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sábado, 1 de fevereiro de 2025

ANNA GEORGINA DIVIDIDA ENTRE PINTAR E ENSINAR

Anna Georgina com  obra abstrata de 
 de sua autoria em 
 cores vibrantes e
uma composição equilibrada.

A artista Anna Georgina vem de uma escola de artistas onde seu pai Euler de Pereira Cardoso ensinou a várias gerações as técnicas de pintura com uma dedicação quase sacerdotal. Com o passar dos anos sua filha passou a seguir os seus passos e em 1966 fez sua primeira individual na Le Dôme Galeria de Arte com a temática flores onde se destacava o colorido exuberante. Em 1968 vieram os pássaros e as delicadas borboletas. Em 1975 suas tapeçarias, sendo laureada com uma medalha no Salão de Petrópolis em 1987 com os enigmáticos palhaços, em 1990 com as marinhas, depois de um longo aprendizado em 1991 comemorava seus vinte e cinco anos de dedicação à arte quando expôs os abstratos, e em 1994 o mundo encantado do elementais. A partir de 1991 apresentou uma série de telas rompendo com o figurativo e abraçando o abstracionismo. Escrevi na ocasião que ela tinha estabelecido um corte, ou seja, um momento de rompimento e Anna Georgina teve que decidir se seguia o caminho em busca da figura ou se ia trilhar diante do imponderável. Esta fase de abstração marcou o começo de um novo caminho e sua arte ganhou maior conteúdo na medida e aflorou mais ainda a sua criatividade e sua personalidade pictórica.

O Palhaço com o olhar  
 apreensivo .
A Le Dôme Galeria de Arte foi fundada pelos irmãos Euler, Eckener e Publio. Além de realizar exposições funcionava como escola de arte com aulas nos três turnos. Eles contribuíram muito para revelar novos talentos e também para despertar o interesse pelas artes na Bahia. Os irmãos se desentenderam e Eckener e Públio mudaram a Le Dôme Galeria de Arte para a Rua do Desterro, no bairro de Nazaré. O Euler , pai de Anna Georgina,  ficou no bairro do Garcia e mudou o nome para Panorama Galeria de Arte passando depois para a Rua Belo Horizonte, 164, bairro de Jardim Brasil, Salvador, Bahia. A razão do desentendimento foi porque o Euler queria que a galeria fosse frequentada e fazia questão da presença de pessoas nos salões da galeria. Já os dois irmãos Eckener e Publio estavam mais focados no mercado de arte. Após a sua morte (20/10/1923 e faleceu em 4/10/1975) d. Yolanda Rocha Cardoso sua esposa e Anna Georgina continuaram tocando a galeria, e finalmente a transferiram para a Rua Nelson Gallo, número 19, no bairro do Rio Vermelho, vindo a encerrar suas atividades em 2012.  A d. Yolanda também veio a falecer em 27 de agosto de 2024. Atualmente Anna Georgina reside no imóvel onde funcionou a galeria no bairro do Rio Vermelho continua pintando  e tem um amplo acervo de obras de arte distribuído pelos cômodos e bem conservados.

                                                 QUEM É

Anna Georgina falando de sua trajetória. 

A artista Anna Georgina Rocha 
Cardoso nasceu em 19 de março de 1947, no Hospital Português da Bahia, é a filha mais velha do casal Euler de Pereira Cardoso e d. Yolanda Rocha Cardoso, tem apenas um irmão. Fez o curso primário em parte no Colégio da Doroteias, e depois no Colégio das Sacramentinas, ambos localizados no bairro do Garcia. O restante do primário no Colégio Jesus Maria José, que funcionava nas imediações do Forte de São Pedro, no Campo Grande. Este colégio não existe mais. Depois foi para o Instituto Feminino da Bahia onde fez os três primeiros anos do ginásio, e em seguida  estudou no Instituto Sete de Setembro, que ficava no Campo Grande, e concluiu o ginásio e o Pedagógico em 1967, sendo foi a última turma, e logo depois o Instituto fechou as portas. Quando criança nunca brincou de bonecas como as meninas da sua época. Gostava era de rabiscar seus desenhos nos cadernos e pintar com os lápis de cor. Fez vários cursos livres importantes na sua busca por aprender e aprimorar sua arte começando em 1954 a estudar Desenho e Pintura com seu pai, depois de 1964 a 1967 frequentou cursos livres na Escola de Belas Artes, da UFBA e também na Le Dôme Galeria de Arte. 
Foi aluna em 1967 de Adam Firnekaes no curso de Colagem e Monotipia; de Genaro de Carvalho de Tapeçaria; com sua avó Georgina Castilho também Tapeçaria; de Modelagem com Alecy Azevedo e de Restauração com o professor João José Rescala; em 1976 de Aquarela com Herval Moreira, e em 1983 de Técnica de Mista de Pintura com Leonardo Alencar.  
Além desses cursos teve a convivência diária com seu pai e outros professores que ensinavam aos alunos nos cursos da Le Dôme Galeria de Arte que começou a funcionar em 1965 na rua Leovigildo Filgueiras, no bairro do Garcia. Seu pai dava aulas pela tarde e à noite aos adultos e no turno da manhã ia para seu escritório de publicidade que tinha num prédio localizado no Rosário, em Salvador-BA. Anna Georgina passou a ministrar aulas para a criançada. Ela também no turno vespertino ajudava o seu pai com a finalização dos desenhos destinados às peças publicitárias. Com isto foi se entusiasmando com o dinheiro que recebia e terminou desistindo da ideia de fazer vestibular para Arquitetura. Atualmente continua pintando e vive na sua casa onde mantém o seu ateliê ao lado do esposo  Mário Augusto Lopes de Almeida que lhe ajuda a manter o seu acervo em bom estado de consevação.
Esta obra  lembra um grande  vitral.

REFERÊNCIAS - Vários escritores,críticos e artistas já escreveram sobre a obra de Anna Georgina a exemplo de Jorge Amado, Romano Galeffi, Carlos Eduardo da Rocha, Jamison Pedra, César Romero, Lygia Milton, professor Raul Sá e Leonardo Alencar, dentre outros.

JORGE AMADO –Em 1966 escreveu: “Os quadros de Anna Georgina, jovem pintora baiana, refletem uma intensa alegria de viver, um estado quase poético. Carlos Eduardo da Rocha, que é crítico de arte, professor de estética e poeta, já disse que as flores de Anna Georgina são uma manifestação de colorido, explodindo em juventude, pureza e alegria". Suas composições trazem a marca de uma vocação que se realiza em estudo acurado e sério, mas também em plena vivência de irredutível e irrevogável imposição, talvez até hereditária. Sente-se que, para Anna Georgina, pintar é uma necessidade....”

Borboletas no Campo,  de Anna
Georgina.Vemos leveza
e despojamento.
ROMANO GALEFFI – O professor  um estudioso da arte escreveu em 1987: “Não é pelo tema que se julga um quadro, mas pela maneira com que o mesmo foi tratado e pelo sentimento inconfundível que o anima. A linguagem de Anna Georgina, erudita, sim, a despeito da aparente ingenuidade e despreocupação com ideologias de qualquer espécie se revela pelo concurso simultâneo de efeitos diversos, como o tonalismo que poderia isentar do enclausuramento das massas, e a linha que tem sua justificação na exigência insofismável de evidenciar os truques que se destinam a disfarçar a verdadeira face do sujeito retratado. Também a cor em seus valores fundamentais  combina com o preto e os fundos permanecem chapados mesmo quando pelo jogo de modulações estruturais os personagens são tratados com evidentes efeitos tonais.

JAMISON PEDRA – Em 1991 escreveu o artista e professor Jamison Pedra: “A busca contínua pela nova expressão ou pela diferente maneira de apresentá-la artisticamente faz o sentido dinâmico da linguagem criativa. Ao adotar um novo rumo o artista confirma sua condição de inovador, principalmente se esse projeto novo é assinado por alguém como Anna Georgina, cujas imagens já a identificam e consagram no nosso meio. Sempre preocupada com o humano - rostos, máscaras, retratos- é possível que o atual desprendimento do figurativo lhe possibilite o alcance de uma imagística ainda mais original, na tradução e apelo de liberdade que este seu atual momento já significa.”

Alguns catálogos de suas exposições.

 EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS : 1966 - Le Dôme Galeria de Arte  Salvador/ BA  ; 1967 - Banco Nacional da Bahia , Salvador / BA ; 1968 - Panorama Galeria de Arte ; Salvador / BA ; 1969 - Galeria de Arte Álvaro Santos , Aracaju / SE ; 1975 - Panorama Galeria de Arte  Salvador / BA ; 1981 - Panorama Galeria de Arte , Salvador / BA;  1984, 1987, 1990 - Panorama Galeria de Arte, Salvador / BA; 1991 - Espaço Cultural do Instituto de Rádio Difusão do Estado da Bahia , Irdeb , Retrospectiva 25 anos de Arte, Salvador / BA; 1992 - Panorama Galeria de Arte , Jubileu de Prata da Galeria  ,  Salvador / BA ; - Palácio da Aclamação, Casa de Cerimonial e Museu , Salvador/BA; 1993 - Caixa Econômica Federal - Agência Shopping Barra , Salvador/BA ;  - Caixa Econômica Federal - Agência Graça , Salvador / BA; 1994 - Gisela Arnaud - Moda Feminina - Shopping Center Sumaré,  Salvador / BA;  - Panorama Galeria de Arte, Salvador / BA;  1995 - Gisela Arnaud - Moda Feminina - Shopping Center Sumaré,  Salvador-BA ;  1997 - Panorama Galeria de Arte - Comemorando 30 anos de Arte e 50 anos de Vida, Salvador / BA;1999 - Forte de Santa Maria , Salvador / BA; 2001- Panorama Galeria de Arte , Salvador – BA; 2003 – Biblioteca Pública Thales de Azevedo, Salvador-BA;  2007 - Panorama Galeria de Arte Comemorando 40 anos de Arte e 60 de Vida , Salvador–BA. 2017 - Cabana da Barra, comemorando 50 Anos de Arte.

EXPOSIÇÕES COLETIVAS - Em 1966 - Banco Nacional do Espirito Santo, Salvador / BA; I Feira do Comércio , Salvador / BA; Le Dôme Galeria de Arte, Salvador / BA ; Domus Decorações ,Salvador / BA ;Feira Nacional de Arte -  FEINA , Salvador /BA; 1967 - Leilão Pró Florentina, no Instituto dos Arquitetos Salvador / BA, Palácio Rio Branco e Palácio da Penha, Salvador / BA; Panorama Galeria de Arte  Salvador/BA; 1968 - Museu de Feira de Santana, Feira de Santana / Bahia; Cornell University Medical College , New York / EEUU; 1969 - I Salão Feminino de Artes Plásticas, Salvador / BA; Exposição em Benefício da construção da sede do Sindicato dos  Jornalistas , Salvador / BA; Colégio SS. Sacramento Salvador / BA; Le Dôme Galeria de Arte, Salvador / Ba; 1970 - Festa de Arte na Le Dôme Galeria de Arte,  Salvador / BA; II Feira de Arte - Le Dôme Galeria de Arte, Salvador / BA; II Salão de Arte e Folclore da Bahia Petrópolis / RJ; Coletiva 70 - Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA;  

Anna com outra obra abstrata em 
sua casa no Rio Vermelho.
I Festival de Arranjos Florais, Salvador / BA ; 1971 - Plásticos da Bahia, na Panorama Galeria de Arte, Salvador / Bahia; 1972 - Cinco Artistas, na Panorama Galeria de Arte Salvador / BA, I Salão da Mulher , Salvador / BA; Galeria Debret ; Salvador / BA; 1973 - Dez Artistas, na Panorama Galeria de Arte, Salvador / BA; V Feira de Arte, na Le Dôme Galeria de Arte, Salvador / BA; Stand no Parque Julius Cesar , Salvador/ BA; Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; 1974 - Inauguração da Casa Grimaldi, Salvador/BA; Centenário do Diário de Notícias , Salvador/BA;  Expo 74 no Teatro Castro Alves , Salvador/BA; Quatro Plásticos Baianos, no Museu Regional de Feira de Santana , Feira de Santana/BA;  1975 - Inauguração do Projeto Pelourinho e Centro de Formação Profissional, para Turismo e Hospitalidade do Senac , Salvador/BA;  Inauguração da Ala Nova do Museu da Cidade, Salvador/BA; Praiamar Hotel Salvador/BA; VII Salão de Arte Religiosa Brasileira Londrina/PR;  Hotel Bahia do Sol Salvado/BA; Coletiva de Natal - Panorama Galeria de Arte Salvador/Bahia; 1976 - Sete Artistas - Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA ; XXV Congresso Brasileiro de Gastroenterologia,Salvador/BA; Inauguração da Tapeçaria Globo/Pituba, Salvador/BA; Coletiva de Marinhas - Clube Naval, Brasília/DF ;  Inauguração da Galeria Presciliano Silva, Salvador/BA; Coletiva de Natal - Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; Acervo da Casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim , Salvador/Bahia ;  1977 - I Salão de Verão na Pousada do Carmo, Salvador/BA; Galeria Presciliano Silva, Salvador/BA; Leilão em Benefício do Instituto Bahiano de Reabilitação, Salvador Praia Hotel, Salvador/BA; Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; Coletiva de Palhetas  na Panorama Galeria de Arte , Salvador/ BA ; Participação Especial no II Salão de Arte Euler Cardoso, na Panorama Galeria de Arte, no 40 aniversário de fundação, Salvador/BA; Coletiva da Primavera na Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA;  Semana da Primavera no Shopping Itaigara . Salvador/BA;  Coletiva de Natal, na Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA; 2008 - Coletiva de Verão, na Panorama Galeria de Arte, Salvador /BA; Coletiva com Arte na Action Art Gallery, de parceria com a Panorama Galeria de Arte , Vilas do Atlântico /Lauro de Freitas /BA; Coletiva de Abril, na Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA; Coletiva dos 41 anos da Galeria, Panorama Galeria de Arte, Salvador/BA;  Coletiva de Outubro, Panorama Galeria de , Salvador/BA; 2009 - Coletiva de Maio, Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; Coletiva dos 42 anos da Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; Coletiva de Outubro, Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; 2010 - Coletiva de Agosto - Comemorando os 43 anos da Panorama Galeria de Arte Salvador/BA; Coletiva de Natal na Panorama Galeria de Arte , Salvador/BA; 2011 - Coletiva no Atelier de Leonel Mattos, para Reginaldo Holyfield.

sábado, 25 de janeiro de 2025

JUDITE PIMENTEL QUANDO A ARTE SUPERA TRAGÉDIAS

Judite pintando em
Porto do Mato, interior
de Sergipe.
A artista Judite Pimentel é muito prestigiada e premiada  nos meios artísticos e intelectuais, porém não é muito conhecida do grande público. Ela já expôs na sede da ONU, em Nova Iorque,  bienais  e tem obras em importantes coleções particulares. Sua produção é inspirada nos grandes mestres da pintura do período dos séculos V a XV  a exemplo  de Hieronymus Bosch, dentre outros. Na conversa que tivemos ao telefone revelou a sua preferência em pintar rostos. Ao observar suas obras sentimos uma sensação de tristeza, sofrimento, loucura, crueldade e noutras certa ternura, suavidade. Sua vida é marcada por dificuldades e certamente o que vivenciou e ainda vivencia se reflete nesta sua forma de se expressar através da arte. Em 2020 ela    expôs no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, em Salvador, intitulada “L’Amour Fou!” - traduzindo Amor Louco - considera que foi a mais importante que fez até agora. Foram trinta e seis pinturas, dez peças de instalação e um vídeo. Ela selecionou em três séries: Mania de Explicação, inspirada no livro de Adriana Falcão; Velha Infância, com representação de bonecas antigas de 
Judite estampa no rosto
um pouco de alegria.
louça; Retratos. Estudou até o último ano na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia e de lá para cá vem na medida do possível se dedicando à pintura. Atualmente está enfrentando problemas de saúde e por isto não vem pintando  como gostaria. Desde que esccolheu o povoado sergipano de Porto do Mato, município de Estância, com o objetivo de descansar e viver uma vida mais simples e por ter um  custo de vida mais baixo. Desde que chegou conseguiu pintar poucas  telas. Disse que está com sua visão comprometida necessitando ser submetida a uma operação de catarata, porém antes precisa controlar a diabetes. Falou ainda que inicialmente queria ser arquiteta e chegou a fazer o vestibular, mas não conseguiu ser aprovada. Não pensava em ser pintora, porque tinha conhecimento das dificuldades desta profissão e do sofrimento que passaram os grandes mestres da pintura para ter uma sobrevivência digna. Mas, a pintura chegou e se instalou e deste dia em diante nunca conseguiu recuar. Mesmo com todas os obstáculos que já enfrentou e ainda enfrenta a guerreira Judite Pimentel está disposta a continuar a sua trajetória.

                             QUEM É

Judite trabalhando numa obra em 2017.
Seu nome de batismo é Judite Nascimento Pimentel, nasceu em Feira de Santana, Bahia, no dia vinte e dois de outubro de 1964.Filha de José Augusto Pimentel e Valterlina Melo Nascimento. Aprendeu as primeiras letras na Escola Municipal Edelvira de Oliveira, em Feira de Santana.Quando completou nove anos de idade seu pai veio a falecer e a família teve que se transferir para a cidade de Itanhém. Ali permaneceram durante três anos na casa dos seus avós maternos. Retornaram para Feira de Santana, e em seguida para Brasília, onde já adulta foi trabalhar como caixa numa rede de supermercados. Voltaram para Feira de Santana e depois foram morar em Itamaraju, no sul da Bahia, e lá também trabalhou. Continuou estudando e trabalhando e ao concluir o curso colegial fez vestibular em 1979 para Arquitetura, sendo aprovada na segunda opção a Escola de Belas Artes, da UFBA. Estava no último ano quando conheceu um professor de Filosofia, Luiz Izidoro que é uma pessoa envolvente, culto, estudioso e avesso à academia, contou Judite Pimentel. Ele a convenceu e outros jovens a largar as faculdades e se transferirem para o Rio de Janeiro e lá criaram um grupo de estudos que funcionava no Parque Lage. Neste curso de Filosofia conheceu 
Seis obras de Judite reunidas onde
vemos rostos que gosta de pintar.
Carlos Eduardo de Albuquerque Maranhão, conhecido por Sarda, que era um músico famoso. Depois de alguns meses de namoro resolveram morar em São Paulo. Deste relacionamento nasceu sua única filha a Júlia de uma gestação prematura de seis meses, pesando 870 gramas. O Sarda continuava com sua vida desregrada envolvido em drogas e depois do nascimento de Júlia o casamento durou apenas oito meses. Judite e a filha Júlia se mudaram para o Rio de Janeiro para a casa de Nara, a avó da menina e depois alugaram um apartamento no bairro de Humaitá. Foi nesta época que apareceram os primeiros sinais de depressão na Júlia. Após algumas tentativas e pedidos de perdão de Sarda para salvar o relacionamento tudo foi em vão. Terminou se viciando em crack e foi viver na cacrolândia, em São Paulo. Os ex-colegas do Colégio Santo Inácio conseguiram resgatá-lo da cracolândia e o internaram numa clínica de recuperação, mas ele não resistiu vindo a falecer em 2017, aos 46 anos de idade.  Hoje a Júlia está com 24 anos de idade, tem dificuldade de locomoção e sofre de problemas psiquiátricos. Este drama é contado em detalhes numa bela reportagem publicada em 2017 no jornal O Globo, pelo jornalista Caio Barreto Briso sobre a Júlia.

Mais nove obras da Judite
Pimentel que lembram pintores
na era medieval .
A artista Judite Pimentel, portanto, depois da morte do Sarda retornou
para Feira de Santana e em vez de reclamar passou a fazer quentinhas para vender. Agora está neste povoado de Porto do Mato, em Sergipe, onde abriu uma lojinha chamada de Barcarola e expõe algumas obras, de sua autoria , objetos do artesanato local e fornece café da manhã , almoço e jantar  aos turistas que por lá aparecem . Na conversa que tivemos declarou que  já está ficando cansada pela ausência de pessoas com quem possa manter uma conversa sobre outros assuntos que não aqueles rotineiros sobre os afazeres domésticos. Disse que desde criança era uma pessoa muito produtiva e até peça infantil tentava montar. “Fui companheira de minha mãe, depois que meu pai faleceu”. Lembrou que certo dia ao passar por uma loja viu um pequeno piano exposto. Chorei querendo o tal piano, mas minha mãe não tinha dinheiro pra comprar.  No Natal ela me presenteou com um pianinho de brinquedo. Estava na 5ª série primária e na escola tinha aulas de Música e rapidamente aprendi a ler partituras. No ano seguinte ganhei uma lousa e passei a fazer alguns desenhos. Em seguida minha mãe me deu um caderno de Desenho continuei desenhando rostos e castelinhos. Fiz o vestibular para Belas Artes e vim morar na Residência Feminina da UFBA, no bairro do Canela. Paralelamente estudava Inglês e depois através de uma amiga me matriculei na Aliança Francesa e aprendi um pouco do Francês. Falou que foi muito importante a sua ida para o Rio de Janeiro porque potencializou seus conhecimentos com a participação em grupos de estudos da História da Arte, Pintura e Música no Parque Lage.

Gosta de pintar rostos dos personagens
em grandes telas circulares.
 Mas, com o nascimento da Júlia em 2001 o seu foco mudou porque ela nasceu prematura e com problemas de saúde e precisando de lá para cá de sua presença durante 24 horas. Está pensando em mudar para Salvador ou  São Paulo e iniciar uma série de obras em formato de círculo. Adiantou que não é fácil encontrar telas circulares em Salvador e por isto está mais inclinada a ir morar na capital paulista. 
  Ela envolve seus rostos com chapéus, rendas, arminhos e outros adereços antigos e as cores que usa remetem às pinturas dos primeiros grandes mestres com tons suaves. Quando em 2020 expôs no Museu de Arte da Bahia declarou que a pintura nunca foi uma escolha pessoal “Ela se deu. Se algum pintor me causou dúvidas, eu diria que foram os grandes pintores, por saber que seria um caminho difícil demais, mas nunca consegui recuar. A alma humana sempre me intrigou”.

Judite em sua Barcarola .
A artista Judite Pimentel fala Inglês e Francês e tem uma formação intelectual sólida. Desde que chegou a Porto do Mato, no interior de Sergipe, vem sentindo a falta de pessoas com formação semelhante para que possa falar de Filosofia, de Pintura, Literatura e outros assuntos que lhes dão satisfação e alimentam o seu espírito. A sua lojinha  chama-se  Barcarola, inspirada no   poema do poeta chileno Pablo Neruda A Barcarola. Vejam o poema aqui traduzido porque vale a pena ler: 
 A Barcarola - “(O vento frio corre compacto como um peixe /e golpeia os talos da aveia. / Ao rés do solo vive /um movimento múltiplo e delgado. / O dia está nu. / O fulgor de novembro como uma estalactite lisa e azul decide a pompa do estio. / É verão. / E as lanças do vento interminável/ perfuram o favo do espaço amarelo:/olvido ao ver correr a música na aveia/a abóbada implacável do meio-dia. / Escuta, /mulher do sol, meu pensamento. Toca/com teus pés o tremor fugitivo do solo./ Entre a relva cresce meu rosto contra o verde,/
Pablo Neruda, poeta chileno.
através de meus olhos cruzam as espadanas/e bebo com a alma velocidade e vento.)/Mas eu, o cidadão de um tempo gasto e roído, de ruas direitas,/que vi converter-se em incêndio, em detritos, em pedras queimadas, em fogo e em pó,/e depois voltar da guerra o soldado com mortes em cima e embaixo,/e outra vez levantar a cidade infeliz colando cimento às ruínas/e janela e janela e janela e janela e janela/e outra porta outra porta outra porta outra porta outra porta/até o duro infinito moderno com seu inferno de fogo quadrado,/pois a pátria da geometria substitui a pátria do homem./ Viajante perdido, o regresso implacável, a vitória de pernas cortadas,/a derrota guardada em um cesto como uma maçã diabólica:/este século em que me pariram também, entre tantos que já não alcançaram,/que caíram, Desnos, Frederico, Miguel, companheiros/sem trégua ao meu lado no sol e na morte,/estes anos que às vezes ao cravar a bandeira e cantar com orgulho aos povos me apontaram com sanha os mesmos que eu defendi com meu canto/e quiseram atirar-me à fossa mordendo minha vida com as mesmas ferozes mandíbulas do tigre inimigo./(Os inseguros temem a integridade, golpeiam/ então minhas costas com pequenos martelos,/ 
querem assegurar o lugar que lhes toca,/porque medo e soberba sempre estiveram juntos/e suas acusações são suas únicas medalhas.)/ (Temem que a violência desintegre seus ossos/e para defender-se vestem-se de violência.)/ (Veja o testemunho mudo de depois de amanhã,/recolha os pedaços da torre calada/e quanto me tocou da crueldade inútil./
Obra de 2021 em acrílica sobre tela .
Compreenderá? Talvez. /Os tambores estarão rotos, e a buzina estridente será pó no pó./A felicidade te acompanhe,/companheiro, a felicidade, patrimônio futuro que herdarás de nosso sangue encarniçado.)/Em minha barcarola se encontram voando os pregos do ódio/ com o arroz negro que os invejosos me dão em seu prato/e devo estudar a linguagem do corvo, tocar a plumagem,/ olhar nos olhos dos insaciáveis e dos insaciados e no mesmo páramo das imundícies terrestres/arrojar as censuras de agora e as adulações de então./ Cantando entre escórias o canto reluz na taça de minha alma/e tinge com luz de amaranto o crepúsculo aziago,/eu só sustento a taça de sangue e a espada que canta na arena/e provo o sal em meus lábios, a chuva em minha língua e o fogo recebo em meus olhos,/cantando sem pressa nem pausa, coroado pelas nevascas./Porque em cima e em torno de mim se sacode como uma bandeira/longitudinal, o capítulo puro de minha geografia,/e do Taltal platinado pela camanchaca13 salobre até Ruca Diuca coberto por trepadeiras e salgueiros-chorões,/eu vou estendendo entre montes e torres calcáreas minha vertiginosa linhagem,/ sem dúvida acossado pela trêmula fragrância do trevo,/ talvez inerente produto do bosque na chuva no inverno/pelas estradas molhadas onde passou uma serpente vestida de verde, de todas as maneiras, sem ser conduzido pelas aventuras do rio com seu batalhão transparente/percorro as terras contando os pássaros, as pedras, a água,/e me retribui o Outono com tanto dinheiro amarelo /que choro de puro cantor derramando meu canto no vento."

                                                       EXPOSIÇÕES

Podemos observar que sempre
busca inspiração nas obras dos
grandes mestres da pintura.
Em  1993 – Exposição na Galeria do Aluno – Escola de Belas Artes da UFBA; 1995- Exposição Camomila, na Associação Brasil-Estados Unidos- ACBEU, Salvador Bahia;   3ª Bienal do Recôncavo em São Félix-Ba, ganhou o Prêmio de Requisição; 2001 – Exposição na Galeria da Universidade Estácio, no Rio de Janeiro; 2003/5 – Exposições na Casa dos Pescadores, em Búzios, Estado do Rio de Janeiro; 2008/9 – Exposição em Brasília na Galeria Patrícia Yunes Escritório de Arte; 2011 - Exposição na Galeria da ONU, em New York, Estados Unidos; Bienal de Cerveira, Portugal; 2011/ 2012 – Duas exposições nas Galerias Gaivota, Vila do Gaya, cidade do Porto, Portugal ; 2014 – Exposição na Galeria Mali Villas-Boas, em São Paulo; 2015/16 –; 2017 – Exposição Olhares para Matilde  - 90 Anos de Vida;  2019/2020 – Exposição L’Amour Fou ! , Museu de Arte da Bahia- MAB, Salvador-Bahia; 2023 – Exposição Coletiva Fabulações Visuais , na ACBEU, onde ela apresentou a obra Paragordas, numa tela circular de 2000.
NR -Pode haver alguma imprecisão de  data nas exposições que realizou porque a artista não tem um curriculo organizado .Tive muita dificuldade ao pesquisar para apresentar estas que publico. O número de coletivas é bem maior.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

FLORIANO TEIXEIRA E A VIDA EM MINIATURA

 


JORNAL A TARDE, SALVADOR, SÁBADO, 20 DE SETEMBRO DE 1975

 

 

Floriano Teixeira, artista plástico dos mais conceituados nasceu no Maranhão, morou muitos anos no Ceará e, atualmente está radicado em Salvador. Bahia. Homem de fácil diálogo, com tendência a cigano. Ama a terra onde trabalha mais de repente poderá trocá-la por outra. Desde 1941 que participa de mostras coletivas, tendo sido um dos fundadores do Núcleo Eliseu Visconti, em 1949. Fixou-se em Fortaleza, no Ceará onde fundou o Grupo dos Independentes, em 1952. Em 1962 figurou na exposição inaugural do Museu de Arte Moderna da Universidade do Ceará, bem como na mostra de oito artistas no Ceará no Museu de Arte Moderna da Bahia, no ano seguinte. Premiado com o primeiro lugar, juntamente com Betty King, na I Bienal Nacional de Artes Plásticas que foi realizada em 1966, em Salvador. Até agora só realizou duas exposições individuais: uma na Galeria Convivium, em 1965, em Salvador, e outra na Bonino em 1967.

 

Grande ilustrador já tendo trabalhado na ilustração dos livros Dona Flor e seus
Dois Maridos e A Morte de Quincas Berro D’água (edição de luxo), de autoria de Jorge Amado e agora está ilustrando todas as obras de Graciliano Ramos que está sendo relançada mais uma vez pela editora Record.

Floriano de Araújo Teixeira, nasceu no ano de 1923, na Cidade de Caiapó, no Maranhão, e desde cedo utilizando o folclore de sua terra e outros motivos religiosos começou a dedicar-se à pintura. Utilizou também tipos populares e objetos de arte popular (naturezas mortas.) Sentiu a influência da corrente abstracionista e depois da figurativista.


                                                    O ENCONTRO

Depois desta necessária apresentação vou transcrever o encontro que tive com Floriano Teixeira, no jardim de sua casa no bairro do Rio Vermelho, recanto dos intelectuais baianos. Com seu jeito matreiro iniciou a conversa contando uma estória."Quando me arrumaram para fazer a primeira comunhão descobri que não lembrava de um só pecado cometido. Daí pedi ao padre que me confessava que fizesse as perguntas e comecei a lembrar-me de alguns pecados cometidos. Eram tantos que formavam um rosário". Assim Floriano queria que eu perguntasse o que desejava saber. Perguntei e fiquei sabendo que ele está com 52 anos de idade e que desde os 14 anos leva a pintura a sério, como uma profissão. Jamais pensou em vir morar em Salvador, mas um dia foi convidado para a inauguração do Museu de Arte Moderna da Bahia e aí encontrou o Obá e escritor Jorge Amado, que naquela época acabava de chegar do Rio de Janeiro para residir aqui. Conheceu através de Jorge outros pintores e fez rapidamente um círculo de amizade. O convite foi imediato. "Floriano você tem que vir morar na Bahia."

 A princípio a ideia de vir para a Bahia com uma penca de filhos, deixando no Ceará um emprego público certo era realmente uma decisão muito grande. Mas, o Obá não desistiu e começou a escrever pedindo que Floriano viesse. Jorge Amado arranjou umas trinta assinaturas de personalidades baianas e enviou um telegrama ao Reitor da Universidade do Ceará pedindo o desligamento de Floriano. Aí não teve mais jeito. Eis que chega o Floriano sozinho. Passa alguns dias na residência do Obá e começa a procurar casa para trazer a família. Veio, e veio como profissional para concorrer com os demais artistas que disputavam um mercado em nascimento.

Começou a trabalhar respirando os ares da velha Bahia. O primeiro ano foi um pouco difícil, mas no segundo em diante o trem começou a correr nos trilhos. O círculo de amizade foi aumentando e as pessoas já procuravam o artista Floriano para adquirir uma obra de arte de boa qualidade. Hoje, é um artista amadurecido, respeitado e acima de tudo integrado à paisagem e a vida baiana.

                                             MERCADO DE ARTE

Diz Floriano Teixeira que antes do grupo de Mário Cravo, Genaro de Carvalho eCarlos Bastos não existia um movimento de arte na Bahia. Depois veio o Jenner Augusto, de Sergipe e, o Carybé, da Argentina. Aí a Bahia se projetou no cenário artístico nacional. O mercado de arte começou a se desenvolver.

Quando cheguei este mercado estava dando os seus primeiros passos e até algumas galerias já surgiam. Hoje posso afirmar que o mercado existe só que é um mercado para fora. Trabalhamos e, a maioria das obras que criamos são vendidas para colecionadores de outros estados ou mesmo do estrangeiro."

Sobre a inflação de artista na Bahia Floriano tem uma posição firmada: "O homem que investe numa obra de arte ele sabe o que está fazendo. Sei que existem muitos artistas e que estão vendendo. Alguns destes artistas não tem amadurecimento ou mesmo não estão realizando um trabalho sério, mas conseguem vender e isto prejudica a qualidade."

 E continua: "Toda dona de casa ou jovem que não consegue passar no vestibular inventa que é artista e começa a usar o pincel. Usam de forma indevida. Mas não sou contra ninguém, só que recomendo a essas pessoas que estudem e levem a sério. Uma exposição só deve ser realizada quando a gente tem realmente alguma coisa para mostrar. De nada adianta exposição por exposição. Quando a gente tira um quadro do cavalete e coloca numa exposição ou mesmo numa galeria para ser comercializado fica exposto ao julgamento público. Este quadro pode ser apreciado ou não. É muito chato a pessoa criar uma coisa e os outros depreciarem, porque muitas vezes não tem valor. Eu, até o momento tenho tido sorte e meus trabalhos estão tendo boa aceitação."

                                             MELHOROU

Floriano Teixeira reconhece que deve muito à Bahia porque aqui pode dedicar-se inteiramente a seu trabalho de pintor. Aqui pesquisou e amadureceu a sua pintura: "Até antes de vir para a Bahia não vivia exclusivamente da pintura. Aqui mudei meu sistema de vida. Passei a viver de pintura. Como tinha passado por várias fases e escolas, a minha pintura reflete um pouco de cada uma delas. Este caminho que venho percorrendo no decorrer de minha vida profissional possibilitou o amadurecimento e o encontro de minha individualidade e personalidade artística. Aqui tive e tenho tempo de pesquisar. Melhorei a minha pintura tanto tecnicamente como na concepção. Hoje, faço uma pintura que tem sido aceita, até pelos mais intransigentes."

 SUA PINTURA

Seus óleos de grandes espaços e planos com pinceladas largas identificam o seu trabalho. Nesses planos surgem figuras diminutas, homens, mulheres e crianças. Talvez consciente ou inconscientemente Floriano na sua simplicidade queira mostrar quanto pequeno é o homem diante do Universo. Um graveto, uma miniatura que pode ser esmagado a qualquer hora.Além disto Floriano é um bom desenhista e exímio ilustrador o que de certa forma lhe facilitou o uso da cor, que veio acontecer com mais intensidade depois de sua vinda para a Bahia.Seu trabalho é tão individual que mesmo sem a sua assinatura é perfeitamente identificado a sua autoria.

 

 

                                            Exposições Individuais

Em 1949 - Fortaleza CE - Individual, na Sociedade Pró-Arte; 1964 - Salvador BA -Individual, no MAM/BA; 1965 - Salvador BA - Individual, na Galeria Convivium; 1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia ;1967 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Bonino ;1969 - Fortaleza CE - Individual, no Museu de Arte da UFCE ; 1971 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Bonfiglioli ;1975 - São Paulo SP - Individual, em A Galeria ; 1976 - Salvador BA - Individual, na Tempo Galeria de Arte ; 1979 - Salvador BA - Individual, na Kátia Galeria de Arte ;1982 - Estoril (Portugal) - Individual, na Galeria de Arte do Cassino Estoril; 1983 - Fortaleza CE - Individual, na BIC; 1984 - Salvador BA - Individual, na Galeria Época; 1985 - Salvador BA - O Desenho e os Desenhos de Floriano Teixeira, no Núcleo de Arte do Desenbanco .

                                                            Exposições Coletivas

Em 1941 - São Luís MA - 1º Salão de Dezembro - 1º prêmio;1942 - São Luís MA - 2º Salão de Dezembro;1948 - Fortaleza CE - 4º Salão de Abril ; 1949 - São Luís MA - 1º Salão Interestadual; 1950 - Fortaleza CE - 6º Salão de Abril; 1952 - Fortaleza CE - 1º Salão dos Independentes ; Fortaleza CE - 8º Salão de Abril - 1º prêmio; 1953 - Fortaleza CE - 2º Salão dos Independentes; 1953 - Fortaleza CE - 9º Salão de Abril - 1º prêmio ;1954 - Fortaleza CE - 3º Salão dos Independentes ; 1956 - Fortaleza CE - 12º Salão de Abril ;1957 - Fortaleza CE - 13º Salão de Abril - 1º prêmio ;1962 - Fortaleza CE - Exposição inaugural do Museu de Arte da UFCE ; 1963 - Salvador BA - Seis Artistas Cearenses, no MAM/BA ; 1966 - Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas - grande prêmio; 1969 - São Paulo SP - 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP;  1970 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Galeria Marte 21 ; 1973 - Brasília DF - Coletiva, na Galeria Múltipla ; 1974 - São Paulo SP - 6º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP ; 1975 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Galeria Ágora;1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP;1980 - Estoril (Portugal) - Coletiva, na Galeria de Arte do Cassino Estoril; São Paulo SP - Coletiva de inauguração da Galeria Grossman ; 1982 - Salvador BA - A Arte Brasileira da Coleção Odorico Tavares, no Museu Carlos Costa Pinto; Salvador BA - Artistas Baianos, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli ; Salvador BA - O Espaço da Cultura, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli ; Aracaju SE - Artistas Baianos, na J. Inácio Galeria de Arten; 1985 - Fortaleza CE – Aldemir Martins , Floriano Teixeira, Pietrina Checcacci Sérgio Lima e Sérvulo Esmeraldo, na Galeria Ignez Fiuza ;1986 - Brasília DF - Baianos em Brasília, na Casa da Manchete; 1987 - Salvador BA - Doze Artistas Brasileiros, na Anarte Galeria; Salvador BA - Pinturas Recentes, no Escritório de Arte da Bahia ;1988 - Salvador BA - Os Ilustradores de Jorge Amado, na Fundação Casa de Jorge Amado ;1990 - Fortaleza CE - Artistas da Casa: Floriano Teixeira, Aldemir Martins, Roberto Galvão, Sérgio Lima, José Guedes e José Mesquita, na Galeria Ignez Fiuza; 1991 - Fortaleza CE - Scap: 50 anos, no Imperial Othon Palace Hotel ;1992 - Salvador BA – Aldemir Martins e Floriano Teixeira: Desenhos, na Atrivm Galeria de Arte ;1997 - Salvador BA - Um Brinde ao Café, no Espaço Cafelier; 1999 - Curitiba PR - Arte-Arte Salvador 450 Anos, na Fundação Cultural de Curitiba. Solar do Barão; Rio de Janeiro RJ - Arte-Arte Salvador 450 Anos, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro; Salvador BA - 100 Artistas Plásticos da Bahia, no Museu de Arte Sacra; Salvador BA - Arte-Arte Salvador 450 Anos, no MAM/BA; São Paulo SP - Litografia: fidelidade e memória, no Espaço de Artes Unicid.