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terça-feira, 18 de setembro de 2012

JULGAMENTO E EXECUÇÃO - 15 de FEVEREIRO DE 1982.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 1982.

            JULGAMENTO E EXECUÇÃO


Critiquei com insistência a maneira como a administração de Mário Kertész tinha escolhido a temática e os artistas para decorar Salvador durante o Carnaval de 1981.Fui o primeiro a levantar o problema, tendo inclusive pago um preço caro por esta firme posição. Aplaudi este ano quando a Prefeitura abriu a concorrência pública para a escolha da decoração, e fiquei desapontado porque apenas três projetos concorreram. Convidado a integrar a Comissão Julgadora através do presidente da Associação Baiana de Imprensa, Afonso Maciel Neto, tive o cuidado de examinar detalhadamente os projetos concorrentes. Escolhi aquele que achei que melhor estava identificado com o espírito baiano, “Esperando a Copa” e juntamente com meus colegas de júri fizemos algumas recomendações que deveriam ter sido obedecidas pelas pessoas envolvidas na execução do projeto. Estou surpreso. Não levaram nada em consideração e ainda por cima mutilaram o projeto aprovado. Ou seja, não estão nem cumprindo o que se propuseram.
A Rua Carlos Gomes, por exemplo, deveria, de acordo com o projeto aprovado a ser totalmente decorada com gambiarras e estruturas aéreas. Estou sabendo que exigiram mais CR$3 milhões para decorá-la. Ora, isto e uma aberração e uma postura que não condiz com a seriedade. A informação me foi confirmada pela Secretaria de Comunicação da Prefeitura, através de pessoa altamente categorizada. Fico, portanto perplexo com a distância entre julgamento e execução. Chego à triste conclusão que hoje em dia nem mesmo “o preto no branco”, ou seja, a coisa escrita em letras de forma não é mais respeitada.
Também a justificativa de que os executores tinham desobedecido à recomendação de substituir a estrutura que representa a Taça Jules Rimet pela taça que está sendo disputada, é boba e não convence. É bobagem do Sr. Dantas dizer que o desenho da Jules Rimet é mais difícil. Não, a nova taça é uma complicada composição plástica representando algumas figuras humanas e mais difícil de ser representada no plano. O que existiu foi falta de informação por parte dos executores. Basta dizer que foi A TARDE quem forneceu fotos da Taça Jules Rimet, que vieram buscar em cima da hora. Procuraram a outra taça e as fotos ou radiofotos existentes não servirem para ser copiadas.
Finalmente, a Comissão recomendou que houvesse uma preocupação em dar uma unidade plástica ao conjunto de peças, ou sejam, as estruturas fixas, aéreas e coretos, e mostrou que os coretos estavam projetados sem quase decoração, que existiam estruturas aéreas totalmente desintegradas do conjunto. Não tenho acompanhado a execução e creio se as recomendações ou reajuste plásticos não estiverem sendo obedecidos. NÃO FOI ESTE O PROJETO VENCEDOR! Estão impingindo um projeto capenga e, portanto, que está fora da minha responsabilidade como membro da Comissão Julgadora. Falo em meu nome pessoal, porque não procurei os demais colegas para endossar ou não o meu alerta. Aqui faço mostrando a distância entre julgamento e execução e que às vezes o simples fato de ter havido concorrência não basta.
Gritaram porque não foram beneficiados no Carnaval passado e agora deixam margem a estas críticas, as quais não gostaria de ser obrigado a exercer. Voltarei ao assunto.

               O PROTESTO DOS ARTISTAS

Quando se cria uma obra de arte se deposita nela fatores técnicos que não podem ser manipulados por qualquer pessoa sob pena de contribuir para uma má composição. Os fatores existentes mantêm entre si uma relação de importância, unidade e força perceptual, não podemos ser substituída ou alterada (os elementos utilizados são insubstituíveis). Mas, ao que parece não é compreendido ou levado a sério.
O esclarecimento é da Associação dos Artistas Plásticos da Bahia a respeito da polêmica criada em função de alguns elementos de composição (a foice e o martelo da bandeira da União Soviética) utilizados para a decoração do Carnaval /82. “Testemunhamos recentemente a polêmica sobre a exclusão e depois inclusão do elemento utilizado no contexto compositivo no aprovado projeto do Carnaval da cidade e sua fase de confusão”, lembra e entidade acrescentando que o fato só veio mostrar mais uma vez”a freqüência de leigos interferindo, opinando e selecionando o bom e o mau trabalho e o bom e o mau artista, na escolha dos interessados, interessantes artistas para representar a classe nos salões, museus e comemorações; nas indicações de amigos dos amigos para execução de murais em obras públicas federais, estaduais e municipais”.
A Associação dos Artistas Plásticos da Bahia busca, nesse momento conforme ressalta “valorizar o artista e nos bastidores trabalha dia a dia no estudo e na pesquisa de instrumentos que possa contribuir para o engrandecimento da arte”. Mas adiante afirma que o poder não pode ser simplesmente administrativo. Deve antes de tudo ser democrático, representativo e extensivo a todas as classes e a todas as pessoas:
Esses artistas merecem oportunidade e reconhecimento de todos que se preocupam com o processo e desenvolvimento da arte da Bahia. Que esses artistas tenham o direito de criar livremente e participar dos propósitos e projetos visuais da cidade e que o povo tenha um Carnaval feliz e tranqüilo, independente da infantil polêmica conclui.

SENEGALESES VÃO EXPOR NO MUSEU DE ARTE MODERNA

Uma exposição das criações mais expressivas dos artistas plásticos representativos do Senegal, será aberta a partir do dia 2 de março, no Museu de Arte Moderna da Bahia -Solar do Unhão. Pintura a óleo, nanquim, guache, pintura sobre vidro, gravura em metal e tapeçaria representando as forças espirituais do seu povo, do seu país de maioria negra, que vive um pleno renascimento das artes num conjunto de acontecimentos históricos e culturais, especialmente o despertar de energias adormecidas e a redescoberta da fonte de identidade coletiva comum à arte senegalesa.
Os artistas senegaleses contemporâneos mostram, cada em seu estilo absolutamente pessoal, uma forma de apreender o mundo. Sem classificação num gênero figurativo ou abstrato, o conjunto de suas obras está impregnado de uma certa mitologia cujas raízes profundas foram definidas na linguagem psiquiátrica como inconsciente coletivo. Não se imita a natureza, interpreta-se, desloca-se essa natureza. Expressa no grafismo hiperbólico ou numa linguagem incolor e de curvas entrelaçadas, o que nasce, se transforma e não morre, no interior insensível para o profano deste vasto arranjo animista onde se desenvolvem as seqüências cósmicas da simbiose deuses-homem vegetal-animal mineral-espaço.
Expressando essa total integração com a natureza está a maioria dos artistas senegaleses. Nessa exposição representativa do Senegal aqui na Bahia, trabalhos de Amadou Ba, Samba Balde, Bedara Câmara, Theodore Diouf, Doudou Sylla, Mamadou Seck, Babacar Seye, Cherif Tham, entre tantos outros. No total são 41 criações artísticas, que muito representam o Senegal e são importantes para o Brasil, especialmente para a Bahia, pela forte influência da cultura negra na formação da vida cultural do nosso povo.

                 ARTE PARA VIVER MAIS E MELHOR

A representatividade da arte negra é ilimitada. Num colóquio sobre arte negra, em abril de 1966, o poeta, chefe de Estado Lépold Senghor disse: “O escravo pertence ao passado. Hoje em dia, no Senegal, para tomar um exemplo atual, a nova arte nacional enraizada no basalto negro do Cabo Verde, torna-se novamente neste lugar de encontro que é Dakar, onde afluem imagens, idéias e todo o pólen do mundo. È também a arte negra que, salvando-nos do desespero, fortalece nosso desenvolvimento econômico e social em nossa teimosia por viver. São nossos poetas, narradores e romancistas, nossos cantores e dançarinos, nossos pintores e escultores, nossos músicos”.
“Mesmo que pintem violentas abstrações místicas ou a nobre elegância das cortes de amor ou que esculpam o leão nacional ou monstros incríveis, que dancem o Plano de Desenvolvimento ou que cantem a diversificação de culturas, os artistas senegaleses contemporâneos nos ajudam a vier hoje em dia mais e melhor. Viver mais é viver mais intensamente, fortalecendo a maior tensão própria do rosto norte-sudanês da civilização negro-africana, viver melhor para resolver os problemas concretos que condicionam nosso futuro”.

        TRABALHO É O TEMA DA MOSTRA DE FOTOGRAFIAS

Até o dia 1º de março de 82 os fotógrafos, amadores ou profissionais, podem enviar os seus trabalhos para a próxima exposição coletiva da Galeria de Fotografia da Funarte, cujo tema escolhido é o trabalho. A mostra será inaugurada no dia 29 de abril e ficará até 28 de maio, de 2ª. A 6ª. Feira, das 10:30 às 19 horas.
Cada fotógrafo deve enviar o mínimo de 3 e um máximo de 5 fotos para o Núcleo de Fotografia da Funarte Rua Araújo Porte Alegre, 80 Centro rio de Janeiro CEP 20.030 Tel. 3262-5422 R. 15. Os trabalhos devem ter o tamanho máximo de 28 cm para as fotos quadradas e até 36cm para as fotos retangulares, em cor ou preto e branco. Cada original deve ser acompanhado de duas cópias 18x24, em papel brilhante e em preto e branco, para impressão do catálogo da exposição e para divulgação na imprensa.
As fotos para exposição devem datar de 1960 para cá e podem ser ampliadas em qualquer papel plano, com ou sem margem, mas não devem ser montadas. Deverão trazer no verso etiquetas com o nome do autor, endereço e telefone. Para evitar estrago, as fotos devem ser embaladas com papelão protetor e a Funarte não se responsabilizará por qualquer dano ou extravio do material antes de chegar à coordenação do núcleo.
Ao remeter o trabalho, o autor concorda em ceder o material selecionado para ser publicado no caderno, Mostra de Fotografia, catálogo com a reprodução da exposição, impresso em offset, papel couché e tiragem de três mil exemplares. O caderno será vendido pela Funarte e o resultado da venda será reinvestido na edição de outros catálogos. Os fotógrafos cujos trabalhos forem escolhidos, terão os direitos autorais pagos em forma de catálogos.
As fotos expostas farão parte do acervo da Funarte e sua utilização para outros fins só será concretizada com a prévia autorização do autor. A galeria não tem cunho comercial, mas o fotógrafo que desejar vender a sua produção, poderá fazê-lo diretamente, sem precisar pagar qualquer comissão à galeria. O material não selecionado estará disposição para consulta na galeria e só será devolvido após o encerramento da exposição.


MIGUEL DOS SANTOS PODERÁ EXPOR ESCULTURAS NA BAHIA - 17 DE MAIO DE 1982.


JORNAL A TARDE,SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 1982.

MIGUEL DOS SANTOS PODERÁ EXPOR ESCULTURAS NA BAHIA

O pintor, escultor e ceramista, Miguel dos Santos pretende realizar uma exposição em Salvador. Sua pretensão deve receber o apoio do Museu de Arte Moderna da Bahia e outras instituições encarregadas de nossa cultura. Os trabalhos de Miguel revelam a sua ligação com os mistérios da religiosidade da gente do Nordeste. A própria simplicidade dos objetos demonstram as dificuldades do sertão, despojado da exuberância tropical.
O crítico Frederico Morais quando escreveu sobre sua obra disse. “Mas se Brennand (outro ceramista pernambucano) nas cores e nos temas representa, sobretudo, a Zona da Mata, com sua exuberância tropical, Miguel dos Santos é muito mais sertão, o seco e áspero, cortante e despojado. No vazio sem fim do sertão (o ser tão ). Na monotonia do tempo e do espaço, é a imaginação que cria a paisagem e os frutos, melhor, é ela que povoa aquele mundão de seres fantásticos, alados, encapsulados, heróis e reis destronados, carregados de ancestralidade e mistério, monstros ou dragões brasonados, o pescoço se alongando mais e mais, querendo devorar o infinito com “guias cósmicas”.
Eu que sou do sertão, acrescentaria que este mundão fantástico é uma dualidade da fartura e da escassez. Fartura quando os arbustos estão verdes e florados e as aguadas cheias. O homem com sua religiosidade renascida das entranhas da terra rachada, agora úmida e cheirosa, vai sobrevivendo com seus cavalos alados que cavalgam espaços imaginários. E, é desta terra seca e úmida que Miguel dos Santos retira a matéria-prima de sua arte. Os bichos estranhos (para alguns) convivem com o nordestino que sentado em frente a sua choupana num tosco banco de madeira é capaz de habitar a sua mente de lobisomens e dezenas de outras criaturas imaginárias. É a visão do sofrimento. E, certamente, estas imagens que cria, são frutos de sua sensibilidade aguçada de um criador nordestino. Para o mestre Clarival Prado Valadares a sua escultura “é a depuração de sua pintura, realizada com um mínimo de elementos para a composição formal”
Entendo que Miguel é um intérprete desta complexidade sertaneja e sua obra é uma síntese disto tudo.
Nascido em Caruaru, a 3 de novembro de 1944, mas, que desde a década de 60, reside em João Pessoa, onde inclusive fez toda sua formação artística, Miguel já realizou dezenas de exposições no Sul do país e no exterior e participou em 1977 com pinturas e cerâmicas no II Festival Mundial de Arte Negra, em Lagos na Nigéria.

CARLO BARBOSA MOSTRA SEUS DEZ ANOS DE PINTURA NO MAMB

Dia 18 de maio, às 21 horas, o Museu de Arte Moderna da Bahia estará mostrando os trabalhos do artista  feirense Carlo Barbosa.
Sobre a exposição, é o próprio artista quem define o seu objetivo de “documentar 10 anos de pintura, a partir de um trabalho ininterrupto desenvolvido em 1971 a 1981 na Cidade do Rio de Janeiro”.
Carlo Barbosa, artista baiano, nascido na Cidade de Feira de Santana, afastado da Bahia por 10 anos, além do apoio do Museu de Arte Moderna, conta com a colaboração de outros órgãos ligados ao Movimento Cultural da Bahia. Sobre o seu trabalho têm comentado vários críticos. De Walmir Ayala: “Tudo está vivo na pintura de Carlo Barbosa, uma pintura que não abre mão do clima de beleza, de idealizações ou uma tipologia rústica e pouco vista. É uma visão particular, pujante, em pleno processo de amadurecimento, que coloca este artista entre os mais sérios de sua linhagem”.
De Eduardo Portela: “Em Feira de Santana convivem a dimensão mística na Bahia e uma certa intuição precisa e severa das coisas. A pintura de Raimundo Oliveira expressa esta verdade, e esta lição múltipla desponta agora nos quadros de Carlo Barbosa. Figurativo capaz de elaborar o retrato para além da fotografia, religioso fiel a um Cristo “hippie” inevitavelmente incompreendido, tropicalista paradoxalmente introvertido e aberto, tudo isso configura e instala o mundo em processo de Carlo Barbosa”.
Segundo o artista “esta exposição tem o objetivo de documentar dez anos de pintura, a partir de um trabalho ininterrupto, desenvolvido de 1971 a 1981, na Cidade do Rio de Janeiro. Numa fase mais recente eu me proponho a documentar, através da pintura e do desenho, aspectos da paisagem e da vida urbana: o sistema, o poder econômico que impulsiona o progresso, a arquitetura mal programada apagando a paisagem, a destruição de beleza natural, o problema do espaço físico, o trabalho, o lazer, a religiosidade do povo. O Cristo Redentor surge como um símbolo inevitável no contexto da obra. Sem os detalhes de sua hierática presença, poderia estar falando de qualquer outro lugar. A ideia deste encontro entre forma e expressão é abrangente quanto aos problemas e coisas da cidade onde resido.
Reflete o meu envolvimento com a terra. Sobre a pesquisa, não tenho nenhuma preocupação de influência ou definição técnica, nem de escola ou tendência. É um problema íntimo de expressão. No momento, o meu compromisso como artista é da busca de novas experiências e conclusões no aprendizado do dia-a-dia profissional, testando a minha capacidade, procurando a solução para cada elemento enfocado. O importante é pintar, jogar com as cores e formas, dizer numa linguagem pessoal tanto quanto possível, pesquisar sem me prender a conceitos críticos preestabelecidos. Como tema fui envolvido pelo trabalho do metrô, a participação árdua e heróica do homem nordestino, que outrora foi vaqueiro, batuqueiro nos festejos populares, e que hoje é retratado como os bóias-frias que constroem a metrópole. Os temas foram mudando e exigindo linguagem específica: permaneceu intacto o conceito da liberdade, pois a criação é um ato livre, do contrário não valeria à pena.

                             ISAÍAS VAI PARTIR

Ele deixou a tranquilidade de sua aldeia no longínquo Maranhão e veio para Salvador onde está desde 1977 trabalhando com arte. Suas pinturas revelam o ambiente de sua gente, sobressaindo as figuras humanas num contexto de uma flora a fauna exuberantes. É o índio Isaías, de gestos simples e maneira pura de viver e enfrentar a vida. Saiu pensando que era fácil vencer no mundo dos brancos. Com instrumentos naturais que dispõe, enfrentou situações com desembaraço. Fez teatro, escreveu algumas emoções principalmente pintou. Porém, a sobrevivência está ficando cada vez mais difícil e Isaías não está agüentando mais. Porém, ainda não quer voltar para sua tribo. Antes fará uma tentativa no Ceará, exatamente em Fortaleza, onde já esteve e tem alguns amigos e colecionadores interessados em sua arte primitiva. No semblante carregado, triste mesmo, notamos que Isaías não está contente com o desfecho de seu sonho que era de permanecer por alguns anos em Salvador. Vai ter que partir por falta de condições que garantam a sua sobrevivência. Sem dúvida que sua permanência aqui foi mais uma página do seu aprendizado sobre as dificuldades existentes na tribo dos brancos.

                        FUTEBOL, UM TEMA EM PAUTA

Quarenta trabalhos de pintura, desenho, gravura de vinte e dois artistas brasileiros, compõem a exposição “Futebol Interpretações”, que a Galeria de Arte Banerj inaugura dia 20, às 21 horas, como uma homenagem à próxima Copa do Mundo.
Os 22 artistas que participam da exposição interpretam o futebol de maneira pessoal, muitas vezes deixando-se arrebatar pela grandeza popular do assunto, sem dúvida de rica e paradoxal perplexidade; outras vezes, detendo-se nos próprios mitos pelo futebol criados, heróis absolutos de uma torcida apaixonada, vibrante, que por eles torce, briga, explode numa alegria incontida, extrapolando suas emoções nos estádios e estendendo-a às ruas quando da vitória do seu time, de sua seleção.
É assim, na maioria das vezes, que o artista brasileiro vê o futebol: com a visão de um torcedor. Não é a toa que, nos seus trabalhos, o Flamengo seja o time mais enfocado, assim como Pelé e Garrincha, duas glórias nacionais, os jogadores que lhes disputam a preferência.
“Futebol / Interpretações” reúne trabalhos de diversas épocas, recrutados de coleções oficiais e particulares, dos seguintes artistas: Aldemir Martins, Aloysio Zaluar, Álvaro Apocalipse, Cláudio Tozzi, Clécio Penedo, Elza O. S., Flory Menezes, Gerchman, José César Castro, José Lima, José Paulo Moreira da Fonseca, José Sabóia, Júlio Martins da Silva, Luiz Alphonsus, Luiz Jasmim, Marcier, Newton Cavalcanti, Newton Mesquita, Rosina Becker do Valle, Vicente do Rego Monteiro, Volpi e Zé Caboclo, de 20 de maio a 11 de junho de 1982. Na foto ao alto, óleo/madeira, um trabalho de Aloysio Zaluar.









O SONHO PERDURA - 21 DE FEVEREIRO DE 1983.


JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 21 DE FEVEREIRO DE 1983.

                  

                O SONHO PERDURA

O Carnaval passou, mas permanecem os comentários entre os foliões e não foliões. Ficaram principalmente as imagens lançadas pelas estações de TV, impressas nos jornais, revistas e também, àquelas coloridas e espontâneas que vivemos e presenciamos nas ruas desta cidade mágica, capaz de dançar e cantar durante cinco dias em pleno período de desgraça. Esquecemos a economia capenga e sob proteção de Iemanjás estilizadas penduradas ao longo das avenidas, pulamos atrás de 70 trios elétricos, vestidos de mortalhas, macacões e outras roupas extravagantes em busca de um pouco de alegria.
A cada ano assistimos o aumento desta explosão de cores e imagens indescritíveis. Exercemos a arte de viver, dançar e cantar esquecendo os problemas, as diferenças de cor, credo e posição social. Isto tem importância fundamental para esta miscigenação invejada em todo o mundo.
Ao término do reinado de Momo, eis que todos retornaram cansados reclamando do pouco tempo de folia. Os que fugiram do Carnaval, por razões discutíveis, não sabem o que realmente perdem por não participarem desta festa gloriosa.
Porém, o consolo é que no próximo ano teremos outro Carnaval! Quando a decoração deverá se estender a outros espaços, os elementos desta mesma decoração serão multiplicados para que a alegria seja coroada de mais cores e formas plásticas. Confesso que este ano gostei da decoração. É verdade que não acompanhei o processo de escolha porque estava em gozo de férias. Porém, não recebi muitas reclamações, como aconteceu nos anos anteriores. É um bom sinal!
Com decoração ou sem decoração o baiano é capaz de fazer qualquer festa. Bastam as barracas à beira das ruas e muita cerveja que o samba brota como uma flor que explode em cores na terra ressequida do Nordeste. É uma força estranha e incompreendida pelos mais acirrados críticos desta sociedade. Porém, compreendida e vivida por aqueles que se identificam com as manifestações espontâneas do povo.
E, por falar em povo, aí está uma foto de Valdir Argolo, de A TARDE, feita em plena manhã de Quarta-feira de Cinzas.
Num pequeno balcão improvisado de uma barraca este cidadão dormia “o sono dos justos”. Trabalhara e brincara durante os cinco dias e agora dormia tranqüilamente, ostentando em sua frente o cartaz de propaganda de um refrigerante com ilustração de garotos rindo e uma mulher sendo carregada por dois rapazes. O riso e o sono. Dois momentos que foram vividos neste período, sem falar no sonho estampado nas fantasias douradas, nas plumas, paetês e até mesmo no bater forte dos tambores que rufaram alegres por estas ruas de Salvador.

NEUZA ESTÁ EXPONDO NA GALERIA CAÑIZARES


Neuza Maria Setúbal de Castro. Nome artístico: Neuza de Castro, nasceu na Ladeira do Chora Menino, Largo do Tanque, em Salvador. Sua formação artística : diversos cursos de desenhos e pintura, sendo o mais importants o Curso Livre de Desenho,na Faculdade Armando Álvares Penteado (São Paulo). Além de sua experiência no contato com livros e revistas de artes, visitas e pesquisas em museus, galerias e salões.
Começou a expor seus trabalhos em 1972, tendo participado da “Exposição Cadastro”, no Museu de Arte Moderna da Bahia (1979); Salão “Mostra Nova” Centro de Artes Shopping News (São Paulo), em 1980; 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea (Prédio Bienal de São Paulo), em 1982.Emprega as técnicas óleo, aquarela e xilogravura. Trabalhou durante vários anos com cerâmica (escultura e pintura).
Os trabalhos apresentados na Galeria Cañizares ( com o patrocínio do Museu de Arte Moderna da Bahia), compõem-se de 19 quadros a óleo de 0,46x0,56cm e 0,50x 0,70cm de dimensão, com os preços respectivos de CR$25.000,00 e CR$35.000,00.
O ponto comum a todos os quadros é o muro pichado, diante do qual ocorrem cenas do cotidiano das cidades grandes, com seus personagens sofridos, confusos e marginalizados.
Neuza de Castro foi para São Paulo já adolescente.Teve, portanto uma profunda vivência baiana. Isso permitiu-lhe ter uma visão referenciada de São Paulo. Nestas telas ela procura sintetizar esta experiência. Cada quadro tem várias leituras ao mesmo tempo o muro que aprende e asfixia, são os monstros de concreto chamados prédios; as pichações são os gritos de uma cidade durante a ditadura; as pessoas são migrantes que saem de sua terra por motivos econômicos mais continuam marginalizados na cidade grande, sem perspectiva de futuro melhor.
Tudo isso pode dar idéia de que os quadros são pessimistas, apocalípticos. Na verdade, porém, Neuza de Castro procurou retratar a realidade para que as pessoas enfrentem e veja que é necessário racionalizar o chamado progresso que está, entre outras coisas, destruindo nossa identidade brasileira, conquistada pelos antepassados índios, africanos e portugueses, ao longo de sofridos 4 séculos.
Neuza de Castro pretende também deixar registrada a pichação, movimento que teve muita importância nos anos 70. Muitas das pichações pesquisadas e registradas já foram apagadas, tendendo, portanto ao esquecimento.
Em 1981 fez uma individual de óleos na Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Seu diretor, o poeta Francisco Luís de Almeida Salles, apresentando-a no catálogo, escreveu: “E, curiosamente, artista plástica bem dotada, não a seduziu o abstrato, nem o figurativo neutro. Pôs seu desempenho artesanal em função de uma certa charge da realidade social e política. Mas consegue evitar, com raro equilíbrio, o panfleto e o anedótico. São pinturas da situação do homem na sociedade fechada, cercado de perigos e de ameaças, mas sem nunca conceder somente ao tema, sempre preocupada com a feitura exigente, pictórica e plástica”.


PINTURA BAIANA ATRAI GRANDE PÚBLICO NO 
RIO DE JANEIRO

A afluência de público à exposição de pintura baiana, na sede da Fundação Roberto Marinho, na antiga Casa do Bispo (na Rua Paulo de Frontin, Rio de Janeiro), organizada pela Fundação Cultural da Bahia, tem sido intensa, numa demonstração do interesse dos cariocas pela mostra, que contém trabalhos em óleo, madeira e tela e lembra a “Escola Bahiana de Pintura 1764 a 1850”.


Na exposição, a figura principal é o pintor português José Joaquim da Rocha que produziu, no decorrer de 40 anos, mais de 150 obras na Bahia, Pernambuco e Paraíba, tendo fundado a primeira Escola de Belas Artes da Bahia, transmitindo, pela prática, os seus segredos de pintura a vários discípulos baianos. O governador Antônio Carlos Magalhães, que esteve presente à inauguração da exposição, destacou a sua importância cultural, ressaltando a presença constante da Bahia em todos os movimentos culturais de relevo no país. Na foto ao lado, o Governador Antonio Carlos Magalhães e o jornalista Roberto Marinho, na inauguração da exposição.

                                                                    A MOSTRA
A exposição é promovida, além da Fundação Cultural do Estado da Bahia, pela Fundação Roberto Marinho, com apoio de diversas empresas da área privada. É uma oportunidade para o público do Rio de Janeiro tomar contato com essa escola de pintura brasileira.
Quando José Joaquim da Rocha chegou à Bahia, a Cidade do Salvador não tinha mais a mesma importância política da época em que era Capital do Brasil, e os pintores do Sul do país haviam deixado de encomendar suas tintas à Bahia. Mesmo assim, durante toda a segunda metade do século XVIII, a Bahia se impôs com a sua arte religiosa. Suas igrejas, construídas em tempo anteriores, tiveram o interior decorado com deslumbrantes pinturas em perspectiva, cujo exemplo mais significativo é o da Igreja da Conceição da Praia. Com uma pintura em terceira dimensão, em profundidade, a Bahia ficou na vanguarda em relação ao resto do Brasil, que continuava a pintar em suas dimensões, à maneira antiga. E, atrás deste novo estilo de pintar, está José Joaquim da Rocha.
Ele não era um pintor revolucionário. Era um artista medieval, que pintava rezando e rezava pintando, esperando a sua recompensa depois da morte. Não assinava os seus trabalhos, não cobrava caro pela sua pintura e distribuía o pouco que ganhava entre os pobres e necessários.
José Joaquim da Rocha entrou em contato com a pintura em perspectiva por acaso. Em 1689, a Bahia recebeu a visita de um “insigne pintor de Roma”, cujo nome não é revelado em nenhum documento. Esse pintor desconhecido cobriu o teto da nave da antiga Igreja da Sé  - já demolida - com uma pintura em perspectiva que iria influenciar profundamente José Joaquim.
Em Portugal, José Joaquim da Rocha havia aprendido apenas pintura em perspectiva imperfeita e pintura de quadros bidimensionais, imperfeições que ainda aparecem nas pinturas executadas entre 1767 e 1769 na Paraíba e Pernambuco. Mas, no decorrer dos anos seguintes, José Joaquim aperfeiçoou tanto a sua pintura ilusionista que passou dos quadros bidimensionais para os tridimensionais apenas às custas do seu esforço individual.

QUATRO ARTISTAS EXPONDO NA GALERIA DO MÉRIDIEN - 12 DE ABRIL DE 1982.

JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA , 04 DE ABRIL DE 1982.

QUATRO ARTISTAS EXPONDO NA GALERIA DO MÉRIDIEN


 Um índio do Maranhão, um cearense de cabeça chata, uma pernambucana e outra paraibana estão reunidos numa exposição que está aberta à visitação pública no Hotel Méridien.
Guiga é o cearense encantado pelo mar e as coisas simples. Trabalha com matizes tênues. Suas telas revelam a pureza do artista nato que não foi impregnado pela rigidez das técnicas. Uma pintura quase ingênua. Já o Izaías, ou mais conhecido pelo apelido de cacique Izaías, traz em seus trabalhos a força das matas com a flora e fauna exuberantes. Fala pouco, como que vive desconfiado do mundo dos brancos, embora já tenha uma grande convivência com as vantagens tecnológicas desta sociedade e conheça suas bondades e vícios. De quando em vez ele sai da temática que está em sua própria pele e tenta pintar baianas e outras coisas que nada têm a ver com a sua gente, com o seu verdadeiro mundo. Porém, quando volta seus olhos e sua criatividade para a mata de onde veio, nos revela um pintor digno de um lugar de destaque na arte brasileira.
Aí sim, vemos e sentimos o índio Izaías pintando para o mundo dos brancos.
Ivonete Dias, a paraibana, mostra sua gente simples e as coisas de sua terra. São as mulheres rendeiras , outras que trabalham com cerâmica, os cangaceiros e todo aquele mundo mágico e sofrido da terra da seca. O colorido é forte, como é no sertão.
Finalmente, temos a Mary Jane, uma pernambucana com sua arte mística.Portanto, são quatro artistas que merecem ser vistos, pois têm uma identidade.Pintam os costumes, a gente e a própria religiosidade mística do Nordeste, esta região sofrida e esquecida pelos homens de poder.

RICHARD WAGNER DESAFIA A IMAGINAÇÃO DO ESPECTADOR

Wagner e duas de suas últimas telas que
mostrará aos baianos.
Com poucos minutos de conversa qualquer pessoa percebe a ansiedade e a inquietude que existem dentro do artista Richard Wagner. Esta inquietude tem lhe proporcionado incursões em vários patamares da arte. Ele sempre está à procura de materiais e de expressões que permitam extravasar os seus sentimentos e emoções através de formas abstratas, surrealistas, concretas e assim por diante. Trabalha com madeira, com barro, com metal, látex, enfim com uma gama de materiais que assim vão satisfazendo suas indagações de momentos. 
Além de tudo isto Wagner gosta de incursionar pela palavra escrita tentando dar uma dimensão de significado ao que expressa através das telas e painéis. Evidente que o significado de suas emoções muitas vezes não chegam a acrescentar muita coisa, porque tem uma carga subjetiva muito profunda. As indagações em vez de serem respondidas, ao contrário, as pessoas passam também a procurar o entendimento nas suas palavras ditas com emoção. O desencontro entre o desentendimento, dos leitores demonstram exatamente o espírito e o viver de Wagner
Sua obra tem uma carga de emoção onde quase não há lugar para a razão. É preciso examinar uma tela deste artista entendendo o seu autor. Aí sim, você encontrará as respostas para suas indagações e certamente a razão maior de toda aquela carga de subjetividade que vislumbra. Sua obra é um desafio constante à imaginação do espectador. Ele próprio diz:
“Acho que uma obra deve ser sempre um desafio constante à imaginação do espectador. Uma obra  por mais simples que seja, deve distribuir o desejo da procura, da pergunta, do desafio; creio na obra que desafia a si mesma e, em ato contínuo ao espectador. Creio na obra que reflete ou reporta ao espectador o mistério, pois é deste espectador que vive realmente a obra. Creio ainda, no espectador e no artista que se desafia perante a obra, e vice-versa, porque é deste mistério entre obra/espectador/artista, que vive a cultura de um povo. Creio também na obra que desafia o espectador”.

ESCULTORES BRASILEIROS REUNIDOS NUMA EXPOSIÇÃO QUE VAI À EUROPA

Dois fatos inéditos no campo artístico brasileiro marcaram o panorama cultural de São Paulo, a realização da exposição “Cem Anos de Escultura no Brasil” , no Museu de Arte de São Paulo, e o lançamento ocorrido no dia da inauguração da mostra, do livro com o mesmo título, obra pioneira sobre a escultura feita em nosso país durante o último século.
Diante da completa falta de material informativo sobre a escultura desse período, o MASP, em colaboração com a Galeria Skultura e a Philip Morris Brasileira S/A, patrocinadora do evento, deram uma contribuição fundamental à cultura nacional com o lançamento do livro "Cem Anos de Escultura no Brasil”.
Baseado em minuciosa pesquisa elaborada para exposição durante a qual foram obtidos mais de 400 nomes de escultores que trabalharam no Brasil, trazendo análises críticas do professor Pietro Maria Bardi, diretor do MASP, e do crítico de artes plásticas Jacob Klintowitz, o livro tem 124 imagens de página inteira (quando a média, para livros de arte no Brasil, é de 60 imagens). O texto  em português e inglês, e a tiragem, de 3000 exemplares. Por sua vez, a Philip Morris, ao patrocinar ambos os eventos, pretende contribuir para o desenvolvimento da pesquisa artística e o enriquecimento da cultura nacional.
                 
O Papel da Escultura 

De fato, a exposição contribuiu para estimular o debate sobre a escultura, recolocando a discussão de seu papel no contexto da arte contemporânea e a sua compreensão pelo público em geral. É oportuno lembrar, por exemplo, que a partir do momento em que a arquitetura se impõe nos grandes centros urbanos a escultura passa a ter nova função, deixando de lado a tradicional decoração em túmulos e as homenagens a datas históricas e homens públicos, em praças, para integrar-se à harmonia das construções arquitetônicas contemporâneas. Faz, então uso de novas técnicas, novas formas e materiais, rompendo com sua linguagem tradicional. Nesse sentido, segundo Jacob Klintowitz, professor de História da Arte Moderna, a escultura é fundamental para o estudo das civilizações e para a aquilatação do desenvolvimento de um país, já que envolve as técnicas e os conceitos à disposição da sociedade.
A mostra ocupou três salas do MASP, os dois mezaninos e o grande hall cívico, onde as obras estão dispostas por ordem cronológica de nascimento dos autores e divididas em dois grupos: figurativo (obras clássicas que merecem, no livro, uma análise do prof. Bardi) e informal (obras não-convencionais, analisadas por Jacob Klintowitz).
Três artistas que passaram do figurativo para o informal Victor Brecheret, Felícia Leiner e Bruno Giorgi têm uma obra em cada grupo.Foram montados também painéis retratando os monumentos mais significativos, como o da Independência, no Ipiranga, do escultor Ettore Ximenez.
Além de seu caráter espetacular, o divertimento, a tridimensionalidade (o espectador se vê entre os objetos), a exposição teve um objetivo cultural o de familiarizar de uma só vez o público com toda a escultura brasileira. Para tanto, ao lado dos mestres mais conhecidos, numerosos escultores jovens, ainda desconhecidos do grande público e cujas atividades repercutiram somente nas suas cidades de origem, foram incluídos na exposição, que poderá ser levada a Nova Iorque, Munique e Londres ainda este ano.

                                                          MURAL

ARTE RELIGIOSA- É a coletiva na Panorama Galeria de Arte, onde Licurgo mostrará os seus recentes trabalhos, com inauguração em 15 próximo até o dia 25 de abril. Licurgo mostrará três trabalhos: O Cristo Nordestino, Maria do Nordeste  e o Anjo de Cor.
No seu trabalho, o artista não detalha a figura, pois quer mostrar e deixar registrado todo o sofrimento do povo de uma região que precisa ser olhada e trabalhada com mais intensidade, o que podemos dizer: sempre em planos iguais às outras regiões, devido às necessidades de irrigação, saneamento básico e outras, que são indispensáveis à sobrevivência do ser humano.


O ESPAÇO NIKKEY DE ARTES- Dando seqüencia às suas atividades culturais, reunirá a “Primeira Geração” de artistas nipo-brasileiros numa mostra a ser aberta amanhã, às 20 horas.
A exposição contará com obras inéditas de Manabu Mabe, Tomie Ohtake, Tikashi Fukushima, Flávio-Shiró, Yutaka Toyota, Bin Kondo, Sachicko Koshikoku, Hissao Oharo, kazuo Wakabayashi e Tomoshige Kusuno.
Desenhos, pinturas e esculturas que retratam muito bem o mesclar das duas culturas, estarão expostas diariamente das 10 às 22 horas, de amanhã até 02 de maio, no Nikkey Palace Hotel, na Rua Galvão Bueno, 425; São Paulo.
Na foto uma tela de Flávio Shiró.

CAÓ TEM LIVRO- O cartunista Caó lança seu livro “Papagaio com rabo de Boi” com apresentação do poeta  Carlos Capinam.
São desenhos de humor segundo o convite “destinados a todas as idades”.
O lançamento será amanhã, às 20 horas no restaurante Manga Rosa, que fica na Rua Cezar Zama, número 60, na Barra.







UMA VISTA A 30ª BIENAL PAULISTA - 13 DE SETEMBRO 2012


UMA VISITA A 30ª BIENAL PAULISTA

São Paulo , 13 de setembro de 2012.
Texto e Fotos Reynivaldo Brito

 Instrutores conduzem e explicam às crianças detalhes da obra Silence, de 1995, do artista David Moreno.

A 30ª Bienal de São Paulo que está aberta ao público até o dia 10 de dezembro deste ano, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, traz como tema central “A iminência das Poéticas” e propõe-se segundo seu curador Luís Perez-Oramas “ como uma estrutura de sentido constelar. Os artistas e as obras aqui presentes foram selecionados e instalados em função de uma dupla potência de vinculação: vinculação entre eles, quer dizer, entre artistas dissemelhantes formal e gerencialmente, sempre aberta, sempre iminente; e vinculação de suas obras entre elas próprias, formando constelações quase retrospectivas mais ou menos autocontidas”.
O curador “encontrou” doze constelações entre os artistas expositores, mas ele abre  a possibilidade do visitante encontrar outras, a depender da sua sensibilidade e da percepção diante do que está exposto. Ele cita Goethe  quando o filósofo alemão diz que “ todo existente é o análogo de todo existente”. Para ele  “  o importante não é tanto a arbitrariedade dos vínculos como a possibilidade de que esses sejam intelectual e responsavelmente justificados, estabelecendo assim a potência de uma comunhão polêmica de sentido. Não é outra coisa o que entendemos por “ Iminência das Poéticas.”.
Das várias bienais que já visitei acredito que esta seja uma das mais intangíveis para o visitante comum, aquele que não tem muita vivência com a arte contemporânea. Existe um excesso de instalações utilizando de recursos audiovisuais (cinema,vídeo e fotografia) e nas horas que passei por lá a maioria delas fica completamente vazias, não atrai  a atenção do visitante que passa batido a procura de ver coisas mais palpáveis. Quando via grupos de crianças visitando esta bienal, mesmo acompanhados de instrutores, acredito  que o choque é  muito grande e que  o rendimento  talvez seja muito pequeno. Mas, de qualquer forma, vale este encontro com a arte e alguma coisa deve ficar marcada na sua formação futura.
Para mim a arte tem que emocionar. A arte não precisa ser necessariamente   totalmente compreensível, ela tem que causar emoções e inquietações. Tem que romper, inovar, porém, confesso que muitas das instalações e performances que vi  não me trouxeram qualquer emoção e serão (  se  já  não foram) ligeiramente esquecidas. As viagens de alguns artistas são viagens suas, as quais muitas vezes não conseguimos decodificar coisa alguma, não conseguimos penetrar por várias razões.   E, é preciso ser aberto para dizer isto. Muitos se escondem no silêncio ou através de conceitos incompreensíveis e intelectualmente discutíveis. Talvez minha  capacidade, de uma pessoa medianamente instruída ,não esteja à altura de entender toda esta  "Iminência das Poéticas " que o curador propõe.



Uma das obras que realmente a trazem alguma emoção são as de Arthur Bispo do Rosário ( foto ao lado)  que viveu quase cinquenta anos num hospício juntando, colando, costurando e  pregando tudo que encontrava pela frente. Ele acreditava estar fazendo um papel divino e assim passou os anos entre a criatividade e o delírio. Seus estandartes, assemblages e objetos são hoje consagrados como obras referenciais da arte contemporânea brasileira. Sua arte já foi exposta nos principais museus do mundo com grande aceitação do público e da crítica. Acredito que seus trabalhos estão mais próximo do delírio.
Num artigo publicado recentemente na revista  Filosofia,  André Assi Barreto diz que o apreciador comum de muitas dessas obras de arte contemporâneas tendem a rejeição, enquanto os adeptos das correntes artísticas modernas atribuem esta postura à incompreensão ou ao preconceito. Como não ter preconceito diante das várias fotos de homens nus com os pênis expostos sem qualquer motivo ou valor estético? Estão lá na bienal aparentemente como se fossem fotos dessas revistas “especializadas” para determinado público, quase pornografia explícita! Este é trabalho de um dos expositores da bienal paulista. Essas “obras” são de autoria Mark Morrisroe, nascido em 1959 em Malden, nos Estados Unidos, o qual faleceu em 1989, em Jersey  City, também nos Estados Unidos, após contrair o vírus da Aids.
Agora buscamos o choque, a feiura ou a incompreensão na produção da obra de arte .Na maioria das vezes são obras efêmeras,  as quais só  duram o tempo de uma exposição.
Lembra o autor que o filósofo inglês Roger  Scruton , conhecido como o filósofo das “causas perdidas” ,  que hoje a arte deixou de atribuir sentido à vida e é substituído pelo desejo de causar impacto a todo custo.  “ O caminho mais curto para isso, de acordo com o filósofo , foi romper com a moral tradicional e estabelecer o escárnio moral. A quebra de tabus passou a ser a bandeira da arte dita moderna: profanar e dessacralizar o sacro, cultuar o feio, levando todos ,dos especialistas ao apreciador comum, à total confusão. Isso se deve a uma concepção de arte equivocada”.
Equivocada ou não a 30ª Bienal de São Paulo reúne dezenas de instalações que realmente  estariam dentro desta visão de Scruton.
Esta posição, tanto de Roger  Scruton ou de qualquer outro que discorde desta arte que se propõe a ser contemporânea, é considerada pelos “especialistas” como resultado do conservadorismo e mais radicalmente falando da ignorância e da dificuldade de aceitar o novo ou do preconceito.
Parodiando Joãozinho Trinta, o saudoso carnavalesco, “ quem gosta de coisa feia é intelectual ou especialista em arte”.
Vamos à Bienal: Vou destacar alguns dos artistas que me transmitiram alguma emoção e compreensão do que vi e ouvi. Não segui a orientação do curador formando ilhas ou mesmo constelações procurando semelhanças. Apenas falo de uns poucos que  entendo merecer algum registro.



1) David Moreno , reside em New York, tendo nascido em 1957 em Los Angeles, também nos Estados Unidos. Suas obras trazem a articulação constante de dois universos que são: figuralidade do som e a sonoridade da imagem. Através de suas instalações sônicas ele chama a atenção, nos faz parar , meditar e até brincar com a sonoridade . As crianças que vi visitando a bienal se deliciavam os  sons emitidos por suas obras. Numa delas um grupo de molas dependuradas transmitiam um som agradável de ouvir. Na obra Silence , ( foto ao lado)  de 1995, ele colou várias fotografias de personagens antigos, formando um grande mural  e  em  suas bocas uma corneta  de papel amarelo . Deu um efeito interessante e segundo  os organizadores “ suas obras emolduram questões sobre a mortalidade do corpo, a condição animal do humano e os impulsos de vida e de morte manifestos sob  a forma de sintoma”.

Tehching Hsieh – Nasceu em 1959 ,  Nan-Chou , em Taiwan, mas vive em New York. Na primeira de suas performances ele ficou confinado numa  cela em seu estúdio e registrou tudo num relógio de ponto e com fotografias,( foto ao lado) todas as horas do dia. Outra performance  passou 365 dias nas ruas de New York. Depois ficou amarrado a uma mulher sem poder tocá-la. De 1985 a 1986 ,anunciou seu distanciamento do mundo da arte. Finalmente,  se propôs a fazer arte durante 13 anos sem mostrar, até completar 49 anos, quando concluiu o plano e deixou de atuar como artista.
A sensação é de que o artista está passando por uma sessão de tortura ,dessas que agora estão sendo desvendadas em vários países latino americanos, inclusive no Brasil, após a queda das ditaduras. O relógio de ponto vira uma máquina de tortura.


Eduardo Gil – nasceu em 1973, em Caracas, Venezuela e vive em New York, nos Estados Unidos. É um artista emergente latino americano  que articula estratégias de instalação e formas arquivistas. Uma de suas obras expostas apresenta uma série de retângulos girando. É  uma das que mais chama a atenção do visitante, por seu caráter lúdico, participativo. Muita gente e posiciona com pequenas máquinas fotográficas que gravam e, também com celulares para flagrar o giro das formas geométricas. São dezenas delas que a cada instante mudam de posição formando várias situações.



Bas Jan Ader – Nasce em 1942, Winschoten, Holanda e morre em 1975.  Desapareceu no Oceano Atlântico para onde partiu num veleiro tentando atravessá- lo. Nunca mais foi visto. Ele misturava o tom dramático com o cômico. Num audiovisual cai do telhado de uma casa com uma cadeira que tentava sentar. Noutra obra ele se inclina sobre um cavalete, e intitulou de Broken Fall ( Geometric, 1971). Foto ao lado, Divulgação . O artista performático fazia estas experiências indagando o sentido da vida e da existência humanas.   Este seu desaparecimento, que na realidade  viajara
- Em busca do Milagroso -  fez criar uma mística sobre ele , o qual teria ido até as últimas consequências em suas experiências.



Edi Hirose - apresenta fotos grandes de construções estranhas feitas por moradores da região central da selva peruana. Sua obra intitulada Pozuzo  é um ensaio onde  ele apresenta esta região. Nela, há mais de 50 anos vivem imigrantes descendentes de alemães e austríacos. Ele apresenta situações desses moradores e suas habitações, onde algumas delas nos lembram dos puxadinhos estranhos que encontramos em nossas favelas, que agora os idiotas que defendem o politicamente correto tentam mudar de nome para comunidades.
Outra coisa, que me chamou a atenção foi a presença de muitas obras fotográficas e audiovisuais   em detrimento de telas e objetos tridimensionais, no caso as esculturas. As instalações utilizaram muito as técnicas fotográficas, cinema, som e vídeo e, sendo o papel um dos materiais mais presentes nesta bienal.


Alejandro  Cesarco - Nasceu em 1975,Montividéu,Uruguai, também vive em New York. Portanto, mais um que reside nos Estados Unidos e sua arte reflete a contemporaneidade daquela cidade cosmopolita. Ele explora a leitura por entender que o leitor tem sua participação, a qual é tão importante como do autor. O que está além da palavra lhe fascina. ( Foto ao lado)
Sabemos que mesmo como leitor ou ouvinte de uma leitura de texto  o indivíduo cria em sua mente imagens que são diferenciadas . Elas variam a cada indivíduo. Por exemplo, o personagem de um romance lido ou  ouvido por pessoas diferentes, evidente que ele será “criado” com características muito diferenciadas, individualizadas por cada um deles.



Andreas Eriksson – 1975, Sjörsäter , Suécia,  vive em Medelplana, também na Suécia, onde trabalha com diversos meios como pintura, fotografia ,escultura e instalação. Suas fotografias retratam a natureza. As produções mais recentes , fotografia e pintura se unem e o artista cria dípticos e trípticos  que " justapõem ilusão e realidade e suscitam questionamentos sobre a relação do homem com a natureza.”
Chamou-me a atenção esta obra ao lado  que não está em destaque, tanto no Guia como no catálogo da bienal.
Mas, a 30ª Bienal Paulista tem obras expostas em outros locais  como na Estação da Luz, Casa Modernista, Instituto Tomie Ohtake, Casa do Bandeirante, Capela do Morumbi, Museu de Arte de São Paulo ( MASP) e Museu de Arte Brasileira da FAAP. Logo, para visitá-la  completamente você tem que dispor de 3 ou mais dias. Essas obras que falei um pouco acima estão todas no pavilhão da bienal no Parque Ibirapuera, onde se concentram a grande maioria.




sábado, 8 de setembro de 2012

O MEMORIAL E A VERDADE - 1º DE MARÇO DE 1982.


JORNAL A TARDE , TERÇA-FEIRA, 1º DE MARÇO DE 1982.

                                  O MEMORIAL E A VERDADE

Conforme prometi na semana anterior ao Carnaval que voltaria ao assunto Decoração aqui estou para complementar as minhas observações. Quero agradecer a Carlos Prata pela sua observação no programa  Programe em relação às críticas que fiz. Também agradeço a gentileza dos membros da equipe que ganhou  a concorrência pública em procurar-me para dar algumas explicações. Porém, fui rever o Memorial Descritivo no qual a Comissão Julgadora se baseou para a escolha do projeto de Decoração e foi lá, exatamente, que encontrei provas para novos argumentos e observações. Vejamos:
1-Na página 4 ,quando fala da distribuição dos elementos da Decoração li textualmente o seguinte: Área da Carlos Gomes e Rua da Ajuda ( v. Prancha 16). Esta composição é formada por três bandeiras representativas dos times que participam do Campeonato Nacional, ladeadas pelo símbolo da Copa.
 Homenagem às equipes nacionais que formam a força do nosso futebol.
 Nada disto foi feito!
2-Na página 5 do referido Memorial está escrito: Distribuição das Peças Ornamentais: Carlos Gomes 40 composições aéreas
3-No resumo onde é feita a soma das peças, está lá o total de 344 unidades e 120 peças aéreas para a Carlos Gomes.
Note-se que aí já não fala mais em 40 e sim em 120 peças, porque segundo explicação dos membros da equipe, as demais seriam formadas por composições com lâmpadas coloridas, portanto, integrante do Projeto de Iluminação.
O que questionei e provo agora através do próprio Memorial Descritivo é que a equipe não cumpriu, a rigor, o que havia proposto. As ruas Carlos Gomes e Ajuda foram totalmente esquecidas, e é bom que se diga que nessas ruas sempre existe concentração popular durante o Carnaval, especialmente na Rua Carlos Gomes. Não questionei ora nenhuma que a Decoração fosse feia.
Ao contrário, achei criativa, embora intrinsicamente tenha uma conotação cívica de enaltecer o futebol e outras coisas que não cabem neste momento discutir. Sei também que o grupo alegou junto a Prefeitura  que os quase 20 milhões de cruzeiros foram insuficientes para o que eles se propunham a fazer. Ora, então não estimasse o projeto nesta quantia, já que de antemão sabiam que não iam ganhar dinheiro. Não admito que profissional trabalhe sem ganhar. Trabalhou, tem que receber dignamente. Foi também errada a Prefeitura em não estimar quanto tinha para gastar na Decoração. O limite tem que ser estabelecido, como , por exemplo, até 20 milhões e assim os projetos seriam concebidos dentro desta estimativa. Omissões de lado a lado, portanto.
Também aguardei que todas as peças fossem colocadas nas ruas e praças para dar uma opinião sobre a plasticidade da Decoração.
Confesso que gostei, achei bem executada, um colorido bonito e bem diferente da que foi colocada no ano passado, que não tinha criatividade e sim apenas improvisação de péssimo gosto.
Nesta Decoração dá para a gente sentir a profissionalização, no desenho, na criatividade e  faltou no cumprimento no que os membros da equipe tinha se comprometido. Parece chato a gente ter que voltar a falar da Decoração. Mas é preciso saber que existe alguém atento a possíveis fraudes, marmeladas e falta de compromisso.
Também esqueceram da nova taça. Uma lástima!
Quando estiveram comigo, disseram que a nova taça não é conhecida! Ora, melhor razão para divulgá-la, para torná-la conhecida. O que vemos são desculpas insustentáveis. Mas, o pior é que não tem mais jeito porque já embolsaram o dinheiro. Fica, no entanto, o aviso para que os responsáveis pelo dinheiro público amarrem as coisas de tal forma que tenham condições de exigir.
Tudo isto é fruto da desorganização de alguns setores públicos que não planejam detalhadamente as coisas. É preciso estipular com antecedência o valor, dar condições e tempo para execução do projeto e tudo mais. Lembro agora que enquanto no Rio de Janeiro e em outras capitais as decorações eram inauguradas , aqui nem havia começado, porque o dinheiro não havia sido liberado. É preciso lembrar que o Carnaval da Bahia desperta muita inveja nos promotores de carnavais de outras cidades. Temos que nos esmerar para que o melhor Carnaval do Brasil não seja prejudicado como vem sendo nestes últimos dois anos.

ASSOCIAÇÃO DE ARTISTAS QUER ADQUIRIR  UMA SEDE


Reunidos em Assembleia Geral na última sexta-feira, à noite, na Escola de Belas Artes da Universidade  Federal da Bahia, membros da Associação de Artistas Plásticos da Bahia, discutiram vários problemas de interesse da classe, entre os quais, a aquisição de uma sede própria para a entidade.
A presidente da Associação, Denise Pitágoras ,informou que a proposta já foi aprovada pelos associados e conta, com o apoio do Conselho de Cultura, através de sua Câmara de Arte, cujo representante é o professor Wilson Lins, com quem já manteve contatos anteriores, do Museu de Arte Moderna da Bahia, da Coordenadoria de Museus e da Escola de Belas Artes.
Na foto vemos poucos presentes  na reunião e muitos para cobrar trabalho...
Além da aquisição da sede própria para a Associação dos Artistas Plásticos da Bahia, durante a assembleia foi apresentado o Relatório de Trabalho que a entidade vem realizando em relação aos interesses da classe de artistas; discutido o problema da regulamentação da profissão; a transformação da AAPP como entidade de utilidade pública, e ainda os preparativos para a realização do II Encontro Nacional de Artistas Plásticos, a ser realizado aqui em Salvador no próximo mês de outubro e, finalmente, a possibilidade de ser trazido também para cá o Salão Nacional de Artes Plásticas do próximo ano.

DUAS CRIANÇAS DA BAHIA CORÉIA

Recebi de d. Lícia Borges Barros uma carta onde tomo conhecimento que seus dois filhos foram premiados na 23ª Exposição Mundial de Arte Infantil realizada na Coréia. As crianças receberam medalhas de Prata e Bronze. Estou contente por duas razões: primeiro: - Foi através desta coluna que d. Lícia Borges Barros tomou conhecimento da exposição e segundo,  porque duas crianças baianas foram premiadas.
Para os que acompanham de perto o desenvolvimento de seus filhos informo que a 24ª Exposição de Arte Mundial Infantil promovida por uma fundação coreana será realizada este ano no mês de outubro. Os que estiverem interessados podem procurar o editor desta coluna que fornecerei cópias da ficha de inscrição. Publico a seguir a correspondência que recebi de d. Lícia Borges Barros.
Prezado Senhor: Há alguns meses atrás , creio que em julho p.p. através da sua coluna, tomei conhecimento da 23ª Exposição  Mundial de Arte Infantil, na Coréia. Enviei em princípio de agosto dois trabalhos de meus filhos, desenhos feitos na escola ( Colégio São Paulo), e para surpresa nossa recebemos através dos Correios o seguinte resultado: 1) Minha filha, Liana Senna Borges de Barros, de 6 anos, foi premiada com Medalha de Bronze. Recebemos a medalha acondicionada em belíssimo estojo e um Certificado. 2) Meu filho, Marcos Senna Borges de Barros, de 9 anos, ( à época) teve o seu trabalho selecionado e recebeu 1º Certificado. Dois álbuns com fotografias a cores e em preto e branco, documentando a exposição e reproduzindo alguns trabalhos, foram também remetidos.
Anexando cópias esclarecedoras, informo que foram inscritos 15.426 trabalhos de 56 países e selecionados 2.640,entre os quais figuram quatro do Brasil:1)Medalha de Prata ( A Beautiful Day) de Katherina Von Bulow, 7 anos; 1ª Medalha de Bronze ( My House) Liana Senna Borges de Barros, 6 anos.(Reprodução acima)
Trabalhos selecionados:1) Marcos Senna Borges de Barros ( Experiences) 9 anos.
                                2)      Mônica Von Bulow ( Flying After The Sun), 11 anos.
Observação: ignoro o Estado  em que residem as irmãs Von Bulow.
Agradecendo a oportunidade que me deu ao divulgar o concurso , subscrevo-me, cordialmente, Lícia M.S. Borges de Barros."


                           EMMA VALLE EXPÕE

Emma Valle está promovendo a exposição de 15 artistas no que ela intitulou Divularte no Atelier Thiago, na Rua do Sodré, 48. A exposição será inaugurada amanhã e parte da arrecadação com a venda das obras será dedicado às crianças pobres. A incrível  Emma Valle nos apresenta inclusive um catálogo original com várias emendas feitas de caneta esfereográfica e na capa a seguinte inscrição: Emma Valle abre o Ano das Artes em Salvador. O trabalho da artista é um retrato fiel da sua maneira de ser.
A artista Emma Valle em seu atelier O Cartola Internacional.
Uma coisa diluviana e de difícil entendimento por aqueles que não a conhecem de perto. Poderia inclusive integrar qualquer estudo sobre a plasticidade e o inconsciente. Ela pinta tudo  desde uma gamela de madeira que surge em sua frente, uma colher de pau e assim por diante. Vive numa louca fantasia de busca e expressão. Ela mesma afirma que  "esta exposição é uma homenagem dos artistas que residem no Sodré pelos seus 15 anos de arte."
 Integram a mostra: Emma Valle, Edmilson Ribeiro, Zu Campos, José Thiago, Meireles, H. Bonfim, Hamilton Passos, Pedro Museu, Justino Marinho, César Romero, Sidney Roberto, Zivé, Guache, Tino Oliveira e Márcia Magno. Sabe-se que alguns dos expositores não moram na Rua do  Sodré.