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sábado, 15 de fevereiro de 2025

MILI E TINNA UMA IMERSÃO PELO TEMPO E A ANCESTRALIDADE

Foto 1 - Tinna Pimentel e  Mili Genestreti.
Foto 2- Mili com um díptico de sua autoria.
Foto 3- Tinna na exposição de 2016.
Ao entrar no escritório onde as artistas Mili Genestreti e Tinna Pimentel estão trabalhando vejo o famoso livro vermelho do psiquiatra suíço Carl Jung que foi um dos mais respeitados pensadores do seu tempo. Fundador da psicologia analítica ele acreditava que o tempo fixo e o espaço não existem em si, mas são produzidos pela consciência de cada indivíduo. Elas procuram trabalhar com memórias, imagens e intervenções em locais onde estão gravadas em suas pedras, paredes e vivências o tempo passado, os ensinamentos e observações de Jung servem como uma luz no horizonte que indicam um caminho embora elas não saibam onde começa ou termina. É uma viagem pelo inconsciente da criatividade que se manifesta inesperadamente indicando alguma solução ou mesmo apresentando perguntas que nem sempre são respondidas a contento.  

Foto 1- O Homem Choca o Próprio
Ovo.Foto 2 - Anlage. Foto 3- Siderado
e Aterrado.Foto 4- Entre o Exílio
e o Reino.  
Na exposição da Mili Genestreti em 2007, no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, intitulada Memorabilia, ela apresentou uma série de objetos que recolheu e trabalhou na fazenda de seus ancestrais mostrando uma força criativa que ultrapassa os limites do feminino. Num poema inserido no catálogo diz “Me inquieta o tempo / Que me espera / Os dias que não conheço / E que me interpelam. /Onde se deu a morada,/ Ninho de uma linhagem,/ Encontrei a convicção instintiva /Da finitude e da impermanência da vida.?Vasculhei memórias,/ Recolhi lembranças,/ Envoltas em tempo e poeira? Para criar objetos depurados,/ Quase biográficos,/E refaço o caminho/ No tempo que se pospõe ao tempo."  Ela  recolheu lembranças envoltas no tempo e na poeira para criar esses objetos com ferro, vidro, algodão, veludo e outros materiais de que lançou mão para se expressar. Acima vemos quatro objetos de Mili feitos em aço inoxidável, madeira, vidro, veludo e ovo de avestruz, integrantes exposição Outopos que realizou em 2022, em Igatu , na Galeria Arte Memória de Marcos Zacarias.

Quatro  fotos feitas em Angola com 
mulheres em seus afazeres.

J
á Tinna Pimentel em sua exposição Eikon, na Galeria do ICBA, em 2008, também em Salvador, expôs uma série de fotografias de qualidade e deu este título a uma cidade imaginária.  Ela faz uma relação entre as cidades de Luanda, em Angola, e Salvador, na Bahia. Os fazeres e a presença maciça das mulheres nos mercados populares e na vendagem de mercadorias em barracas improvisadas, as marisqueiras do nosso Recôncavo e as de lá mostram esta ligação umbilical da nossa gente com os africanos que hoje compõem o povo baiano e brasileiro graças a miscigenação que ocorre espontaneamente e cada vez mais presente. Dizem que Salvador é a cidade mais negra do país e nós baianos nos orgulhamos disto. Tinna escreveu “Era outono quando “vi” essa cidade pela primeira vez, estava envolta em uma cor acinzentada. Não vi pôr do sol mais belo, o seu reflexo fazia com que a luz surgida no céu, parecesse mais dourada”. E continua a sua visão poética dizendo: “Ao caminhar pelas ruas não se sabe, ao certo, onde está. Há a cidade-matéria, feita de edifícios, avenidas, pessoas, carros, engarrafamentos, antenas, palácios, igrejas e lixo. A outra é a cidade-imagem, feita de símbolos e signos, risos, cheiros, também feita de medo e fome”.

Antes elas participaram durante uns seis anos de um grupo que se reunia no atelier da artista Viga Gordilho, no Corredor da Vitória. Os participantes deste grupo eram: Viga Gordilho, Luiz Mário, Terezinha Dumet, Tinna Pimentel, Mili Genestreti, Nanci Novais e Walter Ornellas. O grupo não tinha um nome específico e eles se tratavam chamando dona do Tempo era a Mili; Dona da Luz era a Tinna Pimentel; já Luiz Mário era Dono do Traço, tinha a Dona da Terra, etc. Ficaram próximos  até 2009/2010 porque uns foram fazer Doutorado, outros e trabalhar em ocupações diversas  e ficaram sem tempo, e assim o grupo se desfez.

                                                         TINNA PIMENTEL

Quatro belas pinturas abstratas de Tinna
Pimentel feitas com  técnica apurada de
transparências e combinações de cores.
A artista Tinna Pimentel é arquiteta de formada pela Faculdade de Arquitetura, da Universidade Federal da Bahia, em 1976, e depois foi  trabalhar na profissão em escritórios especializados. Em seguida montou seu próprio escritório com sua irmã e cunhado, que também são arquitetos. Decidiu entrar para a Escola de Belas Artes, da UFBA, em 1981. Artista estudiosa, multimídia e pesquisadora em Poéticas Visuais com experimentações práticas/conceituais em linguagens diversas, pintura, fotografia, vídeo, instalação e objeto, tendo o ser humano e o tecido urbano como referência.

Seu nome de batismo é Ernestina Maria Filgueiras Pimentel, nasceu em seis de outubro de 1954, em Salvador, filha de Luciano Sena, de quem ela disse ter herdado o dom artístico porque seu pai gostava de cantar na noite e em programas de televisão . Disse que tanto o primário como também o ginásio e o colegial estudou em escolas públicas de boa qualidade. Fez o primário na Escola Castro Alves, localizada na Cidade Baixa, onde moravam, e depois seu pai que era funcionário federal do Ministério do Trabalho foi transferido para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo.  Ao retornarem para Salvador estudou o colegial no Colégio da Bahia, o conhecido Central. Em 2002 começou a estudar pintura com a Disciplina Pintando Com a Luz, ministrada pela professora e artista Graça Ramos. É casada com o engenheiro Otávio de C. A. Pimentel, tem quatro filhas e netos e após fazer  o mestrado seu esposo foi transferido para Luanda, em Angola. Disse que  “a arquitetura ainda permanece em mim, vi as fotos do fotógrafo Sérgio Guerra . Decidi  continuar  com fotografias e vídeos que fiz lá e relacionando com as que fiz aqui. Deixei a pintura um pouco de lado, mas para mim é terapêutica, é cura.”

Foto 1- Intervenção na Chiesa San Salvatore,
Firense, Itália.Foto 2- Hospital Psiquiátrico
San Girolano, Volterra ,Toscana, Itália.
 Foto 3 -Serrat International Residence, El
Bruc, Catalunha, Espanha.Foto 4- Biblioteca
Medicea Laurenziana, Firenze,Toscana,Itália.
“Coincidentemente eu e a Mili fomos fazer em 2015 uma Residência Artística do Art Studio Ginestrelli que é uma instituição cujos objetivos visam promover a arte contemporânea em todas as suas diversas formas num contexto internacional, estimular a criatividade através do contato direto com a natureza e do respeito ao meio ambiente, estabelecer uma troca de ideias dentro de várias disciplinas da prática artística contemporânea, estabelecer oficinas, exposições e eventos de arte ao ar livre no Parque Regional do Monte Subasio, Assis. “Nossos trabalhos individuais são muito diferentes.” Mas, elas tem em comum uma boa amizade e entendimento para realizar trabalhos artísticos de qualidade a quatro mãos e duas cabeças pensantes.

                                                            EXPOSIÇÕES E SALÕES

Mercado Livre em Luanda . As mulheres
têm presença dominante nas feiras.
Participou de diversos Salões de Arte e Bienais, recebendo da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) o Prêmio Matilde Matos pela obra Eikon (2008). Fez residências artísticas na Espanha (2016) e na Itália (2015). Realizou mostras individuais e coletivas em diversas cidades no Brasil, Itália, Angola, Espanha, México, Bolívia, Uruguai e Argentina. Em suas pesquisas atuais, busca um olhar reflexivo sobre aspectos sutis da existência humana na sua necessidade de individuação, de autoconhecimento e de transver o mundo. A individuação  que falou a Tinna Pimentel, refere-se ao processo psicológico defendido por Carl Jung que permite que uma pessoa se torne um indivíduo completo e único. Em outras palavras é a autorrealização ou o renascimento psicológico. Já o transver é uma palavra inventada que significa  “ver o mundo com os olhos, a memória e a imaginação. É uma expressão que convida à renovação.” 

Exposições IndividuaisEm 2009 - Eikon (fotografias e vídeo instalações, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Vitoria da Conquista- BA; Mulheres (fotografias), no Goethe- Instituição Cultural Brasil Alemanha, Salvador-BA; 2008 - Eikon , (fotografias e videoinstalações),  Goethe-Instituto Cultural Brasil-Alemanha. Salvador-BA; 2007 - Espelhos (fotografias e videoinstalação), na Galeria Celamar, Luanda, Angola; 2006 - Marisqueiras (fotografias), Galeria Celamar, Luanda, Angola; 1991 - A Reinvenção dos Búzios, Galeria ACBEU, Salvador-BA.

Exposições ColetivasEm 2023 - À Si Mesmo (fotografias),  Cinco,  Galeria Arte Memória, Igatu,-BA; 2022 - A Caverna (fotografia),  Saramago 100 Anos, no  ME Ateliê de fotografia, Salvador- BA; 2018 - Redenzione (fotografias e instalação, na Chiesa San Nicola , Trentinara, Provincia de Salerno, Itália; Doppio Senso (livro de artista),. Associazione Culturale Vittorio Rossi, Libri, Liberi, Firenze, Itália; 2015 - Redenzione (fotografia), Arte Studio Ginestrelle, International Contemporary Art Exhibition , Galleria Le Logge, Assis, Perugia, Itália; 2011 - Tempus, tempuranu (videoinstalação). Mostra: Tramas, Tramas e 

Uma pintura de Tinna que mostra sua
habilidde em lidar com as formas.
Tramas, Instituto Feminino da Bahia-BA;  Espelhos (vídeo), Mostra Miradas de Mujer- Muestra de videoartistas Iberoamericanas. Centro Cultural España, México; Tempus, tempuranu (vídeo). Mostra AGregadoS LaB,   Bolívia ; 2010 - Tempus, tempuranu (vídeo). Congresso Arte y Tecnologia Promovido pela Universidade Politecnica de Valencia, Espanha; 2009 - Eikon (fotografia) - Mostra coletiva: Mulheres em Movimento 2, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA; Só Deus que Sabe (vídeo) – Mostra de videoarte: Cidades do Mar,  Instituto Cervantes - Salvador -BA; 2008 – Espelhos  (vídeo). Festival Tercer Ciclo Video Arte Latino Americano, IVAM Institut Valencia D´Art Modern – Valencia, Espanha; Só Deus que Sabe – Seminário Videoarte, no Centro Cultural de España de Montevideo ,Uruguai; Só Deus que Sabe - Conferencia-Proyección sobre Videoarte, Facultad de Arquitectura y Diseño de la Universidad de Buenos Aires , Argentina; 2006 - Afetos (objeto).  Mostra Itinerante Afetos Roubados no Tempo 2, Universidade Federal da Bahia e GOETHE- Instituto Cultural Brasil Alemanha, Salvador-BA; Fronteiras InVisíveis (instalação). Ruinas Fratelli Vita, PPGAV da Escola de Belas Artes -UFBA, Salvador-BA; Tenra Infância (fotografia), Galeria Celamar ,Luanda, Angola; Mulheres Africanas (fotografias),  Mostra Viva Maria,  Instituição VIVA MARIA - Hotel Pestana Salvador-BA;  Só
Tinna em seu ateliê  pintando , 2006.

Deus que Sabe(vídeoinstalação),  Guardadores  PPGAV da EBA-UFBA, Salvador-BA; 2004 -Entre Imagensvídeoinstalação),  Mostra Assentos: Lugares de Ausência, ACBEU- Associação Cultural Brasil Estados Unidos, Salvador-BA; Oco Caboclo (fotografia),  Mostra Art & amp; Sale , ACBEU-Associação Cultural Brasil Estados Unidos, Salvador-BA; 2003 - Luzir
(pintura),  Mostra Artes Voisuais na Bahia, Gabinete Português de Leitura - Academia de Letras e Artes do Salvador-BA; De Menino Pra Menino: Uma Instalação Interativa, Catedral Basílica de Salvador-BA ; Cristais (pintura),  Galeria Arte Memória, Igatu-BA; 2002 - Em busca do eu (instalação),  Bienal do Recôncavo, Fundação Danemann - S. Félix -BA ; Cristais (pinturas), FIB –Faculdades Integradas da Bahia, Salvador-BA; Espirais de Luz (objeto), Mostra Internacional Pasagem-Pass(A)gem, GOETHE - ICBA Instituto Cultural Brasil Alemanha, Salvador-BA;  2001 - Santo Antônio é Luz (objeto),  Mostra Santo Antônio,  Atelier Luiz Mário, Salvador-BA; 1995 - Cristais (pinturas),  Espaço Cultural da Câmara dos Deputados de Brasília, Brasília-DF;1993 - Cristais (pinturas), Salão de Artes Litoral Norte, Prefeitura de Lauro de Freitas-BA; 1992 - Urbanos (pinturas), Coletiva de maio. Teatro Atheneu, Aracajú- SE; Urbanos (pinturas), Mostra Janelas, Espaço Cultural do Banco do Brasil, Porto Seguro-BA; 1991 - Urbanos (pinturas), Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal, Aracajú- SE;  Búzios (pinturas),  Bienal do Recôncavo, Fundação Danemann , S. Félix-BA; 1990 - Búzios (pinturas),  SUAV – Salão Universitário de Artes Visuais ;Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA.

                                                     MILI GENESTRETI

Expressiva escultura de Mili que 
mantém em seu acervo pessoal.
A artista Maria Emília Uzeda Genestreti, a Mili Genestreti, como assina suas obras nasceu em Salvador em 4 de março   de 1958. É filha de Waldemar Neves Uzeda e Hilda Maria de Lima Uzeda Uzeda , casada, com o médico geriatra   Décio Mello Genestreti, tem dois filhos adultos, um mora em Dubai e a moça no México.  Estudou o primário na Escola Nossa Senhora da Conceição, no bairro de Brotas, morava com seus pais e o ginásio no Colégio de Aplicação, que funcionava na Avenida Joana Angélica juntamente com a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Neste prédio hoje funciona o Ministério Público Instituto Social Estadual. Em seguida foi fazer o colegial no Instituto Social da Bahia, que funcionava no bairro de Ondina, e que recentemente foi fechado e suas instalações demo- lidas. Em 1979 fez o vestibular para Fisioterapia e chegou a trabalhar em alguns hospitais de Salvador. Depois aos 39 anos de idade já casada e com filhos decidiu que não era aquilo que lhe faria feliz e foi fazer o vestibular em 1997 para graduação na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia. Não fez o vestibular antes para a EBA por imposição de seus pais que não viam futuro naquela carreira. Ao terminar a graduação continuou estudando e em 2006  fez o Mestrado em Artes Visuais. Brincando lembrou que seus colegas tinham as idades de seus filhos.

Foto 1- "De Alma Lavada", instalação.
Foto 2-"América ", cimento e ferro.
 Foto 3-"Dis Alter Visum", madeira de
 demolição. Foto 4 - sem titulo,técnica
mista s/ tela.Foto 5- "Tudo Misturado",
objeto, ferro, resina, fios de cobre.

Falando de seu processo criativo disse que começou com o Tempo e a Memória e tratava do tempo que passa na superfície das coisas deixando impressas suas marcas em manchas, limo, ferrugem e rachaduras. Tempo da memória dos meus avós. Depois Os Desatinos de Margie, que era uma boneca que tinha quando estava com uns nove anos de idade. Nesta exposição trabalhei as angústias, os medos e desejos desta menina e da sua relação com a Margie. Trabalhei muito com os casulos. Em seguida veio a exposição o Tempo dos Sonhos. Este tempo é um tempo extra e tratei da impermanência da vida. Agora é o Tempo da Consciência que juntamente minha colega e amiga Tinna Pimentel estamos desenvolvendo conjuntamente. Este tempo por ser circular não tem fim. É um trabalho baseado nos estudos do Carl Jung. Elas estão colocando suas ideias num livro que está em elaboração sobre as residências que fizeram na Itália, em 2016 em El Bruc, na Espanha; em Trentinara, na Itália onde fizeram uma exposição sob a curadoria de Antonello L’abatte, também estiveram fazendo uma intervenção num manicômio em Volterra, na Itália e lá colocaram umas imensas camisas se referindo as camisas de força que os doentes eram vestidos para conter suas crises. Em Igatu, na Chapada Diamantina fizeram vários casulos pequenos e um grande. Nessas residências artísticas elas fizeram intervenções e outras ações utilizando duzentos metros de gaze, portanto um tecido transparente feito de algodão.

Exposições Individuais - E2022-Outropos -Galeria Arte & Memória, lgatu-BA; 2010-Os Desatinos de Margie - Galeria Arte & Memória, lgatu-BA; 2008- Os Desatinos de Margie – Galeria ACBEU - Salvador –BA; Memorabília - Galeria Arte & Memória lgatu- BA ; 2007- Memorabília - Caixa Cultural, São Paulo –SP; Memorabília - Caixa Cultural, Salvador-BA;  Memorabília A - Caixa Cultural, Brasília – DF;  2006 -Sulle Rive di Coqueiros - Sala del Cirgolo Signa –Itália; Sulle Rive di Coqueiros - Palazzo Dei Priori Voltera – Itália; Sulle Rive di Coqueiros Libarlboerd Libreria- Firenze – Itália; 2004- Revelare - Galeria Arte e Memória –BA; Baiano-BA ; 2003 -O Tempo e o Silêncio - Galeria Arte & Memória Įgatu, Chapada Diamantina-BA

Obra "Consciência Encarnada ".
Desenho sobre Papel Fine Art.

Exposições Coletivas - E2006 - Salão Regional de Alagoinhas – BA; Quatro por Quarenta - Arte Concreta Galeria de Arte; Projeto Paisajes,- Buenos Aires, Argentina; Por que Sonia? - Galeria Cañizares-BA; 2005 - Corpus Solus - EBEC Galeria de ArteCasa 401 - Aliança Francesa da Bahia, Salvador- BA; Afetos Roubados no Tempo, Instalação Processual ltinerante - ICBA-BA; Visualidades – Galpão; Tecido do Corpo Social – Instituto Feminino da Bahia - Museu do Traje e do Têxtil, Salvador-BA ; 2004 - De Menino pra Menino – Catedral Basílica de Salvador-BA ; Assentos Lugares de Ausência no Museu Carlos Costa Pinto, Salvador – BA; Assentos: Lugares de Ausência na Galeria ACBEU. Salvador – BA; 2003 - O Banquete - Museu Henriqueta Catarino. Salvador – BA; 2002 -- A Filosofia na Construção - Studium, Art; 2001- Princípios Vitais - Caixa Cultural; 2000 a 2004 - Antônio, Tempo, Amor e Tradição-BA; 2000 - Certo olhar, Museu de Arte Sacra-Ba.

 

 

 

 

 

 

sábado, 8 de fevereiro de 2025

DAVI CARAMELO QUESTIONA COM SUA ARTE AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Davi Caramelo trabalhando na sua
prancheta num novo desenho
.
O artista Davi Caramelo integra uma nova geração que vem trilhando pelo caminho da arte contemporânea se expressando com o uso de ferramentas múltiplas que hoje estão ao alcance de muitos profissionais das artes plásticas e visuais. É um artista multimídia e sua obra sempre busca questionar as relações humanas e suas contradições através de pinturas, desenhos, colagens , intervenções  e esculturas. Davi além do talento tem a característica de sempre estar buscando se expressar com essas ferramentas refletindo sob a condição humana diante de suas observações pessoais e vivências cotidianas. Algumas de suas obras têm contornos definindo as figuras e espaços noutras  apenas os volumes chapados com o fundo branco e preto. Ele usa o nanquim e por ter habilidade com o desenho brinca com os espaços e situações levando as pessoas a refletir com a vulnerabilidade das coisas. Algumas dessas figuras do Davi Caramelo lembram os recortes de Matisse que estão reproduzidos no livro de Gilles Néret chamado Matisse Recortes e na página dez disse o artista: “O papel recortado permite-me desenhar diretamente na cor.  Trata-se para mim de uma simplificação. Em vez de desenhar o contorno e de colocar aí a cor, desenho diretamente na cor, que tem já medidas tão precisas que não necessitam de ser transpostas. Esta simplificação assegura uma exatidão na junção de dois meios que produzem efeito em um... Não é um ponto de partida, mas sim um resultado”. O grande pintor francês fazia seus recortes em cores variadas e usava muito   a cor  preta para suas imagens e o branco do papel como fundo.

Os humanoides que remetem à nossa
condição humana.
Talvez por ter   formação em arquitetura o Davi Caramelo tem comportamento meio cartesiano, tudo é organizado, tudo está no seu devido lugar. O talento é que o diferencia  e também a sua dedicação.  Não adianta ter talento e não trabalhar com assiduidade e persistência buscando se expressar cada vez mais deixando registradas pelos caminhos e trilhas percorridos as pegadas de sua trajetória criativa. Quando ele chegou para nosso encontro trazia algumas sacolas e dentro delas obras e documentos tudo devidamente protegido por plástico bolha para que nada fosse danificado. Foi retirando um a um das sacolas, e eu de longe a observar, estranhando, porque na maioria das vezes os artistas não são tão organizados. Tem artistas de muitos anos de carreira, que nem possui sequer um currículo atualizado.

Ele divide em três partes o seu tempo trabalhando na criação de peças publicitárias para uma agência de publicidade a qual presta seus serviços, produzindo suas obras artísticas e ajudando sua esposa a padaria artesanal Ahorita que eles mantem no bairro do Rio Vermelho. Na nossa conversa contou que desde criança  gosta de desenhar e pintar. O seu pai o conhecido arquiteto Antônio Caramelo sempre o incentivou a prosseguir presenteando com cadernos de desenhos, lápis de cor e outros objetos ligados a arte. Disse que quando criança sua mãe chegou a deixar um dos quartos do apartamento onde moravam para ele riscar e pintar as paredes com seus desenhos e garatujas. Esta liberdade e compreensão dos pais com certeza foram importantes para que Davi Caramelo prosseguisse o seu caminho até sua escolha pessoal do que queria fazer em sua vida profissional.

                                                                 QUEM É

Essas são pinturas mais recentes.
O artista Davi Caramelo Magalhães Vasquez nasceu no dia seis de março de 1987 em Salvador. É filho de Antônio Caramelo Vasquez e Iara Maria Magalhães Vasquez, e tem mais uma irmã e um irmão todos formados em arquitetura. Fez o curso primário na Escola Mater Dei, no bairro de Ondina, o ginásio no Colégio PHD, que funcionava na Praça Marconi, na Pituba e o colegial no Colégio Nobel, no bairro do Itaigara, todos em Salvador. Ao terminar o colegial se submeteu aos vestibulares da Escola de Belas Artes da UFBA e da ESAMC, para o curso de Publicidade. Após a conclusão desses cursos de graduação em 2017 entrou como portador de diploma para a Faculdade de Arquitetura, da UFBA, graças a insistência de um amigo chamado Hiram Gama que estudava lá. Davi concluiu o curso de arquitetura e seu amigo incentivador e que também é artista desistiu de cursar no meio do caminho. Quando se encontram o Hiram sempre diz que vai retornar, mas até agora nada. Hoje o Davi Caramelo trabalha no turno da manhã em home office como Diretor de Arte da Morya Comunicação que é uma empresa de publicidade do publicitário Cláudio Carvalho. Durante os turnos vespertinos vai tocando as outras atividades.

Uma das  pinturas feitas 
 pelo artista em 2010.
Lembrou que um dos primeiros desenhos que fez foi de uma mulher em Paris, que ele disse ser representação de sua mãe na Cidade das Luzes. Também fez questão de lembrar o apoio que teve no início de sua carreira do artista Leonel Mattos que o convidou para participar de suas primeiras exposições. Em 2011 fez sua primeira individual chamada de Casulos, Castelos e Outras Ilusões, na Galeria RV Cultura e Arte, localizada no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Nesta mostra seus desenhos e pinturas focavam sentimentos os mais diversos com sua visão particular sobre o que observa nas pessoas e nos espaços por onde anda. Davi tem uma leveza no seu traço e uma facilidade em criar elementos figurativos para ilustrar o seu discurso que  traz algo de inovador e ao mesmo tempo de crítico embutido em cada desenho ou pintura. Revela por fim seu espírito criador de infinitas possibilidades.

Em setembro de 2013 volta a expor na RV Cultura e Arte algumas obras inspiradas no livro  da jovem escritora Ludmila Rodrigues fazendo um breve relato com desenhos, pinturas e colagens construindo uns imagináveis encontros que intitulou A Mão Invisível do Destino. Numa das pinturas sem título ele reproduziu um trecho da escritora que diz: “O remédio para lembrar que ainda estilhaçam o peito doídas, de tão lembranças para pessoas que, uma vez estiveram e lugares e tempos que não mais existem há de estar em tão somente fechar com força a caixa funda e obscura do pensamento”. É sabido que nunca devemos voltar aos locais onde fomos felizes um dia para não nos frustarmos . A gente não mais se reconhece naqueles lugares.

Painel de Iemanjá  no porto de Salvador.

Em 2023 voltou a expor desta vez na Galeria Ativa Atelier, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, e num texto crítico a Priscila Miraz denominou de "Nossos Olhos São Anfíbios com o subtítulo “A Beleza Que Lhe Segue Brilha Nas Sombras." Expôs quarenta e dois desenhos e onze pinturas todos criados no ano de 2023, onde o Davi Caramelo brinca com a luz, sombra e a espacialidade. Como podemos ver a sua produção artística além do aspecto visual nos transporta a pensar sobre a vida em seus vários momentos. Suas obras tanto os desenhos , pinturas, e colagens precisam ser observadas com certa parcimônia para fazermos nossas próprias leituras tentando decifrá-las e chegar mais próximo possível do que o artista deseja expressar. Evidente que a obra de arte permite infinitas interpretações, algumas mais cheias de sofisticações e outras mais simples e objetivas. Tudo vai depender da intensidade que aquela obra de arte impactou em cada um de nós e das informações que dispomos.

Tecido com estamparia dos
desenhos de Davi Caramelo.
Em 2015 ainda fez uma exposição em Buenos Aires, na Argentina, que durou apenas um final de semana chamada de Gente Estranha. Foi seu retorno aos recortes e colagens que também gosta de fazer. Em 2017 expôs na RV Galeria de Arte com um conjunto de obras que denominou de Psicoativas propondo “um mergulho na dicotomia das relações interpessoais, agravadas agora pela dualidade e a polarização presentes cada vez mais no nosso cotidiano”. Ele trabalhou apenas com duas cores o branco e o preto para construir suas formas . Como diz um texto que acompanha a mostra o que o Davi nos apresenta são “construções tomadas pela natureza selvagem, figuras humanoides que se mesclam com a vegetação abundante fluindo e transpassando os planos, rompendo superfícies. Edificações frias e fora de escala subvertem a noção de proporcionalidade, adequação e conforto, rompendo com o papel de abrigo pressuposto da arquitetura.” Ele cria uma tensão, e tudo parece não combinar, não dialogar ou mesmo não ter alguma função ou significado. Cria edificações frias fora dos padrões normais e desconstrói a ideia de abrigo que uma edificação possa ter, que normalmente é sua principal função.

                                       APRENDIZADO

Davi brinca com as formas
e as cores nos seus desenhos,
pinturas e colagens.
Em 2023 participou do Grupo de Orientação em Processos Criativos, ministrada por Lanussi Pasquali, na Ativa Atelier, Salvador, Bahia, Brasil ; 2018 a 2022 - Arquitetura e Urbanismo, Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Salvador, Bahia, Brasil ; 2019 - Oficina de Estamparia ministrada por João Oliveira, Ativa Atelier Livre, Salvador, Bahia, Brasil;  2012 - Oficina Novos Recursos da Pintura ministrada por Leda Catunda, Paço das Artes, São Paulo, Brasil ; 2010 - Curso Livre de Escultura ministrado por Celso Cunha Neto, Escola de Belas Artes, UFBA, Salvador, Bahia, Brasil; 2006 a 2009 - Comunicação Social e Publicidade e Propaganda, Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação, ESAMC, Salvador, Bahia, Brasil.

EXPOSIÇÕES

INDIVIDUAIS - Em 2023 - “A Beleza que te Segue Brilha nas Sombras”,  Galeria Ativa Atelier, Salvador, Bahia, Brasil; 2018 - “Psicoativas”, Galeria SDB, Shopping da Bahia, Salvador, Bahia, Brasil ; 2017 - “Psicoativas”, Galeria RV, Salvador, Bahia, Brasil; 2015 - “Gente Estranha”, Galeria A, Buenos Aires, Argentina; 2013 – “A mão invisível do destino”, RV Cultura e Arte, Salvador, Bahia, Brasil; 2011 - “Casulos, Castelos e Outras Ilusões”, RV Cultura e Arte, Salvador, Bahia, Brasil.

Há de Viver,e por isso caber
por Inteiro",  da
mostra A Beleza que Te
Segue Brilha nas Sombras.
COLETIVAS Em 2023 - “Expo 10 Anos  USK Salvador” Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes-UFBA, Salvador, Bahia, Brasil; 2021 - “2 de Julho” Bohemia Puro Malte, Estação de Metrô Pirajá, Salvador, Bahia, Brasil ; 2020 - “Benção”, Casa Rosa, Salvador, Bahia, Brasil ; 2019 - “Circuito de Arte e Moda”, Salvador Shopping, Salvador, Bahia, Brasil;  2017 - “Pertencentes”, Museu de Arte Moderna da Bahia, MAM Bahia, Salvador, Bahia, Brasil; - “Arte Brasil CCBM 2017”, CCBM, Embaixada do Brasil, Cidade do México, México ; 2016 - “Só Cabeças”, Museu de Arte Moderna da Bahia, MAM Bahia, Salvador, Bahia, Brasil ; - ”M.U.R.A.L. - Movimento Urbano de Arte Livre”, Trevo Produções, Painel Yemanjá - 6 x 12 metros - Porto de Salvador - Bahia – Brasil; 2013 – “Salvador - Paris”, Aliança Francesa, Salvador, Bahia, Brasil; “S/Título”, Galeria Senac Pelourinho, Salvador, Bahia, Brasil; Artes Festival Mundo, Usina Cultural Energisa, João Pessoa, Paraíba, Brasil; 2012 – “6764, 257km”, Ó! Galeria, Porto, Portugal; 2011 - Acción Arte Itinerante, No Lugar, Quito, Ecuador; Acción Arte Itinerante, Centro Cultura y Artes Bolivianas, La Paz, Bolívia ; 2010 - ERROTICA, Exposição Virtual, Galeria Virtual Fora do Tempo, Brasil; Bem-te-vi Recife, Espaço MUDA Santo Amaro, Recife, Brasil; Acción Arte Itinerante, Casita Colectiva Araña Galponera, Mendoza, Argentina; 2009 - Arte Comestível, Centro de Cultura Amélio Amorim, Feira de Santana, Bahia, Brasil; 2008 - Sala Aberta, G. Buffone Arte Contemporânea, Salvador, Bahia, Brasil.

Outra  obra com   humanoide.
CIRCUITOS E SALÕES - Em 2015 - Circuito das Artes, Instituto Cervantes, Salvador, Bahia, Brasil; 2013 – Circuito das Artes, Instituto Cervantes, Salvador, Bahia, Brasil; 2012 – Salão de Artes Visuais da Bahia, Irecê, Bahia, Brasil; Circuito das Artes, Galeria ICBA, Salvador, Bahia, Brasil; 2010 - Circuito das Artes, Galeria ACBEU, Salvador, Bahia, Brasil. FEIRAS - 2018, 2017 e 2016 - Feira PARTE, Clube A Hebraica, São Paulo, Brasil;  2014 - Feira PARTE, Paço das Artes, São Paulo, Brasil ;2013 - Affordable Art Fair, New York, EUA; Feira PARTE, Paço das Artes, São Paulo, Brasil ; 2012 - Salão de Arte, Clube A Hebraica, São Paulo, Brasil.

 Criou capas para os livros em 2023 para   Mateus Torres, “Não Podemos Ver a Carga que Carregamos nas Costas”,  Salvador, Bahia: Editora 7 Letras; 2022 - Anne Stern, Drei Tage em August,  Berlin, Alemanha: Auflage Aufbau TB; 2018 - Maria Luiza Maia, Algumas Histórias Sobre a Falta, Salvador, Bahia: Mondrogo; 2017 - Insônia - Livro de Artista, Salvador, Bahia: Publicação do autor; 2016 - Zéu Britto, Amor de Montar, Ilustrações, São Paulo, São Paulo: Panacum Artes e 2013 - Antologia Rabisco #1, Publicação de Arte e Artistas, Salvador, Bahia: Edição Independente.

 

sábado, 1 de fevereiro de 2025

ANNA GEORGINA DIVIDIDA ENTRE PINTAR E ENSINAR

Anna Georgina com  obra abstrata de 
 de sua autoria em 
 cores vibrantes e
uma composição equilibrada.

A artista Anna Georgina vem de uma escola de artistas onde seu pai Euler de Pereira Cardoso ensinou a várias gerações as técnicas de pintura com uma dedicação quase sacerdotal. Com o passar dos anos sua filha passou a seguir os seus passos e em 1966 fez sua primeira individual na Le Dôme Galeria de Arte com a temática flores onde se destacava o colorido exuberante. Em 1968 vieram os pássaros e as delicadas borboletas. Em 1975 suas tapeçarias, sendo laureada com uma medalha no Salão de Petrópolis em 1987 com os enigmáticos palhaços, em 1990 com as marinhas, depois de um longo aprendizado em 1991 comemorava seus vinte e cinco anos de dedicação à arte quando expôs os abstratos, e em 1994 o mundo encantado do elementais. A partir de 1991 apresentou uma série de telas rompendo com o figurativo e abraçando o abstracionismo. Escrevi na ocasião que ela tinha estabelecido um corte, ou seja, um momento de rompimento e Anna Georgina teve que decidir se seguia o caminho em busca da figura ou se ia trilhar diante do imponderável. Esta fase de abstração marcou o começo de um novo caminho e sua arte ganhou maior conteúdo na medida e aflorou mais ainda a sua criatividade e sua personalidade pictórica.

O Palhaço com o olhar  
 apreensivo .
A Le Dôme Galeria de Arte foi fundada pelos irmãos Euler, Eckener e Publio. Além de realizar exposições funcionava como escola de arte com aulas nos três turnos. Eles contribuíram muito para revelar novos talentos e também para despertar o interesse pelas artes na Bahia. Os irmãos se desentenderam e Eckener e Públio mudaram a Le Dôme Galeria de Arte para a Rua do Desterro, no bairro de Nazaré. O Euler , pai de Anna Georgina,  ficou no bairro do Garcia e mudou o nome para Panorama Galeria de Arte passando depois para a Rua Belo Horizonte, 164, bairro de Jardim Brasil, Salvador, Bahia. A razão do desentendimento foi porque o Euler queria que a galeria fosse frequentada e fazia questão da presença de pessoas nos salões da galeria. Já os dois irmãos Eckener e Publio estavam mais focados no mercado de arte. Após a sua morte (20/10/1923 e faleceu em 4/10/1975) d. Yolanda Rocha Cardoso sua esposa e Anna Georgina continuaram tocando a galeria, e finalmente a transferiram para a Rua Nelson Gallo, número 19, no bairro do Rio Vermelho, vindo a encerrar suas atividades em 2012.  A d. Yolanda também veio a falecer em 27 de agosto de 2024. Atualmente Anna Georgina reside no imóvel onde funcionou a galeria no bairro do Rio Vermelho continua pintando  e tem um amplo acervo de obras de arte distribuído pelos cômodos e bem conservados.

                                                 QUEM É

Anna Georgina falando de sua trajetória. 

A artista Anna Georgina Rocha 
Cardoso nasceu em 19 de março de 1947, no Hospital Português da Bahia, é a filha mais velha do casal Euler de Pereira Cardoso e d. Yolanda Rocha Cardoso, tem apenas um irmão. Fez o curso primário em parte no Colégio da Doroteias, e depois no Colégio das Sacramentinas, ambos localizados no bairro do Garcia. O restante do primário no Colégio Jesus Maria José, que funcionava nas imediações do Forte de São Pedro, no Campo Grande. Este colégio não existe mais. Depois foi para o Instituto Feminino da Bahia onde fez os três primeiros anos do ginásio, e em seguida  estudou no Instituto Sete de Setembro, que ficava no Campo Grande, e concluiu o ginásio e o Pedagógico em 1967, sendo foi a última turma, e logo depois o Instituto fechou as portas. Quando criança nunca brincou de bonecas como as meninas da sua época. Gostava era de rabiscar seus desenhos nos cadernos e pintar com os lápis de cor. Fez vários cursos livres importantes na sua busca por aprender e aprimorar sua arte começando em 1954 a estudar Desenho e Pintura com seu pai, depois de 1964 a 1967 frequentou cursos livres na Escola de Belas Artes, da UFBA e também na Le Dôme Galeria de Arte. 
Foi aluna em 1967 de Adam Firnekaes no curso de Colagem e Monotipia; de Genaro de Carvalho de Tapeçaria; com sua avó Georgina Castilho também Tapeçaria; de Modelagem com Alecy Azevedo e de Restauração com o professor João José Rescala; em 1976 de Aquarela com Herval Moreira, e em 1983 de Técnica de Mista de Pintura com Leonardo Alencar.  
Além desses cursos teve a convivência diária com seu pai e outros professores que ensinavam aos alunos nos cursos da Le Dôme Galeria de Arte que começou a funcionar em 1965 na rua Leovigildo Filgueiras, no bairro do Garcia. Seu pai dava aulas pela tarde e à noite aos adultos e no turno da manhã ia para seu escritório de publicidade que tinha num prédio localizado no Rosário, em Salvador-BA. Anna Georgina passou a ministrar aulas para a criançada. Ela também no turno vespertino ajudava o seu pai com a finalização dos desenhos destinados às peças publicitárias. Com isto foi se entusiasmando com o dinheiro que recebia e terminou desistindo da ideia de fazer vestibular para Arquitetura. Atualmente continua pintando e vive na sua casa onde mantém o seu ateliê ao lado do esposo  Mário Augusto Lopes de Almeida que lhe ajuda a manter o seu acervo em bom estado de consevação.
Esta obra  lembra um grande  vitral.

REFERÊNCIAS - Vários escritores,críticos e artistas já escreveram sobre a obra de Anna Georgina a exemplo de Jorge Amado, Romano Galeffi, Carlos Eduardo da Rocha, Jamison Pedra, César Romero, Lygia Milton, professor Raul Sá e Leonardo Alencar, dentre outros.

JORGE AMADO –Em 1966 escreveu: “Os quadros de Anna Georgina, jovem pintora baiana, refletem uma intensa alegria de viver, um estado quase poético. Carlos Eduardo da Rocha, que é crítico de arte, professor de estética e poeta, já disse que as flores de Anna Georgina são uma manifestação de colorido, explodindo em juventude, pureza e alegria". Suas composições trazem a marca de uma vocação que se realiza em estudo acurado e sério, mas também em plena vivência de irredutível e irrevogável imposição, talvez até hereditária. Sente-se que, para Anna Georgina, pintar é uma necessidade....”

Borboletas no Campo,  de Anna
Georgina.Vemos leveza
e despojamento.
ROMANO GALEFFI – O professor  um estudioso da arte escreveu em 1987: “Não é pelo tema que se julga um quadro, mas pela maneira com que o mesmo foi tratado e pelo sentimento inconfundível que o anima. A linguagem de Anna Georgina, erudita, sim, a despeito da aparente ingenuidade e despreocupação com ideologias de qualquer espécie se revela pelo concurso simultâneo de efeitos diversos, como o tonalismo que poderia isentar do enclausuramento das massas, e a linha que tem sua justificação na exigência insofismável de evidenciar os truques que se destinam a disfarçar a verdadeira face do sujeito retratado. Também a cor em seus valores fundamentais  combina com o preto e os fundos permanecem chapados mesmo quando pelo jogo de modulações estruturais os personagens são tratados com evidentes efeitos tonais.

JAMISON PEDRA – Em 1991 escreveu o artista e professor Jamison Pedra: “A busca contínua pela nova expressão ou pela diferente maneira de apresentá-la artisticamente faz o sentido dinâmico da linguagem criativa. Ao adotar um novo rumo o artista confirma sua condição de inovador, principalmente se esse projeto novo é assinado por alguém como Anna Georgina, cujas imagens já a identificam e consagram no nosso meio. Sempre preocupada com o humano - rostos, máscaras, retratos- é possível que o atual desprendimento do figurativo lhe possibilite o alcance de uma imagística ainda mais original, na tradução e apelo de liberdade que este seu atual momento já significa.”

Alguns catálogos de suas exposições.

 EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS : 1966 - Le Dôme Galeria de Arte  Salvador/ BA  ; 1967 - Banco Nacional da Bahia , Salvador / BA ; 1968 - Panorama Galeria de Arte ; Salvador / BA ; 1969 - Galeria de Arte Álvaro Santos , Aracaju / SE ; 1975 - Panorama Galeria de Arte  Salvador / BA ; 1981 - Panorama Galeria de Arte , Salvador / BA;  1984, 1987, 1990 - Panorama Galeria de Arte, Salvador / BA; 1991 - Espaço Cultural do Instituto de Rádio Difusão do Estado da Bahia , Irdeb , Retrospectiva 25 anos de Arte, Salvador / BA; 1992 - Panorama Galeria de Arte , Jubileu de Prata da Galeria  ,  Salvador / BA ; - Palácio da Aclamação, Casa de Cerimonial e Museu , Salvador/BA; 1993 - Caixa Econômica Federal - Agência Shopping Barra , Salvador/BA ;  - Caixa Econômica Federal - Agência Graça , Salvador / BA; 1994 - Gisela Arnaud - Moda Feminina - Shopping Center Sumaré,  Salvador / BA;  - Panorama Galeria de Arte, Salvador / BA;  1995 - Gisela Arnaud - Moda Feminina - Shopping Center Sumaré,  Salvador-BA ;  1997 - Panorama Galeria de Arte - Comemorando 30 anos de Arte e 50 anos de Vida, Salvador / BA;1999 - Forte de Santa Maria , Salvador / BA; 2001- Panorama Galeria de Arte , Salvador – BA; 2003 – Biblioteca Pública Thales de Azevedo, Salvador-BA;  2007 - Panorama Galeria de Arte Comemorando 40 anos de Arte e 60 de Vida , Salvador–BA. 2017 - Cabana da Barra, comemorando 50 Anos de Arte.

EXPOSIÇÕES COLETIVAS - Em 1966 - Banco Nacional do Espirito Santo, Salvador / BA; I Feira do Comércio , Salvador / BA; Le Dôme Galeria de Arte, Salvador / BA ; Domus Decorações ,Salvador / BA ;Feira Nacional de Arte -  FEINA , Salvador /BA; 1967 - Leilão Pró Florentina, no Instituto dos Arquitetos Salvador / BA, Palácio Rio Branco e Palácio da Penha, Salvador / BA; Panorama Galeria de Arte  Salvador/BA; 1968 - Museu de Feira de Santana, Feira de Santana / Bahia; Cornell University Medical College , New York / EEUU; 1969 - I Salão Feminino de Artes Plásticas, Salvador / BA; Exposição em Benefício da construção da sede do Sindicato dos  Jornalistas , Salvador / BA; Colégio SS. Sacramento Salvador / BA; Le Dôme Galeria de Arte, Salvador / Ba; 1970 - Festa de Arte na Le Dôme Galeria de Arte,  Salvador / BA; II Feira de Arte - Le Dôme Galeria de Arte, Salvador / BA; II Salão de Arte e Folclore da Bahia Petrópolis / RJ; Coletiva 70 - Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA;  

Anna com outra obra abstrata em 
sua casa no Rio Vermelho.
I Festival de Arranjos Florais, Salvador / BA ; 1971 - Plásticos da Bahia, na Panorama Galeria de Arte, Salvador / Bahia; 1972 - Cinco Artistas, na Panorama Galeria de Arte Salvador / BA, I Salão da Mulher , Salvador / BA; Galeria Debret ; Salvador / BA; 1973 - Dez Artistas, na Panorama Galeria de Arte, Salvador / BA; V Feira de Arte, na Le Dôme Galeria de Arte, Salvador / BA; Stand no Parque Julius Cesar , Salvador/ BA; Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; 1974 - Inauguração da Casa Grimaldi, Salvador/BA; Centenário do Diário de Notícias , Salvador/BA;  Expo 74 no Teatro Castro Alves , Salvador/BA; Quatro Plásticos Baianos, no Museu Regional de Feira de Santana , Feira de Santana/BA;  1975 - Inauguração do Projeto Pelourinho e Centro de Formação Profissional, para Turismo e Hospitalidade do Senac , Salvador/BA;  Inauguração da Ala Nova do Museu da Cidade, Salvador/BA; Praiamar Hotel Salvador/BA; VII Salão de Arte Religiosa Brasileira Londrina/PR;  Hotel Bahia do Sol Salvado/BA; Coletiva de Natal - Panorama Galeria de Arte Salvador/Bahia; 1976 - Sete Artistas - Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA ; XXV Congresso Brasileiro de Gastroenterologia,Salvador/BA; Inauguração da Tapeçaria Globo/Pituba, Salvador/BA; Coletiva de Marinhas - Clube Naval, Brasília/DF ;  Inauguração da Galeria Presciliano Silva, Salvador/BA; Coletiva de Natal - Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; Acervo da Casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim , Salvador/Bahia ;  1977 - I Salão de Verão na Pousada do Carmo, Salvador/BA; Galeria Presciliano Silva, Salvador/BA; Leilão em Benefício do Instituto Bahiano de Reabilitação, Salvador Praia Hotel, Salvador/BA; Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; Coletiva de Palhetas  na Panorama Galeria de Arte , Salvador/ BA ; Participação Especial no II Salão de Arte Euler Cardoso, na Panorama Galeria de Arte, no 40 aniversário de fundação, Salvador/BA; Coletiva da Primavera na Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA;  Semana da Primavera no Shopping Itaigara . Salvador/BA;  Coletiva de Natal, na Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA; 2008 - Coletiva de Verão, na Panorama Galeria de Arte, Salvador /BA; Coletiva com Arte na Action Art Gallery, de parceria com a Panorama Galeria de Arte , Vilas do Atlântico /Lauro de Freitas /BA; Coletiva de Abril, na Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA; Coletiva dos 41 anos da Galeria, Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA;  Coletiva de Outubro, Panorama Galeria de , Salvador/BA; 2009 - Coletiva de Maio, Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; Coletiva dos 42 anos da Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; Coletiva de Outubro, Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; 2010 - Coletiva de Agosto - Comemorando os 43 anos da Panorama Galeria de Arte Salvador/BA; Coletiva de Natal na Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; 2011 - Coletiva no Atelier de Leonel Mattos, para Reginaldo Holyfield.