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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

ABANDONARAM AS OBRAS DE MÁRIO CRAVO DO PARQUE PITUAÇU

O governo do Estado desprezou a cultura baiana.Gastaram R$132 mil na exposição " O Cu é Lindo", deixaram os museus à míngua e as esculturas de Mário Cravo Jr. , do Parque Pituaçu completamente quebradas,  enferrujadas, enfim abandonadas. Também , uma bela escultura de autoria de Juarez Paraíso está necessitando de restauração.
Soube que existe um projeto visando a restauração das esculturas, mas até agora não saiu da intenção, se é que existe. E, assim as obras vão se deteriorando cada vez mais. Algumas estão apresentando muita ferrugem, quebradas , outras  com ameaça de desabamento.
Como escreveu Waldeck Ornelas , o Parque de Pituaçu é um parque urbano e não tem muito sentido ser um parque de recurso natural, integrante do Sistema de Unidades de Conservação, e passar sua administração da Secretaria do Meio Ambiente.
 Ele sempre foi administrado pela Conder, e diga-se de passagem, bem administrado. Está provado que os gestores desta secretaria não têm a sensibilidade de lidar com obras de arte. É mais uma prova de que o mérito foi deixado de lado, passando a vigorar o apadrinhamento.
Será que um gestor que é responsável pelo meio ambiente está preocupado com as obras de arte? Pode até que a pessoa tenha alguma sensibilidade, mas não é o que vemos. Na visita que fiz  (dia 19 de agosto de 2018) ao Parque Pituaçu fiquei chocado com o que vi ,e ao me aproximar de uma das esculturas para fotografar  fui informado por um segurança que deveria me afastar porquê ela está ameaçada de desabamento.
Procurei me informar quando ocorreu a última restauração e fiquei sabendo que ocorreu  há mais de quatro anos! Ora, esculturas de ferro e aço localizadas a céu aberto e recebendo durante 24 horas o ataque do salitre ,que naquela área é bem forte, é claro que precisa de manutenção constante. Não se pode deixar se deteriorar a este ponto para fazer a manutenção. Deve ser uma coisa de rotina , como cortar a grama das áreas verdes.

                                                                      DESDE A ENTRADA

Percorrendo o Parque Pituaçu fiquei ainda mais chocado com o abandono a que foi relegado. Desde a entrada principal, onde existia um pórtico majestoso, hoje, completamente deteriorado, com a ferrugem tomando conta de tudo , inclusive sua estrutura pode estar comprometida.
Algumas esculturas desabaram e foram retiradas .Outras só restam os pisos onde estavam fixadas.
Debaixo do pórtico da entrada principal tem pedaços de esculturas que desabaram, e estão lá amontoadas como se fossem coisas imprestáveis.
Se não for tomada uma medida com urgência, em pouco tempo as esculturas do grande artista modernista da Bahia, falecido há poucos dias, que embelezavam e davam ao local um ambiente artístico e de imponência, estarão irremediavelmente perdidas.
Estamos vivendo momentos difíceis na vida brasileira e isto tem se refletido em todos os segmentos, principalmente afetado as classes médias e  as menos favorecidas. Enquanto isto, o atual governador do Rui Costa fica propagando na televisão e nos jornais que "A Bahia Vai Bem". Isto é uma grande mentira.Não vai bem. Perdemos muita coisa para Recife e Ceará.
Somos o segundo Estado em número de hotéis fechados, sendo o primeiro o Rio de Janeiro, que abriu muitos hotéis para as Olimpíadas e a Copa do Mundo,  e com a violência os turistas estão fugindo.
Somos um dos estados mais violentos do país, talvez o pior da região Nordeste . Enquanto isto, pagamos aos marginais um salário presídio de R$1.300,00, maior que os R$ 954, 00 que recebe um pai de família honesto.

sábado, 18 de agosto de 2018

TRAGÉDIA DE MARIANA NUMA VISÃO POÉTICA DA FOTOGRAFIA


Este sapato feminino que enfeitava e protegia
o pé de  uma mulher dá uma dimensão da
tragédia dá uma ideia das perdas .
As pacatas vilas de Bento Gonçalves e Paracatu de Baixo que existiam no entorno da barragem de resíduos do Fundão  da mineradora Samarco, em Mariana, no estado de Minas Gerais , foram cobertas pela avalanche de lama em poucas horas. Por onde aquele rio de lama passou em novembro de 2015 deixou para trás tragédias e destruição. Vidas que se foram, histórias e lembranças sepultadas na imensidão de muitas toneladas de lama composta de barro e resíduos tóxicos de mineração que foram cair no rio e depois no mar poluindo tudo. 
Restam as lembranças orais e imagens cobertas de lama fixadas pela mídia e por profissionais que se dedicam a documentar e fotografar estas tragédias, para que não sejam esquecidas e que nunca jamais se repita. Com certeza foi a maior tragédia ambiental no Brasil dos últimos séculos.
Lembrei da passagem do Gênesis cap 3, v 19 quando Deus diz a Adão e Eva após comerem o fruto proibido:"Com o suor de teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado.Pois tu és pó e ao pó tornarás".
A imagem que tanto foi
reverenciada pelos fiéis
agora coberta de lama.
Sob o título Mariana o fotógrafo Christian Cravo  está expondo 28 fotografias que ele fez no local onde podemos sentir em cada uma delas a dor da perda de entes queridos, de suas casinhas erguidas com tanto sacrifício, e que serviam de porto seguro para àquelas famílias.Até a imagem de Nossa Senhora que ficava na igrejinha encontra-se parcialmente coberta de lama.
O sentimento não é apenas de perdas. O sentimento é semelhante àquele que vivenciamos quando um ente querido desaparece e não é mais encontrado. Aqui alguns entes queridos, as casinhas , suas histórias e relações foram ceifadas, e o que restou é imprestável .Cada vez que olhamos aumenta  a tristeza.
O texto de apresentação é  do talentoso Bené Fonteles .Uma poesia à parte: "Christian foi à Mariana ,à terra de Maria, a mãe que agora coberta de lama vaza na imagem profanada e em tantas outras coisas impedidas de ser de referências afetivas de gente e espaço..."
Restaram um rio poluído e uma terra sem alma, e pessoas sem referências. Restou principalmente a dor indescritível e incapaz de ser captada pela lente de uma câmara, por mais sofisticada que seja.
A exposição Mariana está na Caixa Cultural até o dia 21 de outubro . O endereço é Rua Carlos Gomes ,número 57,Centro , prédio onde funcionava a antiga sede dos Diários Associados.


A MAGIA DO REENCONTRO DE CINCO ARTISTAS

Os artistas Chico Mazzoni,Elisa Galeffi,
Bruno Visco,Goya Lopes
e Clara Fernandes em 2018, e  em 1980
O reencontro é sempre um bom momento para lembrar de situações vividas e enfrentadas no decorrer da caminhada pela vida. Durante um período de tempo tomamos caminhos e decisões bem diferentes dos colegas de escola,  de trabalho e dos amiguinhos  de infância. Nos surpreendemos quando nos reencontramos, e as reações são as mais diversas: "Como você está diferente !", "Você era tão cabeludo !", "Você era magrinho !", e assim por diante. Rimos, e muitas vezes ficamos saudosistas a falar daquela época e das bobagens que fazíamos. Isto é muito bom,porquê é como se a  gente desse uma parada e olhasse pelo retrovisor da vida.
Obra de  Mazzoni, acrílica
sobre tela em baixo relevo.


Agora, os cinco artistas estão se reencontrando na exposição "Segundo Tempo", que está no Palacete das Artes, no bairro da Graça, em Salvador , até o próximo 23 de setembro. Há 38 anos atrás Bruno Visco, Chico Mazzoni, Clara Fernandes, Elisa Galeffi e Goya Lopes foram bolsistas na Itália, e lá realizaram uma exposição na cidade de Firenze, na Casa dello Studente .
Bruno Visco apresenta fotografias e poesias;Chico Mazzoni  sua pintura moderna;Clara Fernandes suas belasesculturas e outros objetos tridimensionais; Elisa Galeffi  fotos de suas instalações, caixas acrílicas e desenho sobre fotografias, e finalmente, a Goya Lopes  mostra sua arte influenciada pela cultura afro com excelentes  criações em tecidos.
Escultura  em bronze de Clara Fernandes de 1993
"Universo Vermelho",
pintura de Elisa Galeffi

Eles lembram que eram jovens e destemidos com idades que variavam de 24 e 25 anos, e graças a um conhecido que hoje têm poucas referências, lembram que o nome é Graziano, que tomou a iniciativa de arranjar um local para eles exporem suas obras. Ai o Bruno Visco apresentou suas telas em tinta acrílica; Chico Mazzoni desenhos a lápis e papel;Clara Fernandes desenhos em técnica mista e colagens;Elisa Galeffi máscaras tridimensionais ,e Goya Lopes litografias e desenhos.
Poesia de Bruno Visco

Cada um partiu para seu caminho. Bruno dedica-se à fotografia e à poesia; Chico passou pelo desenho, e agora fixou na pintura;Clara para as esculturas e outros suportes tridimensionais; Elisa impressão de estampas sobre tecidos, e Goya fazendo design e arte em tecidos , hoje ,conhecida internacionalmente.
Pintura em lona com motivos africanos de Goya










segunda-feira, 23 de julho de 2018

EXPOSIÇÃO DO CU


Estive visitando a exposição O Cu é Lindo, no Instituto Goethe , na Vitória , que tem o patrocínio do Governo do Estado, do petista Rui Costa. Instalada numa pequena sala, ao entrar você é logo avisado que é proibido fotografar ou filmar. Lá não existe um objeto sequer que possa sofrer qualquer interferência de um flash ou mesmo de um clic no celular. Trata-se de uma censura velada. 
Voltando à exposição, se é que aquele amontoado de fotos de péssima qualidade e conteúdo duvidoso possa ser chamada de exposição. Mas, parece ação perpetrada por um inexperiente jovem adolescente que  foi colocando  as fotos nas paredes sem qualquer critério ou mesmo suporte. Algumas ficam até meio enroladas , dificultando a visibilidade. Uma pobreza total de forma e conteúdo.
Este rapaz Kleper Reis se auto fotografou nu e como uma catarse resolveu  expôr algumas das fotos que compõem o conjunto.  Para  concretizar seu  projeto  contou com o apoio da Secretaria de Cultura, do Governo do Estado da Bahia com o nome do projeto de Devires. Conseguiu o patrocínio de quantia de R$131 mil reais. Não sei qual o critério para a liberação destes recursos, em detrimento de muitos outros projetos com certeza de melhor qualidade que teriam sido  apresentados. 
Liguei para o assessor de comunicação da Secretaria da Cultura, e  disse que a liberação do recurso foi para o projeto Devires. Fiz mais algumas  perguntas , sempre se negando a responder, e mandando que  dirigisse por e-mail à empresa Marca Texto . Perguntei se tinha um telefone para facilitar o contato , e  insistiu no e-mail da tal empresa .Terminei até me aborrecendo com a censura, má vontade  ou falta de conhecimento  do assessor. Resolvi então não enviar e-mail depois das tentativas em colher mais informações .
O monitor que está na exposição no intuito de informar os visitantes também sai sempre com evasivas quando lhe questionamos sobre o projeto. 
Mas, vamos ao que vi. O que entendemos é que existe uma censura velada de não poder fotografar, do assessor não querer ou poder falar, e assim por diante. Talvez , seja fruto da repercussão negativa ou que não tenha mesmo o que falar do que lá está pregado nas paredes. 
Sinto que o Instituto Goethe, um espaço respeitado, onde grandes eventos culturais já foram realizados ali durante o regime militar, dos quais estive sempre presente, tenha aberto suas portas para um evento que não merece estar ali.
As fotos que vimos  aparece um homem com o cabo do martelo , uma chave de fendas e outros objetos enfiados  no cu, como eles preferem na "exposição". Noutra aparece um homem nu fazendo suas necessidades fisiológicas num prato. 
Encontrei lá uma militante petista e juntos entramos com o espírito aberto para que pudéssemos, abstraídos de qualquer postura pré-determinada, encontrar pontos positivos na "exposição". Confesso que não encontrei, e nem mesmo ela, mais jovem e engajada conseguiu encontrar. 
Só sei é que alguém deve ter saído com o tal cu cheio de dinheiro do contribuinte, porque 131 mil reais ainda é uma boa grana.
Enquanto isto , falta até papel para impressora nos museus da cidade.


quarta-feira, 13 de junho de 2018

QUATRO ARTISTAS EXPÕEM EM PEQUENOS FORMATOS

Os artistas Juraci Dórea e Leonel Mattos, que
encontrei na exposição Pequenos Formatos
A História da Arte Universal registra importantes artistas pintando em pequenos formatos, e isto pode ser conferido nos principais museus espalhados nos quatro cantos do Planeta. Agora, quatro artistas baianos, os feirenses Juraci Dórea e César Romero, o soteropolitano Bel Borba e o coaraciense 
Obra com colorido e formas geométricas variadas
de autoria de Bel Borba
( filho de Coaraci) Leonel Mattos estão expondo na galeria, que o último mantem no Salvador Shopping. Esta ideia vem de encontro ao que hoje acontece nas habitações localizadas nas grandes cidades , a exemplo de Salvador, onde os apartamentos são cada vez menores e mesmo as casas são construídas com grandes áreas envidraçadas. Assim, a metragem de paredes de alvenaria tende a diminuir dificultando a colocação de obras de arte de grandes dimensões.

Obra de Juraci Dórea e a forte influência da
literatura de cordel.
Foi pensando nisto que o curador e expositor César Romero reuniu com os colegas para realizar esta mostra, que também se torna acessível pelos preços que estão sendo praticados, para que o amante da arte de classe média possa adquirir uma obra de qualidade de um desses artistas, consagrados aqui e até em outros estados brasileiros.

Sabemos que os  pequenos formatos são uma tendência atual no mercado de arte internacional.Esta mostra com obras em séries de formato de 25 X 20 cm desses baianos de talentos individuais reconhecidos nos brindam. Leonel Mattos pinta desde 1971  gosta de intervenções urbanas, e é um animador cultural. Sempre disposto a observar novas ideias de seus colegas mais jovens e tem um potencial extraordinário para pintar seus símbolos que ora ele os coloca na coletividade ou mesmo na solidão. Já o Bel Borba que ficou conhecido por espalhar seus mosaicos e azulejos nos quatro cantos de Salvador também  desde 86 produz esculturas reciclando vários materiais. Agora ele apresenta obras cheias de cores e detalhes incríveis. Esta sua série foi feita em pedaços de telas colados no eucatex.
O César Romero é psiquiatra de formação e começou a pintar profissionalmente em 1967. É reconhecido por suas Faixas Emblemáticas com movimentos e cores que encantam.
Juraci Dórea é arquiteto e sua obra é calcada na literatura de cordel, e agora ele apresenta obras com um colorido que enche os olhos do observador. 
A fita emblemática de César Romero
 sua identidade pictórica
Falando da mostra Juraci Dórea disse que " este formato torna acessível a obra de arte ao colecionador ou mesmo aos que gostam de arte. Além do formato o preço também é mais um estímulo a adquirir uma obra de qualidade". Completa Juraci que " a satisfação do artista é ver sua obra circular e nestes tempos de uma economia em crise , temos que procurar maneiras de colocar as nossas obras circulando para que possamos continuar produzindo".

Sobre suas obras disse que é uma série chamada de Outras Cenas Brasileiras, e que está expondo apenas 10 obras feitas sobre placas de eucatex pintadas com tinta acrílica. Se você observar de perto vê o cuidado e a qualidade dos desenhos, os traços perfeitos, e límpidos tudo feito a pincel. Alguns inclusive trazem versos do Grupo Era, de Feira de Santana, dentre os quais integram o poeta e pintor Antônio Brasileiro.
Obra de Leonel Mattos mostrando seus simbolos
Leonel Mattos com sua série também de 10 obras apresenta os símbolos que ele simplificou e diversificou nas várias formas e cores. Ele informa que eles expressam em determinadas obras a coletividade , a multidão, e o solitário , quando usa uma única figura.
O artista é um dos mais criativos e profícuos de sua geração e hoje além de manter uma galeria no shopping Salvador, onde sempre ocupa um espaço que esteja vazio, ele promove exposições, atos ao ar livre no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, onde está o seu atelier.

Já o Bel Borba colocou uma série de 10 obras como recortes de formatos geométricos onde sobressaem as cores e os movimentos. São obras quem têm um bom efeito decorativo e apropriadas para os espaços clean.

terça-feira, 29 de maio de 2018

AS CORES VIBRANTES DE BETH SALES


Obra onde vemos mulheres exercendo seus ofícios.
A artista baiana Beth Sales  (Elizabete Lopes Joahson)  mostra mais uma vez suas obras concebidas em cores vibrantes, que lembram os trópicos com suas luzes intensas . Embora tenha morado mais de uma década na fria Noruega, e atualmente residindo em Portugal, ela não perdeu a sua essência e continua pintando, expressando sua arte utilizando uma luz diferenciada dos locais onde esteve ou está.
A artista Beth Sales com  obra de sua autoria
Traz também uma grande disposição em realizar e apresentar os trabalhos que produz. A grande maioria dos criadores de arte gosta de mostrar e falar do seu trabalho, para que as pessoas possam aprecia-los e mesmo emitir opiniões. Assim, pode captar o que realmente precisa ou não ser incorporado. Sabemos que a leitura de uma obra de arte varia muito de um indivíduo a outro porque depende da sensibilidade, cultura e capacidade de expressar através a palavra ou escrita.  Mas, é importante ouvir.


Elizabete revela que pintar é uma necessidade visceral, e que quando pinta confessa  "viajo para não sei onde, ouvindo sempre boas músicas". Diz ainda que é "capaz de transpor a alegria, e as cores fortes vindas da minha alma". Portanto, ai está a essência espiritual desta artista que cruzou os mares para mostrar a sua arte. 
Suas telas sempre estão cheias de peixes, flores, gatos, elementos urbanos e traços fortes que delimitam espaços . Uma arte alegre acima de tudo que vem quebrar este ar taciturno que muitas vezes preenche a vida da pessoas que residem em locais de temperaturas mais baixas. Já em Portugal ela terá um contato maior com o sol e a luz mais intensa. Vamos aguardar para ver se vai influenciar nas suas futuras obras.





sexta-feira, 25 de maio de 2018

A SUAVIDADE DAS CORES E TRAÇOS DE FÁTIMA TOSCA AO EXPOR ÁGUAS

A artista Fátima Tosca trabalhando em seu atelier
Sou um admirador da obra de Fátima Tosca desde o primeiro dia que tive contato com uma pintura de sua autoria. Agora, para deleite dos apreciadores de arte ela está expondo a partir de hoje na MCR Galeria de Arte, em Ondina. São 20 trabalhos em vários formatos sob o título "Águas", e ela alerta que não é uma exposição para falar da falta ou mesmo do excesso de água. Nem  mesmo dos que desperdiçam este precioso líquido, que já está ficando escasso em nosso Planeta. Ela revela que não conseguiria realizar este feito, e portanto, suas obras falam da presença lúdica , necessária e vital da água.
A tela Entre águas e fantasia.
Profusão de barquinhos
A água está presente em nossas vidas desde o momento que somos concebidos, no nascimento, e até na morte. Este líquido nos acompanha por toda nossa vida , e esta mostra de Fátima Tosca tem um elemento de espiritualidade que nos remete a pensar sobre a própria existência do Homo Sapiens na face da Terra.
Sou de uma região onde a água é escassa. Lá não tem rio, riacho ou lagoas significativas .Tudo depende das escassas chuvas ou de furar um poço profundo que muitas vezes ultrapassa a 100 metros de profundidade. Portanto, tenho uma relação de muito respeito com a água, e a valorizo em todos os sentidos. Lembro que quando criança existia um pequeno riacho na entrada da cidade de Ribeira do Pombal que teimava em correr límpido, mesmo timidamente, até durante o verão. Mas, os gestores irresponsáveis o transformaram em esgoto a céu aberto, e soube que recentemente o aterraram definitivamente. 
Aqui em Salvador assistimos rios e riachos transformados em esgotos e alguns foram encapsulados  como fizeram nas avenidas Centenário , Vasco da Gama, Bonocô,  no Imbui, e agora a Prefeitura vai fazer o mesmo na Avenida Antônio Carlos Magalhães para implantar o BRT,além de sacrificar centenas de árvores de grande porte.
Portanto , mesmo que não tenha o objetivo de denunciar Fátima Tosca com sua doçura , que lhe é peculiar, nos faz lembrar estas agressões ao meio ambiente em nome de uma falsa modernidade , e agora a palavra da moda é em nome da mobilidade urbana.

                                         LEVEZA DA CORES

Canto Guardado para inverno II,
leveza das cores e dos traços
Como bem disse Francisco Senna , com sua sabedoria, na apresentação da exposição "Água é fonte de vida,princípio...atmo". Exatamente, ai começa a vida e se expande com toda sua fluidez pelos quatro cantos do Planeta. 
Mas, as cores suaves  das obras de Fátima nos proporcionam a possibilidade de parar o olhar e sentir profundamente a leveza dos elementos que compõem cada pintura. São múltiplos barquinhos na tela "Entre Águas e Fantasias",que me fazem retornar à minha infância,quando fazia barquinhos de papel e os lançava nas enxurradas caudalosas, que se formavam quando chovia trovoadas na cidade de Riachão dos Dantas, em Sergipe. Lá se iam os meus barquinhos cambaleantes até desaparecerem, e serem tragados pelas águas barrentas,
Fátima  prossegue com títulos sugestivos que remetem aos elementos que constituem suas telas. É prazeroso examiná-las em silêncio ,e se transportar a um ambiente de paz, amor e até mesmo ao passado . Flores e pássaros de todas as matizes, sempre em tons suaves de vermelhos,azuis, amarelos e verdes mostram a leveza de sua arte.

A  MCR Galeria de Arte, que fica na Avenida Oceânica, 2400,loja 23, em Ondina ,tel 33323883