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| O artista Roberto Lisboa concentrado em seu novo bordado para expressar sua arte. |
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| Nesta obra uma homenagem ao Burle Marx. |
ESPANTO
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| Foto 1 - Canudos de Antônio Conselheiro, 2019.Foto 2- Série Carrancas do São Francisco, MinasGerais ,2018. Foto 3 - Série Carrancas do São Francisco - Jaguar. |
Passado um tempo fui visitar minha mãe em Ribeira do Pombal que era uma viciada em bordados, a ponto de a agulha de metal ferir seus dedinhos que já estavam com a pele mais fina e frágeis devido aos seus quase noventa anos. Ela fazia lindas toalhas de mesa, colchas enormes que demoravam meses para serem finalizadas e sempre presenteava seus parentes e amigas com algum bordado. Lhe falei que tinha encontrado um homem bordando e ela imediatamente levantou a cabeça e disse. “Não é possível, homem bordando? Este mundo está perdido!” O espanto de minha mãe pode hoje parecer estranho e até preconceituoso, mas não era. No contexto social da época bordar era ocupação de mulher, ali elas se encontravam e conversavam por horas. Outras preferiam bordar solitariamente. Minha mãe tinha a companhia de minha irmã que aprendeu com ela e até pouco tempo fazia também seus bordados. Quando viva minha mãe inspecionava para verificar se “estava tudo certinho”. Quando minha irmã errava era aconselhada a desmanchar e voltar a fazer. Bordado é uma prova de resistência, paciência e um trabalho que ajudou e ajuda na sobrevivência financeira de muita gente por este mundo afora.
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| Roberto Lisboa com um bordado onde sobressai a figura humana e vegetação. |
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| Estudantes na Exposição Povos e Plantas. |
Quando fui ao seu encontro no
apartamento no bairro da Graça, em Salvador, foi logo me dizendo que faz parte
da quinta geração em Genética depois de Mendel. O cientista citado por Roberto
Lisboa é o monge beneditino Gregor Mendel (1822-1884) nascido na Morávia que
ficou famoso como o Pai da Genética. Cruzando ervilhas ele conseguiu
informações valiosas sobre a hereditariedade. Mesmo sem muito conhecimento a
respeito de divisão das células e do material genético o cientista foi capaz de
propor como as características são transmitidas aos descendentes de maneira
correta e aceita até hoje. . 
O cientista Roberto Lisboa pesquisando
as plantas nos arredores de Madri.
Começamos a conversar sobre
sua carreira. Fiquei sabendo que foi orientado no seu mestrado por um cientista
brasileiro da quarta geração de geneticistas que foi o Paulo Sodré Martins, já
falecido, que por sua vez fora orientado pelo alemão Friedrich
Gustav Brieger (1900-1985) pioneiro botânico e geneticista alemão. Foi o
patriarca acadêmico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, doutor
em botânica e livre-docente na área de genética pela Universidade de Berlim e
membro da Academia Brasileira sde Ciências.
Já o geneticista Roberto Lisboa pesquisou as
melancias que são cultivadas e muito
apreciadas no Brasil, especialmente no
Nordeste. Ele diz ter encontrado mais de duas dezenas de variações, oito cores de polpa,
mais de vinte cores de sementes, e de casca além dos sabores. Fiquei sabendo
que as melancias foram trazidas para o Brasil durante o tráfico de escravos
africanos. Disse que existem duas origens possíveis que vieram com os bantos e
sudaneses. Comparou com muitas melancias existentes no mundo, inclusive com as da
Rússia, que tem um grande centro de sementes. Ganhou uma bolsa de estudos e foi
para Espanha em 1995 onde ficou seis meses na Universidade Politécnica de Madri, e voltou como especialista em
Recursos Genéticos Vegetais . Fez um
concurso para professor substituto para a Universidade Federal de Sergipe e começou
a dar aulas em 1995 e foi até 1996, era um contrato de um ano e pouco. Fez o mestrado na Universidade Estadual de Piracicaba- USP, em São Paulo. Em 1997
voltou para a Espanha através de uma segunda bolsa para fazer o seu doutorado.
Foi quando soube de um concurso para professor na Universidade de Feira de
Santana. Foi aprovado e teve que suspender o doutorado. Depois retornou em 1999
à Madri para continuar o doutorado, onde permaneceu quatro anos preparando sua
tese ligada a Ecologia Espacial que disse ser um trabalho inovador usando
padrões especiais e processos ecológicos orientado pelo pesquisador Adrián
Escudero, quando estudou uma população de plantas do sul de Madri e em 2003
conclui o doutorado.
Bordado da série Aprés Burle Marx - Entre
Manguezais , de 2019.
Voltou para a Bahia e em 2005 montou um grupo
de pesquisas em Recursos Genéticos Vegetais com a participação com todas as
universidades da Bahia que tinham alguma interlocução nesta área. Ajudou a
montar a Rede de Recursos Genéticos da Bahia juntamente com outros
pesquisadores. Hoje abrange todo o Nordeste e criaram a Sociedade Brasileira de
Recursos Genéticos e dois programas de pesquisas de pós-graduação um na UFRB –
Universidade Federal Rural da Bahia ,em Cruz das Almas, e outro na Universidade Federal
de Feira de Santana. Foi convidado em 2009
para ser examinador de um concurso na Universidade Rural do Rio de Janeiro e
soube de uma exposição comemorativa dos cem anos do arquiteto Burle Marx. Adiou
seu retorno e disse ficar impressionado ao constatar que Burle Marx tinha feito muitos estudos sobre os cactos. è que por coincidência Roberto Lisboa estava estudando os cactos e sua formas de cultivar e preservar. Em 2012 decidiu voltar pro Centro de
Pesquisas do Instituto do Jardim Botânico Burle Marx e foi recebido pelo
pesquisador Gustavo Martineli. Passou a estudar Burle Marx e tentou duas bolsas
na CAPES e no CNPQ para estudar a fundo os trabalhos desenvolvidos por ele, mas
não conseguiu.
O Rei da Vela, Linha de algodão em tela,2018.
Fez duas
publicações nas revistas Science e Nature de um trabalho sobre o semiárido no
mundo com a participação de vários cientistas e publicaram nestas duas revistas,
ele foi o pesquisador chefe no Brasil. Montou uma exposição Plantas e Povos, em Juazeiro ,na Bahia, contratou um grupo do Rio de Janeiro entre eles o Hélio Eichbauer para preparação e montagem da mostra. Seus colegas que participava do
grupo de geneticistas do Nordeste cederam muitos materiais e foram enviados para Juazeiro
onde foi montada e exposição que durou duas semanas. Conseguiu inicialmente um
ônibus da universidade de Juazeiro e quando voltou para as aulas em Ferida de Santana seus alunos estavam certos que iriam para Petrolina visitar a exposição . Eles ficarima hospedados nas instalações do Exército e de la ainda iriam visitar a
Embrapa em Petrolina. Aconteceu que por razões que não sabe o então reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana resolveu suspender o ônibus e isto revoltou os
alunos. O cientista Roberto Lisboa disse que muitos alunos de escolas públicas do segundo grau de Petrolina e Juazeiro já tinham visitado a exposição. Foi assim que seus alunos de Feira de Santana criaram
muitos problemas com a negativa do reitor e ele começou a ter problemas de saúde, teve que se afastar e depois solicitou sua aposentadoria.
Obra Copacabana de Engana, de 2019.
EXPOSIÇÕES E ATIVIDADES
Frequentou a Escola de Artes visuais do Parque Laje e o Espaço Tom Jobim (2012-2014),
e os cursos de Arte e Filosofia do cenógrafo
e intelectual Hélio Eichbauer. Depois
de dar início a pesquisa com aulas de bordado botânico no ateliê da artista
visual Tininha Llanos, seguiu com Cristiane Mohallen no Sesc/SP e com Tammy Yamada Lamarão, no espaço Fox, Belém do
Pará. Estudou Desenho de Observação com os artistas Jaison Santos da Conceição/ MAMBA
e Pedro Marighella, no Ativa Ateliê, ambos em Salvador-BA.
Vemos nesta obra o sanfoneiro e plantas
do Nordeste.
Em 2014 organizou a Exposição Plantas e Povos, Juazeiro-BA, com
grande sucesso de público. Expôs seus bordados
em 2019 na Casa Cor-SP ; na Casa Philos, na Feira
Literária de Paraty, no estado do Rio de Janeiro; e fez uma exposição individual Rio+, Espaço Potó,
Petrolina-PE, e o Catálogo Rio+. Em 2024
- Si tu No Estás, Trinta Galeria de Arte
Contemporânea, Santiago de Compostela, Espanha.
Workshop: Bordados e Narrativas, Fundação Bienal de
Cerveira, Cerveira, Portugal; Árvore Cooperativa de Artistas, Porto, Portugal e no Museu de Arte Moderna, Salvador-BA.





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