sábado, 21 de março de 2015

FALECEU A ARTISTA LENA BAHIA


Recebi este e-mail  de Jacivaldo Gomes Machado (Walba)  informando a morte da artista Lena Bahia. Fui pesquisar em meu blog reynivaldobritoartesvisuais.blogspot.com e encontrei esta matéria que fiz em  15 de junho de 1974 sobre o trabalho da artista. Fica ai o registro republicado para que não esqueçamos desta artista que por tantos anos trabalhou no centro Histórico difundindo a nossa arte e os valores da Bahia.
Abaixo o texto do e-mail do Walba  e a matéria que saiu em A Tarde.
"O campo das Artes Visuais perde a artista plástica Lena da Bahia. Faleceu aos 77 anos na sua residência ((Ladeira do Carmo, 10) Centro Histórico de Salvador, às 9:20 do dia 17/03 do corrente ano  e o sepultamento ocorreu às 16:30 do mesmo dia.  Lenice Simões Neves, conhecida no meio artístico como Lena da Bahia, há quase uma década sofria do mal de Alzheimer.  Cidadã soteropolitana, nascida no bairro dos Mares em 1937, pintora e tapeceira de talento, na década de 60 começou pintando para os amigos, a partir daí não parou mais. No decorrer de sua trajetória artística participou de inúmeras mostras coletivas, além de ter realizado diversas exposições individuais. Há quase duas décadas vivia no Centro Histórico ao lado dos seus filhos Marcos e Carlos, ambos, também pintores. " 


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 15 DE JUNHO DE 1974

OS TAPETES DE LENA DA BAHIA

A artista Lena da Bahia com seus tapetes
 A primitiva Lena da Bahia é sem dúvida uma das melhores tapeceiras que tem surgido nos últimos tempos no cenário das Artes Plásticas em Salvador.Seu trabalho é multicolorido e traz as marcas da Velha Bahia com suas igrejas, suas baianas do acarajé e seu samba de roda.
A artista tem uma personalidade inquieta e a cada momento ela procura detalhar melhor seus quadros e seus tapetes.
Agora está selecionando 25 tapetes para uma exposição que fará no sul do país. Lena está trabalhando várias horas por dia dedicando-se a esta exposição que será a primeira que realizará fora da Bahia. Ela pinta há muitos anos. Já participou de várias exposições coletivas e hoje  descobriu a tapeçaria como um meio pelo qual consegue reproduzir nos meios pontos as formas que surgem em sua imaginação criadora.
Diz a artista que "quando estou trabalhando me envolvo de tal forma que esqueço das horas. O tempo vai passando e não consigo parar. Me considero uma primitiva e como tal pretendo continuar pois acho que o primitivismo é uma forma pura de criar. Gosto das cores vivas porque elas estão mais presentes na natureza. E é exatamente a natureza que me envolve". 
As cores cruas da tapeceira
Lena da Bahia nunca frequentou Escola de Belas Artes e nem mesmo recebeu diretamente uma orientação de um mestre. Tudo que faz é intuitivo e ela consegue elaborar um trabalho primitivo que sobressai em comparação com muitos primitivos que andam por aí.
Seus trabalhos são frutos de uma observação, de um viver em meio ao antigo casario, as rodas de samba, as festas de largo, ao candomblé, Ela capta os movimentos, as cores e a movimentação e por meio de um desenho primitivo transporte para o tapete.
Mas é de sua próxima exposição que Lena gosta de falar.
Ela já está ultimando o catálogo que terá um formato retangular apresentando alguns tapetes e fotos de artistas em seu atelier, da Rua César Gama, na Barra. Vai mostrar aos sulistas dez tapetes de 1,40 m por 1m e oito tapetes de 70cm x50 cm e finalmente sete tapetes menores de 60cm x 40cm.
Os tapetes de Lena da Bahia são trabalhados em meio ponto com fios de acrílico. Ela utiliza o chamado fio acrílico porque para o primitivo dá um colorido mais vivo.