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quarta-feira, 2 de agosto de 2023

ROGÉRIA MATTOS A SAGA DE UMA ARTISTA GUERREIRA

Foto 1 - Rogéria Mattos pintando em seu ateliê em São
Paulo, 2023 .Fotos 2  e 3  em dois momentos quando
tudo parecia uma explosão de cores e criatividade.
Foi através de uma entrevista por telefone e lendo alguns textos que já escrevi sobre ela na coluna que semanalmente publicava no jornal A Tarde, de Salvador, que fui rever a trajetória desta artista que decidiu ficar em São Paulo e enfrentar as dificuldades que se apresentaram e ainda estão presentes no seu dia a dia. Não é fácil viver de arte, especialmente quando você está começando, ainda mais numa megalópole como a capital paulista onde o mercado é amplo, mas disputadíssimo. Foi assim que Rogéria Teixeira Mattos, ou simplesmente Rogéria Mattos natural de Salvador, da Cidade Baixa, teve que seguir o seu caminho com sua  filha fruto do casamento com o artista Leonel Mattos.  É uma artista de talento reconhecido em vários salões onde foi premiada e trabalha tanto com pintura e a escultura. Lembrei de uma frase do saudoso Wilson Rocha que diz: "Rogéria concentra-se na essência da própria escultura - essa dinâmica da matéria e da forma, esse ritmo entre volume e espaço aliados ao caráter intuitivo necessário na obra de arte - onde a artista estabelece o diálogo entre a pedra e a linguagem antiga da escultura." Acrescento que ela tem uma força expressiva muito forte especialmente  na sua pintura onde se revela nos espaços das telas. Tenho uma pintura em tons vermelhos onde a gente sente esta vibração positiva e a presença do seu talento expresso em elementos que compõem esta obra. É como uma música de Beethoven onde os tons e a sonoridade vão se revelando a cada frase musical. É só vibração e harmonia! É a exaltação da pintura pela pintura no mundo das cores.

Desenho integrante do seu trabalho de
graduação pela Faculdade Paulista de Artes.
Influenciada pelo acolhimento que São Paulo se notabilizou por ser uma das cidades onde residem mais nordestinos fora do Nordeste, Rogéria Mattos escolheu para seu trabalho de conclusão do curso de graduação em Artes Plásticas pela Faculdade Paulista de Artes, realizar uma instalação que denominou de Memória - Chão de São Paulo. Ela apresentou fragmentos urbanos em preto e branco porque “eles expressam a vivência na metrópole. Tem forte influência da fenomenologia de Merleau-Ponty, cuja tarefa é revelar o mistério do mundo e o mistério da razão."  Escreveu o professor Walter Benjamim em uma de suas teses “Sobre o Conceito de História" que " as cidades são protagonistas de histórias, tecem o enredo das recordações, e esta memória topográfica articula aquelas recordações que vêm do coração a espaços vividos, carregando-os de sentido simbólico. Torna os lugares testemunhas da história".
Ela explodiu no mercado de arte sendo premiada e aceita em vários salões e foi festejada com alegria por sua pintura cheia de cores e energia. Mas, dois fatos externos modelaram esta explosão que foi a separação e a necessidade de buscar um caminho para sobreviver . Um fardo muito pesado para uma jovem artista que tinha apenas quatro anos produzindo sua arte em São Paulo. Com isto teve que interromper aquela explosão inicial para enfrentar um problema de saúde decorrente desses fatores. Hoje, totalmente restabelecida acreditamos que está retomando com força a sua caminhada interrompida.

                                                          EVOLUÇÃO

Obras que atestam a qualidade
e a força de sua pintura .
.
Nos anos 70 chegou a tentar ser atriz de teatro, produzia cenários teatrais e iniciou a criação de esculturas de argila. Porém, no início dos anos 80 começou a pintar com acrílica sobre tela e como toda autodidata desenvolvia sua criação intuitivamente e "essencialmente trabalhava cor sobre cor", revela Rogéria Mattos em seu TCC de graduação.  Sua temática estava focada na fauna e flora da floresta amazônica onde surgiram séries de jacarés, tatus, pássaros, a exuberante vitória régia, e as lembranças de sua infância em Salvador. "No começo não pintava sobre a tela branca. A base inicial da obra sempre era o preto. Por falta de habilidade com o desenho, utilizava imagens de revistas, livros e coleções infantis como referência. Trocava o lápis pelos pincéis para desenhar diretamente sobre a tela. A modelagem em barro era a base para os estudos preparatórios para as esculturas", afirma.

"Deleite das Cores".
1988, em acrílica .
Ainda dando seus primeiros passos na pintura seu talento já foi reconhecido com prêmios em salões de arte. Arrebatou o Prêmio Destaque para Aquisição no XVIII Salão Nacional de Belo Horizonte, em 1986; o prêmio Especial Medalha Pietro Maria Bardi no II Salão Pirelli de Pintura Jovem, no Masp, em 1985, sendo posteriormente convidada para participar do VII Salão Paulista de Arte Contemporânea Especial. Ai ganhou alguma visibilidade e foi convidada para fazer sua primeira exposição individual na Galeria Documenta, em 1994, em São Paulo e Curitiba, com a curadoria do crítico Olívio Tavares de Araújo. Depois veio a necessidade de sobrevivência com a separação e abraçou a arte-educação a partir dos anos 90, quando sentiu que deveria cursar uma faculdade de artes. Enquanto isto no seu ateliê continuava com seus desenhos, pinturas, modelando suas esculturas e fotografando. Reconhece que sua obra sofreu uma grande transformação depois que foi aprovada e passou a cursar a Faculdade Paulista de Artes "Minha obra transformou-se durante o tempo que passei na faculdade. Não me contentava mais com o fazer por fazer. Por isso adotei a pesquisa prévia em busca de conceitos, ideias e referências. Esta mudança de comportamento aconteceu com o convívio acadêmico. Durante esses períodos, os professores chamavam minha atenção para a busca desse olhar transformador, que refletia a minha memória".

                                                                         QUEM É 

Rogéria Mattos contente com o
 sucesso do seu trabalho artístico.
A artista Rogéria Teixeira Mattos nasceu em Salvador, no Hospital Português, no bairro da Barra Avenida, em Salvador, em 18 de abril de 1956. Passou sua infância nos bairros do Caminho de Areia e Jardim Cruzeiro, na Cidade Baixa, em Salvador, principalmente na casa de sua avó. As lembranças que ficaram são de suas idas à praia do Cantagalo para ver os barcos saindo e chegando e os banhos de mar. Estudou no Colégio Circulista, que era administrado pelo pessoal das obras da então irmã Dulce, hoje Santa Dulce, e se mostra emocionada quando lembra de seu rápido encontro com a freirinha frágil que se tornou santa. Disse que filava muita aula. Depois estudou no Ginásio Dom Bosco e no Educandário Duarte da Costa onde fez o curso chamado de colegial ou secundário. 

A pintura em toda sua expressão.
Casou-se e teve uma filha e foram residir em São Paulo onde sua arte floresceu. Depois veio a separação, que para ela foi traumática, e passou a viver de sua arte produzindo e ministrando cursos de Arte Educação. Dedicou-se a ensinar e assim se passaram 35 anos na ong Instituto Criança Cidadã e em outras instituições até se aposentar.  Entrou para o instituto quando já cursava a Faculdade Paulista de Artes e precisou de um estágio didático e por lá permaneceu esses anos. Disse que fazia muitas palestras, dava oficinas de arte nos Sescs dos bairros de Pompéia, Pinheiros, Belenzinho, dentre outros. Sempre trabalhando com crianças tentando incentivá-las a gostar da arte. Enquanto isto cuidava da filha que hoje é uma pequena empreendedora em São Paulo. Ela afirma que diminuiu sua produção, e que trabalhou muito tempo com exclusividade para a Galeria Documenta, que era uma das mais importantes da capital paulista. "Fiquei muito voltada para ajudar a filha e os netos ". A galeria deixou de funcionar, por algum tempo. Atualmente está funcionando. Nesta época alguns colecionadores continuaram comprando minhas obras e fui trabalhar monitorando exposições, bienais e fazendo alguns trabalhos como capas de livros etc. Tem uma boa quantidade de obras de pinturas. Quanto as esculturas nos anos 80 e 90 fazia as peças em argila e levava para uma pedreira nos arredores de São Paulo e lá eram esculpidas em pedra sob sua orientação obedecendo ao modelo original. Eram formas femininas que mostravam sensualidade.

Rogéria no Instituto da Criança Cidadã 
ensinando a pintar.
Fez vários cursos de especialização procurando aprimorar suas habilidades como artista e educadora de arte-educação entre eles : 1999 - Quarta Ciranda da Recreação, no Sesc Pompéia, em São Paulo; 1998 - Curso de Reciclagem na área das Artes Plásticas, no Sesc Pompeia, São Paulo; 1994 - Curso de Capacitação Básica para Arte Educadores -SCFBES, São Paulo; 1988 - Festival de Artes de Belo Horizonte, Curso de Pintura ; 1987 - Festival de Artes de Belo Horizonte,  curso de Circo e Pintura; 1986 - Festival de Artes de Belo Horizonte,   Oficina de Pintura e Objeto; 1985 - Curso de Especialização em Cerâmica na FAAP, São Paulo; 1985 - I Congresso Nacional de Técnica para a Arte Cerâmica , Embu, São Paulo; 1983 - Oficina de  Arte em Série no Museu de Arte Moderna da Bahia, curso de Cerâmica e Serigrafia; 1980 - Curso de Artes Cênicas, no Teatro Gamboa, Salvador, Bahia. 

                                         EXPOSIÇÕES E PRÊMIOS

Capa do Catálogo da sua primeira
 individual na Galeria Documenta,
em São Paulo e Curitiba , 1985.
Ela recebeu seis  premiações  em 1990, o Prêmio de Aquisição do VI Salão Brasileiro de Arte Fundação Mokiti Okada; 1989 - VII Salão Paulista de Arte Contemporânea - Salão Especial, convidada; 1988 - Prêmio Secretaria de Educação e Cultura - VI Salão Paulista de Arte Contemporânea; 1987 - Prêmio de Aquisição no XIX Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte, Minas Gerais; 1986- Prêmio Menção Honrosa  - I Bienal ArteOeste em Presidente Prudente, em São Paulo; 1985 - Prêmio Especial com  Medalha Pietro Maria Bardi com aquisição e II Prêmio de Pintura Jovem Pirelli - MASP, em São Paulo.

Fez três exposições individuais na Galeria Documenta, em São Paulo, sendo duas na capital paulista e uma em Curitiba, no Paraná todas na Galeria Documenta. Tinha vínculo de exclusividade a primeira mostra aconteceu em 1985 chamada Buscas e Entusiasmos, e em 1990 fez outras duas, com a curadoria do crítico Olívio Tavares de Araújo.  Participou ainda de vários salões e

Ilustração de sua autoria da
capa deste livro de poesias.
coletivas. Vejamos: 1983 - Exposição Coletiva no Museu de Arte Moderna da Bahia; 1984 - Exposição Coletiva no Museu de Arte Moderna da Bahia ; 1984 - Exposição no Foyer do Teatro Castro Alves, em Salvador, Bahia; 1985 - VII Salão de Artes Plásticas de Presidente Prudente , em São Paulo; I Salão de Arte Contemporânea de Americana, São Paulo; 1985 -II Salão Pirelli Pintura Jovem, MASP, São Paulo; 1986 - IX Salão Funarte Sudeste de Belo Horizonte, Minas Gerais; 1986 - XXXIX Salão de Arte de Pernambuco, Recife, Pernambuco; 1986 - XXVII Salão Paranaense , em Curitiba, Paraná; 1986- Exposição coletiva da Galeria Tema Arte Contemporânea quando expôs esculturas, São Paulo; 1987 - III Salão de Arte de Curitiba, Paraná; 1987 -  Salão de Arte Contemporânea Paulista, São Paulo; 1988- VI Salão de Arte Contemporânea Paulista, São Paulo; I Salão Baiano de Arte, em Salvador, Bahia; 1988 - Exposição de Pintura na Chroma Galeria de Arte, em São Paulo; 1988 -Exposição 10 Artistas Funarte, São Paulo; 1989 - VII Salão Paulista de Arte Contemporânea Especial, São Paulo; 1990 - Exposição dos artistas Rogéria Mattos, Sérgio Guerini e Elizabeth Cortella no Museu de Arte do Paraná, em Curitiba;1991 - Exposição Coletiva no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; 1991 - Exposição Coletiva do Projeto Galaxy de Cultura, no MASP, São Paulo; 1993 - Exposição Luso Nipo-Brasileira no Museu de Arte Brasileira, em São Paulo, em comemoração dos 450 anos da chegada dos portugueses ao Japão; 1993 - Exposição na Galeria Documenta , Brasil Pequenos Formatos Poucas Palavras, em São Paulo;1993 - XVIII Salão de Arte de Ribeiro Preto, São Paulo; 1993 - Exposição Portugal- Japão - Mares Navegados, São Paulo ;1998 -Artista Convidada para a Exposição Uma Janela Para o Futuro do Bank of Boston, no Masp, São Paulo;1998 - V Salão de Arte Moderna da Bahia, Salvador; 1999 - V Salão UNAMA de Pequenos Formatos, São Paulo.

                                                  REFERÊNCIAS

Obra icônica "O bicho e a Selva", 
em acrílica sobre tela ,de 1985.
Escolhi dois textos emblemáticos na carreira de Rogéria Mattos. O primeiro do curador de Olívio Tavares de Araújo da exposições que fez na Galeria Documenta, de São Paulo e Curitiba, e de Wilson Rocha para a exposição de esculturas na Galeria Crhoma, também em São Paulo. Vejamos. O título do texto de Olívio "A pintura, em lua-de-mel consigo mesma" diz: "Definitivamente, a ideia de artistas brotando e criando espontaneamente como uma força natural não está na moda. Está na moda assegurar que o artista é, antes de tudo, um ser pensante, mentalmente bem articulado, que desenvolve quase a frio seu projeto, às vezes com rigor de um filósofo. Não pretendo negar que há artistas assim, e sobretudo, não negaria que todo artista é , evidentemente, um ser pensante. Mas tampouco se pode radicalizar a questão. Os mecanismos mentais do artista são muito específicos, e - para usar uma dicotomia criada pelo esteta francês Pius Servien - trabalham com o "polo lírico", das linguagens, que se opõe ao "polo científico". No polo lírico, a intuição fala mais alto que a consciência objetiva.

Instalação de pesquisa 
de cores usando piões .
Por isso, há sempre espaço para o surgimento de artistas que, à primeira vista, parece florescerem quase do nada, assim como parece criarem com afluência de um regato. Mas digo parece porque, no fundo, preparam de alguma forma seu caminho por meios essencialmente intuitivos, sincronísticos, até inconscientes para eles mesmos. Acho que é o caso , por exemplo, de Rogéria Mattos, cuja primeira individual aqui se realiza. A trajetória de Rogéria, nos últimos quatro anos, foi meteórica. Ela começou a pintar sem nenhum projeto definido, apenas para botar certas energias para fora... Coincidindo com uma certa crise pessoal, sua pintura foi um processo nitidamente catártico.

Isso se manifestou de várias formas. No descompromisso de Rogéria com tendências, com estar na moda ou fora dela. Na fabulação onírica dos primeiros trabalhos, que tinham até alguma coisa de pintura "naif". No colorido despudoramente esfuziante, que é um traço que se conserva até hoje. E até na incapacidade da própria Rogéria de avaliar o que fazia. Foi o imediato sucesso exterior que lhe forneceu essa medida. Seus primeiros quadros - literalmente - receberam logo o prêmio mais importante da exposição Pirelli de Jovem Pintura, em 1985. Daí em diante, começou a mandar para salões, foi aceita em todos , e premiada em diversos.

Obra onde ressai a explosão de cores 
sugerindo movimento contínuo.
Mas sucesso nada mudou no comportamento de Rogéria. Ela não se achou dona do espaço, nem de uma fórmula fixa a ser indefinidamente explorada. Atravessou esses quatro  anos procurando, oscilando, um pouco, entre as possibilidades que entrevê , sozinha, para o futuro de sua pintura, e as lições da própria história da pintura. Por exemplo : ao frescor dos primeiros quadros, vem-se substituindo hoje, maior consciência artesanal e intelectual, que investiga o ato de pintar. Rogéria se tornou "erudita". 
O assunto de seus quadros ( apesar das alusões figurativas dos títulos) e, obviamente , a própria pintura. Sem este ângulo, a obra de Rogéria está mais contemporânea. Mas nem por isso perdeu o que lhe confere, a meu ver, seu sabor especial: um impulso vulcânico, numa necessidade incoercível de criar, o recurso à arte - recurso imemorial, vinculado ao mais fundo da psiquê - como um apelo ao diálogo.

É cedo, ainda- pois crítica de arte não é futurologia - para saber exatamente o porvir de Rogéria, a dimensão que ela tende a adquirir como artista. Por ora, reportemo-nos a seu presente. Observemos com interesse e prazer esta explosão que vem de dentro, visceralmente energética, e que, mesmo sem estar na moda, encarna , à sua maneira, a lua-de-mel da arte da pintura consigo mesma, tão perceptível de alguns anos para cá".

Catálogo da exposição de suas
esculturas na Galeria,
Chroma, São Paulo  . 
Já Wilson Rocha escreveu sobre as esculturas de pedra. "O universo da escultura é inesgotável,como os novos níveis de criatividade numa situação inédita de vigor e originalidade que aporta com as novas culturas de juventude, de onde surgem artistas de surpreendente maturidade e energia criadora,  como é o caso da jovem escultora baiana Rogéria Mattos, que traz em seu trabalho a marca profunda de uma aguda sensibilidade voltada para a concepção da escultura enquanto linguagem privilegiada de intervenção espacial. Rogéria concentra-se na essência da própria escultura - essa dinâmica da matéria e da forma, esse ritmo entre volume e espaço aliados ao caráter intuitivo necessário na obra de arte - onde a artista estabelece o diálogo entre a pedra e a linguagem antiga da escultura.

Rogéria aborda a escultura como um clássico dos nosso dias, com uma vontade artística determinada e consciente que dá vida e energia à forma e dinamismo ao espaço, inscrevendo-se o seu trabalho entre os mais importantes que têm sido feitos nos últimos anos no Brasil no domínio da escultura em pedra. O comportamento e o tratamento da matéria sem detrimento dos valores expressivos e sígnicos, o envolvimento, o fascínio, a riqueza e penetrabilidade das superfícies volumétricas, dos flancos graciosos de suas pedras , a textura magníficam a suave frescura de pigmentação dos seus granitos e mármores, no caso, encontraram um artista capaz de lhes dar expressão na sensibilidade e integridade desta vigorosa e apaixonante escultora. O respeito pela pureza dos meios utilizados por artistas como ela não é , evidentemente, uma novidade. Esse respeito surgiu em todos os momentos da modernidade. O respeito pela pureza dos meios e, portanto, acompanhado por uma vontade claramente assumida de apresentar a obra de arte como gênese e não como produto acabado - como abertura e não como fechamento. A eficácia de cada obra advém da sua exemplaridade, não de efeitos rebuscados, nem do que possa ilustrar. A obra é ato de expressão, de conhecimento original e de liberdade de espírito na criação. "....

 EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS – 

Expôs em 1995 - Buscas e Entusiasmos na Galeria DocumentaSP; 1990 - na Galaria Documenta - Curitiba/ SP.

EXPOSIÇÕES COLETIVAS E SALÕES -  1999-V Salão UNAMA Pequenos Formatos; 1998 -V Salão de Arte Moderna da Bahia; Artista Convidada - Uma Janela para o Futuro - Masp / Bank Boston; 1993- Brasil Pequenos Formatos Poucas Palavras Documenta Galeria de Arte XVIII Salão de Arte de Ribeirão Preto; 1991- Mostra Conjunta no Museu de Arte Moderna (Bahia) Mostra Conjunta no MASP Projeto Galaxy Cultura Portugal - Japão Mares Navegados ; 1990 - Mostra Conjunto dos Artistas Plásticos Rogéria Mattos, Sérgio Guerini , Elizabeth Cortella - Museu de Arte do Paraná ; 1989 - VII Salão Paulista de Arte Contemporânea Especial – Artista Convidada - ;  1988 - 10 Artistas Funarte/SP Pintura Autóctone na Chroma Galeria de Arte Artista Convidada - Salão Baiano de Arte;  VI Salão de Arte Contemporânea Paulista; 1987 - I Salão de Arte de Curitiba; V Salão de Arte Contemporânea Paulista; 1986 - IX Salão Nacional Funarte Sudeste de Belo Horizonte; XXXIX Salão de Arte de Pernambuco; XLVIII Salão Paranaense;  XVII Salão Nacional de Belo Horizonte Bienal;  Arte oeste de Presidente Prudente/SP; Escultura Exposição Coletiva Galeria TEMA Arte Contemporânea/SP; Escultura 1985 - VII Salão de Artes Plásticas de Presidente Prudente/SP;  Salão de Arte Contemporânea de Americana/SP;  Salão Pirelli Pintura Jovem - Masp/ SP;  1984- Exposição com Leonel Mattos Foyer do Teatro Castro Alves – Bahia; Exposição Coletiva Museu de Arte Modera da Bahia;  1983 - Exposição Coletiva Museu de Arte Moderna da Bahia.
PREMIAÇÕES - 1990- Prêmio de Aquisição do VI Salão Brasileiro de Arte Fundação Mokiti Okada; 1989 - VII Salão Paulista de Arte Contemporânea - Salão Especial- artista convidada; 1988 - Prêmio S.E. Cultura -VI salão Paulista de Arte Contemporânea ;1987- Prêmio de Aquisição - XIX Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte; 1986 - Menção Honrosa - VI Salão de Presidente Prudente/SP; Menção Honrosa - Bienal "ARTEOESTE" Presidente Prudente ; 1985 - Prêmio Especial com Medalha "Pietro Maria Bardi" com Aquisição II Prêmio de Pintura Jovem Pirelli - Masp/ SP.

 




 

sábado, 29 de julho de 2023

LÍGIA AGUIAR A ARTISTA DE MUITAS EXPERIÊNCIAS

Foto 1. Lígia Aguiar em foto atual. Foto 2. -
Lígia em 2010 quando fez 40 anos de arte.
Foto 3. Lígia nos anos 80.
Estou diante de uma artista multimídia que transita com maestria em diferentes segmentos da arte. Usa várias linguagens para se expressar como a cenografia, o figurino, a fotografia, instalação, vídeo arte, desenho gráfico, pintura e até a escultura. Tem experiência em televisão e em 2007 produziu seu primeiro vídeoarte recebendo o prêmio de Melhor Filme Experimental, no Percepções - Festival de Cinema e Vídeo de Muriaé, Minas Gerais. Enfim, uma artista que tem uma produção de qualidade e profícua e continua criando sem parar. Basta dizer que há oito anos vem fotografando o pôr do sol da janela de seu apartamento para depois escolher e realizar uma exposição dessas fotografias. Seu nome é Lígia Aguiar nasceu no Pelourinho, formou-se em Belas Artes em 1981 e de lá para cá vem trabalhando com muita disposição e vitalidade. Trabalhou mais de uma década no teatro produzindo cenários e figurinos. Lamenta ter se afastado do teatro porque as dificuldades de remuneração dos que produzem peças teatrais é muito complicada porque sempre há falta de dinheiro. Na sua opinião não existe um apoio de empresas e mesmo governamental para patrocinar como deveriam as produções teatrais. Foi proprietária da Galeria de Arte Abaporu de 1993 a 1998, no Pelourinho, na casa número 7, onde morou depois e por muitos anos funcionou o Cartório de Registro Civil do Paço do qual seu pai era titular. De 1986 a 1988 chefiou o Núcleo de Cenografia da Tv Educativa da Bahia, onde fez cenários, figurinos, clips poéticos e depois dirigiu programas 5 Minutos e TV Revista até 1995.

Duas obras da série Viva o Povo Brasileiro.
Participou de várias exposições aqui em outros estados e países entre os quais França, Espanha, Alemanha e Estados Unidos.  Casou-se e foi morar em Ilhéus e depois vieram morar em Salvador. Sua mãe e a sogra a incentivaram a se inscrever no vestibular de Jornalismo sem comunicar ao marido, que estava fazendo um curso no Rio de Janeiro, promovido pela Petrobras, empresa onde trabalhava. Se inscreveu, mas infelizmente teve que abandonar porque o marido ficou muito aborrecido e não permitiu que continuasse estudando. Trabalhou quando jovem no cartório do pai transcrevendo as certidões e outros documentos "por isto que até hoje tenho uma letra bonita". Como tinha algum conhecimento de Inglês fez um teste no IURAM, que era um órgão ligado à Secretaria de Planejamento, do Governo do Estado. No Governo de Roberto Santos (1975-1979) trabalhou na Secretaria de Transportes e Comunicações do Estado com o então engenheiro Wellington Figueiredo, que acabara de chegar de uma especialização nos Estados Unidos e foi convidado a assumir a pasta. Só em 1976 depois de se divorciar conseguiu ingressar na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia. "Foi aí que vi que era meu meio." Recebeu dois  prêmios com os viodeoartes Água, que aborda o desperdício da ágiua no país,  no Festival de Muriaé, em Minas Gerais, e  Re-Produzidas , no Festival de Cinema Internacional se Arraial D'Ajuda , na Bahia, em 2010. Ela reconhece que estas premiações foram importantes porque abriram muitas portas .

                                                                   QUEM É 

Lígia durante a entrevista em seu apartamento na Amaralina.
Ligia Aguiar faz questão de dizer que "sou menina do Pelô porque nasci na casa de número 8, e o cartório que meu pai era titular ficava na de número 7, defronte e .  Nasceu em 12 de outubro de 1950 e viveu sua infância no Pelourinho juntamente com seus oito irmãos. Lembra que seus padrinhos Eduardo Fahel e sua esposa d. Alzira moravam ali também, eram árabes, e tinham uma loja de miudezas localizada nas imediações da igreja da Conceição da Praia. Tinham muitos imigrantes árabes, italianos e até russos morando no Pelourinho. Diz que vivia neste meio e lembrou do nome da russa d. Clara. Eram muitos imigrantes que aqui chegavam sem quase bens nenhum fugindo da guerra e aqui se estabeleciam. Mostra uma cicatriz que adquiriu de uma queda que tomou na infância e bateu com o nariz numa pedra que tem no Pelourinho marcando o lugar onde era fincado um poste de madeira para  os escravos serem presos e açoitados durante a triste página da escravidão em nosso país. Lembrou também do seu vizinho sr. Tanure que vendia comidas árabes e com isto em sua casa sua mãe aprendeu a fazer e lá comprava um docinho que chamava de açúcar cândi, que ela encontra todas às vezes que vai à São Paulo e visita o Mercadão.  Este açúcar cândi ainda é comercializado e consiste num pequeno tablete quadrado, duro, que vai se dissolvendo lentamente e liberando sua doçura, e é ideal para adoçar em cafés e chás. Estudou na escola da professora Epifânia da Silva, que funcionava nas dependências da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Ela
Foto 1. Galeria Abaporu  e sua fachada.
Foto 2. Uma visão interna da galeria.
Foto 3. Detalhe do convite padrão .

usava uma palmatória para castigar os alunos desobedientes e que faziam alguma traquinagem. Lembra que era uma senhora mulata "usava uma peruca que parecia uma bucha e saia rodada". Quando estava aborrecida costumava girar com sua saia rodada.  Depois os pais mudaram da Casa número 7, no Pelô, para no Santo António Além do Carmo, próximo a Cruz do Pascoal, e fui estudar na Escola Olímpio Cruz. Fez o exame de Admissão, que na época era exigido para entrar no ginásio .Como tinha apenas dez anos não pode entrar porque só entrava com 12 anos completos. Foram morar na Avenida Sete de Setembro, e  estudar no Colégio Ipiranga, que funcionava na Ladeira do Sodré, e depois estudou no Colégio Nossa Senhora da Salete. Disse que a madre diretora do colégio ficava na entrada sentada numa cadeira e quando as meninas iam chegando eram obrigadas a fazer uma circunflexão e dizer Bon jour ma mère. Segundo ela a madre era tão rígida que depois de muitas reclamações das famílias foi mandada de volta para a França, seu país de origem.

Paisagens feitas em nanquim sobre tela.
Como foram morar na Avenida Sete de Setembro ela conheceu o seu futuro marido que era da turma da Piedade. Naquela época em cada bairro ou localidade formavam as turmas que eram muito unidas e sempre faziam arruaças e brigavam. A turma da Piedade saia para brigar no Campo da Pólvora, a da Ribeira com a da Baixa do Bonfim, e assim por diante. No Campo da Pólvora tinha o famoso Berereco e na Piedade o Habib, e na Ribeira o Carmel. Os três eram bons de briga e muito respeitados nas turmas. Foi aí que seus país não aceitavam o relacionamento com "um moleque da Piedade", mas ela insistiu e se casou. Entre namoro, noivado e casamento o relacionamento durou dezessete anos, e não tiveram filhos. Como Ligia Aguiar insistia em estudar o desentendimento chegou ao limite e se separaram, o ex-marido já faleceu.  Disse que certo dia foi com sua mãe na Rua Carlos Gomes, em Salvador, e entraram numa loja que vendia tintas para pintura. Ela perguntou a um vendedor quais os materiais que necessitava para começar a pintar. Ele separou pincéis, tintas e outros materiais e sua mãe comprou e ela começou a desenhar com mais afinco. Lembra que quem primeiro a incentivou foi uma colega do curso de ginásio chamada Deise de Castro, que sabia desenhar . Tem uma imensa gratidão ao artista Paulo Rufino eacrecenta que "foi ele quem me introduziu no mundo das artes meensinando e falando sobre a História das Artes  etc."

Cartão de Natal que fez para
a Secretaria de Transportes.
Lígia fez um teste e foi trabalhar na Secretaria de Transportes e Comunicações secretariando o titular Wellington Figueiredo, e em 1976 é aprovada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Ele permitiu que ela estudasse e na época virou hippie. Para trabalhar pediu ao secretário uma farda e assim quando ia para a secretaria passava por uma verdadeira transformação. Prendia os cabelos, usava um conjunto de saia e blusão e sapatos altos. Logo que chegava à Escola de Belas Artes soltava e assanhava os cabelos, vestia roupas de hippie e pegava sua bolsa de couro. Conta dando gargalhada. Outra lembrança foi que durante alguns anos ela e a colega Sonia Regina Caldas sugeriram fazer os cartões de Natal de algumas secretarias e outros órgãos do Estado com desenhos inéditos e relacionados com cada uma das instituições. A sugestão foi  aceita e segundo Lígia Aguiar " na época ganhamos  um bom dinheiro". Disse que o pai trabalhava no Cartório  e era amigo do escritor Jorge Amado, do psiquiatra Rubim de Pinho e outros comunistas da época e que chegou a ser preso. Os amigos interferiram e conseguiram que o cartório ficasse sendo tocado por uma irmã que era de menor idade enquanto o pai estivesse  preso para sustentar  sua mãe e os nove filhos . Durante o governo de Antônio Carlos Magalhães os cartórios passaram a ser do Governo do Estado e mais recentemente voltaram a ser particulares, porém, sua irmã chegou à idade limite teve que se aposentar, e perdeu o dominio do Cartório. 

                                                    EXPOSIÇÕES

Catálogo da Exposição nos Correios comemorando
os seus quarenta anos dedicados às artes.
Já fez dezenas de exposições individuais e participou de mais de noventa entre elas a  saber: 2010 - Ligia Aguiar 4.0 , no Centro Cultural dos Correios, em Salvador; 2010-selecionada para a X Bienal do Recôncavo, com o videoarte RE-Produzidas; 2009 - Exposição 2.234 -Movimento pela Paz, no Casarão Santo Antônio, Salvador; 2009 - Participação da Mostra Artefacto, ambiente arquiteto Décio Viana; Participação Mostra Morar Mais com Menos ,em Salvador; Participação no Festival Nacional de Curtas Metragens do Vale do São Francisco, no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro, na Bahia; Exposição Arte Comestível em Feira de Santana, Bahia, no Centro Cultural Amélio Amorim; 2008 - Exposição A Mão Afro da Bahia, painel de pinturas em pequenos formatos, no Teatro do IRDEB, em Salvador; 2008 - Selecionada para participar do Eco Bahia - Festival Internacional de Audiovisual Ambiental, com seu videoarte Água; 2008 -Selecionada para o I Mostra Nacional de Cinema Ambiental e Eco Cidadania, nas cidades do Crato e Juazeiro do Norte, no Ceará; 2008 - Exposição Arte Comestível na Galeria Buffone Arte Contemporânea; Exposição Grandes Artistas Pintam a Bahia em Pequeno Formato, coletiva no Museu Regional de Feira de Santana, Bahia; Exposição coletiva em Prol do Artista Chico Diabo, no EBEC Galeria de Arte; 2007 - Prêmio melhor vídeo Experimental no Percepções - Festival de Cinema e Vídeo de Muriaé - Minas Gerais; Coletiva Circuito das Artes na ACBEU; Coletiva Mulheres em Movimento, comemorativa dos 130 anos da Escola de Belas Artes; Exposição em homenagem ao cineasta Agnaldo Siri Azevedo; Exposição Afetos Roubados no Tempo, exposição itinerante ,reunindo 730 artesãos e artistas de diversos países da CEF Cultural em Salvador; Coletiva em homenagem a Matilde Mattos, no EBEC; 2006 - Participação no Painel Sobre a Peça Teatral Murmúrios ,;Participação do Painel na Sede do Detran, Bahia; 2005 - Coletiva em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher em Lauro de Freitas, Bahia; P2004 - Participação na IV Mostra de Banheiros  - Banho de Arte, em Salvador; 2003 - Exposição Nós Mulheres, na EBEC Galeria de Arte; 2002 - Coletiva o Sol do Vila, comemorativa dos 4 anos do novo Teatro Vila Velha; 2002 - Coletiva em Prol do Hospital Martagão Gesteira, em Salvador; 2001- Coletiva Itinerante 70 Artistas , em Porto, Portugal; 2201 - Coletiva Gestos de Paz, Salvador; 2000 - Participação Painel 80 artistas Plásticos Baianos, Salvador; 2000 - Coletiva Galeria Cuca, em Feira de Santana, Bahia; Coletiva no MAM em Prol da Casa da Criança com Câncer, em
Pintura de uma gordinha , 1986,
de sua exposição em Brasília.
Salvador; 1999 - Coletiva 100 Artistas Baianos , no Museu de Arte Sacra, em Salvador; Exposição Arte-Arte Salvador 450 anos, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro Anos  e no Museu de Arte Moderna da Bahia, comemorativa aos 450 anos da Cidade do Salvador; 1998 - 1ª Exposição de Arte Contemporânea , no Espaço Cultural do Forte de Monte  Serrat, em Salvador; 1998- Exposição no Espaço Cultural Bonna Pizza, em Salvador; 1998 - Instalação Altares de Santo Antônio na Escola de |Belas Artes, Salvador;1998 - Coletiva Tropicália no Museu de Arte Moderna da Bahia ; 1997 - Coletiva de Verão na Galeria de Arte Abaporu, em Salvador; Exposição Um Brinde ao Café , no Espaço Cafelier, em Salvador; 1997 - Instalação Pão de Santo Antônio! na mostra Tempo , Amor e Tradição, na Galeria Cañizares, Salvador; 1997 - Exposição Quando a Pizza é Arte, no Espaço de Arte Bonna Pizza, em Salvador; 1997 - Exposição Bahia de Todas as Cores  ,em Goiânia, Goiás ; 1996 - Coletiva Pinte no Pelô , no Segundo Festival de Arte do SEBRAE, em Salvador; 1996 - Coletiva na Galeria Abaporu, em Salvador; 1995 - Coletiva de Verão na Galeria Abaporu, Salvador; Sala Especial, Introdutória à Exposição sobre Candomblé no Musée de Art Naif de L'ille de France, Paris, França; 1995- Coletiva na Empresa Thomson, Paris, França; Participação no I Festival de Artes Visuais no Pelourinho, Salvador; Coletiva Artistas Pintam a Primavera, na Galeria Abaporu, em Salvador;1995 - Coletiva Nossa Senhora da Boa Morte, na Casa Jorge Amado, em Salvador; 1994 - Individual Le Sacré et Le Profane, no Aquarela - Bistrô Brésilien, Paris, França; 1994 - Coletiva  no Dia Internacional da
Foto 1 - Trípico Cabeças I, II e III. Foto 2 - obra em
nanquim sobre tela . Foto 3 - Paisagem -em nanquim.

Mulher, Fundação Gregório de Mattos, Salvador; Coletiva Brasil, Pequenos Formatos, Poucas Palavras, Galeria Documenta, São Paulo; Coletiva de Inauguração da Galeria de Arte Abaporu, Salvador; 1988 - Projeto Verão no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador; 1988 - Coletiva Galeria Fazarte, Salvador; 19988 - Coletiva A Criança na Visão do Adulto, no foyer do Teatro Castro Alves, Salvador; 1988 - Coletiva no Espaço Xis, Fundação Cultural da Bahia, Salvador; 1988 - Participação no Painel nas Dependências da Fundação Cultural da Bahia; 1987 - Coletiva na Galeria Fazarte, Salvador; 1986 - Exposição Individual Desenhos & Pinturas, no Instituto do Livro, em Brasília; Exposição de Desenhos & Pinturas na Galeria de Eventos Bonvivant, em Salvador ; 1983 - Mostra no Encontro de Lojistas do Norte e Nordeste, em Salvador; 1983 - Leilão de Arte promovido por Luiz Caetano Queiroz, no Hotel Meridien, em Salvador; 1982 - Coletiva da Oficina de Gravura do Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; Exposição no III Congresso de Desenho e Plástica, em Salvador; 1982 - Exposição Desenhos, na Galeria O
 Cavalete, Salvador; 1981 - Mostra coletiva Desenho & Óleo, em Itabuna, Bahia; Exposição no Congresso de Cores, no Centro de Convenções da Bahia; 1981 - Coletiva Bahia de Todos os Santos, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador; 1981 - I Leilão de Arte da Galeria O Cavalete, no Clube Bahiano de Tênis, em Salvador; 1980 - Festival de Arte da Bahia, na Galeria Cañizares, em Salvador; 19980 - Exposição Coletiva Eparrei, na Galeria do Instituto Mauá, em Salvador; 1979 - Coletiva Simbiose, na Galeria Eucatexpo, em Salvador; 1979 - I Salão Universitário de Feira de Santana, Bahia; 1979 - Coletiva Seres , no Instituto Cultural Brasil - Alemanha, em Salvador; 1979 - Exposição Coletiva Cadastro, no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador;1978 - I Semana Experimental de Arte, na Escola de Belas Artes, da UFBA, Salvador;1977 - Exposição Didática, na Escola de Belas Artes da UFBA, Salvador; 1976 - I Exposição de Arte Experimental, na Escola de Belas Artes da UFBA, Salvador; 1971 - II Salão de Estreantes, na Galeria Panorama, em Salvador ; 1970 - I Salão de Estreantes, na Galeria Panorama, Salvador.

                                                             REFERÊNCIAS

Obra Adão e Eva  em nanquim
sobre papel, de 1976
.
Entre muitas referências de críticos e outros intelectuais transcrevo algumas delas e um poema escrito por seu pai em 1970 para ela. Vejamos: “À Uma Autodidata, foi o título do soneto de Aloísio Aguiar: “Executas em tinta? / Pintas em musica? / Do Tempo, na tela a pátina / se rendilha, musica. / Ritmo próprio, num crescendo de poesia. / Que sabes de tinta, Lígia / e tão íntima dela te mostra? / Desenho, composição, não / Imposição.../ da cor, tom e valor. / Mesmo que mudes a rota ou te baste / A singeleza inicial, adulta / o toque tema da manhã, ah, / Todo por de sol tem algo de auroral.”

 O Diretor de Teatro Márcio Meireles escreveu em abril de 1986: "Somos sempre obcecados por uma das faces de um dos espelhos que nos refletem: namoramos sempre a mesmas pessoas ainda que mudemos constantemente de parceiro, seguimos sempre os mesmos passos, contamos sempre, infinitamente, a mesma história. A nós, artistas foi dado o privilégio de colocar essa face do espelho que reflete a nossa alma, de frente para a plateia, tornar pública nossa obsessão. Assim encontramos nossos irmãos, os que se perderam de nós na torre de Babel, mas que ainda falam nossa língua primitiva. Generosamente também permitimos, no nosso espelho particular, o reencontro do mundo. O reagrupamento das partes num todo novo. Ligia Aguiar talvez seja um pouco mais generosa, ela se dá. Se mostra nuinha nas gordinhas sensuais, que desenha como quem sorri, que pinta como quem desenham que mostra como quem diz que as coisas podem ser mais fáceis. É só tentar. Nesse espelho, em que Lígia se reflete, poderíamos nos perder em fantasias, não fosse tão claro o caminho que ela mostra. Um caminho que, cansado de ser moderno, prefere a eternidade. E na eternidade dos colos, com cheiro de manga, de suas criaturas e criadora nos embala. "Ai, quem me dera...". É o que nos restas suspirar!"

Capas  de sua autoria de livros de amigos escritores.
Já seu amigo e colega Paulo Rufino em 2008 escreveu: "Utilizando-se do bico de pena, uma técnica de difícil domínio, ainda mais, sobre tela, Lígia Aguiar consegue desenvolver um trabalho forte, expressivo e original. Por sua particular sensibilidade, aliada a um apuro técnico, ao lado de um grande exercício plástico, as formas surgem delineando um trabalho incomum, na utilização das cores e nas referências à história da arte, verdadeiro na sua contemporaneidade".

O artista e psiquiatra César Romero escreveu em também em 2008 com o título Fragmentos da Vida: "De todo coração Ligia Aguiar reúne quarenta anos de seus guardados e os põe a exposição pública. Nesta nudez mostra sua pluralidade como artista, entendendo que o ofício não se restringe a uma só linguagem, nem escolas. Pode o artista se notabilizar por uma ou outra técnica, mas a essência são as possibilidades do fazer sensível. Diz-se de Picasso um pintor, mas foi capaz de construir uma trajetória com inúmeras técnicas, sendo magistral em todas. Era um artista. O mais importante do Século XX. Uma produção imensa, que nunca diminuiu seu valor de mercado. Lígia numa postura contemporânea trabalhou em desenho, aquarela, pastel, pintura, gravura, azulejo, escultura, fotografia, vídeo, cenografia e figurino. Versátil. Na formatação e sua trajetória referências do barroco pop-art, cubismo, surrealismo, abstracionismo. Este acúmulo de técnicas e escolas, lhe permitiu experimentos. O todo da carreira de um artista, são os fragmentos. Nas adições e adoções Lígia Aguiar realiza sua trajetória de segura pessoalidade ".....

 

sábado, 22 de julho de 2023

ANA MARIA VILLAR A PROTETORA DAS OBRAS DE ARTE

Foto 1. Ana Maria Villar em foto .
atual . Foto 2 . Numa exposição .
 Foto 3 - Em 1989
.
Manter e conservar o patrimônio e bens culturais requer do seu proprietário ou gestor público sensibilidade e conhecimento da importância que representam para si e para a sociedade, porque é através deles que conhecemos a história e tudo que a envolve.  Isto pode ser feito com a arte, as tradições, e os saberes disseminados entre a população. Portanto, é de suma importância a preservação e valorização desses elementos históricos e culturais para preservar viva a identidade do povo daquela localidade ou país. É o exercício da cidadania e para isto é preciso atentar para a necessidade muitas vezes de intervenções que venham restituir e prorrogar a existência daquele patrimônio. É imprescindível que seja restaurado através de intervenções pontuais que são feitas por especialistas devidamente treinados e capacitados, como é o caso de Ana Maria Villar Leite que há anos vem se dedicando a salvar o nosso patrimônio histórico e cultural. As intervenções objetivam dar ao objeto do restauro suas características originais, sempre mantendo a identidade da época em que foi concebido e adaptando a um contexto atual quando necessário.

Fotos 1 e 2 -monumento Riachuelo que foi
restaurado. Foto 3. Equipe de restauração
 em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
A artista Ana Maria Villar foi responsável juntamente com sua equipe da qual faz
parte seu filho e arquiteto Álvaro Villar pela restauração do majestoso monumento a Riachuelo que fica em frente ao prédio da Associação Comercial da Bahia, na Cidade Baixa, em Salvador, de várias igrejas, de prédios e obras de arte aqui, em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro; Penedo, em Alagoas, e em outros estados. Aqui restaurou vários monumentos pertencentes a Cúria Metropolitana onde trabalhou vários anos. Por outro lado, ensinou algumas disciplinas na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, da qual foi diretora, e paralelamente continuava produzindo sua arte e fazendo algumas exposições. Durante a pandemia aproveitou para fazer uma série de aquarelas de flores e barcos as quais revelam o seu talento e a sua sensibilidade .

                                                                 QUEM É 

Ana Maria com obra da artista  Maria Polo .
A Ana Maria Villar Leite, ou Ana Maria Villar nasceu em Salvador em 23 de abril de 1942, filha de Adir Alves Leite e Margarida Villar Leite. Estudou seu curso primário e ginasial no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, conhecido como o Colégio d. Afrísia Santiago fundado por ela em 1927, que funcionava naquele casarão que ainda existe e foi restaurado e ocupado pelo Ministério Público Estadual, bem no alto da Ladeira da Fonte Nova. Ao terminar o ginásio foi fazer o teste para a Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, sendo diplomada em 1957, que funcionava num belo casarão na Rua 28 de Setembro, que hoje pertence a Prefeitura e está sendo usado como depósito de materiais. Lembra que conhecidos e parentes censuravam que ela tão jovem estava indo estudar na Escola de Belas Arte - EBA localizada numa rua frequentada por prostitutas e malandros. Disse que as vezes a pressão era tão grande que chorava, mas que permanecia firme com seu ideal de fazer Belas Artes. Já formada fez o concurso público para professora da EBA para a disciplina Conservação e Restauração de Bens Culturais. Disse que fez a prova e foi aprovada. Teve como professores  Newton Silva, Raymundo Aguiar, Alberto Valença, professor de modelo vivo, dentre outros . “Trabalhávamos com carvão e aprendíamos muito a desenhar e depois subíamos para o ateliê. Era hora de pintar. Tudo isto era realizado num ambiente muito respeitoso e só entravam os alunos e professores porque era aula de modelo vivo.” Fez a pós-graduação em Especialista em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis na Escola de Belas Artes concluindo em 1980. Tem vários diplomas de cursos de restauro ministrados por especialistas italianos, americanos aqui e no exterior.

Detalhes de aquarelas de barcos de Ana Maria.
Ministrou aulas no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, da UCSAL; na
UNIFACS no curso de Graduação Gestão e Design da Moda, a disciplina História da Arte e no Curso de Graduação Educação Artística com Ênfase em Composição Gráfica a disciplina Teoria e Técnica de Pintura. Na Escola de Belas Artes da UFBA ensinou as disciplinas Teoria e Técnica de Pintura, História da Arte Universal e História da Arte no Brasil. Ministrou o curso de Reciclagem de profissionais graduados em Restauração de Tela e obras de Arte em Papel para atuarem no acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia - MAMB, em 1994. Aposentou-se da Escola de Belas Artes em 1992. Ministrou aulas no Centro Educacional Sophia Costa Pinto de 1954 a 1979, no Instituto Valença de 1957 a 1970 e no Colégio Nossa Senhora do Carmo de 1959 a 1973.

Lembrou que seu pai era muito previdente e como não tinha cursado o segundo grau, pois naquela época não era exigido pela Escola de Belas Artes foi aconselhada a cursar. Então foi fazer o científico no Colégio Ypiranga. Neste ínterim casou e teve quatro filhos e um dia encontrou-se com a colega Yeda Maria que lhe informou que haveria concurso para professor da Escola de Belas Artes. “Resolvi procurar juntar meus títulos e outros documentos e me inscrevi”, adiantou Ana Maria Villar. Disse que a prova era feita dessa forma. “Era sorteado um ponto que você mesma tirava num recipiente onde estavam todos os pontos na presença dos demais candidatos e professores e alguém da banca examinadora anunciava o ponto que você ia escrever. Depois tinha que ler o que escreveu para apreciação da banca examinadora. Tirei uma boa nota na parte técnica, embora nos títulos não tenha me saído muito bem. Examinar durante o concurso uma obra com raios ultra vermelhos, ultravioleta onde se consegue ver se a obra já foi ou não restaurada, e com raio X onde você enxerga até o desenho que o artista fez para pintar aquela obra. Aí me saí muito bem na parte técnica”, disse Ana Maria Villar.

Detalhes de Flores de autoria de Ana Maria.
A restauradora e artista Ana Maria Villar acrescentou que para usar o Raio X muitas vezes eles precisam conseguir junto a Faculdade de Medicina para que possam restaurar com mais precisão uma obra de arte. Ela revelou “que é um trabalho muito técnico e de responsabilidade porque muitas vezes estas obras têm um valor monetário, histórico e cultural muito expressivos. Com o Raio X de uma imagem por exemplo, a gente vê onde o cupim estragou e assim podemos traçar a estratégia de como devemos proceder para restaurá-la com precisão. Isto é muito importante”. É  exigente em seu trabalho e reclama que às vezes resolve não participar de determinados editais de concorrências que se baseiam em menor preço porque não permitem um trabalho de qualidade na restauração e uma remuneração justa. Aí exemplificou que “as igrejas baianas têm a presença de ouro nas suas ornamentações e este ouro é de 23 quilates. É muito cara uma folha deste material. Ela é tão fininha que a gente evita respirar para não a danificar. Quando participo coloco o ouro de 23 quilates, como deve ser, e assim muitas vezes saio em desvantagem porque com o menor preço às vezes não dá para cobrir os preços dos materiais, da mão de obra e a remuneração justa do nosso trabalho. Aí tenho me recusado a participar de algumas concorrências. Uma das coisas que Ana Maria Villar chama a atenção é que os bens culturais feitos em metais são muito atacados pela ferrugem e que é importante cuidar logo porque a ferrugem destrói o bem, que muitas vezes fica muito difícil restaurar e voltar ao seu estágio anterior.

Ana Maria Villar trabalhando num restauro.

 O trabalho técnico e o uso dos materiais adequados são muito relevantes na restauração de um bem histórico e cultural", afirma Ana Maria Villar. Ela documenta tudo que vai fazer no seu trabalho de restauração e à medida que vai avançando vai fotografando e documentando e no final entrega ao cliente um volume grosso contendo tudo que foi usado e feito naquele imóvel, estátua ou mesmo numa tela. Vi que ela está restaurando uma tela da artista plástica Maria Polo, pertencente a um galerista baiano. É um trabalho meticuloso, cuidadoso e que exige muita técnica e paciência. Esta artista nasceu em Veneza, na Itália em 19-11-1937 e faleceu no Rio de Janeiro em 23 -21-1983. Era uma artista moderna. Estudou no Instituto de Arte de Veneza, entre 1949 e 1955. Quatro anos depois, vem para o Brasil, fixando residência em São Paulo, onde inicia os trabalhos para realizar uma mostra individual, a convite de Pietro Maria Bardi, fundador do Museu de Arte Moderna, paulista. Na década de 70, começa a trabalhar com azulejos e execução de vitrais. Participou, entre outras, das seguintes mostras coletivas: 1963-67 – Bienal de São Paulo, São Paulo; Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro; Bienal da Bahia, Salvador, BA e da Bienal de Córdoba, Argentina, 1973 .

                                              EXPOSIÇÕES 

Ana com  aquarela de barcos de sua autoria.
E
m maio de 1989 Ana Maria Villar fez uma exposição intitulada Marinhas, na Casa Brasil, na Barra, em Salvador, quando escreveu no catálogo "Sinto-me mais livre na minha obra hoje do que ontem, talvez por me sentir mais consciente dos elementos com que trabalho e do próprio ato de fazer criativo. 
Compreendo a arte como o princípio ordenador do caos, busco a ordenação primeiro no meu cosmo interior fazendo, criando e nessa busca utilizo-me das cores essencialmente do verde nos seus mais diversos tons ou nuances e das manchas dos barcos, das velas, do mar e do céu como uma forma de captação e transfiguração da realidade".

Já o saudoso professor Ivo Vellame escreveu: "Por mais que a figuração continue sendo uma intrometida nas obras mais recentes de Ana Maria, ela se dirige cada vez mais para a abstração. Nessa amostragem, a despeito da observação feita anteriormente, um tema se impõe - os barcos, tema que ela domina como poucos dos nossos artistas. São barcos que teimam em recuperar as suas formas estruturais, porém a artista faz prevalecer a sua vontade criadora, o desenho faz-se cor, o gesto é algumas vezes privilegiado e o estilo, se interessa ao espectador encontrá-lo, não é outra coisa, senão essa harmonia entre tons sombrios e a alegria dos "taches" brilhantes - sensíveis traços de luminosidade. São barcos antológicos, que se distanciam, carregados de lembranças, de formas fugidias como acontecidos reencontrados".

O professor Carlos Eduardo da Rocha, escreveu: "Ana Maria, professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, livre das obrigações da diretoria que exerceu brilhantemente, pode agora voltar ao seu ofício de pintora com mais liberdade para a criação. Já tem pronta uma coleção dos seus novos trabalhos, desta vez uma bela exposição de aquarelas com características muito próprias e pessoais porque foge aos efeitos e recursos tradicionais das tintas de água, da suavidade dos coloridos e das transparências luminosas. Com sua experiência de mestra da Restauração em contato com os diversos gêneros de arte, com materiais e suportes variados Ana Maria pode com a maior segurança fazer as dosagens de tintas e tirar dos suportes utilizados novos recursos no caso das suas aquarelas , um papel especial e sujeitos a preparativos prévios. O resultado são os efeitos impactantes das suas cores nas marinhas, onde céus e mares, mastros e velas estão bem construídos com valores puramente pictóricos. Uma pintura de sentimento como não poderia deixar numa artista que sabe com maestria manejar cores e pincéis com tanta desenvoltura e beleza".

Capa do catálogo da exposição
 Marinhas, de aquarelas, em 1989
.

Teve sua vida profissional mais voltada para o restauro de monumentos e obras de artes plásticas. Fez duas exposições individuais. A primeira em 1978 na Galeria Cañizares e a segunda em 1989 na Casa Brasil, ambas em Salvador. Por outro lado participou de muitas mostra coletivas a saber: 2001 - No Centro de Memória e Cultura dos Correios;2001 - na Casa de Cultura Oikos; 1997 - Exposição na Abertura da Escola Baiana de Artes Plásticas, no Caminho das Árvores, em Salvador; 1986 - Exposição em Homenagem à Mulher, na Galeria da Câmara Municipal de Salvador; 1986 - Exposição comemorativa da Visita do Presidente de Portugal Mário Soares, no Gabinete Português de Leitura, em Salvador ; 1987- Exposição Arte da Bahia, em Salvador; 1987 - Exposição Pós-Moderna de Artes Plásticas, em Salvador ; 1985- Coletiva 18 Anos de Galeria , na Panorama Galeria de Arte, em Salvador ;1984 - Exposição Mulheres Artistas, no Shopping Iguatemi, em Salvador; 1982 - Salão de Arte José de Dome , na Galeria José Inácio, recebeu o Título de Menção Honrosa, do Governo de Sergipe; Exposição no I Congresso Nacional das Cores, no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador; 1981 - Exposição Retrospectiva dos Processos Artísticos de Presciliano Silva aos dia atuais, na Galeria Cañizares, em Salvador; 1978 - Exposição na Galeria de Arte Kompasso, Salão Funcisa; 1977 - Exposição do Centenário da Fundação da EBA, na Galeria Cañizares; 1970 - I Salão de Arte e Folclore da Bahia em Petrópolis , Rio de Janeiro; 1957 - I Salão Universitário Baiano de Arte Moderna, premiada em Terceiro Lugar: 1956 - VI Salão Baiano de Belas Artes; 1956 - V Salão Universitário de Arte de Minas Gerais, premiada em Terceiro Lugar, com Medalha de Bronze

 

 

 

 


 

 

 

 

sexta-feira, 21 de julho de 2023

TRÊS ARTISTAS HOMENAGEADOS NO MAFRO

Edmundo Simas rindo e Reginaldo Bonfim.
 Três artistas permaneceram durante suas existências à margem das principais galerias da época em que viveram e produziram: Reginaldo Bonfim e Edmundo Simas e Gil Abelha, todos falecidos,  que agora estão sendo homenageados com uma exposição coletiva organizada pelo artista e galerista Washington Silva intitulada de Identidades até o próximo 20 de agosto, no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia, que funciona no prédio da antiga Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus. A exposição conta com obras dos homenageados Reginaldo Bonfim e Edmundo Simas, além de Leonel Mattos, Enock Silva, Raimundo Bida, Menelaw Sete, Francisco Santos, Chico Vieira, Samuel Gomes, Marcos Costa (spray Cabuloso), Anunciação e Carlos Kahan. Viviam no Centro Histórico entre botequins e os pardieiros, que não tinham qualquer conservação, até quando assumiu o governador Antônio Carlos Magalhães que convocou uma equipe competente e entregou a parte de pesquisa e cultural ao etnógrafo Vivaldo Costa Lima. O Centro Histórico foi restaurado, e hoje é motivo de orgulho, embora tenha passado por momentos de abandono por parte de alguns governadores que os sucederam. Foi neste ambiente do Centro Histórico que estes dois artistas talentosos viveram e produziram em condições muito difíceis, agravada pelos temperamentos e comportamentos de ambos. Sofriam de distúrbios mentais e isto foi um elemento importante para que houvesse uma certa discriminação, porque é difícil viver com alguém que tenha algum problema mental. Apenas o saudosos Deraldo Lima, da Galeria 13, que funcionava no Centro Histórico, e o RAG, que abriu sua galeria na orla exatamente numa casa em frente ao mar, perto da ponte, na Boca do Rio. Os dois galeristas acolhiam esta gente marginalizada e assim eles tinham onde frequentar e muitas vezes pintar. 

Foto 1. Cartaz da mostra Identidades. Foto 2 - Leonel Mattos
e Washignton Silva. Foto 3. Chico  Vieira e sua obra.
Foto 4 - Obra de Raimundo Bida
.
Não tive quase aproximação com o Reginaldo Bonfim, que  nasceu em  Salvador no ano  1950  e faleceu aqui em 2007,  mas tive uma convivência com o Edmundo Simas, chamado de Super Boy. Era um entusiasta das histórias em quadrinhos e de quando em vez se arvorava de ser um desses heróis retratados nas revistas que vendiam muito nas bancas de jornais de então. Tem uma história, não sei se é verdadeira, de que certava vez improvisou umas asas e pulou de um prédio e foi cair num monte de areia que alguém estava utilizando na reforma ou construção. Todos se assustaram, mas ele teria escapado ileso. Verdade ou não, o fato é que o Super Boy seria mesmo capaz de façanhas como esta. Ele trabalhou no jornal A Tarde, se não me engano tirando as férias de alguém. Ficou por pouco tempo devido ao seu temperamento inquieto que logo com o passar dos dias começou a se tornar incompatível e foi dispensado. Consta que   fez duas exposições na Biblioteca Pública  em 1969 e 1971.Participou de outras mostras coletivas e até de salõesSeu nome completo era Edmundo Luiz da Silva Simas, nasceu Ubaitaba no ano de 1941, na Bahia,  vindo depois pra Salvador  também chegou a morar em São Paulo.

Já o Reginaldo Bonfim tive muito pouco contato. Sabe-se que nasceu em Salvador em 1950 e veio a falecer no ano de 2007. Gostava de pintar desde a infância e chegou a fazer um curso livre de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Tinha uma grande facilidade em pintar, inclusive com temas e técnicas variadas de algumas escolas de arte. Devido a sua habilidade chegou a ir ao Rio de Janeiro para se apresentar num programa de televisão no Rio de Janeiro mostrando a sua arte, foi quando teve uma crise nervosa e teve que retornar.

Gostava de pintar à noite e conversando sozinho como estivesse discutindo com alguém as cores e as formas que estava deixando ali registradas na tela ou em outro suporte qualquer que conseguisse para expressar a sua arte. Usava um macacão que alguns consideram sua armadura para se defender do mundo externo, bem diferente do que vivia em suas crises de esquizofrenia. Dizem que sempre era internado e lhe medicavam muitos remédios para controlar a doença mental.

Gil Abelha com uma obra sua.

O Gildásio Feliciano Costa, o Gil  Abelha trabalhou algum tempo com publicidade e era um artefinalista e layoutista conhecido. "Layout é uma palavra inglesa, muitas vezes usada na forma portuguesa leiaute, que  significa planoarranjoesquema
designprojeto." Lembro quando estava no jornal A Tarde as agências de publicidade mandavam a arte final que já era o layout finalizado e aprovado pelo cliente para ser fotografado, e ai surgia o fotolito que era depois transferido para uma placa de metal sensibilizada que ia para a rotativa para imprimir a página do jornal. Sua arte tinha uma grande influência regionalista e enaltecia a cultura afro-brasileira. Fjundou a Associação dos Artistas |Populares do |Centro Histórico de Salvador, Bahia, e chegou a catalogar mais de 200 integrantes. Desde 1983 que se lançou no segmento das artes plásticas ,onde obteve algum destaque. Seu ateliê funcionava na Rua do Carmo , número 3, em Salvador, Bahia. Nasceu em 1955 , já faleceu em 2008.

O RAG não era um galerista de formação ou alguém que tivesse algum conhecimento de arte. Ele veio de Valença, e aqui chegando, não sei a razão, resolveu se envolver com o mercado de arte. Sua galeria parecia um depósito com obras amontoadas por todo canto. Eram centenas delas e estes artistas que pintavam compulsoriamente como Edmundo Simas e Reginaldo Bonfim encontraram um local onde podiam pintar e deixar ali suas obras para serem comercializadas. Muitas vezes o RAG comprava as obras e ficavam ali empilhadas. Eu cheguei a dizer a ele que recebesse as obras em consignação porque senão ia ter dificuldades financeiras. Mas, como os artistas eram necessitados ele sempre soltava algum dinheiro.
Apreciando as obras de Edmundo Simas e Reginaldo
Bonfim, no Mafro, no Terreiro de Jesus, Salvador
.

No documentário As Cores da Utopia que Júlio Nascimento fez sobre o artista Reginaldo Bonfim ele conclui num pequeno texto que "A impressão de que eu trouxe comigo ao fim do documentário é a de que, mesmo imerso em sua loucura, Reginaldo Bonfim era tão normal quanto outras pessoas que já conheci. Na verdade, precisa-se de certa dose de loucura para desafiar qualquer modelo de ordem, para ser livre, para ser grande, para ser artista. Eu não saberia dizer se o trabalho de Reginaldo teria sido o mesmo se ele não fosse louco."