das pessoas à beira das estradas brasileiras.

Contato com a Literatura

Seu nome de batismo é Davi Bernardo Ribeiro Machado e nasceu em vinte de agosto de 1962 no Hospital Santa Izabel no final de linha do bairro de Nazaré em Salvador. A família morava no bairro do Barbalho e ele é o quarto de cinco filhos. Seu pai o Jornalista e professor de Filosofia e Ética da Universidade Católica de Salvador, Germano Dias Machado dirigiu durante muitos anos o Jornal A Semana, na Arquidiocese de Salvador, que funcionava na Praça da Sé. O Davi Bernardo gosta de escrever e já publicou um livro de contos intitulado "Depois Terei de Falar

Esta obra de Davi Bernardo leva o
espectador a imaginar os rostos  da figuras.


em Voz Alta", e também ilustrou o livro de seu irmão Paulo Emanuel Machado que tem o título "Você Não Pode ser o Oceano". 
Seu pai além de professor tinha um grupo de pessoas que escrevia poesias, contos e romances e ele cuidava desta parte de edição. Portanto, o Davi Bernardo nasceu e cresceu no mundo da Literatura. Sua mãe d. Miriam Ribeiro Machado era professora de Geografia na Escola Técnica Federal e no Colégio Estadual Duque de Caxias. Davi e seus irmãos cresceram neste ambiente onde a leitura era uma presença obrigatória. Disse que se transformou num leitor compulsivo e isto o tem ajudado e muito em suas incursões pelo mundo das artes visuais.

Fez o curso primário na Escola Getúlio Vargas, que pertencia ao complexo educacional do ICEIA - Instituto Central Estadual Isaias Alves, no bairro do Barbalho,  e em 1973 parte do ginásio no Colégio de Aplicação da UCSAL, que funcionava no Convento da Palma, Largo da Palma, ambos em Salvador. Lembrou quando estudava lá com seus 

Arara de alumínio, roupas, tinta p/
tecido e cabides. As peças estão 
endurecidas com cola branca .
Na exposição os visitantes
 podiam manusear.
.
irmãos foram feitas as filmagens de Dona Flor e Seus Dois Maridos, na casa de número 12, e que eles subiam as escadas da torre da capela e ficavam vendo os atores e técnicos naquele movimento das filmagens. Ficou um ano tomando uma banca da professora Claudemira, (não se recorda o sobrenome da mestra) que era muito conceituada, no bairro da Saúde, se preparando para ir para a Escola Técnica Federal onde fez o ano básico e depois o primeiro ano de Edificações. Foi transferiu para o Colégio Duque de Caxias, no bairro da Liberdade, onde sua mãe era professora de Geografia e foi ser aluno dela. Contou que é muito complicado ser aluno da mãe porque tem que ser o mais bem comportado, o melhor aluno. E pior que os colegas ficam fazendo bullying dizendo que era protegido e que passava porque a professora era sua mãe. Teve uma hepatite forte e foi obrigado a parar por uns tempos e logo depois  fez vestibular para Arquitetura, mas  não foi aprovado. Então resolveu em 1981 fazer para Administração, na UCSAL ,foi aprovado, e se graduou em 1985. 

Porém, a arte lhe acompanhava desde os anos 70 e lembrou que em 1975 a Revista Manchete publicou uma reportagem sobre Paul Cézanne. O artista  nasceu em Aix-en-ProvenceProvença, e morreu 19 de janeiro de 1839 em sua cidade natal em 22 de outubro de 1906. Foi um pintor pós-impressionista francês, “cujo trabalho forneceu as bases da transição das concepções do fazer artístico do século XIX para a arte radicalmente inovadora do século XX”. Ficou encantado com a vida do artista francês e com suas paisagens quase abstratas e decidiu que iria fazer vestibular para a Escola de Belas Artes. Prestou o vestibular e  foi aprovado e neste momento não cursou. Formado em Administração começou a procurar emprego e não encontrava ocasião em que seu pai Germano Machado sugeriu que procurasse emprego no campo das artes gráficas. Conseguiu o emprego desejado e trabalhou no bairro de Pernambués num escritório de publicidade que ficava junto a uma gráfica . O escritório pertencia a dois jovens que na época trabalhavam no jornal da Tribuna da Bahia. Lembrou que  um deles era o Jorge Pugas, da J & A Produções Gráficas , o outro chamava-se Marcos, mas não conseguiu lembrar do sobrenome. Eles arranjavam os serviços e Davi Bernardo fazia a arte final para publicação. Enquanto isto estudava para concurso até que foi aprovado para a Receita Federal e continua até hoje. Retornou à Escola de Belas Artes  concluiu a graduação e fez a partir 

Durante suas viagens costuma
levar um caderno p/ desenhar.
.
de 2011 o Mestrado sendo orientadora a professora e artista Sônia Rangel com a tese Narrativas do Cotidiano - Numa Poética da Palavra - Imagem Objeto. Sendo um leitor compulsivo desde criança  lia as Enciclopédia Ilustrada e a palavra sempre entrou em seus trabalhos visuais. Primeiro os rabiscos como elemento visual e imaginava que era um texto, mas não era. Posteriormente vieram os textos de escritores e poetas consagrados como Fernando Pessoa e mesmo de sua autoria. Portanto, tinha aquela preocupação constante da palavra e da imagem. 
Declarou que sempre teve uma certa dificuldade em se manter num estilo determinado. Tem artista que passa o tempo inteiro com mesmo estilo. Lembrou de Piet Mondrian (1872-1944) artista holandês que surgiu no movimento modernista europeu no início do século XX. Ele procurava refletir sobre as leis matemáticas e abraçou a corrente de arte neoplasticismo e se destacou também nas artes gráficas e na arquitetura. Ele também limitou seu vocabulário formal às três cores primárias o vermelho, azul e amarelo, aos três valores primários preto, branco e cinza, e às duas direções primárias a horizontal e vertical, e pintava com variações dessas cores e a posição dos elementos geométricos.

"Estimulando Sentimentos
Amistosos", serigrafia  sobre
a página de  livro antigo, 2020
.
 Também Alfredo Volpi que  nasceu em Lucca, na Itália, em 14 de abril de 1896 e faleceu em São Paulo no dia 28 de maio de 1988.Foi um pintor ítalo-brasileiro considerado pela crítica como um dos artistas mais importantes modernos com o legado consagrado e complexo, começou sua carreira pintando paisagens, marinhas e personagens e depois se fixou nas bandeirolas. O Volpi ficou famoso conservando a estrutura das bandeirinhas e mudando as cores. 
Já o Davi Bernardo, guardando as proporções, é claro, se vê como um experimentador gosta de aprender com os materiais usando várias técnicas. Quando conhece um material tipo barro para cerâmica fica fascinado para fazer trabalhos relacionados, depois vira para a gravura, volta para a cerâmica. 
Confessou que tinha uma angústia para ter um estilo próprio até quando a artista e professora Sônia Rangel sua orientadora no Mestrado disse que ele “tinha princípios que lhes norteiam”. Um desses princípios é o hibridismo, ou seja, de misturar técnicas diferentes. Assim a professora o tranquilizou, passou a misturar estilos, imagens e usar materiais diversos num mesmo trabalho. Continuou colocando uma pintura ao lado uma fotografia, etc. 
Fez algumas instalações, que entende como " um trabalho complexo, e disse que   que tudo que produz tem uma relação com a Literatura. A imagem nasce de um texto, e citou o escritor italiano Ítalo Calvino. Os pais de Ítalo Calvino foram Mario Calvino e Eva Mameli Calvino, ambos cientistas italianos. Eles estavam temporariamente em Cuba, onde Calvino nasceu em 1923, antes de retornarem à Itália pouco tempo depois.  Veio a  falecer na Itália aos sessenta e um anos de idade em 1985. Durante sua existência foi jornalista e escritor, autor de vários livros. Ítalo Calvino “abordou a imagem como um elemento central para a construção da narrativa, a imaginação e a percepção do mundo. Explorou o visual tanto na literatura quanto na fotografia e cinema, destacando a imagem como um início poético, um mapa conceitual e um meio de tornar visível o invisível, buscando o equilíbrio entre a leveza da descrição e a profundidade filosófica.” Wikipedia. 

Obra inspirada na frase de Henry Matisse sobre
como queria que sua arte fosse vista.
Disse que geralmente suas ideias para as artes visuais nascem de um texto porque sua cabeça parece situar-se na Literatura. Fez uma exposição em 2011, na Galeria Cañizares, na EBA, que chamou de blz _ etc. a exemplo de jogos dos Sete Erros sendo cada palavra iniciava com uma letra do alfabeto na ordem de A a Z.  Começando as palavras com as vinte a seis letras do alfabeto. Estão aí inclusas entre as palavras estranhas sete inventadas, inexistentes no dicionário oficial. Como são todas difíceis, muita gente não sabia o significado e consultava o dicionário. Ainda tinha umas pegadinhas da palavra parecer significar uma coisa e na realidade era outra. Só que algumas delas não estão e talvez nunca estarão no dicionário oficial. Geralmente tudo surge de um texto que estou lendo, de uma provocação. 

Também realizou  uma exposição em 2015 com mais três pessoas através um projeto do Banco Capital no EBEC. Na época estava lendo uma biografia de Henry Matisse chamado Notas de Um Pintor, de 1908, lembrou de uma frase que ficou em sua cabeça: Eu sonho com uma arte de equilíbrio, de pureza e de serenidade, sem temas inquietantes ou deprimentes, uma arte que possa ser, para qualquer trabalhador cerebral, seja ele um homem de negócios ou um homem de letras, algo como uma poltrona reconfortante onde ele possa relaxar do seu cansaço físico". Então Davi Bernardo criou uma série de obras inspirada nesta frase. Pintou poltronas, cadeiras e dividiu os quadros em dois, e também colocou textos invertidos e de lado  para provocar as pessoas a olhar com mais cuidado.

Detalhe do políptico da Alegria de
Viver,resina poliester,papel e nanquim,
 de 2016 da série  Pinturas Maximalistas.
Depois enviou um projeto para a Caixa Cultural em 2016 “ eu me jogo, não fico esperando”. O edital estava escrito que se aprovado tinha que ter uma curadora e  produtora. Escolhi Matilde Matos e sua filha Claudine Toulier e dei o nome de Pinturas Maximalistas. Aí começou a trabalhar com resina colocando em camisetas. Fazia os desenhos e as pinturas nas camisetas que conseguia com parentes e amigos. Depois de desenhar e pintar jogava a resina e ficava num cabide. A resina cria  volume e conseguiu comercializar algumas delas. Colocou também uma arara e pendurou várias camisetas, essas com uma cola para engomar e ficar durinhas. As pessoas manuseavam durante a exposição.

Falou da criação de uma instalação. Acha que “a imagem nasce de um texto e este sempre é o meu caminho.”  Foi assim que em 2019 assumiu seu lado de escritor e lançou um livro de contos com o título “Depois Terei de Falar em Voz Alta”, onde revisita as vivências entre os séculos  XX e XXI falando de dores, incertezas, preconceitos e soluções. Aqui ao contrário ele constrói imagens com seus textos bem elaborados ,uma nova forma de desenhar com a escrita. Os contos em número de doze todos tem nomes de mulheres Ana Teresa, Aparecida, Aurélia, Madame Carlota, Carolina, Conça e Mariinha, Dani, Leô, Lourdes, Maria, Mariah e Roberta. Continua escrevendo e publicando em revistas online como a Subtexto e a Quarup.

EXPOSIÇÕES

Exposição Colcha de Retalhos no
MAC com Josemar Antonio.
Realizou em 2006 a exposição individual Pinturas Maximalistas&quot, na Caixa Cultural, Salvador-Ba onde pesquisou os limites entre pintura e objeto. Em 2008 participou da coletiva, Experimento 01 - Subsolo, no MAM-BA. Foi selecionado para os Salões Regionais de Valença (2009) Feira de Santana e Jequié (2010) e Alagoinhas (2011). Em 2010 iniciou Mestrado em Artes Visuais na EBA/UFBA, sob orientação da professora Sonia Rangel, que redundou na exposição individual , blz_etc, em 2011. Com os artistas Tanile Maria e Josemar Antônio formou o grupo Úbere, de estudos, discussões e experimentações em arte contemporânea.

EXPOSIÇÕES - Individuais - Em 2011 - “blz_etc”, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2006​ - “Pinturas Maximalistas”, Centro Cultural da Caixa Econômica, Salvador-BA.

Coletivas - Em 2016 - Máximo Divisor Comum, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2014 -  Para Levar a Algum Lugar, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2013 -  Dizer, Diga, com a artista Tanile Maria, Galeria ACBEU, Salvador-BA;  Circuito das Artes, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2012-  Circuito das Artes , Museu Carlos Costa Pinto, Salvador-BA; “Atelier Coletivo VISIO”, na Sala de Arte Cinema da Universidade Federal da Bahia. 2011 - Salão de Artes Visuais da Bahia  Centro Cultural de Alagoinhas, Alagoinhas-BA; Projeto Coletivo “Entre Folhas”, concepção e coordenação geral de Viga Gordilho,

Davi Bernardo gosta de dividir o suporte de
tela, madeira ou papel em espaços onde 
exerce  a sua criatividade.

projeto expográfico de Eriel Araujo e curadoria de Ayrson Heráclito, Galeria Cañizares. 2010 - Projeto Coletivo “Entre Folhas”, concepção e coordenação geral de Viga Gordilho, projeto expográfico de Eriel Araujo e curadoria de Ayrson Heráclito, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA. Projeto Acción Arte Itinerante LatinoAmérico; Espaço de Arte, No Lugar, Quito-Equador, Centro Arte y Culturas Bolivianas, La Paz-Bolívia, La Casita Colectiva, Mendoza-Argentina, La Fábrica, Córdoba-Argentina e Café, Cultura e Artes, Salvador-BA. “Panorama 2010”, com o grupo Úbere, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA. “Desloque-se”, com o grupo Úbere, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA; Salão de Artes Visuais da Bahia - 2010, Feira de Santana e Jequié-BA. 2009 - “Panorama 2009”, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA, Salão de Artes Visuais da Bahia - 2009, Centro Cultural de Valença, Valença-BA . 2008 - “GRAVURA: Influências na Nova Geração”, Goethe Institut – ICBA, Salvador-BA. “Colcha de Retalhos e Outras Lembranças”, com Josemar Antonio, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA. “Experimento_01 – Subsolo”, MAM, Salvador-BA.  2007 ​- “Novas expressões da gravura”, Goethe Institut – ICBA, Salvador/BA. 2005 -  Salão de Artes Visuais da Bahia , Feira de Santana-BA.  Salão de Artes Visuais da Bahia - 2005, Porto Seguro-BA. 2004 - VII Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA. 2002 -  VI Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA.

Natureza morta feita de
 bordado. Davi é um
experimentador de 
várias  técnicas e estilos.
​                    Prêmios

“A Holanda no Olhar do Artista Brasileiro”, Consulado da Holanda – Salvador-BA - Dez / 2003, terceiro colocado. “Projeto de Cultura e Arte do Banco Capital 2005”, Galeria do EBEC – Salvador-BA - Out/2005, Artista Revelação. “Salão de Artes Visuais da Escola de Administração do Exército 2005”, Escola de Administração do Exército – Salvador-BA – nov./2005, terceiro colocado. Edital “Prêmio Matilde Matos” - FUNCEB - Edital de Apoio a Montagem de Exposição no Estado da Bahia – 2007, MAC – Feira de Santana -BA - abr./2008.

APRECIAÇÃO

Texto para a exposição individual “blz_etc”, Galeria Cañizares, Salvador-BA, em 2011. “" num jeito enciclopédico de colecionar, Davi Bernardo recolhe seus objetos e produz seus próprios textos num devir de acasos e recordações, para que o mundo continue a existir, agora obra de arte sua, reinventado mundo desfolhado em suas mil páginas de intimidade e estranhamento, como se reencenasse um prazer de infância de enciclopédias e livros de arte adivinhados mais que lidos na biblioteca dos pais.

Obra de uma camiseta usada de
suporte de texto e imagem
.
Seu dicionário faz duvidar dos dicionários, seu texto-imagem brinca tanto com a fixação das palavras quanto com a flutuação da experiência do mundo. Meio às cegas, apalpamos com os olhos sua escrita-imagem, às vezes a metal, às vezes a tinta, às vezes a fogo - foi feita para durar - por certo estas matérias durarão mais que nós. Sensação contrária, também persistente é essa instabilidade, lugar onde o artista nos coloca, pois qualquer que seja a sua escolha: cadeira, porta, chaveiro, moldura, gaveta, parede, canto de sala, fotografia, como espaço suporte da obra ou superfície em forma ambígua, o que ecoa é esse jogo de narrativas superpostas em texto-imagem que se conta em nós na busca de decifrar o que quer nos contar. Grande parte da leitura da obra são lacunas. Em fragmentos, vazios, faltas, nos surpreendemos a investigar a ressonância de nossas próprias memórias, reconhecidas e estranhadas em objetos familiares ou palavras inventadas, por isso esse provocativo distúrbio entre ver e ler aqui persiste como qualidade essencial da obra. &quot .” Sonia Rangel -Artista Visual e Cênica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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