quarta-feira, 23 de outubro de 2013

ECONOMISTA É PAI DE FAUSTINO


Esta obra dá para lembrar da besteira do
leilão do campo de Libra, no pré-sal
Depois de vários anos reencontro o artista Miguel Cordeiro, e é sempre bom saber que continua produzindo e evoluindo cada vez mais. É um trabalho contemporâneo que acompanha as mudanças,porque está passando este século.
Ele criou um blog onde publica seus trabalhos e textos que escreve, alguns inseridos dentro da própria obra.São trabalhos  produzidos desde1979 aos dias atuais.
Utiliza  diversas técnicas como pinturas, desenhos, colagens, fotos dos seus grafites e como ele mesmo explica alguns acompanhados de textos "que podem ter , ou não, relação com a imagem." Nos textos foca  variados temas em ficção , prosa, poesia, assuntos sobre arte e cultura em geral, fatos políticos, episódios do cotidiano, acontecimentos que se tornaram notícia, etc.
Muitos de seus trabalhos foram até reproduzidos para fora do país como nos Estados Unidos, Espanha, Japão,Inglaterra e Itália.
Para Miguel Cordeiro quando falamos em mercado propriamente dito é que " a coisa complica". Ele continua residindo em Salvador, tem participado de algumas exposições e foi convidado recentemente para expor no Palacete da Artes, na Graça ( Museu Rodin) mas ainda está aguardando uma decisão,que não depende dele. Tomara que dê certo porque os baianos precisam conhecer mais a obra deste artista criativo e resistente.

Um grafite de Faustino do arquivo de Miguel

Miguel Cordeiro é um artista extremamente criativo, e além do seu tempo. Há mais de três décadas atrás ele criou um personagem Faustino que através de seus grafites deixou muita gente intrigada em Salvador com as tiradas inteligentes. Faustino é um crítico feroz das nossas mazelas e na época fiz alguma matérias para minha coluna Artes Visuais no jornal A Tarde, as quais estão aqui reproduzidas neste nosso blog . É só buscar pelo nome de Miguel Cordeiro ou Faustino.
Miguel é economista de formação, está com 57 anos de idade, e suas frases criativas e que levam a gente a pensar estão nas ruas desde 1979. Elas apareceram até o ano de 1985, quando ele deu uma parada e agora ressurge com faustino e torço para que não pare mais. 
Confessa que este ano grafitou apenas 12 frases, e sempre não fez muitos grafites, uma média de uns 20 por ano.
São da sua época de grafiteiro O Mancha e JRJ que se notabilizaram também por frases e desenhos muito criativos e críticos. Por ser uma arte efêmera que o tempo se encarrega de apagar dos muros essas frases desapareceram mas estão imortalizadas nas reportagens que publicamos na época e também em fotos
de pessoas que curtem o grafite ou de seus autores.


Cordeiro é um excelente fraseador e quando está conversando sempre dispara contra o interlocutor uma de suas tiradas inteligentes. Ele incorpora o personagem Faustino, que tanto curtimos na época da ditadura, porque ele tinha umas frases muito críticas da sociedade de então. Portanto, é com alegria e satisfação saber que o Miguel Cordeiro está ai trazendo seu Faustino de volta.